Personalidade, Temperamento, Caráter e suas Fisiopatologias

Resumo: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo, com o objetivo de analisar a diferença entre personalidade, temperamento e caráter, definir suas fisiologias e identificar o melhor tratamento para os transtornos de personalidade. Foi realizada pesquisa bibliográfica em artigos e livros. Como resultado, observou-se que o temperamento se organiza em torno de memórias inconscientes estocadas em estruturas do sistema córtico-estriatal. Por sua vez, o caráter se organiza em torno de memórias conscientes, processadas e estocadas no sistema córtico-límbico-diencefálico. A personalidade é o estudo das variações e das diferenças individuais, onde o temperamento e o caráter são considerados traços da mesma. No senso comum, esses três termos são considerados como sinônimos, porém no decorrer do trabalho foi confirmado que este pensamento é precipitado. Existem diversos tipos de transtornos e a melhor maneira de tratá-los é através da psicoterapia, deixando os recursos farmacológicos para os casos mais graves ou para complementar a terapia.

Palavras-Chave: Personalidade. Temperamento. Caráter. Fisiopatologia.

1. Introdução

A palavra personalidade origina-se do grego Persona, nome de uma máscara usada por atores em peças teatrais, para identificar vários personagens. Geralmente é associada à força de vontade, e à moral do indivíduo, diferentemente da abordagem científica, porque exclui avaliações morais ou judicativas, porém confirma que tem relação com a disposição motivacional, sendo definida como o conjunto de características que explica um modo próprio da pessoa responder aos estímulos do ambiente, respostas emocionais e escolhas individuais (BUSATTO, 2006).

São muitos os seus componentes, vários indivíduos compartilham de algumas características semelhantes, porém, a personalidade de cada pessoa é individual e irreproduzível; então o seu estudo consiste na analise das variações e das diferenças individuais. É formada durante a etapa do desenvolvimento psico-afetivo começando da gestação, pois estes estão em condições distintas e já apresentam comportamentos particulares. Então essa formação inclui elementos geneticamente herdados e adquiridos no meio externo em que vivem (VOLPI, 2004).

A organização da personalidade é formada a partir dos genes, experiências particulares, percepções individuais, capazes de tornar o individuo único na maneira de ser e desempenhar o papel social. Compreender esses aspectos não é tarefa fácil, pois estão envolvidos muitos fatores como o biológico, social e psicológico. Com outras palavras, a personalidade é um conjunto de características identitárias próprias de cada um que foram geneticamente herdadas, socialmente aprendidas, formando o mundo interno psíquico do indivíduo e é consideravelmente estável à medida que o tempo vai passando, e isso garante um melhor ajuste ao meio ambiente (BUSATTO, 2006; VOLPI, 2004).

O conceito de personalidade é encontrado desde os tempos antigos, há 500 anos com a civilização grega, na teoria dos humores de Hipócrates. Esses humores eram conhecidos como bílis negra que se refere ao temperamento melancólico característico de pessoas tristes e sonhadoras; branca (fleumático) encontrada em pessoas lerdas, apáticas e de sangue frio; vermelha (sanguíneo) encontrada em pessoas de humor variado, sociável, intenso; e amarela (colérico) que é peculiar de pessoas cujo humor se caracteriza pelo desejo forte e sentimento impulsivo, irritável e inconstante. Toda doença e perturbação mental eram consideradas desequilíbrios entre esses humores também chamados de temperamento (PEREIRA, 2002; GUZZO, 2002).

Com a queda do domínio romano, a abordagem naturalista foi substituída por uma visão espiritual, onde a personalidade era avaliada pelo caráter moral definido pela relação do homem com Deus. A abordagem livre sobre a mente foi resgatada a mais de 1000 anos depois com o iluminismo, porem a falta de definição bem delimitada dos processos da personalidade, importantes para o estudo das relações humanas clínicas e dos transtornos mentais, impediu a tradução desse papel na teoria e na prática. O campo da mente foi dominado pela psicanálise e pelo Behaviorismo até a primeira metade do século XX (BUSATTO, 2006).

Segundo Allport (1940) existiam muitos significados a palavra personalidade, em sua primeira lista continham mais de 18.000 léxicos, ele separou aquele de pouca relevância  para o estudo da mente pelo caráter moral, judicativo e religioso. Depois disso sintetizou o estudo da personalidade como “a organização dinâmica dentro do indivíduo dos sistemas psico- físicos que determinam seu ajustamento único ao seu ambiente”. Historicamente esse conceito evoluiu tornando sólido o princípio de que existe uma parte orgânica essencial que sedia seus processos.

2. Metodologia

O trabalho consiste em uma pesquisa bibliográfica que possui como finalidade o levantamento, seleção, fichamento e arquivamento de informações relacionadas ao assunto de interesse, portanto é importante realizá-la antes de iniciar todo e qualquer trabalho científico (AMARAL, 2007).

Segundo Amaral (2007) esse tipo de pesquisa tem como objetivos: fazer um histórico sobre o tema, atualizar-se sobre o mesmo, encontrar respostas aos problemas formulados, levantar contradições sobre esse e evitar repetição de trabalhos já realizados.

3. Modelos de Personalidade

Cattell (1940), partindo da compilação de descritores de Allport (1940), reduziu a lista de 18 mil léxicos referentes à personalidade para 171 pares antagônicos, onde cada par foi considerado uma característica da personalidade com variação binária e não havendo possibilidade de um intermediário. Após a análise fatorial (identifica uma tendência de associação entre os traços simples binários) formam-se pequenos grupos (traços de classe baixa) e posteriormente os supergrupos (traços de classe alta). Por tanto, partiu de uma base empírica para chegar a uma estrutura e em seguida, talvez, desenvolver uma teoria sobre a organização da personalidade.

Após sucessivas análises fatoriais, reduziram-se as dimensões para apenas cinco o que foi denominado de modelo 5-fatorias, admitindo as seguintes: neuroticismo, extroversão, conscienciosidade, cordialidade e abertura. Paralelamente, baseado em Eysenck (1959), o sistema binário evoluiu para uma estrutura trifatorial: dimensão da afetividade negativa (neuroticismo), afetividade positiva (extroversão) e motivação não-afetiva (impulsividade, psicoticismo ou por antonímia conscienciosidade).

Atualmente, admite-se, conceitualmente, seis dimensões, dessas, três estão presentes em todos os modelos vigentes de personalidade e possuem correlatos neurobiológicos parcialmente descritos: afetividade negativa, afetividade positiva e impulsividade. Integridade do self e empatia e tolerância representam conceitos mais complexos (estão relacionadas ao caráter). Acredita-se que a primeira seja intermediada por estruturas do neocórtex (principalmente o pré-frontal) e o segundo por englobar os conceitos de hostilidade e agressividade, supõe-se está relacionado às estruturas do córtex pré-frontal e pode ser modulada pela atividade serotoninérgia. Essas dimensões são importantes porque o ajustamento do individuo ao meio que o cerca depende delas. A dimensão da abertura ainda não possui evidências biológicas relevantes para a clínica da personalidade (BUSATTO, 2006).

Os modelos de personalidade englobam dois importantes aspectos: qualidade das expressões afetivas e a reatividade do indivíduo aos estímulos. Tais aspectos podem ser bem estudados, pois são observados em diversas espécies mamíferas. A seguir foram colocados os traços de personalidade mais comumente encontrados.

A afetividade positiva que se relaciona com o que é conhecido no senso comum como “extroversão”, tal característica está relacionada com um sistema de aproximação comportamental que visa colocar o animal em contato com estímulos potencialmente gratificantes; o traço afiliativo da personalidade é atribuído a sistemas neuronais que controlam o comportamento sócio-sexual; e a afetividade negativa está diretamente relacionada a três experiências emocionais: medo, ansiedade e alerta, sendo que cada uma dessas emoções acontece devido à ativação de receptores específicos para cada uma delas.

4. Temperamento e Caráter

A fisiologia do indivíduo ajuda a formar sua personalidade, por conta da liberação de algumas substâncias que podem ocasionar certos comportamentos. Entretanto, é importante ressaltar que o papel biológico na produção da personalidade é apenas um dos fatores que o fazem, ou seja, a personalidade é formada através de um processo muito mais amplo do que apenas a composição química de um sujeito. Ele sofre influência do caráter e do temperamento.

Este pode ser conceituado diante de diversas teorias, são elas: Teoria dos humores, teorias morfológicas, psicológicas, tipologia de Jung, tipologia de Thomas e Chess, de Buss  e Plomin, e o modelo psicobiológico de temperamento e caráter, este que é o mais relevante para o desenvolvimento do presente trabalho. Segundo Cloniger, Svrakic e Przybeck (1998), a personalidade seria baseada em sete dimensões, sendo quatro de temperamento e três de caráter.

Quanto ao temperamento, é importante ressaltar que sua existência é de base hereditária, porém suas características podem e devem ser controladas, ou podem durar até a vida inteira, dependendo apenas da forma como cada indivíduo lida com o próprio temperamento (PASQUALI, 2000).

Segundo esta teoria, o temperamento é dividido em quatro dimensões: Procura de novidade, fuga de injúria, dependência em reforço e persistência. O caráter é construído através das experiências sociais e pela compreensão dos valores morais e culturais, ou seja, ele é aprendido através da família, escola e na sociedade de maneira geral. É a expressão da personalidade por meio das atitudes de uma pessoa.

Segundo Reich (1995), psiquiatra e psicanalista ucraniano, o caráter é o conjunto de reações e hábitos comportamentais de uma pessoa que vão sendo adquiridos ao longo da vida e que especificam o modo individual de cada pessoa. Estão inclusos as atitudes e valores conscientes, o estilo de comportamento (timidez, agressividade) e as atitudes físicas (postura, movimentação do corpo).

Um exemplo de expressão corporal relacionada ao caráter seria na apresentação de um trabalho, cada pessoa irá reagir de maneira diferente: uns terão taquicardia, sudorese, diarréia, outros estarão tranquilos, relaxados.

O conjunto das dimensões da personalidade de afeto negativo, afeto positivo e impulsividade tem manifestação precoce e são pouco influenciadas pelo desenvolvimento vital, por isso são chamados de temperamento. Já o conjunto das dimensões empatia e tolerância e integridade do self que se definem ao longo do tempo, são formadas pela interação individuo-meio e influenciadas pelas disposições inatas, cuidados parentais e históricos biográfico, são chamadas de caráter (BUSATTO, 2006).

O temperamento se organiza em torno de memórias inconscientes, estocadas em estruturas do sistema córtico-estriatal que associam percepções e afetos. Este aprendizado por associação requer percepção dos eventos vividos, mas não requer lembrança, nem faz parte dos conteúdos recobrados pela consciência. O caráter se organiza em torno de memórias conscientes, processadas e estocadas no sistema córtico-líbico-diencefálico, baseadas em conceitos, representando um aprendizado mediado por símbolos e linguagem (BUSATTO, 2006, p.202).

Com relação à aprendizagem associativa pode-se entender melhor com o seguinte exemplo: duas crianças que fazem pela primeira vez uma prova de química, nenhuma consegue boas notas, porém uma decide se dedicar mais aos estudos para tirar uma nota melhor e a outra desiste logo e admite que vá para a recuperação. Ambas lembram-se das experiências legais de tirar nota azul e das ruins de tirar nota vermelha. Porém, o resultado comportamental mostra que o primeiro é mais suscetível as memórias positivas e o segundo as memórias negativas. No entanto, não se deve concluir que uma determinada conformação temperamental é melhor que outra, pois é preciso avaliar o restante da personalidade para julgar sua adaptabilidade.

O caráter é organizado pela linguagem e tem papel central no ajustamento do indivíduo ao meio. Deficiências na sua estruturação na dimensão da integração do self, principalmente, e em menor grau na empatia e tolerância são características encontradas em todos os tipos de transtornos de personalidade. Variações extremas de temperamento podem dificultar o desenvolvimento do caráter. O perfil temperamental define um modo habitual de expressão afetiva e reatividade, ao passo que o caráter é o responsável pela adaptação desse perfil ao meio social (BUSATTO, 2006).

5. Transtornos de Personalidade

Três fatores são usados para diferenciar as pessoas que têm transtorno de personalidade:

  • Uso consciente de alguns comportamentos;
  • Nível extremo do comportamento, como a diferença entre ser organizado e compulsivo;
  • O comportamento resulta em problemas sérios e prolongados  de funcionamento ou de felicidade.

Os transtornos são classificados de acordo com o DSM – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – e a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde – CID (RENNA, 2013). Esses dois guias definem critérios para classificar e diagnosticar os tipos de transtornos.

5.1 Transtorno de Personalidade Anti-Social

Os indivíduos que se enquadram nesse tipo de transtorno geralmente são chamados de psicopatas ou sociopatas, consiste em pessoas interpessoalmente destrutiva e emocionalmente prejudiciais. Apresentam comportamentos normais e parecem ser muito bem centrada, seu modo de agir atinge principalmente quem está próximo.

Alguns dos sintomas mais importante nesse tipo de transtorno é a ausência de ansiedade ou de culpa, comportamentos que favoreçam a si próprio – hedonista -, a superficialidade de sentimentos e ausência de apego emocional aos outros. Essas pessoas possuem surpreendentes habilidades sociais e verbais, além de demonstrarem ser muito inteligentes. Em pesquisas relacionadas ao campo biológico e genético, constatou-se que alguns fatores ambientais e genéticos podem ocasionar o aparecimento de traços de transtorno de personalidade, como por exemplo, a vivência em ambientes de briga e de maus-tratos podem gerar constantes crises de agressividade.

Em indivíduos com transtorno de personalidade anti-social os altos níveis de testosterona e cortisol pode ocasionar a alta frequência de agressividade, e os níveis baixos podem gerar comportamentos de fuga. Podendo envolver também a dopamina e a serotonina para explicar a tranquilidade ante, durante e após um comportamento cruel (ALMEIDA, 2013).

5.2 Transtorno de Personalidade Obsessivo-Compulsivo – TPOC

Segundo Holmes (1997) os indivíduos com esse transtorno geralmente tem altas necessidades de perfeição, organização e controle de vida, não têm relacionamentos pessoais significativos, pois a vida programada e organizada demais, não requer tempo para amizades.

A ideia de felicidade, prazer, e relaxamento não fazem parte de suas metas, pois está sempre dedicada a perfeição e a não perder nenhum detalhe de algo específico e acima de tudo a não falhar.

No entanto esse transtorno é muitas vezes associado com o Transtorno Obsessivo- Compulsivo (TOC), de acordo com Widiger e Frances (apud ABREU E PRADA, 2004) a diferença entre eles é que no TPOC o indivíduo apresenta um comportamento padrão ao longo da vida, enquanto a pessoa que possui TOC é caracterizado por pensamentos encobertos súbitos e recorrentes seguidos de comportamento estereotipados que o indivíduo sente-se compelido a emitir, ou seja, as compulsões.

5.3 Transtorno de Personalidade de Esquiva – Evitativo

Caracterizado pela fuga do sujeito de determinados comportamentos para evitar a rejeição e a crítica, são sensíveis e defendem-se contra a rejeição social. Sua autoestima é constantemente baixa, nunca se ver como alguém capaz e dotado de qualidades, a depressão e a ansiedade geralmente estão presentes no quadro clínico desses sujeitos.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Esquiva demonstram inibição em novas situações interpessoais, devido a seus sentimentos de inadequação e baixa autoestima. Dúvidas envolvendo sua competência social e atrativos pessoais tornam-se especialmente manifestas em contextos envolvendo interações com estranhos. Estes indivíduos consideram-se socialmente ineptos, sem atrativos pessoais ou inferiores (RENNA, 2013).

Alguns fatores sociais são responsáveis pelo surgimento desse transtorno, a rejeição ou crítica dos familiares na infância pode gerar futuramente lembranças dolorosas que podem influenciar em outros comportamentos, contribuindo para elevar o grau de timidez, insegurança e falta de confiança em si.

5.4 Transtorno de Personalidade Dependente – TPD

Esses indivíduos dependem da ação dos outros, uma decisão normalmente é tomada por outra pessoa, de fácil convivência, tentam a todo modo não decepcionar as pessoas que confiam, pois sabe que assim não terá mais alguém confiável para decidir por si (VALERIO, 2004; ZANIN, 2004)

Essa incapacidade de tomar decisões pode ocasionar ansiedade e depressão, visto que, quando colocados em cargos que exigem tais comportamentos são incapazes de desempenhar tais funções, o que os deixa frustrados.

Às vezes torna-se difícil compreendê-los em um relacionamento, sempre estão calmos e dóceis, o medo de perde o outro. Quando estão com raiva, suprime-a para evitar algum descontentamento entre as partes envolvidas, essa raiva pode ocasionar a longo tempo problemas de saúde, principalmente em relação à frequência cardíaca.

Esses indivíduos têm como principal característica a necessidade global e exagerada de ser cuidado, dando origem a comportamentos submissos e aderentes e ao medo da separação  (BECK  E  FREEMAN  apud  ZANIN  E  VALÉRIO,  2004),     “comportamentos dependentes e submissos visam a obter atenção e cuidados e surgem de uma percepção de si como incapaz de funcionar adequadamente sem o auxílio de outras pessoas” (ZANIN, 2004; VALERIO, 2004).

5.5 Transtorno de Personalidade Histriônica

Conforme Holmes (2007), esse transtorno possui três características, primeiramente são pessoas charmosas, atraente e sexualmente sedutoras, mas quando a situação fica séria estes recuam bruscamente, há o interesse por sexo, mas paralelamente o medo, e isso s fazem recuar.

A outra característica esta associada à forma como se comportam, estão sempre no centro das atenções, e frequentemente agem de forma excessivamente emocional e dramática para chamar a atenção. Eles precisam ter todos os olhares direcionados para si, consequentemente causando-lhe uma satisfação pessoal. Em terceiro lugar, suas emoções são excessivamente superficiais, podendo ser desviada de pessoa para pessoa e expressa-las de forma positiva ou negativa, dependendo da forma como está se sentindo (HOLMES, 2007).

Quando esses indivíduos não têm controle de seus planos, podem tornar-se egocêntricos, exigentes e manipuladores, ou quando tudo ocorre da forma planejada são extrovertidos, e está sempre agindo de forma divertida para chamar a atenção e garantir sua tranquilidade interior.

5.6 Transtorno de Personalidade Narcisista

Caracterizado pelo sentimento grandioso em relação a si próprio, a sua capacidade tem em si alguém brilhante, que independe de outros seres, exige a atenção e admiração de todos por ser alguém tão cheio de qualidades.

As pessoas que desenvolvem esse tipo de transtorno geralmente agem desprezando o outro, é arrogante, não se importam com o sofrimento alheio e em muitos casos aproveitam da bondade e/ou humilham e rebaixam o outro para sentir-se melhor. No entanto, a autoestima é vulnerável, deixando-o sensíveis a mágoas, as críticas são responsáveis por abalarem seu estado emocional, tornando-o um ser destruído, humilhado e vazio.

O nome Narcisismo derivou da personagem mitológica grega Narciso, que apaixona- se por seu reflexo em um lago (HOLMES, 2007).

5.7 Transtorno de Personalidade Paranóide

A suspeita injustificável e a desconfiança das pessoas são características do Transtorno de Personalidade Paranóide, os indivíduos com esse transtorno geralmente tornam todo problema em um “problemão”, assim tendo uma visão grandiosa de tudo que estar a sua volta.

Diagnosticado na maioria dos casos em homens, esse transtorno ocasiona no indivíduo o desejo de estar sempre à frente de tudo, trabalham arduamente e nunca confia no trabalho desempenhado pelos demais, visto que só ele é capaz de desempenhar qualquer função perfeitamente (RENNA, 2013).

Quando sentem-se ameaçados ficam ansiosos, mau humorado e sempre tem bons argumentos. Geralmente seus delírios são apenas suspeitas vagas e desconfianças sem fundamento.

O Transtorno da Personalidade Paranóide pode manifestar-se primeiramente na infância e na adolescência, por uma tendência a ficar solitário, fracos relacionamentos com seus companheiros, ansiedade social, baixo rendimento escolar, irritabilidade excessiva, pensamentos e linguagem peculiares e fantasias idiossincráticas. Essas crianças  podem parecer "esquisitas" ou "excêntricas" e provocar zombaria (RENNA, 2013).

5.8 Transtorno de Personalidade Esquizóide

Esses indivíduos são indiferentes a elogios e a críticas, geralmente a falta de interesse em outras pessoas e em relacionamentos sociais são características predominantes nessas pessoas. Apresentam comportamento solitário, além de demonstrar pouca emoção e estar sempre evitando o contato social.

As pessoas que desenvolvem esse tipo de transtorno muitas vezes reagem passivamente a ocasiões adversas e apresentam dificuldades em replicar de forma sensata a alguns acontecimentos importantes de suas vidas.

Com a falta de habilidades sociais apresentam também a falta de desejo por experiências sexuais, esses indivíduos têm poucos relacionamentos, pouco tempo de duração nas relações afetivas e geralmente essas pessoas não se casam.

5.9 Transtorno de Personalidade Esquizotípico

As características desse transtorno geralmente são confundidas com sintomas de esquizofrenia, no entanto, seus sintomas não são tão rigorosos e podem ser chamados de esquizofrenia leve.

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Esquizotípica é um padrão invasivo de déficits sociais e interpessoais, marcado por agudo desconforto e reduzida capacidade para relacionamentos íntimos, além de distorções cognitivas ou perceptivas e comportamento excêntrico. Este padrão começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos (RENNA, 2013).

Esses indivíduos são considerados como esquisitos ou excêntricos por causa da forma como agem, pelo seu modo desleixado de vestir-se, bem como por sua desatenção às convenções sociais, veem os relacionamentos interpessoais como problemáticos, e sentem desconforto na interação com outras pessoas. Ainda que expressem infelicidade por estarem sempre sozinhos, não se dispõe a ter contato social e mesmo tendo em pouca frequência preferem ficar a sós e geralmente pensam que sobre si como alguém esquisito e estranho.

5.10 Transtorno de Personalide Borderline

É caracterizado pela instabilidade e por apresentar sintomas diferentes em momentos diferentes, esses sintomas geralmente giram em torno de problemas de humor, distúrbios leves em processo de pensamento e comportamento auto-injurioso impulsivo. Essas pessoas parecem estar sempre entre vários transtornos, podendo apresentar diversas características de diversos transtornos.

De acordo com Holmes (1997, p. 324) esse transtorno apresenta sintomas em quatro áreas, humor instável; distúrbios de pensamento; automutilação e por fim relacionamentos interpessoais pobres e falta de identidade. Uma explicação para esse transtorno é que há uma combinação de transtornos, uma combinação entre esquizofrenia leve e transtorno de humor com problemas no controle dos impulsos.

Os critérios para esta patologia, de acordo com a quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-IV, 1994/1995) e pela APA (American Psychiatric Association) são: Um padrão invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, autoimagem e afetos e acentuada impulsividade, que começa no início da  idadeadulta e está presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes critérios:

  • esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado;
    Nota: Não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5
  • um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização;
  • perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da autoimagem ou do sentimento de self;
  • impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente);
    Nota: Não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5
  • recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante;
  • instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor (por ex., episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias);
  • sentimentos crônicos de vazio;
  • raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por ex., demonstrações frequentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes);
  • ideação paranóide transitória e relacionada ao estresse ou severos sintomas dissociativos.

6. Conclusão

Nota-se que a personalidade é o estudo das variações e das diferenças individuais, onde o temperamento e o caráter são considerados traços da mesma. No senso comum esses três termos são considerados como sinônimos, porém, no decorrer do trabalho foi confirmado que este pensamento é precipitado.

Como foi relatado, existem diversos tipos de transtornos que a melhor maneira de tratá-los é através da psicoterapia e deixando os recursos farmacológicos para os casos mais graves ou para complementar a terapia.

Sobre os Autores:

Ana Luiza Cavalcanti Bezerra - Estudante de Graduação  5º. Semestre do Curso de Bacharelado em Psicologia na FSA

Elaine Lima Marques de Sá - Estudante de Graduação  5º. Semestre do Curso de Bacharelado em Psicologia na FSA

Helany da Costa Sousa - Estudante de Graduação  5º. Semestre do Curso de Bacharelado em Psicologia na FSA

Lisbeth Pereira Gonçalves - Estudante de Graduação  5º. Semestre do Curso de Bacharelado em Psicologia na FSA

Orientador: Nelson Jorge Carvalho Batista - Mestrado em Genética e Toxicologia Aplicada pela Universidade Luterana do Brasil, Rio Grande do Sul; Professor da Faculdade Santo Agostinho – FSA.

Referências:

ABREU, P. R.; PRADA, C.G. Transtorno de ansiedade obsessivo-compulsivo (TOC) e Transtorno da Personalidade Obsessivo-compulsivo (TPOC): um “diagnóstico” analítico- comportamental. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, São Paulo, v.6, n2. 2004. < http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/view/58/47>. Acesso em: 17 mar. 2014.

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