Anima e Animus: conquistas amorosas e sexuais, feminismo e imperialismo

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Introdução

No presente artigo, relaciona-se os conceitos Junguianos de Anima e Animus com as conquistas amorosas e sexuais, com o feminismo e com o imperialismo. Primeiramente, definiu-se Anima e Animus (SHULTZ e SHULTZ, 2006; JUNG, 1988) em que teríamos uma tendência optimal para o equilíbrio entre a percepção consciente da sexualidade e o respectivo Anima, ou feminilidade inconsciente no homem e Animus, ou masculinidade inconsciente na mulher.

Relaciona-se Anima ou feminilidade inconsciente no homem, ao nível linguístico, ou psicolinguístico, com animado, indicando-nos que homens muito ou excessivamente animados, particularmente exuberantes na linha histérica, serão dominados por essa feminilidade inconsciente ou anima, em que se dirá que terão sido conquistados por mulheres.

Podemos referir, por exemplo, apresentadores de talk-shows televisivos, com notórias características animadas, em que enquadrando a grande influência dos media, a nível socio-político, teríamos aqui que esses homens terão sido conquistados pelo matriarcado capitalista, este com características mais histéricas, com a histeria mais tipicamente feminina, em que teríamos, pois, que esses homens mais animados, com tendências mais histéricas, seriam eles os primeiros conquistados pelas mulheres, numa introjecção excessiva de características femininas, mais histéricas, mais animadas.

Estas noções dão mais sentido a quando se ouve amiúde a preferência de raparigas e mulheres por homens que as façam rir, supostamente mais animados, já que isso dará um sentimento à mulher de que conquistou esse homem, o que nos dá uma perspectiva acerca da perspicácia de uma mulher relativamente ao sentimento de conquista amorosa e sexual. O aspecto de maior animação no homem está também implícito nos homens homossexuais, com comportamentos mais exuberantes.

Podíamos, em geral, associar esta identificação do homem animado, particularmente enquanto homossexual, na sua identificação acentuada com a mãe, com uma manifestação implícita de terem sido conquistados pela mãe, na relação precoce, ou dito de outra maneira, de terem sido dominados pela mãe.

Já o Animus, ou masculinidade inconsciente na mulher, se relaciona, psicolinguisticamente, com animosidade, indicando-nos que mulheres excessivamente animosas ou com maior animosidade, ou hostilidade, serão dominadas por essa masculinidade, ou animus, em que se dirá que terão sido conquistadas por homens.

Podemos referir, por exemplo, as apresentadoras de televisão e atletas, excessivamente másculas, com excessiva animosidade, em que considerando o fenômeno da progressiva emancipação socio-profissional das mulheres, no enquadramento de movimentos feministas, estes com notórias hostilidades em relação a homens, e com frequentes tendências lésbicas, teríamos que essas mulheres com mais animosidade seriam elas as principais conquistadas por homens, numa introjecção excessiva de características masculinas, mais animosas, o que tendo em conta as características do feminismo referido, não deixa de ser irônico, e indicativo de que há uma maior emulação, imitação, em relação aos homens, fazendo lembrar a expressão de que se não podes vencê-los, junta-te a eles.

No caso das atletas, por exemplo, em que há a tendência geral para que homens joguem melhor do que as mulheres, ou serem melhores no desporto, haverá uma procura relativamente inconsciente de jogar tão bem como os homens, e no enquadramento de frequentes tendências lésbicas, haverá uma procura de maior identificação com os homens, mais ou menos inconsciente, para jogarem melhor.

Já nas apresentadoras com as características referidas, com frequentes tendências de acentuarem o maxilar, mais masculamente, haverá uma procura de tanto ou maior respeito e/ou de serem temidas, que sentem que acontece aos colegas de profissão homens, no quadro já referido do poder. Novamente, tendo em conta aquele enquadramento feminista, e no quadro do poder associado ao fenómeno televisivo, é de realçar o já dito quanto a estas mulheres serem principalmente aquelas conquistadas por homens, ao nível de uma excessiva introjecção de características masculinas.

Poderíamos associar esta identificação das mulheres masculinizadas, particularmente enquanto lésbicas, na sua identificação acentuada com o pai, com uma manifestação implícita de terem sido conquistadas pelo pai, na relação precoce, ou dominadas pelo mesmo. Ainda, parece haver uma oscilação entre esta escolha de objecto homossexual e identidade de gênero masculina, relacionada com o Édipo positivo, numa tentativa de triangulação edipiana, tentando identificar-se com o pai, mas com grandes dificuldades em deixar o amor pré-edipiano pela mãe. Para mais, nessa transitividade, a mulher, na escolha de objecto homossexual, com masculinização progressiva, se identificaria e fantasia substituir o pai, na procura do amor da mãe, havendo, então, acentuadas carências afectivas, com sentimento de desamor por parte do objecto materno, numa linha depressiva.

Noutra perspectiva, podíamos considerar nestas mulheres, no enquadramento do catar sexual feminino, ou o sentimento de sugar sexualmente outra mulher, nas relações sociais tipicamente sexualizadas entre mulheres, uma acentuada ambivalência homossexual, com maior ou menor angústia correspondente, que será apaziguada pela externalização daquela masculinidade inconsciente, ou animus, fornecendo à mulher maiores bases para relacionamentos interpessoais, menos angustiantes, e com a própria, em que isto será sentido mais a nível consciente.

Ainda naquela identificação acentuada com o pai, e quanto ao comportamento masculinizado destas mulheres, ter-se-á em conta a asserção psicanalítica da habitual perversidade polimorfa nas mulheres, em que essa perversidade se caracterizará pelo objecto parcial, o que nos indica que há uma identificação com aspectos parciais do homem, que sobressairão mais, com identidade progressiva, então, na linha de aspectos estereotipados, particularmente mais externos.

Continuando, e em relação novamente quanto ao anima, e à conquista por parte de uma mulher de um homem, considerem-se o que poderão ser considerados actos falhados, lapsos de linguagem, de gênero e/ou de espécie, a nível transpessoal, que é quando se ouve frequentemente por parte de uma mulher, que eventualmente ouviu da mãe ou da avó, que um homem conquista-se pelo estômago, e outro dito que é o de desejar que um homem lhe dê o mundo.

Dito isto, considerem-se as tendências falo-sobrecompensatórias derivadas da inveja do pênis na mulher, e o tido em conta no meu artigo “A guerra militar no homem fascista” (RESENDE, 2015) de que, na sua tendência expansionista imperialista, o homem fascista identifica-se acentuadamente com a mãe considerada castrada, em fantasia, e que, na conquista da bandeira hasteada do inimigo, esse homem pretende devolver o pênis perdido da mãe, que se terá perdido quando o homem fascista nasceu, cujos vestígios serão o clitóris, em que esse homem sentir-se-á um homem-falo por excelência. Além disso, dois homens imperialistas conhecidos, Hitler e Napoleão, tinham precisamente problemas de estômago, em que, por exemplo, a posição conhecida da mão de Napoleão, ao nível do estômago, reflectirá essa problemática.

Outro exemplo de Hitler ao nível da conquista pelo anima é quanto a comportamentos externos, de gestos, aquando de discursos, que poderão ser considerados animados e efeminados, como apontam jocosamente os comediantes Gato Fedorento, enquanto sátiros sociais, o que é coerente com o aqui dito. Dir-se-á, em conclusão, que esses dois homens terão sido conquistados pelas mulheres, e em particular na relação precoce pelas mães e dominados por estas, podendo inferir-se que isso caracterizará o homem imperialista em geral.

Ainda quanto ao animus, e nas lésbicas, nas frequentes manifestações e posturas másculas excessivas, podíamos intuir que, e referindo, por exemplo, A inveja do pênis e a inveja do clitóris e suas implicações políticas (RESENDE, 2015), quanto à inveja do pênis, e suas sobrecompensações falo-narcísicas correspondentes e frequentes, associadas ao expansionismo imperialista fascista, nos sistemas histéricos matriarcais capitalistas e fascistas, caracterizarem mais a mulher, e a inveja do clitóris, e suas subcompensações narcísicas, que se associam mais a sistemas defensivos e a fenómenos como a diplomacia, pela capacidade de fazer cedências, etc., nos sistemas obsessivos patriarcais socialistas e comunistas, caracterizarem mais o homem, podíamos intuir, dizia eu, que há uma identificação com a subcompensação narcísica, em que aquela tendência máscula está associada à identificação da lésbica com o corpo geralmente mais musculado de um homem, e a um ideal de masculinidade, em que a subcompensação está presente na comparação de que quanto mais musculado fôr o homem menor é o pênis, havendo subcompensação a nível corporal, portanto, em que poderíamos supor que há um afastamento ideológico da lésbica, em frequentes tendências feministas, ao pénis enquanto símbolo do homem em si, em que neste caso esta lésbica feminista tem o homem por homem-falo.

Quanto à identificação da lésbica com a musculatura em si do homem, e à subcompensação peniana, haverá um sentimento de aproximação ao clitóris, e será isso que promoverá mais a identificação da lésbica enquanto mulher com a musculatura do homem. Esta identificação revelará um sentimento de insegurança física por parte da mulher, que tentará equiparar-se ma emulação máscula, e que surgirá de sentimentos lésbicos feministas, em particular ideologicamente, a nível histórico, sentindo-se prejudicada pelo homem a vários níveis, não menos por atitudes machistas, ou mesmo misóginas, podendo envolver mesmo o físico, ou tão-simplesmente sentir-se inferiorizada em relação ao homem, importantemente a nível físico, e a nível evolutivo, de em termos pré-históricos ser o homem que a nível físico dominava, caçava e protegia o grupo num ambiente hostil, com dependência da fêmea em relação a este estado de coisas.

No aspecto do caçar, e de usar as peles dos animais em consequência, particularmente no sentido ostentatório de conquista, e como também estará presente nos dias de hoje, particularmente nas sociedades industrializadas, pelo uso frequente e generalizado de roupas de padrão animal por parte de raparigas e mulheres, em que pelo já dito aqui, haverá uma tentativa de compensação histórica e evolutiva, com afirmação indumentária actual por parte da mulher industrializada na emulação dita “máscula“ de que conquistou o animal, em que podemos dizer que esta tendência indumentária será uma afirmação ideológica feminista, querendo corrigir relações e aspectos societais a nível histórico e evolutivo.

Naquele aspecto ostentatório, ao nível do exibicionismo fálico, com a histeria enquanto organização oro-fálica, e com a histeria mais tipicamente feminina, teríamos o uso actual de roupas e sapatos de padrão animal, como sinal ilusório de conquista passada, pela ausência plausível de conquista do animal per se por parte de mulheres, em que a mulher, na linha do padrão totémico, do totem por excelência, da tribo capitalista, é o modelo totémico, no enquadramento das sociedades matriarcais histéricas capitalistas, e seu extremo fascismo, globais actuais e, importantemente, das sociedades no âmbito do chamado Capitalismo Selvagem, com a mulher enquanto falo totémico, na linha das sociedades falo-cêntricas actuais. Aquele aspecto ilusório nos indicaria a tendência destas mulheres serem usadas no quadro capitalista enquanto disfarce para o contínuo dominar por parte de homens nestas sociedades.

Pelo descrito até aqui, pode dizer-se que estas mulheres sentem-se conquistadas, dominadas, por homens, em geral, e pelo pai, na relação precoce, em particular. Noutro plano, já a nível colectivo, atentemos à relação entre Portugal e Inglaterra, enquanto ex-países colonizadores, e Brasil e E. U. A., enquanto ex-colónias respectivas. A atenção deverá ser focada na linguagem, em particular, como em outros aspectos ao nível do comportamento, com as características mais histriónicas nos segundos. Teríamos a influência de países colonizadores, enquanto sistemas imperialistas matriarcais, mais histéricos, com a histeria mais tipicamente feminina, em que as colónias, a seu tempo, acabaram por ser conquistadas ao nível do anima colectivo, anima colectivo esse que poderíamos considerar ao nível da histeria de massas, ao nível de características mais histéricas, mais animadas, mais femininas, apesar de posteriores independências.

Dir-se-á que houve uma replicação destas características, na linha do imperialismo enquanto meme, ou padrões sociológicos, culturais, que se auto-replicam, assim como Dawkins (1989) define, em O gene egoísta. Podíamos considerar esta auto-replicação memética do imperialismo ao nível das conquistas e reconquistas territoriais imperialistas na história europeia, com os diferentes impérios e, por exemplo, na influência do império romano em Inglaterra, com posterior império britânico, e ocupação moura na Península Ibérica, no caso de Portugal, com posterior império português.

Esta auto-replicação de impérios, ou enquanto sistemas imperialistas, com o seu tempo, com o caso de países europeus ocidentais e E. U. A. enquanto actuais sistemas imperialistas, ou o caso de Israel, com o seu sistema imperialista de apartheid e de ocupação territorial dos territórios palestinianos, com o passado israelita de escravatura por Babilónios e Egípcios, pelos seus respectivos impérios, esta auto-replicação, dizia eu, indica-nos maior dependência do passado histórico, em que o passado tenderá a replicar-se, a repetir-se. Esta maior dependência do passado, é referida num artigo meu, Etologia e filopsiquismo (RESENDE, 2015 ), relacionando padrões etológicos e padrões psicológicos, em que quanto mais gaussianamente mediano mais relacionado com o passado, e onde se dá o exemplo exopsicológico, no contexto da Teoria do Astronauta Antigo, que diz que temos vindo a ser visitados, ao longo da História humana, por entidades extraterrestres, de a raça Anunnaki ter influenciado a evolução genética humana, e que no início desta evolução, os Anunnaki terão utilizado os humanos enquanto escravos, com consequências filopsíquicas no capitalismo histérico actual, com suas propriedades hedonistas enquanto sobrecompensação em relação a esse passado.

Esta questão temporal, relacionando revoluções, independências, e posterior constituição de estados imperialistas, com contra-revoluções, estará na linha da progressiva influência de características mais matriarcais, mais femininas, mais histéricas, em que atestando da maior influência do passado, como já referido, estará na linha contrária a ideologias mais progressistas, como o socialismo e o comunismo.

Para terminar este tema em particular, dir-se-á que quanto mais imperialista for um sistema, mais estará a ser determinado pela ex-potência imperialista colonizante e/ou sistema ideológico imperialista vindo do passado. Noutro exemplo de auto-replicação memética do imperialismo, é de destacar a presença dos árabes na Europa, em particular na Península Ibérica a partir do século VIII, e por vários séculos, em que os mesmos conquistaram esse território, enquanto parte de um império árabe. Neste contexto imperialista, refira-se Martin Page, com o seu The First Global Village – How Portugal Changed the World (2002), intitulando um capítulo acerca de os árabes trazerem a civilização à Europa, dizendo ainda que deverá haver maior apreciação do contributo islâmico para a civilização ocidental, com raízes na Ibéria do Sul, espalhando-se para países mais a norte da Europa. Realçam-se vários contributos dos árabes, com influências pela Europa fora, como a introdução de universidades, centenas de anos antes das primeiras universidades europeias, e desconhecidas até então como tal, na matemática, com os agora universais números árabes, incluindo a criação do zero, na medicina, na arquitectura, na linguagem, na agricultura, como sistemas de irrigação e moinhos de vento e de água, na arte, nos armazéns e nas embarcações marítimas, onde se incluirá a roda do leme.

A transmissão memética imperialista particular estará na posterior proficiência marítima, quer de portugueses como de espanhóis, com os seus impérios, que se destacaram séculos mais tarde na exploração marítima. Mais se destaca, neste contexto marítimo, da chegada à América de Cristóvão Colombo com três embarcações espanholas, Pinta, Niña e Santa Maria, e a influência disto nos E. U. A.. Ora, tendo em conta o imperialismo económico estado-unidense, com o seu dólar enquanto moeda reserva mundial e a influência deste dólar na economia mundial, é de considerar, importantemente, que o índice da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em Wall Street, é o Dow Jones, e que Dhow é um barco tradicional árabe (DHOWS), indicando-nos isto que houve auto-replicação memética imperialista também dois impérios depois.

Para finalizar, dir-se-á que a chamada força anímica dirá respeito àquele equilíbrio entre percepção consciente da sexualidade e o respectivo Anima ou Animus, o que não acontecerá nos exemplos referidos, o que indica potencial nestes casos para maior força anímica.

Referências:

DAWKINS, R. (1989). O gene egoísta. Gradiva.

DHOWS. Wikipédia in pt.wikipedia.org/wiki/Dhows, consultado em 09/06/2015

JUNG, C. G. ( 1988 ). A prática da psicoterapia in Obras Completas de C. G. Jung, Vol. XVI. Petrópolis: Editora Vozes

PAGE, M. ( 2002 ). The First Global Village – How Portugal Changed the World. Casadasletras

RESENDE, S. ( 2015 ). A inveja do pénis e a inveja do clitóris e suas implicações políticas in Artigos Vários de Psicologia. Chiado Editora

___________ ( 2015 ). Etologia e filopsiquismo in Artigos Vários de Psicologia. Chiado Editora

___________ ( 2015 ). A guerra militar no homem fascista in Artigos Vários de Psicologia. Chiado Editora

SHULTZ, D. P. e SHULTZ, S. E. ( 2006 ). Teorias da Personalidade. São Paulo: Thomson Learning Edições

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