Pulsões: um Caminho Percorrido Diante do Sujeito

Resumo: O artigo compõe alguns assuntos que nos fazem pensar nos dias de hoje sobre as emoções, comportamento e atitudes do sujeito, aliando alguns registros freudianos e pós freudianos que ajudam a elucidar e permitem que possamos ter uma noção dessa impulsividade que rege a todos. O que nos faz comportarmos de tal forma? A primeira parte tratará sobre a pulsão e como esta influencia no comportamento como um todo. O segundo tópico irá fazer uma breve colocação acerca da normalidade e patologia e como se observa na sociedade contemporânea. No terceiro momento uma breve discussão sobre a histeria na sociedade moderna, como as pessoas estão se comportando diante do que acontece, o descompasso que acompanha a nova trajetória social e por fim o trabalho pretende criar uma discussão nos sentidos freudianos e pós freudianos do pensar aliando o Séc. XIX com os pensamentos contemporâneos.

Palavras-chave: Pulsão, Sexualidade, Histeria, Contemporaneidade.

1. Introdução

Mais do que qualquer outra coisa, o tema pulsões, nos leva a pensar sobre várias situações dentro do cotidiano, atualmente vivemos num mundo, onde as coisas feias são chamadas de bonitas, onde as pessoas estão cada vez mais aceleradas, mais adoecidas, onde o sujeito é refém da própria sorte, onde o desespero se contrapõe ao acaso. Como dizia Garcia-Roza (1986), a pulsão é o representante no psiquismo de um estimulo que ocorre num órgão ou parte do corpo.

O objetivo da pulsão é sempre a satisfação. A visão hoje é de comportamentos que alterados em via de processos mentais que se afastam momentaneamente da consciência, causando uma enervação corporal e logo em seguida uma ab-reação. Nos estudos freudianos o curso dos processos mentais é automaticamente regulado pelo princípio do prazer e desprazer, o desprazer está assim de certa forma relacionado com um aumento de excitação, e o prazer uma redução. Garcia-Roza (1986), enfatiza que a pulsão se apoia no instinto não para confundir com ele, mas desviar-se dele.

A normalidade e a patologia são duas coisas que estão em evidência, até porque nos dias de hoje parece que o normal virou o “estranho”, o patológico que está em alta, como assim, pergunta-se. Embora, procuramos por todos os eixos um mecanismo para salvar a imagem para a sociedade adoecida, como: parecer estar feliz, ter sentimentos de posse em relação as pessoas , pessoas que se inervam com facilidade, sendo afetados com tudo, exploração de uma imagem superficial e vários outros comportamentos observáveis, nos escritos baseados nos conceitos freudianos Garcia-Roza (1986), toda essa enervação, impulsionamento, é um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático.

A histeria também é um tema bastante discutido, primeiramente porque foi conceituado a primeira vez no Séc. XIX, mas como podemos vincular hoje a histeria nos tempos modernos? Mais uma vez, os tópicos freudianos, nos contempla com o fato de que a histeria seria a capacidade psicofísica de transmutar grandes quantidades de excitação em inervação somática, o que se faz correlacionar acima de tudo o ego corporal. A imaginação e o pensamento também é um dos tópicos deste artigo, os representantes psíquicos da pulsão, antes mesmo de ser silenciada, porém não quer dizer que tenha sido suprimida. O corpo mental é o repositório, como bem disse Barrick (2006), das faculdades cognitivas que incluem, os pensamentos, ideias, planos e devaneios, o corpo emocional hospeda as  reações  emocionais e reflete os desejos mais e menos elevados e o corpo físico é o patrimônio pessoal ,que permite à nossa alma progredir no universo material

2. Pulsão: a Breve Compreensão Psicanalítica e sua Influência no Psiquismo

Antes de falarmos em pulsão, reza a lenda que ela já existia desde o princípio dos tempos, desde os primórdios da humanidade, quando a pulsão se dava como uma energia envolvente, espaçosa, arbitrária e necessária, veio o sujeito e ela foi tirada a força, humilhada, castigada, afastaram-na, porque ela não poderia ser vista aos olhos humanos, então ela criou representantes psíquicos, portanto ela se tornou isolada, mas não esquecida, ao adentrar a sua escuridão, o sujeito poderia sentir o forte aroma que exalava do seu gozo.

Conceito desenvolvido por Sigmund Freud no século XIX, quando começou a refletir as condutas humanas que excedem o instinto, nesses estudos, Freud conceitua a pulsão como um representante psíquico dos estímulos somáticos, tendo como componentes: Fonte, Força, Objeto e Finalidade.(Zimerman, 2008).

A fonte sendo o receptáculo de estímulos através dos órgãos e zonas erógenas. A força é uma quantificação de energia que busca descarga motora, a finalidade consiste na necessidade de satisfação imediata e o objeto é em relação aquilo que a pulsão é capaz para atingir sua finalidade. (Zimerman, 2008).

Pestana, (1999): 

 O homem é considerado na conduta pela qual se exprime na consciência em que se reconhece, na história pessoal através da qual se constitui. A psicanálise é uma das formas que renova a investigação psicológica, dando ênfase ao estudo das significações na vida do indivíduo. (PESTANA, 1999)

No cogito cartesiano, onde se propõe a máxima de “Penso, Logo Existo”, se opõe ao cogito freudiano na máxima “Penso, onde não sou, logo sou, onde não me penso”, para Descartes, um sujeito diante da verdade (véritas), mas para Freud, um sujeito oculto diante do seu inconsciente.

Para Tallaferro (1989), o ego extrai resultantes dessa síntese dos impulsos anárquicos provenientes do Id, e trata de descarregar num só movimento.

“Devemos considerar os fenômenos psíquicos como resultado do “interjogo” de forças que exigem, respectivamente, motilidade e não motilidade. O organismo está em contato com o mundo exterior no início e no fim dos seus processos reacionais, os quais começam com a percepção dos estímulos e terminam com a descarga motora ou glandular. (FENICHEL, 1981).

Garcia-Roza (1986), promove um repensar sobre o conceito, se a pulsão é um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, se ela tem sua fonte no corpo e seu objeto no registro psíquico, podemos falar dela, “do ponto de vista do corpo” como podemos fazê-lo “do ponto de vista psíquico”.

A psicanálise mostra que a pulsão sexual no homem complementa Garcia-Roza (1986), está estreitamente ligada a um jogo de representações ou fantasias que a especificam. Só ao fim de uma evolução complexa e aleatória ela se organiza sob o primado da genitalidade e reencontra então a fixidez e a finalidade aparentes dos instintos.

2.1 O Normal e o Patológico

A normalidade é entendida sob vários aspectos, para Caguilhem(2009), na medicina grega, já se definia pelos escritos e práticas hipocráticos, uma concepção não mais ontológica, mas sim dinâmica da doença. O que está em equilíbrio no homem, e cuja perturbação causa a doença, são quatro humores, cuja fluidez é capaz de suportar variações e oscilações. A doença não é somente desarmonia e desequilíbrio, ela é também, e sobretudo, o esforço que a natureza exerce no homem para obter um novo equilíbrio.

Quando uma norma é adotada por muitos torna-se hábito, a maior parte de nossos costumes são o resultado de normas que adotamos, mais ou menos conscientemente, mediante a imitação de nossos pais e educadores. Como dizia Freud, pelo mecanismo da introjeção. (Weil,2017).

A angústia deve ser entendida como sendo uma vertigem da liberdade, na qual existe uma ambiguidade gerada no fato do indivíduo sentir atração e repulsa por esta liberdade. A mesma não é momentânea, não possui um objeto específico, e é tida como fundamental para que o homem adquira sua autonomia. Kierkegaard (1968 apud Silva, 2011).

Uma arte de viver Canguilhem (2009), e a medicina o é no pleno sentido da palavra, implica uma ciência da vida , e que essa ciência tome como objetos de mesma importância teórica e capazes de se explicar mutuamente , os fenômenos ditos normais e os fenômenos ditos patológicos , a fim de se tornar adequada à totalidade das vicissitudes da vida e a variedade de suas manifestações .

“Portanto, pode-se concluir que os critérios de normalidade e de doença em psicopatologia variam consideravelmente em função dos fenômenos específicos com os quis se trabalha e também de acordo com a opções filosóficas do profissional”. (Dalgalarrondo,2008).

Bergeret (2006), complementa no seus escritos sobre normalidade e patologia, que a normalidade é mais comumente encarada em relação aos outros, ao ideal ou à regra. Buscando permanecer ou tornar-se normal, a criança identifica-se com os “grandes” e o ansioso os imita.

O estudo da doença mental, como de qualquer outro objeto, inicia pela observação cuidadosa de suas manifestações. A observação articula-se dialeticamente com a ordenação dos fenômenos. Isso significa que para observar, também é preciso produzir, definir, classificar, interpretar e ordenar o observado em determinada perspectiva, seguindo certa lógica. (Dalgalarrondo,2008)

No sentido ontológico, o que distingue objetivo de subjetivo é a existência dependente ou independente da representação, duas maneiras existem, muito comuns, aliás de considerar as coisas que nos fazem sentir melhor, embora, essa melhoria seja apenas temporária: a nossa capacidade para compreender as deficiências ou fraquezas, circunscrever os conflitos.

3. A Histeria na Sociedade Moderna

Na histeria, o fator vital é a “conversão”, a transformação do afeto em alguma manifestação somática, cuja natureza ou limite preciso é, significativamente determinado pela ideia.

No Séc. XIX, quando Freud concebeu os primeiros estudos teóricos acerca da histeria junto com Breuer e Charcot, a descoberta freudiana acerca da sexualidade no psiquismo humano acarretou fortes obstáculos e disseminação da psicanálise. Na mesma época eles introduzem suas ideias sobre a doença, como sendo originária de uma fonte da qual os pacientes relutam em falar ou mesmo não conseguem discernir sua origem.¹

Hoje observa-se nas pessoas uma certa impaciência diante do mundo crítico e adoecido que nos encontramos. O histérico é fundamentalmente como bem coloca (Angerami et.al,2012), um ser de medo que para atenuar sua angústia, não achou outro recurso senão manter, incessantemente em suas fantasias e em sua vida, o doloroso estado de insatisfação.

“O adoecer histérico não é um vestígio psíquico de um trauma, mas o afeto desse vestígio , sob a pressão do recalque , ser sobrecarregado de um excedente de afeto que em vão pretende escoar” (Angerami et.al,2012).

A histeria se organiza na fase do desenvolvimento da sexualidade que é um foco de sofrimento, já que é desproporcional aos meios físicos e psíquicos da criança. Como a tensão é intensa demais para o eu infantil, a sexualidade torna-se traumática e destinada ao recalcamento. Nessa fase de primazia do falo – precursora da forma final assumida pela vida sexual e já semelhante a ela – a criança se lança em uma investigação, geralmente sobre sua própria origem. Garcia-Roza (1995) explica que Freud designou esse impulso de investigação como pulsão de saber. Sua origem está na primeira infância e, no decorrer do desenvolvimento infantil, usa parte de sua energia sexual como reforço, caracterizando-se por uma ânsia inesgotável que leva a criança a perguntar sobre tudo. (Freire, 2002).

Bocca & Freitas (2012), assinala sobre a posição dos valores hoje, o fazer e o ter passaram a ser palavras de ordem para encaixarem-se às demandas produtivas e de consumo principalmente e, com isso, o homem se subjetiva por meio de valores que retiram de si sua dignidade. Interioriza-se sedentamente um mundo para totalizar lhe, sem êxito, e não se vê totalizado em suas ações.

Para Bezerra (2004), os afetos seriam transformados através do orgânico como seu representante, numa descarga motora de sua ideia. O ego ficaria enfraquecido e em seu lugar apareceria em outra ideia os sintomas.

Na mesma linha de raciocínio, o trauma superado passa a ser comparado metaforicamente à cicatriz de uma ferida que já não dói, mas que eventualmente poderá coçar a qualquer mudança climática (Fortes,2012).

Briquet médico do século XIX apostava em seus escritos que “Todo fenômeno histérico possui seu tipo próprio nas diversas ações vitais pelas quais as sensações afetivas e as paixões se manifestam no exterior ... as perturbações histéricas não são senão a repetição pura e simples desses atos, aumentados, enfraquecidos ou pervertidos. Considere-se um sintoma qualquer e reencontrar-se-á sempre seu modelo num dos atos que constituem as manifestações passionais.” (Quinet ,2005)

Como bem dito por Costa & Lang (2014), o fato é que o mal-estar atual é diferente daquele que Freud indicou, e talvez possamos dizer que a neurose, enquanto representante de uma defesa contra a falta nos dias de hoje, apresente uma defesa contra os excessos. É possível que nisso se constitua uma explicação para a epidemia de alguns sintomas hoje em dia, sejam eles classificados como orgânicos ou psíquicos.

4. O Sujeito Adoecido: Corpo e Mente em Descompasso

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada”. – Clarisse Lispector.

 Falar do sujeito de hoje, é falar de um todo adoecido e adormecido no seu próprio caos. Os mecanismos de defesa é a forma como podemos se defender na vida, e todos, absolutamente todas as pessoas, tem algum mecanismo que grita seu nome.

“As pessoas reprimem seus sentimentos por medo da própria vivacidade e sentimentos. Criamos a carapaça por medo e necessidade de proteção, e assim bloqueamos o equilíbrio energético”. (Reich, 1979).

Se não vemos a origem e as causas dos nossos pensamentos, podemos descobrir que a tormenta tenha se desencadeado sem que disso tenhamos nos dado conta. O corpo humano é um objeto físico constituído por substâncias materiais, podemos vê-lo, tocá-lo, medi-lo e pesá-lo. A mente é algo imaterial, não pode ser vista, nem tocada, nem medida, nem pesada. O cérebro é essencial para uma conduta humana. No que bem se referia Ávila(2012), A questão do corpo comparece de inúmeras formas na contemporaneidade: o corpo é interrogado, em medicina, pela fisiologia, pela anatomia, pela genética e outras diversas especialidades médicas. Mas o corpo também é de enorme interesse para a antropologia e para a etnologia, na medida em que o corpo, seus ritmos e interações compõem os primeiros fatos culturais. O corpo tem uma dimensão social traduzida em sua materialidade econômica e nas instâncias sociais em que o corpo é regulado e instituído.  

Segundo Reich, o aparelho psíquico, o corpo e a sociedade, compõem juntos uma unidade. Neste sentido, as pulsões instintivas do ‘id’ impactam o corpo gerando necessidades. O corpo, por sua vez, interage com o ‘ego’ e com o ‘superego’. Considerava a cultura, com um papel fundamental na resolução dos possíveis conflitos estabelecidos (Oliveira, 2014).

O meio ambiente agradável influi nos processos fisiológicos. A beleza suaviza e acalma. O meio no qual predominam a verdade e a bondade alimenta a felicidade e a paz de espirito.

“Os sistemas de representações e sua lógica são introjetados pela educação nos indivíduos, de forma a fixar as similitudes essenciais que a vida coletiva supõe, garantindo, dessa maneira, para o sistema social, uma certa homogeneidade”. (Rodrigues ,1983).

Quando a ternura, alegria, a felicidade, a simpatia prevalece em nossas mentes, os mecanismos físicos trabalham com mais facilidade.

Rodrigues (1983), aposta em seu discurso que a cultura sendo distintivo das sociedades humanas, é como um mapa que orienta o comportamento dos indivíduos em sua vida social, puramente convencional, esse mapa não se confunde com o território: é uma representação abstrata dele, submetida a uma lógica que permite decifrá-lo.

4.1 O Pensamento e Ação: Móveis do Descompasso Humano

O Pensamento e a imaginação estão estreitamente ligados, estreitamente relacionados. Na ação enfrentamos o mundo de maneira direta; no pensamento e na imaginação, nos ocupamos do mundo indiretamente. Fechamos os olhos e vemos nossas experiências passadas (recordações, lembranças), ou ideamos experiências futuras (expectativas, antecipação).

O inconsciente permanece sendo o irredutível. Essa irredutibilidade não é devida, porém, a uma irracionalidade do inconsciente, ele não é o “lugar das trevas” por oposição à racionalidade da consciência. A concepção freudiana do homem não opõe, no interior do mesmo indivíduo, o caos do inconsciente à ordem do consciente, mas sim duas ordens distintas. Aquilo a que ela se propõe é precisamente explicitar a lógica do inconsciente e o desejo que a anima. (Garcia-Roza, 2009).

A volição é o desejo, a resolução, a tentativa de pôr em ação algum plano, é a vontade que emerge no ser. Os reflexos têm relação não apenas com os movimentos dos nossos braços e pernas, mas também com os movimentos de diversos órgãos do corpo (músculos involuntários).

“Ou seja, de forma indireta, Foucault reconhece o esforço de Lacan em elaborar a relação entre sujeito, saber e verdade que se dá pela própria subversão do sujeito do conhecimento. Se há um saber sobre o sujeito na psicanálise, esse saber não é para todos, é caso a caso, singular a cada um” (Camargo & Aguiar, 2009).

As emoções desempenham o papel vital de proporcionar a energia que motiva a conduta humana. A emoção é a energia, a força que leva o homem a realizar coisas. É a emoção que move o homem. Weiss (2006), nos aproxima através das emoções, “emovere” em latim, (movimento), do aumento da complexidade da vida moderna, gerando níveis de estresse e tensão. A internet segundo Weiss, e os noticiários na televisão 24 horas por dia nos deixam conhecer tragédias e desastres pouco depois que acontecem, em qualquer parte do mundo.

A maneira como descobrimos geralmente em nós a presença de uma emoção, é sentindo-a. falamos de “sentir”, uma forte emoção relacionadas a medo, coléra, ira, etc.

Enquanto vivemos, nos afirmamos perante o outro, nos rendemos a ele e nos tornamos quem somos muito através do seu olhar, contribui Rosolen (2012), quando toda uma sociedade valorizava o sacrifício da vida à pátria , tribo ou império , não faltaram combatentes dispostos a sacrifica-la por este ideal , quando como nos tempos modernos , se valoriza o sucesso , não faltam pessoas sacrificando a própria saúde e vida para serem validade  pelo outro  como alguém que pertence a determinado grupo , o dos vencedores , complementa o autor.

Os sentimentos de depressão podem ser um ressentimento disfarçado. É uma lei de física que a energia não desaparece continua acumulando-se, aumentando sua carga até alcançar tais proporções que exige a “descarga”.

“O apoio social é uma força peculiar que pode atuar de duas maneiras diferentes. Estar sozinho no mundo é estressante. As pessoas que preferem ficar sozinhas e as pessoas solitárias tendem a sofrer mais de doenças físicas e mentais do que aquelas que frequentam amplas redes sociais (Baumeister,2012).

Como bem acrescenta Giddens (2007), “Não é apenas uma questão de pessoas acrescentando uma parafernália moderna como vídeos, aparelhos de televisão, computadores pessoais a seus modos de vida preexistentes, mas vivemos num mundo de transformações, que afetam quase todos os aspectos do que fazemos. Para bem ou para mal, estamos sendo impelidos rumo a uma ordem global que ninguém compreende plenamente, mas cujos efeitos se fazem sentir sobre todos nós”.  

Não se deve temer as emoções que nos assolam, nem a nós mesmos, temos sim que aprender a nos conhecer, nos aceitar e aceitar as nossas emoções como alicerces a fim de construir e desenvolver os propósitos no self de cada um.

5. Conclusão

Como resultado, o trabalho permitiu através de uma revisão bibliográfica e o trabalho teórico, esboçar o conhecimento acerca de um tema psicanalítico bastante discutido e atual, ao mesmo tempo possibilitando a continuação do processo de reflexão, com iniciativas   que possam sugerir outros pensamentos que venham corroborar para o entendimento do ser como um todo.

A histeria antiga e a histeria atual, vista nos parâmetros de novos tempos e nova sociedade terá sempre um espaço vasto a ser aprendido e explorado, visto que o homem é um ser em permanente construção, no sentido mais amplo, é através dela que conseguimos perceber além das nossas escolhas, o que realmente importa, os valores que atribuímos no decorrer da vida, a comunicação pessoal, mediante a realidade que nos encontramos, a que valorizamos e quem representamos de fato.

A patologia e a normalidade, perpassa por essa longa trajetória de impulsos e comportamentos que adotamos no decorrer da vida e como reagimos a todos os acontecimentos e como vivenciamos nossa realidade.

O entendimento dos atributos que nos levam a distanciarmos do equilíbrio , que essa fronteira que existe entre os dois hemisférios e que muitas vezes entra em incongruência, é o que Freud de forma visionária deixava claro em seus escritos “mal-estar na civilização” no qual ele já promovia uma reflexão acerca dos comportamentos  que poderiam afetar de alguma forma o crescimento desordenado e desiquilibrado da sociedade contemporânea , com os modismos, excesso de tecnologia e exigências feitas pela própria sociedade para que praticamente induza a comporta-se de tal forma, para ser inseridos em um grupo .  

Diante disso, podemos ressaltar que muitas reflexões são trazidas para ajudar a compreensão do equilíbrio de nossas emoções que são representantes psíquicos de nossa pulsão.

Perceber, aperceber, refletir, desenvolver ações diante da consciência dos fatos, requer a autonomia e a liberdade diante da realidade que se cria baseado nas escolhas que fazemos no decorrer da vida.

Sobre o Autor:

 Rosemeire Simões Chaves - Formada em Psicologia, especialista em Neuropsicologia Uninter - Manaus/AM. 

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Como citar este artigo:

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CHAVES, Rosemeire Simões. Pulsões: um Caminho Percorrido Diante do Sujeito. Psicologado, [S.l.]. (2019). Disponível em https://psicologado.com.br/abordagens/psicanalise/pulsoes-um-caminho-percorrido-diante-do-sujeito . Acesso em .

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