Tv e Vídeo: Instrumentos no Trabalho da Sexualidade do Adolescente

Resumo: Este artigo versa sobre a importância de se trabalhar o tema sexualidade dentro da instituição escolar junto ao adolescente, no sentido de discutir sobre sua atual fase de desenvolvimento. A escola é o principal espaço organizado destinado à formação integral do ser humano. A ela cabe abordar a sexualidade de maneira eficaz e positiva, enfocando o respeito do adolescente pelo próprio corpo e o corpo dos outros, fornecendo informações e subsídios para que o jovem possa esclarecer suas dúvidas, planejar e viver uma vida sexual saudável. Os temas foram abordados e discutidos por meio da TV e do vídeo, mídias de fácil acesso que exercem especial fascínio sobre os jovens. As mensagens audiovisuais envolvem o receptor, sua linguagem responde a sua sensibilidade, informa e permite uma projeção em outros tempos e espaços. Os encontros puderam certificar a importância desta mídia na discussão de temas referentes a sexualidade do adolescente.
Palavras-Chave: Psicologia; Orientação sexual; Mídias na educação; Psicopedagogia.

1. Introdução

O trabalho tem como objetivo promover um espaço de discussão e reflexão entre os alunos da 7ª série do ensino fundamental da Escola Dr. Pompeu Sarmento, localizada em um bairro da periferia de Maceió, sobre a sexualidade do adolescente, utilizando a TV e o vídeo. A adolescência é uma época da vida em que as questões ligadas à sexualidade têm uma forte influência no cotidiano. Por isso, é imprescindível promover momentos em que se possa discutir e informar sobre esta temática. Momentos onde o adolescente possa se sentir acolhido e seguro para expor seus anseios e dificuldades.

O jovem traz consigo conhecimentos prévios sobre a sexualidade, no entanto, por ainda estar em processo de construção da sua personalidade, muitas vezes não sabe como conciliar estes conhecimentos com os seus próprios sentimentos. Além do mais, como qualquer indivíduo que convive em sociedade, sofre influências desta, incorporando não só o que ela tem de melhor, mas também seus preconceitos e tabus.

A família, por sua vez, bloqueia esta curiosidade e não fornece o ambiente de diálogo necessário para um crescimento menos conflituoso. Paralelamente a esta realidade, o jovem conta com uma gama de informação que lhe é “despejada” diariamente pelos meios de comunicação. O acesso à informação nunca esteve tão à mão como neste século. Assuntos que ainda são vistos com preconceito e muito mistério são tratados de forma muito natural e espontânea pelos meios de comunicação de massa.

Ocorre que o jovem, embora informado, não sabe como administrar ou incorporar estas informações no seu dia a dia, nas suas vivências. Nesta perspectiva, torna-se primordial a utilização das mídias, mas de forma orientada e planejada. Entre as inúmeras disponíveis hoje nas escolas, encontramos a TV e o vídeo, instrumentos de fácil acesso, cuja linguagem faz parte do universo destes jovens. O vídeo parte de experiências concretas, visíveis e imaginárias, capazes de tocar o sentido dos jovens. Se bem selecionado e direcionado de forma adequada o vídeo serve de auxilio na construção e elaboração do conhecimento.

A escola é o principal espaço organizado destinado à formação integral do ser humano. E ela pode abordar a sexualidade de maneira eficaz e positiva, enfocando o respeito do adolescente pelo próprio corpo e o corpo dos outros, fornecendo informações e subsídios para que o jovem possa planejar e viver uma vida sexual saudável.

O assunto foi abordado por meio de vídeos, dinâmicas de grupos e diálogos informais. Ao assistir os vídeos propostos com temas e depoimentos de jovens sobre esta fase do desenvolvimento, colocamos o jovem em nível de igualdade com seus pares, deixando-os mais à vontade para esclarecerem suas dúvidas e manifestarem suas dificuldades.

Quando falamos em sexualidade, geralmente as pessoas se remetem ao sexo pura e simplesmente. Mas sexualidade não é só sexo. A sexualidade se desenvolve ao longo da vida. Encontra-se marcada pela cultura, assim como pelos afetos e sentimentos, expressando-se com singularidade em cada sujeito. Falar de sexualidade é, ao mesmo tempo, falar do cultural e do individual –, crenças, valores e emoções. É uma forma de expressão, comunicação e afeto. A sexualidade se expressa a todo o momento, em cada gesto, atitude e comportamento. Essas experiências nos fazem amadurecer e nos enriquecem, preparando-nos para o encontro com o outro, para a intimidade e o vínculo afetivo.

A necessidade da realização deste trabalho no contexto escolar surgiu em função de comportamentos manifestados por jovens que, desinformados ou mal informados, demonstram um comportamento omisso, permissivo ou promíscuo em relação aos cuidados com seu corpo e com a sua sexualidade. Além disso, observa-se, na comunidade escolar, um alto índice de gravidez indesejada entre as alunas, e um comportamento preconceituoso acerca das escolhas não convencionais.

2. Aporte teórico

2.1 Adolescência

A adolescência era considerada, até pouco tempo, uma etapa da vida definida como fase de transição. Atualmente, é entendida como uma etapa do desenvolvimento humano e tem sido foco de estudo das mais diversas ciências na busca de maior compreensão de suas características. Podemos dizer que esta faixa etária é uma etapa evolutiva em que há um processo de maturação biopsicossocial, com transformações psicossociais acompanhadas de modificações biológicas. Osório (1992, p. 10), ao se referir à adolescência, considera ser ela: “o momento crucial do desenvolvimento do indivíduo, aquele que marca não só a aquisição da imagem corporal definitiva como também a estruturação final da personalidade”.

Knobel (1988) considera a adolescência uma das etapas evolutivas do ser humano, vinculada a fatores histórico-sócio-culturais. Refletir sobre sexualidade é ir além do meramente biológico. É buscar compreensões fundamentadas no afetivo, envolvendo emoções, sentimentos, valores, crenças, atitudes, conceitos que definem os princípios de cada ser humano, que sofrem a influência e a interferência da cultura e dos valores de uma determinada sociedade.

O adolescente não se considera mais criança, mas ainda não é adulto, com isso vive numa instabilidade entre estes dois extremos. Vive este duplo movimento, o abandono da infância e a tentativa de assumir os papéis de adulto. Isso constitui a própria essência da “crise”, do “progresso psíquico” atravessado pelo adolescente. Erikson (1987, p. 98) acredita que “durante toda a vida, o homem se move ao redor de oito idades que se caracterizam como etapas evolutivas do desenvolvimento humano”.

Elas apresentam características próprias, que podem ser positivas ou negativas, as quais incorporadas à personalidade do indivíduo determinarão de que forma este sujeito vai se desenvolver e viver. O indivíduo ao se autoconstruir recebe significativa influência da família, da sociedade, da escola, pois a pessoa vive estabelecendo relações e isso influencia a construção da sua identidade pessoal, sexual, a elaboração de seu projeto de vida e sua constituição como sujeito. O jovem aprende a lidar com o próprio corpo, a aceitá-lo e a fazer uso dele. Aprende a conhecer e a lidar com suas emoções, a exercitar o papel masculino e feminino a ser assumido na maturidade. Dúvidas, conflitos, certezas e incertezas estão presentes e fazem parte da adolescência.

Para tratar da questão da sexualidade humana é preciso tecer algumas considerações que nos auxiliarão na compreensão desta temática. Cabe, portanto, distinguir o que se entende por corpo, sexo, sexualidade e educação sexual. O primeiro aspecto, envolvendo a parte corporal, faz referência ao sexo e o segundo enfoque, psico-afetivo, fundamenta a questão da sexualidade. A sexualidade faz parte do indivíduo como uma unidade que se totaliza na integralização dos níveis: biológico, psicológico, social e espiritual.

Corpo – As mudanças que surgem nesta etapa do desenvolvimento se manifestam no corpo do adolescente e ele se vê confuso, inseguro, desafiado a se acostumar com estas transformações. Inicia uma fase em que precisa se acostumar e gostar desta nova identidade. Tudo o que o adolescente sente, expressa por meio de seu corpo.Rotemberg (1999, p. 88) afirma que o indivíduo:

Como consciência, expressa-se por meio do corpo. Quando começa a tomar consciência de si mesmo, passa a cuidar mais de si, por estar se gostando. Permite-se caminhar na direção da busca de maior prazer no contato.

O sujeito, ao tomar consciência de si mesmo, passa a sentir-se seguro e determinado, seu corpo adquire um significado especial. Neste momento há um crescimento emocional que lhe fortalece na busca desta identidade.

Sexualidade – A sexualidade é um conjunto de fenômenos da vida que envolve o ser como um todo e influencia fundamentalmente na maneira de viver, de buscar e definir sua identidade, por meio da qual se relaciona com os outros, encontrando satisfação e prazer.

Segundo Freud (1972, p. 54), a sexualidade, por ser algo do próprio organismo, deveria ser tratada pelos pais e educadores da mesma forma com que tratam outras questões corporais. Freud defendia a ideia que a mola motivadora básica do ser humano era a energia sexual. A sexualidade humana transpassa o ser humano na sua formação e expressão da personalidade e isso ocorre ao longo do seu desenvolvimento.
Ferreira (1984, p. 130), ao se referir à teoria psicanalítica de Freud, salienta:

O homem é visto como resultado de lutas e acordos entre motivos,  impulsos, necessidades e conflitos. E o objetivo da maturidade emocional do indivíduo é alcançar um relacionamento amoroso com o sexo oposto, usar os seus talentos pessoais e libertar-se dos conflitos e ansiedade.

E Guimarães (1995, p. 24) ao referir-se sobre a sexualidade, explica que este termo surgiu no século XIX, alargando o “conceito de sexo, pois incorpora a reflexão e o discurso sobre o sentido e a intencionalidade do sexo”.
A educação sexual para Ribeiro (1990, p. 02) visa

A educação sexual trata dos processos culturais contínuos desde o nascimento que, de uma forma ou de outra, direcionam os indivíduos para diferentes atitudes e comportamentos ligados à manifestação de sua sexualidade.

A educação é dada indiscriminadamente na família, na escola, no bairro, com os amigos, pela televisão, pelos jornais, pelas revistas. Cada época, cada sociedade, estabelece seus próprios padrões sexuais. Para este autor, estudar educação sexual é ter presente a questão do diálogo, o senso crítico que deve ser estimulado e aguçado para que o jovem possa trocar ideias sobre seus questionamentos e angústias sobre o sexo.

A educação sexual é algo abrangente, norteador de valores vitais, da autoconstrução do ser humano. Não pode se basear apenas em informações arbitrárias repassadas aos indivíduos. Educar, num sentido amplo e humanístico é fornecer condições para que a pessoa humana se desenvolva de forma a adquirir e a solidificar seus próprios valores.

A educação sexual inicia precocemente. Os pais começam a dar educação sexual aos filhos desde que a criança nasce e possivelmente antes mesmo de seu nascimento. Sendo assim, a família assume seu papel na educação sexual. Mais tarde, quando a criança entra na escola, ela passa a receber a influência do grupo de amigos e do novo ambiente.

Segundo Ribeiro (1990, p. 18) torna-se necessário abordar a educação sexual criticamente de forma que ela:

Reflita a sexualidade partindo de um enfoque sócio-cultural, passando pelo psicológico, até chegar aos aspectos fisiológicos, sempre levando em consideração a importância fundamental do diálogo, ampliando o senso crítico e a visão de mundo do jovem, permitindo discussões e debates.

Assim, a educação sexual deixa de ter a conotação meramente biológica ou unicamente moral e passa a centrar-se numa proposta dialógica, de troca e de construção pessoal.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 1997) apontam para a inclusão da Orientação Sexual como tema transversal nos currículos, anunciando mudanças significativas no avanço da questão “educaçãosexual”. Uma das justificativas apresentadas para a implementação do tema transversal “Orientação Sexual” nas escolas, foi “a preocupação dos educadores com os altos índices de gravidez indesejada entre adolescentes e o risco da contaminação pelo HIV (vírus da AIDS), entre os jovens”.

A sexualidade é um assunto que está presente o tempo todo no interior das escolas e dentro das salas de aula. A adolescência é uma fase para a qual a escola não pode fechar os olhos ou deixá-la apenas para os pais. Seu posicionamento é determinante, uma vez que  a educação sexual na escola ajuda a esclarecer as dúvidas e as perguntas que ainda estão sem respostas.

Para auxiliar na construção do desenvolvimento deste ser humano crítico e responsável, consciente de seus direitos e deveres, contamos também com o auxílio de várias mídias, entre elas a TV e os vídeos. Se selecionados e direcionados de forma adequada, serão de grande auxílio na elaboração desse conhecimento.

2.2 Sobre o uso da TV e do vídeo em sala de aula

Assim como a sociedade evoluiu por meio do avanço tecnológico, a prática pedagógica também pode ser revista e reelaborada. Não se concebe nos dias de hoje o aluno apenas como um receptor passivo de informações, um mero ouvinte. O acesso a ferramentas eletrônicas se torna cada fez mais fácil, e as tecnologias passaram a ser o grande atrativo de crianças, jovens e adultos.

Na busca por resgatar este mesmo interesse para dentro da sala de aula, é de fundamental importância que o educador traga estas mídias para dentro da escola, e passe a utilizá-la de forma a favorecer a aprendizagem. A TV e o vídeo, meios de fácil acesso e que exerce especial fascínio sobre os jovens, se bem utilizados, podem ser de extrema valia no processo de ensino aprendizagem. Para Moran (2010, online):

O vídeo parte do concreto, do visual, do imediato, que toca todos os sentidos. Mexe com o corpo, com a pele. Pelo vídeo sentimos e experienciamos sensorialmente o outro, o mundo, nós mesmos. O vídeo é sensorial, visual, linguagem falada, linguagem musical e escrita. O vídeo nos seduz, informa, entretém, projeta em outras realidades, em outros tempos e espaços.

Os temas são pouco aprofundados, explorando os ângulos emocionais, contraditórios, inesperados. As mensagens dos meios audiovisuais exigem pouco esforço e envolvimento do receptor. As linguagens da TV e do vídeo respondem às sensibilidades dos jovens e da grande maioria da população adulta.

Utilizado adequadamente o audiovisual contribuirá para o desenvolvimento da visão crítica e da capacidade argumentativa, enriquece a linguagem e é um bom estimulador da criatividade. Ao se trabalhar com o vídeo, é necessário pensar em desenvolver competências nos alunos para analisar e fazer uma leitura crítica e criativa dos programas assistidos, e partir do conhecimento das linguagens utilizadas. O vídeo deve ser assistido previamente pelo educador que, estrategicamente já fará suas considerações para possíveis intervenções.

Antes da exibição para os alunos, o professor poderá fazer um apanhado geral sobre o vídeo, e deixar claro sua duração, seus autores e sua intenção. Durante a exibição poderá ser feita algumas pausas, no sentido de chamar a atenção para aspectos importantes e que devem ser discutidos posteriormente, e pedir para que os alunos anotem. Após a exibição, deve-se abrir discussão para que cada um possa se colocar e expressar o seu entendimento. Quando necessário, é possível retornar as cenas importantes para que cada tópico possa ser bem explorado e clarificado.

3. Metodologia

Com o intuito de verificar qual a importância da TV e do vídeo, na escola, para discutir assuntos referentes à sexualidade do adolescente, foi montado um projeto de orientação sexual, o qual foi aplicado na 7ª série do Ensino Fundamental da Escola Pompeu Sarmento, da rede municipal de Maceió, no estado de Alagoas.

O trabalho foi desenvolvido no período de setembro a novembro de 2009, contemplando 6 encontros. A turma foi indicada por professores, que afirmam ter percebido entre os jovens certa curiosidade e falta de informação sobre a sua própria sexualidade. O projeto foi aplicado a metade dos alunos da turma. O grupo era formado por 18 jovens voluntários, sendo 13 do sexo feminino e 5 do masculino. A faixa etária variava dos 13 aos 15 anos. Do total, 6 tinham 13 anos, 9 com 14 anos e 3 com 15 anos.

O quadro a seguir permite a visibilidade da operacionalização do projeto, e apresenta as principais questões levantadas pelos jovens, as técnicas utilizadas nos encontros para facilitar as discussões e os resultados obtidos ao longo dos seis encontros.

Fig. 1 – Quadro demonstrativo de intervenção pedagógica

Encontro

Técnica/metodologia

Resultados

Primeiro

-Levantamento individual e por escrito da faixa etária e do assunto de interesse dentro do tema central- Sexualidade

-Idades de 13 a 15 anos
-Assuntos propostos: sexo e namoro/ 1ª vez/ namoro/ beijar engravida?/DST

Segundo

-Técnica de identificação- crachá de qualidade

-Relato do levantamento feito previamente (confirmação dos resultados)

 

-Conversa informal – contrato de trabalho e questões éticas do trabalho de grupo

-Dificuldade e inibição em falar de si próprio/ identificação de qualidades pessoais
-Confirmação dos assuntos sugeridos no primeiro encontro- risadas, inibição e timidez ao falar sobre a sexualidade
-Fica clara a necessidade de ficar à vontade para conversar sobre o assunto, sabendo que em trabalhos de grupo o sigilo profissional é garantido.
-Explícita dificuldade de dialogar com a família, por medo, vergonha ou falta de espaço. O conhecimento é adquirido por meio de conversas com amigos, MSN, internet ou TV.

Terceiro

- Conhecendo meu corpo

- Muita inibição e dificuldade em se organizarem para cumprir a tarefa. Desenhos vazios, sem informações. Falta de conhecimento da anatomia do corpo humano, tanto masculino como feminino. Preconceito.

Quarto

-Exibição do primeiro vídeo: Sexualidade não tem idade

- Sensibilização para que escrevam o que mais lhes chamou atenção no vídeo, o que lhe acrescentou.

 

 

 

- Finalização da confecção do cartaz sobre o corpo humano (iniciado no 4º encontro)

-Concentraram-se na TV, demonstrando grande interesse e curiosidade sobre os assuntos abordados (coincidiam com os levantados previamente).
- Dos assuntos relatados: menstruação/ovulação/gravidez/tipos de relações sexual/masturbação/ primeira vez e a idade certa/ puberdade, mudanças hormonais no menino e na menina
- Desenharam com mais desenvoltura, caprichando nos detalhes e dando nome aos órgãos internos e externos.

Quinto

- Segundo vídeo: Discutindo a sexualidade
-- Discussão informal sobre os assuntos abordados (aborto, gravidez indesejada, necessidade de prevenção, métodos contraceptivos, DST

 

 

- Proponho um trabalho em subgrupos para ser apresentado no próximo e último encontro

- Muita atenção e interesse. Demonstram compreensão do que é exposto
- Relatam casos de amigos que já realizaram aborto, falam sobre o preconceito e discriminação entre homens e mulheres quanto a forma de se comportar com seus pares, dão opiniões sobre os relacionamentos homossexuais

- Colocam algumas dificuldades quanto a realização da pesquisa e quanto a formação dos grupos. Chegam a um consenso e definem os temas por sorteio

Sexto

- Apresentação da pesquisa feita pelos grupos

 

- Breve depoimento de como foi falar sobre a sexualidade utilizando a TV e o vídeo

- Apenas dois grupos se fizeram presentes no encontro. Estes pesquisaram na internet e falaram sobre as DST e sobre o aparelho reprodutor masculino e feminino
- Os relatos revelam que o vídeo facilita a compreensão dos assuntos, pois a linguagem é clara e há ilustrações. Relatam ter apreendido muito.

A observação do quadro acima nos permite afirmar que houve evoluções ao  longo do processo. À medida que iam tendo acesso às informações podiam participar das discussões e reflexões munidos de conhecimentos científicos prévios. Sendo assim, o comportamento tímido e receoso foi dando espaço a questionamentos e colocações mais elaboradas e fundamentadas.

Surgiu maior segurança, mais autoconfiança. As dúvidas foram esclarecidas e a sensação de não ter com quem contar deixou de existir. Por meio dos vídeos, observaram que suas dúvidas também permeiam a vida de milhares de jovens e que suas dificuldades também são compartilhadas. No entanto, no último encontro houve uma evasão de 70% dos alunos envolvidos no processo. Dos 18 alunos que iniciaram os encontros, somente 6 se fizeram presentes, interferindo no planejamento de exposição das pesquisas feitas.

Os dois grupos presentes se apresentaram e justificaram a ausência dos demais em função da mudança de horário da escola. Tal colocação nos transporta a uma situação bastante comum na rede pública, no que se refere às inúmeras aulas vagas por falta de professores e, quem sabe, à dificuldade ainda maior que nos remete aos PPP das escolas. Pois, até o momento, não contemplam a proposta de educação sexual coerente com a realidade de nossos jovens adolescentes. A falta de horário pré-estabelecido para estes encontros, de local apropriado e de consciência sobre a real importância do tema para os jovens, por parte dos gestores, torna o fazer pedagógico uma difícil tarefa. Esta postura reflete nos jovens que, por sua vez, acabam não dedicando o real valor àquilo que para eles mesmos é importante.

4. Conclusão

O trabalho desenvolvido, embora de pouca amplitude, oportunizou a utilização de recursos referentes à mídia TV e vídeo, observando-se um aumento no interesse dos alunos e um excelente aproveitamento, plantando algumas sementes em sua formação social e emocional no que se refere à sexualidade. Neste sentido, podemos afirmar que é papel da escola promover um ambiente de informação e formação sobre a sexualidade humana, haja vista que, sendo este momento bem planejado e bem estruturado, os alunos se sentem acolhidos e se colocam de forma mais participativa no processo de ensino-aprendizagem.

O uso da TV e de vídeos educativos auxiliaram na discussão e reflexão de temas relacionados à adolescência, facilitaram o entendimento e deram subsídios para uma participação mais rica e coerente sobre os temas abordados. Neste sentido, podemos afirmar que os trabalhos e discussões em grupo, após a exibição dos vídeos, possibilitaram momentos de reflexão e crescimento no que se refere ao seu autoconhecimento, ao conhecimento do outro e à valorização do ser humano.

Referências:

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ERICKSON, E. H. Identidade, juventude e crise. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.
FERREIRA, Berta Weil. Adolescência. Teoria e prática. Porto Alegre: Sulina, 1984.
FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da psicanálise. Edição Standart, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Imago Editora, Rio de Janeiro, V. 7, 1972-1977.
KNOBEL, M. Desenvolvimento psicológico. Adolescência e Saúde. Comissão de Saúde do Adolescente. Secretaria do Estado de São Paulo e E. Paris. São Paulo. 1988.
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