Professores com Transtornos Psicológicos e a Ausência de Políticas Públicas

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Resumo: O presente trabalho tem como objetivo apresentar a complexidade e a precariedade das condições da atuação docente no cenário educativo atual e demonstrar suas respectivas consequências e necessidades. O professor é exposto a inúmeras adversidades e fatores que em conjunto, resultam em seu desequilíbrio emocional, gerando transtornos psicológicos. Como um ato de fuga, o profissional opta por abster-se do trabalho ou até mesmo desiste devido à ausência de políticas públicas efetivas e eficazes que controle, previna e combata estes transtornos a fim de viabilizar uma atuação mais saudável deste profissional.

Palavras-chave: Professor, Transtornos Psicológico, Políticas Públicas.

1. Introdução

A profissão docente até a década de 1960 era considerada uma das mais belas e respeitáveis profissões e dotada de status social. O professor era visto como uma figura essencial para a sociedade era valorizado e reconhecido de acordo com a importância de seu trabalho.

De acordo com Codo (1999, p.63):

A profissão de educador tinha prestígio social. Em primeiro lugar, a valorização da profissão remetia ao importante papel atribuído à educação na integração social, no contexto da formação do Estado nacional.  No passado, dizer “eu sou professora ou professor” trazia a tona uma identidade carregada de orgulho profissional e dos esforços destinados a produzir uma identidade nacional. Além disso, esse prestígio remetia às exigências da profissão, tais como os requerimentos para o ingresso e a qualidade da formação recebida nas famosas e reconhecidas Escolas Normais.

As pesquisas de Esteve (1999) e de Codo (1999), afirmam que as condições de trabalho dos docentes brasileiros são consideradas precárias e têm sido apontadas, nas pesquisas atuais, como geradoras de adoecimento físico e psicológico. A reversão da situação de saúde depende da elucidação dos fatos, depende de se saber, com clareza, em que condições trabalham esses docentes.

Apesar de, a educação ser um dos pilares para o desenvolvimento, a partir da década de 1970 a profissão docente passou por diversas transformações das quais contribuíram para a deterioração, fragmentação e desvalorização do papel do professor diante e para a sociedade.

Verifica-se que as transformações sociais com a ruptura do conceito social sobre a educação e a modificação desse apoio, o aumento de contradições do papel docente, as reformas educacionais com o oferecimento da obrigatoriedade e gratuidade do ensino fundamental, um ensino massificado e quantitativo e os modelos pedagógicos referentes à formação inicial foram grandes responsáveis neste processo de desvalorização.

Atualmente é considerada uma profissão conflitiva dotada de entraves e com seu papel cada vez mais minimizado, criticado e questionado pela sociedade. O docente se vê em constante fragilidade, insegurança, medo e incertezas.

Se justapondo a essas mudanças, outros problemas também surgiram por não conseguirem acompanhar a grande demanda. A falta de recursos materiais e didáticos mínimos necessários, indisciplina, violência, infraestrutura inadequada e baixos salários estão presentes no dia a dia deste profissional que ora luta para dar continuidade em seu trabalho, ora desiste.

Diante do exposto, o que se vê no cenário educativo atualmente é desanimador. Professores cansados, desanimados, desvalorizados e, sobretudo com transtornos psicológicos causados pela somatização de patologias decorrentes dessa diversificação de fatores.

É neste sentido que este trabalho caminhará, demonstrando e evidenciando as mazelas deste cenário baseadas em pesquisas realizadas no Brasil, suas causas e a falta de Políticas Públicas para dar respaldo a esses profissionais que apresentam tais transtornos e aqueles que ainda não os apresentam.

2. Fatores Desencadeadores dos Transtornos Psicológicos

De acordo com Codo, (1999, p.27):

Que se entre em uma escola, que se visite as agruras e prazeres dos educadores, professores ou não: o que se verá ali é trabalho, muito trabalho, uma verdadeira usina funcionando a um ritmo alucinante e coordenado. No entanto pouco se lê sobre o educador e a educação, mesmo sabendo que estamos falando de trabalho dos mais complicados, como se verá.

Atualmente o docente tem se deparado com fatores cada vez mais difíceis e inusitados no decorrer do seu trabalho. Tais fatores influenciam diretamente seu modo de ser e pensar, descaracterizando suas expectativas em relação à educação, comprometendo a qualidade no exercício de sua função e trazendo ao mesmo, reações físicas e emocionais que geralmente se traduzem em sentimentos de angústia, ansiedade, estresse, depressão e também a Síndrome de Bournout.

Esses fatores podem ser definidos como fatores primários (principais) e secundários (contextuais), segundo Blase (1982, apud Esteve, 1999, p. 27):

Ele distingue entre fatores primários, referindo-se aos que incidem diretamente sobre a ação do professor em sala de aula, gerando tensões associadas a sentimentos e emoções negativas; e, por outro lado, fatores secundários, referentes às condições ambientais, ao contexto em que se exerce a docência. A ação desse segundo grupo de fatores é indireta, afetando a eficácia docente ao promover uma diminuição e seu esforço.

Os fatores primários estão relacionados aos conflitos oriundos das variáveis ambientais, ou seja, a escassez de recursos materiais desde didáticos a equipamentos tecnológicos e mobiliários adequados. A infraestrutura também deixa a desejar, com a presença de prédios velhos sem estruturas mínimas necessárias e manutenção correta. Quando novos, os prédios são construídos com materiais de qualidade ruim e até duvidosos em relação à segurança e requisitos necessários para atender a demanda, o que faz com que a equipe escolar recorra à arrecadação da contribuição facultativa da Associação de Pais e Mestres (APM), para aquisição de materiais e muitas vezes tiram parte do próprio salário para a manutenção e preservação do ambiente escolar.

Se justapondo a esses, estão os fatores de violência escolar, como as agressões verbais ou físicas tanto de educandos para com eles mesmos, quanto de educandos para com o professor e até mesmo de pais investindo contra o docente em proporções inaceitáveis. Esse poder de força ou intimidação se dá por meio de um conjunto de fatores tais como: o institucional – família e escola; comportamental – atitudes, opiniões, sociabilidade, dentre outros; social – etnia, sexo, status socioeconômico, emprego, e afins. 

Neste termo de violência, também se enquadram os roubos de materiais essenciais tais como televisores, rádios, aparelhos de DVDs e até materiais didáticos e de uso pessoal dos alunos, tais como livros, cds musicais, filmes e desenhos em dvd, folhas de sulfite, canetas hidrocor, lápis de cor, dentre outros.

No entanto, a violência escolar não para por aí, pichações de insultos contra “colegas” educandos e professores estão por todos os lugares da escola, carros são riscados e muitas vezes escrevem palavrões na lataria dos mesmos. Há também, regiões que a depredação e o vandalismo imperam destruindo o pouco que se tem nas escolas.

Outro impasse que o professor tem vivido e que implica um grande desafio para o mesmo é o número de alunos por sala devido à obrigatoriedade e gratuidade da educação básica, o que tende a piorar, visto que a nova Emenda Constitucional nº59, de 11 de novembro de 2009, determina que a educação básica deva atender os alunos de quatro a dezessete anos de idade e que Estados e Municípios deverão se adequar para atender a demanda até 2016.

Não cabe aqui opinar sobre a importância da educação desde a mais tenra idade, sabe-se de sua relevância, porém a crítica que se faz é que não se dá conta do que era obrigatório até então, isso não significa que a situação tende a piorar? Enquanto isso, para que o educador consiga atingir as metas e objetivos traçados e respeitar a individualidade de cada educando, precisa se empenhar demasiadamente e geralmente se vê obrigado a dar conta de tarefas extraclasse, deixando sua vida social e familiar em segundo plano.

De acordo com Codo (1999, p.319):

É informação corrente e facilmente compreensível que turmas muito grandes são inadequadas para ambos, professores e alunos. As condições de aprendizagem ficam prejudicadas, trazendo tanto dificuldades para os alunos em aproveitar bem as aulas, quanto para o professor, o qual tem que empreender um esforço extra para garantir a qualidade das suas aulas, preocupando-se em atender bem aos alunos, respondendo suas dúvidas, acompanhando aqueles que têm mais dificuldade, enfim, cumprindo seu papel. Assim, conforme aumenta o número de alunos por turmas, aumenta também o nível de carga mental exigido do docente.

Já os fatores secundários de acordo com Esteve (1999), estão relacionados à modificação do papel do professor devido ao aumento das responsabilidades e exigências projetadas sobre o mesmo.

            Devido às mudanças das últimas décadas e da inserção da mulher no mercado, o que antes era visto como responsabilidade da família, desde os princípios e os valores, do respeito, da cordialidade, da disciplina, da sinceridade, até as ações mais básicas tais como: comer com talher e não com as mãos, agasalhar-se, limpar-se ao ir ao banheiro, lavar as mãos, passou a fazer parte do trabalho do professor, delegando ao mesmo grande parte da responsabilidade de maneira ampla e irrestrita.

O docente muitas vezes faz papel de pai, mãe, amigo, psicólogo, educador dentre outros para satisfazer as expectativas da sociedade atual.

Essa transferência de responsabilidade com novas exigências produziu uma grande confusão para o professor e muitas vezes, este profissional se questiona sobre sua identidade, sobre o sentido de seu trabalho e entre o que faz parte dele e o que não faz parte. 

Segundo a (OIT) Organização Internacional do Trabalho, (1981, apud Esteve, 1999, p.31):

Em uma época em que se cobra cada vez mais que a escola cumpra funções que tradicionalmente competiam a outras instituições sociais como a família, os educadores consideram que é injustificável acusá-los de que não estejam à altura de todos os desafios que propõe um mundo em rápida transformação, especialmente se eles não dispõem dos recursos que desejariam para enfrentar esses desafios.

As modificações do ensino também se deram com a introdução dos novos agentes de socialização, tais como os meios de comunicação e consumo cultural de massa. Até então, o ensino era exclusividade do saber do professor e agora passa a ter fontes paralelas. Tal acessibilidade põe em xeque o que realmente o professor deva ensinar.

Antecedente a esses acontecimentos, havia um consenso entre sociedade e instituições no que se referia aos valores fundamentais e os modelos que deveriam ser transmitidos pelo professor, o que propiciava ao mesmo uma segurança pessoal e satisfação em relação ao seu trabalho desempenhado, assim como trazia como resultado uma socialização convergente.

De acordo com Codo (1999, p.52):

Atualmente os educadores estão experimentando uma crise de identidade. De forma mais ou menos direta, o conjunto de fatores que ingressam na configuração dessa crise aponta a um questionamento do saber e saber-fazer dos educadores, da sua competência para lidar com as exigências crescentes do mundo atual em matéria educativa, e com uma realidade social cada vez mais deteriorada que impõe impasses constantes à atividade dos profissionais. Somos tentados por isso, neste capítulo, a estabelecer relações entre essa crise de identidade que abala a “crença de si” e o “sentido de si” destes profissionais e sua saúde mental no trabalho neste final de século.

Esse consenso já não existe mais e o processo de socialização está cada vez mais conflitivo e divergente, exigindo do professor uma série de habilidades pessoais e que seja detentor de diversos saberes. O mesmo tem sido contestado e julgado o tempo todo por educandos, pais e comunidade na qual está inserido e o desinteresse da família em acompanhar a trajetória escolar de seus filhos é notável.

O que era motivo de orgulho dizer “sou professor”, e todos admiravam, agora é motivo de ironia e muitas vezes escuta-se dos  pais ou dos próprios  educandos que os filhos estudarão outra coisa, a qual se ganhe dinheiro.

De acordo com Esteve, (1999, p. 19):

Nossa sociedade é hipócrita e ambivalente quando aplica a nós, professores, o velho discurso da abnegação e do valor espiritual e formativo de nosso trabalho, quando na verdade deprecia tudo o que não tenha valor material. É injusto que nossa sociedade nos considere os únicos responsáveis pelos fracassos de um sistema educacional massificado, apressadamente maquiado para fazer frente à avalanche da crise social, econômica e intelectual de nossa sociedade. Sobretudo quando ninguém se atreve a redefinir funções porque pode se tornar impopular.

Vê-se constantemente vivenciando papéis contraditórios. Num dado momento exige-se que o professor seja o mais próximo possível de seu aluno e companheiro, noutro, exigirá que se coloque no papel de juiz, selecionando e atribuindo notas. Ora, exige-se que ele atenda cada aluno de acordo com suas necessidades individuais, noutra, lhe é imposto uma política educacional na qual ambos devam agir de acordo com as necessidades políticas e econômicas atuais. O docente estará sempre sujeito a críticas tanto no que diz respeito ao seu plano de valores quanto ao domínio metodológico independente do modelo educativo que escolher.

Há também que salientar a desvalorização deste profissional tanto no sentido do status social como no sentido de remuneração.

Apesar de existir a lei do piso nacional, regulamentado pela Lei n 11.738/2008 e que a partir de janeiro de dois mil e quinze foi aprovado para R$1.917,78 (um mil novecentos e dezessete reais e setenta e oito centavos) para uma jornada semanal de quarenta horas e diz respeito à “valorização dos profissionais da educação”, além de não ser reconhecido pela grande maioria como um bom salário e não condizer com o nível da formação exigida, ainda não é respeitado por boa parte dos Estados e Municípios.

Realmente os baixos salários são degradantes e chegam a ser desrespeitosos comparados à responsabilidade e às atribuições impostas pelo novo contexto social ao professor. Na maioria das vezes, o educador se vê obrigado a trabalhar com carga horária dobrada e lugares distintos na intenção de suprir suas necessidades e as de sua família.

Com relação à formação inicial Esteves (1999), faz uma crítica sobre a imagem idílica que é transmitida nos cursos por meio de filmes e séries nos quais, roteiristas e diretores realizam autêntico disfarce das relações grupais em favor das relações pessoais, ou seja, 10% do tempo do filme é transmitido no ambiente da sala de aula o restante geralmente é dedicado em apresentar o professor em uma atividade relacional, de ajuda pessoal aos alunos fora da sala de aula. Por outro lado, a imagem difundida pelos meios de comunicação e imprensa, normalmente são as situações grupais conflitivas, bem diferentes da visão ideal.

Esteves (1999, p.40) explica:

Em um primeiro momento, a formação inicial dos professores tende a estimular o esteriótipo ideal, que representaria o pólo positivo da imagem do professor. Isso ocorre em todas aquelas circunstâncias em que se recorre a um enfoque normativo da formação do professorado, destacando o que o professor “deve” fazer ou o que o professor “deve” ser; sem que, ao mesmo tempo, ele seja adequadamente preparado para a prática do ensino.

Outro entrave encontrado pelo professor, é que a formação inicial se dá dissociada da prática e quando o profissional inicia seu trabalho percebe que a maior parte do que aprendeu até então, ainda não o preparou suficientemente.

Diante dessas contradições, percebe-se que a formação contribui para uma visão utópica do exercício da docência e a mesma só será descoberta pelo professor quando ele estiver exercendo sua prática, causando desilusão e desconcerto.

Outro ponto a ser tocado é referente aos cursos de formação continuada, oferecidos pelos Estados e Municípios. Na maioria das vezes o que se vê, são cursos em curto prazo repetindo tudo o que foi contemplado na formação inicial, sempre focado nas teorias e dificilmente algo ligado à prática ou algo novo, dando a sensação de que aquilo nada mais é para cumprir o proposto pelo (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) FUNDEB, (§ 1º do art. 21 da Lei nº 11.494/2007), com relação ao recurso repassado para este fim.

A expressão do professor García Hoz (1975, apud Esteve, 1999, p.41), traduz todos esses fatores:

Nas situações assinaladas reflete-se a transformação da profissão docente; que, antes de ser uma atividade tranquila, de calma dedicação ao cultivo da ciência e às relações cordiais com aqueles que querem adquiri-la, passou a ser uma profissão marginalizada, pouco compreendida, muito menos reconhecida, em que a dureza penetrou até a entranha mesma da tarefa docente e das relações pessoais do professor (...). Com todas essas circunstâncias, não se estará criando uma nova classe esmagada pela inutilidade de seus esforços, sem ilusão em sua tarefa, frustrada em sua vocação? O risco de que assim seja é grande.

A questão levantada realmente é uma incógnita. Os fatores dão indícios de que a situação tem se agravado e maximizado, década após década, ano após ano, em uma velocidade alucinante e nada tem sido feito para saná-la ou ao menos minimizá-la.  

3. Transtornos Apresentados Decorrentes

            De acordo com o exposto anteriormente, a sobrecarga das responsabilidades, as situações conflitantes, as pressões e a fragmentação do trabalho do professor o tornam apreensivo, fragilizado, esgotado, sem motivação, principalmente por não ter meios e condições necessárias para executar seu trabalho adequadamente e não ter reconhecida a importância de seu papel perante a sociedade.

Pode-se concluir que, grande parte dos professores não consegue sair ileso do exercício de sua função. Muitos desenvolvem com o passar do tempo uma série de patologias e transtornos, dos quais os psicológicos são notáveis e preocupantes. Todos esses fatores contribuem para tornar o docente extremamente exposto, gerando desgaste físico e emocional propiciando o desenvolvimento da ansiedade, estresse, depressão e burnout.

3.1. Uma Breve Ordenação Conceitual dos Transtornos Desenvolvidos

_ Ansiedade - refere-se às sensações de tensão, angústia, insegurança, incertezas, perigos, etc. Normalmente vem acompanhada de percepções cognitivas, como pensamentos e imagens; percepções motoras, como tremores, tensão muscular e gagueira, ou ainda, percepções fisiológicas, como pulsação cardíaca, respiração e sudorese. Está relacionada ao funcionamento do corpo e experiências de vida.

A ansiedade pode ser facilitadora ou inibidora de ações e isso depende da intensidade e das circunstâncias na qual se dá. Quando muito intensa e persistente leva a pessoa a uma tensão desproporcional que, muitas vezes nem ela sabe explicar os motivos e nem mesmo consegue controlar a sensação de tensão e insegurança que a domina. Quando chega a este nível a ansiedade torna-se patológica e se caracteriza pelo excesso de expectativas atribuídas às questões comuns do dia a dia assim como pela preocupação exagerada sem qualquer motivo aparente.

Os sintomas da ansiedade quando fora do controle são: medo de ser humilhado em público; preocupações exageradas com família, saúde, trabalho; medo extremo de uma situação em particular, dentre outros. O aumento dos conflitos gera o estresse que passa a ser o representante legal e emocional da ansiedade.

_ Estresse - dentre as várias definições o estresse pode ser considerado uma reação do organismo (física ou mental) a um esforço extremo ou importante. Em geral o estresse ativa processos hormonais e nervosos baseado em um estado de alerta, o que explica o aumento do ritmo cardíaco e do estado de vigilância.

A psicóloga e cientista Lipp (1996) destaca que o termo estresse pode ser utilizado em dois sentidos, tanto para descrever uma situação de muita tensão, quanto para definir a nossa reação a tal situação. O estresse pode ser caracterizado como uma força, tensão, pressão, compressão, ou ainda, como um estado físico ou psíquico causados por agentes estressores internos ou externos. Uma situação provocadora de um estado emocional forte pode causar um desiquilíbrio interno e externo resultando no estresse.

Os problemas e preocupações são fatores desencadeadores do estresse e também são denominados como agentes estressores. Esses agentes estressores podem ser internos quando resultantes dos valores, crenças, comportamento, vulnerabilidade, assertividade, ansiedade e afins, de um indivíduo. Já os agentes externos são resultantes de situações como, intrigas, dificuldade financeira, morte, acidentes dentre outros.

O nível de estresse é definido por fases e podem ser manifestadas tanto na ordem física quanto na psicológica, que são:

Fase alerta - ocorre quando o indivíduo entra em contato com o agente estressor e o seu corpo perde seu equilíbrio. Nesta fase se a pessoa que souber administrar o estresse, ou seja, restabelecer a homeostase, este pode tornar-se seu aliado impulsionando-a a motivação e a produção. Os sintomas característicos desta fase são: insônia, tensão muscular, taquicardia, mudança de apetite, agitação, entusiasmo súbito, dilatação dos brônquios e pupilas, mãos e pés frios, dentre outros.

Fase de resistência – é a fase na qual o corpo tenta voltar ao equilíbrio e o organismo pode se adaptar aos problemas ou eliminá-los. O organismo fica enfraquecido e suscetível a doenças, porém se o estressor for eliminado, tudo voltará ao normal. Os principais sintomas são: surgimento de problemas dermatológicos, sensação de desgaste físico constante, desejo sexual diminuído, dificuldade com a memória, tontura, irritabilidade, picos de hipertensão, dores no estômago, etc.

A terceira fase é a da exaustão e se caracteriza por diversos comprometimentos físicos. Ocorre quando o estressor excede o limite gerenciável e a resistência física e emocional começa a se quebrar, nesta há o agravamento das doenças que surgem na fase de resistência e é perigosa. Dentre seus sintomas estão: diarreia constante, tiques nervosos, hipertensão arterial confirmada, úlceras, angústia, perda do humor, impossibilidade de trabalhar, hipersensibilidade emotiva, problemas cardiovasculares e afins.

Tais agentes interferem na vida das pessoas e cada qual reage de uma maneira em particular, essa reação pode ser considerada benéfica, ou não.

Nas exigências impostas atualmente ao papel do professor, o estresse aparece como forma de esgotamento, frustração e extrema tensão o que pode levá-lo no plano mental, à depressão.

Sentir-se triste até certo ponto é normal e intrínseco ao ser humano, porém quando esta tristeza se torna esmagadora e incapacitante ela se transforma em depressão. Mas o que é depressão?

_ Depressão – a Organização Mundial da Saúde (OMS) define depressão como um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima, além de distúrbios do sono e do apetite.

Para Lipp (2013), a depressão é considerada como a condição que mais sofrimento traz ao ser humano, destrói a felicidade e a qualidade de vida de qualquer pessoa. Reduz a criatividade e a produtividade do ser humano, tira a vontade de viver e interagir com os outros. Pessoas com depressão vivem a vida pela metade, como se todas as cores e todas as alegrias ao seu redor estivessem cobertas por uma névoa.

Os sentimentos de inutilidade, pessimismo, desesperança e desamparo são constantes e interferem diretamente no desempenho do trabalho, relacionamento familiar e com amigos. A depressão é resultado de várias causas com combinação de fatores genéticos, bioquímicos, ambientais e psicológicos. A exposição contínua de agentes estressores internos e externos somados a predisposição genética são coadjuvantes neste processo, ou seja, não tem uma causa específica ela pode ser desencadeada por um conjunto de fatores tais como: tensão financeira; dor crônica ou problemas de saúde; uso de drogas ou álcool; problemas conjugais; solidão; falta de apoio social; experiências estressantes, histórico de depressão familiar, etc.

Os sintomas da depressão são: ansiedade, angústia, irritabilidade e tristeza exageradas; perda de interesse nas atividades diárias; indecisão e desinteresse generalizados; sentimentos de culpa e inutilidade; dificuldades de concentração; queixas físicas com dores inexplicáveis na cabeça, musculares, estômago, pressão no peito, dentre outras; Insônia ou hipersonia; alterações de apetite e peso para mais ou para menos e, ainda, sentimento suicida, planejar uma forma ou tentativa de suicídio.

Existem vários tipos de depressões das quais algumas serão delimitadas a seguir:

Depressão Unipolar ou episódio depressivo – é a forma mais comum da depressão e um único episódio depressivo como, por exemplo, perda de algo ou condição traumática e ocorre ao longo de semanas a anos. Esta é sempre incapacitante e quando não tratada pode causar episódios recorrentes.

Depressão Recorrente – é quando um episódio depressivo se repete, é reincidente e a pessoa experienciará fases depressivas por um prazo de pelo menos dois anos ou mais. É unipolar e não apresenta episódios de mania.

Depressão Bipolar _ é menos comum do que a unipolar e também conhecida por perturbação maníaco-depressiva. Caracteriza-se pela alternância de episódios maníacos e episódios depressivos, tais como comportamento de hiperatividade, fala rápida, impulsividade, inquietação e ausência de sono. Este tipo de depressão afeta o julgamento e o comportamento social, causando graves problemas. Atitudes como decisões financeiras não ponderadas, práticas sexuais indiscriminadas podem ser resultado de uma fase maníaca que posteriormente desenvolverá a depressão.

Depressão Sazonal – ocorre durante alterações de clima, em que o humor é afetado. Por exemplo, outono ou inverno nos quais dias frios, nublados e sombrios que inibem a aparição do sol.

Depressão Psicótica – é uma forma especial de episódio depressivo, que envolve a visão e a audição de alucinações ou delírios na qual o excesso de culpa, hipocondrismo, por exemplo, fazem parte, mesmo que se prove ao contrário. Os episódios psicóticos podem se originar da depressão unipolar ou bipolar.

Outro transtorno também apresentado como preocupante e conhecido como síndrome do esgotamento profissional, ou ainda nesse contexto, síndrome da desistência docente é a Síndrome de Burnout.

_ Burnout - é definida por Freudenberger (1974), como um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedida de esgotamento físico ou mental intenso, cuja causa está intimamente ligada à vida profissional.

Ou ainda, é definida por Maslach e Jackson, (1981, apud CODO, 1999, p. 258) como:

[...] uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto e excessivo com outros seres humanos, particularmente quando estes estão preocupados ou com problemas. Cuidar exige tensão emocional constante, atenção perene; grandes responsabilidades espreitam o profissional a cada gesto no trabalho. O trabalhador se envolve afetivamente com os seus clientes, se desgasta e, num extremo, desiste, não aguenta mais, entra em Burnout.

Em português significa “queimar para fora” ou “consumir-se de dentro para fora”, podendo ser melhor compreendido como “combustão completa” que se inicia com os aspectos psicológicos e culmina em problemas físicos, comprometendo todo o desempenho da pessoa, resultado de um profundo sentimento de frustração e exaustão relativos ao trabalho desempenhado, de forma que nada mais importa e  que qualquer esforço pareça inútil.

Trata-se de um processo cumulativo de consequências negativas que afetam o docente a partir da ação combinada das condições psicológicas e sociais, começando com pequenos sinais de alerta que quando não percebidos a tempo, podem levar o professor a uma sensação de terror, diante da ideia de ir ao trabalho. O sentimento de impotência e de incapacidade se apodera do docente devido à falta de motivação, depressão, fadiga, desamparo, etc.

Segundo Codo, (1999, p.258):

A síndrome é entendida como um conceito multidimensional que envolve três componentes :

1) Exaustão Emocional – situação em que os trabalhadores sentem que não podem dar mais de si mesmos a nível afetivo. Percebem esgotada a energia e os recursos emocionais próprios, devido ao contato diário com os problemas.

2) Despersonalização – desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas e de cinismo às pessoas destinatárias do trabalho (usuários / clientes) – endurecimento afetivo, ‘coisificação’ da relação.

3) Falta de envolvimento pessoal no trabalho – tendência de uma ‘evolução negativa’ no trabalho, afetando a habilidade para realização do trabalho e o atendimento, ou contato com as pessoas usuárias do trabalho, bem como com a organização.

O desenvolvimento da síndrome é perceptível e verificável por meio de estágios e somente nos estágios finais é que se torna possível o diagnóstico, os sinais e sintomas iniciais da Burnout são equivalentes aos do estresse e depressão.

No primeiro estágio percebe-se: o comprometimento da vontade de ir ao trabalho; surgimento de dores nas costas, coluna e pescoço; falta de vontade de exercer as atividades laborais, o docente não se sente bem, mas não consegue distinguir o que há de errado.

O segundo estágio é caracterizado por: perda da qualidade e amistosidade das relações com os colegas de trabalho e tensão; pensamentos neuróticos de boicote ou perseguição e até interesse em mudar-se para outra escola; desinteresse de participação nas decisões coletivas; licenças e faltas passam a fazer parte da vida profissional.

No terceiro estágio o educador: comete muitos erros relacionados ao trabalho comprometendo suas capacidades e habilidades; falta-lhe atenção e os lapsos de memória se tornam mais frequentes; começam a surgir doenças como alergias e elevações da pressão arterial em que normalmente a pessoa se automedica.

Já no quarto estágio e mais crítico, observa-se: uso de drogas lícitas ou ilícitas e álcool; pensamentos de suicídio, desenvolvimento no trabalho completamente comprometido resultando no afastamento do trabalho.

De acordo com Codo, (1999, p.263):

Um trabalhador que entra em Burnout assume uma posição de frieza frente a seus clientes, não se deixando envolver com seus problemas e dificuldades. As relações interpessoais são cortadas, como se ele estivesse em contato apenas com objetos, ou seja, a relação torna-se desprovida de calor humano. Isso acrescido de uma grande irritabilidade por parte do profissional, este quadro torna qualquer processo ensino-aprendizagem, que se pretenda efetivo, completamente inviável. Por um lado, o professor torna-se incapaz do mínimo de empatia necessária para a transmissão do conhecimento e, de outro, ele sofre: ansiedade, melancolia, baixa autoestima, sentimento de exaustão física e emocional.

Os sinais e sintomas da síndrome podem ser:

Sintomas psicossomáticos: sensação generalizada de cansaço e esgotamento; insônia; dores generalizadas; enxaqueca, náuseas; distúrbios cardiovasculares e gastrointestinais; dentre outros.

Sintomas psicossociais/comportamentais: falta de concentração, atenção e motivação; frustração; raiva; ansiedade; depressão; questionamento do seu próprio valor; pessimismo; isolamento; exaustão emocional; etc.

De acordo com Codo, (1999, p. 260) “Do educador se exige muito, o educador se exige muito; pouco a pouco desiste, entra em Burnout.”.

3.2. O Absenteísmo e o Abandono como Consequências

Devido aos transtornos apresentados, consequência do fenômeno multifatorial já exposto, o absenteísmo surge como uma reação de interromper as tensões vividas e derivadas do trabalho docente, que passa a partir daí provocar sofrimento e desiquilíbrio.

De acordo com Esteve, (1999, p.63):

O absentismo aparece, portanto, como forma de buscar um alívio que permita ao professor escapar momentaneamente das tensões acumuladas em seu trabalho. Recorre-se, então, aos pedidos de licença trabalhistas ou, simplesmente, à ausência do estabelecimento escolar por períodos curtos, que exigem não mais do que uma justificativa.

A não correspondência entre o real e o idealizado pelo professor diante do exercício de suas inúmeras funções, propicia para que o mesmo adoeça e uma vez doente ele entra num processo progressivo de esmorecimento e desistência.

Este esmorecimento implica no distanciamento físico e psicológico do trabalho ou de mudança do local de trabalho, que permitirá a diminuição da frustração e do sofrimento provocados pelos transtornos.

O distanciamento a princípio de concretiza por meio de remoção ou transferência na tentativa de “mudar de ares” na ilusão de que ficará bem; por meio de licenças temporárias em curto e em longo prazo, ou ainda, como última alternativa a desistência definitiva.

A remoção ou transferência se trata da possibilidade do docente em mudar de escola, o que para quem está sofrendo no ambiente em que se encontra, vê essa possibilidade como uma válvula de escape na qual acredita que se livrará dos transtornos adquiridos.

No entanto, esse mecanismo de evasão, diante da doença já instalada será apenas um subterfúgio utilizado pelo docente diante da ilusão de que tudo será melhor.

Ao constatar que as situações conflitivas também estão presentes em outro local escolhido, o docente recorre a outro mecanismo de fuga, o absenteísmo, que se trata do hábito de estar frequentemente ausente de um local de trabalho por meio de licenças em curto ou em longo prazo.

Conforme estudos realizados por (Hembling e Gilliland, 1981), constatou-se que os pedidos de licença têm relação com os ciclos de estresse identificados ao longo do ano. No final de cada trimestre e final de curso, produzido por três picos, são os períodos de maior incidência de pedidos de afastamento e consequentemente do absenteísmo.

Segundo Berta (2008), os dados veiculados pela Secretaria Estadual de Educação e pela União dos Professores Públicos do Estado do Rio de Janeiro, mostraram que só no mês de abril de 2008, foram registradas 16.918 faltas, sendo 12.790 decorrentes de problemas de saúde.

Na Prefeitura Municipal de São Paulo, a área da educação a mais prejudicada nos últimos dois anos pelo aumento crescente de absenteísmo mostra que as licenças de curta duração saltaram de 14.243, em 2002, para 107.892, em 2004.

Na maioria das vezes, o professor luta o maior tempo possível entre uma licença e outra, para protelar a decisão da ruptura definitiva, ou seja, a desistência. A sensação de fracasso, frustração, o cargo, os esforços empregados, os vínculos, o medo de novos desafios, dentre outros motivos, fazem com que o docente persista no exercício.

No entanto, quando esse mecanismo de fuga passa a ser ineficiente e insuficiente, o professor desiste a fim de restabelecer seu equilíbrio emocional. De acordo com Esteve (1999), “O absenteísmo tem como última opção um gesto de sinceridade: o abandono real da profissão docente”.

Bueno e Lapo, (2001) constataram por meio de uma investigação que, em 1995, houve um aumento nos últimos cinco anos de 299% nos pedidos de exoneração, atingindo a média anual de 43%.

Já na rede estadual do Rio de Janeiro de acordo com dados veiculados pela Secretaria Estadual de Educação e pela União dos Professores Públicos do Estado do Rio de Janeiro, o número de desistências do magistério de janeiro a abril de 2008, foi de 1.339, sendo 921 foi por aposentadoria, com a média de 12 abandonos por dia. Em 2007, foram registrados 47 pedidos de exoneração por mês. De um total de 3.210 exonerações, 2.488 foram por aposentadoria e 560 por pedido de exoneração.

Notícia veiculada pela Veja (2013), Jornal Estadão (2013), entre os anos de 2008 e 2012 diz que cerca de 3.000 professores desistem de dar aula nas escolas estaduais de São Paulo, com a média de oito professores por dia.

Percebe-se que a situação está cada vez mais crítica e que a desistência tem se consumado cada vez mais, em escalas cada vez maiores.

3.3. Pesquisas Realizadas no Brasil Demonstram a Prevalência dos Transtornos Psicológicos

De acordo com pesquisas realizadas por diversos estudiosos em todo o território nacional, pode-se verificar que os transtornos psicológicos estão visivelmente presentes em todas as regiões estudadas.

Os dados a seguir são preocupantes, visto que esses transtornos são nocivos tanto na vida profissional quanto pessoal do educador causando caos para si e para os outros.

Wanderley Codo (1999), professor da Universidade de Brasília e autor do maior trabalho já realizado no Brasil, ouviu e estudou mais de 39 mil docentes de 1400 escolas em todo o País e identificou que 32% dos indivíduos apresentavam baixo envolvimento emocional com a tarefa, 25% se encontravam com exaustão emocional e 11% com quadro de despersonalização, podendo-se dizer em termos práticos que, 48% da população estudada apresentava sintomas da síndrome de Burnout.

Em Ipatinga, Costa e Santos (2007), analisaram as licenças médicas ocorridas entre 2004 a 2005. Dentre 594 afastamentos a análise apontou que os maiores causadores das solicitações de licenças médicas foram os problemas psicológicos.

Gasparini, Barreto e Assunção (2005), realizaram levantamento junto a Gerência de Saúde do Servidor e Perícia Médica (GSPM), dos afastamentos realizados por profissionais da educação da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais de abril de 2001 a maio de 2003 e foi detectado que os transtornos psíquicos ficaram em primeiro lugar entre os diagnósticos apresentados.

Com base nos estudos de 258 professores afastados de nove escolas estaduais de Campinas e São José do Rio Pardo, Vedovato e Monteiro (2008), chegaram a conclusão de que 20,9% dos docentes apresentavam transtornos mentais.

Gomes (2002) estudou um grupo de 11 professores da cidade do Rio de Janeiro e verificou que o estresse, tensão, o nervosismo, a angústia e a depressão imperam no trabalho diário desses docentes.

Ao entrevistarem 15 professores afastados da Rede Municipal de Porto Alegre, Santini e Molina Neto (2005), constataram que todos entraram em licença médica por motivos de ansiedade, estresse e depressão.

Nos professores do ensino fundamental da rede particular de Campinas, foi encontrado um quadro de tensão, preocupação e nervosismo, segundo estudo realizado por Oliveira (2001).

Na rede particular do Estado da Bahia, em estudo realizado por Araújo, Silvany-Neto (1998), destacou-se que a maior causa do adoecimento dos docentes estava relacionada ao funcionamento psíquico, como cansaço mental e nervosismo.

Siqueira e Ferreira (2003), pesquisando sobre absenteísmo dos professores do ensino fundamental da rede pública da cidade de Florianópolis (SC), concluíram por meio dos prontuários que os transtornos os psíquicos encontravam-se entre os mais prevalentes.

A APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), em parceria com o grupo Geia, apresentou os resultados de uma pesquisa realizada pelo médico Leandro Romani em 2009. Dentre os professores pesquisados 27% tiveram afastamento das atividades, motivados por problemas de saúde, sendo que 41% dos entrevistados afirmaram terem sofrido com problemas relacionados à saúde mental.

Vasconcelos, (2005), realizou uma pesquisa em João Pessoa, em 2003 e constatou que 15,6% dos docentes tiraram licença por motivo de adoecimento, principalmente devido a transtornos mentais e comportamentais.

Nesse sentido, fica claro que de acordo com os transtornos desenvolvidos o docente tem seu perfil psicológico abalado e não somente é prejudicado no exercício de suas funções como também fica comprometido seu bem-estar físico, social e familiar.

4. Estudo de Caso

Em uma escola de Educação Infantil do interior de São Paulo, em conversa com um grupo de 16 professores, percebe-se nitidamente o resultado dos fatores e conflitos enfrentados no cotidiano pelos mesmos. Não serão citados os nomes dos docentes a fim de preservar a privacidade de cada um.

A escola onde lecionam é roubada constantemente, chegando a ocorrer três vezes dentro de uma mesma semana, a infraestrutura também não ajuda, quando chove algumas salas ficam impossibilitadas de serem utilizadas e é necessário juntar turmas porque não pode dispensar segundo a Secretaria de Educação.

Todo o dinheiro e verbas disponibilizadas por meio de programas como PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), festas ou arrecadação facultativa da APM (Associação de Pais e Mestres), geralmente são utilizadas para repor o que já havia sido conquistado, causando desânimo e desalento nos professores.

Dentre os professores com relação às expectativas, encontra-se as seguintes situações:

Duas professoras apresentam quadro de estresse na fase de resistência no qual, o surgimento de herpes e psoríase se tornou uma constante. Ambas procuraram orientação médica e foram orientadas a diminuírem a carga horária de trabalho, ou seja, estavam em jornada dupla cobrindo a falta de profissionais.

Outras duas professoras estão ansiosas na expectativa de serem chamadas num outro concurso no qual, terão maiores benefícios inclusive salarial e se sentirão mais valorizadas.

Uma optou por fazer faculdade de radiologia, porque não pretende continuar lecionando.

Duas já fazem tratamento psicológico preventivo procurado por conta própria devido à carga de estresse diários. Não fazem uso de medicamentos, no entanto estão em encontros periódicos para terapia.

As outras oito professoras são ingressantes e não se mostram insatisfeitas com a profissão, no entanto reclamam sobre as condições de trabalho e a ausência de materiais necessários para a concretização de um bom trabalho.

Falou-se até aqui sobre quinze professores e falta uma que apresenta um caso mais crítico e importante a ser descrito.

Essa professora foi vítima de um incidente em 2007, no qual um de seus alunos pediu para tomar água perto do horário da saída e vendo os portões da escola abertos saiu. Quando a professora percebeu que estava demorando muito e foi atrás, já não mais o achou no ambiente escolar e a mãe ao vir buscá-lo foi informada do ocorrido. Apesar de acharem a criança nas imediações da escola e todos se empenharem na procura, inclusive a professora, os pais decidiram processar a mesma pelo ocorrido. A docente sem respaldo da Secretaria de Educação contratou um advogado por conta própria, que a defendeu e a inocentou depois de um ano.

A partir desse incidente a professora passou a apresentar medo excessivo e traumático com relação ao trabalho exercido o que desencadeou um estado emocional crítico de intensa angústia e ansiedade, que fizeram com que a mesma procurasse apoio psicológico. Concomitante a esses fatos foram surgindo problemas de saúde diversos e familiares também, que se transformaram para mesma em “fardos extremamente pesados”, resultando num alto nível de estresse (fase da exaustão) e depressão.

A docente desde então, tem sido afastada e retorna ao exercício de suas funções constantemente, devido seu quadro psicológico. Não participa de reuniões onde tem que dar opiniões, nem mesmo de formações por ter que ficar na companhia de muitas pessoas.

Em 2014, foi encaminhada para tratamento psiquiátrico e passou a tomar mais medicamentos: Rivotril 2,0, 1 comprimido pela manhã e 1 à noite; Apraz 0,5 mg, 1 comprimido pela manhã e 1 à noite; Fluoxitina 20mg, 2 comprimidos pela manhã e 2 à noite; Corus 25 mg, 1 comprimido pela manhã; Pamelor 25 mg, 1 comprimido à noite; Menelat 30 mg, 1 comprimido à noite; Stilnox CR 6,25mg, 2 comprimidos à noite.

Atualmente voltou ao trabalho exercendo outra função, ou seja, foi readaptada de acordo com orientações médicas. O que a conforta e lhe dá forças é que daqui a oito meses estará aposentada.

Nesse contexto, pode-se concluir que o cenário educativo está propício ao adoecimento de seus profissionais e também à desistência dos mesmos.

4.1. Carta Inicial da Psicóloga

Carta Inicial da Psicóloga

 

4.2. Carta de Encaminhamento ao Psiquiatra

Carta de Encaminhamento ao Psiquiatra

4.3.  Encaminhamento da Segurança do Trabalho para Readaptação da Docente

Encaminhamento da Segurança do Trabalho para readaptação da docente

5.  Ações Preventivas e Políticas Públicas

O cenário apresentado no Brasil é preocupante, visto que, os estudos e pesquisas inerentes aos transtornos psicológicos e a relação com os fatores que os desencadeiam ainda são tímidos. No entanto, o pouco que se tem de trabalhos realizados nos últimos dez anos, são o suficiente para perceber a ligação entre os transtornos psicológicos apresentados pelo docente e esses fatores.

Para Codo, (1999, p.31):

Ser Humano significa ser Histórico. Compreender um ser humano implica em partir do pressuposto de que cada gesto, cada palavra estão imediatamente inseridos num contexto muito maior, que transcende a ele e a sua existência. Escrevendo a História, de toda a humanidade, todo o passado determina, constroí, reconstrói; explica, significa e re-significa o presente; todo presente engendra, contém e constroí o futuro. Assim, cada ação humana carrega em si toda a História da Humanidade e as possibilidades a serem redesenhadas amanhã e é também portadora do futuro. Cada ação humana é uma síntese, ao mesmo tempo, única e universal, do nosso passado e do nosso futuro.

“Educar, portanto, é o ato mágico e singelo, de realizar uma síntese entre o passado e o futuro. Educar é o ato de reconstruir os laços entre o passado e o futuro, ensinar o que foi para inventar e re-significar o que será”. Codo, (1999, p. 33)

Assim deveria ser o ato de educar, mas infelizmente esta ideia está cada vez mais longe da realidade vivida pelos docentes na atualidade.

Fala-se do lema de uma “Pátria Educadora”, mas que lema é esse, se não se pensa nas condições de trabalho, na valorização, na conscientização da sociedade sobre a importância do protagonista dessa educação, que é o docente? 

Tudo indica que a ideia ficará apenas como lema, sem um conjunto de leis, definição de recursos e articulação de uma base de apoio.

Enquanto não houver mudanças no panorama educacional com relação aos fatores apresentados e uma melhor definição do papel do professor, há a necessidade de estudos mais abrangentes e imparciais na área dos transtornos decorrentes e a consciência coletiva de que o problema existe e precisa ser debatido e difundido, afim de não cair no esquecimento e nem mesmo que seja visto e compreendido como algo natural da função.

A lei 8.213, art.20, II, define “doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente”.

Segundo Delaíde Arantes, (2008, apud Webber, Vergani, 2010, p.8819)

 [...] A divulgação dos direitos, principalmente o da garantia de emprego para tratamento de saúde, nos casos de acidente e doença ocupacional, pode ser de grande relevância, num país em que impera o poder potestativo do empregador, para, a qualquer momento, sem explicação nenhuma, romper o vínculo de emprego. Pesquisar, estudar as questões práticas e divulgar, com o objetivo de conscientizar, também é uma forma de contribuir para tornar efetivo o constitucional direito de cidadania, conferido a todos os brasileiros. Direito a saúde e a uma vida digna [...].

Para OIT (Organização Internacional do Trabalho), a saúde ocupacional não se restringe aos acidentes de trabalho e doenças ocupacionais e abrange também os agravos relacionados ao trabalho adquiridos com características diferenciadas em certas categorias de trabalhadores.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) define saúde, como estado de completo bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade. Gozar do melhor estado de saúde que é possível atingir constitui um dos direitos fundamentais de todo o ser humano, sem distinção de raça, de religião, de credo político, de condição econômica ou social.

Neste contexto, alguns Estados, Municípios e políticos, percebendo a importância sobre a problemática levantada tem procurado implantar ações de medicina preventiva, tratamentos para docentes que já apresentam transtornos e implementação de leis que correspondam a tais expectativas.

De acordo com Codo, (1999, p.308):

Não importa, o caso é que não se pode correr o risco de um esvaziamento das salas de aula por não se cuidar direito dos profissionais responsáveis pelo ensino, justamente quando está mais que constituído e disseminado a importância crucial da educação para o desenvolvimento, não apenas individual, mas para uma mudança no nível de desenvolvimento do país. A famosa frase de que “não há desenvolvimento possível sem investimento em educação” expressa muito bem o que estamos querendo dizer. Educação faz parte da base de sustentação de uma sociedade, qualquer sociedade, juntamente com trabalho e saúde e não pode, dissemos isso várias vezes e vamos repetir outra mais, não pode ser relegada a segundo plano. Tudo que a afeta deve ser considerado importante. Sempre quando nos deparamos com um problema deste porte estamos diante não apenas de dificuldades que atingem o trabalhador, mas que, por direito comum a todos de saúde e bem estar, precisa ser resolvido.

A Prefeitura do Guarujá, litoral de São Paulo é um exemplo disso. A Prefeita Maria Antonieta de Brito, licenciada em química e pedagoga, a fim de minimizar o sofrimento, o estresse docente, melhorar a memória, aumentar a criatividade e oferecer dicas de como reduzir e prevenir alguns problemas de saúde criou uma das mais completas iniciativas denominada “Casa do Educador”, onde são ministrados cursos, palestras, workshops e técnicas terapêuticas que visam avaliar e tratar distúrbios que podem causar as mais variadas disfunções ou doenças, muitas vezes antes mesmo destas surgirem. Há ainda a oferta de aulas de Tai Chi Chuan, Pilates, Alongamento, Caminhada e Ginástica.

No Paraná, foram instituídos dois programas de saúde: Saúde Vocal - lei nº 14.939/05, que estabelece a criação do Programa Estadual de Saúde Vocal Preventiva para professores da rede pública e também Saúde Mental - Lei Nº. 14.992/06, que institui o Programa de Saúde Mental Preventiva para professores da rede pública estadual.  Porém, falta ainda promulgação pelo governo do Estado.

Na cidade de Uberlândia (MG), existe o programa “Cuidando de quem ensina: a escuta do sofrimento psíquico dos professores”, desenvolvido pelo Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (IPUFU). O projeto consiste em grupos de discussões, filmes, palestras e debates. Também faz parte do programa a Cineanálise, “Aprendendo com a emoção”, executada em parceria do Centro de Estudos e Eventos Psicanalíticos de Uberlândia (Ceepu), com a apresentação de filmes que contemplam questões vivenciadas pelos educadores no dia a dia.

O nome do programa “Cuidando de quem ensina” faz alusão ao fato de cuidar, que pressupõe empatia, capacidade de escuta das angústias, medos, sentimentos de retribuição, carinho, compreensão, ajudar na superação do sofrimento, promoção da autonomia do outro e auxílio para enfrentar as dificuldades.

O cuidar e tratar o outro com cuidado possui a finalidade de restabelecer algo perdido e deve ser considerado como um sentimento mais elaborado pertencente à inteligência.

De acordo com Roselló (2009, apud Altoé, 2010, p.11):

O cuidar requer tempo e espaço, dedicação e técnica, ciência e sabedoria, conhecimento teórico e práxis e tudo isso requer um modelo institucional idôneo, um modelo no qual seja possível cuidar de um ser humano, ou seja, onde as condições estruturais sejam favoráveis para o exercício de tal cuidado. [...] os atos e processos de cuidar são essenciais para o nascimento, desenvolvimento, crescimento, sobrevivência e morte do ser humano. [...] os cuidados têm dimensões, biofísicas, culturais, psicológicas, espirituais e ambientais que devem ser explicitadas para proporcionar cuidados de natureza verdadeiramente holística às pessoas.

No Mato Grosso do Sul, o deputado Laerte Tetila, através de indicação apresentada na Assembleia Legislativa, solicitou junto ao Secretário de Saúde Antônio Lastoria, um projeto de lei, que incluísse nas escolas públicas do Estado, psicólogos para atendimento regular aos professores. Segundo o deputado, “os educadores estão sujeitos a uma grande carga de estresse ligado as responsabilidades no ambiente de trabalho, como o pouco tempo para preparação de aulas e provas, além das atividades constantes com uma grande quantidade de alunos”. Tetila acredita que o problema da evasão de professores afastados por problemas psicológicos, deva ser solucionado na medida em que o acompanhamento dos psicólogos for consolidado.

Normalmente se coloca em primeiro lugar o intelecto do professor e a cobrança da produção do conhecimento sem se ater a necessidade de apoio afetivo, emocional e social ao docente.

Além de todos os fatores já apresentados, o professor se envolve emocionalmente ao lidar com comportamentos dos mais variados. Há alunos carentes, problemáticos, violentos, desligados, dentre outros, resultado de famílias e sociedade deterioradas. Essa carga emocional é interiorizada concomitante aos outros fatores sem um apoio efetivo e isso resulta muitas vezes nos transtornos psicológicos apresentados. 

Pode-se verificar que a preocupação existe, porém, as iniciativas são exceções diante da dimensão do problema e da real necessidade.

O jornalista Alexandre Garcia (2013) falou em entrevista ao Jornal Bom Dia São Paulo que:“O número altíssimo de licenças médicas de professores deveria ter servido, há muito tempo, de aviso para as autoridades da educação. É um sinal de que muita coisa está errada.”

Para Dejours (1987, apud Cruz e Lemos, 2005, p.64):

[...] a organização do trabalho é, de certa forma, a expressão da vontade do outro, pois o trabalhador é dominado e forçado a agir conforme a vontade desse. Com isso, torna-se despossuído de seu corpo físico como também desapropriado de sua competência. Quando ocupa um cargo ou função numa organização, encontra a sua espera um conjunto de tarefas que devem ser cumpridas, objetivos e meios para realizá-las já determinados. Resta-lhe apenas executá-las. Se não há nenhuma condição de adequação do trabalho a própria personalidade do trabalhador, este aumenta sua carga psíquica o que resulta em sofrimento. Esse advém de sentimentos gerados por diversos aspectos que provocam disfunções pessoais e organizacionais. Dentre outros, pode-se citar o sentimento de inutilidade (o indivíduo não percebe valorização e finalidade de seu trabalho); sentimento de falta de dignidade (vergonha de ser apenas uma “peça da engrenagem”); sentimento de desqualificação (cujo sentido repercute não só para si como também para o ambiente de trabalho).

É imprescindível a adoção de ações preventivas e corretivas nas instituições de ensino com visitas periódicas de psicólogos para estimular e propiciar grupos de discussões a fim de expor as aflições diárias e propor alternativas e soluções para resolução de conflitos e quando necessário, atender individualmente.

Oferecer técnicas terapêuticas, palestras; workshop, exercer e estimular as práticas de yoga, alongamento, pilates, tai chi chuan, ginástica, caminhada e meditação para desacelerar a mente. Essas ações poderiam fazer parte da formação continuada, sem dúvida seria muito mais valioso tanto para o professor quanto para a educação de um modo geral.

Nesse sentido é indubitavelmente necessário, que sejam traçadas e implantadas Políticas Públicas preventivas, efetivas e eficazes a fim de minimizar os transtornos psicológicos apresentados pelo docente, promover uma vida mais saudável tanto na área psicológica, quanto na área física e também contribuir para uma prática pedagógica mais saudável e eficiente para todos.

Um anúncio irônico publicado na Times, (1990, apud Codo, 1999, p.333) diz:

Procura-se: Homens e mulheres com a paciência de JÓ, a esperança de Salomão e a habilidade de preparar a geração futura para viver sob condições adversas e muitas vezes perigosas. Os candidatos devem ser habilitados a preencher o vazio deixado por pais desadaptados ou ausentes, a satisfazer as demandas dos políticos dos estados e burocratas locais, transmitir valores culturais e morais sadios e - ah! Sim! - ensinar durante quatro horas dia, por 200 dólares ao mês. Salário? Talvez um dia melhore. Recompensa: a maior parte delas intangíveis

Até quando teremos candidatos?

Infelizmente o anúncio irônico faz parte da realidade atual e se enquadra perfeitamente na vivência e experiência do professor brasileiro diante das adversidades enfrentadas.

Caso não haja uma reversão do quadro apontado, haverá uma crescente incidência no agravamento dos transtornos apresentados assim como o aumento da desistência por parte dos docentes.

6. Considerações Finais

No decorrer neste trabalho pôde-se constatar que, as condições precárias atuais do trabalho docente, fatores primários e secundários segundo Esteve (1999), correlaciona-se com o adoecimento psicológico do professor.

Quando apresentados isoladamente não se consegue perceber a dimensão e as consequências desses fatores, porém, se o docente ficar exposto a um conjunto de fatores, o mesmo poderá ser acometido de transtornos psicológicos leves e até mais graves gerados pelos mesmos.

De acordo com as situações conflitantes, as pressões e a sobrecarga diária enfrentada pelo professor surgem os transtornos tais como, a ansiedade, o estresse, a depressão e a síndrome de burnout, que segundo pesquisas realizadas são prevalentes.

Como meio de interromper o sofrimento e o desequilíbrio das tensões vividas, o docente tende a abster-se do local de trabalho através de licenças temporárias ou remoção que com o passar do tempo num processo progressivo, pode resultar até mesmo na desistência total do mesmo e, essa crescente incidência pode ser verificada neste trabalho.

Os resultados não são desprezíveis, o índice de professores cansados, desmotivados, desvalorizados, doentes e desistentes tem sido cada vez maior e frequente e pode ser percebido através de um estudo de caso em uma única escola, onde 50% dos professores apresentam problemas relacionados ao trabalho.

Apesar de existirem algumas regiões preocupadas com os transtornos decorrentes dos fatores apresentados, a implantação de programas a fim de minimizá-los ainda são tímidas, raras e isoladas.

De certo, que o ideal seria que as condições de trabalho e valorização fossem favoráveis e pertinentes ao ato de educar, mas, o cenário educativo apresentado e a vontade política do país em modificá-lo, está aquém de ser prioridade.

Nesse sentido, fica clara a necessidade de apoio aos docentes a fim de controlar, combater e prevenir os transtornos psicológicos apresentados por meio de implementação de políticas públicas efetivas e eficazes que promovam o bem-estar docente e contribua para uma prática pedagógica mais saudável e eficiente para todos.

Referências:

ALTOE, Adailton. Impactos do absenteísmo e do presenteísmo no trabalho docente, 2010. http://www.progep.ufpa.br/progep/docsDSQV/ABSENTEISMO_E_PRESENTEISMO.pdf (acesso em 11/04/2015)

BARBIERI, Aline F., Doenças e distúrbios de saúde entre professores da educação básica no Brasil: um levantamento bibliográfico, 2014 

http://www.efdeportes.com/efd191/doencas-entre-professores-da-educacao-basica.htm (acesso em 15/03/2015)

CODO, Wanderley. Educação: carinho e trabalho. Petrópolis: Vozes, 1999.

CRUZ, Roberto M., LEMOS, Jadir C. Atividade docente, condições de trabalho e processos de saúde, Motrivivência Ano XVII, Nº 24, P. 59-80 Jun./2005        .

https://periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/article/view/742 (acesso em 15/03/2015)

ESTEVE, José M. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores.  3ª. ed. São Paulo: Edusc, 1999.

JBEILI, Chafic. Burnout em professores: identificação, tratamento e prevenção, 2008 http://www.saudedoprofessor.com.br/Burnout/Arquivos/cartilha.pdf (acesso em 04/04/2015)

    Prefeitura Municipal de Uberlândia. Professores municipais terão acompanhamento psicológico,2014. http://www.uberlandia.mg.gov.br/2014/noticia/7629/professores_municipais_terao_acompanhamento_psicologico.html (acesso em 11/04/2015)

Prefeitura Municipal do Guarujá. Casa do Educador realiza mais de 2.000 atendimentos por mês, 2010.

 http://portal.guaruja.sp.gov.br/2010/09/casa-do-educador (acesso em 11/04/2015)

Presidência da República. LEI Nº 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm (acesso em 11/04/2015)

ROUSSELET, Felipe. Estresse, depressão e ansiedade: os inimigos do professor da rede pública de SP, 2012.

http://www.apeoesp.org.br/noticias/noticias/estresse-depressao-e-ansiedade-os-inimigos-do-professor-da-rede-publica-de-sp/ (acesso em 15/03/2015)

SILVA, Maria E. P. da. Burnout: por que sofrem os professores?, 2006.

http://www.revispsi.uerj.br/v6n1/artigos/v6n1a08.htm (acesso em 04/04/2015)

WEBBER, Deise V., VERGANI, Vanessa. A profissão de professor na sociedade de risco e a urgência por descanso, dinheiro e respeito no meio ambiente laboral, 2010. http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/fortaleza/3122.pdf (acesso em 15/03/2015)

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