Drogas e Juventude: uma Junção Perigosa

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Resumo: Com base em algumas pesquisas, vamos observar a realidade de um mal que tem sufocado a humanidade, na qual tem se tornado um eixo onde a problemática tem crescido, inclusive falaremos um pouco sobre a adolescência, na qual é uma fase do sujeito que seria marcado por algumas mudanças e alterações: físicas, sociais e psíquicas. Citaremos também alguns traços de personalidade, nesses jovens, na qual facilita o uso e abuso de drogas; como diferenças pulsionais no uso do álcool e das drogas ilícitas, baseado em: Jean-Jaques Rassial, Diane E. Papalia, Ruth Duskin Feldman, Paulo Dalgalarrondo, Decio Gurfinkel, Maria Rita Kehl.

Palavras-chaves: Adolescentes.  Drogas. Ensino. Viagem. Brincar. Pulsão de morte.

[...] não existe uma estrutura psíquica profunda e estável especifica aos comportamentos da dependência. Qualquer estrutura mental pode dar origem a comportamentos de dependência, quer tais comportamentos apareçam como manifesto, quer permaneçam latentes[...] BERGERET, 1982,p.40 CITADO POR DECIO GURFINKEL, 2011 p.68

1. Introdução

O estudo tem o intuito de mostrar uma realidade que alguns jovens tem se deparado no percurso de suas vidas, o uso das drogas, na qual viemos a trabalhar preventivamente, expondo alguns traços de personalidade que podem facilitar esse envolvimento, seria no decorrer desse percurso que alguns jovens tem perdido sua vida, se envolvendo na criminalidade, e podem vir a desenvolver problemas tanto físicos como psíquicos.  A questão das drogas é muito explorada pela mídia em geral, traz desafios a diversos setores da sociedade além da psicanálise como saúde, justiça, educação, sociologia, polícia, economia, dentre outros. Segundo (Martins, Costa; Pillon, Cristina.2008), os jovens no Brasil iniciam o uso de drogas aos 12 anos.

2. A droga          

O uso e o abuso das substâncias químicas como o álcool e outras drogas, podem levar à adicção, podendo ser fisiológica, psicológica ou ambas, e que provavelmente continuará até a idade adulta. As drogas que causam adicção são especialmente perigosas porque estimulam partes do cérebro que ainda estão em desenvolvimento na adolescência apud (CHAMBER et al., 2003). Nos EUA, cerca de 6% de jovens com idade de 12 a 17 anos necessitam de tratamentos para o uso de álcool e mais de 5% para o uso de drogas ilícitas (substance abuse and mental health services administration [SAMHSA],2006b).

No Brasil essa estatística se torna alarmante, pela necessidade de políticas públicas voltada para o assunto, na qual gera demanda aos órgãos públicos, tanto na saúde, segurança pública e educação.      

Segundo (IBGE) de 2009 para 2012, o uso de drogas entre os adolescentes nosso país subiu assustadoramente, principalmente entre jovens do sexo feminino. Em 2012, chegou a 9,9% a porcentagem de adolescentes que moram nas capitais do Brasil que já experimentaram drogas ilícitas.

Pesquisa essa que foi feita com o maior apoio, com um objetivo para que o adolescente refletisse e sendo o máximo realista, tendo total privacidade nas respostas, sendo

utilizado aparelhos eletrônicos. Em 2009, no Brasil 6,9% das meninas relataram ter feito uso de alguma droga, índice esse que subiu em 2012 para 9,2%. O consumo entre os meninos aqui no Brasil ficou estável de 10,6% a 10,7% no caso das drogas lícitas, nada menos que sete a cada dez jovens no Brasil já fizeram uso de bebida alcoólica, pesquisa essa que foi realizada entre jovens de 13 a 15 anos.

Novas drogas são constantemente introduzidas ou drogas antigas são redesc orbertas por uma nova geração, e os jovens não necessariamente generalizam as consequências, prejuízos e efeitos adversos de drogas antigas para drogas mais novas ( JOHNSTON et al., 2010).

Com isso tem chegado ao mercado ilegal uma droga que tem fascinado a juventude, e levado ao uso constante, uma droga que se chama ecstasy (MDMA), uma droga de clubes/uso popular em boates e raves, apresentou um aumento nas taxas de prevalência ao longo da vida para estudantes do ensino médio no inicio da década de 2000;

Quanto a popularidade, podemos falar um pouco de uma droga de fácil acesso e de uma aceitação positiva perante a sociedade, o álcool, ele é potente e tem um vasto poder destrutivo, que altera a consciência e provoca graves efeitos como rebaixamento do nível de consciência, confusão mental, desorientação temporespacial, (Delgarralondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 2008,  pág.349) sobre o bem-estar físico, emocional e social. Seu uso constitui um problema muito sério em muitos países (GABHAINN E FRANÇOIS, 2000).

Em um estudo nacionalmente representativo (EUA). Aqueles que tomaram bebedeiras eram mais propensos que outros estudantes a relatar desempenho escolar fraco e se envolver com outros comportamentos de risco (MILLER et al., 2007).

Mesmo com o declínio da utilização da maconha entre 1996-1997, ela ainda é a droga ilícita mais usada nos EUA, a fumaça da maconha contém aproximadamente 400 substâncias cancerígenas, e sua potência duplicou nos últimos 25 anos, (NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE [NIDA], 2008).

O seu uso pesado pode danificar o cérebro, o coração, os pulmões e o sistema imunológico e pode causar deficiências nutricionais, infecções respiratórias e outros problemas físicos. Ela pode diminuir a motivação, desenvolver a depressão, inferir nas atividades diárias e causar problemas familiares. O uso da maconha pode também prejudicar a memória, a velocidade do raciocínio, a aprendizagem e o desempenho escolar. Ela pode diminuir a percepção, o alerta, a amplitude da atenção, o julgamento e as habilidades motoras necessárias para dirigir um veiculo, e portanto, pode contribuir para acidentes de transito (MESSINIS et al.,2006; NIDA, 1996; OFFICE OF NATIONAL DRUG CONTROL POLICY, 2008,; SAMSHA, 2006a; SOLOWIJ et al., 2002).        Contrariando a crença comum, o uso de maconha causa dependência (TANDA, PONTIERI E DICHIARA, 1997).

3. O Adolescente

Embora a grande maioria dos adolescentes não abuse das drogas, uma minoria significativa o faz. Segundo (MARTINS, COSTA; PILLON, CRISTINA, 2008), os jovens no Brasil iniciam o uso de drogas aos 12 anos.

Adolescência é a transição da infância para a idade adulta; dura aproximadamente uma década,. Temos visto algumas exceções na idade desses jovens nesse período. As definições legais, sociológicas e psicológicas do ingresso na idade adulta variam.

A adolescência está carregada de riscos em comparação com outras fases do desenvolvimento, assim como de oportunidades de crescimento físico, cognitivo e psicossocial.

Padrões de comportamento de riscos, como consumo de bebidas alcoólicas, abuso de drogas, atividade sexual insegura, envolvimento em gangues e uso de armas de fogo, tendem a se estabelecer no início da adolescência.

Esse sujeito nesse momento, vem passando por uma mudança brusca em seu corpo, produção a exacerbada de hormônio, crescimento de pelos no corpo, espinhas e outras alterações, alterações na voz, com isso sua a aparência começa a ser transformada, não sendo mais aquela criança, muito menos um adulto, seria isso uma questão que desenvolve nesse jovem uma dúvida; quem sou eu? Que grupo vou pertencer? Sendo levantado um verdadeiro questionário imaginário, na qual dificulta essa transição natural do sujeito, nesse momento seria da grande importância uma orientação, esclarecimento e até mesmo aproximação dos responsáveis, pelo fato do dia-dia sufocante, no qual o trabalho e as tarefas diárias muitas vezes rouba o tempo dessa relação.

4. A Junção Perigosa

Segunda a psicanálise nós somos sujeitos faltantes, na qual acontece um anseio por buscar algo que venha satisfazer essa falta, essa lacuna, esse vazio; seria isso um objeto a qual o sujeito encontraria como uma fonte prazerosa de preencher o vazio na qual aos olhos físico, é impossível ser percebido.

Como poderíamos nomear esse fenômeno, que é a toxicomania em jovens? Devido o conviver e o pesquisar, observamos nessa classe de indivíduos, uma palavra (metáfora) chamada “viagem” palavra essa que é muito utilizada no ciclo entre jovens, tendo esses, um linguajar singular, no qual seria uma forma de diferenciar-se do linguajar comum social.

Verdadeiramente uma viagem com uma partida prazerosa com um intuito de refugiar-se da realidade capitalista que lidera no social, uma cadeia ambiciosa que o faz evadir-se com o intuito talvez de não ser participante de uma realidade de interesses sociais, mais sim individual e própria. Como também um desejo de ser um futuro participante de um determinado grupo de pessoas na qual tem traços e objetivos idênticos ao desse jovem, sendo esse sujeito um apreciador de um determinado grupo (tribo), ao ponto de envolver-se em práticas frequentes dos participantes do turismo coletivo, com um intuito de ser um integrante desse desejado grupo. Essa viagem seria muitas vezes com uma passagem free, presenteada por um determinado indivíduo, ou membros do grupo, no qual já estão em seu destino. Com um intuito de guia-lo, do ponto de partida desse turismo ilusório, seria isso denominado “batismo” na qual pode ser um nascimento de um possível toxicômano. Independendo da cor, classe social ou nível de graduação. Podendo ser essa viagem uma mera curiosidade de conhecer uma cidade obscura e sem muitos pontos turísticos reais,  e sim prazeres e momentâneos, imaginários e destrutivos. Na qual em uma viagem de férias com a família não viria a acontecer os mesmos sinais dessas viagens, visões, ilusões e alucinações (efeitos da droga). Seria isso uma viagem que muita das vezes o auxiliar (guia), que desaparece do percurso deixando o futuro adicto juvenil a ver navio, ou a desejar veículos ao qual ele pode dar continuidade a sua viagem, até mesmo meios mais potentes(drogas mais fortes), ao ponto de querer saber onde seria vendida a passagem ou veículo para não recuar da postura de uma compulsória e apaixonado viagem, e tendo uma relação passional com esse  veículo, segundo Sigmund Freud, “sem mecanismo de fuga é impossível vivermos”.

Com isso certamente a união da curiosidade de algo novo  na qual venha preencher essa lacuna da falta, como da dor da sua vivência diária com o capitalismo social vivenciado pelos pais, pela sociedade, a dor do luto na adolescência (morte da infância) e suas mudanças físicas, uma crise de identidade vivenciada nesse percurso, na qual pertence a formação da própria identidade. O adolescente pode buscar esse objeto como uma forma de evadir-se de sua realidade que muita das vezes seria um tormento em seu ego, na qual sua fuga seria da realidade vivenciada presente: física, social ou psíquica. Isso traria um resultado de uma viagem que o seu destino final seria traçado pelo próprio jovem. Temos um grande exemplo de uma viagem mal sucedida e quase catastrófica com o percursor da Psicanálise “Sigmund Freud”, teria ele lido algo relacionado à cocaína e com isso manifestou o desejo de embarcar no veículo chamado droga, ao ponto de uma exaltação individual passou a infectar pessoas do seu ciclo relacional, como sua namorada e seu amigo,  apresentando a droga ao seu amigo com um objetivo de livrá-lo do vício da morfina, tendo um êxito razoável, tirando-o da morfina; porém, seu paciente e amigo desenvolveu uma dependência maior à cocaína. Com isso, sua imagem e carreira médica sofreram grandes riscos. Com a pena de Freud foram escritos vários artigos científicos incentivando o uso da cocaína como medicamento. O próprio fez uso pessoal da droga durante onze anos de sua vida.  (SILVEIRA,DARTIU. DROGAS: Uma compreensão psicodinâmicas das farmacodepêndencias,1995).

Para Winnicott, no entanto, a toxicomania está totalmente associada às brincadeiras de criança: tendo o indivíduo parado em um objeto transicional. Estaria para ele ligado ao processo de brincar de uma forma lúdica, e suas atividades de sublimação como: a arte, religião,  e os processos intelectuais, aumentando assim a criatividade do sujeito.

É comum, vermos algumas seitas religiosas que fazem a ingestão de algumas substâncias psicoativa para entrar em um estado transicional e místico com o intuito de se relacionarem com os seus deuses. Vemos em uma experiência de uma jovem, que os encontros com o analista foi acentuado sobre o objeto droga, tinha uma dupla função, primeiro prolongar a onipotência da criança na lógica do jogo, consolidando um imaginário infantil evitando o cortante da diferença sexual da castração, dar um objeto-causa a depressão, poupar o trabalho do luto na adolescência, em beneficio de um luto objetal sempre a ser feito e deixado para mais tarde(RASSIAL, Jean-Jacques. O adolescente e o psicanalista pág.108). Embora o alcoolista e o toxicômano busquem um gozo, não é a mesma coisa, o que está em situação é uma busca de embriaguês, teria uma diferença quanto em relação ao corpo e seus efeitos.

Enquanto o alcoolista é movido por uma nostálgica em suma neurótica, no máximo perversa, de um estado sexualmente indiferenciado, o adicto da droga ilícita, está em busca não de um estado, más de diferentes estados, de um instante de projeção, de ejeção, para sair do mundo, em busca de uma psicose artificial, sendo mais do que a degradação física, buscando conseguir a morte brutal. O alcoolista com sua sede absoluta, é o herói da pulsão oral que o organiza, certamente existe uma semelhança entre o engajamento precoce do alcoolismo. O toxicômano não e o terreno de nenhuma pulsão libidinal, senão da pulsão de morte (pulsão que prevalece na toxicomania).

5. Fatores que Podem Influenciar Adolescentes ao Uso de Drogas

Citaremos agora alguns fatores que influenciam o adolescente ao uso de drogas: Curiosidade, excitação por estar fazendo algo ilegal e secreto, um temperamento difícil, controle fraco nos impulsos e uma tendência a buscar sensações fortes (que pode ter uma base bioquímica), influências familiares (tal como uma predisposição genética ao alcoolismo, uso ou aceitação do uso de drogas pelos pais, estilos de parentalidade insatisfatórios ou inconsistentes, conflito familiar e relacionamentos familiares perturbados ou distantes), problemas de comportamentos precoces e persistentes, particularmente agressividade, fracasso escolar e falta de compromisso com a educação, rejeição dos pares, sensação de fazer parte de uma subcultura, expressão de hostilidade e de independência em relação aos pais e professores, para reduzir sensações desagradáveis (tensão, ansiedade, solidão, tristeza, sensação de impotência), associação com usuários de drogas, alienação e rebeldia, atitudes favoráveis com relação ao uso de drogas, iniciação precoce no uso de drogas. Quanto mais fatores de risco estão presentes, maior chance de um adolescente vir a abusar de drogas.

6. Conclusão

Apresentou-se algumas representações numéricas nesse estudo, devido ao tema abordado que é de grande importância social, para nos situarmos e sabermos realidades tanto dos Estados Unidos, como da nossa pátria, na qual exploramos  uma temática visível e destrutiva na nossa sociedade, tendo isso como meio de evasão de realidades impostas por uma realidade social, física ou estruturalmente psíquica, podendo ser uma mera curiosidade de um barato louco ou um meio de se chegar aos desejados amigos, e mais algumas características que foi abordado no estudo.

Sobre o Autor:

Renato Alves Dantas Júnior - Bacharelando em Psicologia, integrante da base de pesquisa: Psicanálise, subjetividade e cultura .

Referências:

Diane E. Papalia, Ruth Duskin Feldman. Desenvolvimento humano, 2013, p.399-402

Paulo Delgalarrondo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 2008.

Silveira Dartiu. Uma compreensão psicodinâmica das farmacodependências , 1995.

Rassial, Jean-Jacques. O adolescente e o psicanalista. Freud,1999.

Decio Gurfinkel, Adicçoes, 2011, p.68,420-435

Maria Rita Kehl,Drogas e psicanalise, entrevista ao café filosófico, 2011

Estadão: Notícias - http://m.estadao.com.br/noticias/geral,ibge-cresce-o-uso-de-drogas-ilicitas-por-adolescentes,1044304,0.htm

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