O Conhecimento de Pais e Mães Sobre o Aleitamento Materno

Resumo: Muitas pesquisas realizadas sobre a amamentação, ainda, discutem a relação mãe-filho omitindo-se a figura paterna, uma vez que antigamente pensava-se que o bebê só estabelecia relações com a mãe e, somente desta última, ele dependia para permanecer vivo no plano físico e emocional.á a conduta dos homens frente ao aleitamento materno se modificou ao longo dos anos (PICCININI, et al., 2004). O objetivo da pesquisa foi verificar se há acordo entre as crenças dos pais e das mães, referente à amamentação.

Palavras-chave: Maternidade, Aleitamento, Gênero, Desenvolvimento Humano

1. Introdução

Muitas pesquisas realizadas sobre a amamentação, ainda, discutem a relação mãe-filho omitindo-se a figura paterna, uma vez que antigamente pensava-se que o bebê só estabelecia relações com a mãe e, somente desta última, ele dependia para permanecer vivo no plano físico e emocional, mas atualmente, estudos revelam que os comportamentos de recém-nascidos demonstram a percepção que estes têm da figura paterna, já nos primeiros dias de seus nascimentos (PIAZZALUNGA; LAMOUNIER, 2009).

Já a conduta dos homens frente ao aleitamento materno se modificou ao longo dos anos (PICCININI, et al., 2004), pois atualmente eles demonstram maior participação e interesse no assunto, o que impacta positivamente na duração desta prática (PIAZZALUNGA; LAMOUNIER, 2011)..

Para Piazzalunga e Lamounier (2011), quando o homem não tem conhecimento sobre o aleitamento, este fato impacta negativamente na continuação desta prática, portanto, é  fundamental integrar a figura paterna no recebimento de informações que o leve a  incentivar e colaborar no suporte prestado a sua esposa e na responsabilidade de zelar pelos filhos, já no pré-natal e no decorrer do crescimento destes últimos.

Já nos estudos longitudinais de Alves, et al, (2008), que teve como objetivo comparar os aspectos que afetava a duração do aleitamento materno de 790 mulheres que faziam o uso de um centro de saúde na cidade de Belo Horizonte (M.G.), se devem à primiparidade (1980), a dificuldade das mães em amamentar os bebês logo após o nascimento (1980 a 1998), conceito materno de tempo ideal de amamentação inferior à seis meses (1980, 1986, 1998 e 2004), a não atribuição materna dos benefícios do aleitamento para as crianças (1980 e 1998) e a depreciação do parceiro em relação ao aleitamento materno (2004). Porém, nos anos entre 1980 e 2004, o mesmo estudo revelou aumento no percentual de mães que acreditavam que o leite materno fosse melhor que os demais tipos de leites, que achavam bom amamentar os filhos por seis meses ou mais, que foram capazes de amamentar os filhos anteriores por no mínimo, quatro meses e que reconheceram os benefícios do leite materno para as crianças, sendo que o tempo de aleitamento materno saltou de cinco meses, para onze meses entre o início e o fim deste estudo.

Por fim, é necessário intervenções para conscientizar os pais e as mães dos fatores correlacionados ao aleitamento materno, a fim de erradicar os falsos conceitos existentes e que interferem na duração da amamentação (SERAFIM, 1999) como complementar o leite materno com o uso de água, chá, e suco desde o primeiro mês de vida da criança; e o consumo de papas de cereais, frutas e legumes nos primeiros três meses de vida da criança (VIEIRA, et al., 2004).  Tais medidas contrariam a recomendação da  Organização Mundial da Saúde (2003), pois, para um bom desenvolvimento e saúde das crianças, aconselha-se que estas sejam alimentadas exclusivamente com leite materno até os seis meses de vida, após a este período, as mesmas deveriam receber alimentação complementar nutritivas, mas sem abandonar o aleitamento materno até os dois anos de idade ou mais.

2. Objetivos da Pesquisa

Verificar se há acordo entre as crenças dos pais e das mães, referente à amamentação.

3. Metodologia da Pesquisa

3.1 Participantes

Participaram desta pesquisa dez casais heterossexuais; casados e/ou vivendo em união estável; com a idade acima dos dezoito anos; cujas parceiras estavam amamentando seu filho no período de zero a três meses de vida.

Cabe dizer que os pais e mães que participaram desta pesquisa, foram identificados com nomes fictícios (Tabela 1).

3.2 Local

No primeiro momento, a coleta ocorreu em um Hospital maternidade de uma cidade do interior paulista, que atende tanto o público do SUS, como o particular e no segundo momento, os dados foram coletados nas residências dos participantes.

3.3 Instrumentos

Para esta pesquisa foi utilizado uma entrevista estruturada com 19 perguntas que permitiram coletar as características sócio-demográficas dos casais, as informações sobre o pré-natal e o pós-parto, bem como o endereço, a data e o horário que os mesmos pudessem receber a pesquisadora em suas residências (apêndice I). Além da entrevista, foram utilizados dois questionários estruturados com perguntas abertas e fechadas a serem aplicados, um para os pais (apêndice II), contendo 16 questões, sendo que 13 questões são as do tipo fechadas e três questões do tipo abertas e outro questionário aplicados às mães (apêndice III), também contendo 16 questões, sendo que 13 questões são as do tipo fechadas e três questões do tipo abertas.

3.4 Procedimentos de coletas de dados

Para melhor adequação aos objetivos propostos, foi utilizada a abordagem qualitativa e quantitativa, pois a combinação destas duas abordagens visa assegurar a máxima confiança dos dados (GODOY, 2005).

A pesquisadora abordou os participantes da pesquisa entre o período de julho a outubro de 2013. Neste primeiro contato com os casais, lhes foram explicados os objetivos da pesquisa, bem como a garantia do anonimato e a opção em participarem do estudo. Em seguida, mediante a concordância dos casais em participar desta pesquisa, a pesquisadora lhes entregou o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (anexo I) para serem lidos e assinados.

Após, a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, realizou-se, ainda na instituição hospitalar, uma entrevista para captar dados sócio-demográficos e características assistenciais dos casais entrevistados recebidas durante a gravidez, o parto e o pós-parto.

Cabe dizer que para evitar a contaminação das respostas, o questionário foi respondido em dois momentos, num primeiro momento dedicado somente aos pais e em seguida, somente as mães.

3.5 Procedimento de análise

Após a coleta de dados, procedeu-se a investigação do material através de leituras dos questionários, aonde as respostas das questões abertas dos questionários, foram decodificadas, com conteúdos agrupados pelo critério de semelhanças e transformadas em três categorias de dados analisadas nas visões dos casais. A saber: “Momentos em que os pais passam mais tempo com os filhos”; “Cuidando diferente ou igual à forma que meu pai cuidou de mim”; “Ser pai...”

Já, nas respostas das questões fechadas dos questionários, realizou-se a análise quantitativa explicitada por meio de estatística descritiva.

3.6 Resultados Obtidos

A tabela 1 mostra os fatores sócio-demográficos dos pais e mães entrevistados.

A tabela 1 mostra os fatores sócio-demográficos dos pais e mães entrevistados.

Os pais tinham entre 21 a 54 anos. Em relação ao nível de escolarização dos pais, 50% (n=5) deles, concluíram o ensino médio. No momento da entrevista, apenas um pai não trabalhava. Todos os pais que trabalhavam receberam a licença paternidade de cinco dias seguidos, a partir da data de nascimento do filho(a). Sendo que, 30% (n=3) acompanharam o nascimento do filho(a).

Já, as mães entrevistadas apresentavam idades de 20 a 41 anos e 70% (n=7) delas, concluíram o ensino médio. 40% (n=4) das mães entrevistadas não trabalhavam. 20% (n=2) das mães eram multíparas. Dos dez recém-nascidos, seis deles pertenciam ao sexo masculino.

As características das assistências oferecidas aos casais entrevistados, na gravidez, parto e puerpério, estão expostas na Tabela 2. 100% (n=10) das mães entrevistadas realizaram o pré-natal. 100% (n=10) das mães foram orientadas a amamentar, já no pré-natal e na maternidade. 80% (n=8) dos recém-nascidos iniciaram o aleitamento materno exclusivo na maternidade e 20% (n=2) dos recém-nascidos iniciaram outros tipos de alimentos complementares ao aleitamento materno, ainda, na maternidade. No momento da entrevista, apenas 10% (n=1) dos recém-nascidos se encontrava no berçário. 30% (n=3) das mães apresentaram dificuldades para amamentar após a alta da maternidade. 80% (n=8) das mães tiveram seus filhos por meio da cesárea.

Tabela 2 - Características da assistência a gravidez, ao parto e pós-parto recebido pelos casais entrevistados.

 

(n=10)

%

Realização do pré-natal

Sim

Não

 

10

0

 

100,0

0

Orientação no pré-natal sobre a prática do aleitamento materno

Sim

Não

 

10

0

 

100,0

0

Orientação para amamentar na maternidade

Sim

Não

 

10

0

 

100,0

0

Alimentação na maternidade

Aleitamento materno exclusivo

Outra forma de alimentação

 

8

2

 

80,0

20,0

Local de permanência do recém-nascido

Berçário

Alojamento conjunto

 

1

9

 

10,0

90,0

Dificuldade para amamentar no pós-parto

Sim

Não

 

3

7

 

30,0

70,0

Forma de nascimento

Cesárea

Normal

 

8

2

 

80,0

20,0

Os conhecimentos dos pais e mães sobre o aleitamento materno são apresentados na Tabela 3. Os dados revelam que 100% (n=10) dos pais disseram que o leite em pó possui propriedades inferiores ao leite materno. Ao passo que 30% (n=3) das mães acreditam que o leite em pó possui propriedades iguais ao leite materno e duas delas, disseram que seus filhos (recém-nascidos) receberam o leite em pó ainda, na maternidade. 40% (n=4) dos pais e 20% (n=2) das mães acham ideal amamentar seus filhos(as) por mais de doze meses. Todos os pais e mães identificam vantagens do aleitamento exclusivo materno para as crianças, além de acharem que a relação pai-filho e mãe-filho, são fortalecidas quando se acompanha ou oferece a amamentação. 20% (n=2) dos pais disseram acompanhar poucas vezes as mamadas dos filhos(as) e 30% (n=3) das mães disseram que os parceiros acompanham poucas vezes as mamadas dos filhos(as). 100% (n=10) dos pais e das mães acreditam que a alimentação materna influencia no leite materno. 90% (n=9) dos pais e das mães acham que fazer simpatias não aumenta a quantidade e a qualidade do leite materno. 50% (n=5) dos pais e mães disseram que o trabalho do parceiro não o impede de acompanhar as mamadas do filho.

Tabela 3 – Conhecimento dos pais e mãe sobre o aleitamento materno.

 

Opinião paterna

(n=10)

 

%

Opinião materna

(n=10)

 

%

Opinião sobre o leite em pó em relação ao leite materno (propriedades)

Igual

Maiores

Menores

Não faz bem

 

0

0

10

0

 

0

0

100,0

0

 

3

0

5

2

 

30,0

0

50,0

20,0

Conceito de tempo ideal de amamentação (meses)

Até  3

Até  6

Até 12

Maior 12

 

0

2

4

4

 

0

20,0

40,0

40,0

 

0

4

4

2

 

0

40,0

40,0

20,0

Vantagens do leite materno para a criança

Sim

Não

 

10

0

 

100,0

0

 

10

0

 

100,0

0

Fortalecimento da relação pai-filho durante o aleitamento

Sim

Não

 

10

0

 

100,0

0

 

10

0

 

100,0

0

Fortalecimento da relação mãe-filho durante o aleitamento

Sim

Não

 

10

0

 

100,0

0

 

10

0

 

100,0

0

Frequência da presença do pai durante a amamentação

Poucas vezes

Muitas vezes

 

2

8

 

20,0

80,0

 

3

7

 

30,0

70,0

Alimentação materna interfere no leite

Sim

Não

 

10

0

 

100,0

0

 

10

0

 

100,0

0

Simpatia aumenta a quantidade e qualidade do leite materno

Sim

Não

Às vezes

 

0

9

1

 

0

90,0

10,0

 

1

9

0

 

10,0

90,0

0

Trabalho do pai impede-o de acompanhar as mamadas

Sim

Não

Às vezes

 

5

2

3

 

50,0

20,0

30,0

 

5

4

1

 

50,0

40,0

10,0

A tabela 4 apresenta as crenças paternas e maternas sobre a quantidade da produção de leite materno e a indicação dos mesmos no uso de mamadeira e chupeta  para os filhos. Metade dos pais (50%) e a maioria das mães (70%) acreditam que a produção de leite materno é grande. 90% (n=9) dos pais e 30% (n=3) das mães não aconselham o uso de chupeta para seus filhos(as). A minoria dos pais (20%) e das mães (10%) aconselham, às vezes, o uso de mamadeira. A maioria dos pais (60%) e a metade das mães (50%) acham que se a mulher engravidar enquanto está amamentando, a nova gravidez não altera a condição do leite materno.

Tabela  4 – Crenças parentais sobre a quantidade do leite materno produzido e a utilização do uso de mamadeira e chupeta.

 

Opinião paterna

(n=10)

%

Opinião materna

(n=10)

%

Quantidade de leite materno produzido

Pouco

Médio

Muito

 

2

3

5

 

20,0

30,0

50,0

 

2

1

7

 

20,0

10,0

70,0

Aconselhamento do uso da chupeta

Sim

Não

Às vezes

 

0

9

1

 

0

90,0

10,0

 

5

3

2

 

50,0

30,0

20,0

Aconselhamento do uso da mamadeira

Sim

Não

Às vezes

 

4

4

2

 

40,0

40,0

20,0

 

6

3

1

 

60,0

30,0

10,0

Engravidar enquanto amamenta altera a condição do leite materno

Sim

Não

Não sei

 

2

6

2

 

20,0

60,0

20,0

 

2

5

3

 

20,0

50,0

30,0

Em relação às respostas das questões abertas dos questionários, os conteúdos foram agrupados, o que possibilitou a formação de três categorias: a) Momentos em que os pais passam mais tempo com os filhos; b) Cuidando diferente ou igual à forma que meu pai cuidou de mim; c) Ser pai é...

Momentos em que os pais passam mais tempo com os filhos

Todos os pais e mães entrevistados percebem que as figuras paternas dedicam um período do dia para cuidar de seus filhos e ajudar as parceiras.

Cuidando diferente ou igual à forma que meu pai cuidou de mim

Sete pais e mães entrevistados apontam diferenças nos cuidados do parceiro prestados aos filhos em relação aos cuidados recebidos por seus próprios pais.

Três pais e mães entrevistados, neste estudo, mencionaram fazer igual do que seus pais fizeram, no âmbito afetivo.

Além disso, dois pais atuais e suas respectivas parceiras relataram que seus pais exerciam o papel de provedor da família ou que cabia às suas mães o papel de cuidar dos filhos.

Ser pai é...

Dos dez pais entrevistados, um deles, observou mudanças no ponto de vista com a paternidade. Já para um dos pais entrevistados, a paternidade trouxe responsabilidade e para três pais entrevistados, a paternidade é uma experiência diferenciada.

4. Discussão

Estudar a nuance do aleitamento materno na visão dos pais possibilitou verificar as mudanças no exercício de ser  pai, que visam contribuir para a continuidade da amamentação e para construir um novo modelo de paternidade, onde os homens estão mais participativos no âmbito familiar, com interesses voltados desde a gestação, parto e pós-parto, bem como dividir com as parceiras a responsabilidade com a educação dos filhos (CIA; WILLIANS; AIELLO, 2005).

Ao discutir um tema abrangente como o envolvimento do pai no aleitamento materno do filho, verificou-se que alguns aspectos foram abordados, desde as divergências entre as crenças dos casais no discurso referente à amamentação. Sendo que, a concordância entre os casais ocorreram somente nas questões onde todos acreditam que o leite materno é relevante para a saúde de seus filhos e que a relação dos mesmos com o bebê é fortalecida quando se acompanha ou se oferece a amamentação.

Em relação à presença paterna na amamentação dos filhos, poucos pais disseram que acompanham poucas vezes os momentos de aleitamento materno dos filhos e um terço das mães acreditam que o parceiro acompanha poucas vezes a amamentação dos filhos. Dado semelhante foi encontrado nos estudos de Piazzalunga e Lamounier (2011), uma vez que é crescente os interesses dos pais em participar mais do momento do aleitamento materno e tal presença impacta positivamente na duração da prática do aleitar.

No que concerne à indicação dos pais e mães para os filhos utilizarem as chupetas e as mamadeiras, muitos pais não aconselham o uso de chupetas e mamadeiras, mas a maioria das mães indica o uso de chupetas e mamadeiras a seus filhos. Em outras pesquisas, referentes ao uso de chupeta e mamadeira, concomitantemente ao período de aleitamento materno exclusivo, foram constatadas um encurtamento do período do aleitamento materno entre as crianças que faziam uso destes objetos (VIEIRA, et al., 2004; MINAGAWA, et al., 2005).

A metade dos pais e das mães relataram que os trabalhos dos parceiros os impediam de acompanhar a amamentação dos filhos. Este dado foi divergente da literatura pesquisada, onde a maior parte dos pais mencionou que as horas que os mesmos passam trabalhando é um fator que impossibilita o acompanhamento no processo do aleitamento materno (PIAZZALUNGA; LAMOUNIER, 2011).  Neste sentido, para Lewis e Dessen (1999) o envolvimento no pai nos cuidados dos filhos está estritamente ligado às horas de trabalho dos pais. Embora, no presente estudo não houve menção dos pais e mães na necessidade de se reduzir as jornadas de trabalho.

Não foi encontrado na literatura pesquisada, o conhecimento que os pais tinham sobre o leite materno em relação ao leite em pó. Mas, no estudo atual, os pais apresentaram maiores conhecimentos sobre o leite materno se comparado ao leite em pó, do que as mães. Além disso, a maioria dos pais aconselhou o aleitamento materno dos filhos acima dos 12 meses, ao passo que a minoria das mães achara ideal amamentar os filhos por mais de 12 meses. Desta forma, pode-se dizer que os homens possuíram maiores conhecimentos  sobre a duração da prática da amamentação materna em relação às mulheres. Tais dados sugerem que embora não estejam embasados cientificamente, os homens compreendem a importância do aleitamento materno. Portanto, seria necessário que as informações sobre aleitamento materno fossem dadas, não somente às mães, mas ao casal desde o pré-natal.

Embora, no atual estudo as mães tenham realizado o pré-natal e tenha recebido informações sobre a prática do aleitamento materno, tanto nas consultas do pré-natal quanto na maternidade, algumas mães apresentaram dificuldades para amamentar seus filhos após a alta hospitalar. Sendo assim, faz se necessário pensar em alternativas para reduzir esta dificuldade e garantir a continuidade da prática do aleitamento materno exclusivo.

Ao discutir a paternidade, com os participantes, as questões referentes aos cuidados prestados por seus próprios pais apareceram de forma bastante significativa. Sendo assim, os comentários sobre o exercício da paternidade, tiveram relação com seus próprios pais, uma vez que os pais atuais ressignificam estes cuidados e a maioria deles buscam criar os seus filhos de um jeito diferente, isto é, sem reproduzir padrões comportamentais do passado.

Cabe destacar a importância deste estudo em averiguar as visões dos próprios pais a respeito da forma como eles exercem a paternidade. Visto que muitas pesquisas sobre o aleitamento materno, ainda, são realizadas apenas com as mães (PIAZZALUNGA; LAMOUNIER, 2009).

De qualquer modo, a intenção deste estudo não é generalizar os resultados para outros casais. Ao contrário, o objetivo foi descrever a experiência de alguns casais, contribuindo para uma construção teórica que poderá servir de base para novas pesquisas.

5. Conclusão

Por meio da presente pesquisa foi possível conhecer, na atualidade, as crenças que pais e mães possuem sobre a amamentação. Considera-se que estas e outras questões foram trabalhadas de forma descritiva, e que, por meio das utilizações da entrevista e dos questionários, os casais puderam revelar o conhecimento que ambos tinham sobre o aleitamento materno.

Desta forma, é fundamental que se realize o trabalho psicológico, juntamente às consultas de pré-natal, para encorajar os pais a participarem do aleitamento materno dos filhos, visto que, os pais dispõem de alta influência para que as parceiras dêem segmento ao aleitamento materno e quando os mesmo não possuem conhecimento sobre o aleitamento, este fato impacta negativamente na continuação desta prática. Portanto, é essencial que se dê atenção ao papel do pai desde a gestação, sendo esse também uma figura importante na relação. Ademais, as informações sobre aleitamento materno devem ser transmitidas, não somente às mulheres, mas ao casal grávido, e tal medida poderá contribuir para a estimulação do aleitamento materno e nos benefícios à saúde das crianças.

Essa pesquisa contemplou apenas dez casais que realizaram o parto em um único hospital público de uma cidade do interior paulista. Como este estudo limitou-se a uma pequena amostra, abre-se a possibilidade de novos estudos, com a população mais ampla, abrangendo outras regiões e ampliando a amostragem para as diversas classes sociais. Podendo esse trabalho ser desenvolvido em parceira às instituições públicas e privadas de saúde, secretarias de saúde, organizações não governamentais ou outras instituições de interesses sociais.

A confirmação dos resultados possibilita o estudo das práticas adotadas para a educação dos pais e sugerem a criação de um modelo de atuação aplicáveis às demais instituições públicas e privadas de saúde.

Referências:

ALVES, C. et al. Fatores de risco para o desmame entre usuárias de uma unidade básica de saúde de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, entre 1980 e 2004. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. 6, p. 1355-1367, jun. 2008. Disponivel em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v24n6/16.pdf. Acesso em: 25/06/2013.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Estrategia mundial para La alimentacion del lactante y del niño pequeño. Genebra, 2003. Disponível em: http://www.who.int/nutrition/publications/gs_infant_feeding_text_spa.pdf. Acesso em: 05/07/2013.

PIAZZALUNGA, C. R. C.; LAMOUNIER, J. A. A paternidade e sua influência no aleitamento materno. Pediatria. São Paulo, v. 31, n.1, p. 49-57. 2009. Disponível em: http://www.pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/1290.pdf. Acesso em: 25/06/2013.

PIAZZALUNGA, C. R. C.; LAMOUNIER, J. A. O contexto atual do pai na amamentação: uma abordagem qualitativa. Revista Medicina, Minas Gerais, v.  21, n. 2, p. 133-141, 2011. Disponível em: http://rmmg.medicina.ufmg.br/index.php/rmmg/article/viewFile/361/346. Acesso em: 22/02/2013.

PICCININI, A. C. et al. O envolvimento paterno durante a gestação. Psicologia: Reflexão Crítica, v. 17, n.3. Porto Alegre, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/prc/v17n3/a03v17n3.pdf. Acesso em: 25/06/2013.

SERAFIM, D. Estudo das opiniões do pai sobre o aleitamento materno e sua participação neste processo. Revista Brasileira: Crescimento e Desenvolvimento Humano. São Paulo, v. 9, n. 1, p. 9-19, 1999. Disponível em: http://www.journals.usp.br/jhgd/article/view/38589/41432. Acesso em: 22/02/2013.

VIEIRA, G. O. Hábitos alimentares de crianças menores de 1 ano amamentadas e não amamentadas. Jornal de Pediatria,Rio de Janeiro, v. 80, n. 5, p. 411-416, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n5/v80n5a13.pdf. Acesso em. 25/06/2013.