Terapia Cognitivo-Comportamental

A terapia cognitiva se baseia em uma formulação em contínuo desenvolvimento do funcionamento do cliente em termos cognitivos. Levanta hipóteses sobre eventos-chave, desenvolvimentais e atuais e padrões duradouros de interpretação desses eventos – crenças arraigadas, como atribuir conquistas à sorte e fracassos à falta de talento pessoal.

No consultório, buscamos estabelecer uma aliança segura entre terapeuta e cliente, onde este sinta cordialidade, atenção, respeito genuíno, empatia e competência. Buscamos ouvir com atenção, resumir acuradamente, fazer apontamentos, questionamentos e indicações fundamentadas em nossas técnicas e experiências, sendo realisticamente otimista.

A participação ativa do paciente é incentivada, para que aos poucos vá adquirindo excelência em fazer seus próprios entendimentos mais acertados, com isso, na terapia estamos trabalhando também a prevenção de recaída. Orientada em metas, a Terapia Cognitivo-Comportamental enfatiza principalmente o funcionamento presente do cliente e aquilo que ele quer alcançar.

Ensinamos o cliente a identificar, avaliar e responder a seus pensamentos e crenças disfuncionais, utilizando uma variedade de técnicas para reconstruir o pensamento, equilibrar as emoções e aprimorar o comportamento.

Exemplos de pensamentos disfuncionais:

Pensamento dicotômico – sem meio-termo. “Nunca vou conseguir”, “Ou faço isso agora ou não haverá outra chance pra mim”.

Ditadura dos “deveria” – “Eu tenho que... senão...” “Os outros deveriam...

Frequentemente, a forma de pensar do individuo lhe acarreta problemas que parecem se repetir constantemente, dando uma sensação de que numa determinada área da vida a pessoa é azarada ou não é competente. A maioria dos clientes chega à terapia neste ponto, seja por questões emocionais ou por momentos de perda ou necessidade de decisões. Também é comum que a pessoa já entenda que o xis da questão está em sua forma de pensar, mas por algumas razões ela, sozinha, não está conseguindo alterar sua forma de reagir.

Todos nós reagimos ao ambiente baseados em nossas crenças, nas regras sociais introjetadas e nas expectativas sobre a vida e os acontecimentos.

Um mesmo acontecimento desagradável, para duas pessoas diferentes, trará diferentes reações e sentimentos. Uma pode se afundar a partir disso e a outra pode sair da situação fortalecida.

A Terapia Cognitivo-Comportamental atua, sobretudo, no nível do pensamento (Interpretação das situações), formulando entendimentos, verificando as funções no seguinte esquema:

Fato/Situação -> Interpretação/Crenças -> Emoção -> Comportamento

Atua ainda no treinamento comportamental para mudança de hábitos, que leva o cliente a ter maior domínio sobre fatores que antes lhe pareciam fora de controle. Este treinamento é uma parte bem prática da terapia.

É importante ressaltar que os clientes podem encontrar dificuldades ao participar da psicoterapia, porém, que ao estarem em sofrimento precisam assegurar um momento para si mesmos. Algumas dessas dificuldades se devem à negação do problema, com isso o cliente freqüenta, mas não se compromete, ou abandona precocemente o trabalho que está se desenvolvendo. Outras dificuldades são de origem cultural, ainda há uma idéia estigmatizada sobre terapias psicológicas, onde alguns clientes se entendem como falhos ou fracos por buscarem ajuda. É sinal de coragem e força sair do isolamento e buscar auxílio quando percebemos que sozinhos não estamos conseguindo o bem-estar que merecemos. Ainda, no início de alguns processos terapêuticos temos desconforto em compartilhar nossos problemas com uma outra pessoa que pouco conhecemos, e também em entrar em contato com nossas maiores ansiedades e medos. Mudanças, à primeira vista, nem sempre são agradáveis, embora geralmente possamos reconhecer que são necessárias.

Sobre o Autor:

Carine Campos – Psicóloga – São Paulo - CRP 06/92390 site: www.carinecampospsicologa.com

Referências:

- BECK, Judith S. Terapia Cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

- CORDIOLI, Aristides Volpato (Org.). Psicoterapias: abordagens atuais. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.