Como Ocorre o Processo de Desenvolvimento do Conhecimento Sexual entre Jovens De 12 à 16 Anos, Pertencentes ao Sexo Feminino, Moradoras da Cidade de Barra Mansa

Resumo: O presente trabalho tem o objetivo de pesquisar como ocorre o processo de desenvolvimento do conhecimento sexual entre jovens de 12 a 16 anos, pertencentes ao sexo feminino, moradoras da cidade de Barra Mansa. Visa como seus objetivos; caracterizar como ocorre o processo de desenvolvimento do conhecimento sexual entre adolescentes de 12 a 16 anos pertencentes ao sexo feminino. Identificar qual é o grau de conhecimento que as adolescentes possuem sexo. Descrever como foram adquiridos esses conhecimentos pelas adolescentes. Discutir a inserção de novas abordagens educacionais relacionadas ao assunto com o objetivo de levar às informações as adolescentes através de uma linguagem mais familiar, próxima ao seu cotidiano.  O conceito da sexualidade entre os adolescentes atualmente é um fator que vem chamando muito a atenção de nossa sociedade de forma geral. Pois o número de adolescentes grávidas vem aumentando significativamente a cada ano. Devido a este fator foi desenvolvido este projeto com o objetivo de traçar como ocorre o processo de desenvolvimento do conhecimento sexual entre jovens, tanto em relação a seu âmbito familiar, social quanto em relação a sua própria experiência de vida. 

Palavras-Chave: sexual, sexualidade, desenvolvimento.

1. Introdução 

Adolescência é um período de buscas descobertas na qual começamos a traçar as concepções do que seremos na nossa fase adulta em relação a nossa personalidade. Durante esta fase nos deparamos com uma nova visão  do que é o sexo, deixa-se de lado a ideias fantasiosas e ilusórias da infância, e passa-se a ter uma visão  realista do sexo, uma visão  que se encaixa a  nossa  sociedade atual. Para o adolescente é um momento de  emoções exacerbadas, em que é sempre “tudo ou nada”, sem que ocorra  o desenvolvimento do  conceito das responsabilidades sobre seus  atos; o que importa é o aqui e o agora, e é assim que ele trata suas emoções  em relação ao sexo. 

Desde cedo o indivíduo é “bombardeado” exposto ao sexo, em nossa sociedade atual, sendo a mídia uma das maiores responsáveis por este fato, porém, a mesma, na grande maioria das  vezes  não consegue transmitir de forma correta várias   informações  sobre o assunto. O fácil acesso a aquisição dessas  informações, através de amigos e da  internet faz com que a adolescente  busque esse conhecimento e  passe a utilizá-lo, o problema  e que os pais, que deveriam ser os responsáveis por passar essas informações, não o fazem, tornando-se  muitas vezes omissos diante deste fato, o que pode levar ao desenvolvimento de sérias complicações tanto para a vida dos adolescentes quanto para  a nossa  sociedade de modo geral. 

O processo de desenvolvimento das novas  concepções sobre o que é sexo  ocorrem em duas instâncias; a primeira é  através das relações interpessoais  como, por exemplo, em  conversas com os amigos, mas precisamente com o grupo social, no qual esta inserida, com o qual  possui mais familiaridade; a segunda instância influenciadora é a mídia, pois o adolescente pode utilizar o conceito de modelação durante seu processo de  desenvolvimento, a adolescente muitas vezes observa determinadas atitudes apresentadas nos personagens da TV e as copia como um processo de introjeção do telespectador com as histórias das personagens   passando a desenvolver  atitudes parecidas durante formação da sua identidade sexual. 

Ignorando a existência do sexo, os pais restringem a abordagem do assunto em conversas com os filhos, levando a partir deste fato o desenvolvimento de características da  repressão sexual; fazem pré-julgamentos a este respeito tendo apenas a sua visão como base para estabelecer o que é considerado como o correto para a sociedade  É preciso que os pais se conscientizem que mesmo devido a pouca idade das jovens, o conceito do que é o sexo já existe e as dúvidas devem ser  discutidas, explicadas de uma forma clara, pois somente através do dialogo franco sobre o assunto poderemos saber como ocorre o processo de desenvolvimento do conhecimento sexual entre jovens. 

Revisão Bibliografica

O sexo está presente na vida do ser humano desde o seu nascimento, pois ele se desenvolve junto conosco passando por várias fases e diversas transformações. O adolescente atualmente, muitas vezes tem uma visão deturpada sobre sua sexualidade, pois é ensinado pela sociedade em que está inserido, de que o sexo é tudo que está relacionado a ele é errado, vergonhoso e só deve ser praticado quando tiver responsabilidade suficiente sobre seus atos, sendo esta responsabilidade representada muitas vezes através da figura do casamento ou da aquisição da maior idade, ou seja, a entrada na fase adulta.

Mediante a tas práticas, podemos observar que o sexo é vivenciado pelo indivíduo desde a sua infância tornando-se mais importante a partir da adolescência, pois durante esse período as implicações morais sobre o assunto passam a ser bem mais assimiladas pelo jovem, passando a ter uma maior importância em sua vida.

A sexualidade, no ser humano possui um longo desenvolvimento e tem seu início desde o nascimento. Trata-se de uma organização que vai se estruturando a partir de fases, desde as pré-genitais até a genital propriamente dita, que é atingida com a maturidade. (...) No início da adolescência, na puberdade, por volta dos onze, doze anos, a sexualidade é auto-erótica, ou seja, o jovem está mais voltado para si mesmo, para o seu corpo. E o que prevalece aqui é a masturbação, que não vem acompanhada, necessariamente, de fantasias com um objeto sexual. É uma atividade importante porque proporciona um conhecimento do corpo e das sensações que provêm dele e é também um ensaio para a futura sexualidade heterossexual. Além disso, pode ser usada como descarga de impulsos agressivos e válvula de escape para situações de tensão, frustração e conflito, possibilitando, assim, uma compensação ao sofrimento. (SIGNORELLI, 2003, p.1)

Após essa nova fase de descoberta sobre o sexo, a jovem passa a buscar essas informações com seus amigos, por ser o grupo social com o qual ele mais se identifica durante esta fase, tendo os  mesmos, grande importância na formação das concepções sobre o que é o sexo, pois os amigos atuam como formadores de opinião durante esta fase. É possível observamos a partir desta fase a ocorrência da socialização para a aquisição dessas informações e situa se no vínculo existente entre as pessoas de nosso cotidiano.

A educação informal desenvolve-se através dos mecanismos espontâneos de socialização e repercute significativamente na conduta de crianças e adolescentes. Esse tipo de educação produz-se de forma contínua nos distintos níveis: família, grupos de amigos, comunidade, meios de comunicação e encontra-se na base da relação e do vínculo entre as pessoas no cotidiano. No geral, não é reconhecida a força desse mecanismo educativo que enfatiza, de forma explícita, o que se diz ou o que se informa às crianças e adolescentes. A experiência diária, nos distintos momentos e situações da vida, é importante geradora de modelos, através dos quais os adultos influem decisivamente no comportamento dos jovens. (COSTA, 2001, p.222,) 

Podemos a partir daí começar a pesquisar, a investigar como ocorre e quais são as concepções das jovens nos dias de hoje em relação ao sexo. Primeiramente é preciso definir o que seria o sexo para o jovem, como se formam seus conhecimentos a respeito deste assunto, pois na visão de um grande percentual de jovens atualmente de acordo com pesquisas desenvolvidas sobre o assunto, o sexo só é praticado quando a introdução do pênis na vagina. Outras formas de sexo como oral e a masturbação não são consideradas práticas sexuais pelos jovens, devido a este fato são os mais praticados pelos mesmos. 

Pode-se observar a partir desse fato o tão conflituoso que é o pensamento da  jovem quanto a este tema, pois os mesmos praticam as atividades sexuais, porém não sabem defini-las (o que é e o que não é o sexo), passando assim a apresentarem  características de se sentirem menos culpados em relação ao fato, seguindo o respectivo pensamento “não sei o que estou fazendo então não sou o responsável pelos meus atos”, ocorrendo assim à abstinência da culpa, sendo esta acarretada  devido às grandes pressões sociais que exercem influência significativa sobre ele. 

Gradativamente, a fase auto-erótica vai dando lugar a uma fase homossexual, antes de partir para uma sexualidade heterossexual. A relação de amizade com os amigos do mesmo sexo é uma forma de proteger-se do contato com o sexo oposto, que é muito desejado, mas muito temido também. É um momento em que vemos as amizades idealizadas, onde a escolha do amigo pode se basear naquela qualidade que o outro tem e que é muito admirada. (...) Com o avanço da adolescência, por volta dos quinze anos, o jovem vai começando a definir, lentamente, sua inclinação sexual. A busca das relações adquire novos aspectos. A masturbação ainda está presente, mas possuem características um pouco diferentes, pois já é acompanhada de fantasias com outras pessoas. (SIGNORELLI, 2003, p.2) 

Diferentes concepções; diferentes gêneros.

Há também as diferenças de percepção em relação ao sexo entre homens e mulheres. Os homens iniciam sua vida sexual mais cedo dos que as mulheres e conseqüentemente também passam a ter interesse em adquirir conhecimentos sobres sexo mais prematuramente. Em contrapartida a mulher deve ter o mínimo de relacionamentos possíveis, ter uma relação sentimental estável, duradoura e deve se casar virgem, preservando sua integridade física e moral. A mesma quando não obedece a essas concepções já pré  estabelecidas é vista de forma pré conceituosa, discriminatória perante a sociedade aonde convive levando-nos ao seguinte questionamento ocorre também esta diferenciação de representações sociais entre adolescentes do sexo feminino pertencentes a diferentes classes econômicas. 

A jovem adolescente amadurece em média dois anos antes do rapaz. Busca fortificar sua feminilidade, prorrogar os encontros sexuais e selecionar um parceiro adequado para poder ter sua primeira relação sexual, o que ocorre de forma gradativa. Vai experimentando seus limites progressivamente. Os rapazes buscam encontros sexuais com mais ansiedade, geralmente, persuadindo as garotas ao sexo com eles. Em nosso meio, há uma tendência do jovem em experimentar sensações sexuais com outros de sua idade, sem necessariamente buscar uma relação sexual propriamente dita. O termo que se usa atualmente é “ficar”. (PARISOTTO, 2010, p.1) 

A sociedade em que vivemos tem como uma de suas maiores representantes a mídia que atua valorizando excessivamente o sexo e ao mesmo tempo apresenta  se de forma  omissa diante de reflexões de como se forma a concepção do conhecimento sobre o sexo na visão da adolescente. Observamos na TV inúmeros programas que abordam o assunto de forma superficial ou muitas vezes implícita. A mídia tem um grande papel influenciador no desenvolvimento do conhecimento sexual do jovem e deveria desenvolver programas educativos voltados para esta área, porem é omissa diante desse fato, e a família que deveria abordar o assunto por sua vez também se omite, gerando um grande conflito que acaba desencadeando em reações não benéficas a todos. 

Em tempos da super informação, com a internet, a globalização, a pouca censura nos meios de comunicação de massa, há um apelo sexual freqüente e precoce, expondo os jovens a situações ainda não bem compreendidas por eles. Os adolescentes falam como adultos, querem se portar como tal e ter os privilégios da maturidade. No entanto, falta-lhes a experiência, a responsabilidade e o significado real de um envolvimento sexual. A gravidez de risco na adolescência, infelizmente, é um dos resultados desastrosos desta situação atual. A pouca informação qualificada e o precário respeito dos adultos perante as necessidades dos jovens são os verdadeiros responsáveis pelo falso e ilusório desenvolvimento do adolescente de hoje.  (PARISOTTO, 2010, p. 2).

Representações sociais e as diferentes classes econômicas 

Podem se constatar através de diversos estudos que diferentes classes econômicas, desenvolvem também diferentes concepções de como se forma o conhecimento sobre sexo entre adolescentes do sexo feminino tendo como fator determinante como ocorre a aquisição desses conhecimentos e a compreensão em relação aos mesmos, pontuando-se a família como um grande diferencial neste processo que exemplifica bem a teoria das representações sociais. 

O objetivo da Teoria das Representações Sociais é explicar os fenômenos do homem a partir de uma perspectiva coletiva, sem perder de vista a individualidade. Moscovici (SÁ, 2004, p. 30) se negou a fazer de forma contundente: “A demanda por exatidão de significado e por definição precisa de termos e pode ter um efeito pernicioso, como eu acredito ter tido freqüentemente nas ciências do comportamento”. Portanto, a Teoria das Representações Sociais, preconizada pelo psicólogo social europeu Serge Moscovici, está principalmente relacionada com o estudo das simbologias sociais a nível tanto de macro como de micro análise, ou seja, o estudo das trocas simbólicas infinitamente desenvolvidas em nossos ambientes sociais; de nossas relações interpessoais, e de como isto influencia na construção do conhecimento compartilhado, da cultura, o que nos leva a situar o autor supracitado entre os chamados interacionistas simbólicos tais como Peter Berger, George Mead e Erving Goffman. As representações sociais têm como uma de suas finalidades tornarem familiar algo não-familiar, isto é, uma alternativa de classificação, categorização e nomeação de novos acontecimentos e idéias, com as quais não tínhamos contato anteriormente, possibilitando, assim, a compreensão e manipulação destes à partir de ideias, valores e teorias já preexistentes e internalizadas por nós e amplamente aceitas pela sociedade.(AMARAL,2005,p.10 apud  MOSCOVICI, 2003) 

Na teoria das representações sociais uma família que estabelece um  dialogo sobre o assunto consegue oferecer mais segurança para o adolescente em relação ao desenvolvimento de sua vida afetiva. Podemos observar em grande numero um paralelo entre famílias pertencentes a classes econômicas de maior poder aquisitivo e famílias pertencentes a classes econômicas de menor poder aquisitivo  no qual as famílias de maior poder aquisitivo desenvolvem um melhor diálogo para com suas filhas tendo como um dos fatores para isso o maior conhecimento educacional. 

Em um estudo elaborado pela USP foi realizada uma comparação entre adolescentes pertencentes ao sexo feminino, estudantes  de escolas públicas e adolescentes pertencentes ao sexo feminino estudantes de escolas particulares de diferentes cidades, para observar como ocorre o diálogo com seus pais a respeito do assunto informações sobre sexo. 

A respeito de informações sobre sexo, constatou-se que as adolescentes que estudam em colégios particulares possuíam em grande maioria um diálogo aberto com os pais para o desenvolvimento de questionamentos sobre o assunto. Em contrapartida, as adolescentes que estudavam em escolas públicas não conseguiam estabelecer um diálogo com seus pais cujo tema seria informações sobre sexo, sendo este um  assunto quase banido na família. 

Um estudo realizado com adolescentes de escolas particulares e públicas de São Paulo, também constatou um comportamento diferenciado de jovens que relatavam um diálogo aberto com os pais, inclusive para discutir assuntos relacionados à sexualidade. Tais adolescentes revelaram-se mais seguros no estabelecimento de suas relações afetivas. A autora reforça a importância da família não se alienar da realidade vivida pelos adolescentes e de suas descobertas na área da sexualidade, na medida em que a atividade sexual vem fazendo parte do namoro e cabendo ao adolescente decidir quando e como iniciá-la (...). As adolescentes com mais idade evitam falar com a mãe sobre sua vida afetiva, temendo que as informações cheguem até o pai, parentes e vizinhos, tornando de domínio público questões que são particulares. Na visão dessas adolescentes, os pais não estão preparados e não sentem segurança para discutir com os filhos questões sobre sexualidade. Algumas destacaram a importância dos pais adquirirem mais conhecimento para que esta realidade de distanciamento e silêncio seja modificada. (AMARAL, 2005, p.5) 

Compreensões, pensamentos, visões sobre as adolescentes contemporâneas.

Com este projeto passamos a compreender como se formam os pensamentos, concepções que as jovens têm a respeito deste assunto, para que sejam  possíveis à aplicação de  novos programas educacionais voltados para a família e para as adolescentes tendo como objetivos a melhor abordagem  do assunto, levando a ocorrência de uma melhor aquisição e compreensão da  informação transmitida a ambos. Desenvolvendo-se um trabalho junto com as famílias será possível melhor orientá-las na forma como proceder diante a este assunto para que as mesmas possam construir uma relação de ensino e  compreensão durante este momento tão difícil e conturbado pelo qual a jovem esta passando em sua vida. São possíveis ações educativas dentro das unidades de saúde, desde que não reproduzam o discurso moral e inibidor contrário à educação libertadora. As ações podem ocorrer intra ou extramuros. Dentro do serviço, algumas experiências com grupos de apoio têm trazido grandes avanços para a inclusão da sexualidade integral como tema de saúde pública. O simples fato de estar em grupo conversando sobre. 

Sexualidade parece ter uma função de ruptura do isolamento social reservado ao tema sexo. Em todos os grupos que acompanhamos, sem exceção, a frase mais falada espontaneamente pelas mulheres é: ‘só de perceber que eu não sou a única assim já é um grande alívio’. A socialização das idéias, fantasias e dificuldades relativas à sexualidade parecem exercer uma influência intensa no sentido de perceber que a própria sexualidade não é ‘estragada’, ‘sem valor’ e nem ‘anormal’ perante as outras pessoas. (COSTA, 2001 p.223 apud  RIBEIRO, 1993).

Metodologia

Com a proposta de se analisar como se forma o processo de concepção sobre conhecimentos sexuais em adolescente, o presente projeto foi desenvolvido através da integração de diversos métodos investigativos, sendo os seguintes métodos utilizados; Pesquisa quantitativa realizada através de questionário semi-estruturado com a população de amostra de 50 Adolescentes pertencentes à faixa etária dos 12 aos 16 anos, do sexo feminino, residentes da cidade de Barra Mansa e pertencentes as classes econômicas A e pertencentes à classe econômica C ; sendo que as informações encontrados através deste questionário foram analisadas e representadas através de gráficos  sendo estes resultados encontrados e apurados através de análises estatísticas. A pesquisa foi aplicada durante o período de  18 de maio de 2012 a 23 de maio de 2012. Foi utilizada também revisão bibliográfica em livros, revistas, artigos e também através de busca em sites pela Internet.

Resultados e Disscussão

Através do presente trabalho, foi possível analisarmos como ocorre o processo de desenvolvimento do conhecimento sexual entre jovens de 12 á 16 anos, pertencentes ao sexo feminino, moradoras da cidade de Barra Mansa. A respectiva pesquisa foi aplicada em um grupo de 50 adolescentes, sendo este grupo dividido em 2 subgrupos com 25 integrantes cada. Os critérios para a divisam dos grupos foram a renda perca pita familiar das adolescentes e o tipo da instituição de ensino aonde estudam (particular ou pública). Os grupos foram classificados em grupo A, no qual a renda perca pita familiar gira em torno de 7 salários mínimos e  a maior parte da população estuda em escola particular, e em  grupo B no qual em média a renda perca pita familiar gira em torno de meio salário á dois salários mínimos. Através da pesquisa, foi possível observar que o grupo A tem maior liberdade para abordar assuntos sexuais com as amigas, cerca de 88%, em contrapartida apenas 36% das participantes da pesquisa pertencentes ao grupo B fazem o mesmo. Quando perguntadas sobre o início da vida sexual podemos observar uma enorme discrepância, na qual o grupo A 32% já iniciaram sua vida sexual e no grupo B apenas 12% fizeram o mesmo. Sendo possível observar através destes dados a grande diferença no comportamento sexual das adolescentes. Na pergunta idade de início do interesse sexual podemos observar um processo contraditório e de erotização precoce entre as adolescentes pertencentes ao grupo B, pois 20% desenvolveram interesse sexual, em média entre 7 e 10 anos de idade, em contrapartida 48% ainda não apresentam interesse em conhecimentos sobre sexo. Outro dado importante é como é realizada a abordagem de assuntos relacionados a sexo nas escolas. As alunas pertencentes ao grupo A estudam em grande maioria em escolas particulares e as mesmas apresentaram os maiores índices em relação a abordagem de educação sexual em sala de aula um total de 68%, enquanto apenas 16% das alunas pertencentes ao grupo B que estudam em escolas publicas responderam o mesmo. O que podemos analisar com isto é que a escola particular tenta desenvolver políticas de ensino que abordem o assunto de uma forma clara através de um diálogo franco com os alunos chamando para si uma responsabilidade de formadora de opinião, fato ao qual a escola publica tenta historicamente se exemir de qualquer responsabilidade.

72% das alunas pertences ao grupo A falam assuntos sobre sexo em casa, sendo em sua maioria a figura da mãe a procurada para realização da conversa. Porém apenas 36% das participantes do grupo B têm liberdade para estabelecer este tipo de conversa em casa, pois o assunto sexo ainda é visto como um tabu em suas famílias de acordo com alguns relatos. Podemos fazer uma ligação entre esta pergunta e a pergunta seguinte, na qual a grande maioria das adolescentes pertencentes ao grupo A relatam histórico familiar de gravidez na adolescência o que demonstra um motivo para o alto índice de porcentagem relacionado a conversas sobre sexo na família, com o objeto de prevenção e também desmistifica a figura de que as pessoas com menor poder aquisitivo tornam-se pais mais cedo, pois 56% das adolescentes pertencentes ao grupo B não possuem histórico de gravidez na adolescência em suas famílias. A seguir são apresentados 2 gráficos que representam o percentual positivo de respostas.

Gráfico 1: Grupo A
Gráfico 2: Grupo B

Conclusão

Foi possível constatar através da aplicação desta pesquisa quão conflitante é o processo de aquisição de conhecimentos sexuais entre as jovens. Atualmente é possível o acesso a uma quantidade enorme de informação, porém compreender e aplicar de forma correta essas informações é um passo ainda muito longe do esperado. As adolescentes são apresentadas ao início da vida sexual muitas vezes sem saberem definir o que são DST´S ou métodos contraceptivos, o que nos leva a seguinte reflexão: os jovens dessa faixa etária estudada têm conhecimento suficiente sobre assuntos sexuais e suas conseqüências? A grande maioria das entrevistadas respondeu que não, mesmo as adolescentes que têm acesso à educação sexual em sala de aula ou conversam sobre o assunto com os pais em casa. As dúvidas são muitas e o processo de formação desta área tão específica do desenvolvimento humano acontece de modo gradativo, muitas fases acabam sendo feitas de forma intima ou em muitos casos de forma solitária. O que acarreta o advento de diversos conflitos e dúvidas relacionados à quais decisões tomar em sua vida.

Sobre o Autor:

Bruna Moreira Santos - Acadêmica do quinto período do Curso de Psicologia do UBM – Centro Universitário de Barra Mansa

Referencias:

Amaral, Marta Araújo; Fonseca, Rosa Maria Godoy Serpa; Entre o desejo e o medo: as representações sociais das adolescentes acerca da iniciação sexual. Revista da Escola de Enfermagem da USP São Paulo, SP:; 05/07/2005. 

Coordenação Contini,Maria de Lourdes Jeffery ;organização Koller, Sílvia Helena. Adolescência e psicologia: concepções, práticas e reflexões críticas. Rio de Janeiro, RJ:Conselho Federal de Psicologia, 2002. 

Costa, Maria Conceição Oliveira; Lopes, Clevane Pessoa Aparecida; Souza, Ronald Pagnoncelli; Patel, Balmukund Niljay; Sexualidade na adolescência: desenvolvimento, vivência e propostas de intervenção. Jornal de Pediatria; Salvador, BA; 01 de fev. 2001. Vol. 77, Supl.2.p.217 a 224.  

Moscovici , S; Tradução  de Cabral, Álvaro . A representação social da psicanálise. Rio de Janeiro, RJ: Zahar, 1978. 

Parisotto, Luciana. SEXO NA ADOLESCÊNCIA. Sexologia - Adolescência e Sexo, Porto Alegre, v.1, 11/2001. Disponível em: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?11 Acessado em: 26  outubro 2011.

Ribeiro, M. Educação sexual: novas idéias e novas conquistas. Rio de Janeiro, RJ: Rosa dos Tempos, 1993.p.413. 

Signorelli, Élide Camargo. A escolha do par amoroso. Sentimentos, São João da Boa Vista, v.1. 04/2008. Disponível em: http://www.integral.br/2011/Artigos/75/2/Psicologia.aspx. Acessado em: 26 outubro 2011