Uma Visão Psicanalítica Acerca do Fenômeno de Adesão e Permanência de Ex-Católicos à Crença Protestante da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD)

Resumo: Acerca da religião temos inúmeras compreensões. Ela gera inquietudes, envolve aspectos, processos e fenômenos de diferentes ordens: social, cultural, histórica, subjetiva, política, no que refere ao saber oriundo da mesma. Mas os questionamentos datam longínquos, tendo como gênese a “Reforma Protestante”, movimento alemão do século XVI, caracterizado pela fatídica ruptura com a igreja católica. A partir de então, o movimento protestante só tem aumentado cada vez mais. No Brasil, até os anos 1970 era um país de maioria católica, e que quase monopolizava crenças e atitudes religiosas. Este trabalho procura compreender as práticas religiosas, assim como o conjunto doutrinário do recorte protestante definido como neopentecostal especificamente a Igreja Universal do Reino de Deus. Sendo assim, temos a Teologia da Prosperidade como o conjunto doutrinário que fundamenta as práticas dos membros da (IURD). Que elementos teóricos e também psíquicos agregando valor simbólico influenciam os processos de adesão e permanência de ex-católicos à crença protestante? Partindo do pressuposto de que a psicanálise tem o aparato teórico capaz de abarcar os preceitos hipoteticamente levantados, percebeu-se que as correspondências entre adesão e discurso do Outro, permanência e medo, a mídia e seu valor simbólico, fizeram a ponte entre psicanálise e religião. Confirma-se que o paralelo proposto evidencia-se no momento em que a análise do discurso da amostra, pontua que os conflitos, são sim, o principal meio de acesso à adesão à IURD, que esta se dá através do discurso do Outro, representando imaginariamente a figura paterna.

Palavras-chave: visão psicanalítica, adesão, crença protestante.

1. Introdução

Acerca da religião temos inúmeras representações e compreensões. Ela gera inquietudes no mundo acadêmico, envolve aspectos, processos e fenômenos de diferentes ordens: social, cultural, histórica, subjetiva, política, etc. no que tange ao saber oriundo da mesma, tendo enorme influência na vida cotidiana das pessoas. Mas os questionamentos datam longínquos, por volta do século XVI, temos como gênese a “Reforma Protestante”, movimento alemão iniciado por Martinho Lutero, caracterizado pela ruptura com a Igreja Católica. A partir de então, o movimento protestante tem aumentado cada vez mais no mundo inteiro.

O Brasil, até os anos 1970, era um país maciçamente católico e que quase monopolizava crenças e atitudes religiosas. Este trabalho procura compreender as práticas religiosas, assim como o conjunto doutrinário de teor protestante definido como neopentecostal, especificamente a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Sendo assim, temos a “Teologia da Prosperidade” como o conjunto doutrinário que fundamenta as práticas dos membros da (IURD). Que elementos teóricos e psíquicos que agregando valor simbólico, influenciam os processos de adesão e permanência de ex-católicos à crença protestante? Uma questão para esse trabalho.

Partindo do pressuposto de que a psicanálise tem o aparato teórico capaz de abarcar os preceitos hipoteticamente levantados, percebemos que as correspondências entre adesão e discurso do Outro, permanência e medo, como também a mídia e seu valor simbólico, fizeram a ponte significativa entre psicanálise e religião, marcando diferenças. Confirma-se que o paralelo proposto evidencia-se no momento em que a análise do discurso da amostra, pontua que os conflitos, são sim, o principal meio de acesso à adesão à IURD, e que esta se dá através do discurso do Outro, representando imaginariamente a figura paterna.

O presente artigo tem como objetivos analisar o fenômeno de adesão e permanência de ex-católicos à crença protestante da IURD no Piauí, mais especificamente em Teresina. Visamos captar a essência desse movimento e suas implicações. Pretendemos listar as principais características doutrinárias do grupo pertencente à amostra, identificando os fatores que levam os sujeitos a aderirem e permanecerem na crença protestante e verificar as formas de transmissão social do conjunto doutrinário assim como seus valores simbólicos através de uma visão e análise psicanalíticas.

2. Visão Religiosa e Além

Há quase meio século, os protestantes são a religião que mais cresce no país. Nos últimos 20 anos, mais que triplicou o número de fiéis: de 7,8 milhões de pessoas em 1980 para 26,4 milhões em 2001, um salto de 6,6% para 15,6% da população brasileira. (GWERCMAN, 2007). Todavia, com mais de 400 anos do movimento, agora que estamos sentindo os efeitos da reforma protestante que invadiu a Europa no século XVI.

É válido acrescentarmos dados do censo de 2000, pelo fato de lançar algumas perspectivas sobre o movimento protestante no novo século e milênio. Eles evidenciam a diversidade de situações religiosas comparando a distribuição por estados, ou seja, estados “mais católicos” e outros “menos católicos”, com a respectiva classificação: “maior porcentagem” (Piauí, 91,3%; Ceará 84,9%; Paraíba, 84,2%) e “menor porcentagem” (Rio de Janeiro, 57,2%; Rondônia, 57,5%; Espírito Santo, 60,9%). (CENSO, 2000). De acordo com Neri (2011), temos que o Piauí possui “maior porcentagem” 87,93% de Católicos; ao passo que temos um aumento no percentual de protestantes, a saber, 6,18% de “pentecostais” e 2,2% de “neopentecostais”. Aqui temos uma questão... Sendo o Piauí o Estado mais católico do Brasil, poucas são as pesquisas que procuram investigar o significativo fenômeno de crescimento das doutrinas protestantes, em especial, as neopentecostais.

Dada a relevância dos dados remetemo-nos a investigar que elementos estão relacionados ao fenômeno do crescimento protestante encontrados no contexto piauiense, mais especificamente em Teresina. Tendo como prioridade o questionamento sobre aspectos relacionados à adesão de ex-católicos a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), a permanência dos mesmos, assim como a relação da mídia com tais fenômenos.

Antes de fazer a articulações entre psicanálise e religião é necessário entender uma possível definição:

"Religião é um coisa para antropólogo, outra para o sociólogo, outra para o psicólogo é ainda para outro psicólogo; outra para o marxista, outra para o místico, outra para o zen-budista e outra ainda para o judeu ou o cristão. Existe, por conseguinte, uma grande variedade de teorias religiosas sobre a natureza da religião. Não há, portanto, nenhuma definição unicamente aceita de religião, e possivelmente não haverá". (CRAWFORD, 2005, p. 14).

Assim como a política, a economia e os demais aspectos do social, a religião está intrinsecamente ligada a um contexto sócio-histórico e cultural, desse modo, ressaltamos que a religião proposta no período medieval estava adaptada a um sistema mais fechado de relações políticas, econômicas e humanas. Por isso, a teologia tradicional católica condenava a obtenção do lucro excessivo (a usura), dentre outras práticas comerciais. Entretanto, com o início dos tempos modernos, a moral econômica da igreja começa a entrar em choque com a atividade da burguesia que se sentia ansiosa por uma nova ética religiosa, mais adequada ao espírito do capitalismo. (WEBER, 1904/1985)

É em meio a essa turbulência sócio-econômica em que os estados tentam afirmar-se enquanto nação, desfazendo-se assim de suas posições de cristandade e obediência em relação à Igreja Católica, que emerge na Alemanha o movimento da Reforma Protestante, marcado pela oposição ao papado e ao comando centralizador da igreja.

Martinho Lutero, sob a máxima epístola do Apóstolo Paulo: “o justo se salvará pela fé” (BÍBLIA SAGRADA, 1991), conclui que o homem, corrompido em razão do pecado original, só poderia salvar-se pela fé incondicional em Deus. A fé e não as obras praticadas, sendo o único instrumento capaz de justificar os pecados e de conduzir à salvação, graças à misericórdia divina.

Isto posto, vê-se que paralelamente aos problemas meramente religiosos, houve uma série de fatores sociais e econômicos que favoreceram a difusão da ideologia luterana e que sob uma ética ainda mais contemporânea cabe ao estudo das dinâmicas sócio-religiosas, investigar as psicodinâmicas de experiências concretas vivenciadas no palco das espiritualidades.

Existem muitas diferenças entre as religiões, mas também divisões no seio de cada religião, podendo ocorrer, neste último caso quando morre o fundador de uma religião e surgem controvérsias acerca do sucessor ou discussões no tocante a interpretação da escritura ou ainda conflitos sobre crenças ou rituais.

Historicamente, a Igreja Católica sempre procurou impor um rigoroso controle sobre seus membros e em certa época instaurou a Inquisição para censurar livros e julgar “hereges”, mas que não foi capaz de impedir o apelo à reforma no século XVI. Já destacamos que na origem da Reforma Protestante estão diversos fatores nacionais, políticos, econômicos e a renascença cultural. Martinho Lutero (1843-1546), ficou preocupado com a forma como a Igreja financiava a si mesma. (HAAG, 1997)

Lutero insistia que a justificação se dava pela fé somente e acusava a igreja Católica de ensinar que somente pelas obras e pagamento de indulgências. O protesto levantou problemas sobre os sacramentos e o papel central da Igreja. Lutero sustentou que as pessoas podiam ler a Bíblia por si mesmas e formar seu juízo particular sobre ela. Traduziu a escritura para o alemão, para que todas pudessem lê-Ia, atingindo assim o coração do sistema, pois se a fé é pessoal, que necessidade haverá do oficio intermediário do sacerdote? Porém Lutero não exaltou o direito dos fiéis de formar seu juízo particular sobre a escritura e os reformadores mantiveram um ministério profissional, devendo ser um juízo informado, que requer instrução e conhecimento.

Fazendo-se uma leitura do panorama religioso do Brasil, é válido acrescentar que a grande maioria dos protestantes tradicionais no Brasil pertence aos protestantes "de missão" que na segunda metade do século XIX, chegaram dos estados missionários batistas, presbiterianos e metodistas, ou seja, Igrejas pentecostais. Hoje as igrejas fundadas por eles contam com um significativo contingente de fiéis.

A questão da "escolha religiosa” também é bastante complexa. Igrejas pentecostais mais exigentes (como Batistas, que proíbem a seus fiéis muitas coisas), podem atrair mais que igrejas liberais, que parecem facilitar a adesão ou até incentivá-la mediante benefícios. Também as Igrejas protestantes, que aos fiéis solicitam muito em ofertas financeiras, são bem-sucedidas em atrair “católicos”. A hipótese dos observadores é de que pessoas aceitam sacrifícios se eles “compensam”, se em troca recebem algo, por exemplo, uma comunidade mais solidária ou uma experiência subjetiva emocionalmente mais intensa.

Muito diferente é a igreja "Neopentecostal" denominada Igreja Universal do Reino de Deus (lURD), fundada por Edir Macedo no Rio de Janeiro em 1977. Nela, diz-nos Romeiro (1996, p. 19) “a ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada”. Na atualidade, ela ocupa um lugar de destaque entre as igrejas Neopetencostais. Tem organização centralizada, de tipo empresarial, e aposta muito nos meios de comunicação social. Adquiriu e administra a Rede Record de Televisão desde 1997. Sendo, a igreja mais distante do pentecostalismo clássico (e do protestantismo), tendo incorporado práticas religiosas populares.

Notamos que estamos diante (mesmo sem considerar as múltiplas variedades recentes e as igrejas menores) de modelos bem diferentes de pentecostalismo, o que significa, que a competição com a igreja católica se dá em vários campos e de muitas maneiras.

No que se relaciona com os aspectos sociológicos da fé, três elementos podem ser considerados como principal instrumento, sendo eles: indivíduos, sociedade e religião (MARIANO, 1999). Tendo estes como bases daquela, pode-se pensá-la, ora como um sistema de poderes, ora como sistema de relações entrelaçadas de diversas naturezas. Contudo, um aspecto que as relaciona socialmente, seria a "mídia", que tem mostrado uma capacidade de criar um estado de espírito no qual os conceitos e as relações sociais correm o risco de serem diluídas, quando em certos momentos, têm-se feito a ligação entre o terrorismo e o fundamentalismo.

Esta mesma mídia que propaga as ideologias de liberdade e atitude, pode ajudar na divulgação e criação de um “mentalismo religioso”, que pode ir de encontro aos novos movimentos sociais. A velocidade da informação proposta pela tecnologização, tem aproximado universos culturais antes não conhecidos, porém a fusão irresponsável de idéias, conceitos e categorias que se estabelecem como verdades absolutas, podem levar à indução de práticas sociais cujo núcleo relacional é a discriminação (MARTINO, 2003).

A religião pode ser vista como o canal por meio do qual se viabilize uma ação social afirmativa de grupos étnicos minoritários, que com seu potencial religioso, propõe uma transformação cultural da esfera espiritual. E é por meio desta força simbólica da religião que, pode-se constatar que a mesma nesse caso mostra dois de seus traços fundamentais nos tempos modernos: a escolha (adesão) como direito e seu potencial identitário (permanência). Então, a escolha individual realizava-se se vincula ao poder de escolher como sendo um processo de individualização, um componente essencial da construção da subjetividade do indivíduo moderno. Por outro lado, a religião afirma seu poder como agregadora identitária, por meio da quais povos e nações se diferenciam entre si, com base em elementos simbólicos, doutrinais e disciplinares.

Outro aspecto a ser explorado, é o poder do simbólico religioso percebido pela capacidade de inserção nos meios de comunicação de massa, interferindo na efetiva participação na vida cotidiana das pessoas.

Em um movimento de troca, o que a principio no estado moderno deveria ser da alçada do cidadão, transfere-se para o âmbito religioso, mostrando instigantes mecanismos simbólicos que sacralizam a participação partidária. Desloca-se a ética das ações para as concepções morais, a psicanálise por sua vez não trabalha com a lógica da moral, que se constitui numa busca incessante do prazer e bem-estar, mas com a ética do desejo.

Curiosas relações de interações sócio-religiosas instigam a compreensão do papel que a religião possa ter no mundo contemporâneo, exigindo antes de tudo, reconhecer que a mesma é uma dimensão constitutiva dos processos culturais, e como tal, sujeita a uma construção significativa para os indivíduos.

É válido ressaltar, que a religiosidade individual como um ato de livre escolha, data-se de um longo processo cultural, pois perpassando várias esferas do social (TASCHNER, 2009), coloca que finalmente, o que era do mundo da economia e das relações de parentesco, ou da vida privada, passou para a esfera da consciência. Poder escolher no que acreditar, ou mesmo escolher não acreditar em nada, será o último elo da cadeia transformadora dos aspectos culturais.

A capacidade de escolher a própria religião, como direito individual, hoje, é resultado de penosos percursos culturais, aos quais se soma a quebra do monopólio religioso do catolicismo, no ocidente, são os frutos mais precisos da modernidade, que produziram a riqueza do pluralismo religioso (BERGER e LUCKMANN, 2004). Por conseguinte, aquele último empreendimento, constitui-se como a livre circulação de ofertas e demandas religiosas, sem comprometer a atitude de respeito e tolerância mútua entre individuo e grupos que partilham sistemas culturais diversos num mesmo território, conforme Cox. Ele afirmou que:

A religião não só tem sobrevivido, como também tem se enraizado profundamente em algumas das zonas mais industrializadas do mundo. Há certas indicações que parecem sugerir que inclusive tem contribuído para o desenvolvimento do processo de modernização (COX, 1993, p.31)

Sendo assim, temos a “teologia da prosperidade” como sendo um conjunto de princípios que afirmam que o cristão verdadeiro tem o direito de obter a “felicidade integral”, e de exigi-la, ainda durante a vida presente sobre a Terra. Bastando para isso que tenha confiança incondicional em Jesus.

Isto posto, notamos que a Igreja Universal do Reino de Deus, parece ser a instituição religiosa que mais se aproxima destes princípios, pois essa tem como fundamentação doutrinária, a “teologia da prosperidade” que diferentemente dos pentecostais, que caracterizam-se pela atuação do espírito santo, cura das enfermidades, o exorcismo e o dom de falar línguas estranhas (glossolalia), são marcadas pela corrente do pentecostalismo mundial, nascida nos Estado Unidos na década de 70.

Encontramos em Romeiro (1996) articulações válidas sobre essa “neo” leitura do texto biblíco dizendo-nos que ele está recheado de promessas de Deus em relação à prosperidade material de seus filhos. Se relembramos a história das missões da Igreja, elas tem sido marcadas pelo sucesso, devido às contribuições de grandes somas em dinheiro feitas por cristãos abastados, o que, sem dúvida, é uma bênção.

Assim, a mesma prega que o sucesso, a felicidade e a prosperidade podem ser alcançadas nesta vida. As igrejas neopentecostais também enfatizam as manifestações e atuações do Espírito Santo, mas são menos rígidas que as pentecostais tradicionais em relação ao comportamento pessoal e social de seus fiéis.

O cenário fechado de diálogo entre ciência e religião, vem progressivamente sendo substituído por outro mais aberto, dando origem a novas aproximações e movimentos entre esses saberes. Podemos dizer que o diálogo entre ciência e religião, começou a partir da relação teológico-filosófica, sendo que, os cientistas destas áreas eram religiosos subjacentes às suas crenças religiosas sem ignorar o que a critica psicológica havia mostrado quanto às motivações e dinamismos latentes no comportamento religioso (AMATUZZI, 2005). Os esforços de todos conduziram à criação de uma nova cisão antropológica do ser humano e da humanidade.

Aproximação como esta deixa patente também a unilateralidade do positivismo vigente na ciência, geram uma autocrítica capaz de reconhecer a sabedoria contida na linguagem simbólica das religiões. Sendo assim, a ciência passa a conceber que a fé é uma preocupação humana universal (AMATUZZI, 2005). Segundo a “psicologia da religião”, a religiosidade se processa no sujeito, nos modos de sua apropriação de necessidades, emoções, motivações e anseios os mais diversos.

Compreendendo de forma prática e precisa o conceito contemporâneo com incisivo questionamento filosófico das dinâmicas e finalidades das crenças, rituais, éticas e salvação, mantidas e reformuladas na modernidade. Observamos que no Piauí houve um crescimento da quantidade das igrejas protestantes, como também no número de fiéis, conforme Neri (2011), sendo a proposta dos autores a compreensão deste fenômeno. Assim torna-se tarefa da psicanálise, investigar o que há de elementos psíquicos nesses fenômenos que circundam as esferas descritas acima.

3. Visão Psicanalítica e Aquém

Ao traçarmos uma visão psicanalítica sobre tal população, faz-se válido apresentar os pensamentos de Freud acerca da explicação ao fenômeno religioso, onde o mesmo coloca que não pretende crescer influência decisiva na solução deste problema, pois tal assunto, soa de modo tão estranho e se ajusta tão mal ao contexto da psicologia, que se tona justificável a tentativa de descobrir uma explicação psicanalítica, pois o religioso está representado sob a forma de um “sentimento oceânico”, associando ao conteúdo ideacional. Então em, “O mal estar da civilização” (1930/2006), Freud coloca que de forma não patológica, o campo religioso propicia o auge do sentimento de amor, onde a fronteira entre ego (eu) e objeto ameaça desaparecer. Em “O futuro de ilusão”, ele nos diz que

“Não obstante, tal como são essas idéias – idéias religiosas no sentido mais amplo – são prezadas como o mais preciso bem da civilização, como a visa mais precisa que ela tem a oferecer a seus participantes. São muito mais altamente prezadas do que todos os artifícios para conquistar tesouros da terra, prover os homens com o sustento, evitar suas doenças, e assim por diante”. (Freud, 1927/2006, p. 28-29).

Podendo-se perceber a relação estabelecida entre o indivíduo como proveniente de extrema dependência, o que Lacan (1964/1998) chama de alienação ou o vel da alienação sendo algo que comporta uma lógica, a da escolha forçada que o psicanalista destina a definir as formas de conjunção-disjunção da relação do sujeito com o outro.

Nesse processo, em que está em jogo é a dependência do sujeito para com o outro, convém distinguir antes de tudo o nível imaginário em que laçam considera que a significação da alienação, constituinte do eu aparece na relação de exclusão que estrutura, no sujeito, a relação dual do eu com eu. Isso supõe que o vel da exclusão: “tu ou eu” é consciência aqui da alienação: “tu és Eu” (KAUFMAN, 1996, p. 21). Porém, não existe apenas a relação imaginária, pois no nível simbólico é importante sublinhar que a dependência significante para com o outro está na dependência de um processo que, por ser circular, nem por isso é menos dissimétrico.

Lacan (1964/1998) sublinha a originalidade desse vel, em que já não trata da exclusão, no nível imaginário, de um “tu ou eu”, mas de uma escolha na qual o móbil se limita, aparentemente à conservação (ou não) do outro termo com a instalação de uma dialética do desfalque. Por isso, Lacan justifica o vel alienante da “liberdade ou a morte” pelas duas posições do escravo e do senhor: se para o escravo a escolha se reduz a “não há liberdade sem vida” com uma vida que permanece desfalcada da liberdade, para o senhor, fazer sua escolha passar pela morte constitui, igualmente, sua alienação fundamental. Aquele da luta de puro prestígio ou aquele que, no terror, para ter a liberdade, não terá outra escolha senão a morte.

Seja como for, essa repartição, que evidencia esse fator letal no vel alienante, põem fim à esperança de qualquer integração do particular no universal. É por isso que das alternativas, o ser ou o sentido, Lacan extrai: “se escolhemos o ser, o sujeito desaparece, escapa, cai no não-senso” (LACAN, 1964/1998, p. 200). Ainda segundo Lacan, é na medida em que está engajado num jogo de símbolos, num mundo simbólico, que o homem é um sujeito descentralizado, contudo, os símbolos nunca têm mais que o valor de símbolo. Então como herança do discurso freudiano há uma constante que atravessa diversas épocas, adotando em diferentes momentos, diferentes teorizações, trata-se da referência onipresente, implícita ou explícita, aos registros de imaginário, simbólico e real.

O registro do simbólico tem na linguagem, sua expressão mais concreta, regendo o sujeito do inconsciente. Nos trabalhos de Freud, a importância do simbólico pode ser encontrada nos textos que ilustram o funcionamento do inconsciente, como também nos que discorrem sobre o complexo de Édipo, por ser a “função do pai”, ligada a esse registro.

No que concerne à estruturação do sujeito, Lacan coloca ser esse, determinado pelo Outro, nome dado a tudo aquilo pelo qual ninguém chega a dominar plenamente os efeitos das suas palavras e atos. A concepção Lacaniana do significante implica uma relação estrutural entre o desejo e o “grande Outro”. Essa noção de “grande Outro” é concebida como um espaço aberto de significantes que o sujeito encontra desde seu ingresso no mundo; trata-se de uma realidade discursiva que Lacan coloca como o conjunto de termo que constituem esse espaço remetendo sempre a outros e eles participam da dimensão simbólica margeada pelo do imaginário, perpassando pelo grafo do desejo.

Contudo, Freud assimila o não desejo ou a angústia, assimilada a “algo sentido” da ordem do desprazer, ou seja, a angústia é para este autor um estado de afeto provocado por um acréscimo de excitação que tenderia ao alivio por uma ação de descarga. Há acordo em reconhecer em Freud duas teorias da angústia, ou ela proviria de um excesso de energia libidinal não eliminada ou indicaria ao eu a iminência de um perigo. Oriunda do tratamento do tratamento das histéricas e do interesse dedicado à neurose de angústia, a primeira teoria estava ligada a um tipo de explicação essencialmente econômico, ao passo que a segunda remte a um tipo de explicação mais dinâmico.

De fato, foi a tendência a considerar o eu como o único lugar da angústia que conduziu Freud a se distanciar da concepção que a relação nova à descarga direta de uma quantidade de libido não utilizada pelo eu. Assim Freud escreveu em sua conferência intitulada “A angústia e a vida instintiva”

Estudando as situações perigosas, constatamos que a cada período da evolução corresponde uma angústia que lhe é própria o perigo do abandono no psíquico coincide com o primeiríssimo despertar do eu, o perigo de perder o objeto (ou o amor), com a falta de independência que caracteriza a primeira infância; o perigo da castração, com a fase fálica; e finalmente o medo do supereu, que ocupa uma lugar particular, com o período de latência. (Freud, 1932/2006, p. 91-92)

A angústia parece então se apoiar sobre situações prototípicas cuja insuficiência de elaboração psíquica seria indicada pela reativação de ordem traumática.

Em “O futuro de uma ilusão” (1927/2006), Freud caracteriza a frustração como o fato de uma pulsão não ser satisfeita, depois a interdição como dispositivo em virtude do qual a satisfação é excluída, e finalmente a privação como a situação resultante da interdição. Se a privação designava uma frustração de gênero determinado – frustração de uma satisfação real logo depois o resultado de uma interdição. Ainda no referido a distinção entre as privações que atingem todo mundo e aquelas que só atingem certos grupos, certas classes, e mesmo certos indivíduos. Assim, com as interdições que elas manifestam foi inaugurada a ruptura da cultura em relação ao estado animal originário.

Contudo, Freud propõe uma substituição do termo privação pelo de frustração, pois, cabe sublinhar que a proximidade, entre a “privação” e a “frustração real” levara em conta o desenvolvimento do eu, supõe-se que a privação tem como marca distintiva ordenar-se correlativamente a um e outro desses dois marcos de referência: o eu por um lado, a realidade por outro, a interdição diz respeito ao eu, entravando o em sua relação com a realidade, de que ele é mantido afastado.

Em sua segunda tópica, Freud articula que o Supereu intervém, não somente enquanto camada superficial da organização do Isso que é o Eu, sobretudo na qualidade de representante da realidade. Então, uma formulação de Lacan, coloca que há de fato a privação real de um objeto simbólico, ao mesmo tempo em que há castração simbólica de um objeto imaginário, e no imaginário de um objeto real. Tal concepção da privação prolonga de Freud no sentido de que a interdição valoriza seu objeto como fruto de uma negação e conseqüência temente como objeto simbólico, na acepção de Lacan (1956-57/1995), “privação real” medida em que ela representa precisamente esse furo no ser que figura em Lacan à existência do real.

4. Metodologia

A natureza da pesquisa será qualitativa, ou seja, priorizará o discurso subjetivo dos participantes da pesquisa.  A ideia básica é que se deve partir da perspectiva de cada individuo, das suas estruturas subjetivas de significados, das suas intenções, por que os fenômenos nas ciências humanas sempre são objetivos intencionais, a consciência humana é dirigida a eles. O objeto da análise é chegar ao cerne mais profundo, à natureza das coisas, quer dizer, não ficar na superfície, nas aparências. (LAKATOS, 2001)

A população desta pesquisa constituiu-se por 20 membros da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), sendo 19 mulheres e 1 homem. A amostra compôs-se de uma quantia relativamente simbólica devido às dificuldades de acesso aos membros da IURD, pessoas da igreja que foram católicas e exploração científica do ambiente físico da pesquisa. Dessa feita foram entrevistados então, 20 pessoas, tendo como nível de escolaridade o ensino médio e idades entre 17 e 60 anos.

Elaboramos um roteiro de perguntas estruturadas, sendo que não houve liberdade de alteração dos tópicos e nem se fez a inclusão de questões frente às previamente elaboradas. A entrevista foi sendo aplicada pelos autores da pesquisa à medida que o discurso foi sendo transcrito. A entrevista foi aplicada em grupo, seguindo-se o roteiro previamente estabelecido, sendo “dirigido” por um dos pesquisadores visto que um registrava enquanto os demais ficavam atentos aos discursos. A pesquisa de campo foi realizada na residência de um dos pesquisadores, devido ao surgimento de situações difíceis no processo investigatório.

5. Análise dos Resultados

Em “O futuro de uma ilusão” (1927), coloca a religião como um sistema de doutrinas e promessas que, por um lado, lhe explicam os enigmas deste mundo com perfeição invejável, e que, por outro, lhe garantem que uma Providência cuidadosa velará por sua vida e o compensará, numa existência futura, de quaisquer frustrações que tenham experimentado aqui. O homem comum só pode imaginar essa Providência sob a figura de um pai iluminadamente engrandecido. Assim, apenas um ser desse tipo pode compreender as necessidades dos filhos dos homens, anteceder-se com suas preces e aplacar-se com os sinais de seu remorso.

Então, a partir de tal colocação vê-se que a IURD, assim como seu conjunto doutrinário (Teologia da Prosperidade), tornam-se objeto elementar de análise subjetiva, a partir de um víeis psicanalítico por perpassarem seu construto teórico por uma aproximação identitária. Assim, elementos religiosos como: adesão, permanência e influência à mídia protestante, terão seus respectivos objetos relacionais junto à psicanálise na seguinte proporção: discurso do Outro, medo, o simbólico e suas nuances, como também, o valor reparatório do dízimo.

“Como obreira, jamais encontrei na igreja alguém sem nenhum problema...”

“A pessoa que está no desespero tudo leva à igreja universal, como foi diz na Bíblica, os sãos não precisam de mim”.

“as pessoas só lembram de Deus quando estão no fundo do poço”.

A partir, destas falas colocar-se-á, o sofrimento como objeto principal dos discursos de adesão dos entrevistados, pois, em todos esses, tal elemento submergiu como principal meio de acesso àquela.

As teorias psicanalíticas sobre a angústia proliferam com o tempo e estão ligadas, principalmente a problemas decorrentes de formas variadas de conflitos. O pensamento de Freud a respeito da angústia mudou ao longo de sua carreira, passando desde a idéia da acumulação da energia sexual à expectativa sempre crescente de ganhar ou perder numa situação de conflito estilizada, em que a vitória e a humilhação andam muito próximas. Mas, ainda, o conflito cria angústia, e as idéias relacionadas às resoluções edípicas, ideias, essas inaceitáveis, são reprimidas tornando-se inconscientes, essa ideia reprimida pode às vezes tentar voltar ao consciente “o retorno do reprimido” – o que talvez que nova angústia no ego (eu) por sinalizar a emergência de alguma caixa perigosa.

Assim, a angústia está assimilada a algo sentido, da ordem do desprazer, a angústia é para Freud, um estado de afeto provocado por um acréscimo de excitação que tenderia ao alívio por uma ação de descarga, indicando ao eu a iminência de um perigo, como lemos em suas “Novas Conferências introdutórias sobre a psicanálise” (1932), anteriormente citado. A angústia parece então se apoiar em situações, prototípicas cuja insuficiência de elaboração psíquica seria indicada pela reativação da ordem traumática.

Para que haja a adesão, tem-se que estar instalado o conflito, seja ele de ordem financeira, afetiva, religiosa, familiar ou ligada a problemas de ordem psíquica, sendo assim, todos esses são geradores de angústia, logo, provoca nestes indivíduos um estado de afeto ligado à sensação de desprazer acrescido de uma excitação que só tenderia ao alívio proveniente da descarga emocional, a partir do retorno à figura do pai engrandecido, um ser que tudo pode, pois, seu poder é iluminadamente grande, logo, algo tenderá à obtenção do prazer, pois a atividade psíquica agora afastará das operações que podem despertar desprazer. Assim, somente através da modificação da consciência, ou seja, medo da perda do amor, é que o sentimento de culpa claramente assumido como uma ansiedade social, logo em crianças ele nunca pode ser, mais do que isso, mas em muitos adultos, ele só modifica até o ponto em que o lugar do pai é assumido pela comunidade humana mais ampla, ou seja, a igreja. Agora esta, assume simbolicamente o lugar do pai, que segundo Lacan, ressignifica-se como o representante da lei, pois o pai ideal assume uma função inaugural, castradora e estruturando no sentido de contribuir para a construção do ideal do ego (eu) e do superego (supereu) – delimita como a internalização infantil da autoridade paterna e uma manifestação do complexo de Édipo sublimado. Logo, para Freud, a adesão, ou melhor, a grande mudança só se realiza quando a autoridade é internalizada através do estabelecimento de um superego (supereu).

Outro viés importante a ser resultado é quanto à insatisfação ao conjunto doutrinário da igreja católica que é um dos aspectos relevantes quanto à adesão à IURD, sobre esta questão um sujeito da amostra lançou o seguinte comentário.

(...) na própria igreja católica a gente não encontra a atuação que é necessária, quando a gente chega lá, as portas tão fechadas. E a universal se dá 100% pro povo.

Percebendo o amparo, a proteção e a atenção como processo de fusão entre o sujeito e o conjunto doutrinário, a satisfação por este conjunto, foi unânime no relato dos membros da amostra. Segundo Freud, a satisfação são os traços mnésicos deixados por essas experiências primitivas (realização alucinatória da satisfação) que são sempre capazes de serem reinvestidos a serviço do auto-erotismo na ausência do objeto, e orientam a busca deste no mundo exterior. Assim a realização alucinatória da satisfação seria o primeiro tempo hipotético que precede a busca da realização alucinatória do desejo, que supõe a atualização das primeiras inscrições significantes do objeto do alvo característico dos processos primários do inconsciente, do id (isso).

O testemunho assim como através da mídia, rádio, televisão jornal são meios de aceno à IURD constatando-se, nos seguintes relatos:

“conheci através dos pais olhando pela TV e passando por uns problemas familiares”;

“(...) fui através da rádio eu bebia tava passando por uns problemas e hoje sou abençoada”.

“Através do testemunho da televisão...”

A partir desses relatos verifica-se que o discurso do outro e o conflito e o sofrimento que o sujeito está passando gera um processo de identificação, que possui um valor estruturante no qual o ego (eu) e o superego (supereu), se organizam numa unidade simbólica. Portanto é válido ressaltar que o discurso do outro cria um mecanismo dinâmico entre o indivíduo e os membros em que os mesmos reconhecem suas identidades, quanto a suas capacidades, interação, regulamentação, relações inter-grupais nessa organização.

Assim fica claro que o discurso do Outro influencia na adesão e permanência dos mesmos, como pode ser observado, sendo então uma forma de reinvestirem a satisfação pessoal, conforme o relato a seguir:

“O testemunho estimula e aumenta o amor de Jesus dentro da gente”.

As estratégias utilizadas para adesão e permanência advém do “discurso do Outro” como anteriormente comentado. Para tanto, na IURD, mais que um relato oral, o discurso enunciado assume um valor simbólico, onde a partir do conhecimento das bênçãos conseguidas, forjando-se uma identificação para com um ideal de eu, como notamos nos adeptos, indicado pelo seguinte relato:

“Encontrei tudo, que ele não tinha, o Deus me curou” (..., os problemas que eu tinha, família distraída, não tinha paz, não tinha alegria, não dormia, ouvia vozes, via vultos, hoje estou curada e a cura encontrei na Igreja Universal, hoje tenho paz e alegria”.

 Então uns dos motivos relatados para a permanência é o medo de perder estas bênçãos como pode observar-se nas seguintes falas:

“nova vida é abençoada, mas se eu deixar vou ser punida ele vai me deixar”.

“A benção é que propõe a mudança”.

“Sendo obediente a Deus tem obrigações a cumprir, o fiel, se tem deveres para com ele geralmente tem direitos”.

Na medida em que tem consciência de seus direitos, o fiel pode exigir de Deus o cumprimento deles. E é exatamente isso que ocorre (MARIANO, 1999).

Para Igreja Universal do Reino de Deus o dízimo significa a décima parte, ou seja, a igreja estabelece equivalente a quantia de 10% de tudo que lhes conferir financeiramente que é o apoio de sustentação das atividades desta instituição. De acordo com um relato o dízimo é importante, pois:

“Deus lhes abençoa sendo fiel no dízimo”.

Este então age como separação, que exerce um papel no desenvolvimento da criatividade da sublimação, como também na confiança em suas possibilidades, no trabalho do luto e na sensibilização propriamente dita (NASIO, 1995).

6. Conclusão

O presente trabalho, ora apresentado, surgiu de etiquetações articuláveis visando a compreendermos algumas conexões entre as práticas religiosas da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e a psicanálise. Diante de tal foi imprescindível um conhecimento literário plurissignificativo tangendo diversos aspectos no processo investigativo, indo de encontro ao cerne das questões essenciais, assim como também os aspectos ideologizantes.

Focamos então, o processo exploratório sobre a adesão e a manutenção de ex-católicos à crença protestante no cenário teresinense. Assim o processo metodológico para compor este trabalho, foi o levantamento de uma bibliografia ampla assim como a análise de informações dos depoimentos dos membros da igreja. Nesta circunstância também lançamos mão dos programas de rádio, televisão, jornais e revistas que, foram de suma importância para melhor explorar a temática.

Isto posto, as propostas hipoteticamente suscitadas podem ao final deste trabalho serem consideradas comprováveis, se levantarmos o objetivo principal, que seria a tentativa de lançar uma visão psicanalítica sobre os aspectos subjetivos que perpassam os fenômenos de adesão e permanência à IURD, como também a influência da mídia nos mesmos.

Vê-se assim que o paralelo proposto entre psicanálise e práticas religiosas, confirmaram-se no momento em que os conflitos foram confirmados como influenciadores do processo de adesão, assim como, as práticas comportamentais tornam-se ressignificadas a partir da internalização dos valores morais como regras efetivas de conduta.

Por fim, a mídia também ressignificada como elemento exploratório da pesquisa, foi levada com afinco no processo de identificação e/ou confirmação entre aquilo que se supõe e aquilo que se confirmou neste trabalho, pois como estratégia, a mídia assume papel importante, tanto no “arrebanhar” novos adeptos, como também manutenção dos membros que estão banhados de um discurso da ordem do “prazer absoluto” configurado em ser aquilo que o fiel realmente quer ouvir.

Sobre os Autores:

Alderon Marques Cantanhede Silva - Psicólogo pela UESPI, Psicanalista em formação permanente pelo Corpo Freudiano Escola de psicanálise seção Teresina e Professor.

Andreia de Sousa Leite - Psicóloga pela FSA.

Liana Gonçalves Nascimento Pinheiro Lavor - Psicóloga pela FSA.

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