Estilos Parentais e as Implicações no Comportamento da Criança de 8 A 12 Anos em Cacoal - Rondônia

Título Completo: Estilos Parentais e as Implicações no Comportamento da Criança de 8 A 12 Anos na Lista de Espera da Clinica Escola da Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal - Rondônia

Resumo: Este estudo examinou a relação entre os estilos parentais e o desenvolvimento do comportamento da criança. Estilo parental é definido como o conjunto das práticas educativas parentais, positivas ou negativas utilizadas pelos cuidadores com objetivo de educar, socializar e controlar o comportamento de seus filhos. Foram coletados dados de crianças de 8 a 12 anos de idade de seus pais e/ou responsáveis, inseridas na lista de espera da Clínica-Escola de Psicologia da FACIMED-Cacoal. A coleta dos dados da presente pesquisa de campo foi realizada por meio de um inventário já validado, chamado Inventário de Estilos Parentais (IEP). O inventário é composto por 42 questões que buscam avaliar a frequência de emissão de comportamentos referentes às práticas parentais utilizadas por pais na relação com seus filhos. Na análise das práticas educativas paternas e maternas dados coletados e analisados apresentaram uma maior prevalência do estilo parental ótimo (50%), regular acima da média (16,66%) e estilos parentais de risco (33,33%). Foi observada uma maior de prevalência das práticas educativas positivas em relação às negativas, nas famílias que participaram da pesquisa.

Palavras-chave: estilos Parentais, práticas educativas parentais, comportamentos.

1. Introdução

A família, representada pelos pais ou cuidadores, se constituem como o primeiro núcleo de socialização da criança, que acaba propiciando grande influência no processo de desenvolvimento social, cognitivo e psicológico (SALVADOR; WEBER, 2005).

Pais que apresentam comportamentos arbitrários e inconsistentes de negação e rejeição aos seus filhos podem fazer com que essas crianças desenvolvam comportamentos de frustração, desconfiança e agressividade colocando em risco o desenvolvimento afetivo (MONDIN, 2006). Outros que desenvolvem práticas de como resolver os problemas de família com conversa calma, pacífica, usando de outras ferramentas, levam a criança a desenvolver o respeito e a uma crença de que os problemas familiares podem ser resolvidos através de meios que não seja aversivo (MONDIN, 2006).

Gomide (2006) salienta que, as práticas educativas parentais podem desenvolver tanto comportamentos pró-sociais, quanto antissociais, dependendo da frequência e intensidade com que o casal, tutor ou responsável às utiliza. Além disso, os filhos expostos à violência por longos períodos, frequentemente comportam-se de forma agressiva e, quando são criados em condições negligentes, tornam-se pouco tolerantes à frustração, com pouca motivação para seguirem normas sociais e relativamente imunes ao remorso.

Segundo Gomide (2006):

“(...) essas práticas envolvem o uso adequado da atenção, a distribuição de privilégios, a criação de regras, distribuição contínua e segura de afeto, e o comportamento moral, que implica, no desenvolvimento das virtudes, como empatia, o senso de justiça, responsabilidade, trabalho, generosidade, conhecimento do que é certo ou errado, sempre seguido do exemplo dos pais” (GOMIDE, 2006, p.8).

O conjunto de práticas educativas parentais (positivas ou negativas) são utilizados pelos cuidadores com o objetivo de educar, socializar e controlar o comportamento de seus filhos, constituindo assim os estilos parentais.

Estilo parental é definido como o conjunto das práticas educativas parentais ou atitudes parentais utilizadas pelos cuidadores com objetivo de educar, socializar e controlar o comportamento de seus filhos. As práticas educativas são definidas como estratégias específicas utilizadas pelos pais em diferentes contextos (REPPOLD, PACHECO, BARDAGI & HUTZ, 2002 apud GOMIDE, 2006). Significa dizer que o estilo parental é o resultado da confluência de forças das práticas educativas parentais, ou seja, em um estilo parental positivo, as práticas educativas positivas são prevalentes às negativas e, por outro lado, se o estilo parental for negativo, as práticas negativas se sobrepõem às positivas (GOMIDE, 2006).

As práticas educativas parentais positivas são definidas pela monitoria positiva e o comportamento moral. Já as práticas educativas negativas envolvem a negligência, a ausência de atenção e afeto, o abuso físico e psicológico, ameaça e chantagem de abandono e de humilhação do filho, a disciplina relaxada, o relaxamento de regras estabelecidas, punições inconsistentes, em que os pais se orientam por seu humor na hora de punir ou reforçar e não pelo ato praticado e a monitoria negativa, caracterizado pelo excesso de instruções independente de seu cumprimento e consequentemente, pela geração de um ambiente de convivência hostil. Tanto as práticas educativas positivas como as negativas podem influenciar a criança no desenvolvimento de habilidades (GOMIDE, 2006).

Mondin (2006) aponta que pais que desenvolvem suas práticas educativas baseadas na resolução dos problemas através do uso de estratégias e conversa calma e pacífica, levam a criança a desenvolver, dentre outras características, o respeito e a uma crença de que os problemas familiares podem ser resolvidos através de meios que não seja aversivo.

Gomide (2006) salienta que é de extrema importância que os pais reflitam junto com a criança sobre os comportamentos emitidos, ensinando-a a se colocar no lugar dos outros e propiciando situações para que ela repare seus atos no intuito de promover reflexões, desenvolverem a empatia, e consequentemente o comportamento moral.

Os pais, para promoverem comportamentos adequados em seus filhos, necessitam comportarem-se de forma socialmente adequada, isto é, sendo socialmente habilidosos ao invés de agressivos e/ou não assertivos, a fim de promover a competência social daqueles. (DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2009)

Comportamentos assertivos, não assertivos e agressivos podem ser gerais ou situacionais, isto é, há pessoas que possuem sempre ou a maior parte do tempo o mesmo padrão de comportamento, enquanto que outras, dependendo da situação e/ou do interlocutor, emitem comportamentos de natureza distinta. Assim, um adulto pode se comportar de forma não assertiva em situação de trabalho e agressiva ao chegar em casa (BOLSONI-SILVA & MARTURANO, 2002).

Comportamento socialmente habilidoso ou mais adequado refere-se à expressão, pelo indivíduo, de atitudes, sentimentos (positivos e negativos), opiniões, desejos, respeitando a si próprio e aos outros, existindo, em geral, resolução dos problemas imediatos da situação e diminuição da probabilidade de problemas futuros (CABALLO, 1996).

O modelo de criação dos filhos e mais as adversidades na família frequentemente predizem problemas de comportamento. Além disso, o uso frequente de estratégias coercitivas pelos pais no ambiente familiar pode gerar uma tendência na criança a utilizar, em suas tentativas de resolução de problemas com seus colegas. A habilidade dos pais em encontrar as necessidades de suas crianças para orientar e apoiar, intercambiando emoções positivas, pode revelar o grau do desenvolvimento de confiança e boa vontade para relacionar-se com os outros através de meios positivos. Cuidados arbitrários e inconsistentes de negação e/ou rejeição, denunciam, provavelmente, o surgimento de problemas que, uma vez emergidos, alimentarão a cólera, a frustração, a desconfiança, a agressão ou altos níveis de ansiedade nas crianças (MONDIN, 2006).

Nesse contexto, os pais devem ter conhecimento sobre as atividades das crianças, obter informações de seus amigos e impor regras sobre as atividades infantis e sobre suas companhias (GOMIDE, 2006). Os pais tem seu papel importante na educação da criança, deve cumprir o seu papel de educador, construindo práticas e estratégias para o melhor desenvolvimento da criança.

Diante de tais aspectos, o objetivo do presente artigo foi de identificar quais as práticas educativas parentais (positivas / negativas) de pais ou responsáveis, os tipos de estilos parentais de cada família e as possíveis implicações no desenvolvimento do comportamento da criança, uma vez que a literatura demonstra uma diversidade de modelos, de conceitos e de variáveis que podem influenciar na relação entre as práticas educativas parentais e os comportamentos.

2. Materiais e Métodos

Afim de coletar dados que possibilitassem a identificação dos estilos parentais de crianças de 8 a 12 anos, foi realizada uma pesquisa de campo de caráter descritivo, no município de Cacoal/RO. A amostra foi composta por criança de 8 a 12 anos, pais ou responsáveis com idade entre 28 e 57 anos, residentes no município de Cacoal, que estavam inscritos na lista de solicitação de atendimentos na Clínica-Escola de Psicologia da Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal/RO - FACIMED. Essa amostra foi selecionada segundo critérios de conveniência, definidos a partir da possibilidade de participação mediante contato inicial. Foi realizado o agendamento de uma entrevista com os pais ou responsáveis e seus filhos  via telefone. A participação na pesquisa teve caráter voluntário, de livre e espontânea vontade, na qual foi garantido aos participantes deixar de participar da pesquisa a qualquer momento.

O projeto de pesquisa foi inicialmente submetido ao Comitê de ética e pesquisa (CEP), e apenas após sua aprovação (sob o protocolo 1123-13), foi iniciado à coleta dos dados junto aos participantes.

Inicialmente foi realizado o agendamento de uma entrevista, definindo um horário com os pais ou responsáveis pelas crianças selecionadas na amostra, para apresentar a pesquisa aos mesmos. Na data e horário agendado com cada família, foi realizada junto à criança e o seu(s) responsável(is) a aplicação de um inventário já validado, chamado Inventário de Estilos Parentais (IEP), proposto e organizado por Gomide (2006). O inventário é composto por 42 questões que buscam avaliar a frequência de emissão de comportamentos referentes às práticas parentais utilizadas por pais na relação com seus filhos. O IEP foi aplicado dentro no Laboratório de Ensino e Pesquisa em Psicologia da Aprendizagem e do Desenvolvimento (LEPPAD), na FACIMED-Cacoal unidade I [01]. Num ambiente silencioso, reservado e sigiloso durante as entrevistas com os responsáveis pela criança, foi explicado os objetivos da pesquisa, buscando sanar todas as dúvidas por parte dos participantes, apresentando os procedimentos de coleta a serem  adotados,  explicitando  todas  as  informações  relevantes  sobre  a  pesquisa  (nome  da pesquisa,  nome  e  contato  dos  pesquisadores,  objetivo,  procedimentos  da  pesquisa,  riscos  e desconforto, benefícios).

A tabulação dos dados obtidos por meio do IEP foi feita utilizando a folha de resposta que contém as sete práticas educativas deste instrumento. Cada resposta NUNCA recebe pontuação 0; ÀS VEZES, pontuação 1; SEMPRE, pontuação 2. Portanto, cada prática educativa poderia ter a pontuação máxima de 12 pontos e a mínima de zero pontos, quando o participante não responder a uma questão, o avaliador colocava zero na folha resposta. Posteriormente à coleta do IEP foi realizada a análise dos dados obtidos por meio do IEP. Os resultados foram categorizados de acordo as respostas nas folhas de resposta que contém as sete práticas educativas deste instrumento, e definidas de acordo com uma fórmula apresentada no manual (GOMIDE, 2006), de forma a facilitar a compreensão dos estilos parentais dos participantes. Foi feito uma devolutiva com os pais apresentando os resultados.

3. Apresentação e Discussão dos Resultados

O IEP foi corrigido de forma manual. Utilizaram-se na base de dados os valores brutos referentes a cada pratica educativa e o índice de estilo parental final dos pais ou responsáveis. Para fazer os cálculos foram usados o Índice de Estilo Parental, para as práticas parentais negativas, que neutralizam ou se sobrepõem às praticas parentais positivas e as práticas parentais positivas que se sobrepõem sobre as negativas e que podem variar entre -60 a + 24, com a ausência de práticas negativas e presença total de práticas positivas.

Na tabela 1, são apontados os índices de estilos parentais previstos pelo IEP, conforme descritos no manual para análise e aplicação, que podem variar entre: estilos parentais de risco; regular abaixo da média; regular acima da média e ótima (GOMIDE, 2006). A partir da coleta dos dados pelo IEP junto às crianças e seus responsáveis, os inventários foram organizados e as respostas dadas pelas crianças e dos seus responsáveis, com relação às práticas educativas parentais utilizadas, foram contabilizadas para se calcular os dados referentes aos Estilos Parentais de cada família.

As respostas do questionário do IEP foram avaliadas e categorizadas pelos pesquisadores de acordo com padrões predefinidos quanto à adequação das práticas educativas (positivas e negativas).

Tabela 1. Interpretação dos resultados do IEP

Percentuais do IEP

Interpretação do Resultado

De 80 a 99

Estilo Parental ótimo, com presença marcante das práticas parentais positivas e ausência das práticas negativas.

De 55 a 75

Estilo Parental regular, acima da média, porém aconselha-se a leitura de livros de orientação para pais para aprimoramento das práticas parentais.

De 30 a 50

Estilo Parental regular, porém abaixo da média. Aconselha-se a participar em grupos de treinamento de pais.

De 1 a 25

Estilo Parental  de risco. Aconselha-se a participação em programas de intervenção terapêutica, em grupo, de casal ou individualmente, especialmente desenvolvidas para pais com dificuldades em práticas educativas nas quais possam ser enfocadas as consequências do uso de práticas negativas em detrimento das positivas.

Fonte: (Gomide, 2006)

Após a análise dos resultados do IEP para cada família, foi possível avaliar a prevalência dos estilos parentais nas famílias avaliadas (gráfico 1), no qual pode-se observar uma maior prevalência do estilo parental ótimo, com percentuais de 50%, regular acima da média 16,66% e estilos parentais de risco com 33,33% de prevalência às práticas educativas positivas e negativas, nas famílias que participaram da pesquisa.

Gráfico 1. Prevalência dos Estilos Parentais Encontrados

Gráfico 1. Prevalência dos Estilos Parentais Encontrados

Com  relação  aos  estilos  parentais  avaliados  para  cada  família,  os  mesmos  foram organizados na tabela 2, que   mostra a análise dos estilos parentais de cada uma das famílias pesquisadas com relação aos praticas educativas parentais, as frequências apresentadas referem- se aos percentuais válidos das respostas dadas ao questionário. Os dados coletados e analisados, nesses casos prevalecem às práticas educativas positivas, com o maior índice nas famílias pesquisadas.

Tabela 2. Estilos Parentais de cada família

ESTILOS PARENTAIS DE CADA FAMÍLIA

 

FAMILIAS

CARACTERIZAÇÃO DOS ESTILOS PARENTAIS (IEP)

P1

Estilo Parental de Risco

P2

Estilo Parental Reg. (acima da média)

P3

Estilo parental Ótimo

P4

Estilo Parental de Risco

P5

Estilo parental Ótimo

P6

Estilo parental Ótimo

As chamadas práticas educativas positivas envolvem a monitoria positiva e o comportamento moral e segundo Gomide (2006), poderá prevalecer o uso adequado da atenção e distribuição de privilégios, estabelecendo regras sobre onde devem ir, com quem podem associar- se. Sendo assim os pais tendem a utilizar e controlar ativamente os comportamentos de seus filhos e suas companhias fazendo acompanhamento e supervisão de atividades escolares e de lazer, promovendo condições favoráveis à criança ao desenvolvimento de virtudes, como empatia, senso de justiça, responsabilidade, trabalho, generosidade e o conhecimento do que é certo ou errado quanto ao uso de drogas e álcool, alertando a criança a seguir o exemplo dos pais (GOMIDE, 2006). Cabe aos pais trabalharem no sentido de que, sejam atendidas as necessidades dos filhos, seja ela qual for, bem como encaminhar a criança no sentido que adquiram aptidões. Quando os pais trabalham adequadamente nesse sentido, estabelecendo limites, concordando e incentivando as atitudes positivas e criticando as negativas, a criança terá aprendido as regras básicas de convivência e iniciado de forma sólida o processo de socialização (ZAGURY, 2000). Sempre  que  a  criança  tiver  atitudes  corretas,  deve-se  ressaltar  esse  fato,  premiando  ou recompensando o bom comportamento, assim elas ficam com a sensação de que vale a pena fazer tudo certinho, agindo de maneira adequada.

Diante desses aspectos onde prevalece os Estilos Parentais regular, acima da média, e Estilo Parental ótima, aconselha-se a leitura de livros para os pais para o aprimoramento e presença marcante das práticas parentais positivas, e ausência das práticas negativas.

Nas famílias que o índice de estilos parental foi de risco (33,33%), apresenta-se a prevalência das práticas educativas negativas, o uso dessa prática envolve  a  punição inconsistente, negligência, disciplina relaxada, monitoria negativa e abuso físico. Nesses estilos parentais de risco as práticas educativas podem ser caracterizadas por fiscalização e ordens excessivas dadas aos filhos, pelo não cumprimento de regras estabelecidas, os pais estabelecem regras mais quando confrontados abrem mão.

A partir desses aspectos, Gomide (2006) sinaliza que segundo o DSM-IV essa conduta desafiadora, ou seja, não aceitar o que foi imposto, leva à criança a desordem durante a adolescência. Um outro fator relevante do estilo parental de risco é que os pais podem ser negligentes e não responsivos, aplicando punições inconsistentes, que se retiram das situações difíceis, não aceitando suas responsabilidades, ignorando a maioria dos comportamentos da criança, desencadeando sentimentos de insegurança, vulnerabilidade, tornando-a hipersensível.

O uso de punições, além de não resolver os problemas de comportamento, leva a ressentimentos e a dificuldades na interação entre pais e filhos, comprometendo o relacionamento de amizade e cooperação que deveria ocorrer, além de favorecer o surgimento de problemas na vida adulta e mesmo infantil, tais como baixa autoestima, baixa autoconfiança e pouca flexibilidade comportamental frente às dificuldades encontradas no cotidiano (BOLSONI-SILVA & MARTURANO, 2002).

A criança que não aprende a ter limites tende a desenvolver um quadro de dificuldades que vai se instalando pouco a pouco, pois vivemos em um mundo regulamentado e quem não segue as leis, as regras, as normas, podem sofrer sansões (ZAGURY, 2000). As crianças que em geral são muito passivas na infância acabam aumentando as probabilidades de sofrer com déficits comportamentais no futuro (GOMIDE, 2006).

Esses dados sinalizam para uma estreita relação entre o uso de determinados estilos parentais negativos e o desenvolvimento de comportamentos inadequados por parte dos filhos ao longo do desenvolvimento, mas é preciso salientar que tais aspectos necessitam de uma análise mais específica. É importante ressaltar que todos os resultados encontrados sinalizam para tal relação entre os estilos parentais negativos e a manutenção de comportamentos inadequados por parte de seus filhos.

Além disso, o uso extensivo do controle emocional (indução de culpa, retirado do amor) dificulta a aquisição de comportamento que possibilitem a autonomia psicológica, ou seja, a manipulação emocional entre crianças e os pais ou cuidadores, que se esforçam para impedir a autonomia e o desenvolvimento da criança, contribuindo assim para o desenvolvimento de sentimentos de angústia e inadequação, bem como possíveis correlações com comportamentos antissociais - como a delinquência, por exemplo, (PATTERSON, 1992, apud GOMIDE, 2006). Crianças que vivem diariamente com medo destroem a autoconfiança e a noção básica de segurança, o medo desestabiliza o ambiente de apoio necessário para a criança, deixando-a com um persistente sentimento de apreensão, uma ansiedade geral que pode prejudicar a maneira de se relacionar com as pessoas (NOLTE & HARRIS, 2003). Ao contrário do que parece e pra quem nunca teve filhos educar não é uma tarefa fácil, é um processo muito longo e complexo, os pais precisam exercer postura de autoridade, estabelecer regras, limites, agir com firmeza de propósitos.

Diante desses aspectos aconselham-se os pais e ou responsáveis da(s) crianças a participação em programas de intervenção terapêutica, em grupo, de casal ou individualmente, especialmente desenvolvida para pais com dificuldades em práticas educativas nas quais possam ser enfocadas as consequências do uso de práticas negativas em detrimento das positivas.

4. Conclusão

A partir dos resultados encontrados pela presente pesquisa, nota-se uma prevalência das práticas educativas positivas (monitoria positiva e comportamento moral) como predominantes nas amostras e que se sobrepõem às praticas negativas, definindo que os Estilos Parentais Ótimos são os que têm maior prevalência nas famílias analisadas.

Tais resultados sinalizam a relevância da pesquisa com pais ou responsáveis, principalmente no início da adolescência, sendo o IEP um instrumento para a coleta de dados relativos  as  estilos  parentais.  Seu  uso  em  pesquisas  relacionadas  a  esta  temática  podem  se estabelecer enquanto direcionadores para trabalhos preventivos acerca de problemas de comportamento das crianças, pois é através deste instrumento é que se propicie o dialogo e a orientação, não apenas para informar os pais sobre as causas da mudança de comportamento dos filhos, mais também da importância dos estilos parentais no comportamento da criança.

A orientação dos pais possibilita instrumentá-los com habilidades necessárias para saber lidar com as dificuldades da criança, o que pode reduzir as queixas dos problemas de comportamentos promoverem um relacionamento mais estável entre pais e filhos.

Destaca-se a necessidade de mais tempo nas pesquisas a respeito dos estilos parentais, proporcionando um conhecimento mais específico acerca das influências de cada estilo parental sobre o desenvolvimento e sobre os comportamentos das crianças.

Sobre os Autores:

Ivam Carlos Hermes - Acadêmico do Curso de Psicologia da Faculdade de Cacoal – FACIMED.

Rafael Guillardi Armelin - Docente orientador da FACIMED, graduado em Licenciatura Plena e Formação de Psicólogo pela UNESP- Bauru.

Referências:

BOLSONI-SILVA, T. A. MARTURANO, M. E. Práticas Educativas e Problemas de Comportamento: uma análise à luz das habilidades sociais. Bauru, 2002. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2002000200004 >

CABALLO, V. E. Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. 1ª ed. - Ed. Santos, São Paulo, 1996.

DEL PRETTE, A. P. Z, DEL PRETTE, A. Psicologia das habilidades sociais na infância: teoria e prática. 4ª Ed. – Petrópolis, RJ: Ed. Vozes, 2009.

GOMIDE, C. I. P. Inventário de Estilos Parentais – IEP. Petrópolis, RJ. Ed. Vozes, 2006.

MONDIN, C. M. E. Praticas educativa parental e seus efeitos na criação dos filhos. UNOESTE. Presidente Prudente. 2008. Disponível em: < www2.pucpr.br/reol/index.php/PA?dd1=2498&dd99=pdf >.

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