Um Novo Movimento Chamado Psicologia Positiva

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Desde seu surgimento oficial em 1879, a Psicologia vem produzindo cada vez mais conhecimento e desde que adotara o método científico, tal conhecimento é cada vez mais confiável. Isso soa bastante positivo, mas há um aspecto ruim nesta questão. Se o conhecimento que é científico, é confiável. O conhecimento que não é científico, logo não é confiável. Eis que surge um problema. Todo o conhecimento que era visto como não-científico passou a ser visto como não-confiável e foi-se dando cada vez menos importância a ele. A história da Psicologia está repleta de autores pouco estudados por terem um conhecimento "não-científico".

As primeiras questões discutidas no âmbito desta nova ciência giravam em torno do cérebro. Muitos fisiologistas queriam descobrir como o cérebro funcionava, quais eram suas funções e suas estruturas. Na virada para o século XX o contexto já era outro. Muito impulsionada pelo surgimento de uma nova abordagem chamada de Psicanálise, a Psicologia volta sua atenção agora ao estudo das patologias. Nesta época, buscava-se entender quais eram as causas da histeria e de outras neuroses, assim como quais eram os critérios para que alguém pudesse ser diagnosticado com determinado transtorno. A atenção da Psicologia estava se voltando apenas para o estudo dos aspectos negativos do ser humano.

As duas Grandes Guerras do século XX abalaram quase o mundo inteiro. Imagine, agora, o abalo que fez aos soldados. Ainda que o estrago tenha sido enorme, houveram sobreviventes. As consequências das guerras, especialmente da Segunda Grande Guerra, fizeram surgir uma série de perturbações e desordens mentais, tanto nos soldados, quantos nos civis. Naturalmente os estudos da Psicologia voltaram-se quase que absolutamente aos transtornos mentais, na tentativa de diminuir a dor dos sobreviventes.

Sem dúvida, há de se reconhecer que os ganhos com tais estudos são de extrema importância. O conhecimento que temos hoje sobre a maioria dos transtornos mentais se deve, em grande parte, aos estudos feitos nessa época.

1. Uma Nova Perspectiva

Em 1998 toma posse como presidente da APA (American Psychological Association) um homem chamado Martin Seligman. Desde sua posse, Seligman escreveu artigos falando sobre aspectos positivos do ser humano e ressaltando a importância de voltarmos nossos estudos a esses aspectos. No início do século XXI, mais especificamente no ano de 2000, conjuntamente a outro psicólogo chamado Mihaly Csikszentmihalyi, publicam um artigo chamado Positive Psychology: An Introduction, que hoje é considerado o marco inaugural deste novo movimento.

Acontece que na história da Psicologia sempre que um novo movimento surge, ele derruba seu antecessor. A intenção da Psicologia Positiva não é fazer isso! Martin Seligman é bastante enfático ao ressaltar a importância dos estudos sobre transtornos mentais, ele se diz orgulhoso. O próprio Martin Seligman colaborou com os estudos, ele estudava depressão em jovens. O que ele propõe é que os psicólogos do mundo todo passem a pesquisar também os aspectos positivos do ser humano.

Em uma palestra realizada no TED Talk em 2004, Seligman aponta três questões importantes que a Psicologia deveria se dedicar em fazer. A primeira delas é que a Psicologia deveria estar preocupada com os pontos positivos do ser humano, assim como os pontos negativos. Segundo, deveria estar preocupada tanto em desenvolver os pontos fortes quanto em consertar danos. E por último, a Psicologia deveria se dedicar em fazer a vida das pessoas mais gratificante.

2. O que é, afinal, a Psicologia Positiva?

Em termos conceituais, há várias definições para Psicologia Positiva. Mas a literatura é unânime em afirmar que ela é a ciência que estuda as experiências positivas (emoções positivas, felicidade, esperança, alegria), características positivas individuais (caráter, forças e virtudes) e instituições positivas (organizações baseadas no sucesso e potencial humano, sejam locais de trabalho, escolas, famílias, hospitais, comunidades, sociedades ou ambientes físicos a todos os títulos saudáveis, tal como a democracia e a liberdade).

Na época de seu surgimento, a Psicologia Positiva tinha uma proposta inovadora, com uma postura bastante madura e um campo promissor. O que convém dizer como resultado destes mais de 10 anos de vida é que estes três pontos se mantém. A proposta inovadora se mantém e novas propostas vão surgindo na medida em que mais estudos estão sendo conduzidos. A postura da Psicologia Positiva têm se mantido bastante científica, com todos os estudos sendo empiricamente comprovadas, escalas que medem felicidade, por exemplo, foram feitas e estão constantemente sendo aprimoradas. E a Psicologia Positiva não é mais apenas um campo promissor - algo que um dia dará frutos. A Psicologia Positiva é uma realidade. Os resultados já podem ser observados e estão sendo utilizados na prática. Em termos de Brasil, há inúmeros grupos de pesquisa em universidades Brasil afora. Há estudos de excelente qualidade sendo feitos por pesquisadores interessados e engajados.

A Psicologia Positiva, apesar de enfrentar resistência, não para de crescer. E me parece que o ponto mais importante é que ela não chega com a proposta de parar os estudos sobre depressão e estudarmos apenas a felicidade, o otimismo ou a esperança. A Psicologia Positiva se propõe a trabalhar tanto no tratamento quanto na prevenção. A ideia é a seguinte: se podemos reconstruir o muro quebrado colocando os tijolinhos no lugar, por que não podemos ajudar o paciente a construir um muro maior e mais forte?

Sobre o Autor:

Jonas Rodrigues - Estudante de Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Relações Sociais. Lattes: http://lattes.cnpq.br/5071531262707220

Referências:

MARUJO, H. A., NETO, L. M., CAETANO, A., & RIVERO, C. Revolução Positiva: Psicologia Positiva e práticas apreciativas em contextos organizacionais. Comportamento Organizacional e Gestão. v. 13, n. 1. p. 115-136, 2007.

PASSARELI, P. M. & SILVA, J. A. Psicologia Positiva e o estudo do bem-estar subjetivo. Estudos de Psicologia, Campinas. v. 24, n. 4, p. 513-513, out/dez 2007.

YUNES, M. A. M. Psicologia Positiva e Resiliência: o foco no indivíduo e na família. Psicologia em Estudo, Maringá. v. 8, n. esp, p. 75-84, 2003.

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