Psicologia Positiva e o Constructo da Resiliência: uma Revisão Bibliográfica

Psicologia Positiva e o Constructo da Resiliência: uma Revisão Bibliográfica
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Resumo: A psicologia positiva é um paradigma teórico importante da psicologia, a qual tem crescido consideravelmente no Brasil, principalmente, a partir no século XXI. A finalidade da psicologia positiva é analisar os princípios psicológicos do bem-estar e da felicidade do indivíduo, bem como caracterizar os pontos fortes e as virtudes do ser humano. No entanto, os estudos científicos sobre a psicologia positiva em território brasileiro ainda são pouco expressivos em relação a diversos países do mundo, como os Estados Unidos e os países europeus, por exemplo. No campo da psicologia positiva, o presente estudo destaca o constructo da resiliência, ou resiliência psicológica. Resiliência é a capacidade de desenvolvimento com saúde e perspectivas positivas sobre o futuro do indivíduo, mesmo diante de acontecimentos que tornam o cotidiano deste indivíduo relativamente desestruturado, em condições complexas de vida, além de traumas – graves, em muitos casos. Tecnicamente, resiliência é a habilidade do ser humano lidar, superar, aprender e/ou até mesmo se transformar a partir dos imprevistos inevitáveis da vida. Tal capacidade de proteger-se oferece condições para uma pessoa, um grupo e/ou uma comunidade prevenir e/ou superar os efeitos prejudiciais causados pelas adversidades da vida. Com base nesse contexto, a presente pesquisa analisou os principais aspectos relacionados à psicologia positiva, com ênfase no constructo da resiliência, destacando o seguinte questionamento: quais as principais características da resiliência psicológica, e quais as principais contribuições dessa área para a psicologia positiva? Em relação ao objetivo desse estudo, foram analisados os principais aspectos referentes à psicologia positiva e à resiliência psicológica, caracterizando os principais fatos históricos e uma breve descrição sobre a evolução do conceito de resiliência no ambiente das ciências humanas, principalmente, na área da psicologia. O presente trabalho foi desenvolvido por meio de uma revisão bibliográfica narrativa e, dentre os autores estudados, estão: Assis et al (2006); Bhana & Bachoo (2011); Christopher et al (2008); Dell´Aglio et al (2006); Fajardo (2012); Fourie & Theron (2012); Infante (2005); Junqueira (2003); Lopes & Martins (2011); Melillo & Ojeda (2005); Peterson (2013); Reppold et al (2012); Schviger (2010); Seligman (2011); Snyder & Lopez (2009); Taboada et al (2006); Ungar (2011); Waterman (2013); entre outros.

Palavras-Chave: Ciências Humanas, Constructo da Resiliência, Psicologia Positiva. Resiliência Psicológica, Saúde Mental.

Palavras-chave: Depressão, Melancolia, Psicanálise, Suicídio.

1. Introdução

De acordo com estudos científicos, a resiliência teve origem nos segmentos da Física e da Engenharia. No ano de 1807, o inglês Thomas Young – um dos precursores na utilização da resiliência – desenvolveu os primeiros conceitos referentes à elasticidade – tensão e compressão. Por meio de experiências científicas, Thomas Young pretendia identificar os principais aspectos relacionados entre as forças sobrepostas nos materiais, bem como quais efeitos haveriam por meio destes, sendo considerado desta maneira, o primeiro cientista a desenvolver uma metodologia a fim de calcular tais forças, partindo do estresse ocorrido por meio dos impactos.

A inserção da resiliência no campo da psicologia ocorreu por meio da necessidade de identificar aspectos sobre o enfrentamento das pessoas diante de adversidades da vida. É importante salientar que não se deve relacionar a resiliência de materiais físicos com a resiliência voltada para as ciências humanas, partindo do princípio de que cada um destes dois campos científicos possuem aspectos peculiares e complexos. A Psicologia, por sua vez, ao utilizar tal concepção de origem na física no campo das ciências humanas, utiliza alto nível de cautela para não ocorrerem relações indevidas entre esses dois saberes científicos, afinal, não é este o objetivo da resiliência no âmbito da Psicologia.

Os estudos relacionados à resiliência começaram a ter maior profundidade nas últimas três décadas do século XX, ganhando força no século XXI. Por se tratar de um tema relativamente recente, seu conceito na área da psicologia ainda não tem plena clareza, sofrendo controvérsias entre diversos autores que se dedicam ao aprofundamento de pesquisas relacionadas à resiliência. É uma área que possui aspectos complexos, com múltiplas características e variáveis que devem ser consideradas pelos especialistas das ciências humanas ao analisarem e/ou utilizarem esse constructo.

No Brasil, o termo resiliência ainda não foi muito explorado no campo da psicologia, tendo sido utilizado somente por alguns especialistas em ambientes acadêmicos. A maioria dos profissionais brasileiros das áreas da psicologia, sociologia e educação não conhecem o significado de resiliência, muito menos as possibilidades de utilização deste campo de estudo dentro da psicologia positiva. O contrário acontece em diversos países da Europa e nos Estados Unidos, onde o conceito é amplamente disseminado e aplicado por acadêmicos e, principalmente, pelos profissionais da área de psicologia, sociologia e educação, cujo tema é abordado, inclusive, no cotidiano das pessoas, e tratado como um assunto natural nestes países.

O avanço dos estudos relacionados à resiliência no segmento da psicologia, principalmente dentro da área da psicologia positiva, tem por finalidade analisar as características de saúde no desenvolvimento do ser humano. Este conceito originou-se e foi disseminado por Michael Rutter (Inglaterra) e Emmy Werner (Estados Unidos), estendendo-se para países da Europa, tais como: Alemanha, França, Espanha e Países Baixos, com conceitos peculiares em cada um desses países.

Nos Estados Unidos, destacam-se os aspectos relacionados ao comportamento e ao pragmatismo, com foco no individualismo. Na Europa, a resiliência foi estudada sob uma essência psicanalítica mais expressiva, além de caracterizada de uma perspectiva mais ética. Anos mais tarde, ao chegar à América Latina, o conceito de resiliência assumiu um papel comunitário, com destaque para questões envolvidas com o ambiente social dos países latinoamericanos.

Os pesquisadores do tema buscam compreender as habilidades do ser humano para refazer a própria vida, seja no campo pessoal ou profissional, depois de sofrer algum tipo de dano físico, intelectual ou espiritual, sendo essas habilidades uma das caraterísticas dos processos de resiliência. Portanto, um fenômeno complexo e fascinante, haja vista a possibilidade de compreender os diferentes aspectos da pessoa e sua interrelação com os fatores socioeconômicos e culturais. O constructo resiliência tem sido discutido por pesquisadores de países distintos, mas apesar dos enfoques diferenciados, percebe-se um consenso quanto à sua definição. No percurso histórico do conceito e nas definições construídas pelos estudiosos do desenvolvimento humano, observa-se consonância entre eles por referirem-se à resiliência como a capacidade humana de superação. Portanto, é normalmente citada quando relacionada aos processos ou acontecimentos que explicam a superação de crises e/ou adversidades em indivíduos, grupos e organizações, transformando os momentos traumáticos e situações complexas em oportunidades de crescimento (Tavares, 2001; Yunes, 2001; Yunes & Szymanski, 2001; Assis et al, 2006).

As expressões invencibilidade e invulnerabilidade são pioneiras em relação à resiliência na psicologia, as quais ainda orientam diversas produções científicas de pesquisadores da área (Yunes & Szymanski, 2001).

No ano de 1992, o psicólogo John Bowlby foi o primeiro profissional a utilizar a expressão resiliência no sentido figurado, definindo-o como instrumento moral, qualidade de uma pessoa que não se desanima, que não se deixa abater (Larrosa, 2008). A resiliência é, portanto, a capacidade de desenvolvimento com saúde e perspectivas positivas sobre o futuro do indivíduo, mesmo diante de acontecimentos que tornam o cotidiano desses indivíduos relativamente desestruturado, em condições complexas de vida, além de traumas – graves, em muitos casos. A resiliência é a capacidade universal do ser humano em lidar, superar, aprender e/ou até mesmo se transformar a partir dos imprevistos inevitáveis da vida. Tal capacidade de se proteger oferece condições para uma pessoa, um grupo e/ou uma comunidade prevenir e/ou superar os efeitos prejudiciais provocados pelas adversidades da vida (Theis, 2003).

De acordo com Cyrulnik (2003), resiliência é um composto de aspectos em harmonia onde o indivíduo adentra em um contexto relacionado a afeto, sociedade e cultura. Nesse sentido, o autor afirma que a resiliência é a arte de navegar em uma tempestade, onde o trauma – tempestade – conduz o indivíduo para um caminho inadequado para a sua saúde psicológica e a resiliência, por sua vez, instrumentaliza a pessoa para lidar com tais situações e sair fortalecido delas.

Para Melillo & Ojeda (2005), a resiliência é a capacidade dos indivíduos de superarem as consequências de uma determinada situação – problema – na qual estão inseridos, bem como lidar com tal situação de maneira que atinjam um grau de fortalecimento que lhes possibilitem obterem uma considerável proteção frente às intempéries inerentes a caminhada humana. Nesse sentido, Morais & Koller (2004) afirmam que, ao saírem fortalecidos de uma situação por meio da resiliência, fica caracterizada a aquisição dessa competência para a superação de eventos adversos análogos e/ou pontuais, não significando que a pessoa sairá da situação completamente ilesa, pois isso caracterizaria o conceito de invulnerabilidade, o qual não se aplica ao presente estudo. Sintetizando os conceitos de Melillo & Ojeda (2005) e Morais & Keller (2004), Taboada et al. (2006) conceituam que resiliência é a capacidade de determinados indivíduos de superarem as adversidades da vida.

Para alguns autores como Larrosa (2008), a resiliência é um recurso que faz parte da natureza humana, porém, que também pode ser desenvolvido durante todo o ciclo vital do indivíduo. A resiliência pode ser desenvolvida de maneira mais ampla por meio de situações e condições favoráveis no ambiente externo do ser humano, ou seja, por meio do apoio de pessoas – amigos, família, colegas de trabalho, vizinhança – e/ou instituições – igreja, escola, centro de saúde, organizações e/ou associações sociais, políticas, entre outros –, contribuindo esse apoio sobremaneira na ativação das capacidades individuais para um enfrentamento saudável de acontecimentos danosos, principalmente aqueles com potencial para traumatizar.

O termo resiliência também é entendido como a capacidade de adaptação frente a um contexto de mudança, pela utilização de recursos positivos para enfrentar as adversidades (Sapienza & Pedromônico, 2005; Souza & Cerveny, 2006).

O construto da resiliência também está relacionado à concepção referente à adaptação positiva e, nesse sentido, Infante (2005) cita que tal adaptação acontece nos momentos em que o ser humano atende às expectativas da sociedade em uma determinada fase do desenvolvimento, ou então, quando não ocorrem sinais de desajuste. Diante de tais situações, mesmo com a presença de infortúnios – fatores de risco –, a adaptação positiva ocorre devido à presença da resiliência, determinada com base no desenvolvimento das características peculiares de cada indivíduo, ou ainda, pela falta de comportamentos rompedores.

Existe uma tendência de diversos estudiosos em adotar um conceito mais complexo referente ao construto da resiliência, entendendo-o como multifacetado e dinamico, composto pela ação mútua de processos sociais e intrapsíquicos de risco e proteção –, cooperando para que o indivíduo, em condições traumáticas, tenha a possibilidade de viver em condições saudáveis (Fajardo, 2012).

A resiliência é um aspecto natural em determinadas pessoas, com potencial para desenvolver-se de maneira significativa frente a situações problemáticas em seu cotidiano. Estudos confirmam que resiliência é a capacidade de resistir e resolver situações de crise, cuja habilidade pode ser adquirida e incentivada.

Com base nesses estudos, a presente pesquisa estudou os principais aspectos relacionados à psicologia positiva, com ênfase para o constructo da resiliência, destacando os seguintes questionamentos: Quais as principais características da resiliência psicológica? Quais as principais contribuições dessa área para a psicologia?

Em relação ao objetivo deste estudo, foram analisados os aspectos referentes à psicologia positiva e à resiliência psicológica, caracterizando os principais fatos históricos e uma breve descrição sobre a evolução do conceito de resiliência no ambiente das ciências humanas, principalmente, na área da psicologia. O presente trabalho foi desenvolvido por meio de revisão bibliográfica narrativa e, dentre os autores citados, estão: Assis et al. (2006); Bhana & Bachoo (2011); Christopher et al. (2008); Dell´Aglio et al. (2006); Fajardo (2012); Fourie & Theron (2012); Infante (2005); Junqueira (2003); Lopes & Martins (2011); Melillo & Ojeda (2005); Peterson (2013); Reppold et al. (2012); Schviger (2010); Seligman (2011); Snyder & Lopez (2009); Taboada et al. (2006); Ungar (2011); Waterman (2013); entre outros.

 2. Psicologia Positiva: Breve Histórico

De acordo com Seligman & Csikszentmihalyi (2000), a partir da Segunda Guerra Mundial, a psicologia focou, principalmente, na cura e na reparação de danos psicológicos dos indivíduos – traumas e infortúnios vários. Desta maneira, poucos especialistas da área de psicologia preocuparam-se com as características relacionadas aos aspectos positivos da personalidade, aspectos esses que também são responsáveis pelo desenvolvimento do ser humano, bem com da sociedade. Esses autores sugerem ainda, como propósito da psicologia positiva, a promoção de ajustes na essência da psicologia, de forma que as características relacionadas à saúde dos indivíduos também tenham a devida atenção por parte dos profissionais envolvidos nos diversos segmentos dessa ciência.

Determinados autores do espectro psicológico afirmam que a psicologia positiva surgiu no período em que Martin E. P. Seligman atuou como presidente da APA – American Psychological Association, lançando aos profissionais da área o desafio de desenvolver uma psicologia baseada nas forças e virtudes do ser humano, incluindo a noção sobre o que há de melhor nos indivíduos (Christopher et al., 2008).

Alguns autores questionam a afirmação de que a resiliência psicológica surgiu em um período recente, pois entendem que a origem desse constructo ocorreu antes mesmo do século XX. Nesse sentido, Rogers e Maslow já atuavam com temas similares aos conceitos apontados pela psicologia positiva, afirmando ter a resiliência origem na psicologia humanista. Portanto, com base nesse ponto de vista, a psicologia positiva não seria um movimento recente, e sim, a ampliação de um processo já desenvolvido e debatido há muitas décadas (Rich, 2001).

Voltando para os autores que defendem a relação entre a psicologia humanista e a psicologia positiva, Taylor (2001) cita que Seligman estava equivocado ao afirmar que a psicologia humanista não teria condições de ser predecessora da psicologia positiva, argumentando que aquela não desenvolveu tradição em pesquisas, além de apresentar características narcisistas e anticientíficas. Esse autor, diante de tais afirmações de Seligman, confirma que há uma tradição de estudos que remonta a Willian James, o qual é considerado o pioneiro da psicologia positiva. Além disso, a psicologia humanista não é narcisista e tampouco anticientífica, segundo esse mesmo autor (Taylor, 2001), pois tais equívocos ocorrem diante de situações onde não é realizada uma análise adequada sobre o humanismo, com resultados negativos e, inclusive, sendo confundido com outras áreas da psicologia.

Watermann (2013) também está entre os autores que defendem a relação entre a psicologia humanista e a psicologia positiva. Porém, o autor cita que, mesmo compartilhando objetivos similares, há distinções significativas de ordem filosófica que as distinguem uma da outra. Tais distinções ontológicas, epistemológicas e práticas iriam induzir seguidores das duas correntes psicológicas a buscarem e desenvolverem o potencial e o bem-estar dos seres humanos de maneira diferenciada.

Para Froh (2004), a fenomenologia e o existencialismo são duas áreas que influenciaram significativamente o desenvolvimento da psicologia humanista. A insatisfação com o padrão baseado na doença, adotado pela psicologia, fez os especialistas dessa área adotarem o conceito de que os seres humanos possuem uma tendência de ordem natural na busca do seu próprio crescimento, bem como na busca do seu desenvolvimento. Ainda segundo esse teórico, os psicólogos humanistas citam que a psicologia deve considerar fenômenos positivos como amor, coragem e felicidade. Tal raciocínio fez com que esses profissionais se distanciassem do conceito tradicional, com a finalidade de compreender – de forma abrangente – o ser humano e, com base nesse contexto nasce, então, a psicologia humanista, em conflito com a psicanálise e o behaviorismo.

Um dos principais momentos da história da psicologia, essencial para compreender a trajetória da psicologia positiva, é a introdução da psicologia no mercado profissional após o período da Segunda Guerra Mundial. A partir daí, o segmento da psicologia focou nos transtornos psíquicos decorrentes das demandas geradas no período pós-guerra (Seligman, 2004; Seligman & Csikszentmihalyi, 2000).

No início dos anos 70, verifica-se uma alta demanda relacionada a pesquisas referentes aos problemas psicológicos, bem como as consequências negativas ocorridas em ambientes estressores (Giacomoni, 2002). Neste período, o segmento da saúde, de maneira geral, também sofria determinadas transformações, como por exemplo, em 1947, a WHO – World Health Organization (OMS – Organização Mundial da Saúde) inseria o padrão biopsicossocial para compreender o conceito de saúde, em contraponto ao padrão biomédico vigente da época, disseminando esta ideia, envolvendo também características relacionadas à qualidade de vida do ser humano (WHO, 2006).

Somente a partir do ano de 1998, a mudança do foco no sofrimento para o enfoque na saúde atinge a psicologia, com o surgimento da psicologia positiva. Até o final do século XX, a área da psicologia havia negligenciado pesquisas sobre as características positivas do ser humano, levando em consideração especialmente aquelas relacionadas ao sofrimento (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000; Paludo & Koller, 2007).

O objetivo da psicologia positiva é focar nas virtudes e forças do ser humano para prevenir e lidar com os problemas de ordem psicológica (Seligman, 2002). A partir deste momento, várias pesquisas têm sido realizadas com este objetivo – felicidade, otimismo, resiliência, bem-estar, entre outros. Nesse contexto, o bem-estar é o tema principal do estudo referente à psicologia positiva (Seligman, 2011).

De acordo com Giacomoni (2002), o surgimento de pesquisas empregando o conceito de bem-estar é verificado quando cientistas sociais e do comportamento são despertados pelo interesse no estudo sistemático sobre a felicidade do ser humano, analisado por meio do construto do bem-estar subjetivo (BES).

No entanto, há um forte debate relacionado ao hedonismo característico do uso deste termo, o qual vincula – em muitos casos – experiências de bem-estar somente com as experiências de prazer e gratificação, deixando de considerar outras características importantes sobre a experiência de felicidade do ser humano. Desde o início do século XXI, porém, o conceito de bem-estar tem sido reestruturado com base na psicologia positiva e compreendido a partir de cinco elementos essenciais: emoções positivas, engajamento, sentido, realização e relacionamentos positivos (Seligman, 2011).

Em relação ao Brasil, o início da psicologia positiva aconteceu por meio de pesquisas relacionadas à resiliência, devido aos aspectos de vulnerabilidade, bem como situações de risco presentes no contexto nacional. A primeira obra sobre psicologia positiva desenvolvida e publicada por autores brasileiros foi “Resiliência e Psicologia Positiva: Interfaces do Risco à Proteção”, desenvolvida com base em uma coletânea de dez artigos científicos publicados por 16 colaboradores da área da psicologia, entre os anos de 2004 a 2006 (Dell´aglio et al., 2006). Destaca-se também a criação da Associação de Psicologia Positiva da América Latina (APPAL), em 2010, com a realização da 1º Conferência Brasileira de Psicologia Positiva, na cidade do Rio de Janeiro, em 2011.

2.1 Principais Características da Psicologia Positiva

A psicologia positiva é o campo da psicologia responsável por estudar os princípios psicológicos do bem-estar e da felicidade, bem como os pontos fortes e virtudes do ser humano (Seligman, 2011).

De acordo com Peterson (2006), no final da década de 1980, um grupo de psicólogos pesquisadores dos Estados Unidos começou um movimento com foco na pesquisa científica sobre o que faz a vida ser digna de ser vivida. Tal movimento ficou conhecido por psicologia positiva, a qual pode ser entendida como um conceito guarda-chuva para a análise de emoções, aspectos individuais e instituições positivas, centrado na prevenção e desenvolvimento da saúde mental dos seres humanos. Desta forma, o principal interesse da psicologia positiva é proporcionar um entendimento científico em relação às forças e virtudes humanas, cujo foco está na felicidade e nas eventuais intervenções no sentido de amenizar as dores do indivíduo, bem como possibilitar um bem-estar subjetivo (BES). O caráter científico destacado por esse movimento demonstra que a psicologia positiva não deve ser comparada com atividades como autoajuda, esoterismo, crença espiritual e/ou qualquer religião (Seligman et al., 2005).

Para Peterson (2013), a psicologia positiva não é uma versão reciclada do pensamento positivo. Trata-se de um chamado importante para a ciência psicológica preocupar-se mais com as forças do ser humano do que com as fraquezas, devendo contribuir com a construção de qualidade de vida, buscando os elementos e aspectos que fazem a vida do ser humano realmente valer a pena.

Ao direcionar os estudos científicos para as características humanas positivas, como forças e virtudes, a ciência psicológica estará aprendendo como prevenir doenças mentais e físicas, e os psicólogos poderão desenvolver métodos para ajudar pessoas e comunidades a enfrentarem as vicissitudes da vida, mantendo níveis satisfatórios de felicidade e bem-estar (Scorsolini-Comin & Santos, 2009; Peterson, 2013).

É importante ressaltar que a psicologia positiva, como movimento, não está criando uma nova área do saber psicológico, mas propondo um exercício teórico e, especialmente, metodológico, no sentido de orientar a visão que se lança aos fenômenos investigados para os aspectos positivos e saudáveis do desenvolvimento, visando priorizar a prevenção ao tratamento (Seligman et al, 2005; Scorsolini-Comin & Santos, 2009).

De acordo com Seligman & Csikszentmihalyi (2000), a psicologia positiva possui três áreas de investigação científica situadas nos níveis subjetivo, individual e grupal. No nível subjetivo, o interesse concentra-se nos estudos das experiências subjetivas de valor, como bem-estar subjetivo e satisfação de vida (no passado), otimismo e esperança (no futuro), felicidade e flow (no presente). No nível individual, busca-se compreender os traços positivos ligados às características e ao funcionamento de cada pessoa, como capacidade para o amor, talentos, habilidades interpessoais, generosidade, perdão e sabedoria. No nível grupal, são analisadas as virtudes cívicas e as instituições que contribuem para que os indivíduos tornem-se cidadãos melhores, com foco em responsabilidade, altruísmo, tolerância e ética no trabalho (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000).

Ao levar em consideração que um dos objetivos principais da psicologia positiva é promover o potencial e o bem-estar humano, pode-se entender que ela pode ser aplicada por meio de intervenções em diversos campos, como o clínico, o escolar e o organizacional. O papel da intervenção positiva é auxiliar os indivíduos a construírem uma vida prazerosa, engajada e com sentido (Duckworth et al, 2005; Snyder & Lopez, 2009).

A prevenção primária envolve a identificação do que pode ser ruim e neutralizá-lo antes mesmo de ocorrerem seus efeitos deletérios. O planejamento de carreira pode ser visto como prevenção primária. Antes que o colaborador enfrente conflitos – de ordem pessoal e/ou de origem profissional – em função de sua carreira, o mesmo pode planejar o que deseja para si, desenvolver as habilidades necessárias para atingir o cargo almejado e analisar se a organização lhe proporcionará as oportunidades de crescimento desejadas. A prevenção secundária se dá quando o problema já está instalado e pode-se pensar em como consertá-lo. Exemplos de intervenções que podem ser desenvolvidas nesse sentido são aquelas que visam dar apoio a um aluno quando ele já está demonstrando problemas escolares. Na área clínica, considerando um quadro depressivo já diagnosticado, podem-se realizar intervenções com o sentido de treinar cognitivamente o sujeito para definir objetivos e desenvolver habilidades sociais em sua vida. Em consequência, os pensamentos negativos e contraproducentes serão alterados (Snyder & Lopez, 2009).

A potencialização primária sugere ações no sentido de tornar a vida boa. Uma técnica utilizada é a meditação. A contemplação do momento presente, do ambiente interno e externo do indivíduo permite a experiência de prazer, paz e serenidade. E, por fim, a potencialização secundária tem por objetivo tornar a vida o melhor possível, aumentando os níveis positivos individuais e/ou coletivos, para se chegar ao máximo em termos de satisfação e desempenho na vida. Algumas experiências pessoais podem oferecer essa potencialização secundária, tal como observar um indivíduo agindo, por exemplo, com atitudes que provoquem profunda admiração – superação de limites (Shapiro et al., 2002).

3. Resiliência Psicológica: Breve Histórico

Nos anos 70, os estudos sobre resiliência psicológica receberam elevada atenção (Bhana & Bachoo, 2011; Masten, 2001), mas as discussões referentes ao tema em eventos científicos começaram a surgir a partir do final do século XX (Yunes, 2003). Dentre os primeiros estudos investigativos a respeito deste construto, é possível verificar que a resiliência ainda não tem um conceito estruturado de forma consensual, bem como ainda não há uma tradição empírica sólida (Cecconello, 2003; Junqueira & Deslandes, 2003; Masten, 2001; Masten & Reed, 2002; Poletto & Koller, 2006; Poletto et al., 2004; Rutter, 1993; Yunes, 2001; Yunes, 2003).

De maneira geral, os debates referentes às questões conceituais da resiliência psicológica destacam os procedimentos de adequação positiva em resposta ao confronto com adversidades da vida do ser humano (Bhana & Bachoo, 2011; Fourie & Theron; 2012; Masten, 2001; Masten, 2007; Masten & Reed, 2002; Poletto & Koller, 2008; Reppold et al., 2012; Rolland & Walsh, 2006; Rutter, 2012; Rutter, 2013; Yunes & Szymanski, 2001).

Na linha do tempo da psicologia, o estudo sobre resiliência pode ser fragmentado em duas linhas de pensamento principais: individual e familiar. Com base na maior parte dos estudos referentes ao foco individual do ser humano, as crianças e/ou adolescentes são analisados sob uma perspectiva onde traços e disposições pessoais fazem parte do núcleo de desenvolvimento da resiliência (Yunes, 2003). No caso do foco familiar, há uma transformação sobre o direcionamento das pesquisas e conceitos, considerando o meio processual e relacional da resiliência. Assim, destaca-se a possibilidade de desenvolvimento da resiliência por meio do relacionamento com pessoas – família, amigos, colegas de trabalho, vizinhança, entre aqueles que façam parte da vida social do indivíduo –, partindo do princípio de que estas pessoas trazem um significado – um valor – importante ao cotidiano desses indivíduos, durante uma situação de risco (Masten & Obradovic, 2006; Rutter, 1993; Ungar & Liebenberg, 2011).

De volta para a origem dos estudos relacionados à resiliência, Martineau (2001) afirma que somente após 1.040 pesquisas referentes à coping e competência foi que eles tiveram início, mais especificamente no momento em que psicólogos infantis analisaram a condição de crianças em situação de vulnerabilidade relacionada a traumas. Masten (2001), Masten & Coatsworth (1998), Masten & Powel (2007), Rutter (1985) e Waller (2001) também destacam que, por meio de pesquisas realizadas em crianças com risco de desenvolvimento de problemas psicopatológicos ou comportamentais – devido a aspectos genéticos ou de ambiente –, os especialistas começaram a analisar aquelas que estavam submetidas às mesmas situações de risco, mas que se desenvolviam de maneira saudável.

3.1 Principais Características da Resiliência Psicológica

Estudos relacionados à resiliência psicológica são cada vez mais frequentes para diversas finalidades. A variação no método sugere uma ausência consensual sobre o conceito desse fenômeno, o que Yunes & Szymanski (2005) denominam de nós conceituais e metodológicos. A variação no uso de metodologias é muito importante para ampliar a compreensão de constructos científicos, porém, o problema é que ainda não há um consenso referente à melhor forma de realizar uma mensuração e/ou análise sobre as questões referentes à resiliência (Lopes & Martins, 2011; Luthar et al., 2000; Masten & Obradovic, 2006; Reppold et al., 2012).

Segundo Cicchetti & Garmezy (1993) e Libório et al. (2006), a medida que é desenvolvido o processo de resiliência, distintas metodologias de avaliação podem ser usadas. Assim, com base em uma definição teórica clarificada sobre o conceito analisado, é possível obter uma melhor concordância entre os especialistas, promovendo um nível consensual mais elevado, além de fortalecer a área da pesquisa com base em materiais fundamentados de forma metodológica e com resultados mais sólidos (Cicchetti & Garmezy, 1993).

Em relação à viabilidade do processo responsável por mensurar a resiliência na sociedade brasileira, verificam-se tendências diferentes. Alguns especialistas realizaram ajustes transculturais e pesquisas com evidências, validando escalas que analisam os níveis desse construto (Lopes & Martins, 2011; Pesce et al.; 2005).

Nesse sentido, Yunes (2001) destaca que a utilização de escalas – ou qualquer outro teste psicométrico – é de extrema importância para auxiliar no processo de compreensão de pessoas resilientes e não resilientes.

4. Considerações Finais

O presente estudo reuniu uma síntese de importantes pesquisas brasileiras e internacionais, com a participação de autores renomados na área da psicologia positiva, com ênfase na resiliência psicológica, caracterizando a complexidade que esta área assume diante dos desafios presentes na sociedade e também no ambiente profissional, entre outros ambientes com potencial para propiciar a ocorrência de adversidades na vida do ser humano.

Resiliência, de acordo com os autores citados nesta pesquisa, é a capacidade de desenvolvimento com saúde e perspectivas positivas sobre o futuro do indivíduo, mesmo diante de acontecimentos que tornam o cotidiano deste indivíduo relativamente desestruturado, em condições complexas de vida, além de traumas – graves, em muitos casos. Ser resiliente é a capacidade universal do ser humano lidar, superar, aprender e/ou até mesmo se transformar a partir dos imprevistos inevitáveis da vida. Tal capacidade de se proteger oferece condições para uma pessoa, um grupo e/ou uma comunidade prevenir e/ou superar os efeitos prejudiciais decorrentes de experiências de vida adversas.

A resiliência exige o ‘cuidar de si’ com base em um conjunto de características relacionadas à autoimagem e autoestima, com influência dos ambientes nos quais o indivíduo está inserido. Com relação à felicidade, o bem-estar subjetivo está diretamente conectado a uma série de aspectos positivos vivenciados pelo sujeito no seu cotidiano, cujas características físicas, psicológicas e sociais, definem a qualidade de vida desse indivíduo. Assim, quando o ser humano percebe-se em harmonia, as adversidades podem tornar-se mais suaves, clarificadas e compreensíveis, podendo gerar um aumento dos componentes psicológicos da resiliência, incrementando os potenciais positivos individuais e/ou coletivos para superar os desafios mais significativos da vida.

Com base nas obras e autores citados, o presente estudo verificou a importância da resiliência, tanto no ambiente pessoal e social, quanto no ambiente profissional. Este estudo forneceu, no nosso entendimento, subsídios significativos para posteriores debates e avanços no estudo da psicologia positiva, com ênfase no   da resiliência psicológica do ser humano, de forma que esta área possa contribuir cada vez mais para a superação de desafios na vida das pessoas, bem como prevenir e/ou tratar questões relacionadas à saúde física e/ou psicológica dos indivíduos em geral.

Partindo do princípio que resiliência é a prática de resistir a, resolver quando possível e sair fortalecido de situações de crise, habilidade essa que pode ser praticada e incentivada, é possível afirmar que ela apresenta-se como um recurso de extrema importância para a saúde das pessoas. Por exemplo, a área da educação pública do Brasil enfrenta diversos desafios que podem desencadear problemas de saúde para os envolvidos, tais como: acúmulo de atividades; condições insatisfatórias no ambiente de trabalho; salários não condizentes com o perfil de docente exigido pelo sistema de ensino; metas impraticáveis diante das dificuldades políticas e educacionais em todo o território brasileiro; também outros aspectos relacionados a situações de exaustão emocional, proporcionando, dessa forma ,uma série de riscos para a higidez de profissionais dessa área. Tal situação pode ocorrer em qualquer outra área e/ou segmento social e/ou mercadológico. Em casos dessa natureza, a resiliência pode servir como um importante recurso para a prevenção e/ou tratamento da saúde das pessoas, tanto no ambiente social quanto no ambiente profissional.

Sobre os Autores:

José Carlos Santos Tópor - Psicólogo Clínico, especialista em dependência química, especialista em Psicologia Positiva. Pós-Graduando no curso de Psicologia Positiva. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Instituto de Psicologia. UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Claudio S. Hutz - Professor e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Instituto de Psicologia. UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Referências:

APA – American Psychological Association. (2017, December 5). About APA. Washington. Disponível em http://www.apa.org/about/

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