Vícios: os Adolescentes Frente as Drogas Lícitas e Ilícitas

Resumo: Um dos graves problemas da saúde pública é o uso de drogas, tanto lícitas quanto ilícitas, esse é mais um fenômeno bastante antigo dentro do contexto histórico da humanidade, o seu alvo atinge toda a sociedade, porem nos últimos anos passou a crescer de maneira significante o contato dos adolescentes com as substancia tóxicas, a partir daí o estudo e aprofundamento da psicologia cresceu abordando referências sobre o tema e interpretando os casos que levam o menor a praticar o uso de drogas, colaborando assim para a prevenção de tal fator.

Palavras-chave: Vício, Droga, Psicologia, Adolescentes, Prevenção.

1. Introdução

Atualmente o número de adolescentes que pratica algum tipo de introjeção com substâncias tóxicas vem aumentando gradativamente, com isso serão citados vários pesquisadores da área para expor os motivos e as causas que levam o adolescente ao ponto de se drogar. No entanto, fica de fundamental importância dentro desse assunto o trabalho e o olhar da psicologia, por esse motivo abordaremos os conceitos de Skinner e Millenson para interpretar um de forma clara e verídica.

Drogas ou substâncias psicoativas “são aquelas que modificam o estado de consciência do usuário. Os efeitos podem ir desde uma estimulação suave causada por uma xícara de café ou chá até os efeitos produzidos por alucinógenos tais como o LSD.” (SEIBEL e TOSCANO JR., 2001, p.1).

Portanto, a dependência química é algo atual para se discutir, uma vez que somente a partir da segunda metade do século passado o conceito de dependência deixou de ser enfocado como um desvio de caráter, ou apenas como um conjunto de sintomas, para ganhar contornos de transtorno mental com características específicas (RIBEIRO, 2004).

O álcool, a maconha e o tabaco, são as três drogas mais populares entre os adolescentes, às vezes, são chamadas de drogas de porta de entrada, pois seu uso costuma levar ao uso de substâncias mais aditivas, como a cocaína ou a heroína (GERSTEIN e GREEN, 1993)

Tais substâncias causam dependência segundo (O.M.S) a Organização Mundial da Saúde. Citada por Mazzola (1989), define dependência como “um estado físico e psíquico, resultante da interação entre o organismo vivo e o produto, caracterizado por modificações de comportamento e ações desencadeadas pela necessidade de tomar a droga de forma continuada, para neutralizar os efeitos psíquicos e evitar os sintomas de privação. A tolerância pode estar ou não presente”.

Entre os fatores que desencadeiam o uso de drogas pelos adolescentes, os mais importantes são as emoções e os sentimentos associados a intenso sofrimento psíquico, como depressão, culpa, ansiedade exagerada e baixa autoestima, o uso de drogas na adolescência, segue pela pressão do adolescente estar sempre inserido em grupos de amizades, que entre curiosidades e experimentações, fazem o uso precoce e indevido de drogas neste período, em que o adolescente se identifica com os amigos e desafia a família, para conquistar maior liberdade (MARQUES, 2000).

Nesse caso, podemos citar o pensamento do famoso psicólogo Skinner com relação às influências externas que desencadeiam ao jovem a maior probabilidade para o uso dessas substancias.

Para Skinner (1953) o comportamento das pessoas pode ser influenciado e controlado através do reforço (recompensa) dos comportamentos desejados e ignorando as ações não desejadas (o castigo do comportamento não desejado deve ser evitado na medida em que tal contribuiria para o desenvolvimento de sentimentos de constrangimento ou mesmo de revolta). Ou seja, as influências pelo uso de drogas partem na maioria das vezes dos próprios grupos onde o adolescente está inserido, em outras palavras as influencias se inicia a partir do meio externo.

Os adolescentes fumam por pressão dos iguais, por curiosidade, por imitação, como manifestação de independência, rebelião, ou com a intenção de fazer uma "figura importante". A nicotina do fumo provoca dependência. O que se observa é que reduz a ansiedade e a resposta ao estresse, tem uma ação antidepressiva e ameniza o "aborrecimento". É uma das substâncias mais aditivas. Os efeitos farmacológicos incluem um estado de alerta, relaxamento muscular, melhora da atenção e diminuição do apetite. Inicialmente pode produzir náuseas e vômitos até que se desenvolva a tolerância, (MARQUES, 2000).

Nada mais que ocasiões de reforçamento negativo, pois tal fator se implica quando o adolescente ingere a droga, passando assim a se sentir menos frustrado e aborrecido, efeitos que por sua vez partem após o uso da droga.

O meio externo é um dos pilares que influenciam o jovem a praticar o uso de toxinas, adolescentes que praticam o uso tem mais “status” dentre o seu grupo de amigos, para Marques (2000), os adolescentes consomem álcool porque "todo mundo bebe", "eu gosto, é divertido", "ajuda-me a relaxar", "tira-me a timidez", "estou mal, serve-me para escapar do sofrimento", "por que não, além do mais nem bebo tanto". O álcool contido em variáveis quantidades em bebidas, tais como a cerveja, o vinho, e vodkas, é a droga de maior uso, promovendo as mais graves consequências para a saúde pública. O adolescente que bebe ocasionalmente e tenta equiparar-se aos amigos bebedores, pode chegar a uma overdose letal de forma inesperada. Devido ao consumo de álcool, criam problemas em três das seguintes áreas: família, autoridades da escola, polícia (infrações às leis). A síndrome da abstinência: tende a manifestar-se como um estado de ansiedade e depressão.

Para Maciel (2004), A síndrome de abstinência alcoólica é um quadro agudo, caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas autolimitados, com gravidade variada, secundário à interrupção total ou parcial do consumo de álcool, podendo ser associado a inúmeros problemas clínicos e/ou outros transtornos psiquiátricos. 

O estudo de Galduróz, Noto e Carlini (1997) reúne os resultados obtidos nos quatro levantamentos sobre o consumo de drogas psicoativas por alunos do ensino médio e fundamental em dez capitais brasileiras, realizados pelo CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas).

Segundo esse estudo, o álcool é a droga mais amplamente utilizada pelos estudantes, muito à frente do segundo colocado, o tabaco. O uso de álcool tem início bastante precoce na vida desses jovens – cerca de 50% dos alunos entre 10 e 12 anos já fizeram uso dessa droga. O uso frequente vem aumentando na maioria das capitais estudadas. Quase 30% dos estudantes já utilizaram bebidas alcoólicas até embriagar-se.

No entanto, Para Newcomb (1995), nessa etapa o jovem não aceita orientações, pois está testando a possibilidade de ser adulto, de ter poder e controle sobre si mesmo. É um momento de diferenciação em que afastam-se da família e aderem ao seu grupo de iguais.

Neste sentido, Skinner (1971/1973), ao discutir o papel do ambiente sobre o comportamento humano, aponta duas importantes implicações daí advindas, e abre precedentes para essa argumentação. A primeira diz respeito à possibilidade de o comportamento operante ser estudado por meio da "disposição de ambientes dos quais dependam consequências específicas". A segunda, relaciona-se com o fato de o ambiente poder ser manipulado e, dessa forma, levar a "efeitos rápidos e dramáticos" (SKINNER, 1971/1973, p. 18-19) sobre o comportamento.

Com isso as atitudes do adolescente passam a sofrer alterações ficando cada vez mais complexo, segundo Millenson (1975), reforçamento pode causar o aparecimento de uma cadeia comportamental e o declínio de outro comportamento na situação. Ao contrário, o não-reforçamento (extinção) do comportamento pode levar à ausência ou baixa probabilidade de algum comportamento se repetir.

Para Newcomb (1995), os fatores de risco para o uso de drogas incluem aspectos culturais, interpessoais, psicológicos e biológicos. São eles: a disponibilidade das substâncias, as leis, as normas sociais, as privações econômicas extremas; o uso de drogas ou atitudes positivas frente às drogas pela família, conflitos familiares graves; comportamento problemático (agressivo, alienado, rebelde), baixo aproveitamento escolar, alienação, atitude favorável em relação ao uso, início precoce do uso; susceptibilidade herdada ao uso e vulnerabilidade ao efeito de drogas.

Em linhas gerais, a dependência de drogas é mundialmente, classificada entre os transtornos psiquiátricos, sendo considerada como uma doença crônica que acompanha o indivíduo por toda a sua vida; porém, a mesma pode ser tratada e controlada, reduzindo-se os sintomas, alternando-se, muitas vezes, períodos de controle dos mesmos e de retorno da sintomatologia (AGUILAR e PILLON, 2005; LEITE, 2000).

Silveira Filho (1995) acrescenta ainda, que para esses indivíduos a droga passou a exercer um papel central nas suas vidas, na medida em que, por meio do prazer, ela preenche lacunas importantes, tornando-se indispensável para o funcionamento psíquico dos mesmos.

2. Tratamento

O jovem dificilmente procura ajuda por conta própria, pois na sua percepção está tudo certo, e usar drogas é uma questão de hábito, podendo parar a qualquer momento. Cabe a família, dar mais atenção para este adolescente que por algum motivo entrou no mundo das drogas e encaminhá-lo para uma avaliação ou tratamento médico.

Para Marques (2000), a escolha de tratamento depende de fatores extrínsecos, isto é, da disponibilidade do tratamento mais adequado para o jovem (próximo ao local de sua residência e compatível com sua condição socioeconômica e com seu sistema familiar), como também de fatores intrínsecos, como a motivação do jovem e a gravidade de seu diagnóstico como um todo. O tratamento do adolescente deve levar em consideração também, o tipo da droga utilizada e a frequência do consumo, abarcando o desenvolvimento global do adolescente, a modificação do comportamento de uso de álcool ou drogas e a resolução dos problemas associados, além do reajusto familiar, social e ambiental.

O tratamento pode ser feito em regime de internação parcial (hospital-dia) e em regime de internação integral, utilizando-se a psicanálise, a terapia comportamental, a cognitivo-comportamental, a interacional e a sistêmica, entre outras.  Qualquer que seja o modelo teórico, o tratamento deve estar estruturado em três níveis: o desenvolvimento global do adolescente; a modificação do comportamento de uso de álcool ou drogas e a resolução dos problemas associados, além do reajuste familiar, social e ambiental (MARQUES, 2000).

Os fatores de proteção ao uso abusivo de drogas parecem estar correlacionados a habilidades de competência social, mediadas pelo bem-estar psicológico, segundo Tozzi; Bouer (1998) é de fundamental importância o envolvimento da família e dos grupos de amigos, por serem eles os principais meios sociais nos quais convivem os jovens, em uma ampla perspectiva de qualidade de vida, que privilegie ações de bem-estar físico, psicológico e social dos adolescentes regressando assim o desejo de “Reforços Negativos” no caso, o as drogas lícitas e ilícitas.

Para Marques (2000) O jovem pode ser internado num período integral, sendo utilizada abordagens tais como a psicanálise, a terapia comportamental, e a cognitivo- comportamental, no intuito de desenvolver modos mais satisfatórios de relação consigo mesmo e com os outros, estimulando a autonomia do indivíduo de lidar com situações do cotidiano, para que este enfrente seus problemas e supere-os, não precisando mais da utilização de drogas, para se sentir melhor, pois este efeito é momentâneo mas as consequências não. Qualquer que seja o modelo teórico, o tratamento deve estar estruturado em três níveis: o desenvolvimento global do adolescente; a modificação do comportamento de uso de álcool ou drogas e a resolução dos problemas associados, além do reajuste familiar, social e ambiental.

3. Considerações Finais

A identificação para a melhor forma de tratamento é um assunto bastante complexo, com isso a pesquisa e o trabalho da psicologia com os menores é fundamental, pois só assim pode-se chegar ao ápice do problema. É verídico que os motivos que levam o adolescente ao experimentar ou “usar” as drogas lícitas e ilícitas, podem ser tanto fatores externos quanto internos, no entanto, a família é a principal responsável pela atenção com seus adolescentes e jovens, o olhar e o cuidado da família sobre esses menores devem ser constantes, também é claro que a intervenção do psicólogo não pode deixar de existir.

Sobre o Artigo:

Este trabalho foi desenvolvido pelos alunos do primeiro ano de Psicologia do Instituto Filadélfia de Londrina no segundo semestre do curso contendo abordagens relacionadas ao s vício de drogas na adolescência dentro do olhar psicológico. Sob orientação da Prof.ª Patrícia M. Castelo Branco.

Referências:

MARQUES, Ana Cecília Petta Roselli and CRUZ, Marcelo S. O adolescente e o uso de drogas. Rev. Bras. Psiquiatr. 2000.

MASUR, J. & CARLINI, E.A. Drogas - Subsídios Para uma Discussão. São Paulo: Brasiliense,1989.

SEIBEL, S.D. & TOSCANO,Jr. A. Conceitos Básicos e Classificação Geral das Substâncias Psicoativas. In Seibel, S.D. & Toscano Jr.A (eds.), Dependência de Drogas. São Paulo: Atheneu,2001.

GALDURÓZ, J.C., NOTO, A.R, CARLINI, E.A. IV Levantamento Sobre o Uso de Drogas Entre Estudantes de 1º e 2º Graus em 10 Capitais Brasileiras. São Paulo: CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Departamento de Psicobiologia da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo,1997.

AGUILAR, L. R., & Pillon, S. C. (2005). Percepción de tentaciones de uso de drogas en personas que reciben tratamiento. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 13, 790-797.

NEWCOMB MD, Bentler PM. Substance use and abuse among children and teenagers. Am Psychol 1989.

SILVEIRA FILHO, D. Drogas: uma compreensão psicodinâmica das farmacodependências. São Paulo: Casa do Psicólogo. 1995.

TOZZI, D.; BOUER, J. Prevenção também se ensina? In: AQUINO, J. G. (Org.). Drogas na Escola - Alternativas Teóricas e Práticas. São Paulo: Summus editorial, 1998.

SKINNER, B. F. (1973). Uma tecnologia do comportamento (L. Goulart & M. L. F. Goulart Trads.). Em B. F. Skinner (Org.), O mito da liberdade (pp. 25-37) (2ª ed.). Rio de Janeiro: Bloch. (Original publicado em 1971)