Depressão: Informações Básicas do Transtorno Depressivo e a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental

Depressão: Informações Básicas do Transtorno Depressivo e a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental
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Resumo: Pretende-se apresentar através deste estudo, os principais comportamentos de uma pessoa deprimida e suas sintomatologias de forma psicodinâmica, utilizando-se de uma metodologia analítica da depressão e estudo referenciado em livros e artigos atuais. O transtorno depressivo pode ser tratado com a psicoterapia de base cognitivo-comportamental.

Palavras-chave: Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, Comportamento depressivo, Depressão.

1. Introdução

A depressão é o transtorno que mais acomete a população mundial. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é a doença do século. O transtorno depressivo, (CID 10 – F33) é um transtorno de humor que afeta consideravelmente a emoção da pessoa, desenvolvendo uma tristeza profunda, alterações do humor e do ânimo, baixa autoestima, alterações do apetite que surgem abruptamente, ligando-se, de forma interativa, com outros sintomas. 1

O transtorno depressivo provoca desprazer, ansiedade generalizada e pensamentos acelerados de forma pessimista, estimulando comportamentos de automutilação.18

Pode se dizer que a depressão provoca outras doenças físicas como por exemplo: alterações fisiológicas, cognitivas, afetivas e psicomotoras. As reações psicomotoras ficam alteradas com susceptibilidade na imunidade, estimulando problemas crônicos de inflamações, dores generalizadas e prostração motora. As alterações cognitivas se estendem nos campos intrapessoal e interpessoais, com ruminações negativas e crenças persecutórias. Na esfera afetiva surge o congelamento das emoções, expressando-se na apatia, desligamento, distanciamento e insegurança de forma acentuada nas relações humanas, que eram consideradas importantes pela pessoa no passado e agora se tornou indiferente. É importante salientar que a fisiologia se torna alterada com mudanças corporais dramáticas, como por exemplo, o surgimento da anorexia ou obesidade em tempo curto, assim como síndromes metabólicas, AVC, hipertensão, infarto entre outras. 4

Foi apresentado no último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), que atualmente o transtorno depressivo se encontra em quarto lugar entre as doenças. Existe uma tendência pessimista em 2020, em que passará para o segundo lugar. Em todo o mundo, somente a doença cardíaca supera a depressão.1 O sofrimento psíquico manifesta-se sob forma de depressão, tristeza e apatia que atingem o corpo e a alma. Ele é decorrente de qualquer estado que desorganize o pensamento, inclusive a perda.2, 3

2. Suicídio e Depressão

Ao abordar o tema suicídio, busca-se compreender o seu conceito. Do latim, sui, próprio, e caedere, matar a si mesmo. O suicídio é tão complexo quanto as suas reações de existir. Existe uma lacuna enorme no pensamento de quem presencia este ato na família e o estado emocional de indignação se estende por várias indagações, buscando uma causa. 4

É necessário abordar o assunto com seriedade pelas famílias e sociedade sem preconceitos e tabus. As pessoas que vivenciam o problema depressão podem ter transtornos paralelos como borderline, estimulando ainda mais o estado depressivo. A postura dos familiares, em suas fugas e esquivas, acontece por falta de informações, tabus, preconceitos ou porque preferem esconder na própria dor, tentando abafar o problema. Isto não contribuiu com a prevenção e o tratamento.4, 18

A frequência do suicídio tem aumentado significativamente com os anos. Altas taxas de violência fatal e traumas derivados de agressões são fenômenos vivenciados por toda sociedade. A autoagressão está inserida nos contextos de violência e torna-se tema de discussões sobre saúde pública.6

A complexidade do assunto e a tristeza que assola a família de um paciente deprimido chamam a atenção da comunidade científica para uma nova postura multidisciplinar dos profissionais envolvidos e dos governantes que administram o país, na tentativa de contribuir com políticas públicas atuantes nas comunidades.1

Sabe-se, que todos os anos, 800 mil pessoas, aproximadamente, tiram suas próprias vidas por consequência da depressão em todo o mundo, isto corresponde a uma pessoa a cada 40 segundos.5

3. Objetivo

O objetivo deste artigo é apresentar, ao leitor, as características comportamentais de uma pessoa deprimida, bem como descrever a terapia cognitivo-comportamental como tratamento psicológico.

4. Método

Este artigo foi desenvolvido baseado em trabalhos acadêmicos publicados recentemente em revistas eletrônicas, com as palavras sobre o assunto depressão e a psicoterapia cognitivo-comportamental. Foi realizado um levantamento bibliográfico sobre o tema, na base de dados Scielo, utilizando como descritores as palavras: psicoterapia cognitivo-comportamental, comportamento depressivo.

5. Psicoterapia Cognitivo-Comportamental na Depressão

A psicoterapia cognitivo-comportamental, desenvolvida pelo principal representante Aaron Beck, acredita que os pensamentos automáticos e repetitivos negativos resultam de crenças profundas e intermediárias por consequências de esquemas mal adaptativos.7 Pessoas deprimidas acreditam que o mundo se encontra pior do que realmente está. Os pensamentos negativos atraem a depressão de forma intensa e desproporcional.8

A psicoterapia cognitivo-comportamental é muito eficaz no tratamento da depressão leve, moderada e grave. Aliada ao tratamento medicamentoso, pode ser método efetivo no combate a este mal terrível.9

A base da psicoterapia cognitivo-comportamental fundamenta-se em três grandes pilares, a tríade cognitiva. Ela é composta pela visão negativa de si mesmo, na visão negativa do mundo e na visão negativa do futuro. Neste processo contínuo e integrado, o sentimento de desesperança torna-se presente, estimulando o paciente a fantasiar o autoextermínio para o alívio de suas dores.10

Cognitivamente, pacientes deprimidos colocam os seus pensamentos de forma absoluta e inflexíveis. Passam a catastrofizar o que pensam e sentem e expressam as suas dores em atitudes autopunitivas exageradas, provocando interpretações negativas de si, do outro e do futuro.11

Os erros nas interpretações das informações dos estímulos recebidos pela pessoa em depressão, podem ser os elementos causadores de mais depressão, provocando um círculo vicioso.12

Portanto, a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental tem o objetivo de intervir, facilitando ao paciente deprimido reestruturar os esquemas cognitivos e afetivos. Assim, facilitará para o mesmo, desenvolver comportamento social assertivo para o enfrentamento e tomada de decisões.13 O psicoterapeuta, que atua nesta abordagem, poderá ajudar o paciente desenvolver uma autoanálise, utilizando-se de técnicas e métodos adequados, segundo a necessidade do paciente. Existe uma perspectiva otimista dos psicoterapeutas que atuam segundo esta abordagem, apontando que aproximadamente 20 sessões podem trazer mudanças significativas na vida da pessoa deprimida.14

6. Discussão

Nota-se que a abordagem cognitivo-comportamental oferece técnicas e métodos psicoterápicos com comprovação científica de bons resultados.11

Na depressão é importante entender que existe uma complexidade referente ao diagnóstico, procedimentos clínicos e resultados em que, muitas vezes, somente o tratamento psicoterápico ou farmacoterapêutico não seriam suficiente para atender toda esta demanda.15

É importante também, o psicoterapeuta entender que a abordagem cognitivo-comportamental não é reflexo somente de técnicas e métodos clínicos, e sim cabe ao profissional acolher com afetividade e empatia, compreender o paciente e perceber qual caminho será percorrido no processo clínico.13,15

Faz muito sentido o psicoterapeuta valorizar as falas dos pacientes para que estes possam expressar seus sentimentos, crenças, pensamentos, sensações e dúvidas.15,16

Percebe-se que no transtorno depressivo, o olhar cuidadoso por parte de todos os que convivem com o paciente é importante. Assim também, pensar em uma postura profissional aberta para atingir resultados satisfatórios, melhorando o quadro depressivo do paciente.17

7. Considerações Finais

Conclui-se que o transtorno depressivo exige atenção de todos. O risco de suicídio na depressão profunda e a perda da qualidade de vida afeta consideravelmente quem vivencia este transtorno.18

Percebe-se, que ao se engajar no tratamento, as pessoas deprimidas passam a ter grandes chances de se livrarem da depressão. E em alguns casos, a psicoterapia cognitivo-comportamental pode ser suficiente, já em outros, a concomitância da psicoterapia e a farmacoterapia é melhor indicado.13,14,15,16,17

Portanto, a depressão poderá ser melhor entendida e tratada com a psicoterapia cognitivo-comportamental, porque esta oferece comprovações empíricas e científicas de eficácia, aplicada individualmente, em grupo, ou com os medicamentos. 8,12,13,14

Sobre o Autor:

Adriano Nicolau da Silva -  Professor, Filósofo e Psicólogo Clínico na vertente Cognitivo-Comportamental. Especialista em Administração, Psicologia, Pedagogia, Neuropsicopedagogia. Atualmente cursa pós em Gestão de Pessoas, e participa como aluno especial no mestrado com a disciplina, filosofia.

Referências:

1 - Organização Mundial de Saúde. Relatório sobre a saúde no mundo 2001: saúde mental: nova concepção, nova esperança: Geneva (CH): MS;2001.

2 - BOWLBY, J. (1993). Tristeza e Depressão. Apego e Perda. Vol. 3. São Paulo: Martins Fontes.

3 - ROUDINESCO, E. (2000). Por que a Psicanálise? Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.

4 - BOTEGA NJ. Prática Psiquiátrica no Hospital Geral: interconsulta e emergência. Porto Alegre: Artmed; 2002.

5 - WHO. World Health Organization. Preventing suicide: a global imperative. Genebra: Who Press, 2014. Disponível em: Acesso em: 05 nov. 2014.

6 - BOTEGA, N. J. (2007). Suicídio: Saindo da sombra em direção a um Plano Nacional de Prevenção. Editorial. Revista Brasileira de Psiquiatria, 29(1), 7-8.

7 - BECK AT. Thinking and depression. Arch Gen Psychiatry. 1963; 9:324- 33.

8 - BECK AT. Depression: causes and treatment. Philadelphia: University of Pennsylvania Press; 1967.

9 - DOBSON KS. A meta-analysis of the efficacy of cognitive therapy for depression. J Consult Clin Psychol. 1989;57(3):414-9.

10 - BECK AT. Cognitive therapy and the emotional disorders. Boston: International University Press; 1976.

11 - CUIJPERS, P., van STRATEN, A., van OPPEN, P., & ANDERSSON, G. (2008). Are psychological and pharmacologic interventions equally effective in the treatment of adult depressive disorders? A meta-analysis of comparative studies. Journal of Clinical Psychiatry, 69(11),1675-1685.

12 - SCHER CD, SEGAL ZV, Ingram RE. Beck’s theory of depression: origins, empirical status, and future directions for cognitive vulnerability. In: Leahy RL, editor. Contemporary cognitive therapy: theory, research, and practice. New York: Guilford Press; 2006.

13 - BECK JS. Cognitive therapy: basics and beyond. New York: Guilford Press; 1995.

14 - BECK, A. T., Rush, A. J., Shaw, B. F., & Emery, G. (1982). Terapia cognitiva da depressão. Rio de Janeiro: Zahar.

15 - BECK, J. (2013). Terapia cognitivo-comportamental: Teoria e prática (2. Ed). Porto Alegre: Artmed.

16 - DOBSON, K. S. (2016). New frontiers in cognitive-behavioral therapy for depression. International Journal of Cognitive Therapy, 9(2),107-123.

17 - SEGAL, Z. V., WILLIAMS, J. M. G., & TEASDALE, J. D. (2002). Mindfulness-based cognitive therapy for depression- a new approach to preventing relapse. New York: The Guilford Press.

18 - SILVA, Adriano Nicolau da. Noções Básicas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Psicologado. Edição 07/2019. Disponível em < https://psicologado.com.br/abordagens/psicologia-cognitiva/nocoes-basicas-do-transtorno-de-personalidade-borderline-tpb >. Acesso em 9 Set 2019.

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