Crianças em Creche: um espaço onde o cuidar e o educar caminham juntos

Resumo: A  creche é um universo promotor da construção de uma rede de cuidados que abrange toda a família. Desenvolve um papel importante com as crianças de acolhimento e educação, conseguindo transpassar o sentido da vida e do sentimento mostrando um mundo de novas experiências, o que possibilita a ampliação de horizontes. A proposta para se trabalhar com crianças na creche, tem como parâmetros, conhecer seus interesses e necessidades, saber um pouco da história, de cada um, conhecer a família, as características de sua faixa etária, a fase de desenvolvimento em que se encontra, além de considerar o tempo de permanência na escola. Portanto, é um trabalho que apresenta preocupação com os cuidados básicos e fundamentais, a uma vida saudável. Assim, considera-se o cuidar de forma ampla onde as necessidades devem ser o eixo norteador do atendimento, pois é por meio da observação que se pode ter uma visão do como educar. O objetivo desse estudo foi analisar o papel fundamental do cuidar e do educar de crianças em creches. A metodologia engloba a pesquisa bibliográfica com busca em livros e artigos que versam sobre a temática em questão. Utilizou-se ainda a pesquisa descritiva que analisa e descreve os fatos. Os resultados indicaram que: o cuidar e o educar são essenciais no desenvolvimento cognitivo, afetivo, físico e linguístico da criança; que todas as situações diárias na creche são atos educativos, pois as brincadeiras, os jogos, as atividades dirigidas, enfim, as rotinas diárias devem buscar autonomia e a formação da identidade, a construção de hábitos saudáveis, e tudo isso, é cuidar e educar as crianças em creches para a vida.

Palavras-chave: Educação Infantil, Creches, Cuidados, Educação.

1. Introdução

Ao longo de sua história, a Educação Infantil tem sendo marcada por uma etapa significativa no cenário da educação do Brasil, encontrando unanimidade no debate ao considerar os aspectos do cuidar e do educar. A Educação Infantil em toda a sua trajetória, foi alvo de muitas visões entre elas a assistencialista que esteve por muito tempo presente nas creches- escolas infantis e tinha como objetivo principal prestar assistência necessária às crianças menos favorecidas, oferecendo cuidados para que elas pudessem viver, enquanto seus pais trabalhavam.

Portanto, a creche era o local próprio para as crianças, uma vez que estavam seguras no decorrer do período em que os pais permaneciam no trabalho. Recebiam alimentação, podiam dormir, eram cuidados em sua integridade física e higiênica.

A Educação Infantil tinha uma conotação assistencial em que as monitoras passavam o tempo olhando as crianças brincarem, enquanto o desenvolvimento intelectual ficava a cargo do professor. As funções eram bem evidentes: um cuidava e o outro educava.

Assim, a educação assistencialista preparava as crianças somente para que continuassem no meio social onde viviam. A melhoria da expectativa de vida e de crescimento sociocultural não se levava em conta. Pelo âmbito da esfera da saúde, havia um olhar diferenciado do adulto para as crianças que necessitavam de cuidados para compensar a ausência da família. A educação não era prioritária.

A Educação Infantil teve início quando a mulher necessitou buscar seu lugar no mercado de trabalho. Por essa razão é que a educação da criança de 0 a 6 anos desempenha um importante papel social.

A história da criança denota como a presença infantil, como fato que merece especial atenção, cuidados, respeito no contexto social, só começa a ser considerada a partir da Constituição Federal (CF) de 1988, quando a Educação Infantil assume um espaço mais significativo no contexto do panorama educacional brasileiro.

Nos artigos referentes a educação, a CF assegura o atendimento em creche e pré-escola, como direito de todos e dever do Estado. Na sequência, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 33, reforça estes direitos.

Posteriormente, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Lei 9394/96, estabeleceu para o município a responsabilidade constitucional e legal, pertinente a Educação Infantil (EF) e ao Ensino Fundamental priorizando o segundo.

A LDB é pioneira na expressão  que a define como a primeira etapa da educação básica, tendo como meta o desenvolvimento integral da criança até 6 anos de idade. Estabelece ainda que a EF será oferecida em creches para crianças de até 3 anos e em pré-escolas de 4 a 6 anos.

Vale salientar que atendendo as exigências da lei, as creches passaram a integrar-se no sistema municipal de educação, perdendo assim, o caráter assistencial, deixando de ser um espaço de guarda, para caracterizar-se como agencia de educação.

A partir de então, despontam as preocupações e interesses referentes ao desenvolvimento da criança e da aprendizagem infantil. Uma nova concepção de educação se destaca onde o cuidar e o educar aparecem como pontos mensuráveis e importantes para o trabalho com as crianças durante sua infância.

O cuidar e o educar devem estar impregnados da ação pedagógica da consciência, instituindo uma cosmovisão integrada, do desenvolvimento da criança, tendo como parâmetros concepções que respeitem a diversidade, o momento e a realidade próprias da infância. Nesse contexto, levanta-se o seguinte questionamento: a creche é um espaço onde o cuidar e o educar caminham juntos?

O objetivo geral desse estudo foi analisar o papel fundamental do cuidar e do educar de crianças em creches. Os objetivos específicos foram: identificar os aspectos históricos e legais da Educação Infantil; demonstrar as estratégias utilizadas para adaptação de crianças na creche; estabelecer parâmetros entre o cuidar e o educar; verificar a importância da formação do profissional que atua em creches.

O estudo é de relevante importância, haja vista que o tempo da creche e sua organização devem ser distribuídas de modo a atender as necessidades das crianças. Por outro lado, o cuidar e o educar como dimensões essenciais ao desenvolvimento de crianças de zero a seis anos de idade em que se requer um trabalho de forma planejada, com organização de espaços adequados, buscando estimular o desenvolvimento infantil, ou seja, o motor, cognitivo, emocional e social.

Justifica-se ainda pelo fato de que cuidar e educar é uma questão séria, pois além de ser um direito constitucional das crianças e de suas famílias, estas são um ser completo, tendo sua interação social e construção como ser humano permanentemente estabelecido em tempo integral.

Assim, pretendeu-se refletir o cuidar e o educar compreendido que o espaço-tempo em que a criança vive exige seu esforço particular e a mediação do adulto como forma de possibilitar ambientes estimuladores da curiosidade com consciência e responsabilidade.

E ainda, deseja-se fornecer aspectos que poderão servir de abertura para novas investigações e reflexões de pesquisadores e educadores no planejamento do processo de adaptação em instituições de educação infantil.

2. Referencial Teórico

2.1 Educação Infantil: aspectos históricos e legais

Considerando o ponto de vista histórico, a educação da criança sempre esteve sob a responsabilidade exclusiva da família durante séculos, uma vez que era no convívio com os adultos e outras crianças que ela participativa das tradições e aprendia as normas e regras da sua cultura.  A trajetória de Educação Infantil sempre esteve ligada ao conceito de infância que o homem construiu ao longo da história, e consequentemente as políticas voltadas para esta faixa etária.

Na sociedade medieval, segundo Farias (2005), o sentimento de infância não existia, por isso não se considerava a criança com suas características particulares, próprias da sua idade.  Ela era considerada um adulto em miniatura, e, por essa razão, assim que tinha condições de viver sem os cuidados constantes de sua mãe ou ama, ingressava na sociedade dos adultos e não se distinguia destes, participando de jogos e situações de procedência tipicamente adulta.

Até o século XVII, as condições gerais de higiene e saúde eram precárias e decerto a mortalidade infantil era muito grande, por causa da fragilidade das crianças pequenas. A partir do século XVII, houve uma mudança considerável no modo de ver a criança. Esta deixou de ser misturada aos adultos e de aprender a vida, diretamente, mediante o contato com eles. Anteriormente via-se a criança como um ser primitivo, irracional, não pensante. Atribuía-se a ela modos de pensar e sentimentos anteriores à lógica e aos bons costumes. Era preciso educá-la para desenvolver nela o caráter e a razão.

Na realidade, não podendo compreendê-las naquilo que as caracterizavam, instituiu-se um padrão adulto para estabelecer julgamentos, ao invés de entender e aceitar as diferenças e semelhanças das crianças, a originalidade do seu pensamento. Pensava-se nelas como páginas em branco a serem preenchidas, preparadas para a vida adulta. Tratava-se de despertar na criança a responsabilidade do adulto, o sentido de sua dignidade. A criança era menos oposta ao adulto, do que preparada para a vida adulta. Essa preparação se fazia em etapas e exigia-se cuidados. Esta foi a concepção da educação, que trilhou no século XIX .

Para situar historicamente a atenção na criança no Brasil do descobrimento até 1930, Kramer (2003, p.39), faz a seguinte classificação:

Primeira fase, do descobrimento até 1874; segunda fase, de 1874 até 1889; e terceira fase, de 1889 até 1930. Em seguida, discutiremos as práticas junto às crianças, de 1930 até 1990 e dessa década até os dias atuais, com a Doutrina da Proteção Integral.

A supracitada autora ressalta que na primeira fase, do descobrimento até 1874, pouco se fazia pelas crianças. Os primeiros movimentos assinalados pela história no sentido de assisti-las,  foi uma iniciativa, na qual as Câmaras Municipais do Brasil passaram a destinar uma quantia monetária ao acolhimento de crianças negras, mestiças ou brancas que eram abandonadas, as chamadas crianças enjeitadas.

O fato é que durante um logo período de tempo as instituições infantis brasileiras, organizavam seu espaço e sua rotina diária em função de ideias de assistência, de custódia e de higiene da  criança. A década de 1980 passou por um momento de ampliação do debate a respeito das  funções das instituições infantis para a sociedade moderna, que teve início com os  movimentos populares dos anos 1970.  A partir desse período, as instituições passaram a ser pensadas e reivindicadas como lugar de educação e cuidados coletivos das crianças de zero a seis anos.

A abertura política permitiu o reconhecimento social desses direitos manifestados  pelos movimentos populares e por grupos organizados da sociedade civil. A Constituição de  1988 (art. 208, inciso IV), pela primeira vez na história do Brasil, definiu como direito das  crianças de zero a seis anos de idade e dever do Estado o atendimento à infância.  Muitos fatos ocorreram de forma a influenciar essas mudanças: o desenvolvimento urbano, as reivindicações populares, o trabalho da mulher, a transformação das funções  familiares, as ideias de infância e as condições socioculturais para o desenvolvimento das mesmas.

Para Forest (2003, p.3):

Constituir-se em um equipamento só para pobres, principalmente no caso das  instituições de educação infantil, financiadas ou mantidas pelo poder público,  significou, em muitas situações, atuar de forma compensatória para sanar as supostas faltas e carências das  crianças e de suas famílias. A tônica do trabalho institucional foi pautada por uma visão que  estigmatizava a população de baixa renda. A concepção educacional era marcada por  características assistencialistas, sem considerar as questões de cidadania ligadas aos ideais de  liberdade e igualdade.

Nesta perspectiva, modificar essa concepção de educação assistencialista significa atentar para várias questões que vão além dos aspectos legais. Envolve, principalmente, assumir as especificidades da Educação Infantil e rever concepções sobre a infância, as relações entre classes sociais, as responsabilidades da sociedade e o papel do Estado diante de crianças.

2.2 Creche no Brasil: breves considerações históricas

A creche nasceu na França no século XVIII, em resposta à situação de pobreza, abandono e maus-tratos de crianças pequenas, cujos pais trabalhavam em fábricas, fundições e minas, criadas pela Revolução Industrial. Todavia, os objetivos e formas de tratar as crianças dos extratos sociais mais pobres da sociedade não eram consensuais. Setores da elite defendiam a ideia de que não seria bom para a sociedade como um todo, que se educasse as crianças pobres, era proposta a educação da ocupação e da piedade.

No Brasil, a ideia de creche chega segundo Kuhlmann (2002, p.466),

Veiculada no jornal do médico Carlos Costa “A Mãi de Família” e também a ela se faz referência no processo de criação da Associação Protetora da Infância Desamparada. Foi, contudo, no período da República que se criaram as primeiras creches, chegando a contar 15 creches em 1921, e 47, em 1924, distribuídas por várias capitais e algumas cidades do país.

É necessário considerar que todo o avanço histórico, cultural e político é uma conquista decorrente de dura e árdua luta do povo. A creche não foi um benefício concedido gratuitamente ao povo brasileiro. Foi uma conquista dos operários que, organizados, passaram a protestar contra as precárias condições de vida e de trabalho. Os empresários procurando enfraquecer os movimentos dos trabalhadores começaram a conceder algumas creches e escolas maternais para os filhos deles.

Segundo Rizzini (2000), no Estado de São Paulo, em fins de 1920, a legislação previa a instalação de Escolas Maternais, com a finalidade de prestar cuidados aos filhos dos operários, preferencialmente junto às fábricas que oferecessem local e alimento para as crianças. As poucas empresas que se propunham a atender aos filhos de suas trabalhadoras o faziam desde o berçário, ocupando-se também da instalação de creches.

Em outros estados brasileiros, conforme ressalta Kramer (2006), foram também sendo criadas as creches ou congêneres embora de modo incipiente. Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, há criação de jardins-de-infância nos parques públicos, inspirados naquilo que Froebel, um pedagogo alemão, preconizava em seu livro, para os bebês, em 1940.

Kuhlmann (2002), afirma que em Teresina-Piauí, o primeiro jardim-infantil foi criado em 1933, com os objetivos de proporcionar desenvolvimento artístico da criança de quatro a seis anos e de servir de aprendizado às futuras professoras da Escola Normal Antônio Freire.

De acordo com Oliveira et al (2001), somente a  Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) criada por Getúlio Vargas em 1943, é que prevê a organização de berçários pelas empresas com a intenção de cuidar das crianças no período de amamentação.

As creches existentes, neste período, de acordo com Amorim et al (2000):

(...) integram-se em uma política de proteção à maternidade e à infância, ligadas às áreas de saúde e assistência social, destacando-se como instituição oficial o Departamento da Criança – DNCr, o Serviço de Assistência aos Menores – SAM - criado em 1942, pela união de forças da iniciativa privada, do governo federal e influenciada pela primeira dama, Darcy Vargas). Estes órgãos funcionavam como repassadores para instituições particulares e firmaram convênios com o Estado que se limitou ao papel de fiscalizador.  .

Sobre o Departamento da Criança (DNCr) diz que essa instituição indica as igrejas de diferentes denominações para a implantação dos Centros de Recreação, propostos como programas emergenciais para atender as crianças de 2 a 6 anos e afirma que foi elaborado um plano emergencial, seguindo as prescrições do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e parece ter sido feito apenas para cumprir exigências relacionadas a empréstimos internacionais e, acrescenta que pouco se realizou desse plano, pois durante a década que se segue, prevalece o tratamento de política social como assunto de polícia.

É de se supor, entretanto, que após o sinal verde às religiões, a Igreja Católica tenha se empenhado na organização das comunidades, nos Clubes de Mães, favorecendo a eclosão dos Movimentos de Luta por Creche, em vários lugares do país, no final dos anos 70.

Sanchez (2003) ressalta que em 1964, o país estava sofrendo forte pressão com a ditadura militar, mesmo assim, as mulheres se unem participando de “organizações e reivindicações para a resolução de problemas enfrentados pela sociedade, apesar da forte repressão aos meios de comunicação e ao direito de expressão.

Anteriormente não se pensava em generalizar a creche, destinada apenas às mães pobres que precisassem trabalhar. Não se cogitava de que mulheres de outra condição social pudessem querer trabalhar quando gerassem crianças pequenas e, caso isso ocorresse, a solução deveria ficar no âmbito do doméstico do privado. O programa de atendimento educacional de crianças em creches, a partir de seu nascimento, passa a ganhar uma legitimidade social para além de sua destinação exclusiva aos filhos dos pobres.

A ampliação do trabalho feminino nos setores médios leva também a classe média a procurar instituições educacionais para seus filhos menores de sete anos. A temática contra cultural e a sua crítica à família e aos valores tradicionais inspiraram estudantes e profissionais, assim como foram referência para a criação de pré-escolas particulares alternativas, em geral cooperativas de educadores.

Na segunda metade da década de 70, segundo Oliveira et al (2001):

(...) observa-se o estabelecimento de uma nova política de atendimento às reivindicações populares em geral. Modificações significativas na forma de conceber o Estado e os direitos do trabalhador fizeram com que as mães-trabalhadoras pressionassem cada vez mais o Poder Público e as empresas para organizarem creches.

Com efeito, face ao panorama nacional naquela época aumenta cada vez mais a necessidade de creches o que faz com que o governo incentive as creches domiciliares. Aumentam, nesse período, o número de creches e berçários particulares destinados às crianças da classe média. Essas creches particulares propunham garantir o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, já dentro de uma visão da creche como uma instituição educacional.

Gradativamente, a sociedade vai acatando e amadurecendo um novo conceito de creche e passa-se a repensar as funções sociais da creche. A Constituição Federal de 1988 reconhece finalmente, que a creche, como instituição educativa, é um direito da criança, um dever do Estado e uma opção da família. Esta concepção opõe-se à visão tradicional da creche como uma dádiva, como um favor prestado à criança, no caso a criança pobre, e com funções apenas assistencialistas e de substituição da família.  

O direito da criança brasileira à creche, como instituição educacional, está garantido, restando, de agora em diante, definir, com clareza, seu papel social, a direção educacional, metodologia de ação pedagógica e até mesmo a adaptação da criança entregue a essas instituições.

É grande o desafio a ser enfrentado pelos profissionais das creches, tanto em termos de definição de objetivos e função social em relação às crianças pequenas, estratégias de trabalho, condições de trabalho, interação criança-professor, criança-criança, período de adaptação da criança à nova realidade (creche), enfim toda uma nova gama de ressignificações necessárias e urgentes.

2.2.1 O papel da creche na formação da criança, enfocando as estratégias de adaptação

As práticas desenvolvidas entre adultos e crianças de zero a três anos, no contexto das creches, são relações humanas permeadas por múltiplas influências. Dentre elas, Barreto (2003),  destaca diversos aspectos interligados, tais como os princípios e valores constituídos em uma esfera cultural, no interior das famílias e das comunidades locais; os movimentos sociais que fortaleceram esta instituição como um local de referência para mulheres trabalhadoras e seus filhos; e, ainda, as contribuições de estudiosos e pesquisadores, que definem tendências teóricas que irão contribuir para a construção dos modelos educacionais adotados.

Como decorrência desta determinação diversa, definem-se diferentes funções para as creches no contexto da sociedade brasileira: como recurso que beneficia a mãe trabalhadora, ou como instrumento social para prevenir o fracasso escolar das crianças mais pobres, ou ainda como uma instância educativa, que contribuiria para uma sociedade mais justa e um exercício de cidadania em prol da população infantil.

Para Garcia (2001), o ambiente tem um impacto poderoso na criação das crianças, isso implica na forma como elas vão se socializando e adquirindo conhecimento. Em cada fase do relacionamento entre crianças e família, observa - se muitas características de prazer e de dificuldade que geram comportamentos desorganizados.

Além disso, diz o supracitado autor,em muitos momentos da vida de cada criança ocorrem situações mais difíceis de ser enfrentadas, tais como a entrada na creche em que a criança demora em se desprenderem dos pais, pois esse processo é lento, até ela aprender a ficar longe das pessoas de quem gosta como fazia uma etapa anterior do seu desenvolvimento. Assim uma rápida adaptação é a melhor solução para que as crianças desde cedo aprendam a se socializarem.

Segundo Bazon (2014, p.3):

Na primeira parte desse processo a criança tem uma primeira experiência fora de casa na creche que vai lhe proporcionar um primeiro contato fora do ciclo familiar e também novas situações. E nessa primeira experiência que cada criança obtém um comportamento particular. Por isso, os educadores devem tratar cada criança com um procedimento personalizado, estendendo além da criança e chegando aos pais, porque a relação da criança com a creche e com as outras crianças depende da relação dela com os pais e com a forma de ensino adquirido em contato com um profissional da educação.

As mudanças que ocorrem durante a infância são mais amplas e aceleradas do que qualquer outra que venha a ocorrer no futuro. Sendo que dos três aos seis anos as crianças vivem a segunda infância, período que corresponde aos anos pré-escolares.

 Nesta fase, segundo Rocha et al (2011), a aparência das crianças muda, suas habilidades motoras e mentais florescem e sua personalidade torna-se mais complexa. Todos os aspectos do desenvolvimento físicos, cognitivos e psicossociais continuam interligados. À medida que os músculos passam a ter controle mais consistente, as crianças podem atender mais suas necessidades pessoais, como a higiene, e o vestir-se, ganhando, assim, maior senso de competência e independência. Logo, as atividades físicas são importantes.

O profissional dessa área possui ferramentas valiosas para provocar vários estímulos que levem ao desenvolvimento de forma bastante prazerosa: a brincadeira e o jogo. A partir da utilização da imaginação, a criança deixa de levar em conta as características reais do objeto, se detendo no significado determinado pela brincadeira.

Esse impulso, para Pacalia (2006), dado aos conceitos e processos de desenvolvimento. deverá ser fornecido pela educação física ao propiciar jogos e brincadeiras que, intencionalmente, estimulem a imaginação e a criatividade. Além disso, o processo de desenvolvimento dos indivíduos tem relação direta com o seu ambiente sociocultural e eles não se desenvolveriam plenamente sem o suporte de outros indivíduos da mesma espécie

Dessa forma, percebe-se que a creche e, neste caso específico, a educação física, tem um papel fundamental no aprendizado e, consequentemente, no desenvolvimento dos indivíduos, desde que estabeleça situações desafiadoras para seus educandos.

As pesquisas de Cunha (2008, p.8), apontam que:

As crianças de três a seis anos estão num período de rápido crescimento físico, sendo que seus interesses voltam-se para o mundo exterior. Neste sentido, preparar o ambiente no qual a criança está inserida torna-se fundamental para o seu desenvolvimento físico e intelectual, pois a manipulação de objetos é essencial para despertar na criança a atenção, a motricidade, a concentração e a linguagem.

As crianças fazem progressos significativos em suas habilidades motoras durante o período pré-escolar. À medida que se desenvolvem fisicamente, aumenta sua capacidade de fazer com que seus corpos façam o que elas desejam. O desenvolvimento dos músculos maiores lhes permite correr ou andar de motoca; o aumento da coordenação olho-mão lhes ajuda durante a aprendizagem. As crianças encorajadas pelos adultos tendem a desenvolver melhor atividades motoras.

Nesse contexto, brincar pode ser para a criança um treino para a vida e um meio para prepará-la para, no futuro, enfrentar situações esperadas ou inesperadas.

Conforme ressalta Miguel (2009), os brinquedos orientam a brincadeira, trazem-lhe a matéria. Só se pode brincar com o que se tem, e a criatividade permite justamente, ultrapassar esse ambiente, sempre particular e limitado. Os meios eletrônicos de distração tendem a trazer ideias prontas, não estimulam a criatividade e o raciocínio. Por este motivo, entre outros, verifica-se a importância de resgatar na creche as brincadeiras infantis e a leitura, para que a criança tenha maior interesse pela diversão no mundo real, em que ela poderá desenvolver-se de maneira saudável.

De acordo com Yuste (2007), a interação social pode promover a alfabetização emergente que é o desenvolvimento de habilidades, conhecimento e atitudes que subjazem à leitura e à escrita. As crianças tendem mais a se tornar boas leitoras e escritoras se, durante os anos pré-escolares, os educadores oferecerem desafios de conversação para os quais as crianças estão preparadas.

Assim se utilizarem vocabulários ricos e centrarem a conversa à mesa as atividades diárias ou em perguntas sobre o que as pessoas fazem e como as coisas funcionam. Também é importante ler para as crianças para preparar as mesmas para alfabetização.

A creche além de desenvolver processos educativos também precisa oferecer alimentação equilibrada tanto quantitativa como qualitativamente, proporcionando educação alimentar e nutricional às crianças, amenizando as situações de insegurança alimentar e promovendo o desenvolvimento e o crescimento infantil.

Amizade infantil defende Figueiredo (2009), é fundamental para o desenvolvimento do instinto gregário e desde cedo, a criança percebe seu jeito de ser e como se encaixa no grupo em que vive, respeitando a si e ao próximo com um papel muito importante da creche nesse processo.

Os amigos são pessoas em quem as crianças aprendem a confiar. Primeiro as crianças escolhem os amigos por causa de sua proximidade física e assim vai se desenvolvendo afeto, respeito e confiança pelas pessoas próximas. A criança necessita da outra criança para se desenvolver socialmente.

Sendo assim a criança é dependente de outra criança para aprender a se socializar em ambientes diferentes do familiar. E juntamente com adultos elas adquirem educação e diálogo 

De acordo com Didonet (2001), o processo de adaptação da criança a creche, envolve uma série de fatores, pois este é um período critico para a tríade  bebê-família-educador. Assim, há implicações num conjunto de reorganizações, onde está se passando por mudanças pessoais e coletivas.

Segundo Rapaport e Piccinini (2004), a criança ainda mergulhada no processo recente de adaptação às condições extra-uterinas, depara-se, também, com a aquisição de novas competências, além da ampliação da rede de interações e da adaptação a novos rostos, novos espaços e novas rotinas.

Esse processo com características tão complexas, requer o envolvimento de todos. De acordo com Rizzo (2006, p.48):

O educador, por sua vez, passa a realizar os cuidados da criança e também precisa adaptar-se a uma série de novidades, já que há um conjunto de características pessoais dessa criança e família que são específicas e devem ser respeitadas, valorizadas e, eventualmente, modificadas.

Silva e Bolsanello (2002), enfatizam, ainda, as transformações que a interação mãe-bebê sofre ao passar do espaço domiciliar, com mais intimidade e exclusividade, para uma separação, o estabelecimento de novas relações e o fim da exclusividade de cuidados realizados por um familiar. Para a criança surgem novos parceiros e ela é introduzida a um novo ambiente, com novas rotinas.

Segundo Amorim et al (2000, p.138):

Quando a mãe leva seu filho pequeno pela primeira vez à creche, ela é “invadida/capturada por toda uma malha de significações” estruturada no passado e trazidos à lembrança “por elementos presentes, sejam eles internos/pessoais ou externos, físicos ou sociais: emoções, gestos, o novo contexto com salas, objetos, pessoas adultas e crianças novas, a aparência, ação ou fala da educadora, o choro ou sorriso do filho”, portanto, essa “malha complexa” transformada em discurso vai definir a “posição, lugar ou papel, estruturando de determinada forma o fluxo de seus comportamentos, ao mesmo tempo em que a faz recortar e interpretar de certa maneira o contexto e as ações dos outros, inclusive do próprio filho”, e assim, para as autoras, “a educadora, a mãe e o bebê vão se constituindo como sujeitos e transformando continuamente a rede de significações pessoal e coletiva”.

As autoras supracitadas apontam que alguns significados, associados a representações e valores sociais mais amplos são mais difíceis de mudar, exigindo por vezes verdadeiras rupturas em relação a modelos antigos de pensamento e de afeto o que é muitas vezes o caso da experiência vivida pela mãe ao deixar o seu bebê na creche, aos cuidados de uma pessoa e em um ambiente inicialmente estranho.

Para Rapaport (2005, a organização do espaço, objetos, rotinas é fundamental pois favorece a interação de adulto e crianças em um ambiente acolhedor, afetivo, isso faz a mãe sentir uma sensação de segurança, provocando uma boa impressão do lugar com relação a deixar o filho na creche.

É pertinente concordar com Sanches (2003), quando afirma que o período de adaptação de uma criança à creche é frequentemente envolvido por muitas dúvidas, sentimentos de culpa e outras emoções muito fortes que podem desestabilizar a família por algum tempo. Com o objetivo de minimizar, ao máximo,  o processo psicológico da separação e seu significado, é importante que a família atente para alguns cuidados.

Todo crescimento é doloroso, pois implica sempre em renúncia a uma situação anterior de proteção e conforto, mas o resultado é bom para qualquer indivíduo. O processo de adaptação é semelhante.

A decisão de colocar o filho na creche deve resultar de uma atitude pensada, consciente e segura, a fim de que a criança tenha certeza  de que seus pais estejam fazendo uma coisa boa para ela. Se a criança perceber dúvidas, ficará intranquila e assustada, o que não será bom para ela.

Nessa perspectiva, é preciso confiar no trabalho da creche e/ou escola antes de iniciar o processo de adaptação. Quando os pais confiam, sentem segurança na separação, e este sentimento se transmitirá espontaneamente à criança, que se sentirá mais segura e feliz.

Para Rosemberg (2001), o choro na hora da separação é frequente e nem sempre quer dizer que a criança não queira ficar na creche. Ao contrário, é o impasse para decidir entre duas coisas que se opõem e que a estressa. É preciso ajudá-la a acreditar que a mãe volta para buscá-la.

Cabe ao responsável entregar a criança, colocando-a no chão e incentivando-a a ficar na creche e/ou escola. Não é recomendável deixar o educador com o encargo de retirar a criança do colo dos pais. Ela não deve se sentir alvo de disputa. As intenções de deixá-la na creche devem ser claras e honestas; caso contrário, vão gerar insegurança na criança.

A sala de atividades de acordo com Santos e Timm (2013), é um espaço que deve ser respeitado, e a presença da mãe nela, além de dificultar a compreensão da separação e adiar a adaptação, fará com que as outras crianças cobrem a presença de suas mães.

Nessa visão, todo o contexto envolvendo a mãe e a criança, sejam comentários familiares, experiências passadas, a forma como a creche se estrutura, como recebe essa mãe e essa criança, entre outros, tudo isso, vai interferir positiva ou negativamente na reação que as mesmas irão apresentar nesse novo ambiente, como também, podem favorecer ou dificultar o processo de adaptação.

A grande tensão e o estresse entre pais e educadoras, provocados por todo esse processo de adaptação à creche, carece de atenção. E essas situações de tensão relacionam-se aos conceitos de obrigação da maternidade e de educação dos filhos, gerando dúvidas, angústia e culpa por um lado, mas, paradoxalmente, sendo, também, um motivo de alegria, conquista ou alívio por se conseguir uma vaga na creche por outro.

Rizzo (2006, p.161), afirma que o período de adaptação “é sempre uma experiência dolorosa para a criança, sendo que esse período pode ser “mais ou menos longo e durar até mesmo poucas horas, mas sempre existe”.

Para amenizar esse processo de inserção a esse novo ambiente, algumas creches utilizam-se de estratégias facilitadoras como a presença do pai, da mãe ou de alguém da família para permanecer com a criança nos primeiros dias; aumentar de forma gradual a permanência na creche; estabelecer um horário de chegada e saída. Essas são, entre outras estratégias, que pretendem ser facilitadores no processo de adaptação.

Buscando compreender o ingresso à creche os estudos de Rapaport e Piccinini (2004), Yuste (2007) e Figueiredo (2009), mostram que  tanto as mães  como as educadoras descrevem as primeiras semanas em cuidados alternativos como altamente estressantes especialmente para bebês e crianças pequenas. O ambiente desconhecido, as novas rotinas, a alimentação, as pessoas não familiares, as separações diárias e a ausência da mãe colocam-lhes uma significativa exigência social e emocional.

Recentemente dois instrumentos foram desenvolvidos objetivando examinar indicadores de adaptação a creche, apontados por Rapaport e Piccinini (2004, p.86):

A escala de adaptação de Varin, Cruugnola, Molina e Ripamonti (1996), que se constitui num interessante instrumento que avalia sete conjuntos de indicadores de mal-adaptação da criança no contexto da creche, a saber: pobreza no brinquedo e na comunicação da criança com adultos e pares, com baixa expressão de sentimentos positivos e pequeno interesse nas atividades da creche; sofrimento na separação do objeto de apego, o que também esteve relacionado a uma necessidade geral de estabilidade e baixa tolerância a mudanças; reações agressivas com outras crianças e educadoras, com atividade motora e brinquedo simbólico com conteúdo destrutivo, bem como baixo grau de autocontrole; dificuldade geral durante o reencontro com os pais, envolvendo comportamento evitativo e resistente; baixa tolerância a frustração e ao estresse, baixa resiliência e dificuldade em ser confortado; elevada ansiedade de separação, expressa pelos comportamentos de agarrar-se aos pais durante a separação matinal, chorar e protestar e; recusa ao grupo da creche, brincando somente com seus próprios brinquedos em padrões esteriotipados.

Já o segundo instrumento desenvolvido, segundo os autores supracitados desenvolvido por Fein et al (1993), para observar a adaptação de bebês e crianças pequenas a creche se constituem: cada um dos seguintes comportamentos é codificado numa escala de frequência; interesse em brinquedos e no ambiente; interação com pares; interação com adultos; afeto negativo, e; afeto positivo. Tanto o instrumento de Varin et al (1996), como o de Fein et al (1993), representam contribuições importantes para se examinar mais sistematicamente o processo de adaptação à creche. Além de poderem ser utilizados em pesquisas, a sua utilização permite que as educadoras tenham informações detalhadas sobre cada criança que inicia na creche.

Quanto às estratégias de enfrentamento durante a adaptação da criança à creche, as separações e despedidas diárias se constituem muitas vezes nas primeiras experiências em que terão de enfrentar o estresse, sendo necessário utilizarem estratégias de enfrentamento para se adaptarem a este novo contexto.

Para Averbuch (2001), estratégias de enfrentamento incluem todas as respostas a eventos ou episódios estressantes, que servem para reduzir o estresse, aceitá-lo ou tolerá-lo, ou para se adaptar as demandas do ambiente. São esforços cognitivos e comportamentais que estão constantemente mudando, para manejar demandas específicas, internas ou externas, que são avaliadas como sobrecarregando ou excedendo os recursos pessoais.

Considerando que não se pode perguntar a um bebê sobre sua apreciação de um evento, nem sempre fica claro se um evento é estressante, é razoável supor que quando o bebê está demonstrando sinais de angústia deve estar experienciando estresse.

Para classificar estratégias de enfrentamento de crianças na creche, Karraker e Lake (1991), apud Rapaport e Piccinini (2004), apontam estratégias corporais ou psicológicas. As estratégias psicológicas podem estar focalizadas na emoção (para o bebê tranquilizar-se) ou no problema (para tentar resolver a situação que causa estresse). Além disso, podem ser realizadas pelo bebê de forma independente ou com auxílio de um adulto, ou ainda serem antecipatórias (manifestam-se antes do evento estressante, quando o bebê percebe que ele está para ocorrer).

As estratégias de enfrentamento durante a infância são afetadas por fatores individuais e ambientais e o grau com que as estratégias vão ser efetivas pode depender da boa adequação entre as demandas da criança e do contexto.

Vale considerar que muitos são os fatores que determinam o tempo que vai levar o processo de adaptação de cada criança, podendo variar amplamente de caso para caso, e ainda assim, muitas vezes mesmo depois de adaptados, fatores externos ou do próprio desenvolvimento do bebê podem levar o processo a recomeçar.

De acordo com Rapoport (2005), mesmo que algumas creches estejam preocupadas com a duração do período de adaptação e em utilizar estratégias para amenizar os desconfortos provindos desse período, ainda assim, existem instituições de educação infantil que “optam por não proporcionar essa vivencia às crianças e às suas famílias

Nesse contexto, percebe-se que a creche é um espaço articulado especificamente para os pequenos, deve, oferecer condições ótimas que propiciem e estimulem o desenvolvimento integral e harmonioso da criança sadia (Rizzo, 2006, p. 49) e tem como finalidade responder pelos cuidados integrais da criança na ausência da família.

2.3 O papel fundamental do cuidar e o educar da criança na creche

O cuidado no âmbito da Educação Infantil, contempla a compreensão de que está inserido no contexto da educação. Portanto, o binômio educação e cuidado deve estar implícito nas produções sobre a infância.

De acordo com Brasil (1998, p.25):

O cuidado precisa considerar, principalmente, as necessidades das crianças, que quando observadas, ouvidas e respeitadas, podem dar pistas importantes sobre a qualidade do que estão recebendo. Os procedimentos de cuidado também precisam seguir os princípios de promoção à saúde. Para se atingir os objetivos dos cuidados com a preservação da vida e com o desenvolvimento das capacidades humanas, é necessário que atitudes e procedimentos estejam baseados em conhecimentos específicos sobre o desenvolvimento biológico, emocional, e intelectual das crianças, levando em consideração as diferentes realidades socioculturais.

Corroborando Waldow (2004, p.21), ressalta que “cuidado é um processo, um modo se relacionar com alguém que envolve desenvolvimento e cresce em confiança mútua, provocando uma profunda e qualitativa transformação no relacionamento. [...] é ajudar o outro crescer e se realizar”.

Já Rocha et al (2011, p. 9), ressaltam que:

 O cuidado “diz respeito à atitude diferente consigo, com os outros e com o mundo; indica a conversão do olhar do exterior para o próprio interior como modo de exercer a vigilância contínua do que acontece nos pensamentos”. O cuidado refere-se a arte de viver, a ser desenvolvida ao longo da existência, desdobrando-se nas funções de luta (preparando para suportar eventuais acidentes, infelicidades e desgraças que lhe possam ocorrer), de crítica (para corrigir maus hábitos) e de terapia (tarefa fundamental do cuidado de si, o saber cuidar do corpo e da alma.

Costa (2007), defende a necessidade de uma educação que busque um novo olhar, uma nova postura diante de si mesmo e de sua circunstância, tendo como parâmetros uma ética de amor, de zelo e respeito pela vida em todos os seus aspectos.

De acordo com Rosemberg (2001, p.23),

Atender às suas necessidades de proteção, segurança, bem-estar, saúde. Estar atento a seus afetos, emoções e sentimentos, às relações com os outros, com as coisas, com o ambiente. Planejar um espaço que estimule sua inteligência e imaginação, que permita descobertas e aguce sua curiosidade.

Segundo Forest (2009, p.6), os quatro cuidados básicos são:

autocuidado (cuidar de si mesmo), altercuidado (cuidar do outro), ecocuidado (cuidar do ambiente em que vive) e transcuidado (cuidar dos significados, sentidos e valores que presidem a sua existência)

Em se tratando das dimensões do cuidado em educação, Santos e Timm (2011, p.11), ressaltam que:

Autocuidado é o cuidado consigo mesmo (cuidado do corpo, da mente, dos sentimentos). Tanto na saúde quanto na educação se defende a necessidade de uma educação que tenha um olhar especial sobre a pessoa humana em sua totalidade. E é na infância que se desenvolvem os hábitos mais saudáveis de alimentação, higiene física e mental e melhoria na qualidade de vida.

Com efeito, estes são valores absorvidos pela crianças que disseminam estes ensinamentos a seus pais e àqueles que convivem com elas.

De acordo com Brasil (1998, p.24):

A base do cuidado humano é compreender como ajudar o outro a se desenvolver como ser humano. Cuidar significa valorizar e ajudar a desenvolver capacidades. O cuidado é um ato em relação ao outro e a si próprio que possui uma dimensão expressiva e implica em procedimentos específicos. O desenvolvimento integral depende tanto dos cuidados relacionais, que envolvem a dimensão afetiva e dos cuidados com os aspectos biológicos do corpo, como qualidade da alimentação e dos cuidados com saúde, quanto da forma como esses cuidados são oferecidos e das oportunidades de acesso a conhecimentos variados.

Para Waldow (2004, p.188):

Altercuidado é o cuidado do outro, das relações com o outro. Cuidar de outrem possibilita cuidar de si. O cuidado deve ser nutrido, cultivado, compartilhado! Na dimensão do cuidar do outro destacar-se-á os seguintes aspectos. 1. A relação de cuidado criança x criança. 2. A relação cuidado professor x criança.

O altercuidado implica nas relações interpessoais ou seja, relações Interpessoais: família, escola, amizade, vida afetivo-sexual. O desenvolvimento social na Educação infantil se dá, sobretudo nos jogos e brincadeiras. A criança aprende a perder, ganhar, respeitar o outro, descobrir as diferenças. Nesta fase a criança amplia seus laços de amizade, que se estende além da família, aprende a conviver com seus pares, a respeitar e ser respeitada. Este relacionamento é fundamental para a construção e fortalecimento do seu “eu”.

Santos e Timm (2004, p.13), falam das:

Relações Sociais mais amplas: ética, cidadania, solidariedade social e sentimento humanitário. Ensinar valores para crianças pequenas não é tão fácil assim, sobretudo neste momento em que vivemos uma profunda crise de valores entre os adultos. Como ensinar ser ético se ao seu redor ela só encontra atitudes nada éticas? Mas é missão da escola. Tarefa que requer experiência, amor e dedicação, pois, desde o nascimento a criança torna-se uma cidadã, adquire direitos e precisa aprender a conviver.

A alteridade requer a vivência da solidariedade que é a solidariedade é uma virtude que deve impregnar todas as expressões da vida para que se desenvolva uma cultura de solidariedade e não apenas ações de solidariedade em momentos de catástrofes. Educar para a solidariedade é criar um sentimento de comprometimento com o bem do outro.

Ecocuidado é o cuidado com o ambiente em que se está inserido, preocupação com as redes que sustentam a vida.

Reigada e Reis (2004, p.150), explicam que:

Sendo uma dimensão da educação, a Educação Ambiental é um processo educativo que visa formar cidadãos éticos nas suas relações com a sociedade e com a natureza. Durante a formação, cada indivíduo é levado a uma reflexão de seus comportamentos e valores pela aquisição de conhecimentos, compromisso e responsabilidade com a natureza e com as gerações futuras.

A Educação Ambiental para crianças pequenas deve abordar aspectos capazes de serem absorvidos por esta faixa etária. Se a criança aprende as questões básicas de respeito à natureza, à medida que for crescendo vai absorvendo e aprendendo novos conhecimentos. Práticas de educação ambiental como: plantar uma árvore, evitar o desperdício de água e de alimentos, economizar energia elétrica, entre outras, devem ser implantadas nas escolas de Educação Infantil. As crianças pequenas respondem imediatamente a atitudes aprendidas, pois, são curiosas e gostam de sentirem-se protagonistas de uma nova proposta.

Montanha (2010, p.24), ressalta ainda que:

o transcuidado, que é o cuidado com tudo aquilo que dá sentido à vida – os grandes temas da existência humana – com as questões da fé, do sentido da vida, os valores transcendentes e os grandes ideais humanos, ou seja, a dimensão transcendente do existir humano.

Buscando uma nova modalidade educacional, com base no que preconizam a CF, ECA, a LDB, Didonet (2001, p.23), explicita que:

Ao tratar da composição dos níveis escolares, inseriu a educação infantil como primeira etapa da Educação Básica. Essa Lei define que a finalidade da educação infantil é promover o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, complementando a ação da família e da comunidade.

De acordo com Brasil (2006, p.10),

O tratamento dos vários aspectos como dimensões do desenvolvimento e não áreas separadas foi fundamental, já que “[...] evidencia a necessidade de se considerar a criança como um todo, para promover seu desenvolvimento integral e sua inserção na esfera pública.

Assim, constata-se que um grande avanço no que diz respeito aos direitos da criança pequena, uma vez que a educação infantil, além de ser considerada a primeira etapa da Educação Básica, embora não obrigatória, é um direito da criança e tem o objetivo de proporcionar condições adequadas para o desenvolvimento do bem-estar infantil, como o desenvolvimento físico, motor, emocional, social, intelectual e a ampliação de suas experiências.

Face a esse cenário, Didonet (2001, p.25), considera os seguintes objetivos:

  • Objetivo Social: associado à questão da mulher enquanto participante da vida social, econômica, cultural e política;
  • Objetivo Educativo: organizado para promover a construção de novos conhecimentos e habilidades da criança;
  • Objetivo Político: associado à formação da cidadania infantil, em que, por meio deste, a criança tem o direito de falar e de ouvir, de colaborar e de respeitar e ser respeitada pelos outros.

O MEC em 1998, publicou dois documentos muito significativo para fomentar e formular diretrizes da educação, da criança: subsídios para o credenciamento e funcionamento das Instituições de Educação Infantil e o RCNEI.

Neste documento foi compreendido de modo a servir como um guia de reflexão de cunho educacional sobre os objetivos, conteúdos e orientações didáticas para os profissionais que atuam com crianças de zero a seis anos de idade.

Em referência aos objetivos gerais da EI, o RCNEI contempla a prática desenvolvida nas escolas, ressaltando que a organização das mesmas devem ser direcionadas para o crescimento de capacidades, que Brasil (1998, p.63), enumera:

  • desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas capacidades e percepção de suas limitações;
  • descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar;
  • estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social;
  • estabelecer e ampliar cada vez mais as relações sociais, aprendendo aos poucos a articular seus interesses e pontos de vista com os demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração;
  • observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante, dependente e agente transformador do meio ambiente e valorizando atitudes que contribuam para sua conservação;
  • brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades;
  • utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar suas ideias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva;
  • conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade.

Esses objetivos devem ser alcançados de modo integrado, o que para tanto, devem ser oferecido brincadeiras, advindas de situações pedagógicas orientadas.

Portanto, a integração entre o brincar e educar e relevante no desenvolvimento do trabalho da educador pois como afirma Brandão (2007, p.86):

Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros, em uma atitude de aceitação, respeito e confiança, e o acesso pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural

O cuidar e o educar são indissociáveis, são ações intrínsecas, portanto é de fundamental importância  que as instituições de educação infantil incorporem de maneira integrada as funções de cuidar e educar, não mais diferenciando, nem hierarquizando os profissionais e instituições que atuam com crianças pequenas ou àqueles que trabalham comas de mais idade

As novas funções da Educação Infantil para Mantovani e Bondioli (2003), devem estar associadas a padrões de qualidade. Essa qualidade advém de concepções de desenvolvimento que consideram as crianças nos seus contextos sociais, ambientais, culturais e, mais concretamente, nas interações e práticas sociais que lhes fornecem elementos relacionados às mais diversas linguagens e ao contato com os mais variados conhecimentos para a construção da autonomia.

Pode-se oferecer às crianças, segundo as autoras supracitadas, condições para as aprendizagens que ocorrem nas brincadeiras e àquelas advindas de situações pedagógicas intencionais ou aprendizagens orientadas pelos adultos. Contudo, e importante ressaltar que essas aprendizagens, de natureza diversa, ocorrem de maneira integrada no processo de desenvolvimento infantil.

Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, de respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural.

Nesse processo, a E I,  poderá auxiliar o desenvolvimento das capacidades de apropriação e conhecimento das potencialidades corporais, afetivas, emocionais, estéticas e éticas, na perspectiva de contribuir para a formação de crianças felizes e saudáveis.

Em Brasil (1998, p.23) de acordo com RCNEI, educar

Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser, e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito, confiança, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. Os Parâmetros Nacionais de Qualidade para Educação infantil (2006) colocam a importância do trabalho com o cuidar e o educar de forma indissociável, valorizando as necessidades e os direitos que cada criança possui.

O processo educativo das crianças é fator muito importante para a sua vida, e deve ser encarado com muita seriedade pela família, escola e professores.

Segundo Vitória (2002, p.20):

É fato que o processo educativo é realizado de várias formas: na família, na rua, nos grupos sociais, e também na escola [...]. Educar, nessa primeira etapa da educação básica, não pode ser confundido com cuidar, ainda que as crianças necessitem de cuidados elementares. Por isso cuidar e educar são conceitos que devem estar associados ao tratamento dispensado a criança, já que além de receber cuidados básicos, a criança precisa desenvolver sua identidade pessoal e social.

É importante destacar que é na família que a criança estabelece os primeiros contatos com o meio e com as coisas a sua volta. O educar e o cuidar são a base do desenvolvimento das crianças e tem que serem bem trabalhados e explorados pelos professores e, também, pelas famílias das crianças.

2.4 O profissional da Educação Infantil: importância da formação e valorização

O próprio contexto atual, aponta para a necessidade de se investir constantemente na formação do educador de Educação Infantil. Observa-se que há premência em integrar a educação e o cuidado.

Na concepção de Mantovani e Bondioli (2003), o profissional de creche deve possuir uma consistente formação acerca do processo de desenvolvimento da criança, a fim de que possa selecionar e empreender atividades em função deste desenvolvimento. Uma tarefa essencial deste profissional é a de especificar os modos e os objetivos de uma programação que leve em conta uma visão integradora do desenvolvimento infantil.

A formação e a valorização dos profissionais que trabalham com a educação Infantil, especialmente, na creche apresenta-se, hoje, como um grande desafio e um elemento essencial para a melhoria da qualidade do atendimento a criança.

A Lei de Diretrizes e Bases  (1996), dispõe, no título VI, art. 62:

A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal.

Isso significa que as redes de ensino deverão colocar-se na tarefa de investir de maneira sistemática na capacitação e atualização permanente e em serviço de seus educadores, aproveitando as experiências acumuladas daqueles que já vêm trabalhando com crianças há mais tempo e com qualidade.

Nesse contexto, é fundamental que os profissionais, nas instituições de E I, tenham ou venham a ter uma formação inicial sólida e consistente, acompanhada de adequada e permanente atualização em serviço. Assim, o diálogo, no interior da categoria, tanto quanto os investimentos na carreira e formação do profissional pelas redes de ensino, é, hoje, desafio presente, com vista à profissionalização do decente de educação infantil.

Brasil (1998, p.41), elucida bem a assertiva:

O trabalho direto com as crianças pequenas exige que o educador tenha uma competência polivalente. Ser polivalente significa que ao educador cabe trabalhar com conteúdos de naturezas diversas que abrangem desde cuidados básicos essenciais até conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas do conhecimento. Este caráter polivalente demanda, por sua vez, uma formação bastante ampla e profissional que deve tornar-se, ele também, um aprendiz, refletindo constantemente sobre sua prática, debatendo com seus pares, dialogando com as famílias e a comunidade e buscando informações necessárias para o trabalho que desenvolve. São instrumentos essenciais para reflexão sobre a prática direta comas crianças a observação, o registro, o planejamento e a avaliação.

Assim, tem-se que os projetos educativos das instituições possam, de fato, representar esse diálogo e debate constante, é preciso ter educadores que estejam comprometidos com a prática educacional, capazes de responder às demandas familiares e das crianças, assim como às questões específicas relativas aos cuidados e aprendizagens infantis.

Para Forest (2009), a formação do educador infantil deve estar baseada na concepção de educação infantil. Deve buscar a superação da dicotomia educação / assistência, levando em conta o duplo objetivo da educação infantil de cuidar e educar.

Corroborando Garcia (2001), salienta que a formação deve ser entendida como direito do profissional, o que implica a indissociabilidade entre formação e profissionalização. Diferentes níveis e estratégias de formação devem ser geradores de profissionalização, tanto em termos de avanço na escolaridade, quanto no que se refere à progressão na carreira.

De acordo com Brasil (1998, p.26):

Sobre o cuidar, é importante ressaltar que esse deve ser entendido como parte integrante da educação, ou seja: “[...] cuidar de uma criança em um contexto educativo demanda a integração de vários campos de conhecimentos e a cooperação de profissionais de diferentes áreas”. Ainda nos anos de 1998 e 1999, o Conselho Nacional de Educação, aprovou as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, que teve como objetivo direcionar, de modo obrigatório, os encaminhamentos de ordem pedagógica para esse nível de ensino aos sistemas municipais e estaduais de educação e as Diretrizes Curriculares para a Formação de Professores da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, que também contribuiu para a melhoria de ambos os níveis de ensino ao discutir a relevância de uma formação altamente qualificada para esses profissionais.

Embora se observe o avanço da legislação pertinente ao reconhecimento da criança e a educação nos seus primeiros anos de vida, constata-se muitos desafios no que concerne ao efetivo atendimento desse direito, que Barreto (2003), resume na questão de acesso e de qualidade do atendimento. Na primeira, o ingresso da criança na creche ainda é dificultada, pois as de família de baixa renda têm menos oportunidades que aos de nível socioeconômico mais elevado.

Em relação a qualidade do atendimento, Paschoal (2009, p.79), aponta que:

As instituições de educação infantil no Brasil, devido à forma como se expandiu, sem os investimentos técnicos e financeiros necessários, apresenta, ainda, padrões bastante aquém dos desejados [...] a insuficiência e inadequação de espaços físicos, equipamentos e materiais pedagógicos; a não incorporação da dimensão educativa nos objetivos da creche; a separação entre as funções de cuidar e educar, a inexistência de currículos ou propostas pedagógicas são alguns problemas a enfrentar.

A questão da busca pela qualidade contempla outros questionamentos mais complexos, tal como o projeto. Essa busca envolve outras questões complexas, segundo a autora, como o projeto educativo das instituições, formação e valorização do professor e recursos financeiros destinados a essa faixa etária, sendo necessário, contudo, garantir que esses recursos sejam efetivamente empregados nesse nível de ensino.

Com o objetivo de cumprir essa finalidade a Lei 10.172/2001 – Plano Nacional de Educação (PNE), foi aprovada, visando estabelecer as metas em todos os níveis de ensino.

Para Silva e Francischini (2013), , um dos objetivos desse documento é reduzir as desigualdades sociais e regionais no que diz respeito à entrada e à permanência da criança e do adolescente no ensino público, princípio que se aplica à educação infantil, visto ser a desigualdade de acesso bastante significativa nas classes menos favorecidas.

O fato é que a  formação de profissionais para a educação infantil precisa se tornar reflexiva, ou seja, deve possibilitar ao educador compreender a dimensão educativa do seu trabalho e construir autonomia intelectual para refletir sobre as práticas psicopedagógicas que exerce.

Assim, essa formação não ocorre instantaneamente, mas por meio de um caminho longo a ser percorrido e a ser construído, que precisa de investimento de tempo e de recursos suficientes a essa construção.

De acordo com Figueiredo (2009), determinados aspectos podem contribuir com a formação dos profissionais de creche, e assinala alguns que dizem respeito ao perfil do educador para a educação infantil, tais como a necessidade de: a) uma formação permanente que alimente a prática docente, permitindo o confronto do conhecimento teórico com a real situação vivida com as crianças; b) uma estrutura de apoio na instituição, que dê condições aos profissionais para lidarem com o estresse, prevendo momentos de descanso e rodízio de funções; c) interação com vários “outros” e não só com o aluno, incluindo o desempenho de seu papel na dinâmica da equipe de trabalho, em seu relacionamento com as famílias e os profissionais de outras agências educativas e sociais; d) aprender a refletir sobre sua prática, construindo um projeto educativo próprio, utilizando a documentação, a avaliação, a pesquisa e a observação.

Esses aspectos, podem contribuir para uma concepção de formação de educadores para a educação infantil, tendo como referência primordial a especificidade do atendimento de crianças de zero a seis anos.

3. Metodologia

A proposta metodológica recaiu sobre um estudo de natureza bibliográfica com base nas contribuições de vários autores que já abordaram a questão.

Gil (2000), afirma que a pesquisa bibliográfica fornece instrumento analítico para  qualquer outro tipo de pesquisa. O pesquisador vale-se de opiniões já formatadas por diversos autores a respeito da temática.

A pesquisa bibliográfica consiste na investigação a partir do material já elaborado como: livros, revistas, artigos relevantes para o objetivo de estudo. É a atividade de localização e consulta de fontes diversas e informação para a coleta de dados a respeito de determinado tema. Considera os centros especializados, bibliotecas universitárias cujas especialidades estão ligadas a área do conhecimento do tema que esta sendo investigado.

Para Lakatos e Marconi (2005), este tipo de pesquisa abrange a leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, documentos, mimeografados ou xerocopiados, mas, fotos, manuscritos. Todo material recolhido deve ser submetido a uma triagem, a partir da qual é possível estabelecer um plano de leitura. Trata-se de uma leitura atenta e sistemática que se faz acompanhar de anotações e fichamentos que, eventualmente, poderão servir a fundamentação teórica do estudo.

A pesquisa bibliográfica tem por objetivo conhecer as diferentes contribuições científicas disponíveis sobre determinado tema. Ela dá suporte a todas as fases de qualquer tipo de pesquisa, uma vez que auxilia na definição do problema, na determinação dos objetivos, na construção de hipóteses, na fundamentação da justificativa da escolha do tema e na elaboração do relatório final.

Utilizou-se ainda a pesquisa descritiva que tem por finalidade observar, registrar e analisar os fenômenos sem, entretanto, entrar no mérito de seu conteúdo. Nesta pesquisa não há interferência do pesquisador, que apenas procura perceber, com o necessário cuidado, a frequência com que o fenômeno acontece.

O embasamento para a sua realização teve como parâmetros autores que versam sobre a temática, nos quais foi possível encontrar respaldo, coletando dados bastante significativos, garantindo, desse modo a realização de um trabalho científico sólido e com informações relevantes.

4. Resultados e Discussão

Os resultados obtidos indicaram que os aspectos históricos e legais da Educação Infantil no Brasil, tem como primeiro movimento a iniciativa das Câmaras Municipais que determinavam subsídio para cuidar das crianças negras e mestiças ou branca abandonadas.

Esse cuidado era realizado por amas-de-leite e criadoras que criavam as referidas crianças e periodicamente prestavam contas as autoridades governamentais.

Num segundo momento, foram fundadas as Rodas dos Expostos, instituições católica de cunho caritativo, que se espalharam pelos países católicos e foram implantadas no Brasil no início do século XVIII, via Santa Casa de Misericórdia; tinham como objetivo acolher crianças das primeiras idades, sem identificar as pessoas que as abandonavam. Para os abandonados maiores de doze anos existia  Escola de Aprendizes Marinheiros, fundada pelo Estado em 1873.

Posteriormente, houve a substituição da caridade para a filantropia, em que se contemplava uma preocupação maior com a criança. Mudança essa que ocorreu com o advento da República, cuja crença  e expectativa era a ideia de que o futuro do país estava na criança.

No final do século XIX, o Estado, no exercício de sua postura preventiva, tomava para si a função de zelar pela educação das crianças, de suprir, tanto quanto possível, os cuidados familiares que lhes faltavam, para controlar essa fase da vida e, consequentemente, investir no futuro da nação.

Havia um reconhecimento de que os primeiros anos de vida compunham uma fase importante, mas o interesse maior era de moldar a criança e no discurso de proteção à mesma estava embutida a proposta de defesa da sociedade.

Gradativamente foram surgindo Leis, políticas públicas como o ECA, LDB e o marco que teve seu ápice como fio condutor, o documento Política Nacional de Educação Infantil em suma, e Educação Infantil.

A Educação Infantil, como política pública, desponta somente no final do século XX, demonstrando a falta de cuidado com a infância brasileira. Por outro lado, a presença de discussões sobre a mesma nos últimos anos, resultando em leis e documentos tais como:Constituição Federal de 1988, ECA, LDB, Política Nacional de Educação Infantil, RCNEI, DCNEI (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil); Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil, não deixa dúvida de que há uma preocupação maior ou, pelo menos, de que existem leis que regulamentam a atenção e educação dessa fase da vida.

Quanto as estratégias realizadas para adaptação da criança a creche, constatou-se que o ambiente deve ser acolhedor; no cotidiano da creche deve prever  momentos diferenciados dos fornecidos para crianças maiores. Salientam que vários tipos de atividades devem envolver a jornada diária das crianças, como o horário da chegada, a alimentação, a higiene, o repouso, as brincadeiras, os jogos diversificados (como o de faz-de-conta, os jogos imitativos e motores), a exploração de materiais gráfico e plástico (os livros de histórias, as atividades coordenadas pelo adulto) e outros.

Além disso, as atividades devem sempre permitir experiências múltiplas que estimulem a criatividade, a experimentação, a imaginação, estimulando as distintas linguagens expressivas e incentivando a interação social.

Por outro lado, deve-se  promover atividades direcionadas aos desejos da criança, tais como: brincadeira de roda; roda de conserva; hora da história; momentos individuais; pintura; modelagem; desenho; música; jogos.

Em síntese, promover estratégias que motivem a criança buscando satisfazer suas necessidades e que haja uma preocupação com o conforto da criança; reconhecendo que a creche trabalha com a criança, os educadores, a família. Portanto, não deve haver espaço na rotina para ociosidade, investindo no espaço em atividades que estimulem a criatividade.

Para tanto, faz-se necessário a formação do profissional que trabalha na creche, haja vista que o mesmo precisa se ater as mudanças e novas exigências previstas em lei.

A formação de professores de Educação Infantil é reconhecidamente um dos fatores mais importantes para a promoção de padrões de qualidade na educação, qualquer que seja o grau ou modalidade.

Embora a chamada formação continuada não deva se caracterizar como algo eventual, nem apenas um instrumento que se usa para suprir deficiências teóricas e práticas de uma formação acadêmica mal feita, é importante que esse profissional busque a capacitação em serviço e a atualização constante, aprofundando as experiências científicas e cotidianas que está vivendo e as vividas anteriormente.

É importante que, ao longo da carreira do magistério, o mesmo possa frequentar não só os cursos de atualização, grupos de estudos ligados ao fazer pedagógico na sala de aula, mas, sobretudo, estar atento às questões políticas, sociais e econômicas, acompanhando as transformações da sociedade como um todo.

Assim, o profissional que atua na creche precisa ser valorizado, necessitando de formação e qualificação continuada. Não se deve esquecer também que, quanto melhores condições salariais e de trabalho os profissionais tiverem, tanto maior o seu comprometimento com a qualidade de atendimento na creche.

Um outro aspecto que pode contribuir para um comprometimento com a qualidade do atendimento infantil se refere às formas menos burocráticas de administração das creches, que permitam trabalhar no sentido de uma gestão colegiada, democrática, proporcionando aos profissionais a inserção em  uma dinâmica que seja capaz de estimular, instigar e envolver o pensar e o agir sobre a infância.

Enfim, a necessidade de um trabalho coletivo, interdisciplinar, onde inclusive se faz necessária a presença do psicólogo escolar, cujo papel específico, seria o de ser o elo de ligação entre os vários profissionais da equipe, estimulando a reciprocidade e aproximando as parcerias. Além disso, proporcionar também aos pais uma relação de confiança mútua pode ser um dos aspectos enriquecedores do desenvolvimento das crianças envolvidas no cotidiano da creche.

5. Considerações Finais

A associação do educar e cuidar tem provocando grandes desafios para as creches. Notadamente o cuidar está sendo realizado, no entanto, o educar ainda é um problema a ser resolvido pela sociedade e pelas responsáveis pela educação.

É necessário que se mude totalmente a concepção de que apenas o cuidar é importante. Com efeito, para solucionar essa indissocialização é fundamental que se priorize o desenvolvimento da criança por meio de profissionais capacitados e qualificados e ambientes favoráveis para o atendimento das carências cognitivas, físicas e motoras da mesma.

No cuidado humano, é vital compreender como ajudar o outro a se desenvolver como ser humano. Cuidar, significa valorizar e ajudar a desenvolver capacidades. O cuidado é um ato em relação ao outro e a si próprio, que possui uma dimensão expressiva e implica em procedimentos específicos.

Ao se pretender oferecer um desenvolvimento integral depende tanto dos cuidados relacionais que envolvem a dimensão afetiva e dos cuidados com os aspectos biológicos do corpo, como a qualidade da alimentação e dos cuidados com a saúde, quanto da forma como esses cuidados são oferecidos e das oportunidades de acesso a conhecimentos variados.

O cuidado precisa considerar, principalmente, as necessidades das crianças, que quando observadas, ouvidas e respeitadas, podem dar pistas importantes sobre a qualidade do que estão recebendo. Os procedimentos de cuidado também precisam seguir os princípios de promoção da saúde.

Para se atingir os objetivos dos cuidados com a preservação da vida e com o desenvolvimento das capacidades humanas, é necessário que as atitudes e procedimentos estejam baseadas em conhecimentos específicos sobre desenvolvimento biológico, emocional, e intelectual das crianças considerando-se diferentes realidades sócio-culturais,

Cuidar e educar é embeber a prática pedagógica de consciência determinando um olhar integrado do desenvolvimento da criança, embasado em concepções que contemplem a diversidade, o momento e a realidade inerentes a infância.

Assim, o educador deve estar em permanente estado de observação e vigilância para que não transforme as ações em rotinas mecanizadas, guiadas por regras. Consciência é a ferramenta de sua prática, que  embasa teoricamente, inova tanto a ação quanto à própria teoria. Cuidar e educar implica  reconhecer que o desenvolvimento, a construção dos saberes, a constituição do ser não ocorre em momentos e compartimentados.

Cuidar e educar a criança na creche, segundo as novas diretrizes, devem caminhar juntos, caminham simultaneamente e de modo indissociável, permitindo que as duas ações possam construir na totalidade, a identidade e autonomia da criança.

Para que ambas as ações aconteçam é pertinente o interagir dos educadores e demais membros da equipe da instituição o que é essencial para garantir que o cuidar e o educar aconteçam de forma integrada. Essa atitude deve ser contemplada desde o planejamento educacional até a realização das atividades em si.

Torna-se necessária uma parceria de todos para o bem-estar do educando. Cuidar e educar envolve estudo, dedicação, cooperação, cumplicidade e, principalmente, amor de todos os responsáveis pelo processo, que se mostra dinâmico e em constante evolução.

Por outro lado, é imprescindível conhecer a natureza e as raízes históricas da educação infantil, os desdobramentos da prática educacional nas instituições responsáveis e as influências que exerceram e ainda exercem nas diretrizes pedagógicas dessa área.

Além disso, há necessidade de caracterizar amplamente o conceito, a especificidade e as peculiaridades do cuidar e do educar no contexto contemporâneo da prática pedagógica, baseando-se nos autores que discutem essa questão e na legislação atual.

Nessa perspectiva, sugere-se que a visão fragmentada de cuidar e de educar, nas instituições de Educação Infantil, deve ser superada, porque todas as ações realizadas devem ser pedagógicas. Os profissionais que trabalham nas instituições de educação Infantil, independente da faixa etária, devem fazer de todos os momentos de seu cotidiano, momentos nos quais as crianças possam estar interagindo e participando de forma dinâmica de seu cuidado e aprendendo-o como forma ativa de investimento em si mesma com qualidade de vida. Esse processo requer planejamento e rotina diária, pois educar para a vida significa, sobretudo, se estar cuidando e educando ao mesmo tempo.

Lista de Siglas e Abreviaturas:

CF  -  Constituição Federal

CLT  -  Consolidação das Leis do Trabalho

DNCr  -  Departamento Nacional da Criança

DCNEI  -  Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil

EI  -  Educação Infantil

LDB  -  Lei de Diretrizes e Bases

MEC/SEF  -  Ministério da Educação e Cultura/Secretaria de Educação Fundamental

PNE  -  Plano Nacional de Educação

RCNEI  -  Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil

SAM  -  Serviço de Assistência aos Menores

UNICEF  -  Fundo das Nações Unidas para a Infância

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