Existencialismo - Martin Heidegger

(Tempo de leitura: 2 - 4 minutos)

Ele é o ponto de ligação entre o existencialismo de Kierkegaarde a fenomenologia de Husserl. Sua preocupação maior era elaborar uma análise da existência, ou seja, esclarecer o verdadeiro sentido do ser.

Investigando o problema do ser, acabou por recair em um único objeto possível: o próprio ser do sujeito existente, a que chamou de Dasein (ser-ai ou ente). Definir ser implica, dessa forma, em transformá-lo em um ente (algo concreto) e aí termina a lógica do ser universal. Não pode existir um ser sem ente. Diante de tal impasse, Heidegger diz: para que a investigação ontológica possa ocorrer, haverá uma fase que antecede; a análise do meu Dasein particular e concreto.

A característica básica do Dasein é sua abertura para perceber e responder a tudo aquilo que está na sua presença; É contemporâneo do mundo, surgindo como fenômeno, isto é, como algo que se mostra a si mesmo. Daí Heidegger usar a expressão ser-no-mundo.

O estar-no-mundo é a determinação fundamental do Dasein. É o sentimento do indivíduo de ser arrojado às vicissitudes da existência. Somos lançados ao mundo, e a ele estamos ligados, pois não podemos pensar em um ser sem relacioná-lo ao seu mundo, à sua realidade concreta. O homem não existe com um Eu ou sujeito em relação ao mundo externo. Tem uma existência por ser-no-mundo da mesma forma que o mundo tem sua existência porque há um ser para revelá-lo. Assim, ser e mundo são unos.Vale ressaltar que não se trata do homem interagir com o mundo, pois nesse caso sugeriria que pessoa e ambiente fossem duas coisas separadas.

Participa do mundo com outros. Mas esse estar-no-mundo com outros estabelece uma ligação entre os Dasein, de tal forma que não há distinção entre eles: estar-no-mundo é viver num mundo em comum. Isso acaba por estabelecer que a relação do Dasein com outros seja uma projeção.

Pela temporalidade, o Dasein vai adquirindo a sua essência, pois é somente existindo que ele é. Heidegger afirma que a essência do ser reside, na verdade, na sua própria existência. O Dasein é a possibilidade concreta da minha existência. Sendo a sua possibilidade, precisa escolher a cada momento entre uma existência autêntica e uma inautêntica.

A existência autêntica ou ExistenzI é a existência idealizada do Dasein excluindo tudo aquilo que possa vir a impedir sua autenticidade. É somente através desta que o homem é capaz de diferenciar o humano do não humano. Ao contrário, na inautenticidade, queda, ou decaimento, misturam-se os dois significados, e aí o desamparo ocorre. O sentimento de abandono existe desde que o ente é lançado ao mundo sem que dele dependa a escolha. Esse desamparo reaparece sempre na luta que o indivíduo trava durante toda a sua existência, sob a forma de angústia ou medo.

A vida inautêntica não deixa de ser uma forma de fugir a esse sentimento de inadequação. Perdendo-se no outro, na tentativa de justificar seus atos num sujeito impessoal, o peso tornar-se menor. Entretanto, é apenas a angústia que levanta o Dasein de sua queda, forçando-o a escolher entre uma vida autêntica ou uma inautêntica, Neste ponto é preciso deixar claro a diferença entre a angústia kierkegaardiana que conduz a meras possibilidade, da angústia heideggeriana, que coloca o indivíduo em contato com o nada. É a partir desse nada que ele escolhe a autenticidade ou não. Daí, tenta ele com isso dar realidade a esse Nada absoluto.

Assim Heidegger nos fala de dois aspectos da inautenticidade – o subjetivo, que foi explicado anteriormente, e o objetivo, expressos na devoção exagerada ao trabalho, ao comportamento mecanicamente representado, também como forma de diluição de si mesmo. O avanço tecnológico colabora muito para esse segundo aspecto.

Outro conceito fundamental na análise de Heidegger é o conceito de morte. O Dasein é um ser-para-a-morte. Esta é a possibilidade para a qual o ser se dirige, mas que apenas nela o indivíduo se totaliza. Todavia, a morte não é uma cessação e sim um modo de ser que o afeta enquanto existe. Não liquida com a existência humana. Trata-se de uma possibilidade incluída no projeto do indivíduo capaz de definir o seu poder-ser.

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