A Compreensão do Ciúme Romântico Sob o Enfoque Analítico Comportamental

(Tempo de leitura: 12 - 23 minutos)

Resumo: O artigo em questão trata-se de um trabalho experimental, o mesmo foi realizado no ano de 2013, respaldado na pesquisa realizada no Buss Lab (1992). Fundamentado nos pressupostos da Análise do Comportamento, considerando as contingências filogenéticas, ontogenéticas e culturais. A saber, o ciúme é um evento privado, inacessível à observação pública direta, que sinaliza perdas de consequências reforçadoras para os indivíduos na relação. Contudo as expressões de sentimentos são produtos da comunidade verbal na qual interagimos. Ademais, o ciúme foi selecionado para garantir a sobrevivência, evitando a perda de reforços. O experimento de forma individual com 15 homens e 15 mulheres voluntários entre a faixa etária de 22 a 28 anos, sendo universitários de diferentes cursos. Inicialmente solicitamos que cada participante pensasse sobre uma estória na qual estivesse envolvido num relacionamento romântico sério que tivera no passado, ou que ainda gostaria de ter. Posteriormente o pesquisador foi guiando a estória com traições físicas e emocionais, enquanto outro pesquisador observava seus comportamentos verbais, pressão arterial e batimentos cardíacos, com o uso de um aparelho de monitoramento de pressão arterial digital, gerando gráficos a partir dos dados colhidos para análise posterior. Ao final foi perguntado, em que situação o indivíduo sentia-se mais afetado. Homens e mulheres regiram de forma diferente o que comprovou o experimento realizado anteriormente por Buss.

Palavras-chave: Contingências: Filogênese, Ontogênese e Cultura, Análise do Comportamento, Ciúme romântico.

1. Introdução

Dentre as várias concepções de ser humano e as diversas discussões acerca dos fenômenos psicológicos, uma das que mais ganha destaque pelo caráter científico de suas propostas é a Análise do Comportamento.  Respaldada na filosofia do behaviorismo radical, teve como principal proponente e norteador B. F. Skinner (1904-1990). Esta abordagem psicológica possui como foco o comportamento humano que é estudado a partir da interação entre organismo e ambiente. A atenção é assim dirigida para as condições ambientais em que determinado organismo se encontra, para a reação desse indivíduo a essas condições, para as consequências que essa reação lhe traz e para os efeitos que essas consequências produzem - processo denominado "tríplice contingência", unidade funcional dessa ciência. Nesse sentido o comportamento é entendido como uma relação interativa de transformação mútua entre o organismo e o ambiente que o cerca na qual os padrões de conduta são naturalmente selecionados em função de seu valor adaptativo.

Trata-se de uma aplicação do modelo evolucionista de Charles Darwin ao estudo do comportamento que reconhece três níveis de seleção que segundo Skinner (2003) irão atuar como conjunto de variáveis que determinarão o comportamento humano sendo eles: o nível filogenético, ontogenético e cultural. A saber, a filogênese modela padrões de comportamentos comuns à espécie, pois, boa parte dos comportamentos de seleção dos parceiros para a perpetuação genética é influenciada por este conjunto de variáveis. A ontogênese é um conjunto de variáveis que estão associadas à história de vida, dizendo respeito às aprendizagens que se processam ao longo da vida do organismo, que modelam os comportamentos. A cultura é o bloco de variáveis ligadas ao ambiente social, estes conjuntos de variáveis não funcionam de forma estanque e isolada, mas de modo que interagem e em conjunto determinam o comportamento. “A estrutura genética, a história de vida e os estímulos ambientais presentes, em uma gama de relações entre si, condicionam o comportamento do organismo” (GUIMARÃES, 2003, p.62).

Entendemos que uma parte importante dos comportamentos são privados e uma fração deles chamamos de sentimentos. As expressões de sentimentos são produtos da comunidade verbal na qual interagimos. Dessa forma, as respostas verbais apresentadas por sujeitos demonstram a função que a comunidade verbal exerce ao estabelecer processo de discriminação de determinados aspectos do ambiente, fazendo com que certos eventos privados tornem-se públicos.

Destarte nossos comportamentos podem ser privados e públicos, o ciúme, por exemplo, é um comportamento privado com muitos aspectos públicos. De acordo com Skinner os eventos privados possuem a mesma natureza dos eventos públicos, e no que tange seus estudos merece igual atenção devido a seu grau de importância que permeiam de forma igualitária. De modo que:

[...] Skinner considera que os eventos privados têm a mesma natureza que os eventos públicos, isto é, ambos são físicos; como afirma, há um mundo no interior do indivíduo, mas este é tão físico quanto o mundo exterior (MOROZ e RUBANO, 2005, p.121).

Ora se partirmos da premissa referendada por Moreira: “Em algum momento da evolução das espécies (DARWIN, 1859), ter determinadas respostas emocionais em função da apresentação de alguns estímulos mostrou ter valor de sobrevivência” (MOREIRA, 2007, p.26-27). Revendo Skinner: “Quase todos os seres vivos agem buscando livrar-se de contatos prejudiciais... Provavelmente, esse tipo de comportamento desenvolve-se devido ao seu valor de sobrevivência” (SKINNER, 1983, p.24 apud MOREIRA, 2007, p.63, Itálico do autor). O ciúme enquanto comportamento privado tem valor de sobrevivência e por isso foi selecionado na evolução das espécies.

2. O Ciúme Enquanto Comportamento Privado

O ciúme é considerado um comportamento privado que pode se entrelaçar a comportamentos públicos e logo segue a lógica de seleção por consequência que “[...] é um modo causal encontrado unicamente em coisas vivas ou em máquinas feitas por elas. Foi primeiramente reconhecida na seleção natural, mas explica, também, a modelagem e a manutenção do comportamento do indivíduo e a evolução das culturas” (SKINNER, 1981, p.129). O comportamento ciumento produz alterações corporais públicas e privadas. Revendo Almeida (2008) observamos que o ciúme romântico seria o que ocorre entre casais, terminologia usada para diferenciar de outras manifestações dessa natureza.

Como evento privado, o ciúme é produto tanto de condicionamento reflexo como operante (SKINNER, 1989-1991). O condicionamento reflexo explicaria as reações fisiológicas que são sentidas quando um indivíduo descreve estar com ciúme, por exemplo, um aperto no peito, sensação de nó na garganta ou sensação de perda de controle. Já o condicionamento operante permite entender como se estabelece a relação entre o que ocorre fisiologicamente com o indivíduo e o que ele faz quando está diante dessa sensação, assim como por que faz o que faz (COSTA, 2005, p.08).

Imaginemos um casal que sai para passear estão conversando quando passa uma mulher que possui qualidades “atrativas” (reforçadoras) ao homem, a namorada percebe que ele deu uma olhada diferente, concomitantemente sua amígdala aciona um sinal de alerta, enviando sinais a outras áreas como áreas frontais do encéfalo que pode inibir efetuando comportamentos de agressividade ou raiva. Conforme Buss (2011), isso acontece porque o indivíduo percebe que há riscos de perder o seu parceiro (reforço).

O ciúme romântico seria uma resposta que visa impedir a infidelidade, com a função de preservar uma relação. Ao que tudo indica há diferenças entre o ciúme para homens e mulheres. É mais aversivo a infidelidade sexual para os homens, mas para as mulheres a infidelidade sentimental apresenta maior desconforto. A maior preocupação do homem está ligada a garantia de que os filhos gerados em um relacionamento são seus, essa garantia se faz necessária para investir recursos. A mulher precisa evitar a divisão dos recursos, assim o foco volta-se para laços sentimentais que poderiam levar o homem a desprender recursos.

Quanto à genealogia do ciúme o psicólogo David Buss explica que, apesar de suas manifestações potencialmente perigosas, o ciúme teve um imprescindível valor adaptativo. Numa época onde homens e mulheres dependiam exclusivamente uns dos outros para sobrevivência o ciúme atendia esta função de manutenção do relacionamento estabelecido. Por meio dele, homens ciumentos preservariam com uma maior probabilidade seus valiosos elos afetivos tentando assegurar-se que os filhos daquela relação eram de fato seus, garantindo assim a sua linhagem genética. No que diz respeito às mulheres, o ciúme seria um importante fator diferencial que poderia assegurar-lhes um mantenedor para si e para sua prole. Com isso, a infidelidade representa o desvio parcial de valiosos recursos evolutivos. Logo, acredita-se que a vinculação humana careceu de proteção e cuidados delegados ao ciúme (ALMEIDA, 2008, p.03).

Porém, mesmo com o peso da filogênese, a maior parte das mulheres ocidentais não aceitam sexo extraconjugal de seus companheiros com muita facilidade. Do mesmo modo homens não encaram com bom grado um relacionamento sentimental extraconjugal de suas companheiras. Os aspectos culturais e ontogenéticos possuem um peso enorme na modelagem dos comportamentos. Mas, precisamos compreender todas as dimensões do comportamento e não é correto isolar certo conjunto de variáveis para posteriormente entender este conjunto como os únicos determinantes do comportamento.

Neste sentido, o presente estudo contribuiu com a literatura disponível ao facilitar a compreensão do ciumento romântico. Quais os fatores estão ligados ao ciúme? O objetivo deste estudo foi compreender o ciúme romântico e discriminar certos aspectos deste, e como funcionam as respostas a infidelidade sexual e sentimental para os diferentes sexos. Observando as relações entre as bases filogenéticas, ontogenéticas e culturais do comportamento ciumento nos propomos a verificar como as infidelidades sexuais e sentimentais estão relacionadas.

3. Método

3.1 Participante

Os sujeitos selecionados para pesquisa foram trinta participantes, quinze homens e quinze mulheres, respectivamente que estudam na UFAL – Universidade Federal de Alagoas, os participantes cursam: Arquitetura, Ciências da Computação, Física, Matemática e Química. E as participantes cursavam o primeiro período do curso de Psicologia. A média de idade variou entre dezoito e vinte e dois anos.

3.2 Ambiente e material

As atividades da pesquisa foram realizadas em uma instituição pública (UFAL), que oferece serviços de ensino, contando com uma clínica escola de Psicologia. A sala experimental utilizada foi da clínica escola. Havia no ambiente uma mesa, duas poltronas, um armário, um tapete, almofadas e ar condicionado. Sendo equipada com gravador que ficava ao lado do participante, e antes de começarmos a narrar as estórias colocamos o aparelho de monitoramento dos batimentos cardíacos e de pressão arterial digital no braço esquerdo do participante. Foram utilizados caneta e papéis para anotações dos pesquisadores.

4. Procedimentos

A pesquisa foi divulgada durante uma semana nesta instituição de ensino, em que os participantes se voluntariaram para a realização da pesquisa. Agendamos os horários das entrevistas entre os participantes e os pesquisadores. Foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para que pudessem assinar. O documento continha cláusula a respeito do sigilo das informações, da garantia do anonimato do participante, da presença do gravador e da permissão para divulgação dos resultados do estudo em revista ou eventos científicos.

Outrossim, narramos uma estória onde foram mostradas situações em que o sujeito da pesquisa passa por infidelidade sexual e/ou infidelidade sentimental. Uma pesquisadora ficou responsável por registrar os batimentos cardíacos e a pressão arterial do participante, e a outra por narrar as estórias. Cada entrevista efetivou-se de modo individual, na sala ficaram dois pesquisadores com cada participante. Ao final era perguntado, em que situação o indivíduo sentia-se mais afetado. Nosso experimento é uma réplica da pesquisa realizada no Buss Lab, onde sujeitos heterossexuais de vários países foram submetidos ao tal questionamento, a novidade era a observação das respostas fisiológicas:

Por favor, pensem num relacionamento romântico sério que tiveram no passado, que ainda têm ou gostaria de ter. Suponham então que a pessoa com a qual estiveram seriamente envolvidos se interessasse por outra. O que as abalaria ou entristeceria mais: a) imaginar seu parceiro criando um forte vínculo emocional com aquela pessoa ou b) imaginar seu parceiro em pleno ato sexual prazeroso com aquela pessoa? (BUSS, 2011, p.94).

A reaplicação do experimento com novos instrumentos de observação e num ambiente cultural diferenciado nos trará novas informações como veremos nos resultados.

5. Análise dos dados

Todas as sessões foram registradas em gravador, após o termino deste estudo na UFAL transcrevemos o material gravado. Posteriormente produzimos gráficos contendo a resposta verbal de cada participante diante das estórias de infidelidade sentimental e sexual. Os dados obtidos com os batimentos cardíacos e pressão arterial emitido diante da infidelidade sentimental e sexual foram analisados e estão expostos no formato de gráficos contendo a resposta fisiológica diante das duas situações.

O experimento teve como variável dependente o aumento ou diminuição das reações fisiológicas provocadas pelo ciúme quanto à infidelidade sexual e sentimental. A variável independente foi, com sujeitos sendo heterossexuais, a descrição da infidelidade sexual e sentimental.

6. Resultados

A figura 1 apresenta as respostas verbais dos homens diante de cada estória. Tendo como percentual 100% a infidelidade sexual sendo mais aversiva do que a sentimental, já a figura 2 apresenta as reações fisiológicas (batimentos cardíacos e pressão arterial) dos participantes, com percentual de 80% na infidelidade sexual e com percentual de 20% da infidelidade sentimental.

Gráficos: Resposta Verbal e Aumento dos Batimentos Cardíacos em homens

Os homens apresentaram praticamente as mesmas respostas verbais e fisiológicas na apresentação das infidelidades, mostrando que a infidelidade sexual é muito mais aversiva, como mostrou a pesquisa realizada por David Buss (1992).

A figura 3 apresenta as respostas verbais das mulheres na estória supracitada, 67% das mulheres apresentaram verbalmente como mais aversiva a situação da infidelidade sexual e 33% apresentou ser mais aversiva a infidelidade sentimental. A figura 4 apresenta as respostas fisiológicas (batimentos cardíacos e pressão arterial) das participantes. O percentual de aumento foi de 40% na infidelidade sexual, 46% na infidelidade sentimental e 14% mantiveram as mesmas reações fisiológicas diante da infidelidade sexual e sentimental.

Gráficos: Resposta Verbal e Aumento dos Batimentos Cardíacos em mulheres

As mulheres tiveram respostas verbais diferentes das respostas fisiológicas. Verbalizaram ser mais aversiva a infidelidade sexual, porém as respostas fisiológicas diferiam das respostas verbais, mostrando que a situação que representa maior perigo (aversiva) é a infidelidade sentimental como mostrou a pesquisa realizada por David Buss (1992).

7. Discussão

O comportamento ciumento é causador de muito transtorno para os casais e para a comunidade, muitos relacionamentos não são prolongados por causa desses comportamentos que causam constrangimentos, desconfiança, agressões, mortes e vários outros problemas. Tragédias resultantes de comportamentos de ciúme são vistas todos os dias:

Tanto homens quanto mulheres podem sofrer de ciúme patológico, porém são elas as vítimas mais frequentes de agressões de parceiros ciumentos. De acordo com a Pesquisa DataSenado 2011, em 27% dos casos de violência doméstica registrados no Brasil a agressão foi motivada pelo ciúme (COSTA, MARINO e ROCHA, 2012, p. 05).

O ciúme, por vezes, é reforçado, sabendo que o reforço é compreendido como sendo “um tipo de consequência do comportamento que aumenta a probabilidade de um determinado comportamento voltar a ocorrer” (MOREIRA, 2007, p. 51), tanto pelo parceiro ou parceira quanto pela comunidade verbal, desta maneira é de suma importância compreender como ele se desencadeia e qual as possíveis diferenças para homens e mulheres.

Sendo preciso considerar como a evolução da espécie selecionou cada comportamento, por seu valor de sobrevivência, e de que maneira as estruturas cerebrais se desenvolveram na evolução e assim se formaram. Com a evolução das espécies nosso cérebro desenvolveu três componentes que foram se sobrepondo, são eles o arquepálio ou cérebro primitivo, o paleopálio ou cérebro intermediário que tem as estruturas do sistema límbico e o neopálio ou cérebro superior ou racional.

O sistema límbico é considerado o lugar das emoções:

É ele que comanda certos comportamentos necessários á sobrevivência de todos os mamíferos. Que também cria e modula funções mais específicas, as quais permitem ao animal distinguir entre o que lhe agrada ou desagrada. Aqui se desenvolvem funções afetivas, como a que induz as fêmeas a cuidarem atentamente de suas crias, ou a que promove a tendência desses animais a desenvolverem comportamentos lúdicos (gostar de brincar). Emoções e sentimentos, como ira, pavor, amor, paixão, ódio, alegria e tristeza, são criações mamíferas, originadas no sistema límbico (AMARAL e OLIVEIRA, 1998).

Com essas explicações podemos compreender que os indivíduos são seres complexos e que seus comportamentos surgem a partir da interação do organismo com o meio, desta maneira, podemos entender que nem todas as reações do nosso organismo são apresentadas publicamente do mesmo modo como são acionados no seu primeiro momento. A partir das consequências podemos negar ou mesmo “fingir” comportamentos, apresentando-os da maneira que é mais reforçadora. Skinner diz que temos os comportamentos públicos e os privados, e que temos a capacidade de nos comportar de diferentes maneiras, pois, como já vimos, possuímos três conjuntos de variáveis que determinam o comportamento (a filogênese, ontogênese e cultura).

As diferenças de respostas entre homens e mulheres apresentadas aqui ilustram muito bem essa relação de conflito que possuímos na emissão de nossos comportamentos públicos e no controle destes submetidos a muitas variáveis culturais e ontogenéticas. Todos os homens responderam verbalmente e fisiologicamente não aceitar a infidelidade sexual. A maioria das mulheres respondeu verbalmente não aceitar a infidelidade sexual, não obstante os batimentos cardíacos dizem outra coisa. As mulheres tiveram aumento dos batimentos cardíacos e da pressão sanguínea ao ser apresentadas a segunda situação, ou seja, a infidelidade sentimental.

O aumento dos batimentos cardíacos e da pressão sanguínea representa a ativação do sistema simpático, que está presente no sistema nervoso autônomo, onde o sistema simpático é ativado em situações de perigo e o indivíduo pode fugir ou enfrentar uma situação perigosa.

Em determinadas circunstâncias, todo o sistema simpático é ativado, produzindo uma descarga em massa na qual a medula da supra-renal é também ativada, lançando no sangue a adrenalina que age em todo o organismo. Temos, assim, uma reação de alarme, que ocorre em certas manifestações emocionais e situações de emergência (síndrome de Cannon), em que o indivíduo deve estar preparado para lutar ou fugir (to fight or to flight, segundo Cannon). Como exemplo, poderíamos imaginar um indivíduo que é surpreendido no meio do campo por um boi bravo que avança contra ele. Os impulsos nervosos resultantes da visão do boi são levados ao cérebro resultando uma forma de emoção, o medo. Do cérebro, mais especialmente do hipotálamo, partem impulsos nervosos que descem pelo tronco encefálico e medula, ativando os neurônios pré-ganglionares simpáticos da coluna lateral, de onde os impulsos nervosos ganham os diversos órgãos, iniciando a reação de alarme. Esta visa preparar o organismo para o esforço físico que será necessário para resolver a situação, o que, no exemplo, significa fugir ou brigar com o boi  (MACHADO. 2006.p. 136)

Sendo assim podemos afirmar que em nossa pesquisa a maior parte das mulheres tiveram o seu sistema simpático ativado durante a hipótese de infidelidade sentimental, visto que indica uma situação de risco, em que há a perda de reforços e de uma maior efetividade na sobrevivência de sua prole.

Contudo, faz-se necessário elucidarmos que as influências da ontogênese, como sendo um processo particular da vida do sujeito, e da cultura, como aquela que modela padrões comportamentais de grupos, que devem ser replicados, as mulheres responderam verbalmente não aceitar a infidelidade sexual. As mulheres apresentaram o relato verbal em que a infidelidade física era mais aversiva (diferentemente da pesquisa realizada por BUSS em 1992), porém seus batimentos cardíacos e pressão arterial aumentavam quando a estória foi guiada pela infidelidade emocional (compatível com BUSS). Já os homens afirmaram que a infidelidade mais aversiva seria a física, sendo os dados obtidos pelo monitor de pressão arterial e batimentos cardíacos compatíveis. Os resultados indicam a possibilidade de certos comportamentos verbais, que se acreditava estarem sob controle de eventos privados, estarem na verdade sob o controle de variáveis culturais, sem, no entanto alterar padrões de respostas orgânicos (eventos privados) modelados filogeneticamente.

Estes aspectos não surpreendem quando entendemos que o ciúme foi selecionado como uma forma de garantir a sobrevivência (evitar a perda de reforços), nada mais natural que se apresente de forma variada em homens e mulheres em função de contingências culturais, ontogenéticas e filogenéticas.

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