Neurofisiologia e Psicanálise: um Estudo de Caso

Neurofisiologia e Psicanálise: um Estudo de Caso
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Resumo: A psicanálise é uma teoria com uma estrutura empírica forte e resistente, que permanece e sempre permanecerá sendo uma ciência de cura terapêutica. Porém é necessário aliar-se com outras ciências do humano para que este exercício terapêutico seja feito com uma consciência de que o ser humano é um organismo cujas relações vai do somático ao subjetivo. Esta relação é complexa e de difícil conclusão. Por isso a necessidade de conhecer o funcionamento do corpo humano de uma forma mais completa para um trabalho mais competente na cura terapêutica. Este artigo tem como objetivo demonstrar como a neurofisiologia é um forte aliado da psicanálise no tratamento terapêutico para todo e qualquer psicanalista no exercício de suas funções. Partindo-se de um caso terapêutico onde as ferramentas da psicanálise não trouxeram resultados cem por cento eficientes e, utilizando-se dos princípios básicos da neurofisiologia chegou-se a cura terapêutica. Na compreensão deste esboço espero fazer com que todo psicanalista compreenda a importância e a necessidade que toda a humanidade tem desta ciência que, ao ser aplicada, revoluciona a vida e as práticas cotidianas de qualquer pessoa. É necessário perceber nesta síntese o quanto essa ciência – a Neurofisiologia -  pode contribuir para o enriquecimento do tratamento terapêutico.

Palavras-chave: Psicanálise, Neurofisiologia, Sistema Nervoso, Sistema Endócrino, Hipertiroidismo.

1. Introdução

Alguns anos atrás, recebemos em nossa clínica terapêutica uma pessoa que sofria já havia algum tempo de depressão, desânimo e fraqueza muscular. Estava sempre desanimada e com muita dificuldade de se concentrar em alguma coisa importante. Estava engordando muito e dizia estar comendo pouco e perdendo o apetite cada dia que passava, além disso, tomando sob orientação médica alguns anti-depressivos. Começamos um tratamento com aquela paciente que chamaremos aqui de Aparecida Nathália Augusta.

Aparecida não perdia nenhuma sessão de terapia, falava, chorava e contava de seus aborrecimentos cotidianos com o marido, com seus filhos e a insatisfação com toda a sua família. Havia sido criada entre muitos outros irmãos e sempre se sentiu em segundo plano. A rejeição paterna foi trabalhada, visto que seu pai abandonou a família quando ela ainda tinha oito anos de idade.

Passado uns oito meses, Aparecida não apresentava nenhuma melhora em seu estado psicoemocional, pelo contrário, estava cada dia mais deprimida, cansada, com problemas de pressão baixa e desanimada. Comecei a fazer alguns estudos em Neurofisiologia e pude ver alguns princípios básicos que me ajudaram a tomar a decisão de enviá-la para um endocrinologista fazer um exame de TSH que mostrou onde estava o problema.

2. Neurofisiologia e Seus Pressupostos Básicos

As funções corporais são reguladas por dois sistemas principais: o sistema nervoso e o sistema hormonal ou endócrino. O sistema hormonal está envolvido com o controle das funções metabólicas. Existem muitas inter-relações entre os sistemas hormonal e  nervoso. Pelo menos duas glândulas, por exemplo, as medulas supra-renais e a hipófise posterior, só secretam seus hormônios em resposta a estímulos nervosos e os hormônios da hipófise anterior em sua maioria só são secretados em resposta à ocorrência de atividade nervosa e neuroendócrina no hipotálamo.

Tipos de Neurônios

De acordo com suas funções na condução dos impulsos, os neurônios podem ser classificados em:

  1. Neurônios receptores ou sensitivos (aferentes) - são os que recebem estímulos sensoriais e conduzem o impulso nervoso ao sistema nervoso central.
  2. Neurônios motores ou efetuadores (eferentes) - transmitem os impulsos motores (respostas ao estímulo).
  3. Neurônios associativos ou interneurônios - estabelecem ligações entre os neurônios receptores e os neurônios motores.

Quanto ao tamanho e forma de seus prolongamentos, os neurônios se classificam em:

  1. Neurônios multipolares - que apresentam mais de dois prolongamentos celulares, representa a maioria dos neurônios.

  2. Neurônios bipolares - têm um dendrito e um axônio. Ocorrem na retina, na mucosa olfativa e nos gânglios coclear e vestibular

  3. Neurônios pseudo-unipolares - que apresenta próximo ao pericário prolongamento único que se bifurca enviando um ramo para a periferia e outro para o SNC. São encontrados nos gânglios espinhais.

Na raiz dorsal de cada nervo espinal há um gânglio, o gânglio espinal, onde se localizam os corpos celulares dos neurônios sensitivos. Já os corpos celulares dos neurônios motores localizam-se dentro da medula, na substância cinzenta. Os nervos espinais ramificam-se perto da medula e os diferentes ramos inervam os músculos, a pele e as vísceras.

Os neurônios contam com duas propriedades fundamentais para as funções que exercem: a excitabilidade (capacidade de reagir aos estímulos) e a condutibilidade (uma vez alterados pelos estímulos, os neurônios transmitem essa alteração por toda sua extensão, em grande velocidade).

O Cérebro e os Comandos para Todo o Corpo

Já temos pesquisas e estudos suficientes que demonstraram todas as interligações do corpo humano. Os nervos são responsáveis pela transmissão e homeostase do corpo e da mente. Existe uma organização fantástica no corpo humano, onde todos os órgãos e todas as células se comunicam e afetam e influenciam-se mutuamente. Nosso corpo é um organismo que se interage e busca todo o tempo a homeostasia, isto é, um equilíbrio entre os funcionais intra e extra corporal.

Analisando a estrutura hierárquica humana podemos dizer que primeiro viria o átomo, depois a molécula, a macromolécula, a organela e depois a células, os tecidos, os órgãos, os sistemas e o organismo humano completo. Temos então o sistema músculo–esquelético que relaciona o organismo com o meio ambiente externo e que é responsável pela expressão e posturas e movimentos do corpo. Segue-se então os órgãos viscerais que são responsáveis pela relação com o meio ambiente interno e pela execução dos ajustes homeostáticos do meio interno. Temos os sistemas digestivo, cárdio-circulatório, respiratório, renal e o endócrino.

Os órgãos sensoriais dão um sentido somático especial por meio da visão, da audição, do equilíbrio, da olfação e da gustação. No sentido somático geral, teremos o tato, a temperatura, a dor e a propriocepção. E o sentido visceral, como o nome já sugere, se refere às respostas sensoriais que se pensa que se originam nos órgãos internos tais como o estômago, intestino, fígado, coração, bexiga e genitália.

Ao longo dos anos, experiências cirúrgicas colheram a informação de que sem o benefício de anestésicos, o intestino poderia ser cortado e cauterizado sem despertar dor. Por esta razão, pensou-se que os órgãos internos não produziam respostas sensoriais. No entanto, experimentos laboratoriais indicaram que os órgãos internos respondem aos estímulos de calor, frio e estiramento das paredes. Notou-se mais tarde que as sensações dos órgãos viscerais não estão exatamente localizadas, como aquelas dos sentidos da audição paladar ou equilíbrio. Por causa da imprecisão da exata origem dos vários sentidos viscerais, muitos psicólogos questionam se as vísceras podem ser classificadas como órgãos sensoriais verdadeiros.

Apesar de se rotular as vísceras como órgãos sensoriais verdadeiros, eles respondem a estímulos específicos e registram sensações características do corpo com influência no comportamento. Fala-se das sensações de fome, sede, fadiga e excitação sexual, as quais incontestavelmente têm suas origens nos órgãos internos. A secura da garganta contribui para a sensação de sede, as contrações das paredes do estômago são interpretadas como sensações de fome. A pressão do conteúdo fecal contra a parede do intestino grosso torna-se um sinal para um chamado a evacuar. Ondas inversas do peristaltismo nas paredes do estômago causam a sensação de náusea, etc (Introdução à psicologia Por KENNETH M. MARTIN, Abraham P. Sperling).

Voltando a uma abordagem panorâmica dos sistemas nervoso e endócrino, estudos e pesquisas mostram que o sistema nervoso tem uma ação rápida e fugaz por todo o corpo, sendo sua ação de curtíssimo prazo e com efeitos localizados. Já o Sistema endócrino tem uma ação lenta porém duradoura de médio e longo prazo, com um efeito muito amplo. Ambos os sistemas agem de maneira integrada, garantem a homeostasia do organismo tornando-o operacional para se relacionar com o meio ambiente de forma plena e satisfatória.

A homeostasia, segundo Claude Bernard, é uma tendência permanente do organismo em manter a constância do meio interno. Estado de independência relativa do organismo em relação às oscilações do ambiente externo. O corpo vivo, embora necessite do ambiente que o circunda, é relativamente independente do mesmo. Esta independência do organismo com relação ao seu ambiente externo diva do fato de que, nos seres vivos, os tecidos são, de fato, removidos das influências externas diretas, e são protegidos por um verdadeiro ambiente interno que é constituído particularmente pelos fluídos que circulam no corpo.

O corpo possui órgãos efetuadores que através de ações contráteis (músculos) e secretoras (glândulas) manifestam as reações necessárias para os ajustes. Essas reações correspondem às respostas reflexas locais (no coração, nos vasos, nos rins, nos pulmões, no trato gastrintestinal e etc) e às reações globais que envolvem todo o organismo. A integração dessas ações homeostáticas depende do Sistema Nervoso Central, do Sistema Endócrino e do Sistema Imune.

Posto estas considerações básicas voltemos ao sistema endócrino que é o que nos interessa para este estudo de caso. Quase invariavelmente os hormônios combinam-se, de início, com receptores hormonais localizados na superfície da membrana celular ou no interior das células desencadeando uma cascata de reações. A maioria dos hormônios está presente no sangue em quantidades extremamente pequenas. Por essa razão, exceto em alguns casos, é praticamente impossível medir essas concentrações pelos meios químicos habituais. Entretanto, existe um método extremamente sensível que revolucionou a dosagem dos hormônios. Tal método é o radioimunoensaio.

A glândula tireóide secreta grande quantidade de dois hormônios, a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3), que exercem profundo efeito sobre o metabolismo corporal. As funções desses hormônios são qualitativamente idênticas, porém diferem quanto à rapidez e a intensidade de ação. Os hormônios da tireóide são então absorvidos pelo sangue e transportados às outras partes do organismo para realizar sua função. Para que seja formada a quantidade normal de tiroxina e triiodotironina, têm que ser ingeridos cerca de 50 mg de iodo a cada ano, aproximadamente 1 mg por semana.

As principais doenças da tireóide são o hipertireoidismo e o hipotireoidismo. No hipertireoidismo, são encontrados no sangue dos pacientes anticorpos com ações semelhantes às do TSH. Esses anticorpos se ligam aos mesmos receptores aos quais o TSH se fixa, de modo que isso provoca uma ativação continuada das células. Os anticorpos causadores do hipertireoidismo se formam quase certamente em consequência de auto-imunidade desenvolvida contra o tecido da tireóide. Assim, ao contrário do que se poderia esperar, demonstrou-se através de radioimunoensaio que as concentrações plasmáticas de TSH estão abaixo do normal no hipertireoidismo. Os efeitos do hipotireoidismo são geralmente opostos aos do hipertireoidismo. Uma das principais características do hipotireoidismo é o bócio endêmico.

O bócio endêmico, popularmente conhecido como papo ou papeira, é uma doença que se estabelece no organismo quando a dieta é pobre em sais de iodo. Nesse caso, a glândula tireóidea cresce exageradamente, surgindo então o bócio endêmico. A doença pode ser corrigida com uma alimentação rica em sais de iodo, o que inclui a ingestão de alimentos como peixes, frutos do mar, alface e couve. No combate ao bócio, por lei federal, o sal de cozinha (NaCl) é enriquecido com sais de iodo.

O mecanismo do desenvolvimento dos grandes bócios endêmicos é o seguinte: a falta do iodo impede a produção do hormônio da tireóide por essa glândula; como consequência, não há hormônio disponível para inibir a produção de TSH pela hipófise anterior através do mecanismo de feedback, o que possibilita à hipófise secretar quantidade excessivamente grande de TSH. Este, então, faz as células da tireóide secretarem quantidade enorme de tireoglobulina (colóide) para o interior dos folículos, e a glândula fica cada vez maior.

Além das funções digestivas, o pâncreas secreta dois hormônios importantes, a insulina e o glucagon. O pâncreas é composto por dois tipos principais de estruturas: os ácinos, que secretam sucos digestivos para o duodeno e as ilhotas de Langerhans, que secretam insulina e glucagon diretamente para o sangue. As ilhotas de Langerhans do ser humano contém três tipos principais de células, alfa, beta e delta. As células beta secretam insulina, as células alfa secretam glucagon e as células delta secretam somatostatina, cujas funções mais importantes não foram totalmente esclarecidas.

O principal efeito celular da insulina é o de tornar as membranas celulares altamente permeáveis à glicose. Imediatamente após uma refeição rica em carboidratos, a glicose que é absorvida pelo sangue causa uma rápida secreção de insulina. Esta, por sua vez, promove a captação, o armazenamento e a rápida utilização da glicose por quase todos os tecidos corporais, mas especialmente pelos músculos, pelo tecido adiposo e pelo fígado.

Quando os músculos não estão sendo exercitados durante o período subseqüente a uma refeição e ainda assim a glicose está sendo transportada em abundância para as células musculares, a maior parte da glicose é armazenada sob a forma de glicogênio muscular que pode ser utilizado posteriormente para fins energéticos. De todos os efeitos da insulina, um dos mais importantes é fazer com que a maior parte da glicose absorvida após uma refeição seja quase imediatamente armazenada no fígado, sob a forma de glicogênio. Assim, o fígado remove glicose do sangue quando ela está presente em excesso após uma refeição e a devolve ao sangue quando sua concentração sanguínea cai entre as refeições. O cérebro é muito diferente da maioria dos outros tecidos do corpo, na medida em que nele a insulina exerce pouco ou nenhum efeito sobre a captação ou a utilização da glicose.

As células cerebrais também são muito diferentes da maioria das outras células do corpo, na medida em que normalmente utilizam apenas glicose para fins energéticos. Alguém poderia perguntar por que é tão importante a manutenção da constância da concentração sanguínea de glicose, especialmente pelo fato de muitos tecidos poderem passar a utilizar lipídios e proteínas para fins energéticos na ausência de glicose? A resposta é que a glicose é o único nutriente que pode normalmente ser utilizado pelo cérebro, pela retina e pelo epitélio germinativo das gônadas em quantidade adequada para supri-los da energia de que necessitam.

O diabetes melito decorre da diminuição da secreção de insulina pelas células beta das ilhotas de Langerhans. A hereditariedade dá geralmente uma contribuição importante para o diabetes. A obesidade também contribui para o desenvolvimento do diabetes. A teoria do tratamento do diabetes se baseia na administração de insulina suficiente para possibilitar que o metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas fique tão próximo do normal quanto possível. Os pacientes diabéticos têm tendência extremamente forte ao desenvolvimento de aterosclerose, cardiopatia coronária grave e múltiplas lesões microcirculatórias.

Hormônio Paratireóideo, Calcitonina, Metabolismo do Cálcio e Fosfato, Vitamina D, Ossos e Dentes

A fisiologia dos hormônios paratireóideo e calcitonina está estreitamente relacionada ao metabolismo do cálcio e do fosfato, às funções da vitamina D e à formação dos dentes e ossos. As principais fontes de cálcio na dieta são o leite e seus derivados, que também são grandes fontes de fosfato. O fosfato também está presente em muitos outros alimentos como as carnes.

O cálcio é mal absorvido pelo tubo intestinal e o fosfato, na maioria das vezes, é bem absorvido. A vitamina D exerce potente efeito no aumento da absorção de cálcio pelo tubo intestinal e também tem efeitos importantes, tanto sobre a deposição óssea como sobre a reabsorção óssea. Quando a concentração de íons cálcio no líquido extracelular cai abaixo do normal, o sistema nervoso vai se tornando progressivamente mais excitável, em razão da maior permeabilidade da membrana neuronal. Quando o nível de cálcio nos líquidos corporais se eleva acima do normal, o sistema nervoso fica deprimido e as suas atividades reflexas tornam-se lentas.

Funções Reprodutivas Masculinas: Os Hormônios Sexuais Masculinos e a Glândula Pineal

As funções reprodutivas masculinas podem ser divididas em três subníveis: a espermatogênese, o ato sexual masculino e a regulação das funções sexuais masculinas por diversos hormônios. A espermatogênese ocorre em todos os túbulos seminíferos durante a vida sexual ativa, como conseqüência da estimulação pelos hormônios gonadotrópicos da hipófise anterior. O sêmen, que é ejaculado durante o ato sexual masculino, é constituído pelos líquidos oriundos do canal deferente, das vesículas seminais, da próstata e das glândulas mucosas, especialmente as glândulas bulbouretrais.

Os mais importantes sinais nervosos para desencadear o ato sexual masculino originam-se na glande, pois ela contém um sistema altamente organizado de órgãos terminais sensitivos, que transmitem para o sistema nervoso central um tipo um tipo especial de sensação denominado sensação sexual. Estímulos psíquicos apropriados

podem aumentar muito a capacidade de realização do ato sexual de uma pessoa. O

simples fato de um homem ter pensamentos sexuais, ou até mesmo sonhar que o ato sexual está sendo realizado, pode fazer com que o ato ocorra e culmine na ejaculação. Entretanto, o cérebro não é estritamente necessário para a realização do ato sexual. A medula, através de mecanismos reflexos próprios integrados é suficiente para a realização do ato sexual.

Os testículos secretam vários hormônios sexuais masculinos, que são coletivamente denominados androgênios. O mais significativo é a testosterona, responsável pelos efeitos hormonais masculinos. A testosterona é formada pelas células intersticiais de Leydig, situada nos interstícios entre os túbulos seminíferos. Em geral, a testosterona é responsável pelas características distintivas do corpo masculino.

No sistema hormonal feminino, o hipotálamo produz o hormônio liberador de gonadotropinas que estimulam a hipófise anterior a produzir o hormônio folículoestimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH). Os hormônios ovarianos estrogênio e progesterona são produzidos em resposta aos dois hormônios liberados pela hipófise anterior. A duração do ciclo menstrual é, em média, de 28 dias. O início dos ciclos sexuais mensais ocorre entre os 11 e 15 anos de idade; esse início é denominado menarca e esse período da vida das meninas é chamado de puberdade. No início de cada mês do ciclo sexual feminino, imediatamente após a menstruação, as concentrações dos hormônios hipofisários FSH e LH aumentam. Quando ocorre a ovulação, o óvulo é expelido diretamente para a cavidade peritoneal e entra numa das tubas uterinas. A fertilização do óvulo ocorre normalmente logo depois que ele penetra na tuba uterina.

A principal função da placenta é a de possibilitar a difusão de substâncias alimentares do sangue da mãe para o do feto e a difusão dos produtos de excreção do feto para a mãe. A placenta também realiza o transporte de oxigênio da mãe para o feto e de dióxido de carbono do feto para a mãe. Na gravidez, a placenta forma grande quantidade de gonadotrofina coriônica humana, estrogênios, progesterona e somatomamotropina coriônica humana. A gonadotrofina coriônica humana provoca a persistência do corpo lúteo e o impedimento da menstruação.

No parto, o aumento da contratilidade uterina próximo ao termo pode ser explicado por alterações hormonais progressivas que causam maior excitabilidade da musculatura uterina e, segundo, alterações mecânicas progressivas causadas pelo aumento do bebê. O principal hormônio responsável pelo aumento das contrações uterinas é a ocitocina, produzida pela hipófise posterior. O hormônio prolactina estimula o início da lactação. A ocitocina estimula a descida do leite através de estímulos neurogênicos que terminam por provocar a contração das células mioepiteliais que circundam as paredes externas dos alvéolos.

A Área Específica da Tireoide

Tireoide

Depois deste estudo preliminar percebi que havia uma chance de ser algum problema hormonal. E dentro do sistema endócrino a Tireóide me chamou a atenção. Então decidi fazer um estudo específico sobre este sistema que abaixo sintetizo de maneira mais prática.

Os hormônios da tireóide são essenciais para o desenvolvimento do sistema nervoso para o controle das atividades metabólicas nos adultos, afetando a função de praticamente todos os órgãos do nosso corpo. As doenças da glândula tireóide são das mais comuns da prática médica. Existem dois tipos de disfunção da Tireóide:  o hipotireoidismo e o hipertireoidismo. O hipertireoidismo ou tireotoxicose é uma condição caracterizada pelo aumento da secreção dos hormônios da tireóide e pode originar-se de várias causas. Já no hipotireoidismo ocorre a deficiência dos hormônios da tireóide, que pode potencialmente afetar o funcionamento de todo o corpo.

Sinais e sintomas do hipotireoidismo

Como o hormônio da tireóide afeta praticamente todas as células do seu corpo, você pode apresentar uma grande variedade de queixas se estiver com hipotireoidismo: cansaço, depressão, pele ressecada, cabelos ásperos, unhas quebradiças, constipação intestinal (prisão de ventre), anemia, fadiga, perda do apetite, aumento de peso, períodos de menstruação irregular ou ausente, tornozelos e rosto inchados, colesterol elevado, e às vezes, pressão baixa.

Efeitos do Hipotireoidismo

A carência de hormônios da tireóide afeta as pessoas de diferentes maneiras. Pode causar diversos problemas, no cérebro: dificuldade de concentração, depressão; na pele e no cabelo: queda de cabelos, ressecamento da pele; no coração: diminuição do ritmo cardíaco; nos músculos: fraqueza, dor e fadiga; no aparelho digestório: constipação intestinal; no fígado: colesterol alto; nos rins: retenção de líquidos; nos órgãos reprodutivos: alterações menstruais e infertilidade; e outros sintomas como: apatia (desânimo), ganho de peso e dores articulares. A taxa de funcionamento normal do corpo diminui causando lentidão mental e física. Os principais fatores de risco são idade superior a 50 anos, sexo feminino, obesidade.

Um simples exame de sangue comprova o diagnóstico

No passado, o hipotireoidismo era em geral, diagnosticado quando já estava em estádio avançado. Hoje, a sensibilidade dos novos testes laboratoriais possibilitam o diagnóstico em fase muito precoce. Um destes exames, o TSH (hormônio estimulador da tireóide), mede a quantidade deste hormônio que está circulando no sangue e informa como está funcionando sua tireóide.

O tratamento correto garante boa saúde

É indispensável tratar o hipotireoidismo, pois a falta de tratamento pode ocasionar sérios danos para a sua saúde. Os riscos da falta de tratamento do hipotireoidismo diferem de pessoa para pessoa. Nos recém-nascidos (hipotireoidismo congênito), o tratamento imediato é crucial para prevenir o retardo mental, atraso no crescimento, deformações físicas e outras anormalidades importantes. Esta é a razão pela qual todos os recém-nascidos devem ser submetidos ao "Teste do Pezinho".

Crianças e adolescentes com hipotireoidismo podem ter seu desenvolvimento mental e físico seriamente comprometidos, se não forem prontamente tratados. Nos adultos, as conseqüências do não tratamento do hipotireoidismo podem provocar considerável desconforto ou incapacidade. Se o hipotireoidismo for acentuado, o não tratamento pode resultar em doença mental e cardíaca ou, se for de maior gravidade, levar a danos ainda mais sérios.

Como a maioria dos casos de hipotireoidismo resulta de danos irreversíveis da glândula tireóide, não existe tratamento que proporcione cura definitiva. A reposição hormonal é o tratamento de escolha do hipotireoidismo e visa repor o hormônio que a tireóide doente não consegue produzir. O hormônio sintético da tireóide usado no tratamento é chamado de levotiroxina sódica.

Duração do tratamento

A levotiroxina funciona no organismo exatamente como o hormônio natural da tireóide. É indispensável tomar os comprimidos de levotiroxina diariamente, para que o objetivo seja alcançado. Para a grande maioria dos pacientes, o hipotireoidismo é crônico, portanto o tratamento deverá ser instituído por toda a vida.

Precisão na dosagem

A quantidade necessária de levotiroxina varia de pessoa para pessoa. Seu médico solicita exames muito sensíveis de laboratório para determinar a melhor dosagem de levotiroxina. Por isso, é importante seguir as instruções do seu médico, tomando a dose recomendada de levotiroxina, diariamente.

Melhora lenta e gradual do hipotireoidismo

Os sintomas do hipotireoidismo não desaparecem assim que você inicia o tratamento com hormônio da tireóide. Se você mantiver o tratamento, tomando os comprimidos de levotiroxina diariamente, notará uma lenta e progressiva melhora na sua aparência e bem-estar. Mesmo que você tenha um hipotireoidismo acentuado, alguns meses após o tratamento sentirá alívio de todos os seus sintomas. Mas não se esqueça: sentir-se melhor não significa que você pode parar de tomar o hormônio da tireóide.

Ainda que os sintomas tenham diminuído, é importante continuar o tratamento. Os comprimidos que você está tomando substituem o hormônio que sua tireóide não fabrica mais em quantidades suficientes. Se você parar de tomar a medicação, seu organismo terá a função do hormônio sintético diminuída nos períodos subseqüentes e com isso, nas semanas seguintes, seus velhos sintomas deverão retornar gradualmente.

Para você, que já está em tratamento com levotiroxina sódica (hormônio tireoideano), seguem alguns pontos:

  1. Visite seu médico regularmente e entenda o propósito do seu tratamento.

  2. Tome seu medicamento todo dia e, de preferência, na mesma hora.

  3. Caso inicie um tratamento para outro problema, avise ao seu médico que está em uso de levotiroxina. Alguns medicamentos interferem com os resultados dos exames laboratoriais e com a ação da levotiroxina.

  4. Avise o seu médico quando engravidar ou iniciar tratamento para outras condições. Ele assim poderá ajustar a dose de reposição do hormônio tireoideano.

  5. Comente sempre com o seu médico o aparecimento de novas reações ou sintomas.

  6. Faça os exames laboratoriais periodicamente, conforme a solicitação de seu médico.

  7. Lembre-se de que a substituição de uma marca de hormônio sintético por outra e o ajuste de doses só podem ser feitos pelo médico.

Um pré-diagnóstico:

Depois de ler sobre o assunto decidi selecionar das duas disfunções da tireóide que causavam Hipertiroidismo e hipotiroidismo quais sintomas minha paciente mais apresentava. Então eu vi que poderia ser Hipotiroidismo, onde destaquei: cansaço, depressão, fadiga, perda do apetite, aumento de peso, colesterol elevado, pressão baixa e dificuldade de concentração. Decidi então pedir que ela visitasse um médico especialista para fazer os devidos exames, conclusão: hipotireoidismo. Exatamente como suspeitávamos.

3. Conclusão

Os estudos na área da neurofisiologia aqui são demonstrados de forma simples, demonstrando a eficácia dos mesmos no auxílio do entendimento de alguns sintomas que, ainda que sejam aparentemente subjetivos, possuem fundamentos somáticos. Um verdadeiro psicanalista precisa se manter informado sobre esse tema para melhor eficiência no tratamento de seus clientes.

Depois desta primeira experiência, onde se passaram oito meses com uma paciente sofrendo. Decidi sempre que começar um tratamento psicoterápico com uma pessoa, solicitar alguns exames básicos - pré início de sessões - para evitar a demora do tratamento e conseqüente atraso ou impedimento terapêutico. Dessa forma, acredito que este artigo tenha cumprido seu objetivo que é despertar a curiosidade de cada leitor no que tange a conhecer a complexa relação entre o somático e o subjetivo do ser humano.

Sobre o Autor:

Jones de Mattos Silva - Pedagogo, Escritor, Professor de filosofia e Sociologia, Mestrando e doutorando em Psicanálise clínica pela FATEC – Faculdade de Teologia e ciências.

Referências:

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SOBOTTA, T.; Ptz, R. V.; Pabst, R. (2002). Atlas de Anatomia Humana. 21ª ed. Ed. Panam, 2002.

YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

SINTOMAS DA TIREÓIDE http://www.mdsaude.com/2009/02/doencas-sintomas-tireoide.html#ixzz1WhLLrLtb Imagem da Tireoide: http://3.bp.blogspot.com/-xfNzhQkzOF4/TlGUkWZvjBI/AAAAAAAASeg/M9cpHPrKthM/s320/Tireoide.jpg

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