A Influência do Ídolo para Motivação na Prática do Judô: um estudo sobre resiliência

Resumo: O presente trabalho tem como base a prática de judô e a influência do ídolo desse esporte atuando como agente promotor de resiliência para adolescentes que vivem em situação de risco social. O objetivo geral foi analisar de que maneira a imagem do ídolo auxilia na motivação para prática do judô por adolescentes carentes, os específicos por sua vez foram: identificar qual a percepção do adolescente carente sobre o judô, quais as mudanças que a prática do judô proporciona na vida desse adolescente praticante e de que forma a imagem do ídolo contribui para resiliência desses praticantes de judô. A pesquisa teve enfoque qualitativo e como instrumento de coleta de dados uma entrevista semi-estruturada, com participação de 10 (dez) adolescentes participantes do projeto superação em Teresina-PI, com idades entre 12 e 14 anos, após autorização e assinatura do TCLE feita pelos pais ou responsáveis. Os dados foram analisados a partir da Análise de Conteúdo. Ao final obteve-se uma melhor compreensão de como o ídolo influência na motivação da prática do judô, sendo possível perceber que tal processo auxilia os adolescentes a terem mais maturidade e responsabilidade. Outro resultado foi que à utilização desse ídolo como modelo a ser seguido, auxilia esses adolescentes a estabelecerem metas para suas vidas, desde a iniciação prática à conquista da medalha, alimentando sonhos relacionados a esse esporte, e assim acabam descobrindo algo em que são bons e que lhes oferece uma oportunidade de sonhar com um futuro melhor.

Palavras-chave: Psicologia do Esporte, Herói, Judô, Superação.

1. Introdução

Para Feder, A.; Nestler, E. J.; Charney, D. S. (2009), a resiliência é uma habilidade pessoal de se adaptar com sucesso ao estresse agudo ou crônico se tornando um conceito fundamental em diversas áreas inclusive na Psicologia, principalmente nos trabalhos relacionados a populações em situação de risco social. Alguns indivíduos, mesmo vivendo em ambientes hostis, conseguem superar as dificuldades e apresentar padrões adaptados de normalidade sendo assim considerados resilientes.

É possível se estabelecer uma relação entre resiliência e a prática esportiva através da idéia de que o esporte pode contribuir para que o indivíduo se torne mais resiliente. Para tanto, o adolescente necessita de uma rede de apoio social e afetivo, representadas por um conjunto de sistemas e de pessoas significativas que possam compor os elos de relacionamento que o indivíduo recebe e percebe; pessoas essas com as quais ele mantém relações de reciprocidade, afeto, estabilidade e equilíbrio de poder.

Destaca-se a importância do indivíduo ter pelo menos uma relação de vínculo estável e confiança em sua vida podendo vir a encontrá-la no âmbito esportivo. Em suas pesquisas Weinberg e Gould (2001) afirmam que a visão do vínculo social sustenta que crianças e adolescentes praticantes de esportes desenvolvem relações com pessoas significativas que representam valores dominantes e pró-sociais.

Assim um atleta jovem identifica-se com seu técnico e equipe, ao fazê-lo se sente motivado para continuação da prática esportiva além de aprender valores como: trabalho em equipe, esforço e realização. Então se pode pensar que muitas características ligadas à resiliência podem ser desenvolvidas ou aperfeiçoadas através da prática esportiva.

O presente estudo pretendeu pesquisar de que maneira a imagem do ídolo auxilia na motivação para prática do judô por adolescentes carentes, incluindo a percepção do adolescente sobre o judô, as mudanças que essa prática esportiva proporciona em sua vida e de que forma a imagem do ídolo contribui para resiliência desses adolescentes carentes.

Além do treinamento, o sucesso de uma pessoa talentosa depende do seu comprometimento, moti­vação e paixão pela sua área de atuação e, ao mesmo tempo, do apoio de diversos segmentos da sociedade como, a própria família, bons mentores, professores e bons treinadores no caso do esporte. A motivação, disponibilidade para o desempenho, esforço e estabilidade psicoló­gica são apontados como componentes psicológicos do talento esportivo.

A influência do ídolo do esporte com consequente promoção de resiliência e os estudos sobre a temática instigaram a elaboração dessa pesquisa que visa contribuir com a demonstração da relevância dos fatores motivacionais que levam adolescentes carentes à prática do judô. O esporte exerce o papel de facilitador da reinserção social e promoção da resiliência de adolescentes carentes, podendo o ídolo da modalidade funcionar como um modelo de superação na vida pessoal e profissional a ser seguido.

2. Materiais e Métodos

O presente estudo seguiu as normas de pesquisa com seres humanos contidas na resolução 196/96. Primeiramente o projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa (CEP). Após a aprovação do mesmo, os participantes e os pais ou responsáveis foram contactados. Para cada um dos pais ou responsáveis foi lido o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (APÊNDICE A), que esclarece os objetivos da pesquisa, a garantia de anonimato, bem como a possibilidade de desistência de participação dos adolescentes voluntários em quaisquer momentos da coleta.

Após o contato com o professor e os adolescentes que tinham interesse em participar da pesquisa, houve o contato com os pais e responsáveis para assinatura e permissão da entrevista que foi realizada com um adolescente por vez em local mais reservado do projeto.

O estudo foi de caráter exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa. A amostragem da presente pesquisa se constituiu em 10 (dez) adolescentes, com idades entre 12 e 14 anos, que são praticantes de judô e participantes do “projeto superação”. A pesquisa foi realizada na cidade de Teresina, Piauí.

O instrumento utilizado foi a entrevista semi-estruturada (APÊNDICE B), além de perguntas referentes a dados pessoais. A entrevista tratou-se de uma conversação efetuada face a face, de maneira metódica e que proporcionou à entrevistada, verbalmente, a informação necessária.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados possibilitou a criação de categorias que sintetizavam e respondiam aos objetivos no qual essa pesquisa se propunha responder. Os participantes seguem apresentados no quadro 1, no qual o sigilo e a segurança da identidade dos mesmos foram preservados. Os seguintes participantes foram nomeados com forma de identificação fictícia.

Quadro 1 – Perfil dos participantes da pesquisa

Identificação

Idade

Tempo de prática de judô

Ashi

14 anos

Oito meses

Harai

12 anos

Dois meses

Ippon

13 anos

Três meses

Koshi

12 anos

Dois meses

Hane

12 anos

Um ano

Goshi

12 anos

Dois anos

Morote

12 anos

Um ano

Sode

12 anos

Nove meses

Hiza

13 anos

Um ano

Soto

12 anos

Um ano

3.1 Percepções Acerca do Judô

Sposito, M. P.; Carvalho, H. H. D.; Souza, N. A. D. (2006) retrataram em seu trabalho a importância da prática esportiva para melhora em funções psicossociais do indivíduo ao mesmo tempo que relatam sobre as dificuldades para serem exercidas, pois cada vez mais jovens e crianças de classe baixa são excluídos destas práticas desportivas, seja porque eles, na maioria das vezes ocupam seu tempo com trabalhos informais para ajudar nas despesas em casa, ou simplesmente porque vivemos numa época, na qual o sistema capitalista que visa à obtenção desesperada de lucros, não possibilita a garantia dos direitos dessas crianças a terem acesso a espaços reservados para a prática de esportes.

Nesse sentido, vê-se a tamanha importância dos programas de esporte para crianças e adolescentes, como o projeto “superação”, por exemplo, que está voltado ao desenvolvimento psicossocial e a identidade cultural de cada adolescente. Alves et al. (1999) afirmam que o judô é o segundo esporte mais praticado no mundo, a sua prática coloca em atividade os músculos, nervos e intelecto, ativa todos os seguimentos do corpo, com ações de todos os modos e em todas as direções, estimulando o equilíbrio entre o físico e o psíquico favorecendo a aquisição de força e flexibilidade.

Nos relatos a seguir, podemos visualizar de onde surgiu o interesse pelo judô e as percepções dos entrevistados sobre tal modalidade, assim como a importância para suas vidas:

É porque eu já tinha praticado lá na escola aí o professor saiu, aí fiquei no futebol, só que aí os meus amigos tavam dizendo que aqui era bom aí eu vim pra cá. Eu acho o judô muito legal, porque aqui tem educação, tem treino, faz a pessoa suar (Harai).

Interesse surgiu pela força do hábito mesmo de querer praticar esse esporte. O judô pra mim é como se eu tivesse aprendendo uma coisa nova, teve melhora de comportamento, em tudo (Morote).

Interesse surgiu na escola, que eu queria fazer, aí vi na escola e quis vim participar, aí eu gostei. Judô é bom, boa maneira de viver, eu gosto, gosto das lutas, gosto de lutar (Hane).

Através dos relatos dos adolescentes foi possível verificar que uma das características que o induzem a buscar a prática do judô é o fato de ter a vontade de realizar atividade física e o gosto pela modalidade que auxilia na formação integral do indivíduo que embora integrada aos aspectos competitivo-esportivos oferecem possibilidades lúdicas, valorizando os aspectos formativos, motores e morais da modalidade, pois, de fato, é sólido o entendimento de que a prática do Judô traz benefícios positivos à formação global do indivíduo.

3.2 Mudanças de Hábitos e Relações Interpessoais a Partir do Judô

Nessa categoria serão demonstradas as mudanças obtidas a partir da prática do judô, bem como características adquiridas pelos adolescentes praticantes como: responsabilidade, disciplina, maturidade e os benefícios nas relações sociais e familiares.

3.2.1 Responsabilidade e disciplina na vida

As falas a seguir mostram como os adolescentes sentiram as mudanças que lhes ocorreu após o início no judô, assim como as responsabilidades que lhes foi dada a partir do momento inicial da prática. Vale destacar que as crianças do projeto, alvo do presente estudo necessitam obedecer a certas regras para continuarem pertencendo ao mesmo.

A mãe até disse que se eu não melhorar ela vai me tirar até daqui, aí eu melhorei (Goshi).

Antes ficava em casa jogando no computador, ficava fazendo nada, Melhorou bastante porque ficava em casa sem fazer nada, agora como pratico o judô faço coisas melhores (Hane).

Antes fazia treino de futebol e só jogava vídeo game mesmo, agora não muito, só nos finais de semana (Ippon).

Antes de manhã eu acordava tarde, tomava café ia assistir televisão e não fazia nada, agora tomo café, acordo cedo, chego em casa vou estudar e vou pro colégio, ah eu tomo café e venho pro judô. Teve melhora porque assim pra mudar de faixa e ir pra campeonato grande tem que melhorar no colégio e aqui também (Hiza).

De manhã eu jogava vídeo game e vou pra escola quando chego vou estudar, agora venho pra cá, quando chego estudo e a noite estudo de novo (Ashi).

Nesse mesmo horário antes não fazia nada, aí depois que eu vim pro judô melhorou meu comportamento no colégio, dentro de casa [...] antes eu só fazia brincar, acordava, fazia as tarefas e ia brincar, aí hoje eu venho pro judô, aí eu faço e volto pra casa. Toda vez que meu avô me dá dinheiro alto, eu peço 20 reais ele me dá eu peço 30 reais ele me dá aí faço a compra pra minha mãe, eu ajudo (Soto).

Como percebido através do que foi exposto nas falas de alguns adolescentes entrevistados os benefícios trazidos após a entrada no judô foram bem aceitos, pois estão buscando melhoras disciplinares para que haja a solidificação no projeto e não corram o risco de perder a vaga nas competições, assim as mudanças ocorreram consequentemente com essa conscientização de que o foco no judô está aliado à disciplina.

3.2.2 Mudanças de postura em relação à família e escola

Dentre as várias funções que o judô é capaz de desenvolver, destacam-se por Alves et al. (1999) o efeito facilitador do mesmo para integração com a comunidade e sua contribuição na valorização da personalidade e no desenvolvimento de adolescentes que possuem patologias, pois nos deparamos com um número cada vez maior de crianças vivendo com problemas na escola, família e em sua comunidade, vendo dessa forma no esporte uma ferramenta de contribuição para o desenvolvimento físico, psíquico e social, como pode ser visto na fala dos entrevistados:

Aí toda terça e toda quinta eu to vindo pro judô, perdi peso, que eu era muito gorda, assim e perdi muito peso (Hiza).

Antes eu tinha alguns problemas respiratórios, desde criança aí passei a praticar esse esporte e já ta melhorando, não tenho muita falta de ar, assim melhorou várias coisas na vida (Koshi).

As falas dos entrevistados acima forneceram dados que além de comprovar os benefícios à saúde com a prática esportiva apontaram ainda que tal prática contribui também para que eles se aceitem melhor e consequentemente passem a gostar mais do seu corpo, questão extremamente relacionada com a autoestima.

Com o empenho do adolescente, no decorrer das aulas práticas, ele vai permitindo um autoconhecimento para identificar seus limites e assim tentar superar os obstáculos, tanto na prática esportiva quanto no cotidiano, que inclui déficits na escola, sejam em relação à aprendizagem ou comportamento. Nesse contexto os adolescentes apresentam as seguintes percepções:

Melhorei as notas na escola, melhor desempenho na hora de fazer as coisas, melhorei muita coisa (Hane).

Antes eu estudava muito pouco, de vez em quando um dia antes da prova e agora eu passei a estudar mais tempo antes.  Na escola melhorou algumas coisas, a questão da nota, do meu comportamento (Koshi).

Silva (2012) retrata em seus estudos sobre o judô como uma arte marcial educativa em que seus princípios filosóficos são benéficos à formação moral e ética, e que promove o desenvolvimento físico e intelectual dos alunos. Portanto, os ganhos relacionados à prática do judô seriam relacionados a aspectos de conduta, disciplina, comportamento, respeito, atitudes, responsabilidade, agressividade, inteligência, cognição entre outros que se refletem positivamente nos indicadores de desempenho e no relacionamento no ambiente escolar.

No entanto, não é qualquer educação que cumpre a tarefa de ascender socialmente esses adolescentes, como também transformar os potenciais deles em competências para se viver. Como é o caso das escolas, que ultimamente tem tido baixo índice de aproveitamento por parte desses adolescentes, e o índice de evasão escolar aumentado, dando espaço ao trabalho precoce no intuito de complementar a renda das famílias, deixando de lado seu desenvolvimento físico e psicológico com a prática esportiva, por exemplo, que trabalha através do lúdico os valores morais do indivíduo como um todo.

3.3 Ídolo e Resiliência

Essa categoria falará sobre a prática do judô pelos adolescentes, através da influência do ídolo da modalidade e de que maneira está colaborando para que esses praticantes se tornem indivíduos resilientes.

3.3.1 Ídolo como incentivo a prática do judô

A literatura coloca que o ídolo serve de modelo positivo para crianças e adolescentes que praticam esportes e pretendem obter uma carreira de sucesso com tal prática, pois através desse exemplo ocorrerá a influência para iniciação à prática e consequentemente a geração de mudanças na motivação tanto para iniciar ou aumentar a prática esportiva como na vida dos praticantes em geral. Nesse contexto, essa influência, na percepção dos adolescentes foi fundamental como estímulo para iniciar a prática, como se constata nas falas seguintes

Quando a Sarah ganhou as olimpíadas foi uma.... todo mundo queria fazer ao mesmo tempo, aí eu me interessei e vim fazer, eu ainda não tinha feito nenhuma atividade física, aí eu comecei fazer atividade física [...] pela força de vontade dela que ela acreditou que ia ganhar, ah assim como se fosse a experiência pra mim (Hiza).

Ídolo é a Sarah, me influenciou quando ela viajou, quando ela ganhou medalha de ouro. E o exemplo dela me incentivou para melhorar o estudo e praticar esporte (Ashi).

Ídolo é Sarah e Felipe, o que influenciou foi o jeito deles de lutar bem, saber a hora certa de entrar o golpe, por causa disso, e a vontade de ser um medalista igual eles dois (Sode).

O que me influenciou na Sarah não foi nem ela ser forte, mas sim a disposição e pelo fato dela ter ganhado a medalha, ter treinado muito e batalhado (Soto).

Como exposto nas falas de alguns entrevistados, o modo de agir do atleta modelo, a maneira como luta e buscou a vitória, as medalhas alcançadas serviram como pontapé inicial para que eles quisessem da mesma maneira que seu ídolo buscar a prática do esporte e com ela obter incentivo para os estudos, melhorar as relações sociais e familiares tal como um dia ocupar o mesmo lugar que esse ídolo hoje ocupa.

Assim o adolescente identifica-se com seu técnico e professor e, ao fazê-lo se sente motivado para continuação da prática esportiva além de aprender valores como trabalho em equipe, esforço, responsabilidade e realização. As falas a seguir contemplam situações em que o professor é tido como ídolo e principal influenciador dos adolescentes nessa prática esportiva (os nomes utilizados para os professores são fictícios):

Ídolo é o professor Tito, me influenciou a praticar esse esporte para abrir novos caminhos na minha vida, e teve melhora no meu comportamento em tudo (Morote).

Ídolo é o Cadu professor, é porque me ajudou a fazer as coisas direito e querer praticar mais, pra minha vida ajudou na educação, meu comportamento na escola, aqui também (Harai).

Os resultados indicam que os adolescentes se identificam com seus técnicos e professores, por eles representarem figuras de poder, bem sucedidas, por saberem repassar seus ensinamentos e por possuírem muitos conhecimentos de vida e técnico para transmitir a eles, além de já terem passado por muitas situações semelhantes às que estes adolescentes enfrentam por serem também atletas. Assim, percebe-se que há uma identificação da parte dos adolescentes com esses técnicos, que acabam sendo um exemplo positivo a ser seguido.

No estudo foi possível visualizar que os comportamentos positivos dos ídolos são aprendidos pelos adolescentes, caracterizando a modelagem. A observação não é suficiente para conservar um comportamento e imitação, esse processo de colocá-lo em prática também depende de fatores internos do próprio adolescente e suas competências.

3.3.2 Ídolo, judô e resiliência

Considerando a importância da prática do judô e a influência do ídolo como possibilidade de promover resiliência para adolescentes em situações vulneráveis, Trombeta (2000) destaca em seus estudos que uma das características de um indivíduo resiliente é a identificação que possui com modelos positivos, portanto, muitas características ligadas à resiliência podem ser desenvolvidas ou aperfeiçoadas através da prática esportiva inspirada em seus atletas.

As falas a seguir contemplam situações em que a iniciação à prática do judô interfere na promoção de resiliência dos adolescentes entrevistados:

O judô é um esporte né, pra conquistar medalha, é bom físico, saúde e melhorar minhas notas, tá melhorando, o que mudou depois foi meu estudo, é... parei também de jogar bola na rua, que eu jogava (Ashi).

Com esse exemplo dela (Sarah) melhorou meu comportamento, e ajudo minha família, o judô é muito bom e ajuda meu melhoramento na escola. É lutar, competir, é muito bom pra mim (Soto).

Rapaz pra mim judô é aprender, ter disciplina essas coisas do dia-a-dia (Sode).

As notas melhoraram, as amizades ficou melhor, conheci mais pessoas, e como tinha as das aulas agora tenho várias amigas (Hane).

A prática de atividade desportiva contribui positivamente para o desenvolvimento de diversos aspectos psicológicos e sociais, tendo benefícios a nível físico. Constatou-se que a prática do judô contribuiu para o fortalecimento da rede de apoio social e afetivo dos participantes, para a promoção de saúde psicológica dos mesmos, aumentando também diversos fatores de proteção, diminuindo outros fatores de risco e promovendo a resiliência desses adolescentes.

De maneira geral, se pôde constatar que o judô contribui para o desenvolvimento psicossocial dos adolescentes, para a promoção de saúde psicológica dos mesmos e a influência do ídolo é um fator primordial para que haja a iniciativa do adolescente em buscar a prática e dar continuidade a mesma, bem como a aquisição da responsabilidade e disciplina que são fatores primordiais para torná-los resilientes.

4. Conclusão

A conclusão que podemos chegar, é que a iniciação dos adolescentes à prática do judô lhes trouxe benefícios em diversos fatores. Começa na percepção que possuem sobre a modalidade, veem como algo promissor que lhes permite melhoras no comportamento em casa, na escola, na vida como um todo. O interesse pela atividade física é notório, e faz muito bem à saúde, são hábitos que levarão para o resto de suas vidas, além de contribuírem para formação da identidade e redução da vulnerabilidade desses adolescentes praticantes.

O esporte atuando como facilitador das relações interpessoais auxilia na ampliação das redes sociais, como relatado por alguns adolescentes que ao entrarem no projeto conheceram mais pessoas, aumentando seu ciclo de amizades. Pertencer a um grupo, ser aceito e valorizado por suas qualidades e defeitos, nessa idade, é algo muito importante. O judô pode ser o local onde o indivíduo será integrado a um grupo, semelhante a ele.

Nesse contexto, foi possível identificar, que os adolescentes utilizaram esse ídolo (seja ele quem for) como modelo a ser seguido, e passam a estabelecer metas para suas vidas, desde a iniciação prática à conquista da medalha, alimentando sonhos relacionados a esse esporte, e assim acabam descobrindo algo em que são bons e que lhes oferece uma oportunidade de sonhar com um futuro melhor.

Referências:

ALVES, Á. L. L.  et al. As ações de saúde no judô: atuação do internato metropolitano da faculdade de ciências médicas de minas gerais no projeto judô comunitário. Revista Universitária de Alfenas, Alfenas,v. 5, p. 47-50,  1999.

BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução Nº 196/96 Sobre Pesquisa Envolvendo Seres Humanos: Conselho Nacional de Saúde: Brasília, 1996.

FEDER, A.; NESTLER, E. J.; CHARNEY, D. S. Psychobiology and molecular genetics of resilience. Nature Reviews Neuroscience, v. 10, n. 6, p. 446-457,  2009. Disponível em: <http://www.nature.com/>. Acesso em: 04 mar. 2013.

SILVA, L. H. D. Apropriações educativas da prática do judô no desempenho escolar de alunos do ensino fundamental. 2012. 94 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Educação Física) - Universidade de Brasília, Ariquemes, 2012. Disponível em: <http://bdm.bce.unb.br/handle/10483/4220>. Acesso em: 14 mai. 2013.

SPOSITO, M. P.; CARVALHO E SILVA, H. H. D.; SOUZA, N. A. D. Youth and local power: a balance of public initiatives directed at young people in municipalities pertaining to metropolitan regions. Revista Brasileira de Educação, v. 11, n. 32, p. 238-257,  2006. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 14 mai. 2013.

TROMBETA, L. H. A. P. Resiliência em adolescentes: estudo preliminar de variáveis e medida. 2000. 115 p. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós Graduação em Psicologia, Universidade Católica de Campinas, Campinas, Brasil, 2000. Disponível em: <http://www.universiabrasil.net/teses>. Acesso em: 14 mai. 2013.

WEINBERG, R. S.; GOULD, D. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.