O Mito de Quíron: Nuances e Prática no Processo Psicoterápico – um Estudo de Caso na Teoria Analítica

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Resumo: O objetivo do presente trabalho é a reflexão sobre a posição ocupada pelos mitos na prática da psicoterapia. O estudo surgiu a partir da necessidade de melhor compreender a posição demandada por paciente em atendimento clínico, atendido no Serviço de Psicologia da Faculdade da Cidade do Salvador. Para elucidar as questões exigidas pelo caso, recorreu-se a uma revisão de literatura analítica a respeito de alguns conceitos junguianos e a posição do psicoterapeuta no atuar no setting terapêutico. Partiu-se da análise do Mito de Quíron, o Curador Ferido, para se entender a dimensão de "cura" que demanda do analista um lugar de "curador sempre ferido", uma vez que a ideia presente no mito é a de que Quíron pôde se tornar um exímio curador a partir de sua própria ferida incurável. A ferida de Quíron, utilizada por ele como um recurso para entender o sofrimento dos que curava, foi relacionada ao processo contratransferencial presente no procedimento terapêutico.

Palavras-chave: Clínica analítica, Inconsciente Pessoal, Inconsciente Coletivo, Arquétipos, Mitos.

1. Introdução

Em seus primórdios, a psicologia analítica veio se diferenciar das teorias psicológicas existentes na época, pelo conceito de inconsciente defendido por seu precursor. Ao definir inconsciente, JUNG (2000) utiliza a classificação de inconsciente pessoal e inconsciente coletivo. Segundo ele “uma camada mais ou menos superficial do inconsciente é indubitavelmente pessoal”. Essa camada é composta por experiências e aquisições pessoais. Jung (2006) chama de inconsciente pessoal a camada mais ou menos superficial da porção inconsciente da psique.

 O inconsciente pessoal repousa sobre uma camada mais profunda, chamada de inconsciente coletivo, que é inata e não tem origem em experiências e aquisições pessoais. O autor escolheu o termo “coletivo” por se tratar da parte do inconsciente que não tem uma natureza individual. Sendo universal, possui conteúdos e modos de comportamento que são idênticos em todos os seres humanos, representando um substrato psíquico comum e de natureza psíquica suprapessoal que existe em cada indivíduo.

Jung (2004) apresenta a ideia coerente de que não sendo o indivíduo apenas singular e separado, mas inclusive um ser social, também a psique humana não é algo isolado e totalmente individual, sendo, portanto um fenômeno que também é coletivo. E da mesma forma que certas funções sociais e instintos vão de encontro aos interesses dos indivíduos particulares, a psique humana, por conta de sua natureza coletiva é dotada de certas funções e tendências que se opõem às necessidades individuais.

O reconhecimento de uma existência psíquica se dá apenas diante da capacidade de reconhecer seus conteúdos através de uma consciência, de forma que só é possível falar de inconsciente na medida da comprovação de seus conteúdos. Enquanto os conteúdos do inconsciente pessoal são principalmente os complexos de tonalidade emocional, que constituem a intimidade pessoal da vida anímica, os conteúdos do inconsciente coletivo, por outro lado, são chamados arquétipos (JUNG, 2006).

Os conteúdos do inconsciente pessoal são de natureza pessoal e derivam em parte de aquisições da vida individual e em parte por material psicológico que poderia se tornar consciente. Elementos psicológicos incompatíveis com os conteúdos da consciência são reprimidos, tornando-se por isso inconsciente. Existe sempre a possibilidade de tornar conscientes os conteúdos reprimidos e, uma vez que tenham sido reconhecidos, mantê-los na consciência. São de natureza pessoal os conteúdos inconscientes que nos permitem reconhecer seus efeitos em nosso passado, sua manifestação parcial ou sua origem específica (JUNG, 2004).

Para Jung (1985) o inconsciente coletivo é uma possibilidade que nos foi legada na forma de imagens mnemônicas desde os tempos primitivos, ou, dentro da estrutura cerebral, para falar em termos de anatomia. O que existem não são ideias inatas, mas possibilidades inatas de opiniões que limitam as mais ousadas fantasias, colocando categorias à capacidade de fantasiar. Tal possibilidade coloca certas ideias a priori, que apenas se deixam afirmar através da experiência.

Jung (2000) afirma que o inconsciente coletivo, sendo uma estrutura cerebral generalizada, é um espírito “onipresente” e “onisciente” que vive no indivíduo criativo, manifesta-se na visão do artista, na inspiração do pensador, na experiência interior da pessoa religiosa. Na medida em que conhece o ser humano como ele sempre foi e não como é neste exato momento, conhece-o como mito. Desta forma, a relação com o inconsciente supra-pessoal ou inconsciente coletivo é uma expansão do ser humano para além de si mesmo, representando uma morte de seu ser pessoal e, consequentemente, um renascer para uma nova dimensão.

Por inconsciente coletivo, Jung entende uma camada mais profunda da psique, repleta de conteúdos e comportamentos comuns a todos os indivíduos. Conteúdos esses que não são adquiridos individualmente, mas herdados. “O inconsciente coletivo não é de natureza individual, mas universal, contrariamente a psique pessoal ele possui conteúdos e modos de comportamento, os quais são (...) os mesmos em toda parte e em todos os indivíduos.” (JUNG, 2000).

A esses conteúdos herdados Jung denominou arquétipos, predisposições natas que surgem na consciência como imagens, padrões ou motivos recorrentes e universais, que representam e simbolizam a experiência tipicamente humana e universal de diferentes maneiras. Segundo JUNG (200), “arquétipo (...) indica a existência de determinadas formas na psique, que estão presentes em todo tempo e em todo lugar”.

O arquétipo é formado por conteúdos universais essencialmente inconscientes, que quando chegam à consciência ganham forma e intensidade de acordo com a consciência pessoal na qual emergiram. O arquétipo é comum a toda espécie humana, porém a forma como ele vai se apresentar, sua intensidade e características ao se manifestar são pessoais.

Os arquétipos encontram seu veículo de manifestação nos símbolos. Um símbolo é uma forma de energia psíquica e tem a capacidade de expressar algo indefinível, algo que vai além da capacidade verbal de expressão.

A palavra "SÍMBOLO" origina-se do grego symbolon, um sinal de reconhecimento.

Na Grécia antiga, quando dois amigos se separavam, quebravam uma moeda, um pequeno prato de argila, um anel, ou ainda a metade de uma concha de madrepérola. Quando o amigo ou alguém de sua família voltava, tinha de apresentar sua metade. Caso ela combinasse com a outra metade, esse alguém teria revelado sua identidade de amigo e tinha, assim, direito à hospitalidade.

A palavra símbolo significa etimologicamente aquilo que foi colocado junto, que foi lançado junto. Portanto a ideia de símbolo implica em algo composto, então quando combinado, passa a ser um símbolo, símbolo de alguma coisa. "O símbolo, no entanto, pressupõe a melhor designação ou fórmula possível de um fato relativamente desconhecido, mas cuja existência é conhecida ou postulada" (EDINGER, 1972).

Uma vez encontrado um sentido específico, uma expressão apropriada que melhor formule o que se busca ou se pressente, o símbolo está morto; ele passa a ser um sinal. 

“Sinal é uma expressão usada para designar coisa conhecida, continua sendo apenas um sinal e nunca será símbolo” (HALL, 1983).

Todo fenômeno psicológico é um símbolo, no sentido que ele enuncia ou significa algo mais e algo diferente, algo que escapa ao nosso conhecimento atual. O que se percebe no símbolo é uma consciência em busca de outras possibilidades de sentido. A palavra tem um significado exato, o símbolo não. O significado do símbolo não é óbvio, mas alguma coisa viva, intensa e enigmática.

Sempre que a imaginação criativa for livremente expressa no decorrer da história, o arquétipo ou imagem primordial reaparece. Trata-se de uma figura mitológica. Ao examinar com detalhe estas imagens, é possível constatar que são o resultado, o resquício de inúmeras experiências do mesmo tipo, descrevendo a média de milhões de vivências individuais. Apresentam uma imagem da vida psíquica dividida e projetada nas diversas formas do vasto material mitológico (JUNG, 1985).

Mesmo que as imagens produzidas pela psique possam ser altamente pessoais, é o drama humano geral que é encenado em nosso palco interior. Nossos problemas particulares são na verdade problemas humanos.

O arquétipo em sua manifestação imediata, como o encontramos em sonhos e visões, é muito mais individual, incompreensível e ingênua do que nos mitos, por exemplo. Ele representa um conteúdo inconsciente que se modifica através da conscientização e percepção, assumindo matizes variáveis conforme a consciência individual na qual se manifesta (JUNG, 2006).

Jung (2006) afirma que até nossos dias foi negado o fato dos mitos serem manifestações da essência da alma. Explicações objetivas do óbvio não interessam ao homem primitivo, no entanto, sua alma é impelida inconscientemente a assimilar as experiências externas sensoriais a acontecimentos anímicos. Para o homem primitivo, por exemplo, não basta ver o Sol nascer e declinar; este acontecimento exterior deve corresponder a um acontecimento da alma. Desta forma, o Sol deve representar em sua trajetória o destino de um deus ou herói que habita a alma do homem. Todos os acontecimentos mitologizados da natureza são expressões simbólicas do drama que o homem vivencia internamente e inconscientemente em sua alma e que a consciência apreende através da projeção. Diante da força da projeção, foram necessários milênios de civilização para desligá-la de algum modo de seu objeto exterior.

O autor ainda diz que é admirável o fato de não termos relacionado antes os mitos com os acontecimentos anímicos, pois o homem primitivo é de uma subjetividade muito grande. O processo anímico inconsciente está na base de sua linguagem e seu conhecimento da natureza. Exatamente por ser um processo inconsciente, o homem pensou em tudo, menos na alma na hora de explicar o mito. O homem ignorava o fato da alma conter todas as imagens originárias do mito e do nosso inconsciente ser atuante e padecente. O primitivo encontra nos grandes e pequenos fenômenos da natureza analogias para o drama interno do homem.  

Na tentativa de conceituar mito, Brandão (2007) chama atenção para o fato de que o mesmo não tem para ele a conotação usual de fábula, lenda, invenção, ou ficção, e sim a ideia que lhe atribuíam e ainda atribuem as sociedades arcaicas, impropriamente chamadas de culturas primitivas. Para estas sociedades, mito é o relato de um acontecimento ocorrido num tempo primordial, através da intervenção de seres sobrenaturais. Mito é então, a narrativa de uma criação, pois nos conta de que modo algo que não era, começou a ser. É a palavra “revelada”, o dito.

Da mesma forma que os pais, através do relato das experiências pelas quais passaram ensinam aos filhos como é a vida, os mitos fazem isso num sentido mais amplo, delineando padrões para a caminhada existencial. Utilizando os recursos da imagem e da fantasia, os mitos abrem para a consciência o acesso direto ao inconsciente coletivo. Mesmo os mitos hediondos e cruéis são úteis, já que a tragédia ensina sobre os grandes perigos do processo existencial (BRANDÃO, 2007).

O autor diz que além de gerarem padrões de comportamento humano, ensinando os caminhos que percorre a consciência coletiva numa cultura, os mitos permanecem através da história como marcos referenciais pelos quais a consciência coletiva pode voltar a qualquer momento e se realimentar, se revigorar e continuar se expandindo. Aí reside sua grande utilidade dentro de uma cultura.

Sendo apresentado como um sistema, o mito tenta, de forma mais ou menos coerente, explicar o mundo e o homem. Ele é verdadeiro se correto e conforme a lógica e é falso se dissimula alguma mentira secreta.  Pode-se acreditar nele ou não, pela vontade ou mesmo por um ato de fé, se ele parece belo ou possível, ou mesmo porque se deseja dar-lhe crédito.

Expressando o mundo e a realidade humana, o mito tem como essência uma representação coletiva que chegou até nós atravessando gerações. Ao passo em que pretende explicar o mundo e o homem, ou seja, a complexidade do real, ele não pode ser lógico. Ele é ilógico e irracional, abrindo-se como uma janela a todos os ventos e prestando-se a todas as interpretações. Quem decifra o mito, decifra a si próprio (BRANDÃO, 2007).

Dentro do conceito de Jung, Brandão (2007) define o mito como a conscientização dos arquétipos do inconsciente coletivo, já que é uma das formas através das quais o inconsciente se manifesta.

Os mitos têm como função mais importante “fixar” os modelos exemplares de todos os ritos e atividades humanas significativas. Dessa forma, trago o mito de Quíron ou Chiron, como representação da dinâmica interrelacional ocorrida no processo terapêutico.

Quíron, era um centauro que, ao contrário do que se esperaria de uma criatura com corpo de cavalo e ombros e cabeça de homem, era sábio e educado. Cabia-lhe a tarefa de educar heróis nas artes da música e da medicina; outros afirmam ainda ser ele caçador e escultor (Groesbeck, 1983). Quíron era um ser diferente, por não possuir a natureza selvagem característica aos outros centauros, era também imortal.

Apesar de ser um centauro, Quíron tinha algo muito atípico. Ele fora ferido por Hércules, que o acertou com uma flecha envenenada. No entanto, esse ferimento, não era como qualquer outro que ele próprio podia curar era uma ferida incurável, para a qual não havia remédio e, portanto, nada se podia fazer para curá-lo. Esse ferimento é muito significativo, pois foi justamente por ter se tornado portador de um sofrimento crônico que Quíron transformou-se em um exímio curador. Levando-se em conta o destino desse curador ferido e refletindo-se sobre o significado desse seu ferimento, poder-se-ia pensar que teria sido a partir de seu próprio sofrimento, incurável, que Quíron pôde entender a dimensão do sofrimento daqueles que curava.

Considerando-se a história do mito de Quíron e a proposição de se pensar o lugar do terapeuta na clínica, pode-se considerar importante a perspectiva de cura sugerida pelo mito, uma vez que essa reflete a ideia de que "cura" seria mais do que a simples conscientização dos conflitos que demandam à procura pela terapia, seria um aprender a lidar com o sofrimento de forma saudável e enriquecedora.

O mito de Quíron coloca em relevo a importância de se encarar nossas dores e feridas. Esta é a condição básica para qualquer cura. Enquanto negamos e fugimos, neutralizamos o efeito de qualquer recurso terapêutico, seja médico, psicológico ou mesmo espiritual e transcendente. A negação não abranda a dor. Ao contrário, aguça e intensifica o sofrimento.

Além da diferença evidente, o que mais nos aproxima de Quíron é uma ferida muito peculiar: uma ferida incurável, provocada por um amigo! Pode-se pensar o terapeuta, no lugar do curador “curado, entretanto, Quíron representa uma coisa diferente: o curador ainda ferido. Isso implica numa perspectiva segundo a qual nossos ferimentos não são algo para superarmos, para deixar para trás no caminho, para esconder, mas sim uma parte integral de nós, o que não significa que ser ferido seja sinônimo de uma verdadeira saúde, mas que a aceitação de nossos padecimentos faz parte da verdadeira saúde, assim como a aceitação de que algumas feridas saram enquanto outras não (DOWNING, 1991,).

O fato de se imaginar o terapeuta tal qual um Curador Ferido, não o libertaria de um trabalho voltado para as suas próprias feridas, pois, esse lugar de curador ainda ferido requer um empenho pessoal no intuito de elaboração das demandas e padecimentos, ou seja, um trabalho sobre eles. Assim, pode-se enfatizar a importância da terapia do próprio analista, à medida que essa implicação no próprio processo terapêutico se faz essencial.

Ao se avaliar que Quíron era estimado como um exímio curador por ter em seu próprio corpo uma ferida incurável e assim ter a possibilidade de compreender o sofrimento dos que curavam, é possível também pensar que o analista, à medida que possuísse essa mesma representação e elaboração de seu sofrimento (presente em Quíron), também estaria produzindo uma abertura para que o paciente depositasse nele algum esclarecimento sobre seu próprio sofrimento.

 À medida que o terapeuta é compreendido pelo paciente como alguém que já sofreu, ou seja, um Curador Ferido passa a existir a possibilidade de um entrosamento, e assim, uma fresta para que o papel que ocupa se transforme em suporte de transferências.

A situação de dependência e autonomia do paciente para com o terapeuta diz respeito à relação de transferência e contratransferência que se estabelece entre eles – para Jung (1985), esses dois fenômenos acontecem ao mesmo tempo e significam a mesma coisa. A empatia, atitude que o terapeuta experimenta a partir do momento que se coloca no lugar do paciente e o acolhe deixando-o a vontade, oportuniza o surgimento dos processos transferenciais e contratransferenciais, o que favorece a psicoterapia, pois promove a adaptação do paciente ao processo, ajudando-o na resolução dos seus conflitos Então é de suma importância que este profissional preste bastante atenção aos seus sentimentos, pois o efeito da terapia está relacionado, dentre outras coisas, com o grau de doação do terapeuta.  

Pode-se refletir, portanto, que esse lugar misterioso, de Curador Ferido, pode ser demonstrado não só na palavra, mas também na ação, como no manejo das questões. Essa atitude demonstra para o paciente que existe ali, o lugar do terapeuta, que é um sujeito que pode acolher, mas que também sofre também falha coloca limites e acredita que o outro pode desenvolver recursos para suportar essas suas falhas, pode se relacionar e aprender com elas por intermédio do que se estabelece na transferência entre eles.

2. Conclusão

Cada vez mais há evidências de que nosso funcionamento psicológico e biológico sofre influência dos sistemas pessoais e culturais de crenças, de forma que crenças que nos trazem esperanças e significação pode ajudar-nos a superar graves dificuldades. Já a perda do significado e da esperança resulta em depressão e enfermidades (WHITMONT, 1991).

Segundo Whitmont (1991), até nossas supostas convicções racionais, como pressuposições e pontos de vista, fundamentam-se em produções da psique inconsciente. Surgem como fantasias espontâneas e, num momento posterior, são explicadas, racionalizadas e interpretadas pela mente consciente.

Para o autor, a integridade de uma vida individual, tanto quanto da vida coletiva, que é a cultura, depende dos mitos. Os temas arquetípicos dos mitos conferem forma e significação tanto à vida individual quanto coletiva, conferindo-lhes integridade. A desintegração é o resultado da distância do significado e da perda do contato com a estruturação arquetípica.

Diante desta afirmação, é coerente a ideia de que a mitologia traz para a psicoterapia a possibilidade de oferecer aos pacientes algo que lhes ajude a encontrar significação em suas questões, conflitos e sofrimentos. Os mitos permitem que cada um de nós sinta-se menos só e mais parte de uma coletividade humana que vem ao longo da história repetindo com diversas roupagens seus peculiares dramas.

A psicologia analítica, na medida em que representa uma psicologia do significado, exige que seus praticantes tenham um conhecimento o mais extenso e aprofundado possível da mitologia existente, pois isso os ajudará a identificar o material arquetípico trazido pelos pacientes, bem como a auxiliá-los a entrar em contato com este material de forma mais consistente e que lhes possibilite dar significado às suas vivências.

Tantos nossos comportamentos da vida externa quanto as peripécias trazidas em sonhos e fantasias, podem revelar um padrão arquetípico que é mais facilmente identificável na medida em que o terapeuta possui um conhecimento das mais variadas roupagens nas quais os arquétipos se apresentam.

Além disso, um vasto conhecimento em mitologia facilita a comunicação entre o terapeuta e os mais diversos tipos de pacientes que podem, a depender de seus conhecimentos e vivências, compreender melhor um ou outro tipo de mitologia. Em outras palavras, o terapeuta junguiano precisa estar preparado para se comunicar através de diversos símbolos, se adaptando à linguagem que é mais próxima ao seu paciente.

Sobre o Autor:

Lícia Maria Madureira Lucena - Psicóloga, pós-graduanda em Saúde Mental pelo IDEP (2013), com ênfase em Saberes e Fazeres no campo da Atenção Psicossocial. Atualmente atua como Psicóloga Clínica, e Coordenadora do Serviço de Psicologia do AMAR - NATA (Núcleo de Atendimento Terapêutico). Possui experiência em atendimento clínico psicológico, com enfoque na Psicologia Junguiana, bem como aprimoramento em Psicologia no contexto hospitalar pelo Hospital Universitário Prof. Edgar Santos (2010), e Hospital da Cidade.

Referências:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2007.

EDINGER, Edward. Ego e Arquétipo. São Paulo : Cultrix, 1972.

HALL, James A. Jung e a Interpretação dos Sonhos. 10. ed. São Paulo  Cultrix, 1983.

JUNG, C. G. O Espírito na Arte e na Ciência. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1985.   Civilização em Transição. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2000. . Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2006.

WHITMONT, E. Retorno da Deusa. São Paulo: Summus, 1991.

SILVA, Mariana Benatto Pereira da; CREMASCO, Maria Virgínia Filomena. O Analista e a Toxicomania. Rev. Mal-Estar Subj.,  Fortaleza,  v. 10,  n. 3, set.  2010 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-61482010000300010>. acessos em  16  abr.  2013.

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