A Imagem do Corpo Negada: Evitação e Recusa da Identidade Racial de Mulheres Negras

A Imagem do Corpo Negada: Evitação e Recusa da Identidade Racial de Mulheres Negras
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Resumo: Neste trabalho o objetivo é realizar um estudo acerca da relação entre o racismo e os danos psicológicos que podem se instalar em mulheres negras que, sendo forçadas a constituir uma imagem alienada ao discurso de “embranquecimento”, experimentam a situação de inquilinas em seus próprios corpos. Assim, traçar-se-á o percurso que passe pela via dos conceitos de separação, alienação e identificação como, também, buscar-se-á entender o processo de ceder ao sentido dado pelo Outro, sentido que leva as mulheres negras a viver um cotidiano no qual a aparência põe em risco a integridade de seu corpo perante a sociedade, sob a contribuição da psicanálise à compreensão do racismo como uma experiência privativa de identidade; esses são os trajetos diretamente ligados ao tema. Assim, ao longo do texto, pretende-se usar como método de estudar o tema a revisão bibliográfica, focalizando os aspectos referentes à dimensão subjetiva das relações étnico-raciais com foco na produção do racismo internalizado, fato que cria a possibilidade de pensar a questão do racismo a partir de conceitos advindos da teoria psicanalítica, produzindo proposta que apresente como efeito o reforço de uma ética de respeito às diferenças.

Palavras-chave: Psicanálise, Racismo, Mulheres, Identificação.

1. Introdução

Freud, a partir da noção de Pulsão de Morte, reformula sua teoria sobre a questão da agressividade e a produção do mal. Ele descobriu que se pode fazer do outro não só objeto da pulsão sexual e sim, objeto de uma pulsão de crueldade, maltratá-lo, estuprá-lo, deixá-lo a sua própria sorte e matá-lo. Esse pode ser um dos componentes do racismo, associado ao processo de estereótipos, ou seja, reduzir o outro a partir de traços específicos e desprezíveis.

O conceito de pulsão de morte foi cunhado como puramente especulativo ou hipotético. Este avanço foi possível, provavelmente, por que antes havia desde o Projeto de uma Psicologia Científica (1895) uma vasta trajetória de pensamento até a publicação e Além do Princípio de Prazer (1920) (PORTELA, 2007, p. 06).

Nesse sentido, para realizar um estudo sobre o racismo, várias trajetórias podem ser traçadas; este trabalho percorre a questão do racismo no Brasil, as implicações sociais e, principalmente, a vivência privada dessa identidade racial. O racismo está presente de diversas formas no Brasil, por isso, o enfrentamento a essa situação se dá e pode acontecer pela ordem da palavra: educação, diálogo, pesquisa e clínica. Assim, se faz necessário a constante manutenção de debates, pesquisas e discussões que apontem para as questões relacionadas ao preconceito, aos estereótipos e aos estigmas.

O interesse desse artigo é apresentar como ponto central de indagação, a articulação entre as questões relacionadas às questões ética e racial, e a articulação com os discursos e nomeações que ao serem introjetados formam imagens e representações preconceituosas de mulheres negras sobre si mesmas, processo de assujeitamento que produz sofrimento psíquico. As mulheres negras carregam em seu corpo esse repertório desprezível, sendo obrigadas a internalizar um ideal e a formular um modelo identificatório, passando a metamorfosear seu corpo, extinguindo suas características fenotípicas e experimentando um mal estar em seu próprio corpo.

As perguntas problematizadoras deste artigo são: como se constrói a imagem de si mesmo a partir das marcas ao longo da vida? Como pensar a questão da identidade racial? Na clínica é importante levar em conta a posição racial do paciente? Que tipo de mal estar as pessoas têm com seu corpo? Ao buscar um sentido que faça laço social, o que as mulheres negras encontram como modelo? Que efeitos subjetivos pessoas sentem ao serem reconhecidas, faladas, olhadas e nomeadas pelo Outro como negra?

Esse questionamento inicia-se em meio ao impacto negativo que o racismo causa sobre a vida psíquica do sujeito, na passagem de uma suposta identidade neutra para uma experiência privada da identidade racial. A criança ao receber a nomeação de que é negra e, por isso, de menor valor, precisa a todo o momento negar essa nomeação ou mostrar que apesar dela será bem sucedida. Segundo Salviano (2017), mesmo a população brasileira com sua maioria negra, o racismo ainda acontece com frequência seja de forma implícita ou explícita. A criança nominada como negra pode ficar presa ao destino de provar seu valor à vida toda..

2. Da Cor ao Corpo

A questão do racismo articula-se com a noção de corporeidade. Neste sentido, é preciso tomar o corpo como objeto a ser pesquisado e suas interseções com o campo das identificações. As identificações são a marca simbólica do Outro. A psicanálise investiga o corpo a partir do problema da nomeação. Descobrir o porquê, para quê e para quem o sujeito busca nomeações, convocado a assumir ou não uma identidade (corpo, nome social, uma identidade racial).

Na busca para assumir um sentido singular para sua existência, usa-se o corpo para portar mensagens simbólicas através de marcas corporais, ou seja, cicatrizes para se autoafirmar e se apresentar como integrante de grupo no qual se identifica, passando a modificar sua imagem corporal através de práticas agressivas, introduzindo marcas que passem a fazer parte do corpo. As culturas, raças ou etnias possuem suas marcas corporais acarretadas pela agressão e desrespeito que acompanham desde as suas origens.

Ser negro é ser violentado de forma constante, contínua e cruel, sem pausa ou repouso, por uma dupla injunção: a de encarnar o corpo e os ideais de Ego do sujeito branco e a de recusar, negar e anular a presença do corpo negro (COSTA, 1985, p. 104).

Nesse sentido, pode-se demonstrar que as barreiras raciais erguidas historicamente e criadas pela classe dominante branca produziu ideologias racistas, levando o sujeito a internalizar um ideal de branqueamento. A desvalorização, a discriminação e o desprezo cravam nesse sujeito conteúdos inconscientes, negando sua identidade negra, adequando-se a um molde de beleza e costumes que não são seus.  “Como formar uma identidade em torno da cor e da negritude não assumidas pela maioria cujo futuro foi projetado no sonho do branqueamento?” (MUNANGA, 2004, p. 137).

A negação da nomeação da raça pode ser a herança silenciosa que marca a subjetivação com o medo de ser nomeada simbolicamente como negra. O olhar do Outro parece mortificante de algumas nomeações que marcam o corpo e seu modo de ser, essa experiência escópica parece ser investida de uma pulsão desagregadora, ou seja, ao colocar para dentro a imagem negativa relacionada à raça, há uma clivagem do eu e, por isso, a produção de defesas da ordem da negação. Freud (1996) ressalta como defesa do Eu, negar a realidade dolorosa, que é uma forma de proteção contra algo que lhe gera sofrimento; recusa consciente para perceber fatos perturbadores e outras sensações que lhe cause desprazer.   

A maneira como o sujeito enxerga a si mesmo é determinada por nomeações, apelidos e marcas (significantes) variadas que o Outro dá ao seu respeito cravado simbolicamente, como: crioulo, mulato, moreno, pardo, macaco. Assim é estabelecido o desejo do Outro sobre o corpo real, uma forma de nomear o inominável. Dolto (2008), enfatiza que o corpo real é ao mesmo tempo o corpo das sensações dos desejos e do gozo, desta forma, nosso real é inacessível e impossível de simbolizar, pois ele não tem existência, a não ser pelas palavras que o descrevem.

A forma como o negro se descreve está carregada de coisas que disseram sobre ele, nomeações que tem (Nome Próprio) como intuito de diferenciação dos demais, ou seja, fazendo uma hierarquia de raça. A pessoa não é diferente porque tem uma descendência africana, torna-se diferente pela nomeação e classificação racista, excludente.

Lacan (2008) afirma que o Outro é o lugar simbólico da linguagem, onde a simbolização desse Outro nos nomeia. Nada mais somos do que o efeito da incidência da linguagem sobre nossos corpos.

Há algo que excede ao corpo e fala dele. A marca racial parece inscrever a ideia de inferioridade e frustração: por possuir um ideal de branqueamento o sujeito passa a desejar e invejar o corpo branco, quebrando a homeostase psíquica, criando conflito, encobrindo as feridas através da mutação do próprio corpo.   

As ideologias racistas têm como consequência a negação, dessa maneira, para aproximar-se de um padrão ideal as mulheres negras, por serem cobradas (gênero-raça- pobreza), são destinadas a se agredirem. As formas de agressão são, geralmente, o uso de substâncias na pele e de produtos químicos para alisar o cabelo. Essas atuações revelam a ânsia de aproximar-se cada vez mais do ideal desejado e de serem aceitas pelo laço social.

As mulheres buscam o semblante, levando a busca de sentido que, ao invés de fazer emergir a condição de sujeito, produz um distanciamento cada vez maior de si. As mulheres negras, no entanto, conhecem na própria pele essa problemática ou, no mínimo, conhecem alguém que já passou por essas situações. O maior dos danos, porém, é pouco questionado: a baixa autoestima que se constrói cada vez que um desses processos acontece. “O negro, no desejo de embranquecer, deseja, nada mais, nada menos, que a própria extinção. Seu projeto é o de, no futuro, deixar de existir” (COSTA, 1985, p. 107).

Preocupada em que imagem projetar para o outro, inicia-se uma tentativa de clarear os descendentes, apagando qualquer traço que remeta a uma afrodescendência, fazendo morrer aos poucos a negritude, seu marcos e suas reminiscências, tornando-se cada vez mais algo do passado de uma ancestralidade totalmente desconhecida.

Desse modo, discute-se quando o sujeito estabelece uma relação negativa contra seu corpo negro. Costa (1985), enfatiza que a identidade do sujeito depende, em grande medida, da relação que este cria com seu corpo. Para criar uma estrutura psíquica harmoniosa, é necessário, como a psicanálise enfatiza, que o corpo seja predominantemente vivido e pensado como fonte de prazer; quando isso não vem a acontecer, torna-se um corpo perseguidor, odiado, visto como foco de ameaça.

3. Imagem Corporal na Perspectiva Psicanalítica Contemporânea

O corpo como imagem é um produto da experiência simbólica, por isso, pode-se afirmar que a preocupação em construir uma identidade nacional, em quesito beleza e uma obtenção do corpo perfeito, inferiorizou a cor negra. Em meio à prática de discriminação, por não possuir atributos requeridos, o sujeito sente dificuldade em olhar para seu corpo e se identificar, assim vem o desejo de embranquecer (miscigenar-se), diluindo suas características raciais. A elite que incide controlar apontava esse caminho como o melhor para a construção de uma nação desenvolvida. “Havia uma expectativa ao Brasil tornar-se um país branco, como consequência do cruzamento das raças” (BENTO, 2002, p.47).

Nessa concepção, as populações negras sofreram ao longo da história do Brasil com marcas desqualificadoras, principalmente as mulheres. Assim, a relação gênero-raça e classe social aponta que as mulheres carregam em seu próprio corpo atribuições desprezíveis, afirmando essa ideia racista de que há seres humanos superiores, possuindo tratamentos desiguais, vindo a despir-se de sua identidade, passando a se tornar não o que deseja, mas o que a sociedade contemporânea impõe.

Neste sentido, a noção de corpo e suas formas de construção e ordenação ajudam a pensar como se constrói a imagem, para tanto, partiremos da concepção psicanalítica sobre a formação do corpo e do “eu”. Assim, destaca-se que o sujeito vai criar uma imagem do corpo a partir de percepções internas e externas onde o “eu” projeta para superfície desse corpo fluxos de energia, sensações, sentimentos e excitações que se originam a partir das experiências reprimidas. “O eu é primeiro e acima de tudo, um eu corporal; não é simplesmente uma entidade de superfície, mas é, ele próprio, a projeção de uma superfície” (FREUD, 1996, p. 39).

A imagem corporal construída é resultado de um grande acúmulo de experiência do sujeito em sua estrutura psíquica, suas frustrações, alegrias e preconceito; síntese viva de experiências emocionais. O sujeito vai construindo sua imagem corporal com base no desejo imaginário de possuir uma aparência que possa ser aprovada pelo outro, buscando sempre sua imagem de base. Sendo assim, a imagem do corpo é específica de cada um e está ligada ao sujeito e sua história, associado com o conceito de si próprio e a influência da interação com o meio. Dolto (2008), compreende a imagem inconsciente do corpo como uma memória inconsciente das emoções precoces sentidas na relação intersubjetiva com o outro.

Destarte, pode-se apontar que a internalização de traumas causados por anos de trabalhos forçados, negação de direitos, julgamentos e intolerância, as mulheres negras não tiverem a escolha de aceitar seu corpo, tiveram de colocar uma segunda pele como forma de sobrevivência social e subjetiva. De um modo geral, essas mulheres para serem reconhecidas, destinaram sua origem étnica e racial à busca de se encaixarem em modelos de perfeição (mulheres brancas). Os discursos e a linguagem transmitiam a mulher branca como símbolo de referência.

Nunca percebemos nosso corpo tal como é, mas tal como imaginamos; o percebemos como fantasia, isto é, mergulhado nas brumas de nossos sentimentos, reavivado na memória, submetido ao julgamento do Outro interiorizado e percebido através da imagem familiar que já temos dele (NASIO, 2009, p. 63).

Dessa forma, o sujeito parecia assujeitado ao modelo branco, rejeitando seu corpo e sua pele. Esse processo de subjetivação fundamenta-se em lembranças de auto-ódio administradas pela classe dominante branca, passando a enxergar a si e sua negritude como um empecilho para a sua aceitação na sociedade. O sujeito para constituição de sua identidade, deve criar uma estrutura psíquica harmoniosa assumindo seu corpo tal como ele é, buscando um modelo de identificação para reviver seu narcisismo original. Assumindo assim, sua raiz e sua ancestralidade.

Freud (1996), destaca que durante o processo analítico os eventos traumáticos retidos na memória, a lembrança desses eventos vai desempenhar um papel defensivo de encobrir o material inconsciente apresentando certa resistência, falseando através da fantasia as recordações. Por meio da investigação da realidade psíquica o sujeito vai reconstruir esse passado encoberto através da repetição, trazendo para a consciência essas lembranças arcaicas. Assim a imagem do corpo é a marca das lembranças e das repetições acumuladas em sua estrutura psíquica

4. Estádio do Espelho: Constituição do Sujeito Racial

Assumir uma identidade significa estar ou não fora dos padrões. Na sociedade, a etnia afrodescendente é considerada de menor valor, pode-se apontar que as características identitárias valorizadas positivamente são a da mulher branca. Assim, é construída uma subjetividade negativa alimentada pelo preconceito e discriminação.

Há benefícios simbólicos, pois qualquer grupo precisa de referências positivas sobre si próprio para manter a sua autoestima, o seu autoconceito, valorizando suas características e, dessa forma, fortalecendo o grupo (BENTO, 2002, p. 27-28).

Em meio às práticas de exclusão, a mulher negra é forçada a rejeitar sua negritude em meio a comportamentos racistas presentes nas relações étnico-raciais, sendo incentivada a negar sua identidade, onde a imagem que percebe de si é de uma desconhecida. Jacques Lacan (1936) teorizou o momento da constituição do eu mediante a identificação com a imagem do outro, no qual chamou de Estádio do Espelho.

No espaço imaginário instituído pela visão em espelho, a estrutura do corpo próprio oferece a base, a partir de uma similitude objetiva, da identificação precipitada do eu com o outro (JALLEY, 2009, p. 42).

Mesmo antes que o eu afirme verdadeiramente sua identidade, vem a se confundir com a imagem que forma do outro. Assim, traz-se uma percepção visual precipitada do corpo no qual pode se reconhecer nessa imagem, pois a imagem que se tem de si agora é de um sujeito incompleto (fragmentado), buscando no outro, em outra raça, essa incompletude, vindo a alienar-se, diluindo assim suas características raciais.   

Lacan (1966), compreende que o espelho é tudo aquilo que envolve pra você sua imagem, possibilitando o reconhecimento dessa imagem, ocupando um lugar simbólico e que se diferencia do outro, mas integrada ao Outro como totalidade. O espelho é, portanto, o ponto de partida da subjetividade humana.

A relação que a mulher negra cria com a raça pertencente leva a construir significativamente sua identidade, levando a assumir seu fenótipo e sua negritude perante a sociedade miscigenada, indo contra a tudo que remeta a desvalorização da cultura afrodescendente. Posicionando assim, as mulheres para que elas sejam protagonistas de suas próprias histórias.

5. Eu Ideal e Ideal do Eu: a Introjeção dos Ideais e a Construção do Sujeito Universal

A sociedade vinculada à produção de uma normalidade ideológica cultural, moral e étnico-racial aprisiona a mulher negra, estabelecendo a desvalorização de suas características físicas, acabando legitimando que o branco é a única raça como modelo possível de identificação.

A mulher negra, em meio à exigência daquilo que gostaria de ter sido, se põe a necessidade de correção, fazendo a transferência da escolha desse objeto para uma atitude hostil e agressiva contra seu corpo. Na constituição desse corpo social idealizado, o sujeito prorroga seu narcisismo primário, características do ego que se realiza a partir de um investimento de ideais externos.

O ego passa a internalizar a imagem de ser negra associada às coisas ruins: ser feia, ser periculosa, destinada ao fracasso e posicionada em espaços desqualificados na sociedade. Os olhares de desprezo por suas características fenotípicas constroem uma imagem dessexualizada, ou seja, sem investimento libidinal, tornando-a um objeto identificatório mau. “A formação de um ideal aumenta as exigências do ego” (FREUD, 1996, p. 112). Costa (1985) destaca que a violência racista é impiedosa, onde o sujeito internaliza uma ideologia do branco, sendo obrigado a formular para si um projeto identificatório, dificultando na construção de uma identidade positiva.

6. Considerações Finais

É oportuno lembrar o quanto de herança silenciosa o negro carrega por diversos traumas causados durante sua história sobre a desapropriação de suas origens e a importância dos danos psicológicos que o racismo traz para o psiquismo do sujeito. Este reflexo racista apresenta impacto na subjetividade dessas pessoas, encobrindo a realidade dolorosa, modificando seu fenótipo negro e aproximando-o de um ideal branco. Nesse sentido, compreende-se o quanto o racismo influencia na aceitação de si e na construção de identidade harmoniosa.

É preciso assinalar que o racismo se faz presente no cotidiano, mesmo quando não o percebemos, assim a questão do combate ao racismo passa não só pela lei que diz que o racismo é crime e, sim, por um processo de retificação subjetiva que facilita os processos de consciência racial e de superação do autopreconceito. É importante ressaltar que o inconsciente não tem cor, mas a presença do outro marca formas de ser olhado e, consequentemente, de olhar para si.

Em meio ao processo analítico devem-se perceber as questões raciais no dia a dia, analisando como as consequências de ser olhada de forma diferente interferem, levando em consideração todo o material reprimido e a deslegitimização do discurso, possibilitando um encontro consigo próprio, com sua história, com seu povo e com sua identidade.

Assim, esse debate traz um olhar que ser negro não é uma construção inata, mas diz respeito a um lugar social e simbólico, um modo de ser/estar na sociedade.

Sobre os Autores:

 Claudeny Alves do Nascimento - Psicóloga e Especialista em Clínica Psicossocial. 

 Glaudston Cordeiro de Lima - Professor e Supervisor do Curso de Psicologia das Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA. 

Referências:

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