As Consequências Emocionais da Paternidade Precoce em Adolescentes

Resumo: O presente artigo tem como objetivo evidenciar as consequências emocionais da paternidade precoce em adolescentes. O delineamento metodológico do estudo foi à pesquisa bibliográfica baseada nos aportes teóricos de Levandowski (2002), Freitas e Faustino (2009) e Luz (2010). Os resultados apontam que a paternidade precoce é um caso que merece atenção, pois os pais assim como as mães, também têm sentimentos em relação a esse filho, e muitas vezes ele não é levado em consideração, sendo sempre considerado como o culpado e incapaz de ser um bom pai. Algumas das consequências encontradas foram: a falta de apoio familiar; as obrigatoriedades do trabalho; e a responsabilidade de ser provedor de sua própria família, deixando de ocupar o lugar de filho, para torna-se pai, Desta forma, pode-se considerar que o pai adolescente necessita ser estimulado a evidenciar seus sentimentos e ir reconhecendo suas responsabilidades e participação na vida e desenvolvimento do filho.

Palavras-chave: Consequências emocionais, Paternidade precoce, adolescentes.

1. Introdução

O presente estudo intenta evidenciar por meio da pesquisa bibliográfica as possíveis consequências emocionais da paternidade precoce para os pais adolescentes.

Quando estudamos os temas maternidade e paternidade na adolescência, observa-se que os estudos abordando a maternidade são bem superiores ao da paternidade, configurando uma tendência apontada pela literatura de reduzida porcentagem de pesquisas sobre paternidade adolescente (PAULA, 2010).

Para Luz (2010), a escassa produção com dados sobre pais adolescentes, principalmente em estatísticas governamentais referentes ao sistema de informação sobre eventos vitais/nascimentos, parece ignorar a existência desses adolescentes e refletem como estes jovens participam da construção social do fenômeno.

No entanto, de acordo com Paula (2010), a ausência de dados relacionados à paternidade evidencia a necessidade de adequar esse tema para que seja enquadrado dentro das pesquisas e ações estratégicas na prevenção da gravidez precoce e paternidade entre adolescentes. Há uma necessidade de inclusão do homem no contexto das ações de saúde reprodutiva para uma maior integração e responsabilidade deste diante da saúde e cuidado com os filhos.

Nesse sentido, Cabral (2003) e Siqueira (2002) destacam a importância de desenvolver novas investigações sobre o tema, porque mesmo que os pais adolescentes sejam ainda classificados como ausentes, muitos assumem o seu papel, acompanham suas namoradas em função de uma vontade pessoal e não somente por pressões familiares e sociais.

2. Revisão de Literatura

2.1 Jornada da Adolescência Masculina

A adolescência é uma fase de constantes transformações na vida do sujeito. Neste período ocorrem mudanças de ordens somáticas, psicológicas e sociais (SAITO, 2001 apud PAULA, 2010).

Segundo Muss (1969), a adolescência é um período de transição entre o período de transição infantil para o período da autossuficiência que é a fase adulta, portanto é uma situação complicada no quais novos ajustes que diferenciam o comportamento infantil do comportamento adulto em uma determinada sociedade devem ser realizados, e fisiologicamente, esses comportamentos ocorrem no momento em que as funções reprodutivas do adolescente amadurecem.

O termo adolescente deriva de adolescer, origem da palavra adoecer, fazendo condição de crescimento físico e psíquico, que ocorre como um adoecimento, ou seja, com sofrimentos emocionais,transformações biológicas e mentais (OUTEIRAL, 2003).

De acordo com a organização mundial de saúde (OMS, 1948), a adolescência compreende a faixa etária entre os 10 e 20 anos. No Brasil, de acordo com a lei 8.069/90 do Estatuto da Criança e do Adolescente, adolescente é a pessoa com idade entre 12 e 18 anos.

A identidade do adolescente se consolida a partir da vivência de oportunidades para a tomada de decisões, nas quais o adolescente depara-se com o exercício da autonomia e experimenta o aumento da responsabilidade sobre seus atos, são essas habilidades que irão preparar o adolescente para assumir as tarefas da vida adulta (BELSKY; MILLER, 1986; ELSTER; PANZARINE, 1983 apud LEVANDOWSKI, 2002).

De acordo com Aberastury (1980), no processo de construção de sua identidade, o jovem busca referências nas pessoas de seu convívio, por isso, tem a necessidade de um intenso convívio em grupos. Neste período, diversos fatores intrínsecos e extrínsecos tornam-se determinantes para esta formação, e caso haja falhas nesse processo de amadurecimentos, as conseqüências tornam-se complexas e podem causar danos individuais para a sociedade.

Existe um conflito básico na adolescência, onde o jovem deixa de ser criança para passar para uma condição de maior responsabilidade que Aberastury, (1980) define:

“Entrar no mundo dos adultos desejado e temido significa para o adolescente a perda definitiva de sua condição de criança, é um momento muito importante na vida de um homem constitui a etapa decisiva de um processo de desprendimento que começou com o nascimento”.

Segundo Luz (2010), existem grandes mudanças ocorridas no final da adolescência, que acomete todas as classes, sexos, raças e idades, este é apontado como o aumento da responsabilidade  que vem como consequência do fim das coisas boas e perda de situações prazerosas.

Neste sentido, Luz (2010) destaca que no meio de suas relações sociais, os adolescentes tendem a afirmar sua heterossexualidade, para que a sua masculinidade seja reconhecida e refletida nas situações concretas da sua vida, esses aspectos podem ser vulneráveis para a paternidade na adolescência.

Homem, masculino e pai são qualificações que definem um modo de inserção do sujeito na cultura da qual ele faz parte, ambas caracterizam um padrão de comportamento a ser seguido pelos homens e pela própria cultura em que estão inseridos (FREITAS et al 2009).

Portanto, nos dias de hoje, as famílias com filhas adolescentes, costumam a dialogar e orientar suas filhas em relação a cuidados, após a primeira menstruação e como esta deve se cuidar em relação à vida sexual, já as famílias com filhos homens, não costumam orientar seus filhos sobre cuidados com as relações sexuais, pois existe um certo “machismo” quando se fala sobre a vida sexual masculina.  Para muitos pais, saber que seus filhos já mantêm relações sexuais muitas vezes é motivo de orgulho, é um requisito social de afirmação da sua masculinidade, ainda é esperado que esses jovens tenham múltiplas experiências sexuais (LUZ, 2010).

No entanto, conforme Baggio (2009), o órgão genital masculino é o modo como o jovem mede o seu poder e a sua força, quanto maior e mais visível for esse órgão maior será o poder destinado a ele e maior será o seu poder de dominação. Os jovens simbolizam e usam como instrumento para garantir que está no poder e para firmar a própria identidade que é construída a partir da simbolização que ele tem do seu órgão genital.

2.2 Função Paterna

Segundo Freud (1923 apud CARACUSHANSKY, 1990), a primeira e mais importante identificação do individuo é com o pai, esta identificação com o pai resulta na formação do superego que contêm em si o próprio modelo do pai. Ainda Klein (1948 apud CARACUSHANSKY, 1990) complementa ao afirmar que a função de pai no desenvolvimento da criança é essencialmente a de favorecer o processo de identificação. Fato importante para o menino na formação de sua identidade masculina, e para a menina na utilização dos mecanismos de reparação.

Desta forma, pode-se considerar que a situação de um jovem pai não é fácil, antes mesmo de o filho nascer, ele já é considerado culpado, por não ter usado camisinha e por estar estragando sua vida, e a vida de outra jovem (AMENDOLA, 2006, p.11).

Os extraterrestres em questão são os meninos que fizeram aquilo que todo mundo faz, mas receberam: um titulo honorário de Papai (AMENDOLA, 2006, p.09).

Entretanto, até alguns anos atrás, ser pai exigia uma função de único responsável pelo sustento da família e a mulher era quem se responsabilizava para cuidar da casa e dos filhos, este modelo de organização familiar ainda é possível encontrar em alguns contextos, mas essa organização vem sofrendo modificações pelas transformações que as famílias vêm sofrendo ao longo do tempo, hoje já é possível encontrar mulheres que são responsáveis por trabalhar fora para o sustento da família e homens que são responsáveis por cuidarem da casa e dos filhos, são essas transformações que as famílias vêm sofrendo ao longo do tempo, mas que a sociedade já esta se acostumando a lidar (CREPALDI et al, 2006).

Entretanto, Konrath (1996 apud CARVALHO et al 2001) investiga sobre o que é ser pai nas concepções dos homens e como este pai deve ser; constata que os pais muitas vezes querem ter um relacionamento amigável com os filhos, querem manter um diálogo e ter intimidade para conversar abertamente, mas se preocupam com a responsabilidade que eles têm que ter diante dos filhos, mesmo os próprios filhos criticam esta atitude do pai. Muitas vezes eles se sentem desconfortáveis para falar de certas coisas com alguém como o pai e preferem falar para outras pessoas como os amigos.

Partindo dos estudos de Luz (2010), a paternidade mesmo que indesejada insere o adolescente no mundo dos adultos e isso traz satisfação, pois ser pai é ter que assumir responsabilidades e para o jovem tem o mesmo significado quer ser homem. Desta forma, a vivência da paternidade na adolescência esta cheia de significados, responsabilidades e sentimentos, por isso esses futuros pais, precisam receber orientações, apoio e terem suas necessidades atendidas para que possam desempenhar seu papel como pai e cuidador de maneira mais eficaz.

Ainda para Luz (2010), os pais jovens precisam ser orientados e apoiados por seus familiares para que se sintam amparados diante dessa nova situação e para que tenham responsabilidades para lidar com as consequências dos seus atos.

Neste sentido, de acordo com Freitas e Faustino (2009), a vivência da paternidade é algo atribuído socialmente, algo que é adquirido a partir de experiências. O termo responsabilidade aponta em um eixo temático a paternidade como uma nova aquisição de um papel social. Esses encargos aparecem como preocupação com o filho no sentido de lhes garantir subsistência, proteção e bem-estar.

No que se refere a tornar-se pai, Luz (2010), postula que isto dá origem a uma gama de emoções e sentimentos distintos do habitual e convoca à efetividade, o que é difícil para o homem lidar.

Ainda de acordo com Luz (2010), o processo masculino da paternidade inicia-se na prática com as brincadeiras infantis, e quando este jovem se deparam com a vivência real da gravidez são acionadas ferramentas de enfrentamento  contra esse fenômeno, e para isso é necessária à aceitação social da gravidez.

Por outro lado, ser pai para Levandowski (2002), significa assumir responsabilidades sobre a escolha de vidas afetiva, uma restrição da liberdade e um afastamento ou reclusão no grupo familiar e a manutenção do vínculo de dependência com os pais.

Segundo Luz (2010), a paternidade pode ser encarada como uma tarefa fácil para alguns jovens adolescentes que aceitam essa nova etapa de suas vidas, já para aqueles jovens que não querem deixar de lado sua vida social, se recusam a não assumir suas responsabilidades não colaborando com o sustento dos filhos.

Neste sentido, o pai adolescente passa a desempenhar simultaneamente dois papeis sociais aparentemente contraditórios: ser adolescente e ser pai (ELSTER; HENDRICKS, 1986 apud LEVANDOWSKI, 2002).

Desta forma, a paternidade como objeto de estudo tem sido relegada a um segundo plano quando comparada ao interesse dos autores pela maternidade.

Pois, para Levandowski (2002):

Em uma revisão da literatura entre 1990 e 1999, aponta que a incidência de estudos sobre a maternidade é aproximadamente três vezes maior que sobre a paternidade. Essa situação parece ser decorrente da importância secundaria tradicionalmente dada ao pai no desenvolvimento da criança.

Portanto, Trindade (2002 apud LEVANDOWSKI, 2002) acredita que com a gravidez o adolescente precisa assumir diversas responsabilidades, mas muitas vezes não estão preparados para assumir este papel antecipado, podendo dificultar a sua identificação como pai ou mãe.

Segundo Almeida (2007), após o nascimento do bebê, a paternidade foi percebida como algo muito gratificante, que trouxe alegria a esses jovens pais e os fizeram se sentir inseridos no mundo dos adultos, pois foi a partir dai que eles visualizaram suas responsabilidades e reforçaram sua masculinidade, é a partir deste momento que eles descobrem verdadeiramente que são pais e tem responsabilidades pela frente e que eles se percebem como homens.

Após o nascimento do filho, os jovens se deparam com situações em que devem deixar de lado a imaturidade e começar a agir com mais responsabilidade, aprendendo a ser mais maduro, e isso só ocorre após o nascimento do filho, quando eles se dão conta que tem uma vida para cuidar e assumem suas responsabilidades como homens, complementa Almeida (2007).

Neste contexto, Levandowski (2002) defende que dificilmente ser adolescente e ser pai serão duas condições confortáveis e complementares, afirma ainda que tal condição seria um evento estressor para o adolescente quando deparado com a paternidade, do que para os adultos; as possíveis causas desses agentes estressores para o adolescente estariam ligadas a falta de prática e imaturidade psicológica e falta de condições estruturais para lidar com a nova situação.

Levandowski (2002) afirma ainda que esses eventos estressores aparecem por conta que muitas vezes os jovens não estão preparados para vivenciar essas novas experiências e tem que deixar suas vidas de lado para assumir novas responsabilidades, como deixar a escola e procurar um emprego para dar sustento à nova família.

Com base nesta afirmação, Freitas e Faustino (2009) complementam que o torna-se pai também e percebido como uma ligação entre a infância e a vida adulta, neste sentido, o filho transforma a vida do pai no sentido de fazê-lo perceber que sendo pais é menos filho e mais adulto, o que resultará em um objeto de identificação para seu filho.

Desta forma, pode considerar que a paternidade na adolescência apesar de dificultar a vivência de algumas tarefas especificas das fases, como a experimentação afetiva e sexual, não traz apenas repercussões negativas, podendo também promover avanços no desenvolvimento pessoal, devido ao cumprimento de tarefas de maior complexidade afetiva (LEVANDOWSKI, 2002).

A paternidade é uma consequência da identidade adulta do homem e representa estar concluindo uma fase da vida antiga e começando uma nova fase com novas experiências, compromissos e responsabilidades. Ser pai é uma experiência individual e intrasferível, é ter a coragem de assumir suas fraquezas e inseguranças, é além de tudo construir um aprendizado que se estenda nos netos, bem como garantir a sua própria sobrevivência na velhice (FREITAS; FAUSTINO, 2009).

2.3 Aspectos e Consequências Emocionais da Paternidade Precoce no Adolescente

Vivenciar a paternidade precoce é um esforço constante. Muitos pais amadurecem prematuramente e que através de experiências diferentes, possuem um denominador na arte de educar os filhos: o amor (AMENDOLA, 2006).

Considerando que a gestação na adolescência tem grandes repercussões e é um tema preocupante tanto para os pais quanto para a criança, muito tem se estudado a respeito, mas poucos estudos focalizam o pai adolescente e seu envolvimento na gestação; há poucos estudos que comparam os pais adolescentes e o que essa gravidez pode lhe causar (SCHELEMBERG et al, 2002).

Neste mesmo sentido, Lyra et al (1997, p.82) argumenta “a paternidade quando tratada é abordada na maioria das vezes sobre a visão feminina reforçando a idéia que são as mulheres as responsáveis pela gravidez, como se homens não existem e não fizessem parte desse momento, quase nunca é investigado sobre a participação dos homens e quais são seus desejos e anseios no processo de reprodução”.

As dificuldades para esses jovens pais são muitas, eles recebem menos informações e ainda tem que arcar com todas as responsabilidades, como largar a escola e ir trabalhar, afastar-se dos amigos e ainda não tem muita participação da fase de gravidez de seu filho, tais fatos podem contribuir para que esses jovens não assumam as suas responsabilidades pela paternidade (CARVALHO; BARRAS, 2000).

Outro aspecto importante citado de acordo com Montmayor (apud LEVANDOWSKI, 2006) é que o torna-se pai na adolescência afeta o desenvolvimento da identidade, uma vez que fecha muitas oportunidades de vida, por forçar o adolescente a fazer certas escolhas que não eram esperadas por ele, como constituir uma família.

Neste sentido, Paula (2010) acredita que os jovens buscam em seus próprios pais referências, e muitas vezes encontram um pai distante e pouco afetivo; e ela afirma ainda que o filho tem que ter uma experiência positiva com o pai para que ele projete e desenvolva na sua experiência como pai.

Para esses jovens a falta de apoio dos pais dificulta a vivência da paternidade. Em momentos de dificuldades, como de uma gravidez, o adolescente retoma o relacionamento mais íntimo com a família deixando o grupo de amigos de lado, visando o suporte para enfrentar as pressões sociais que emergem. (LUZ, 2010).

Desta forma, os jovens se espelham em seus pais, e a falta de apoio dos pais nesse momento pode fazer com que o jovem tenha dificuldade em, aceitar essa paternidade e que ele não consiga se desprender dos seus antigos relacionamentos sociais (LUZ, 2010), ainda Ester e Hendricks (1986), Nunes (1998) e Robinson (1988 apud LEVANDOSKI, 2006) complementam que gerar um filho no período da adolescência traz grandes mudanças na vida do adolescente, que ainda não sabem lidar com estes dois novos papéis sociais ao mesmo tempo: Adolescência e Paternidade.

Luz (2010) relata que por outro lado, a atividade sexual do homem adolescente é um dos requisitos sociais para o reconhecimento de sua masculinidade.

Segundo Maldonado (1989 apud SOUZA, 2010) a recusa do pai pelo filho pode gerar inquietações ao longo da vida, onde esse pai pode vir a se arrepender depois. A aceitação da paternidade gera coisas boas tanto para o pai quanto para o filho, que mesmo pequeno já sente quando é amado.

Nunes (1998) constatou que os pais adolescentes de um modo geral, não se encontram preparados psiquicamente para realizar todos os aportes necessários para desempenhar o novo papel. Ao se depararem com a situação da gravidez inesperada, os adolescentes acabam percebendo que seu lado infantil ainda atrapalha no enfrentamento desta nova situação.

3. Materiais e Métodos

3.1 Tipo de Pesquisa

Trata-se de uma pesquisa do tipo bibliográfica, que conforme Baruffi (2004) busca explicações a partir de referências teóricas publicadas anteriormente. Este tipo de pesquisa permite que o pesquisador entre em contato com o que já foi publicado sobre o assunto e exige dele uma atitude mais crítica diante dos documentos, artigos e demais documentos, na perspectiva de melhor selecionar o que deve compor seu referencial teórico.

3.2 Local de Pesquisa

Os materiais utilizados foram disponibilizados pela biblioteca do Centro Universitário da Grande Dourados – UNIGRAN, vias eletrônicas e aquisição de livros próprios. Entre os materiais utilizados haviam publicações impressas e digitais de artigos científicos, livros, periódicos e resenhas.

4. Discussão dos Resultados

Os resultados sugerem que a paternidade precoce com adolescentes não é algo que traz apenas consequências negativas para o jovem e sim novas experiências, responsabilidades e repercussões positivas para o seu crescimento pessoal.

Entretanto, de acordo com Silva e Piccinini (2007) exercer essa paternidade ainda vem encontrando dificuldades cotidianas expressas em leis, que não consideram a importância da relação do pai com o filho, e ainda não são levadas em consideração à importância ao aspecto pessoal dos pais adolescentes, assim como fato destes já estarem prontos para a paternidade, para desempenhar o seu papel como pai.

Visto que de acordo com Aberastury e Salas (1981) toda criança precisa de um pai para desprender-se da mãe, é também o pai que auxilia a criança em sua busca pelo mundo externo, sendo a identificação com o pai um importante preditor da sociabilidade da criança com seus pares.

E Winnicott (1966) defende que o pai tem uma direta importância na relação com os filhos fornecendo os alicerces para as relações triangulares, pois o pai é que sustenta as leis e as ordens implantadas pela mãe na vida da criança.

5. Considerações Finais

O estudo evidenciou que os jovens pais enfrentam muitas dificuldades ao longo desse período, ainda mais sendo um tema pouco explorado no nosso cotidiano nos mostra que pouca atenção tem sido dada a esses jovens pais, negando a sua existência.

Desta forma, podemos considerar a importância de novas pesquisas a respeito do tema, que evidencia o jovem pai e quais são suas dúvidas medos e sentimentos em relação à paternidade para melhor compreendermos a dinâmica de assumir uma gravidez inesperada na adolescência e quais são as possíveis consequências para o jovem que experiência.

Sobre os Autores:

Gabriela Teodoro Reche - Acadêmica/ pesquisadora do curso de Psicologia da UNIGRAN. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Rosemeire Souza Martins - Graduada em Psicologia pela UFMS, Especialista em Metodologia e Didática do Ensino Superior. Mestre em Ciência da Saúde pela UnB/UNIGRAN. Docente do curso de Psicologia da UNIGRAN e orientadora da pesquisa. 

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