A Simbologia em Conjunto com a Trajetória dos Arquétipos, História e Definições em Psicologia

Resumo: Este artigo tem como objetivo compreender o estudo da simbologia e mitologia delineada a partir da perspectiva da Psicologia Analítica de Carl G. Jung. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica baseada na concepção e organização do homem e seus símbolos através da aceitação do inconsciente. Os arquétipos foram trabalhados e conceituados por Jung e analisados em fases estratégicas do inconsciente. A simbologia é caracterizada como algo complexo e se desenvolve na sua relação interpessoal com o outro e na dinâmica psicoterapêutica. Evidencia-se a importância destas informações para o conhecimento e compreensão da psique humana a partir da perspectiva analítica e para a atuação dos profissionais da área da Psicologia.

Palavras-chave: Arquétipo, Simbologia, Mitologia, Psicologia, Inconsciente.

1. Introdução

Esta pesquisa surgiu a partir do interesse acadêmico em conhecer e se aprofundar nos estudos da teoria de Carl. G. Jung, mais especificamente acerca do significado da simbologia  e dos arquétipos no da psicologia. O pensamento de Carl Gustav Jung trouxe uma nova perspectiva ao mundo da psicologia moderna. De maneira geral, são poucos profissionais psicólogos que trabalham com a teoria de Jung no oeste de Santa Catarina, o que desencadeou uma curiosidade maior em conhecer sobre o assunto (ANGELA,1999).

O trabalho foi realizado com uma análise dos valores utilizados até hoje pela sociedade, sem discriminar quaisquer crenças, portanto a verdade de cada um pode ser singular. Com uma linguagem distinta básica para a melhor compreensão da simbologia e de seus recursos. Os arquétipos fazem parte de alguns registros e marcas da mitologia na Psicologia, tomando grande proporção no conhecimento do inconsciente do homem e seus símbolos (COELHO, 2003)

A Psicologia Analítica de Jung foi à psicologia que mais contribuiu para o estudo do material simbólico da humanidade. Pode vislumbrar uma conexão universal entre os homens, uma herança psicológica construída ao longo da evolução humana. Através da concepção de inconsciente coletivo, Jung concebe que todos os homens, primitivos ou modernos, compartilham de um conhecimento arquetípico universal. O inconsciente coletivo amplia a visão do psiquismo. A metodologia da análise junguiana é simbólico-analógica, ou seja, busca amplificar a imagem simbólica, traçando relações de semelhança com outros símbolos, para melhor interpretá-los. (BOECHAT, 1996).

O exercício realizado atualmente sobre o assunto já não é desconhecido, mas suas conexões implantadas na vida do ser humano podem se passar despercebidas, pois o aprofundamento do governo da psique e seus estudos dependem de cada indivíduo. A finalidade também é proporcionar um conhecimento sobre a obra do autor que apresenta essa reflexão sobre simbologia e arquétipo.

2.Fundamentação Teórica

2.1 O Símbolo, sua História e Definição

A palavra "símbolo" origina-se do grego symbolon, um sinal de reconhecimento. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida a ideia que estão fora de seu alcance, da nossa razão. O homem utiliza a palavra escrita ou falada para se expressar além de gestos corpóreos, para transmitir o que deseja. Sua linguagem é rodeada de símbolos, mas também cheia de sinais e imagens que muitas vezes não estão estritamente descritas. Alguns são simples  como  abreviações:  ONU;  outras  são  marcas,  sinais  para  indicar  um   conhecido, nomes, remédios, divisas e insígnia. O símbolo é a designação de um fato relativamente desconhecido, mas cuja existência é conhecida ou postulada (PENNA, 1991).

O que chamamos símbolo é um termo, nome ou imagem que pode ser familiar, como uma forma de clareza, assim como o símbolo do nazismo ou da águia dos Estados Unidos da América. Embora possua conotações especiais além de seu significado evidente, impulsa algo vago, desconhecido ou até mesmo oculto para nós. Muitos monumentos cretenses - Creta (em grego: Κρήτη; transl: Kríti) é a maior e mais populosa ilha da Grécia. Situada no sul do mar Egeu é a quinta maior ilha do Mediterrâneo e a segunda maior do Mediterrâneo Oriental, trazem o desenho de um símbolo, conhecemos o objeto, mas ignoramos suas impressões simbólicas (HANNAH, 2003).

O símbolo morre a partir do momento em que esta busca significativa pelo seu significado se especifique ou se formule uma expressão concreta. Assim o símbolo passará a ser um sinal. Todo fenômeno psicológico é um símbolo, pois é uma forma de diferencial que escapa da nossa cognição. O que se percebe no símbolo é uma consciência em busca de outras possibilidades de sentido. Portanto, ter atitude simbólica é captar o significado do símbolo, mediante o apelo pela razão em forma de apelação, lógica e provas. O símbolo orienta conteúdos que ainda não são conhecidos (JUNG, 1988).

Segundo Jung (1976, p 134) o símbolo converte a energia de “análogo da libido’’. São representações que podem dar uma expressão equivalente à libido e assim canalizá-la para uma forma diferente da original. A mitologia nos oferece muito deste gênero, que vão desde os objetos sagrados, como os churingas, fetiches e até as figuras de deuses. Os ritos com que se cercam os objetos sagrados frequentemente nos revelam, de modo bastante claro, a natureza como sendo um transformador de energia.

Os símbolos nunca foram inventados conscientemente, foram produzidos sempre pelo inconsciente pela via chamada revelação ou intuição. Em vista da estreita conexão que existe entre os símbolos mitológicos e os símbolos oníricos, é provável que a maior parte dos símbolos históricos derive diretamente dos sonhos ou pelo menos seja influenciada por eles. Como a formação de uma religião ou a formação dos símbolos é um interesse do espírito primitivo, tão importante quanto à satisfação dos instintos, o caminho para um posterior desenvolvimento está logicamente indicado: o caminho para escapar do estado de redução é a formação de uma representação de caráter individual. Com isso a verdadeira   individualidade emerge dos véus da personalidade e do coletivo, o que seria de todo impossível no estado de redução, pois a natureza instintiva é em si mesma essencialmente coletiva (JUNG, 1976).

Como os seres humanos são predominantemente coletivos, essas sublimações forçadas são produtos terapêuticos que não devem ser subestimados, pois ajudam muitos indivíduos a levarem em frente suas vidas em uma atividade útil e proveitosa. A maravilhosa amplidão do simbolismo católico, por exemplo, oferece uma margem de acolhimento aos sentimentos do coração humano, que, para muitas naturezas, é plenamente satisfatória. As organizações ou sistemas são símbolos que capacitam o homem a estabelecer uma posição espiritual que se contrapõe à natureza instintiva original, uma fase da mera instintividade (JUNG, 2002).

Os símbolos acompanham as etapas do indivíduo, se baseando em arquétipos que iram representar o inconsciente, nesta situação que o indivíduo é chamado para uma “discussão’’, através de imagens e sonhos. A importância do símbolo na obra de Jung é a de atingir o arquétipo, se não atingi-lo não se tem a atitude simbólica, não se chega ao arquetípico que é o seu objetivo central de explicação. ‘’Um símbolo não traz explicações, impulsiona para além de si mesmo na direção de um sentido ainda distante, inapreensível, obscurante pressentido e que nenhuma palavra de língua falada poderia exprimir de maneira satisfatória’’ (JUNG, p. 236, 1984).

2.2 Sem Atitude Simbólica não tem Individualização

O conceito de atitude simbólica é citado em poucas definições. Porém, observamos que este conceito permeia as obras de Jung o tempo todo, ao falar de sonhos, de como devemos olhar para os sonhos, no processo de amplificação, quando propõe, por exemplo, a técnica de Imaginação Ativa, que foi inventada a mais de cem anos, sendo uma técnica dialética, um contato com os conteúdos inconscientes em conjunto com um trabalho através das imagens.

É uma consciência elevada de uma forma de contemplação. Semelhantes ao povo Maia, que obtiveram uma atitude simbólica, que nada mais foi do que uma consciência que busca outras possibilidades de sentido das coisas, um envolvimento com o ego e respeito ao mistério. A atitude simbólica é também considerada uma atitude de síntese, pois quanto mais nos aproximamos da compreensão e do possível entendimento do simbolismo arquetípico mais próximo estaremos de nossos conteúdos inconscientes e mais conscientes de nós e de nossos desejos (HANNAH, 2003). Por meio deste diálogo podemos impedir a perigosa situação da unilateralidade (neurose).

A alquimia trouxe para Jung as respostas que ele almejava, pois os processos que os alquimistas utilizavam eram constatados os fenômenos psíquicos que Jung observava. Jung  via a Alquimia na Psicologia pré científica sob metáforas integradas, pois, “Nenhuma homem é uma ilha, fechada sobre si; todos são parte de um continente, uma parcela da terra principal” (CLARET, 1997)

2.3 Meditação e Imaginação

Para Jung (1984) “A palavra ‘meditativo’ é usada quando ocorre um diálogo interior com alguém invisível que tanto pode ser Deus, quando invocado, como a própria pessoa ou seu anjo benigno”. Este "bate-papo interior" é familiar ao psicólogo – por constituir uma parte essencial da técnica do diálogo com o inconsciente, relacionado à forma dos alquimistas, que não se referem a uma simples reflexão, mas a um diálogo interior e, portanto, a uma relação viva com a voz do "outro" em nós que responde, isto é, com o inconsciente, sendo nós próprios causadores e formadores de nossas próprias opiniões e respostas, já que estão dentro de nós.

Toda existência humana é, em certo sentido, dialógica, mesmo previamente ao uso da palavra. A palavra diálogo vem do grego discurso ou pensamento, sendo levado a um consenso, entendimento, uma prática e combinação. A própria relação objeta que o recém- nascido estabelece com o rosto da mãe já é uma forma de diálogo. Todo o processo de crescimento espiritual é um esforço para atingir níveis cada vez mais profundos e perfeitos de diálogo. O interior que é esta busca para uma compreensão maior Jung chama de uma "longíssima via" (JUNG, 1984).

3. Mitos para a Compreensão dos Arquétipos

Os estudos recentes no campo da mitologia conduzido tanto por psicólogos quanto por sociólogos e antropólogos tem aumentado nos últimos anos. A interpretação da mitologia do evhemerismo – filósofo grego do IV A.C - é considera a mais antiga, mitos seria a conexão elevada de acontecimentos históricos com seus personagens incluídos na categoria divina. Escreve Malinowski (1948)‘’São a expressão de uma realidade original mais poderosa e mais importante através da qual a vida presente, o destino e os trabalhos da humanidade são governados’’.

Os trabalhos de Malinowski deixaram clara a noção fundamental do mito vivo nas sociedades tribais. Há uma importância essencial da mitologia na organização da vida diária dessas culturas. Sem o mito, essas sociedades simplesmente não se organizariam. O nascimento, a infância, o casamento, a caça e a guerra, o comércio e a morte, todas as atividades, enfim, são ritualizadas e mitologizadas para ganharem sentido. (Boechat, 1996, p. 19)

Jung levou estas expressões a um nível mais profundo. Os mitos são principalmente fenômenos psíquicos que revelam a própria razão da psique. Os mitos formam experiências vividas sucessivamente durante milênios, pelas quais os seres humanos passam, por temas idênticos em lugares distintos. Nesta matéria básica que se elabora os mitos de gerações, apenas dando-lhes uma nova roupagem segundo a cultura das épocas (JUNG, 1976)

Jung descreve em seu livro de memórias que desde 1909, sentiu necessidade do estudo da mitologia para poder compreender a simbologia de uma psicose latente. Quando verificado suas obras, é percebida a presença dos personagens mitológicos são fontes de compreensão para o entendimento dos processos humanos, pois são manifestações dos arquétipos em si.  Em 1950, no prefácio de sua 4ª edição dos símbolos de transformação, Jung deixa mais uma vez registrado a importância dos mitos para o estudo das manifestações arquetípicas (FRANZ, 1980).

Os arquétipos fazem parte de um universo pouco definível, existem apenas formas de tentar compreender o seu funcionamento no homem. E, segundo o próprio Jung a significação etiológica do arquétipo fica menos fantástica quando consideramos a mitologia oculta no homem (JUNG, 1976). O arquétipo da grande mãe é bastante explorado onde aparecem várias personagens mitológicas, inclusive através delas podemos ver os dois lados da grande mãe, e não somente o lado bom, entre elas Deméter e Gaia. Jung chegou a explicar alguns vínculos com os fenômenos paranormais, tendo como base ter sido Hermes o intérprete do oráculo, poderia considerar uma situação arquetípica com os videntes.

Psique e Eros que representam os arquétipos da anima e animus assim como os malévolos representam a sombra. Isis o arquétipo da anima. E, assim cada personagem mitológico apresenta uma vinculação com as situações existentes. Entretanto, mito é considerado como favorecedor de modelos para conduta humana e como situações que se repetem. Leva a necessidade do estudo dos acontecimentos da humanidade comparando as situações para uma resposta de conduta sobre si. Da mitologia grega, da história do Oriente,  da Bíblia, entre outros, verificamos que existe esta transmissão além do tempo e do espaço (FRANZ, 2012).

Já se levantaram muitas objeções contra essa concepção do mito, simbolizando fatos psicológicos. Como se sabe, temos dificuldade de abrir mão da ideia de que o mito é, de certo modo, uma alegoria explicativa de processos astronômicos, meteorológicos e vegetativos, o mito é uma projeção do inconsciente (e nunca uma invenção do consciente), não somente se compreende que nos deparemos por toda parte como semelhantes mitos, como também fenômenos psíquicos característicos.

A mitologia auxilia na compreensão de grande parte dos delírios e alucinações dos psicóticos, pois procuram a origem desta fantasia em suas experiências individuais. No segmento da psicologia analítica, o estudo da mitologia não será um erudito desnecessário. Faz parte indispensável do trabalho psicoterapeuta. Para Jung (1984), a existência dos mitos compartilhados era prova viva de que parte da psique humana contém ideias preservadas em um tipo de estrutura que ele denominou de “memória coletiva”.

3.1 O Arquétipo

Psicologicamente, como imagem do instinto, o arquétipo é um alvo espiritual para o qual tende toda a natureza do homem; é o mar em direção ao quais todos os rios percorrem seus acidentados caminhos. Os arquétipos estão presentes na mente antes mesmo do pensamento consciente. Muita tem sido feito em volta do conceito dos arquétipos. Ainda é citado conclusões errôneas de que Jung admita a existência das imagens e ideias inatas. Incansáveis vezes ele diz que são configurações semelhantes à forma, herdadas para apresentar formas de imaginar (JUNG, 1987).

A origem dos arquétipos designa como primeiramente arquétipo correspondente a psicologia, ao que o instinto significa para a fisiologia, o gen para a genética.    Segundo Jung, os arquétipos nascem da renovação das vivências experimentadas ao longo de várias gerações. Os arquétipos são herdados geneticamente dos ancestrais de um grupo de civilização, etnia ou povo. Correspondem ao conjunto de crenças e valores básicos do ser humano. Para se exemplificar, os arquétipos mais discutidos são nomeados em Persona, Sombra, Anima Animus, Self, Grande Mãe (SILVEIRA, 1981).

Distinto em sua origem, o arquétipo se resulta em uma energia psíquica concentrada. Como as imagens se configuram através desta energia ainda não foi descoberto. Mas a prova desta transformação de energia são nossas fantasiosas noites de sono, onde nossos sonhos surgem para desempenhar um papel de reflexo nas nossas vidas. O arquétipo representa o elemento autêntico do espírito, mas de um espírito que não se deve identificar com o intelecto humano, mas sim com a psique que o orienta. O conteúdo essencial de todas as mitologias e religiões é a natureza do arquétipo, é a última análise da atitude da consciência, uma forma de instinto governador, reformulado.

Seria um imperdoável pecado de omissão ignorar o valor afetivo do arquétipo. Diante da Psicologia moderna, podemos compreender de que existem arquétipos pré-conscientes que nunca foram conscientes, mediante os seus efeitos sobre os conteúdos da consciência. Graças à imaginação ativa pode ser feita a descoberta do arquétipo sem precisar recuar e mergulhar  na esfera dos instintos, o que levaria a um estado de inconsciência onde é impossível qualquer conhecimento (SILVEIRA, 1981).

A imaginação dos alquimistas procurou expressar este mistério da natureza mediante outro símbolo não menos concreto: o Uroboros, a serpente que devora a própria calda. O químico alemão Kekulé (século XIX), quando pesquisava a estrutura molecular do benzeno, sonhou com uma serpente que mordia o próprio rabo, o sonho fez com que ele conclui-se que esta estrutura seria um circulo fechado de carbono, que segundo ele seria uma ‘’revelação’’ pictórica do inconsciente.

Assim para a psicologia analítica há continuidade na sua função estruturante da consciência através dos arquétipos. Para Jung “O arquétipo é um órgão psíquico presente em cada um de nós, um fator vital para a economia psíquica” (CLARET, 1997). O que havia na psicologia era um bloqueio que impedia aos pesquisadores perceber, nos processos inconscientes, o que já haviam percebido em outras partes da natureza com Galileu e Darwin, afinal, como a terra poderia se mexer sozinha sem ninguém ver ou sentir. A psicologia moderna resiste à noção dos arquétipos como sabedoria natural, genética e organizadora do desenvolvimento dos símbolos. Um dos livros de Jung, cujo titulo é “Aion” (1950), Jung estuda a visão do mundo formada pelo homem na era cristã, pelas quais se passa o arquétipo do self – si mesmo.

Quando o inconsciente e o consciente conseguem se alinhar se ordenando em torno do self a personalidade se completa, assim se tornara o centro da personalidade, como o ego é o centro do consciente (JUNG, 1988). A famosa expressão por totalidade tornou-se a mandala, palavra sânscrita, que significa círculo mágico, sendo o centro da mandala o centro da  psique

– self. É ainda através de uma concentração progressiva do múltiplo que o “eu” pode ser integrado no todo e o todo reintegrado no “eu”. C. G. Jung recorre à imagem da mandala para designar uma representação simbólica da psique, cuja essência nos é desconhecida. Observou que essas imagens são utilizadas para consolidar o mundo interior e para favorecer a meditação em profundidade. Diz Jung:

[...] as mandalas não provêm dos sonhos, mas da imaginação ativa [...] As mandalas melhores e mais significativas são encontradas no âmbito do budismo tibetano [...] Uma mandala deste tipo é assim chamado “yantra”, de uso ritual, instrumento de contemplação. Ela ajuda a concentração, diminuindo o campo psíquico circular da visão, restringindo-o até o centro. (2002, p. 352)

Neste contexto, Fincher (1998, p. 26) afirma que Jung, em suas pesquisas, mostrava o impulso natural para vivenciar o potencial humano e realizar o padrão da personalidade genuína. Por essa razão, Jung chamava esse impulso natural de “individuação”. Na procura de uma relação entre as mandalas do mundo oriental com o ocidental, Von Franz afirma:

O círculo (ou esfera) como um símbolo do “Self” expressa a totalidade da psique em todos os seus aspectos, incluindo o relacionamento entre o homem e a natureza [...] ele indica sempre o mais importante aspecto da vida: sua extrema e integral totalidade. (2002, p. 246)

4. A Essência dos Sonhos

Jung acreditava que os sonhos formam uma espécie de ponte entre o Inconsciente e o Self, ou o ego consciente, e que os arquétipos tem importância fundamental para a conclusão dos mesmos. “O sonho é coisa viva. É uma situação existente, é como um animal com antenas ou com numerosos cordões umbilical’’ (CLARET, 1997). Os antigos sabiam que poderiam encontrar nos sonhos antecipações do futuro. A história bíblica do sonho de Nabucodonosor, interpretado com extraordinária agudeza por Daniel, é um ótimo exemplo.

Essência dos Sonhos

Fonte: JUNG (1984).

Jung não aceita o disfarce que se pode envolver o sonho nem admite que todos os sonhos traduzam sempre desejos. Haverá decerto sonhos que revelem desejos secretos, mas a escala de coisas que os sonhos poderão exprimir é infinitamente mais ampla que a mera realização de aspirações que aceitas pelos códigos morais. “Os sonhos podem ser feitos de verdades inelutáveis, de sentenças filosóficas, de ilusões, de fantasias de desordens, de recordações, projetas, antecipações, seja mesmo visões telepáticas, de experiências intimas irracionais, e de não sei mais o que ainda’’ (CLARET p. 13, 1997).

Corpo e psique, sendo sua linguagem simbólica, quando a vida estiver em perigo.  Outro tipo de sonho é o sonho reativo. Acontecimentos traumáticos são revividos no sonho, tais como violentos choques de guerra, incêndio, inundações. Essas repetições processam-se de maneira autônoma, sem que a compreensão do fenômeno interrompa sua continuação. O estimulo traumático repete-se até desgastar-se (JUNG, 1987). Outro módulo é o sonho absurdo, que representa evidentemente o lado sobrenatural da vida. Ocorre o que disse Schopenhauer  “no  sonho  cada  um  é  seu  próprio  Shakespeare”.  A  produção  onírica desempenha funções nesta direção ao descrever a função compensadora dos sonhos. No seu conceito, os sonhos funcionam principalmente como reações de defesa, como autorregulado de posições conscientes, demasiado unilaterais ou antinaturais.

O sonho é uma parcela da atividade psíquica involuntária que possui consciência para ser reproduzia no estado de vigília. Entre as manifestações psíquicas são talvez os sonhos aquelas que mais oferecem informações de um modo “ irracional’’ ao qual não é atribuída uma lógica mediata, pois caracterizam conteúdos ainda indecifráveis da consciência. Sonhos cuja estrutura satisfaz ao mesmo tempo à lógica, à moral e à estética é uma exceção ao caso. De modo geral, o sonho é um lugar estranho e desconcertante, que se caracterizam por um grande número de falta de lógica, uma moral duvidosa, formas distorcidas de uma realidade, contrassensos ou absurdos manifestos (JUNG, 1976). Por isto é que são prontamente rejeitados como estúpidos absurdos e desprovidos de valor, desnecessários.

O sonho nos leva efetivamente a supor, certo nexo casual. O mesmo se pode dizer, também, dos temas chamados “típicos’’, que se repetem várias vezes nas séries repetitivas de sonhos”. Também é quase impossível evitar a impressão de que “eles significam alguma coisa’’ (COELHO, 2003). Outra maneira de descobrir diretamente o sentido do sonho consistiria talvez em voltar ao passado e reconstituir certas experiências pessoais anteriores, a partir da manifestação de determinados motivos oníricos, montando em sessões de sonhos um significado final.

O estudo da psicologia do sonho transforma-se em problemas filosóficos de alcance extraordinário, problemas para cuja compreensão o fenômeno dos sonhos trouxe  contribuições decisivas (ANGELA, 1999). Ainda não conhecemos suficientemente a natureza da psique inconsciente. O objetivo da pesquisa não é fazer-nos acreditar que estamos de posse única de uma teoria correta, uma única verdade, mas de nos levar gradualmente ao caminho  da verdade, pondo em dúvida todas as teorias.

5.Conclusão

Ao final desta caminhada, foi identificada a importância da simbologia em conjunto com a trajetória dos arquétipos, história e definições. A busca notória da formulação da personalidade e de sua compressão. Conceitos que foram esquecidos e alguns que devem ser exonerados. O homem não é um padrão e, portanto tem suas próprias conclusões e escolhas (VON FRANZ, 2002).

Cada detalhe exposto sobre a origem dos símbolos, do crescimento da mitologia para chegar ao significado de cada arquétipo foram significativos para um novo olhar sobre o sentido da vida, que não passa por despercebida. Sentimentos descritos formaram uma experiência cautelosa que quebrou muitos paradigmas anteriormente existentes.

O trabalho de buscar algo não muito convencional foi levado com o maior cuidado e respeito. A alma não é desconsiderada, mas agregada a parte no inconsciente. Cada um elabora para si seu próprio segmento de mundo, muitas vezes cercados por paredes estanques, de modo que, algum tempo depois, parece-lhe ter apreendido o sentido e a estrutura do  mundo, um encontro definitivo consigo mesmo.

A obra de Jung teve impacto sobre a psicologia, antropologia e a espiritualidade e seus arquétipos são tão conhecidos que podem ser facilmente identificados em filmes, na literatura e manifestações culturais que buscam retratar personagens universais. “Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é à sombra do outro” (JUNG p.8, 1997).

Sobre os Autores:

Emanuel Natã da Silva - Estudante de Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina Campus São Miguel do Oeste;

Tânia Regina Aosani - Professora de Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina Campus São Miguel do Oeste;

Referências:

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BOECHAT, W. (org.). Mitos e Arquétipos do Homem Contenporâneo. Petrópolis, Vozes, 1996.

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FINCHER, S.F. O autoconhecimento através das mandalas. São Paulo: Pensamento, 1998. FRANZ, Louise Von. O caminho dos sonhos. São Paulo: Cultrix, 2012.

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