Estratégias do PET-Saúde Doenças Crônicas não Transmissíveis: um Olhar da Psicologia e do Serviço Social

Resumo: O artigo em questão desenvolveu-se a partir da inserção no Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), com os objetivos voltados as Doenças Crônicas não Transmissíveis no município de Arapiraca-Al, precisamente na Unidade Básica de Saúde Francisco Pereira (IV Centro). Através de um olhar da Psicologia e do Serviço Social, por meio de seu acumulo de conhecimento e leituras sobre a temática. Trazendo resultados tanto no âmbito acadêmico e profissional, como para os usuários. Assim, o estudo busca o conhecimento da realidade local, para o envolvimento no mesmo, com ações interdisciplinares e uma educação em saúde tanto na prevenção como no controle das DCNT.

 
Palavras-chave: PET-Saúde, DCNT, Educação em Saúde.

1. Introdução

O presente artigo partiu da inserção no Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), sendo este inserido em 2012. Apresenta como objetivo refletir sobre as atividades voltadas as Doenças Crônicas não Transmissíveis no município de Arapiraca-Al. O PET-Saúde, regulamentado pela Portaria Interministerial nº 421, de 03 de março de 2010, tem como objetivo promover a educação pelo trabalho, através de ações intersetoriais que visam fortalecer áreas estratégicas para o Sistema Único de Saúde – SUS. Para tanto, disponibiliza bolsas para tutores, preceptores (profissionais que atuam nos serviços) e estudantes de graduação da área da saúde (BRASIL, 2010).

Dessa forma, o PET-Saúde DCNT possui uma integração entre as categorias profissionais (Educação Física, Enfermagem, Psicologia e Serviço Social), em busca de um trabalho interdisciplinar, onde envolveu três Unidades Básicas de Saúde (UBS). O estudo se respalda nas ações desenvolvidas na Unidade Básica de Saúde Francisco Pereira (IV Centro), no qual traz uma integração do Serviço Social com a Psicologia.

De acordo ao Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) no Brasil, 2011-2022, os quatro principais grupos de DCNT são: circulatórias, câncer, respiratórias crônicas e diabetes, já seus fatores de risco em comum modificáveis, são: tabagismo, álcool, inatividade física, alimentação não saudável e obesidade). O PET-Saúde se integra a esse Plano em busca de um fortalecimento nas ações de cunho sócio-educativo conduzido para as DCNT, visando assim uma prevenção e controle da mesma.

No decorrer do estudo, as ações desenvolvidas são expostas, trazendo seus avanços e desafios neste trabalho, trazendo o envolvimento da importância da junção ensino-pesquisa na prática.  A sociedade atual vem sofrendo cada vez mais com essas doenças, sendo preciso de pessoas aptas para desenvolver ações para o enfrentamento desses problemas, indo além da realidade, desvelando o que de fato acontece na saúde da população.

2. Material e Metodologia

No que tange a realizações das atividades do PET-Saúde DCNT, desenvolveu-se de forma introdutória leituras acerca das temáticas foco do programa, como diabetes, hipertensão, câncer, através da utilização e construção de materiais, como cartilhas, data show, cartazes, álbuns seriados manuais, panfletos, banners, mitos e verdades, cantinho da leitura, rodas de conversa, para um aprofundamento no assunto e passar informações aos usuários da Unidade. No primeiro momento, antes da prática, foram realizadas palestras preparatórias com todos os preceptores e monitores, estas se deram através dos profissionais da saúde capacitados para tais questões. Vale salientar que houve estudos acerca do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a inserção na Unidade IV Centro, as atividades desenvolvidas contempla um envolvimento de 12 horas semanais, sendo 08 horas na prática e 4 horas de estudo. Com está inserção, além do envolvimento dos profissionais da Educação Física, Enfermagem, Psicologia e Serviço Social, teve-se a oportunidade de trabalhar com profissionais da medicina, fisioterapia, farmacologia, nutrição e odontologia.

No que concerne as atividades desenvolvidas, foram: sala de espera, visitas domiciliares “[...] constitui-se como um momento rico, no qual se estabelece o movimento das relações, ou seja, a escuta qualificada, o vínculo e o acolhimento [...]” (LOPES; SAUPE; MASSAROLI, 2008, p. 242.), participação nos grupos voltados para educação em saúde, como os hipertensos, insulinos dependentes, mulheres, saúde mental, tabagismo, planejamento familiar, palestras nas escolas, participação ativa em eventos, como: Semana Mamãe Bebê, Dia das crianças, Conselho Local de Saúde, Conselho Municipal de Saúde, Reunião Administrativa, dia das mães, Carnaval com saúde e responsabilidade entre outras, Outubro Rosa, Novembro Azul, e outras ações voltadas para o bem da comunidade.

3. Resultados e Discussões

Nota-se que a partir da inserção no PET-Saúde DCNT, ao trabalharmos de forma interdisciplinar, conseguimos participar de diversas atividades desenvolvidas na UBS, com uma interação na mesma e experiência incomparável. Nossos conhecimentos foram ampliados a ponto de atingir nossos objetivos, com habilidades para desenvolver atividades. Trabalhar com grupo, é trabalhar uma necessidade comum que nasce de uma necessidade individual, por isso o planejamento foi todo pensado em construir possibilidades de atendimento e integração entre todos. Os trabalhos em grupos são práticas recorrentes que o SUS, indica como sendo capaz de atingir um maior número de usuário do sistema.

Na inserção dos grupos, foi proporcionado trocas de conhecimentos e experiências, onde os usuários conseguiram receber informações e ter um espaço para construir diferentes significados para suas demandas e formas de vida. Quando não conseguimos encontrar todos os usuários propensos a possuir uma educação em saúde e participação nestes grupos ou ainda não tinha informações de como se prevenir tratar e detectar os sintomas das DCNT, utilizou-se sala de espera, sendo um espaço que pode ser utilizado para interagirmos com a comunidade e trocarmos conhecimentos, “nesse espaço também avaliamos, interagimos, desmitificamos tabus e entendemos determinadas crenças e consequentemente ver e entender o usuário na sua totalidade” (RODRIGUES; DALLA NORA; ROSA E GERMANI, 2009).

Ao receberem essas informações os usuários procuraram fazer os exames necessários para detectar algumas doenças como: mamografia e citologia, que podem detectar o câncer de mama ou câncer de colo do útero. Aferir a pressão, adquirir novos hábitos alimentares e práticas de exercícios que levam a uma vida saudável, tomar os medicamentos de maneira correta, como os insulinos dependentes e os hipertensos que em muitas situações não sabiam, ou paravam de usar as medicações por acharem que estavam melhores e por isso não precisava mais delas. Os resultados apareceram, com participação de mais usuários na UBS e o reconhecimento da mesma sobre a importância dos trabalhos desenvolvidos. Conseguimos levar informações, passamos formas de tratamentos, e trabalhamos de forma preventiva com educação em saúde.

4. Conclusão

A partir da inserção na equipe do PET- Saúde DCNT, no município de Arapiraca- Al, mostrou-se uma rica experiência, como também desafiadora, na medida em que envolve a articulação de diferentes áreas, além de um exercício constante de aprendizagem, criatividade, criticidade, para ações de planejamento e execução. As ações desenvolvidas têm demonstrado que é possível produzir transformações nos processos formativos e nas práticas em saúde, todavia não é algo simples ou imediato, mas processual e contínuo.

Ao chegarmos à comunidade e trabalharmos com a saúde pública obtivemos aprendizagens que foram e serão fundamentais, para nossa vida acadêmica e profissional. Trata-se de uma evolução no ensino, promovendo uma integração entre a teoria e a prática no cenário real, através desse trabalho integrado, permitindo a iniciação ao trabalho por meio da vivência à profissão. Além do conhecimento obtido, o PET-Saúde capacita o estudante contribuindo para a formação profissional do mesmo, uma vez que permite a aproximação à realidade social, familiar e profissional, tanto aos profissionais quanto à comunidade.

Há uma grande diversidade entre as pessoas, onde existem diferentes pontos de vistas, diferentes valores de vida, porém cada um retém para si o que lhe parece conveniente de acordo com a maneira que temos de enxergar a troca de ideias dentro das varias relações sociais. Quando aprendemos a lidar com a diversidade de grupos, podemos conhecer suas tendências e características, e com isto maior será a probabilidade de nos ajustarmos empaticamente e com elas nos relacionarmos. Dessa forma, o envolvimento com os usuários possibilitou uma educação em saúde com mudanças na prevenção e tratamento das DCNT.

Assim, a participação do acadêmico no programa PET-Saúde possibilita além da interação entre a teoria e a prática, a interação com a comunidade. De modo, que os estudantes conheçam a realidade social e do serviço de saúde, antes mesmo de ingressar em sua carreira profissional, podendo assim a partir do conhecimento adquirido na universidade, produzir conhecimento científico em áreas estratégicas de modo a qualificar a prática em saúde e qualificar-se enquanto profissional.

Referências:

BRASIL. PET-Saúde, 2010. Disponível em: < http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=35306 >. Acesso em: 17. Mai. 2014.

BRASIL. Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) no Brasil, 2011-2022. Ministério da Saúde. 2014.

LOPES, Wanda de Oliveira. SAUPE, Rosita. MASSAROLI, Aline. Visita domiciliar: tecnologia para o cuidado, o ensino e a pesquisa. Vale do Itajaí: ciência cuidado e saúde. Publicado em abr/jun de 2008, V. 7. 

MARTINS, Sueli Terezinha Ferreira. Psicologia social e processo grupal: A coerência entre fazer, pensar sentir em Sívia Lane. Psicologia e sociedade.v.19, nª 5.Publicado em 2007. Disponível em: < www. scielo.br >. Acesso em: 17. Mai. 2014.

RODRIGUES, Andréia Dornelles; DALLA NORA, Carlisse Rigon; ROSA, Jonathan; GERMANI, Alessandra Regina Muller. Vivências: revista eletrônica de extensão da URI. Sala de espera: um ambiente para efetivar a educação em saúde. vol. nª 7, p.101-106, publicado em maio de 2009. Disponivel em: < www.chasqueweb.UFRGS.br >. Acesso em: 17. Mai. 2014.