Eu, Inimigo Meu? Quando a autossabotagem do Ego Responde com Dor

(Tempo de leitura: 11 - 21 minutos)

Resumo: Esse artigo trata da dor literal que sentem milhares de pessoas e que não conseguem ser diagnosticadas por especialistas por que sua origem está na “alma”. Como numa batalha, o pior inimigo é aquele que não consegue ser visto ou aquele que detêm todas as informações privilegiadas sobre você: você mesmo; trata também de que forma este inimigo se instala, manipula e destrói tudo de criativo, pulsante, essencial e vigoroso para a vida. Seu principal inimigo pode ser você mesmo.

Palavras-chave: Self, Sabotador, Inimigo, Psicanálise.

1. Introdução

“Eu vi a face do inimigo: era a minha própria.” (Da sabedoria oriental – in Zimerman – 2008)

Por mais paradoxal que possa parecer sentir dor é saudável e contamos com ela para a nossa sobrevivência. A nossa integridade física depende diretamente dessa sensação. A dor então é um reflexo físico externo contra as agressões do mundo exterior. Mesmo a dor intrínseca, manifestado acima de tudo pela tristeza, é um processo biológico de amadurecimento da psique humana. Mais do que em momentos felizes, a tristeza fortalece o ego, nos levam a introspecção e robustecendo ainda mais nossos laços com a felicidade.

Porém, quando a perda, a frustração, o arrependimento, a decepção se instalam no organismo por um longo tempo, pode ser sintomas psicóticos, formando um complexo jogo hiperdinâmico, resultando em reorganização patológica das entidades que formam a personalidade, surgindo então, a partir do próprio ego, constantes ataques, boicotes e sabotagem contra as capacidades sadias e de crescimento intelectual do ser. Nasce então o “contra-ego”, cuja única finalidade é infringir, literalmente falando, a dor e se possível à morte.

Pensamentos bons e ruins fazem parte do nosso cotidiano. Quais os que irão prevalecer em nossas reflexões, dependerá de nossas experiências e de que forma a encaramos, é o que chamamos de padrões mentais. Os padrões de pensamentos negativos podem se tornar parte do nosso “software” de forma definitiva, formando patologias.

O processo de aprendizagem humana, diferentemente de um computador, se dá através de emoções. Toda forma de recordação ou de crescimento intelectual está necessariamente ligado, vinculado alguma forma de emoção.

Segundo Freud (1930), as emoções básicas do ser humano são: medo, ira e amor. Todas as demais derivam destas. Os poetas nos presenteiam com obras universais e com frequência nos revelam a dor de viver. Quem já passou por sofrimentos da alma sabe que essa dor não reflete apenas na essência, ela dói literalmente. Zimerman (2008) argumenta que a dor é um sintoma, um produto que carreia em si um ou vários componentes simbólicos. Ela transcende a relação causa/efeito. Ela expressa um sentimento, um pedido, uma súplica. Na realidade é uma confissão que o ego não consegue resolver seus conflitos.

Lacan (2010) argumenta que as doenças e as dores pode ser uma válvula de escape de conflitos intrapsíquicos e emocionais. Mesmo um ser humano com seu perfeito equilíbrio homeostático, o seu ego possui limites das pressões e ações de inimigos externos e principalmente internos. A incapacidade de a pessoa exprimir, de forma adequada os seus conflitos ou suas emoções, pode ser um poderoso desencadeador do processo de adoecer. Quando o inimigo, o “contra-ego”, se estabelece na psique o bombardeamento ao “ego bom” é incessante, resultando em um conjunto de ações patológicas que desembocam na autopunição. O sentimento de culpa agravado pelo agressor interno resulta na necessidade de castigo, de adoecer. Assim nasce a dor, inexplicável, sem detecção.

Uma vez, quando o poderoso inimigo se encontra instalado, os padrões mentais começam a mudar, resultando em autocrítica, raiva, ressentimento e culpa. O contra-ego silenciosamente destrói o “EU sadio”. O ressentimento por si mesmo ou por outrem acaba dando origem a tumores a câncer, cefaléias, torcicolos, reumatismos, tuberculoses, sinusites... E até a própria morte.

2. Metodologia

Esse artigo é baseado em levantamentos de livros de psicologia e revistas especializadas de psicanálise que revelam o processo de formação da clivagem do ego. Sua finalidade, baseada em pesquisas recentes, é demonstrar que o processo desencadeador de dores crônicas e doenças pode ter origem no espírito.

3. O Inimigo Vive Dentro de Mim

De uma forma geral, as percepções que temos do mundo e de nós mesmos, não passam de opiniões que temos de outras pessoas e que incorporamos as nossas crenças, e em função de velhas e novas experiências vamos moldando lentamente nossos padrões mentais. Quando as experiências negativas costumam ganhar mais destaques do que devido, no nosso dia-a-dia, a ponto de abrigarmos somente pensamentos ruins, forma-se então uma patologia. Quando o “ego” não consegue suportar pressões de diversas origens, tais como: financeiros, familiares, sociais, econômicos, dentre muitos, sufocado no meio de outras entidades psíquicas que o oprimem, este para ser ouvido, começa a infringir o organismo de dor. É um grito de socorro.

Para entendermos quais os conflitos e por onde fica soterrado o “self”, é necessário fazer algumas observações sobre as entidades da psique humana. Segundo Zimerman (2008), o vilão de todo esse processo, o verdadeiro inimigo de tudo o que é saudável dentro de nós é o contra-ego.  Esse ser luxuoso, perspicaz, inteligente e charmoso/ardiloso, nasce através de um circuito complexo resultante de um jogo patológico entre o ego e as entidades da personalidade, promovendo verdadeiros ataques, boicotes e sabotagem a todas as entidades criativas do ser. Funcionando como verdadeiras barreiras no crescimento intelectual e emocional do indivíduo.

Segundo Zimerman (ibidem) as palavras “self e ego”, inicialmente descritas como sinônimos por Freud (1987) pode ter atualmente outros significados. Para esse autor o “self” seria descrito com a entidade psíquica que teria funções conscientes e inconscientes do ser. O “ego” seria um subconjunto desse sistema que teria a função de ter o poder do reconhecimento da imagem de si mesmo. Nessa configuração poderia existir o surgimento de faces patológicas desse ego, tal como o “ego ideal e o ideal do ego”. Esses dois conceitos formulados por Freud como tendo quase o mesmo significado, têm certas nuances de diferenças quando observadas por Zimerman (2008), o ego ideal seria herdeiro do narcisismo primeiro elaborado por Freud, ele é oriundo do plano imaginário no qual o “ter” é igual a “ser”, e por isso mesmo o indivíduo sempre espera o máximo de si mesmo.

O sentimento de identidade é falso e de uma forma geral quando as expectativas desse ego não são atingidas emerge um sentimento de frustação, humilhação, dando janela para o aparecimento do contra-ego estabilizar-se, como no caso das psicoses e nas perversões. Já o “ideal do ego”, ainda segundo Zimerman (ibidem) é herdeiro do ego ideal. Esse é conjugado no verbo futuro: “eu agirei dessa forma, caso contrário...” Do mesmo modo as expectativas alcançadas é o fracasso e a vergonha.

O “superego” de uma forma geral é a primeira porta de entrada na criação de um “anti-ego”. Tallaferro (1996) argumenta que é uma instância proibidora e punitiva. Essa entidade é normativa no sentido da convivência em sociedade. Também é chamado por Zimerman (2008) por ego auxiliar. Seu funcionamento quando patológico é responsável pelos graves quadros melancólicos.

O Superego, segundo Tallaferro (ibidem) é um pulsante inimigo interior presente comumente em quadros de personalidade psicótica. A despeito do código ético em que vive o indivíduo, este cria seus próprios códigos de conduta. A sensação é que tudo pode, controla e é o próprio juiz  dos demais, escravizando o self no seu próprio mundo. O “contra-ego” então seria uma entidade inimiga, um software instalado dentro do próprio ego, onde partem a maioria das agressões e a origem das dores que não são diagnosticadas pela maioria dos médicos.

Zimerman (2008) o chama de “intra-ego”. Essa entidade elabora ataques requintados a parte sadia do verdadeiro ego. Levando o sujeito a um estado de sofrimento eterno, desamparo e profunda solidão. Isolado, não tendo comunicação com exterior, bombardeado pelo “contra-ego” o ego verdadeiro pede socorro infringindo dor. É uma resposta emocional do organismo as emoções reprimidas, fontes de neuroses e outras doenças mais graves. A dor então é uma forma de atenuar a angústia interior.  É o fracasso patente do ego bom de contornar os conflitos é de avisar que está sendo destruído por um inimigo.

Zimerman (2008) argumenta que o “contra-ego” se forma quando a há a clivagem do ego original, segundo ele, este é um processo de defesa, pois o ego em si, em função das agressões do mundo exterior, não consegue se relacionar com a realidade, criando uma entidade com uma matriz psicossocial completamente diferente do original para que o câmbio com a realidade seja feito.

Freud (1932) argumenta que quando existe a clivagem do eu, assim os dois egos, formam entidades separadas, independentes. As lógicas de associação com a realidade são díspares, por isso não existe coexistência pacífica. Enquanto um lado persiste na sobrevivência, na integridade do ser. O outro é punitivo, sabotador, quer a verdadeira destruição de tudo. É um inimigo poderoso. Esse inimigo se utiliza de seus vínculos perceptivos da realidade com a finalidade de bloquear as funções cognitivas do conhecimento, transformando a realidade em um local obscuro e caótico, onde a progressão da vida torna-se impossível. 

Destarte, o ego bom gradativamente vai sendo destruído, a resistência torna-se cada vez mais baixa, provocando um desassossego interior. A incapacidade de a pessoa explicitar adequadamente seus sentimentos faz com que o organismo responda com doenças, com dor. O ego bombardeado e sentindo-se que deve ser punido abre o espaço para um número muito grande de doenças. Como a maior parte dos médicos são especialistas não conseguem verificar o que há de errado com o organismo, aprofundando o sofrimento. A maior parte dos medicamentos são placebos ou atacam somente os sintomas, que funcionam paliativamente.

4. A Dor de Viver e Quando o Viver se Transforma em Dor (a dor sem fim)

“O pior doente não é o que mais sofre, mas o que não tem mais esperança”
“Esconder-se é um prazer, mas, não ser encontrado é uma catástrofe”.
(WINNICOTT, apud REZENDE E MORAIS - 2014)

O mundo atual transformou-se na existência da dor. As dores não explicadas por especialistas são aquelas que possuem sua origem na alma. E não são poucas. Com o advento do movimento psicanalítico que teve relevância internacional a partir do ano de 1918 foi utilizado pela primeira vez o termo psicossomática. Essa ciência tem por finalidade o tratamento de doenças físicas (também a dor) trabalhando a resolução de problemas do espírito.           

Rocha (2015) argumenta que um dos grandes entraves para o diagnóstico das dores sentidas pelas pessoas na atualidade é a grande resistência, por parte dos médicos, em ver a causa dos problemas como um todo, vendo a alma também, o organismo como um todo.

As emoções positivas potencializa a saúde enquanto as negativas tendem a comprometê-la, argumenta Rocha (2015). Em mundo muito conturbado e acelerado as pessoas desenvolvem estresse e com ele desenvolvem reações negativas. Segundo Rocha (2015), o organismo responde ao impacto baixando suas defesas imunológicas, deixando a pessoa exposta a doenças oportunistas, tais como: disenteria, gripes, herpes. Segundo ela, a cura estaria na auto-estima do paciente, ou seja, a felicidade faria o organismo voltar ao seu equilíbrio. Quando a mente sofre, o ego machucado pede socorro, e os seus sinais são claros: dor e doença.

Segundo Rocha (2015) o diagnóstico desse tipo de doença pode ser uma via-crúcis. Isso porque a maioria dos médicos é extremamente especialista. Buscam disfunções orgânicas específicas para averiguar o paciente. O resultado é que quase nada é encontrado. É necessário reavaliar o processo de formação desses profissionais para que cada paciente seja atendido na sua integralidade.

Não é apenas uma especulação, as doenças da mente desarticulam o equilíbrio, a homeostasia orgânica. Segundo o Centro Universitário São Camilo (2015) quando nutrimos sentimentos ruins, como a raiva nossas suprarrenais disparam adrenalina no sangue preparando o organismo para o confronto. As batidas cardíacas se aceleram, a pressão arterial aumenta para que o coração bombeie mais sangue para os músculos. O resultado de uma ação muito prolongada desse processo é hipertensão arterial, falência dos rins e dores musculares multifacetadas.

Araújo (2015) observa que as doenças psicossomáticas são aquelas que são provocadas ou agravadas por pressões emocionais. Ela explica que doenças tais como: depressão, pânico, fobias, ansiedade, angústia, herpes, vitiligo, problemas digestivos, dificuldades respiratórias resfriados, labirintite e psoríase, são provocadas por estresse, tensão nervosa, desaparecimento de um ente querido, morte, violência doméstica entre outros. E todas essas doenças podem provocar muita dor, e sua origem está literalmente na alma.

Um dos grandes vilões da doença da alma é a ansiedade. A ansiedade é uma ação/reação natural dos organismos animais, não é privilégio apenas dos seres humanos. Ela mantém o organismo em estado de vigilância, portanto, é um elemento/sintoma importante para sobrevivência. Contudo, quando ela se torna patológica, segundo Araújo (b – 2015) ela desencadeia sensação de medo exagerado, pânico, produzindo depressão, fobias e até mesmo o desenvolvimento de transtorno bipolar.

Um subproduto da ansiedade é a depressão. O neurologista Leandro Teles (apud, Araújo (b) – 2015) argumenta que é uma doença muito complexa e sua origem pode ter várias vertentes: genética, hormonais e ambientais. Seus sintomas também são extensos, podendo apresentar emagrecimento ou ganho de peso, apatia, baixa auto-estima, alterações das funções sexuais, dores generalizadas pelo corpo, fadiga e confinamento social. Todas essas características associadas à clivagem do eu, com a pulsão de um inimigo interno pode levar a morte. Segundo ainda esse doutor cerca de 20% da população mundial é acometido desse mal, e por razões sociais e biológicas grande parte desse universo são de mulheres. Em casos mais extremos a ansiedade pode causar a síndrome do pânico ou transtorno do pânico, onde o medo incontrolável leva o organismo a funcionar em vigilância 24 horas por dia, desassociando completamente a pessoa da realidade. O resultado disso é mais dor.

Médicos, principalmente os oncologistas não admitem, mas pesquisas internacionais relacionam as emoções estariam ligadas ao desenvolvimento de tumores malignos. Muitos experimentos clínicos em humanos, afirma Araújo (b-2015), tem mostrado que as células NK, muito importante na vigilância das células cancerígenas que produzem metástase, podem ter sensibilidade a fatores estressores, psicossomáticos e psicossociais.

5. A Dor de Adoecer (psicossomática)

Males emocionais geram doenças físicas, este é o princípio da psicossomática. Quando usamos essa expressão dizemos que a causa da doença é psíquica, porém sua comprovação pode ser evidenciada por exames físicos. Assim a psicossomática compreende o ser humano em sua totalidade. Sua principal analogia é causa/efeito. Sua função é a detecção dos distúrbios psíquicos e suas manifestações físicas. Outra corrente trata de revelar influências do meio ambiente no estado psicológico das pessoas, invertendo a direção da pesquisa psicossomática, a esse processo chamamos de somatopsíquica. Atualmente correntes mais recentes nos falam das doenças sócio-psicossomáticas, isto é, o estado de equilíbrio do organismo é o resultado da conjugação de fatores originados do corpo, da mente e da interação de ambos entre si.  Todos os fatores com a conjugação do ambiente social.

Destarte, o sistema imunológico da pessoa sofre então de influência de mau funcionamento do sistema orgânico, psíquico e da deterioração do meio social. Assim a pobreza ou a miséria pode resultar no ataque de doenças auto-imune. Segundo o Centro Universitário São Camilo, o medo e seus derivados, ou seja, terror, raiva, tensão e a mágoa podem estar na provável causa do aborto, AVC, acne, alcoolismo, alergia, amigdalite, anorexia e apetite (em falta ou excesso).  A sensação de não ser amado ou opressão pode gerar artrites, azia, úlcera, bulimia, bursite, câimbras, cálculos renais, rins, câncer e má circulação. Já a baixa auto-estima desencadeia aborrecimentos contínuos, irritação, impaciência. A desesperança pode ocasionar cólicas (infantil e adulta), excesso de colesterol, depressão, diabetes, disenteria, dor contínua, enxaquecas, esclerose múltipla, problemas no fígado e obesidade. A resistência de abortar antigas más ideias do passado e a culpa podem levar ao desenvolvimento de herpes, hiperatividade, incontinência, insônia, prisão de ventre e problemas nos olhos. A não aceitação de si próprio em função do ataque do contra-ego pode causar: acne, psoríase, tuberculose, torcicolo, surdez precoce, reumatismo, renites e anomalias na pressão arterial.

6. Considerações Finais

O inimigo ou o contra-ego é uma resistência patológica do desenvolvimento orgânico, social e espiritual do indivíduo, estabelecendo assim a clivagem do “EU”. Esse inimigo pode se estabelecer sob várias facetas. Uma delas é o contra-ego sabotador, que é uma construção contra-egóica que possui como único e exclusivo propósito destruir toda e qualquer aspiração, do lado bom do ego, de alguma forma de crescimento. Outra face é o contra-ego reivindicador, neste caso se comporta como juiz do mundo, por isso reivindica tudo aquilo que foram negadas ao ego bom quando ainda na fase infantil. Já o contra-ego mutilador é aquele que surge em função de um exacerbado sentido de defesa do ego bom, criando uma série de dissociação com a realidade; o processo desemboca na virtual incapacidade do aprendizado, estrutura bem descrita em Zimerman (2008), principalmente quando a aquisição desta aprendizagem foi resultado de uma experiência dolorosa. O contra-ego perverso é promovido pela via curta do narcisismo. Essa via curta, segundo Zimerman (ibidem), também funciona como mecanismos de proteção. Concentra-se em não entrar em contato direto com a realidade para evitar frustrações e desilusões; as tais agressões sofridas em um passado recente ou remoto são canalizadas para a destruição do ego bom.

A clivagem do ego ainda pode ocorrer no processo de deformação do self com a construção do ego ideal ou ideal do ego descrito por Freud (1937). Esse inimigo originado por essa divisão obriga o ego bom, a cumprir os papéis sociais pré-designados pelas expectativas dos pais. Esses pais projetam seus desejos e frustrações na vida do filho (s) antes mesmo de sua concepção. Desta forma, o inimigo destrói quaisquer projeções de manifestação de liberdade autêntica e de pensamento próprios, provocando patologias severas que travam o desenvolvimento do ser. Ainda nessa linha de raciocínio de heranças psíquicas dos pais, esse contra-ego pode resultar de identificação patógenas com a vítima. Em outras palavras, pais psicóticos podem reproduzir as mesmas psicopatias para os filhos. A criança, por questão de afinidade e aprendizagem tende a fazer as mesmas reproduções psicóticas do adulto.

A desestruturação de um inimigo requer cooptação de amigos externos e internos. Aos amigos externos, mais do que procedimentos farmacológicos, se faz necessário ajuda de um profissional da área, tais como psicólogos ou psicanalistas e se for necessário à intervenção de um psiquiatra. A face interna da cooptação da ajuda está na habilidade do terapeuta em fazer um pacto, uma aliança com o lado sadio do ego. Ambos procurarão uma forma de localizar o inimigo entrincheirado nas funções superiores e inferiores da intelectualidade. Quando o terapeuta consegue fazer esse pacto com o lado sadio da personalidade fica muito mais fácil contatar o sabotador. Segundo Zimerman (2008) o placar fica favorável a cura 2 x 1. A finalidade não é mutilar de vez o inimigo, mas gradativamente tomar o controle de situações reais. A conexão íntima entre o analista e o sabotador se processa com a construção do conhecimento preciso dos fatores externos e internos que levaram ao nascimento deste sabotador.

Quando gradativamente o lado bom do ego começa a tomar controle da situação, torna-se necessário o cultivo do bom humor e dos bons relacionamentos. Ter pensamentos positivos desencadeia a mudança da matriz psicossocial do indivíduo, restabelecendo seu equilíbrio físico e psíquico. Se for verdade que pensamentos ruins podem levar a dor, ao estresse, depressão e tristeza, é igualmente fidedigno que o cultivo de pensamentos positivos pode trazer alívios ou extirpação a muitas dores e/ou doenças.

Segundo a psicopedagoga Dayse Serra (Moreira 2015), o otimismo e a perspectiva em um futuro melhor liberam substâncias poderosas no organismo, tais como: a endorfina, a serotonina, a citosina, levando-o a uma auto-regulação, minimizando ou eliminando sintomas como as dores crônicas ou eliminação da doença em si. O ambiente também pode ter um papel fundamental na cura. Um meio socioambiental salubre e o acolhimento da família são itens fundamentais para um pleno desenvolvimento de qualquer pessoa.

Segundo Moreira (ibidem) sorrir ainda pode ser a melhor e o mais curto caminho par a cura dos males. O riso é uma importante fonte na redução dos hormônios ligados a uma infinidade de tipos de ansiedade, reduzindo a dor e até mesmo a pressão sanguínea. Pessoas alegres tendem encarar a vida estressante dos nossos dias com mais facilidade. Indivíduos felizes e bem humorados possuem uma vinda mais longeva e o que melhor, com mais qualidade. Podemos viver e devemos captar tudo o que nos rodeia, porém, nosso sentimento sobre a realidade pode ser seletivo.

7. Sugestões de Pesquisas Futuras

Sugerimos como pesquisas futuras aos processos de cura de dores crônicas que são acometidas milhares de pessoas por técnicas que não envolvam processos farmacológicos. Igualmente estimulamos pesquisas posteriores que envolvam problemas de aprendizados com crianças por influência das ações patógenas de seus pais e/ou pela ação da pobreza ou pobreza extrema a que são submetidas.

Sobre o Autor:

Paulo de Jesus Amorim - Doutor e Pós-Doutor em Educação, Mestre em Economia e Psicanalista Clínico.

Referências:

Araújo, A. Revista Doenças Emocionais. São Paulo (SP) - Ano 1, nº 1 - Ed. Alto Astral, 2015 (a).

______ Alma Doente. Revista Doenças Emocionais. São Paulo (SP) - Ano 1, nº 1 - Ed. Alto Astral, 2015 (b).

CENTRO Universitário São Camilo. Revista Doenças Emocionais. São Paulo (SP) - Ano 1, nº 1 - Ed. Alto Astral, 2015.

FREUD, S. Neurose de Transferência. Rio de Janeiro (RJ), Imago, 1987.

LACAN, J. A Psicanálise e Suas Conexões. Rio de Janeiro (RJ), Imago, 1977.

MOREIRA, F. Detox Emocional (Limpe a Mente dos Pensamentos Negativos e Limpe a sua Saúde). Revista Doenças Emocionais. São Paulo (SP) - Ano 1, nº 1 - Ed. Alto Astral, 2015.

TALLAFERRO, A. Curso Básico de Psicanálise. São Paulo (SP), Ed Martins Fontes, 1996.

ZIMERMAN, D.E. Manual de Técnica Psicanalítica (Uma Re-visão). Porto Alegre (RS), Ed. Artmede, 2008.

REZENDE, A. A; Morais, D.  Depressão na Obra de Winnicott. Águas de Santa Bárbara (SP), Ed: DWW, 2014.

ROCHA, R. “Quando a mente adoece...” Revista Doenças Emocionais. São Paulo (SP) - Ano 1, nº 1 - Ed. Alto Astral, 2015.

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