Psicologia e o Futebol: um estudo de caso

Introdução

Atualmente o futebol é o esporte mais popular, atraindo jogadores e torcedores por sua simplicidade. Para Costa e Oliveira citado por Leoncini (2001), o futebol representa uma válvula social para inúmeros indivíduos, uma espécie de nutrição psicológica que possibilita o senso da vitória, do reconhecimento e da identificação. O primeiro time surgiu na Inglaterra, porem hoje existem muitos outros; como o Rolim de Moura Esporte Clube, na região norte do Brasil; onde fora submetido o Estagio Básico III, da instituição acadêmica FAROL (Faculdade de Rolim de Moura), correspondente aos processos grupais.

Nesta entidade o objetivo fora reconhecer as normas que regem o time de futebol do município de Rolim de Moura, avaliando os comportamentos e atitudes dos representantes do time em campo e seus superiores, cujos principais sentimentos e emoções estão emergentes no convívio em campo; emoções que são frequentemente manifestadas como a ira e a agressividade, e sentimentos que convertem em verbalizações e expressões de sinais obscenos.

Muitas evidências mostrando que a violência ocorre do próprio futebol, uma vez que os jogadores são submetidos a uma série de regras e normas que, quando infringidas, podem ser severamente punidas pelas instituições que regem o futebol (JUNIOR; CHIAPETA, 2007).

Com isso justifica-se o estágio sobre os processos grupais no estádio de futebol, em uma caracterização do perfil psicológico de jogadores e outros profissionais da área ou responsáveis pelo clube. Diante deste fato se faz necessário a intervenção de um profissional psicólogo que intervenha no estando emocional dos jogadores, técnico e equipe que trabalham para o bom rendimento do time, visto que este constructo emerge como uns dos principais fatores interferentes nos resultados dos jogos; os quais segundo Peletti (1999) a satisfação de uma meta está na conquista e recompensa e não no comportamento que o levou a este objetivo, ou seja, a superação de um obstáculo.

1 Fundamentação Teorica

Em meado do século XX na Inglaterra, surge o termo Football - o futebol, de significado “pé na bola”; este compete a um jogo, de duração máxima 90 minutos, sendo dividido em dois tempos, tendo ainda um intervalo de 10 minutos. Em um jogo oficial há duas equipes que juntas formam vinte e dois jogadores, que são supervisionados por três árbitros, sendo um deles o juiz (ele impõe as normas/regras e punições). Este esporte ocorre em um campo retangular gramado, com um espaço em cada lado do campo, cujo objetivo do jogo é colocar a bola dentro deste espaço denominado baliza, do lado adversário, esse fenômeno se nomeia gol, a equipe que fizer o maior número de gol é o campeão.

É jogado num campo retangular gramado, com uma baliza em cada lado do campo. O objetivo do jogo é deslocar uma bola através do campo para colocá-la dentro da baliza adversária, ação que se denomina golo (português europeu) ou gol (português brasileiro). A equipe que marca mais golos ao término da partida é a vencedora. (Futebol – Wikipédia, a enciclopédia livre disponível em pt.wikipedia.org/wiki/Futebol acessado dia 12de junho 2011)

O futebol inglês expandiu-se surgindo novas associações de futebol, no Brasil, por exemplo, o futebol foi introduzido por Charles Miller, um jovem brasileiro que, após viagem pela Inglaterra, trouxe consigo duas bolas de futebol criando um clube de futebol no Brasil. Este novo esporte tornou-se a paixão brasileira, caracterizando o Brasil com o “país do futebol”, Segundo pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas, o futebol rendendo por ano 16 bilhões, e atualmente o Brasil conta com 800 clubes profissionais, 13 mil times amadores e 11 mil atletas federados. Assim estados e municípios pertencentes ao território brasileiro se organizam em função de instituir seus times e oficializá-los, no estado de Rondônia, a Federação de Futebol do Estado de Rondônia é a entidade que controla o esporte no Estado e representa os clubes rondonienses na CBF.

Rolim de Moura Esporte Clube (R.M. E. C) destaca-se no município de Rolim de Moura estado de Rondônia como time oficial, não se diferencia dos demais times de futebol, que tem como objetivo proporcionar alegria aos seus torcedores e Conquistar títulos para seu município.

Portanto o futebol é uma atividade esportiva onde se faz necessário um trabalho em equipe, onde jogadores e técnico tenham o mesmo objetivo e querem alcançá-lo de forma compartilhada, assim a equipe elabora uma tática para atingir seu objetivo, como marcar gol, vencer jogos e ganhar campeonato. Desta forma segundo Osorio (2007) o futebol é um esporte coletivo e como tal depende da adequada interação e integração entre os componentes da equipe, um atleta por mais eficiente que seja sozinho não triunfara, ele sustentara no conhecimento e competência de uma equipe como o preparador físico, fisioterapeuta, treinador. No entanto qualquer equipe que deseja obter sucesso em suas tarefas é indispensável que tenha algumas propriedades, tais como uma boa liderança, coesão grupal, inteligência emocional, motivação e inteligência interpessoal (inteligência relacional).

1-1: Liderança

Segundo ZIMERMAN (2007) o termo liderança pertence a muita área humanística, como as da psicologia, sociologia, política, etc., por isso se conceitua partindo de vários pontos de vista. É inerente em todo grupo o surgimento de papeis e liderança, em um time de futebol o técnico ocupa a posição de líder dos jogadores.

Para CUNHA (2009), citado por OLIVEIRA; VOSER; HEMANDEZ (2004) o “treinador é o líder, e para tanto deverá ser o condutor e articulador das relações entre os atletas de sua equipe”. Dessa forma ser líder é ter consciência de sua responsabilidade frente ao grupo, o qual representa.

Conforme CUNHA (2009) um bom líder deve antever o futuro, por meio de programações; deve ser soberano, comunicar-se de maneira clara (troca de experiência para se atingir um bem comum); realizar planejamentos, o qual mostra certo interesse ou antecipar futuros problemas preparando-se para enfrentá-los; admitir que muitas das vezes precisa de ajuda, mas que necessita fazer a sua parte.

Na escala do sucesso é preciso distinguir com clareza poder e liderança, os líderes não aplicam suas idéias usando a força e o poder, mas o poder de persuasão e a capacidade de influenciar são como uma bússola que mostra os caminhos a serem escoltados. É lamentável que ainda nos dias atuais germinem lideres que confundem seus papéis de liderança, usam do poder autocrático para conseguir atingir seus ideais, estes se destacam como autoritários inacessíveis e distantes, emocionalmente descontrolados, donos da verdade, pois não aceitam qualquer tipo de questionamento, enfatizando que esses constructos fazem parte de um tipo liderança autocráticos, o qual se caracteriza pelo seu narcisismo, as pessoas membros de grupos cujo líder é autocrático, são geralmente pessoas inseguras, que não exerce suas respectivas potencialidades. De acordo com ZIMERMAN (2008) “Liderança autocrática habitualmente é exercida por pessoas de característica obsessivo-narcisísticas, sendo próprio de grupos compostos por pessoas inseguras e que não sabem fazer um pleno uso de sua liberdade”.

Portanto a insegurança citada não faz parte apenas ao liderados, provém do próprio líder que por serem muito inseguros não conseguem ouvir, são excessivamente transparentes para expressar o que sentem, mas não admitem nos outros, essa mesma transparência, lideres assim exercem uma liderança pensando si próprios, não aceitam idéias dos outros, resultando em um distanciamento do grupo, pois este não desenvolve  respeito e admiração pelo seu líder, posição correta dos comandados dentro de uma liderança democrática, mas o que se abrange é um medo dominador, que acaba por inibir a potencialidade dos liderados. Desta forma observa-se que ser líder não é um trabalho simples, mas uma tarefa bastante complexa que envolve paciência, disciplina, humildade, respeito e compromisso. Um líder deve ser uma pessoa afeiçoada, que gere estimulo e exemplo para os seus comandados, sobretudo deve sobrepujar suas emoções, conhecê-las e canalizá-las, se preciso for, para situações apropriadas, persistir mediante frustrações, controlar impulsos e ter motivação.

1.2: Inteligencia Emocional

Anteriormente acreditava-se que o sucesso de uma pessoa se dava pela sua inteligência cognitiva, o célebre QI, porém outros conceitos sobre a inteligência foram surgindo, e observou-se que fatores emocionais interferem de maneira considerável no ato de resolver problemas, velocidade de percepção, habilidade em rememorar e capacidade de raciocínio.  Desta forma passou estudar a inteligência associada às áreas afetivas, nasceu denominada inteligência emocional.

[...] criou-se um índice denominado quociente intelectual (QI), que, avaliado segundo critérios de aferição da rapidez e precisão de efetuar cálculo numéricos, da fluência e compreensão verbais, da velocidade de percepção [...], supostamente identificava o potencial da inteligência disponível na mente do individuo. Posteriormente, verificou-se que fatores emocionais interferiam sobremaneira na determinação desse índice, [...]. (OSORIO, 2007 pg.65)

Daniel Goleman (1995), em seu livro Inteligência Emocional, conceitua a inteligência emocional e listou cinco áreas de habilidades vinculadas a mesma, sendo que três delas referentes á áreas da inteligência intrapessoal (autoconhecimento emocional, controle emocional e automotivação) e as outras duas respectivas á áreas da inteligência Interpessoal (reconhecimento de emoções em outras pessoas, habilidade em relacionamentos interpessoais).

De tal modo inteligência emocional caracteriza pela capacidade de uma pessoa reconhecer seus próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles, em um time de futebol estas propriedades são condições imprescindível para se obter bons resultados.

Em uma equipe de futebol o técnico sustenta a posição de líder neste esporte. Um líder deve saber conter suas emoções, distingui-las e canalizá-las se preciso for prosseguir mediante frustrações; domar seus impulsos e ter automotivação. Estes atributos fazem parte da inteligência emocional o qual é indispensável para um líder que visa alcançar o objetivo almejado.

A Inteligência Emocional está relacionada a habilidades tais como motivar a si mesmo e persistir mediante frustrações; controlar impulsos, canalizando emoções para situações apropriadas; praticar gratificação prorrogada; motivar pessoas, ajudando-as a liberarem seus melhores talentos, e conseguir seu engajamento objetivo de interesses comuns. (disponível no site: www.administradores.com.br/.../inteligência-emocional/45264/ acessado no dia 05 de junho de 2011).

1.3: Motivação

Não podemos falar em qualquer tipo de organização sem fazer menção da motivação, pois esse construto relaciona diretamente com a produtividade do individuo no seu âmbito de trabalho, a motivação é um impulso interno que estimula uma ação, quando há uma definição do objetivo que se deseja alcançar surge uma força que expede o individuo a uma atuação.

Motivar é ter “motivos”. Ter motivos para trabalhar, para se dedicar, para se comprometer, para querer vencer e aprender. É a própria pessoa que se motiva – uma pessoa desmotivada é uma pessoa sem objetivos próprios, que será dirigida pelos motivos alheios. (disponível no site: http://aspectusconsultoria.blogspot.com/2011/05/afinal-o-que e-motivacao-como-conseguir.html, acessado no dia 12 de junho de  2011)

Desta forma a motivação não diz respeito em realizar uma tarefa por medo de sofrer algum tipo de represália, pois este impulso é proveniente de terceiro e consiste apenas em uma ação momentânea, ou melhor, dizendo em um movimento causado pelos estímulos externos, o qual difere da motivação que repercute do meio interno.  Existem pessoas que pregam a automotivação, mas tal termo é erroneamente empregado, já que a motivação é uma força intrínseca. Sendo assim a motivação é uma força particular de cada individuo.

Todo comportamento do ser humano está sobre a influência de um motivo, porém há uma inerente complexidade em detectar o que motivou certo comportamento em um individuo em certa ocasião. Estudos da motivação consideram três tipos de variáveis: o objeto que concebe a probabilidade de satisfação da necessidade; o ambiente que incita o organismo e que apresenta o objeto de satisfação; e as forças internas ao individuo como a necessidade, desejo, vontade, interesse, impulso, instinto.   

A motivação é, portanto, o processo que mobiliza o organismo para a ação, a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente, a necessidade e o objeto de satisfação. Isso significa que, na base da motivação, está sempre um organismo que apresenta uma necessidade, um desejo, uma interação, um interesse, uma vontade ou uma predisposição para agir (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA. pg. 121, 2008).

Desta forma pode-se dizer que a motivação é um processo que pauta necessidade, ambiente e objeto, e que inclina o organismo para uma ação em busca de satisfazer uma necessidade. Motivação é quando se tem um motivo para atuar. Ter motivação constitui ter um anseio por trás de suas ações. Ela é responsável pela persistência de uma pessoa para atingir uma meta. Portanto a motivação faz presente em todos os campos da vida do ser humano. Na psicologia do esporte conceitua-se motivação intrínseca e extrínseca, sendo que a intrínseca está relacionada com execução de uma tarefa se a espera de recompensa, já a motivação extrínseca confia por gratificação externa como pagamento, medalhas etc.

No âmbito do esporte, cabe reiterar que um dos papéis mais importantes que um treinador desempenha é o de motivador.

1.4: Coesão Grupal

Coesão grupal, de acordo com Teixeira (2008), incide na forma encontrada pelos grupos para que seus membros sigam as regras estabelecidas. Quando se pensa em equipes, a coesão grupal é fundamental.  Um grupo para se tornar uma equipe deve passar por algumas etapas como: formação, agitação, normalização e atuação. A formação é a familiarização entre os membros do grupo e sua estruturação; a agitação refere-se às manifestações das diferenças e dos conflitos; na normalização é situada a identidade grupal e são estabelecidas as normas e regras; e a atuação é o período de realização da tarefa que pressupõe a existência da equipe.

Quando finalizada estas etapas pode se viabilizar uma boa interação, cooperação, tolerância e solidariedade entre o grupo, o qual resulta em uma equipe que trabalha em uma mesma ótica em ter êxito em suas tarefas, desta forma nasce à coesão grupal, ressalvando que o clima de confiança e cumplicidade é estabelecido ao longo da convivência, quando os individuo de um grupo interagem.

Sabendo que a coesão de uma equipe se dá quando existe uma determinação entre os membros em construir e perseguir objetivos. Desta forma, é necessário que exista um clima de confiança e cumplicidade estabelecido ao longo da convivência, sendo o bom resultado dependente muito mais da relação existente entre os membros da equipe do que o desempenho individual de cada atleta (Novais, 2011).

1.5: Inteligencia Relacional

De acordo com Osorio (2007) inteligência relacional, designa a capacidade de os individuo serem competentes na interação com outros seres humano no contesto grupal que atuam.

A inteligência há principio era avaliada pelo juízo lógico e agilidade matemática, posteriormente passou-se a observá-la sobre a ótica da afetividade, como já descrito no contexto de inteligência emocional, recentemente passou a avaliá-la também sob o enfoque do comportamento relacional, assim nas atividades grupais o que se deve levar em conta e avaliar é a inteligência relacional, esta competência Interpessoal é a que cada membro de um grupo deve possuir para que a tarefa que precisam realizar juntos tenha êxito. Essa modalidade específica Mailhiot (1976) postula importante para funções de liderança de um grupo de trabalho. A inteligência relacional esta vinculada a inteligência Interpessoal, pois esse constructo refere-se a capacidade do individuo de  reconhecimento de emoções em outras pessoas, habilidade em relacionamentos  e reconhecimento do saber alheio.

2 Metodologia

2.1 Caracterização

O Estágio referente a processos grupais procedeu com um time de futebol no estádio do município de Rolim de Moura, onde também esta localizada a instituição acadêmica responsável pelo Estágio Básico III, a Faculdade de Rolim de Moura (FAROL), sendo o tema de escolha aleatoriamente. 

O time fora observado, analisado e indagado os comportamentos e atitudes dos jogadores, auxiliares, árbitros e também da comissão organizadora do time na própria entidade, o Clube de futebol que é popularmente chamado de Caçolão, neste local realiza-se, os jogos e os treinos do time Rolim de Moura Esporte Clube. O local apresenta-se todo murado, com espaço amplo. Na lateral direita encontram-se os camarotes dos reservas dos dois times, quando em campo; entre o campo e a reserva há uma pista que circula todo o espaço do gramado, neste espaço, em jogos é circulado apenas os veículos que fornece o auxilio médico (ambulância e o corpo de bombeiro).

A arquibancada para os expectadores e torcedores fica  em frente ao campo dos dois lados (direito e esquerdo) e no centro encontra-se um espaço reservado para a mídia (rádio e TV) que faz a cobertura dos jogos. Entre os expectadores e o gramado, onde o time joga, há uma grade divisória que protege os times e árbitros.  O time conta também com um espaço reservado para as trocas de roupa, descanso e a higienização, sendo este o vestuário. E os participantes e patrocinadores do time e dos jogos estão expostos e gravados no muro que cerca toda a entidade.

2.2 Amostragem

Compuseram o estudo, 24 participantes de sexo masculino, com idade entre 18 a 53 anos inseridos no esporte coletivo (o futebol), da entidade Futebol Clube (Caçolão) do município de Rolim de Moura. Para a obtenção dos dados, no que tange a observação contamos com o auxilio de todos, os 24 participantes, mas para a entrevista dos profissionais de campo, nomeamos apenas  05 jogadores, 01 lateral direita, 01 meio campo, 01 zagueiro e 2 atacantes; essa entrevista se deu coletivamente. Porem o time consiste de 17 jogadores, dentre os quais 11 vão a campo em jogo e  os 07 restantes ficam como reservas.

O técnico, o diretor, o professor de educação física e o arbitro da cidade também responderam ao nosso roteiro de questões e as observações surgidas; estes participantes foram entrevistados individualmente. Dessa forma contamos com a colaboração na entrevista, de 09 participantes ao todo, com funções distintas. Além destes já citados, o time conta com 01 massagista e 03 assistentes  que auxiliam e o seguem em viagens.

2.3 Instrumento

A abordagem ao time de futebol, se deu por entrevista não-estruturada do tipo focalizada e a estruturada, realizada em dois tempos, o primeiro fora coletivo e com os jogadores (a não-estruturada), já a segunda procedeu individualmente com os administrantes ( técnico, Prof.  de educação física, arbitro e o diretor).

2.4 Procedimento

Inicialmente recebemos orientações, nas supervisões de estagio básico III, auxiliados por nossa orientadora Alessandra Bertasi Nascimento, e que somam um total em 06hs e 30min; as orientações consistiram em como procederíamos à frente ao time de futebol e a nossa principal função no respectivo recinto. Posteriormente solicitamos ao representante maior da entidade (o presidente do Clube), que assinasse o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, no qual fora explicado os motivos de nossa presença e os objetivos envolvidos, no qual o presidente assumiu total responsabilidade pelo time, pois ele é responsável pelas negociatas, por mais insignificantes que sejam, no que tange ao time em campo.

Portanto não fora necessário a coleta de assinatura individual dos participantes da entrevista, pois estaríamos tirando a liderança do presidente, o qual forneceu total apoio e liberdade de estarmos acompanhando, observando e indagando o time ali dentro do clube. Se a entrevista procedesse fora do estágio, haveríamos de ter a assinatura de cada participante.

Num segundo momento apresentamos no local em períodos vespertino com horários distintos, em busca da coleta de dados para o presente relatório; derivado em dois roteiros de perguntas, um não-estruturada, voltado aos jogadores; e o outro a administração do time, sendo uma entrevista estruturada. Os participantes da entrevista totalizam em 09 ao todo, no qual observamos, acompanhamos e indagamos a função e o comportamento de cada um e as relações que os jogadores e seus superiores desempenham em campo.

3 Apresentação e Discussão dos Dados Coletados

No desígnio de conhecer o funcionamento e a estrutura de um time de futebol e, principalmente, os fatores intrínsecos no mesmo, que influenciam no desempenho dos jogadores, técnico e demais envolvido na organização deste esporte, é que laçamo-nos em uma pesquisa de dados no que refere o time de Futebol Clube de Rolim de Moura. Em que o presidente do time consentiu que realizássemos visitas no estádio onde ocorrem os treinamentos e competições que submergem o time, e o mesmo forneceu os documentos relacionados à fundação e organização que rege o futebol clube que propusemos a analisar.

O time de Futebol Clube de Rolim de Moura, foi fundado em 04 de outubro de 2002, pelo governo do estado de Rondônia, a qual incide em uma entidade sem fins lucrativos, com sede no município supracitado com duração indeterminada. Com finalidade de proporcionar o lazer aos olhos alheios da torcida/expectadores e a obtenção de títulos ao município.

 Quando questionado o método usado para impor as regras e ordem aos jogadores na posição de seus subordinados, o técnico mencionou que para obter o respeito do time usava de gritos e palavrões, “Pois só assim tenho o respeito e atenção que preciso para executar meu trabalho”, comenta o técnico de forma alardeada.

Referente aos atributos que o sujeito precisava para ingressar no time como jogador, o mesmo tem que dispor de um bom preparo físico e principalmente ser familiarizado com a bola. O time é composto por 17 jogadores, nem todos são do município representante do time, muitos jogadores vieram de outros estados como: São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais como o próprio técnico que emanara de Minas Gerais. A remuneração salarial sucede de acordo com a experiência, habilidade, e também a localidade que vieram os jogadores, assim os jogadores de outros estados recebem melhor ordenado salarial.

Com a aquisição destas informações, em contrapartida procuramos analisar a opinião dos jogadores no intento de apurar suas exultações e insatisfações no time o qual estavam inseridos, responderam-nos algumas perguntas cinco jogadores, sendo um do próprio município, outro de município vizinho e os demais de outros estados, todos demonstraram sua respectiva paixão pelo futebol.

Os jogadores mencionaram que dentro do time, escolhia um jogador para nomear como capitão, este exercia o papel de porta voz do time. O companheiro escolhido como capitão despontava paciente em situações estressante, este era respeitado pelos demais, não visto como melhor, porém alguém que sabia de forma inteligente controlava seus impulsos, e assim conseguia contornar situações diversas emergentes no time. Os atributos do capitão descrito pelos jogadores estão vinculados à inteligência emocional, que é a capacidade desenvolvida no ser humano de controlar seus impulsos, e para que isso advenha deve tomar primeiramente consciência dos mesmos.

“A inteligência emocional caracteriza a maneira como as pessoas lidam com suas emoções e com as das pessoas ao seu redor. Isto implica autoconsciência, motivação, persistência, empatia e entendimento e características sociais como persuasão, cooperação, negociações e liderança. Esta é uma maneira alternativa de ser esperto, não em termos de QI, mas em termos de qualidades humanas do coração”, explica. (QI e Inteligência Emocional, GOLEMAN)

Em menção a forma que o técnico impunha as regras, relataram que às vezes ele exagerava, porém haviam se adequado a maneira de atuação do técnico, “ele é um pouco estressado com uma personalidade forte, mas não nos importamos muito, pois já tivemos técnico mais inquieto que ele, ele não age assim sempre só quando esta apreensivo” relata os jogadores com um sorriso sarcástico, porém acrescenta “às vezes se faz necessário os gritos e palavrões para haver ordem  em um time de futebol, quando estamos jogando nossa atenção esta tão voltada para o jogo que só ouvimos as ordenadas do técnico quando grita ou gesticula de modo ansioso”.   Com base na expressão dos jogadores referente às sua atenção centrada na jogada e lances, questionamos se não se incomodava com os insultos que vinham da arquibancada, se esses comportamentos não interferiam em seus desempenhos no jogo, o jogador que residi no próprio município de Rolim de moura prontificou em responder, que quando entrava no campo mantinha o objetivo em exercer seu melhor, com esse objetivo centrava na sua tarefa e não dava ouvido a nenhum comentário seja positivo ou negativo,

Já uns dos jogadores que jazia em outro estado narra que às vezes se via irado com as afrontas municiadas pelo público presente, e que houve ocasiões que trocara ofensas entre os torcedores, os demais se restringiram em comentar.

4 Propostas de Intervenção

De acordo com a observação realizada propomos uma intervenção desde a formação do time, auxiliando o técnico, a comissão e a presidência do clube, na busca de profissionais adequados, dando maiores oportunidades aos rapazes do próprio município, pois estes já tendem a um carinho e orgulho em representar a localidade, na qual reside.

Este auxilio seria uma palestra ou acompanhamento,  de incentivo a inteligência relacional, onde os vínculos e os fatores afetivos estejam associados a inteligência emocional e interpessoal, e que ao aceitar a individualidade e limitações uns dos outros possam proceder com a inteligência operacional, no qual estes (jogadores junto com a comissão e liderança) estejam dispostos para a tarefa em pauta, cujo objetivo seja o preparo psíquico e emocional e não simplesmente os aspectos físicos de resistência, pois segundo OSORIO (2007) “[..] futebol não é jogado só com as pernas, mas também com a cabeça e que o jogador inteligente acrescenta valor a suas habilidades no, trato com a bola [...]”. 

Para aumentar a coesão do grupo é importante ter bem claro que a coesão define-se pela união do grupo em busca dos mesmos objetivos, portanto é necessário que esses objetivos sejam claramente definidos e que sofram mudanças de acordo com o progresso do grupo. É importante também que se encoraje a competição positiva dentro do time, para que os atletas possam juntos alcançar uma melhora de desempenho, e que cada atleta tenha seu papel muito bem definido para que todos se sintam responsáveis pelo sucesso da equipe. 

Através da palestra, incentivar a formação de uma grupoterapia com os jogadores; onde estes possam trocar experiências e obter um feedback nas tarefas envolvidas,  ou estabelecer  um laboratório de treinamento, que explore as idéias e os sentimentos que os acompanham; examinando o que acontece e não somente como acontece; ou desempenhar um feedback grupal, que leve-os membros a reflexão e insights no desempenho profissional e nas relações.

Este feedback, no laboratório de treinamento seria favorável, pois trabalharia nos jogadores itens como a independência, a competição e a autoconfiança, o que acarretaria em aprendizado e desempenho no que tange o controle da ansiedade, do estresse, da atenção e concentração e da comunicação (emissor e receptor),  em campo.

Destacar-se, portanto, a importância da presença do psicólogo no contexto esportivo, pois o mesmo poderá auxiliar a comissão técnica a identificar as variáveis psicológicas que interferem no rendimento esportivo dos atletas, propondo estratégias para superá-las, a fim de atingir o melhor desempenho.

5 Conclusão

O estágio básico III realizado no estádio Casolão, estalado no município de Rolim de moura, com objetivo de observar a equipe formadora do time de futebol esporte clube do município supracitado, em particular o técnico e jogadores no que tange o equilíbrio emocional e a influência que este constructo exerce sobre o funcionamento do time, e o tipo de liderança o qual o técnico versa sobre seus liderados.

Observou-se um estilo de liderança autocrática, infligida pelo técnico, pois o mesmo não apenas verbalizou como mostrou através de suas atitudes que estabelecia suas idéias de forma autoritária não estimando as opiniões dos jogadores. Visto que o mesmo desprovia de inteligência emocional e interpessoal, pois ele envolvia-se facilmente em discussões emergente do time adversário e da torcida, respondendo hostilmente a qualquer critica.  Em analise a essas atitudes chegamos ao juízo que as lacunas existentes na equipe de futebol vivenciada nas constantes derrotas do time, têm como uns dos fatores o estilo de liderança do técnico assim como, ausência da inteligência emocional e interpessoal, que segundo OSORIO (2007) conforme Mailhiot (1976) modalidades específicas de competência nas funções de liderança de um grupo.

Aludir coesão grupal, o que nos chamou a atenção foi como se da à formação do time de futebol clube de Rolim de moura, sendo que grande parte dos jogadores do time pertencia a outros estados como já mencionado em contesto anteriores, e a eles competia os melhores salários, porém quem verdadeiramente sobressaía em campo eram os jogadores do próprio município, quando observado o tempo de conservação da equipe que compunha o time, informamo-nos que o mesmo tem a duração máxima de seis meses, há sempre novas contratações e demissões tanto de jogadores, com técnico dificultando bons Inter-relacionamento e consequentemente coesão grupal. Pois De acordo com estudos explanados por Rodrigues quanto mais tempo às pessoas de um grupo permanecem juntas, maior será a coesão grupal.

O clube disponha de uma casa para abrigar os atletas que vinham de outros estados, já os jogadores residentes na cidade de Rolim de Moura, apresentava-se nos dia de treino e jogos, porém no termino destes eventos, eles retornavam para suas receptivas casas, esse fato nos fez levantar uma hipótese de um provável problema nas questões coesão grupal, pois há de convir que entre os atletas do município e dos diferentes estados, não existe uma constante relação e isso certamente afetava a comunicação do grupo e consequentemente, a produtividade da equipe.

A coesão grupal nasce com a formação da equipe, esta formação acontece em quatro etapas como descrita em coesão grupal. Ao completar essas quatros etapas, a equipe esta abastecida em atitudes de solidariedade e cooperação entre os membros; porém fatores pessoais como o motivo pelo qual cada um está participando da atividade e como está atuando nesse grupo, ou seja, se possui atitude, compromisso e satisfação para executar o que é proposto, são questões relevantes que podem afetar o desenvolvimento da coesão do grupo, assim retomamos o assunto anteriormente abordado sobre a valorização dos atletas de outros estados e a desvalorização dos jogadores residente em Rolim de Moura, que mesmo assim se destaca nos jogos, podemos concluir que os jogadores de destaque estão realmente envolvidos no desempenho da tarefa proposta, já em contra partida os atletas de outros estados não demonstraram muito envolvimento no objetivo grupal, como se suas motivações fossem distintas das dos demais jogadores.

Avaliando esses conceitos dentro da equipe em analise, concluímos que o estilo de liderança, a penúria de inteligência emocional, interpessoal, ocasiona uma falha na coesão grupal.  Completamos também que o time de futebol clube de Rolim de Moura trata-se de uma equipe multidisciplinar, a qual presencia apenas um conjunto de pessoas com aptidões diferentes, desprovidos de inteligência relacional, qualidade que pode transformar uma equipe multidisciplinar em interdisciplinar, onde se viabiliza a troca de conhecimentos, idéias, etc.

Uma equipe multidisciplinar é apenas um conjunto de pessoas com competência diferentes, mas que só a inteligência relacional dos membros do grupo pode transformar em uma equipe interdisciplinar, ou seja, aquele em que as trocas se viabilizem e as competências se potencializem reciprocamente pela noção compartilhada de que para que o todo seja maior do que a soma das partes [...]. (OSORIO. 2007 p. 68)

Portanto mediante o objetivo do trabalho de observar os fatores emocionais e o estilo de liderança emergente em grupo de futebol e a influencia que o mesmo encerra no desempenho grupal foi alcançado e isso nos proporcionou um crescimento considerável no que tange aos processos grupais.

Sobre o Trabalho:

Trabalho apresentado à Faculdade de Rolim de Moura como critério final de avaliação do Estágio Básico III, orientado pela Prof.ª Ms. Alessandra Bertasi Nascimento.

Referências:

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BEE, Helen. A criança em desenvolvimento. 9ª ed. São Paulo(SP): Artmed, 2003.

BERTOLDI, Rafaela. Variáveis psicológicas que interferem no desempenho esportivo. Disponível em: <http://www.futsalbrasil.com.br/artigos/artigo.php?cd_artigo=139>, acessado em: 16/06/2011.

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. PSICOLOGIA: Uma introdução ao estudo de psicologia. 14ª ed. São Paulo (SP): Saraiva, 2008.

BRUHNS, Heloisa T. Futebol, carnaval e capoeira: Entre as gingas do corpo brasileiro. Campinas (SP): Papirus, 2000.

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