A Modelagem e o Controle do Comportamento

(Tempo de leitura: 11 - 21 minutos)

1. Introdução

Análise do comportamento é uma abordagem psicológica que passou por diversas mudanças com o decorrer do tempo. Tendo em questão vários procedimentos e diversos estudiosos sobre ela, será mostrado a seguir como está ciência chegou a seu estado atual mostrando os principais autores e pesquisadores que deram início a essa nova abordagem psicológica com dados realizados em laboratório.

Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936) era um fisiólogo russo que pesquisava sobre a salivação dos cães através da apresentação de comida. Após um tempo de pesquisa, ele percebeu que estes salivavam antes mesmo da comida ser apresentada. Somente o som dos passos de Pavlov indo de encontro ao cachorro já era motivo para o mesmo salivar. Curioso, ele fez vários testes experimentais para entender tal comportamento. Ele apresentou então ao animal outros estímulos juntamente com o alimento e após certo período de tempo somente o estímulo que antes era neutro (estímulo que não gera a resposta de salivar) e que foi apresentado juntamente com a comida era suficiente para que o animal salivasse.

Por exemplo, Pavlov acendia uma luz e mostrava a comida. O cão salivava por causa do estímulo comida, porém após um período repetindo esse processo chamado de emparelhamento, o animal salivava perante a luz sem a apresentação da comida, ou seja, existia um reflexo inato que estava ligado a salivação perante a refeição, e ocorreu uma aprendizagem de um novo reflexo, no qual o cachorro saliva perante a luz. Pavlov denominou está reação de reflexo condicionado (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).

John Broadus Watson (1878-1958) foi um psicólogo estadunidense, que em 1913 publicou um manifesto com o nome de “Psychology as the Behaviorist View It”. A psicologia como um behaviorista a vê. Ele se inspirou no trabalho de condicionamento de Pavlov. Watson estava criando uma nova abordagem psicológica chamada behaviorismo. Ele queria uma psicologia objetiva e passível de experimentação, assim se diferenciando das abordagens psicológicas mentalistas criadas por Wilhelm Maximilian Wundt. (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009)

Neste artigo Watson faz a seguinte afirmativa:

A psicologia humana falhou em cumprir sua reivindicação como uma ciência natural. Devido a uma noção errônea de que seus campos de fatos são os fenômenos conscientes e que introspecção é o único método direto de averiguar esses fatos, ela emaranhou-se em uma série de questões especulativas as quais, enquanto fundamentais para seus princípios atuais, não são abertas para o tratamento experimental. Na busca pelas respostas a essas questões, ela se tornou mais e mais afastada do contato com os problemas os quais dizem respeito vitalmente ao interesse humano (WATSON, 2008/1913, p.300).

Sendo assim o behaviorismo de Watson estudava o comportamento através dos preceitos de estímulos e respostas. Para os behavioristas, o “ambiente”, diferente do senso comum, é tudo aquilo que cerca o indivíduo, seja objetos, pessoas, ou até mesmo efeitos sonoros. É chamado de estimulo (S) qualquer um destes fatores que estejam presentes no ambiente e que possam alterar o comportamento. Isso pode ser mostrado através do experimento realizado por Watson com o pequeno Albert. Sua assistente Rosalina Rayner segurou o bebê de maneira que ele não notasse que Watson estava por trás dele. Havia um bastão de metal, de 1,2m de comprimento por 2cm de largura, que estava pendurado no teto. Watson bateu contra ele um martelo, com uma força muito alta, criando assim um som muito estridente. Após a primeira batida Albert alterou a frequência da sua respiração e levantou seus braços, Watson repetiu o processo e o bebê começou a tremer e comprimir os lábios. Na terceira batida, Albert começou a chorar. Esses comportamentos emitidos por Albert podem ser classificados como a emoção medo. Tais respostas (R) foram eliciadas a partir de um estimulo, neste caso o som estridente (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).

Com isso Watson estudava o comportamento através dessa relação de estímulo e resposta, e acreditava que com isso é possível entender e manipular o comportamento humano. No mesmo experimento com o pequeno Albert ele chegou à conclusão de que o estímulo (S) som estridente gera a resposta (R) inata de medo, ou seja, esta relação é um reflexo inato. Ele fez basicamente o mesmo que Pavlov com o cão, ele condicionou Albert a sentir medo diante de algo que não gerava isto anteriormente, que neste caso foi um rato branco. Ele apresenta o som estridente com a batida do martelo no bastão de metal e apresentava, juntamente com isto, o rato. Após algumas seções de emparelhamento desses dois estímulos, o bebê começou a sentir medo só de ver o rato, emoção que não era eliciada por este antes. Watson havia feito o bebê aprender um reflexo condicionado (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).

A partir dos estudos de Watson e Pavlov em 1953 um psicólogo americano chamado Burrhus Frederic Skinner publicou um livro chamado “Science and Human Behavior”. Este viria a apresentar um modelo de renovação do behaviorismo de Watson, sendo este modelo denominado behaviorismo radical.

Diferente do behaviorismo metodológico de Watson, esta era uma nova filosofia que cercaria a ciência do estudo do comportamento.  Skinner não estava preocupado em explicar como ocorria o comportamento, mas sim em descrevê-lo. Ele se dedicava ao estudo das respostas, pesquisando acerca do comportamento observável (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).

Análise do comportamento é a ciência que se embasa na filosofia anteriormente explicada, sendo a abordagem psicológica que busca compreender o comportamento humano para assim poder modificá-lo. Como visto antes, estímulo é tudo aquilo que está presente no ambiente e que pode alterar um comportamento, e o que se é feito diante desse estímulo é denominado resposta. Essa abordagem busca compreender a relação entre o indivíduo com o seu ambiente. Skinner estudava sobre as consequências dessas respostas e como elas alteram o comportamento, e é exatamente isto que foi chamado de condicionamento operante (MOREIRA; MEDEIROS, 2007; SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).

O comportamento operante gira em torno de alguns preceitos, sendo eles: Esquemas de reforço, modelagem e discriminação. Quando uma reposta emitida é recompensada denomina-se reforço. Estes reforços podem ser negativos ou positivos. Lembrando que em análise do comportamento os termos “positivo” e “negativo” não são sobre algo ser bom ou ruim, mas sim de acrescentar algo em seu ambiente ou retirá-lo. Por exemplo, tocar a campainha ao visitar um amigo e este abrir o portão: O ato de atender é um reforço positivo, porque algo foi acrescentado no ambiente. Agora um exemplo de reforço negativo: um funcionário chega todo dia atrasado e seu chefe lhe repreende, um dia ele chega no horário, logo não será repreendido, seu comportamento será reforçado pela ausência da bronca. Existem outros esquemas de reforçamento que serão explicados abaixo (MOREIRA; MEDEIROS, 2007).

O CRF (sigla que significa “Continuous reinforcement” – Reforçamento contínuo), é o procedimento em que toda reposta é reforçada, por exemplo, o ato de trancar a casa para evitar um roubo será sempre reforçada por ter evitado tal estímulo aversivo.

Já o processo de modelagem corre da seguinte maneira. Toda resposta que se aproxime do comportamento desejado é reforçado. Skinner diz que:

A ocasião em que o comportamento ocorre, o próprio comportamento e suas consequências estão inter-relacionadas (...). Como resultado de seu lugar nessas contingências, um estímulo presente quando uma resposta é reforçada adquire certo controle sobre tal resposta. (SKINNER, 1974 apud ARANTES; ROSE, 2009, p.66).

Ou seja, experimentalmente o pesquisador pode manipular o comportamento através do reforço. Reforçando-o cada vez que indivíduo emite uma resposta mais próxima do comportamento desejado. Isso é bastante usado na discriminação operante. A discriminação faz uma análise através de uma contingência tríplice, e observa o estímulo antecedente a resposta, a resposta em si e a consequência desta. Na discriminação operante, uma reposta específica só acontece na presença de um estímulo em específico, e esse estímulo anterior a resposta, é chamado de estímulo discriminativo (SD), sendo aquele que sinaliza uma consequência. Como por exemplo, o sinal vermelho indica “parar”, a resposta de parar o carro é reforçada por evitar um acidente, ou seja, o estímulo discriminativo indicou uma consequência. Também pode-se citar o exemplo ligar a TV às 22:50 em um canal para assistir um filme, se ligar o parelho nesse horário, no canal do filme haverá o reforço com o filme, agora se ligar a TV em outro horário, não haverá o reforço (MOREIRA; MEDEIROS, 2007).

O presente artigo tem como objetivo mostrar na prática como é feito esses procedimentos que foram citados anteriormente, e mostrar o quão útil são para uma intervenção psicológica.

2. Método

Sujeito:

Para o experimento foi observado um rato de espécie Rattus norvegicus, de 5 meses de idade e fêmea. O animal é alimentado com ração para ratos e camundongos, e o biotério tem aproximadamente 21ºC. Cada rato fica sozinho em uma caixa, e seu alimento está disponível 24 horas por dia. Antes de cada experimento o animal fica privado de água por 48 horas.

Material:

No experimento é usado uma caixa de Skinner da marca Insight, modelo EP 100. Sua medida é de 250mm X 250mm X 200mm. Esta caixa, contém uma barra que ao ser pressionada libera água ao animal, e um bebedouro que tem capacidade de coletar até 10 microlitros de água e tem distância de 8 cm da barra. Junto a caixa tem um painel de controle externo que contém botões que controlam a intensidade da luz, o momento do reforço e punição. Usa-se também um cronômetro.

O experimento foi realizado em um laboratório da Faculdade Alves Faria. Este laboratório é uma sala fechada; a única iluminação presente é a da caixa de Skinner. Esta sala está sujeita a interferências externas. Em cada procedimento é necessária uma folha de registro.

Procedimento:

No momento da Linha de base o rato é colocado na caixa de Skinner o cronômetro é ativado imediatamente. É observado então, durante 20 minutos os comportamentos naturais do mesmo. Em uma folha de registro, anota-se a frequência de todos os comportamentos emitidos pelo animal minuto a minuto, tais como, coçar-se, limpar-se, levantar-se, farejar e pressionar a barra. Para ações de longa duração, é contado pelo momento que o rato inicia uma resposta até o término da mesma. O procedimento é feito sem quaisquer intervenções em seu ambiente. É feito uma linha de base na primeira e última seção com o animal, para ser verificado o seu nível de aprendizagem e mudança do comportamento.

No treino ao bebedouro o rato é condicionado a ligar o som do bebedouro à disponibilidade de água. No momento em que é dado água ao animal, liga-se o cronômetro, e é anotado na folha de registros o tempo que ele leva para beber água. Esse procedimento só é concluído quando o tempo de resposta por cinco vezes consecutivas for menor ou igual a 2 segundos. Se em 40 tentativas isso não ocorrer, encerra-se a seção e a mesma é recomeçada na próxima.

O objetivo da modelagem é ensinar o rato a pressionar a barra. Qualquer comportamento mais próximo dessa resposta de pressão a barra é reforçado, por exemplo: o rato farejou a barra ele ganha reforço, a partir daí só é reforçado se ele farejar novamente ou se emitir algo mais próximo, se ele se levantar próximo a barra ele é reforçado, mas não terá o reforço caso fareje a barra novamente. Esse procedimento não necessita de nenhum tipo de registro, e pode levar mais de uma seção, só sendo encerrada após o rato estar modelado, que é quando ele pressiona a barra no mínimo 15 vezes em uma única seção, sem nenhum tipo de intervenção do experimentador.

No CRF é observada por um período de 30 minutos a resposta de pressão a barra após o rato ter sido modelado. Sem nenhum tipo de intervenção, é anotada na folha de registros a resposta de pressão a barra do animal minuto a minutos. São necessárias 3 seções de CRF.

No processo da discriminação é feita uma modelagem para mostrar ao rato um estímulo discriminativo, neste caso a luz. No primeiro minuto com a luz acessa o rato está livre para receber a água quando pressionar a barra, no minuto seguinte, a luz é apagada e a água cortada, mesmo que pressione a barra não receberá o reforço. O intuito deste procedimento é indicar que o ele só recebera reforço com o estimulo luz presente. Fazendo com que o animal diminua a resposta de pressão a barra com a luz apagada e aumentando essa resposta com a luz acessa. Este experimento dura 30 minutos e pode variar de duas a três seções. Sendo que, os 20 primeiros são de treino discriminativo e os 10 últimos minutos são de extinção. Na extinção nenhuma resposta é reforçada. É desligado o bebedouro da caixa, assim é observada a redução na resposta de pressão à barra. É feita uma seção de extinção.

3. Resultados

Frequência de respostas na Linha de Base 1 e 2

Figura 1- Frequência de respostas na Linha de Base 1 e 2.

A Figura 1 apresenta a frequência de respostas emitidas pelo animal ao ser colocado na caixa de Skinner no primeiro e último dia de experimento. É possível perceber que ao ser colocado na caixa pela primeira vez, o comportamento de pressão a barra não é emitido nenhuma vez, e a resposta de farejar teve uma frequência alta. Já na Linha de Base 2, o animal emitiu uma quantidade grande de pressão a barra, comparando as outras respostas aleatórias, comprovando o processo de condicionamento a pressão da barra. E também é possível perceber uma redução dos outros comportamentos de farejar e levantar-se, o comportamento de limpar-se também teve um pequeno aumento.

Tempo de respostas (segundos) por tentativa no Treino ao Bebedouro

Figura 2- Tempo de respostas (segundos) por tentativa no Treino ao Bebedouro

A Figura 2 apresenta as tentativas necessárias para que ocorresse o condicionamento do som do bebedouro à disponibilidade de água. Para ser considerado condicionado, o animal precisa levar 2 segundos ou menos para beber água após lhe ser lhe dado essa. Foram necessárias 24 tentativas para que o animal fosse condicionado.

Frequência acumulada de respostas no CRF 1

Figura 3 – Frequência acumulada de respostas no CRF 1.

Na figura 3 é possível observar a frequência acumulada de respostas no CRF 1. O gráfico mostra que até o décimo minuto as respostas foram crescendo gradualmente e após isso o número de respostas diminuiu consideravelmente, até que aos 25 minutos não houve nenhuma pressão a barra.

Frequência acumulada de respostas no CRF 2

Figura 4 – Frequência acumulada de respostas no CRF 2.

Na figura 4 é possível observar a frequência acumulada de respostas no CRF 2 durante 30 minutos. Até o décimo primeiro minuto, as respostas foram crescendo gradualmente, a partir daí ocorre um declínio. Do 21° ao 27° não houve pressão a barra, as respostas voltaram a ocorrer no minuto seguinte.

Frequência acumulada de respostas no CRF 3

Figura 5 – Frequência acumulada de respostas no CRF 3.

As repostas no CRF 3 aumentaram gradualmente até o 13° minuto onde ocorreu uma pausa de respostas retornando no minuto 17° e parando novamente no minuto 21°, a partir daí ocorreu um aumento no minuto 27° e a resposta para de ser emitida.

Frequência acumulada de respostas no Treino discriminativo

Figura 6: Frequência acumulada de respostas no Treino discriminativo.

Pode-se observar na figura 6 que as respostas com a luz acessa seguem em um crescimento gradualmente igual até o décimo minuto onde existe um aumento nas respostas. Já as respostas com a luz apagada, ocorreu o que é chamado de explosão de respostas, o rato pressionou a barra mais vezes devido o processo de extinção, até que seu comportamento reduziu e entrou em extinção entre o décimo e o décimo primeiro minuto.

4. Conclusão

Com tudo que foi visto sobre análise do comportamento, podemos observar que o comportamento é alterado conforme estímulos que encontramos em nosso ambiente. O condicionamento pavloviano e o comportamento operante de Skinner nos trouxe a explicação para diversos comportamentos humanos, medos e fobias, e com tais explicações os psicólogos comportamentalistas e até de outras abordagens agora tem métodos altamente eficazes para tratar e alterar comportamentos.

Como foi feito com o rato em laboratório, cada procedimento realizado foi utilizado de métodos conforme citados antes. Ao analisarmos as contingências presentes no ambiente do rato, podemos altera-las para obtermos o comportamento desejado. Durante o treino ao bebedouro, através do condicionamento pavloviano, conseguimos emparelhar o som do bebedouro a disponibilidade de águia, no começo o animal emitia comportamentos aleatórios e nem notou o bebedor e a barra que o acionava, ao ouvir o som do bebedor ele emitia comportamentos que se pareciam com susto e medo, lembrando que como vimos no experimento de Watson com o pequeno Albert, o medo a ruídos altos é um medo inato, como o rato não tinha nenhuma experiência com aquele som anteriormente, pode tê-lo causado tal emoção. Enfrentamos alguns problemas devido ao laboratório não estar em completo silêncio, achamos que o som emitido por outros experimentadores no laboratório pode ter confundido o animal.

Muitas vezes um após um espirro alto o animal ficava parado por um tempo, e as vezes ele ficava um pouco eufórico também, como vimos anteriormente que os estímulos presentes no ambiente afetam o comportamento, com isso concluímos que esses barulhos podem ter alterado seu comportamento, ele passava muito próximo da água mas não a bebia, até que após algumas tentativas ele bebeu, mas ainda sim demorou para que o condicionamento ocorresse, várias vezes que a água foi liberada ele ainda se comportava como citado anteriormente mas não ligando a água ao som.

Quando fomos modelar o rato utilizamos os métodos de condicionamento, e podemos observar o quão útil esse método pode ser, seja em uma clínica ou no nosso cotidiano, observamos que se um comportamento é emitido repetidas vezes existe algum esquema de reforçamento presente, desta maneira podemos entender comportamentos de transtorno obsessivo compulsivos dentre outros. Como o rato estava privado de água, essa se tornou um reforçador positivo.

Com a apresentação da mesma o comportamento emitido anteriormente seria reforçado. Podemos ver isso acontecer em comportamentos humanos do nosso dia a dia. Porque apertamos a sineta de um restaurante? Sempre que apertamos somos reforçados devido ao atendimento recebido, se este não ocorresse é bem provável de não irmos a este restaurante ou não tocarmos a sineta, chamamos o garçom.

 E como foi dito, se um comportamento acontece repetidas vezes, existe um esquema de reforçamento, após a modelagem o rato fica um período sem intervenções de nossa parte para que o observemos vendo ele se auto reforçar, o que é chamado de CRF, toda vez que o rato pressionava a barra ele ganhava o reforço, mas trazendo isso para uma intervenção clínica este é um esquema de reforço um pouco complicado, não é viável reforçar toda resposta, existem esquemas de reforço intermitentes no qual é necessária uma quantidade especifica de respostas para que ocorra o reforço que se chama razão fixa, ou que não tenha quantidade definida, que se chama razão variável, por exemplo: toda vez que uma criança faz birra em um supermercado a mãe o atende, isto se torna um CRF, agora quando a criança faz birra e as vezes a mãe o atende comprando o que a criança está pedindo, é uma razão variável por que não existe uma quantidade certa de respostas a ser emitida para ser reforçada, a criança não sabe quando vai ganhar o reforço e por este motivo ela vai emitir a resposta de birra várias vezes.

Esse esquema é o problema de várias relações entre pais e filhos, por que na maioria dos casos os pais pensam estar fazendo o certo, diminuindo a chance da criança fazer aquilo de novo, quando na verdade estão fazendo um esquema de reforçamento intermitente variável que faz com que aumente as chances de respostas de birra da criança. Outro exemplo: uma mulher quer que seu ex-namorado pare de ligar para ela, e ele liga várias e várias vezes e ela não atende, ela está tentando extinguir o comportamento dele, mas se depois de várias tentativas ela atende por pena, ela está aplicando uma razão variável, ele não sabe quando ela vai atender, mas alguma hora ela vai atender, logo ele ligará várias vezes.

No treino discriminativo, nós estávamos indicando um estímulo discriminativo ao rato (estímulo que indica consequência), no caso o estímulo “luz” indica que a resposta de pressão a barra terá como consequência a liberação de água. Ao analisarmos a contingência tríplice que é necessária para essa etapa que é o estímulo discriminativo que chamamos de SD, a resposta e a consequência, se essa consequência for reforçadora, ela aumenta a probabilidade da resposta voltar a ocorrer na presença do SD, por exemplo, a ação de ligar a TV quarta feira as 22:00hs para assistir futebol, é reforçada pela transmissão do jogo, mas se eu ligar em outro horário não serei reforçado.

Se isso se repetir algumas vezes entra em processo de extinção, como no exemplo que foi feito em laboratório, foi cortado o reforçador do rato, mesmo que ele pressionasse a barra com luz acessa, ele não seria reforçado, com o tempo o comportamento de pressão a barra começou a cair. Deveria ter sido feito outro treino discriminativo, para ser notado a diminuição de comportamento de pressão, a barra com a luz apagada, mas devido ao tempo, não foi possível ser feito uma segunda seção.

A cada ano que se passa a análise do comportamento vem ganhando mais estudiosos na área, e mais pessoas interessadas em se dedicarem a este ramo da psicologia. Com essa abordagem deve-se analisar o indivíduo em si e o ambiente que o mesmo se encontra, desta forma, compreendendo os estímulos que alteram o comportamento do indivíduo pode-se fazer uma intervenção de qualidade alteraando pequenos estímulos, e inserindo reforçadores nesse ambiente. Sendo assim análise do comportamento se torna uma ciência com muito potencial e resultados que podem ser comprovados, ou seja, uma das se não, a abordagem mais eficaz da psicologia.

Sobre os Autores:

Edilson Rocha Silva - Graduando em Psicologia pela Faculdade Alfa.

Stheffany Ferreira de Faria - Graduando em Psicologia pela Faculdade Alfa.

Raquel Oliveira Santos - Graduando em Psicologia pela Faculdade Alfa.

Referências:

ARANTES, Ana Karina Leme; ROSE, Júlio César Coelho de. Controle de estímulos, modelagem do comportamento verbal e correspondência no “Otelo” de Shakespeare. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e cognitiva, Campinas-SP, vol 11, n 1, p. 61-76.

MEDEIROS, Carlos Augusto de; MOREIRA, Márcio Borges. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007. 224 p.

SCHULTZ, Duane P.; SCHULTZ, Sydney Ellen. História da Psicologia Moderna. Tradução de Suely Sonoe Murai Cuccio. 9. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

WATSON, J. B. Psychology as the Behaviorist View It; GERAB, F. K. et al (TRADUTOR). A Psicologia como o Behaviorista a Vê. Vol. 16, n 2, 2008. p. 289-301

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