Metacontingências: O Estudo dos Comportamentos Sociais na Análise do Comportamento

1. Metacontingência - Análise das Influências no Comportamento

A Análise Experimental do Comportamento (AEC) ou simplesmente Análise do Comportamento (AC), é um método de trabalho e uma ciência que tem como substrato o Behaviorismo Radical, surgido por volta de 1930, proposta por Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), a qual evidencia a importância do ambiente e do seu contexto para a explicação do comportamento humano, que pode ser estudado através de métodos científicos, como por exemplo, a observação direta e o relato verbal (BAUM, 1999; DAMIANI, RUBIO & CHIPPARI, 2000; DAVIDOFF, 1983).

O método comportamental adota um modelo de multideterminação do comportamento, que ocorre através de três variáveis: filogenéticas ou inatas (seleção natural) são sucessões genéticas das espécies orgânicas, ontogenéticas que, compõe características individuais dos organismos (história de aprendizagem, de vida) e culturais, que possibilitam o surgimento e transmissão de práticas culturais (conjunto de crenças e valores) (SKINNER, 1998; SKINNER, 1991; BAUM, 1999; MARTONE & TODOROV, 2007; CARRARA, 2004), ou seja, segundo este método, o comportamento de todo e qualquer organismo vivo seria fruto dessas três variáveis em conjunto, que agem mutuamente sob sujeito.

O primeiro nível, filogenético, equivale ao processo descrito por Darwin como seleção natural das espécies. “Esse processo ocorre quando características biológicas ou comportamentais favoráveis à sobrevivência e/ou reprodução da espécie são selecionadas e transmitidas de geração a geração, por intermédio da dotação genética dos organismos” (MARTONE & TODOROV, 2007, p. 183).

O segundo nível é chamado ontogenético, e descreve a história de aprendizagem individual de cada organismo vivo. Neste nível, variações comportamentais que produzem conseqüências reforçadoras para o sujeito serão selecionadas e, posteriormente, aumentarão a probabilidade da ocorrência de certas classes de respostas. “Esse segundo nível de variação e seleção possibilita a descrição do processo de surgimento de características individuais que dão singularidade às respostas de um organismo, possibilitando o estabelecimento de repertórios comportamentais idiossincráticos” (MARTONE & TODOROV, 2007, p. 183).

O terceiro nível descreve as formas pelas quais os indivíduos de uma comunidade/grupo aprendem por intermédio de contato com outros indivíduos e por seus pares de gerações, atuais ou passadas, produzindo e acumulando conhecimento ao longo de gerações. Aqui, os entrelaçamentos dos comportamentos das pessoas e os efeitos produzidos por esses entrelaçamentos, sobre o ambiente, também se tornam fonte de determinação do comportamento, possibilitando o desenvolvimento de repertórios comportamentais que transcendem o período de vida do próprio indivíduo (MARTONE & TODOROV, 2007).

Todavia, ao analisar essas três variáveis, Skinner (1991) afirma que as influências oriundas da filogênese fazem parte do objeto de estudo da Biologia, os da ontogênese da Psicologia e os da cultura da Antropologia e da Sociologia. Como o estudo do comportamento se insere na ciência psicológica a AC foca, acima das demais variáveis, a ontogenia e estuda, principalmente, os comportamentos operantes, que segundo Matos (1993, p. 143), são aqueles comportamentos que “afeta (atua sobre) o ambiente e, mais importante, que é afetado pelas conseqüências dessa atuação sobre o ambiente”.

Assim, a AC estuda o processo de seleção por conseqüências dos comportamentos operantes a variáveis externas, respostas do indivíduo a estimulações ambientais (DAVIDOFF, 1983), trabalhando diretamente com contingências dos sujeitos. Esta, segundo Skinner (1974), é a interação entre três fatores: a ocasião em que a resposta ocorre, a própria resposta, e as conseqüências reforçadoras. Evidenciando que, para o behaviorismo radical as causas de um determinado comportamento devem ser investigadas a partir das contingências e não da mente ou de uma estrutura cognitiva, pois os problemas que as pessoas apresentam têm como raiz contingências perturbadoras aos quais foram expostos. Portanto, a possibilidade de mudança de comportamento e melhoria encontra-se na alteração das contingências, “[...] o analista de comportamento sabe que o comportamento que um indivíduo emite foi selecionado pelas conseqüências, tem uma função no seu repertório, mesmo quando aparentemente inadequado” (DELLITI, 2001).

Contudo, Singrid Glenn em 1986, a partir do texto “Metacontingencies in Walden Two. In Behavior Analysis and Social Action”, amplia o objeto de estudo da AC e insere o conceito de “Metacontingência” para os estudos analítico-comportamentais relacionados às práticas culturais (conjunto de crenças e valores de um grupo/comunidade), lançando o desafio da análise do comportamento apropriar-se também de seu estudo (GLENN, 1986; TODOROV & MOREIRA, 2004; GUSSO & KUBO, 2007; MARTONE & TODOROV, 2007).

Apesar da sua ênfase no estudo da ontogênese, o próprio Skinner (1991; 1998; 1981; 1978) sempre enfatizou o valor da cultura no comportamento humano e o estudo de fenômenos sociais como parte da Análise do Comportamento, uma vez que o objeto de estudo para a AC é o próprio comportamento, as variações comportamentais no repertório de um organismo serão selecionadas na sua relação com o ambiente, possibilitando, de tal modo, a atuação de contingências seletivas. Portanto, se o comportamento é determinado pela relação do organismo com o ambiente, parte fundamental do ambiente de uma pessoa é composta por outras pessoas – ou seja, seu Ambiente Social.

Se a compreensão do comportamento humano, como o de outras espécies, depende da análise das interações entre sujeito e ambiente, e se o ambiente humano é em grande parte composto pelas ações de outras pessoas, logo, grande parte do comportamento humano é determinado por outros homens e mulheres. Podemos afirmar, portanto, que o interesse especial da Análise do Comportamento pelo comportamento humano a obriga a tratar de fenômenos sociais (SAMPAIO & ANDERY, 2010, p. 183).

Skinner (1991; 1998; 1981; 1978) afirma também ser possível usar a cultura como agente mantenedor e liberador de reforçamento para novos comportamentos, potencializando o alcance da intervenção comportamental. Neste contexto, o comportamento de uma pessoa pode exercer tanto a função de estímulo discriminativo quanto a função de conseqüência (estímulos reforçadores ou punitivos) no controle do comportamento de outra pessoa, ou mesmo qualquer outra função comportamental (ANDERY, MICHELETTO & SÉRIO, 2010).

[...] as conseqüências que agem sobre o indivíduo selecionam suas respostas particulares; já as conseqüências que atuam sobre os membros de um grupo enquanto tal selecionam práticas culturais que, em última análise, também remetem aos comportamentos dos indivíduos, mas com uma especificidade distintiva: são tipicamente comportamentos articulados responsáveis pela produção de conseqüências compartilhadas pelos membros do grupo (CARRARA, 2008, p. 49).

Conclui-se, portanto, que é por intermédio do processo de seleção por conseqüências que as espécies, os indivíduos e as culturas evoluem, todavia “é o efeito sobre o grupo, e não as conseqüências reforçadoras aos indivíduos membros do grupo, o responsável pela evolução da cultura” (SKINNER, 1981, p.502).

Para entender melhor sobre a análise comportamental da cultura, é fundamental, antes, passar por alguns conceitos, como: comportamento social, práticas sociais/culturais, fenômenos sociais, macrocontingências, metacontingências, produto agregado, contingências cerimoniais, contingências tecnológicas, dentre outros.

De acordo com Andery, Micheletto e Sério (2010), comportamento social e práticas sociais/culturais são conceitos diferentes que, embora normalmente andem juntos e se influenciem mutuamente, não devem ser confundidos, dentro da perspectiva da AC. Enquanto o Comportamento Social é compreendido como o comportamento de duas ou mais pessoas, sendo uma em relação à outra ou, no conjunto de pessoas, em relação a um ambiente comum, a Prática Social/Cultural está ligada à reprodução de comportamentos operantes análogos, entre indivíduos de uma dada geração e entre gerações de indivíduos. Resumindo, a partir das relações sócio-comportamentais (comportamento social) que definem parte do conteúdo do repertório de um organismo, estas são replicadas nos repertórios de outras pessoas (prática cultural), em um sistema sociocultural (cultura).

Carrara (2008) afirma que, ao lidar com práticas culturais/sociais, naturalmente, se lida com comportamento social, assim neste tipo de comportamento, obrigatoriamente outra pessoa necessita estar envolvida, podendo esta estar em qualquer um dos três elementos de uma contingência de reforçamento (estímulos antecedentes, respostas e/ou estímulos subseqüentes). Assim, o comportamento social engloba, portanto, qualquer contingência tríplice, cujas conseqüências são mediadas pelo comportamento operante de outro(s) indivíduo(s) (SAMPAIO & ANDERY, 2010).

O comportamento social adquire dimensões mais complexas quando se passa ao âmbito das práticas culturais. Este âmbito possui a capacidade de ultrapassar o conceito de comportamento social (embora o incorpore) quando possibilita a transmissão cultural de repertórios comportamentais, na medida em que sejam funcionais para a preservação dessa mesma cultura. Portanto, se um grupo de pessoas, que interage durante algum tempo, tem seus participantes substituídos, mas suas ações permanecem semelhantes, isso pode ocorrer por duas causas, ou os novos membros entraram em contato com circunstâncias semelhantes àquelas as quais os membros anteriores estiveram expostos, ou – o que é mais provável – os membros antigos de algum modo ensinaram aos novos membros como agir em determinadas circunstâncias (CARRARA, 2008; SAMPAIO & ANDERY, 2010).

Os participantes não precisam manter relação de descendência entre si, isto é, não precisam ser de “gerações” distintas no sentido biológico do termo. A propagação da prática, além disso, não precisa ser mantida por um período de tempo especialmente longo. Muitas ações propagadas entre indivíduos de uma mesma faixa etária e mantidas apenas por um curto período de tempo podem ser consideradas propriamente práticas culturais (e.g., uma “moda jovem de verão”) (SAMPAIO & ANDERY, 2010, p. 189).

Desta forma, o comportamento social envolve o que Skinner (1998), e outros autores (CARRARA, 2008; SAMPAIO & ANDERY, 2010; MARTONE & TODOROV, 2007; MALOTT & GLENN, 2006) chamam de “sistemas entrelaçados de resposta” ou “sistemas entrelaçados de comportamento” ou “contingências entrelaçadas”, as quais afirmam que contingências tríplices de dois ou mais indivíduos, de certa forma, se sobrepõem ou se cruzam, ou seja, a resposta de um sujeito, ou um produto gerado pela resposta de outro, ou a conseqüência em uma contingência, possui a capacidade de participar como conseqüência em outra contingência.

Neste contexto se faz importante distinguir as contingências de reforçamento, que normalmente são estudadas pela AC, na ontogênese, com as contingências entrelaçadas, essencial no estudo dos fenômenos e práticas sociais. De acordo com Carrara (2008, p. 43)

[...] as contingências referem-se, especificamente, às condições (ao modo com que, à maneira pela qual) estão (ou serão) arranjadas as relações entre um determinado comportamento e o seu contexto [...] Contingências, portanto, descrevem relações entre comportamento e ambiente. Ou seja, contingências referem-se a uma descrição, específica e clara, das maneiras pelas quais estão relacionadas uma ou mais respostas de uma classe e o ambiente com o qual interage determinado organismo vivo.

Ou seja, Contingência de Reforçamento é a unidade de análise, que visa descrever as relações funcionais entre comportamento operante e o ambiente, no qual o indivíduo está inserido e interage, levando-o a comportar-se de um determinado modo.

Contingências de reforçamento envolvem um processo de seleção no nível comportamental, que é paralelo e deve sua existência ao processo filogenético chamado seleção natural. Embora muitas – no caso humano, a maioria – das relações que emergem entre o comportamento operante e o ambiente sejam resultado da história do indivíduo, o processo é diretamente mediado pela biologia do organismo (Glenn, 1986, p. 2).

Já nas Contingências Entrelaçadas dos comportamentos operantes individuais, dos membros de um grupo, são “controlados por parâmetros de freqüência (e/ou duração, intensidade, topografia ou outra medida) compatíveis e funcionais para a produção (a curto ou em longo prazo), de contingências funcionalmente equivalentes para os participantes dessa comunidade” (CARRARA, 2008, p. 49).

Malott e Glenn (2006) avançaram conceito de comportamento social e contingências entrelaçadas quando se apropriam do conceito de metacontingência, inserido por Glenn em 1986, e acrescentam o conceito de metacontingência, diferenciando os processos seletivos que ocorrem em nível individual (relações de macrocontingência) de processos seletivos que ocorrem em nível cultural (relações de metacontingência).

Neste sentido, as Macrocontingências são contingências não entrelaçadas, reforçadas individualmente, mas que acabam produzindo uma conseqüência a nível cultural a longo prazo, pois, embora a intervenção apresente caráter cultural, o lócus de mudança ainda é o comportamento individual, já as Metacontingências são contingências entrelaçadas, no qual um organismo depende do outro para obter reforçamento (eles agem juntos) e que produz um produto agregado (maior do que a soma do produzido individualmente) e uma conseqüência cultural, ou seja, a relação entre um conjunto de contingências comportamentais entrelaçadas e os efeitos causados no ambiente em função de tal entrelaçamento (MARTONE & TODOROV, 2007; MALOTT & GLENN, 2006).

Glenn (2006), que implantou o conceito de metacontingências na AC, afirma que esta é a “unidade de análise que descreve as relações funcionais entre uma classe de operantes, cada operante tendo sua própria conseqüência, única e imediata, e uma conseqüência comum de longo prazo para todos os operantes da metacontingência” (p. 2). Martone e Todorov (2007) possuem um conceito bastante similar “[...] é uma unidade que descreve as relações funcionais entre classes de operantes, cada classe associada a uma contingência tríplice diferente, e uma conseqüência comum a longo prazo, comum a todos os operantes na metacontingência” (p. 26).

Esses dois autores afirmam que a metacontingência não se trata de um arranjo de contingências individuais de um grupo de pessoas, de modo distinto, mas que essas contingências individuais necessitam ser interligadas/entrelaçadas, e todas juntas devem produzem um mesmo resultado a longo prazo. Assim, o elo de ligação entre os comportamentos individuais em uma metacontingência é a conseqüência a longo prazo que afeta toda uma sociedade. Afinal, as sociedades se comportam governadas através de metacontingências.

Assim, a distinção básica entre contingências de reforçamento e metacontingências é que, a primeira trata de relações contingentes entre uma classe de respostas e uma conseqüência comum, e a segunda de relações contingentes entre uma classe de operantes e um resultado cultural de longo prazo (GLENN, 2006; CARRARA, 2008; BORTOLOTI & D’AGOSTINO, 2007). Portanto, os indivíduos envolvidos não necessitam trabalhar pelos mesmos fins, mas suas condutas devem funcionar como eventos ambientais que estabelecem a ocasião para as ações dos outros envolvidos e/ou que mantenham essas ações.

Deste modo, ao se falar em metacontingência, fala-se em interação social, em entrelaçamento de contingências individuais e na produção uma conseqüência maior, também chamado de Produto Agregado, que difere das conseqüências que seguem a ação de cada sujeito e se seleciona a ação coletiva.

Os produtos agregados “[...] são eventos subseqüentes às respostas e por elas produzidos [...] são, no entanto, um resultado gerado pelas respostas de mais de uma pessoa” (SAMPAIO e ANDERY, 2010, p. 186) e possuem “papel selecionador em relação ao entrelaçamento das contingências envolvidas, mas não afetam necessariamente os comportamentos de todos os participantes das contingências entrelaçadas” (ANDERY, MICHELETTO & SÉRIO, 2005, p. 25), podendo, portanto, ser diferentes das conseqüências selecionadoras dos comportamentos individuais.

Quando se migra o interesse dos comportamentos individuais para os fenômenos sociais, envolvendo produtos agregados, o objeto de estudo muda, mesmo que apenas momentaneamente, do comportamento para as alterações ambientais produzidas pelo comportamento. Neste caso, os comportamentos (as interações produtoras) envolvidos em tais fenômenos deixam de ser, a priori, a variável a ser explicada e passa a ser variável que explicará tais produtos. “Conseqüências culturais [...] não selecionam comportamentos individuais, selecionam relações entre contingências comportamentais, compreendendo as práticas culturais. O comportamento de um indivíduo específico tem pouco efeito nas conseqüências culturais” (TODOROV & MOREIRA, 2004, p. 26).

As metacontingências podem ser divididas em duas classes de contingências: Cerimoniais e Tecnológicas. Segundo Glenn (2006), as Contingências Cerimoniais estão relacionadas a comportamentos mantidos através de reforçadores sociais que derivam do poder de status, posição ou autoridade do agente reforçador, independente de qualquer relação com mudanças ambientais que beneficiem direta ou indiretamente o sujeito que se comporta, por exemplo, um pai que manda um filho fazer algo porque ele “está mandando”. Já as Contingências Tecnológicas envolvem um comportamento mantido por mudanças ambientais não arbitrárias, ou seja, os reforçadores derivam seu poder a partir de sua serventia, necessidade, utilidade, valor ou importância, tanto para a pessoa que se comporta, como para outras, como, por exemplo, um profissional da saúde dando uma ordem para se fazer algo, porque isso resultará em melhores condições à saúde do sujeito.

Para Carrara (2008), a vantagem das contingências tecnológicas são que estas possuem caráter construtivo para as práticas culturais, na medida em que especificam, de forma clara, um conjunto de condicionantes. “Metacontingências tecnológicas requerem a abstração de boas regras, ou seja, regras que descrevem precisamente as relações funcionais entre comportamento e conseqüências não arbitrárias, imediatas ou de longo prazo (GLENN, 2006, p. 4).

A partir de tudo o que foi exposto, é possível compreender a importância da cultura e dos fenômenos sociais nos estudos do comportamento humano. Apesar desses conceitos não serem novidades na Análise do Comportamento, ainda foram poucos explorados e necessitam de maiores estudos e aprofundamento. Neste contexto, o presente trabalho apresentará uma breve apreciação de como o comportamento individual e comportamento social podem se influenciar reciprocamente, a partir da análise do documentário “Tiros em Columbine”, de 2002.

2. Tiros em Culumbine: um Breve Resumo

O filme “Tiros em Columbine” (título original: Bowling for Columbine) consiste em um documentário americano/estadunidense realizado por Michael Moore, estreado em 11 de outubro de 2002, nos Estados Unidos da América (EUA), ganhou o Oscar de melhor documentário de longa-metragem em 2003, o Prêmio do 55º aniversário do Festival de Cinema de Cannes, o Premio César da Academia de Cinematografia Francesa de melhor filme estrangeiro em 2003, recebeu 36 prêmios internacionais, e foi escolhido como um dos 10 melhores filmes de 2002 pela Time Magazine, New York Post, USA Today, CNN, dentre outros.

Moore, adotando como fundo o massacre ocorrido na Escola de Ensino Secundário Columbine – O Lar dos Rebeldes - em Littleton (Colorado), explora, de forma pessoal e artística a natureza da violência nos Estados Unidos que, segundo sua visão, consiste em fragmentos da publicidade e da mídia em favor das armas de fogo, de animações satíricas sobre a história dos Estados Unidos, uma “política” de amedrontamento à população, dentre outros fatores. A sua maneira, Moore busca saber o porquê de ter ocorrido o massacre em Columbine, e por que os Estados Unidos tem uma taxa de crimes violentos tão mais alta (nas quais estão implicadas apenas armas de fogo) que outros países desenvolvidos e democráticos como Alemanha, França, Japão, Reino Unido, especialmente o Canadá, o qual chega a visitar (TIROS, 2002).

Desta forma, o documentário começa com uma cena que, a princípio, parece absurda, mas que é absolutamente real nos Estados Unidos, onde um banco se compromete a dar aos seus novos clientes uma arma de fogo em troca de abertura de conta, depósitos e investimentos regulares. Não há restrições, por exemplo, é o próprio cliente que preenche o formulário, no qual diz se teve/tem problemas mentais ou envolvimento com crimes anteriores (TIROS, 2002).

Assim, mostra como é fácil o acesso a armas de fogo e munições nos EUA, as pessoas conseguem comprar munição, despreocupadamente, enquanto cortam o cabelo em um salão. Apresenta armas de brinquedos que possui formato, cor e até o som do disparo exatamente igual à original. As crianças aprendem a atirar desde cedo, até cães podem levar armas se os seus donos colocar neles, e com o detalhe de não haver punições, afinal de contas, animais não cometem crimes.

Nos EUA, foi inserida uma cultura da qual os homens devem defender suas famílias e, caso não façam isso, através do uso de armas de fogo, estarão negligenciando seu dever como americanos, pois os policiais não são capazes de fazer tal proteção. Existem milícias para tal dever, no qual seus homens e mulheres possuem empregos e vidas normais, mas treinam tiros para proteger as pessoas e o país.

Praticamente todos possuem armas de fogo em casa, pois acreditam que quando assaltam suas casas, as pessoas apenas chamam a polícia porque eles possuem mais armas, então se você mesmo as tiver poderá proteger sua família, e a polícia se tornará desnecessária. Outro fator de peso é que a Constituição dos EUA afirma que todos seus cidadãos podem possuir armas, existe até uma cidade em que foi aprovada uma lei obrigando todos a terem armas. Até mesmo cegos podem ter porte e permissão para atirar.

A partir desta introdução, Moore volta no tempo, mais especificamente no dia 20 de abril de 1999, na Escola de Columbine, e mostra a chacina, cometida por dois jovens estudantes, que deveriam estar em uma aula de boliche durante o horário em que decidiram invadir a escola, portando armas automáticas, e atirar em alunos, professores e demais funcionários da escola. Muitas pessoas foram atingidas, nos membros, na espinha, na cabeça... Mataram, ao todo, 12 alunos e 1 professor. Dezenas de pessoas foram feridas, mais de 900 balas foram disparadas. As armas e balas usadas foram compradas legalmente, em lojas especializadas. No final, apontaram as armas para si mesmos e se suicidaram. Este é o mote do documentário: tentar compreender os motivos de tanta violência gratuita, absurda e vastamente disseminada na sociedade estadunidense (TIROS, 2002).

O maior fabricante de armamentos do mundo (Lockheed Martin), possui três empresas que ficam dentro ou perto de Littleton, muitos dos empregados moram ali e seus filhos freqüentam a Escola de Columbine. O relações públicas (RP) da empresa afirma, em nome desta, que o que ocorreu na Escola de Columbine é um microcosmo do que acontece pelo mundo (TIROS, 2002). Menos de 10 dias depois da tragédia em Columbine, houve um grande encontro pró-arma, em Denver (Littleton), com Charlton Heston, um famoso ator americano e vice-presidente da NRA (National Riffle Asociation).

Em uma entrevista com Matt Stone, conhecido por ter criado o desenho South Park,chegam a conclusão de que, como na escola em que estudaram, a Escola de Columbine era uma escola comum, de um subúrbio comum. Os professores, colegiado, diretores, não pareciam “colocar muita fé” nos alunos, ocorriam diversas pressões psicológicas, “você tem que passar agora, ser bom agora, se destacar, caso contrário isso nunca irá mudar, você será sempre assim, viverá e morrerá pobre e sozinho, para sempre”. Os alunos acabavam acreditando que a vida era somente aquilo, o que ocorria na escola se reproduziria ao longo de toda sua vida, seriam eternos fracassados.

Após a tragédia de Columbine as crianças passaram a ser tratadas como “monstros”, eram revistadas em vários locais, diversas vezes, por causas irrisórias, como por portar simples objetos, um cortador de unha, ou fazer alguns gestos, como apontar um pedaço de frango, eram suspensos e/ou expulsos da escola. Muitos colocaram a culpa do ocorrido no cantor Marilyn Mason e suas músicas, mas após uma entrevista com o músico, Moore concluiu que não havia como resumir tudo o que houve em Columbine às canções e ações do músico (TIROS, 2002).

Mas então, o que há de errado com os EUA? O que há de tão diferente nos EUA? Afinal, todos os países possuem violência, jogos, filmes, músicas, pais divorciados, dentre outros fatores, e o número de assassinatos nos EUA por arma de fogo é assustadoramente superior do que qualquer outro país do mundo (TIROS, 2002).

Os americanos parecem acreditar em tudo o que ouvem e entram em pânico por qualquer coisa, tomando atitudes extremistas, logo o tempo passa e vê que fizeram tudo por nada, que muitas coisas não acontecem. Os noticiários, os políticos, a televisão fizeram tão bem um trabalho de assustar as pessoas que agora elas nem se quer precisam de um motivo para ficar assustadas ou entrar em pânico (TIROS, 2002).  

Moore afirma que os meios de comunicação podem até não mentir, mas escolhem o que irão transmitir à população. Os americanos são levados a acreditar, pelos noticiários, pelos políticos, pela mídia, que suas comunidades são mais perigosas do que realmente são. Os crimes vêm diminuindo a cada ano, mas o medo dos crimes vem aumentando, e com isso o aumento do porte e uso de armas (TIROS, 2002).

A partir de uma animação, criada por Matt Stone, que conta a história americana e a sua ligação com as armas de fogo, Moore mostra que os homens brancos têm medo dos negros (e acabam fazendo de tudo para destruí-los), sempre que algo dá errado, algum crime é cometido a culpa é tipicamente de um homem negro. Justamente eles que são contra a posse de armas, diferentemente dos brancos.

Moore vai até o Canadá (os vizinhos do norte) e faz uma comparação para compreender porque lá ocorrem tão menos crimes e assassinatos. Então Moore se pergunta: se não se trata do número de armas de fogo na sociedade estadunidense, qual pode ser a causa? Com isto, analisa outras possíveis razões, como o passado violento da nação quando subjugou os índios norte-americanos, à hipótese deles assistirem menos violência na TV, que são mais ricos e que há mais homens brancos lá, mas acaba desmentindo todas essas hipóteses. Todavia, os canadenses ainda são bem menos violentos, e eles até possuem, relativamente, bastantes armas pois a caça é algo tradicional no país.

Entrevistando o delegado de polícia de uma cidade de porte médio canadense, observa que ele encontra dificuldade em se recordar quando houve o último homicídio na cidade. Após alguns diálogos, constata que, para uma cidade aí de uns 500.000 habitantes, há uma média de apenas 1 (um) homicídio (em gral com armas de fogo) a cada 3 anos.

Outra coisa que choca Moore é que os canadenses não trancam a porta de suas casas, vivem sem medo. Isto deixa o cineasta tão estarrecido que resolve visitar vários bairros de diferentes cidades e testa abrir as portas sem bater, para sua surpresa nenhuma está trancada. Em algumas encontra os moradores, que o recebem com cortesia e uma leve surpresa, mas ninguém no Canadá tranca a porta de suas casas. Enquanto nos EUA é comum que as pessoas tenham fechaduras e travas triplas ou quádruplas em suas portas fortificadas e muitos tenham pistolas e revólveres, literalmente, sob o travesseiro ou embaixo das camas. No Canadá as portas ficam somente encostadas e as armas, que existem, bem guardadas em armários, somente para uso da prática de caça (TIROS, 2002).

Assim, acaba chegando à conclusão de que, ao contrário dos americanos, os canadenses não são, noite após noite, assustados por seus noticiários e pela mídia. Os políticos falam de educação, políticas sociais, asilos para quando envelhecerem, seguro-saúde, dentre outros assuntos em prol da comunidade e não somente sobre calamidades, crimes, atentados. Afirma que, se as armas dessem segurança, os EUA seriam o país mais seguro do mundo, todavia o que ocorre é justamente o contrário (TIROS, 2002).

Após o atentado de 11 de setembro as pessoas começaram a estocar objetos e comida, passaram a comprar mais armas e munição. Em um Wal Mark a venda de armas aumentou 70% e de munição 140%. As pessoas começaram a ficar apavoradas, com medo de morrer nas mãos de um terrorista ou de alguém que portasse bombas. Essa “indústria” do medo fez muita gente lucrar, por isso foram feitos muitos investimentos para continuar mantendo a população assustada. A maior vantagem disso tudo era que os políticos corruptos podem se safar de qualquer situação. O autor do documentário afirma que, independente do atentado de 11 de setembro, “uma população apavorada desse jeito não deveria ter armas ou munição por perto” (TIROS, 2002).

Na cena subseqüente Moore encontra e apresenta dois jovens “sobreviventes” de Columbine. Um deles, paralisado numa cadeira de rodas, o outro ainda sofre muito com as inúmeras cirurgias, ambos ainda possuem balas alojadas em seus corpos. Tais balas, usadas no massacre, foram compradas em uma loja da Walmart. Então, os três vão à sede da empresa para conversar com algum responsável, expor seus sentimentos, e ver o que conseguiam, não deu muito certo, foram atendidos por uma RP e ficaram horas esperando. Então um dos garotos teve a idéia de comprar todas as balas, do mesmo tipo que eles receberam, de uma loja da Walmart, próxima dali e foram, no dia seguinte, juntamente com várias redes de TV, devolver o produto e pedir que a rede de mercados (a maior do mundo) parasse de vender munição, pois já não vendiam mais as armas desde 1993. Eles conseguem, então, a promessa de que a empresa irá parar de produzir e vender as balas, e retirará todo e qualquer tipo de munição de suas lojas em até 90 dias. Um verdadeiro feito!

O cinegrafista foi conversar com Charles Heston, e após alguns minutos de conversa descobriu que ele não sabia o que havia ocorrido em Flint, quando foi lá, defender o uso de armas, logo após a tragédia. No meio da entrevista começa a indagar a posição do ator com relação às mortes por armas de fogo, em especial ao assassinato de uma menina de seis anos por um colega da mesma idade. Claro que Heston não fica muito feliz e encerra a entrevista. Ao sair da casa Moore deixa um retrato da menina morta (TIROS, 2002).

Com “Tiros em Columbine” Moore desafia a mídia e os defensores do livre comércio de armas ao mostrar a tristeza e a amargura de familiares e amigos de jovens que tiveram sua vida encerrada precocemente pela apologia da liberdade que permite a qualquer um entrar numa loja de departamentos e comprar armas e munição sem maiores problemas. Ele encerra do documentário afirmando que a América vive e respira com medo, que parece que está tudo em um ciclo sem fim, as pessoas continuam matando umas as outras com as armas de fogo. Sua última fala: “Sim, era glorioso ser americano”.

3. Comportamento Individual e Comportamento Social: Influências Recíprocas

O documentário “Tiros em Columbine” demonstra, por meio de um acervo de notícias recentes, como o social pode influenciar no comportamento das pessoas. Através da mídia, da política, de noticiários, que enfatizam a violência e implantam o medo, disseminam a cultura de que "a melhor defesa é o ataque", e que a melhor forma de se fazer isso é através do armamento em massa.

Ao que o documentário mostra, a política do país, através dos meios de comunicação tem conseguido influenciar sobremaneira a formação da opinião pública, de forma incrivelmente favorável ao uso de armas e apologia a violência como forma de proteção de si mesmo, de sua família, de seus amigos, de um “inimigo invisível”, e desfavorável no que tange a preservação da vida em si, das relações humanas e da harmonia no contato com o outro. Há um condicionamento sobre o “pensamento” das pessoas, capaz de formular suas opiniões.

Essa cultura age sobre os cidadãos americanos, provocando uma insegurança nacional, o que faz com que o “medo’ seja um sentimento crônico e, devido a esses estímulos faça-os buscar uma falsa segurança armamentista e violenta. Assim, as indústrias de armas ganham muito mais dinheiro e, conseqüentemente, o governo lucra també, com os impostos, ignorando as conseqüências e transformando dos EUA no país mais violento do mundo, onde adolescentes e até mesmo crianças podem se matar com armas de fogo.

Moore afirma que, através dos meios de comunicação, bombardeia-se a sociedade com notícias sobre fatos, de certa forma, suficientemente atrativos, mas que desencadeiam comportamentos violentos e sentimento de medo, para desviar a atenção das pessoas dos verdadeiros problemas da sociedade, como os econômicos, sociais, políticos...

O governo parece manipular os meios de comunicação, sabendo que as pessoas têm um limite de percepção e atenção e que, saturando-as com certo número de informações, que apelam para fatos irrelevantes ou sem muita importância, não sobra espaço/tempo para as pessoas receberem outras idéias/informações, desviando a atenção e distraindo-as de questões mais graves. O que é mostrado, por exemplo, através da ênfase dada ao cantor Marilyn Mason e suas músicas, chegando a “culpá-lo”, como o causador do ocorrido em Columbine, ignorando todo o resto do ambiente dos estudantes que cometeram o ato, como o modo de funcionamento da própria escola, o convívio dentro de casa com a família, os relacionamentos interpessoais desses jovens, outros estímulos da mídia, dentre outros.

De acordo com Althusser (s.d.p.43),

o papel dos meios de comunicação de massa, como um dos aparelhos ideológicos do Estado (meios pelos quais o Estado se utiliza para garantir a reprodução das relações de produção através da ideologia, em oposição à repressão), consiste em saturar todos os cidadãos com doses diárias de nacionalismo, chauvinismo, liberalismo, moralismo etc., através da imprensa, rádio e da televisão.

Nesse contexto, os meios de comunicação de massa teriam o papel de difundir idéias e informações de acordo com a vontade daqueles que estão no poder, ocasionando, propositalmente, certos erros ao divulgar informações, como a superficialidade, a banalização, a imparcialidade e a omissão. Como afirma Moore, a mídia/noticiários, podem até não mentir, mas certamente manipulam e selecionam aquilo que vão passar ao telespectador, desviando o foco e mascarando fatos que deveriam ter maior atenção.

Em uma civilização, como a americana, mesmo que, devido a essa política de necessidade de se proteger, eles se isolem e restrinjam o contato humano, ainda assim o comportamento social está presente, não dá para se “fugir” dele, estando inserido em uma sociedade. O comportamento social torna uma pessoa parte do ambiente de outra, fazendo com que o outro indivíduo estabeleça ocasião ou libere conseqüências de respostas em contingências sociais.

Tal afirmação mostra como os comportamentos individuais e sociais se influenciam mutuamente, como seres humanos todos possuem sua ontogenia, uma história única e individual, mas que além de ser formada através de contingências ambientais, o comportamento individual também é construído a partir dos contatos interpessoais, a partir do comportamento social, que com o tempo e gerações acaba se tornando práticas sociais. Esses comportamentos e práticas sociais geram contingências entrelaçadas entre os indivíduos, e com isso um produto agregado, que difere da soma da análise dos comportamentos individuais e das conseqüências individuais destes, que de uma maneira singular, retornam a um grupo de pessoas, estimulando novos comportamentos, numa grande cadeia de contingências, mostrando a complexidade do comportamento, seja ele individual e/ou grupal.

Desta forma, os comportamentos violentos em larga escala, dos americanos, não se restringem apenas aos estímulos oferecidos pela mídia, mas também pelo contato humano de uns com os outros. Uma cultura que transpassa a “televisão”, é levado para dentro das casas e passado a todos que lá convivem, desde a infância até a fase adulta, no qual a alteração de comportamentos violentos se tornam mais difíceis. Desta forma, o comportamento social da violência torna-se uma prática social/cultural de violência.

Esses comportamentos violentos e indesejáveis são reproduzidos em diversos contextos, sendo observados, cada vez com mais freqüência na família, nas escolas, em jogos, que se tornam cada vez mais competitivos, como é mostrado no documentário, com a chacina de Columbine e com o assassinato de uma menina de seis anos por um garoto da mesma idade.

Infelizmente, ao que mostra o documentário, a sociedade americana tem se preocupado muito mais em arrumar condições de remediar o mal causado pelas práticas coercitivas da mídia e dos políticos, e do controle ineficiente por parte do governo, do que com o planejamento cultural e medidas preventivas, eficientes à alteração desses comportamentos agressivos e anti-sociais, que levam a morte de tantas pessoas no país.

Sobre o Artigo:

Trabalho apresentado como requisito parcial da Disciplina Teorias Psicoterápicas II do Curso de Psicologia. Sob orientação da professora msc. Ana Beatriz Dupré Silva. Palmas, 2011.

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