A Importância da Assistência Psicológica no Pré e Pós Operatório de Pacientes Submetidos à Cirurgia Bariátrica

(Tempo de leitura: 4 - 7 minutos)

Resumo: O artigo aborda a necessidade do auxílio terapêutico à pacientes obesos, que visam à modificação deste quadro, através da cirurgia bariátrica. Não basta tratar o acúmulo acentuado de gordura, visto que é necessária a preservação da saúde psíquica para enfrentar as alterações metabólicas, físicas e sociais. Portanto, a presença do profissional é de extrema relevância, seja no período pré-operatório, no qual prepara o psíquico e esclarece as mudanças que o indivíduo sofrerá, seja para evitar distúrbios recorrentes da cirurgia e reintrodução do paciente na sociedade, no pós-operatório.

Palavras-chaves: Bariátrica, Psicologia, Obesidade.

The Importance of Psychological Support before and after Surgery in Patients Undergoing Bariatric Surgery

Abstract: The article discusses the need for  therapeutic aid to obese patients, which aim to change  this situation, through bariatric surgery. Do not just treat the sharp accumulation of fat, as  the preservation of mental health to address the metabolic, physical and social changes are needed. Therefore, the presence of professional is extremely important, either in the preoperative period in which prepares the psychic and clarifies the changes that the individual will suffer, either to avoid recurrent disorders of surgery and reintroduction of the patient in society, in the postoperative period.

Keywords: obesity. bariatric. psychology.

1. Introdução

A obesidade pode ser definida, de forma simplificada, como uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, sendo consequência de balanço energético positivo e que acarreta repercussões à saúde com perda importante não só na qualidade como na quantidade de vida (MENDONÇA; ANJOS, 2004).

Para reduzir este acúmulo de gordura, obesos mórbidos buscam a cirurgia bariátrica a fim de melhorar a qualidade de vida e a própria autoestima. No entanto, é necessário acompanhamento do profissional terapeuta antes, durante e após a cirurgia, pois esses pacientes ficam vulneráveis a distúrbios psíquicos e alimentares. A psicoterapia também reintroduz os indivíduos na sociedade, visto que eram marginalizados pelo preconceito, pelas piadas e pelo padrão físico imposto no cotidiano.

O papel do terapeuta foi trabalhado no artigo dividido em dois momentos: pré- operatório e pós-operatório, e, se mostra de extrema relevância nestes períodos.

2. Desenvolvimento

Em alguns casos, na obesidade mórbida, pode ser observada a alimentação como objeto adicto. O indivíduo que não se desenvolve emocionalmente de forma adequada apresenta dificuldades em lidar com suas angústias, medos e decepções, e, com a intenção de inibir esses sentimentos negativos, abusa na comida. O alimento passa a ser visto como algo que gere prazer e um remédio para o psíquico, atingindo um nível de compulsão que ultrapassa a real necessidade da quantidade ingerida. É aqui que se faz necessário a psicoterapia no período pré-operatório, visando mostrar ao paciente que seus problemas e sentimentos que o fazem alimentar excessivamente não se resolverão com a cirurgia. Ele precisará aprender a lidar com o que lhe aflige sem descontar na alimentação, já que sua massa corporal poderá ser reduzida, mas se repetir as mesmas atitudes pode engordar outra vez.

Os obesos se veem fora do padrão físico imposto pela sociedade e comumente são vítimas de preconceito e piadas reproduzidas em ambientes que frequentam, fazendo com que haja retraimento social, e, cabe ao terapeuta a introdução deste paciente na sociedade novamente, permitindo-lhe o desenvolvimento da autoconfiança que fora perdida.

O paciente, inicialmente, é direcionado ao tratamento clínico baseado em aumento de atividade física combinada a dietas hipocalóricas e uso de medicações, porém, muitas vezes essa tentativa não obtém sucesso em pacientes obesos grau III, sendo a cirurgia bariátrica considerada a abordagem mais eficaz até o momento.

A cirurgia bariátrica é realizada visando restringir significativamente a quantidade de alimento ingerido, combinado a desabsorção de nutrientes e, dessa maneira, ela acaba por interferir apenas no lado metabólico da patologia (AKAMINEI; ILIASII, 2013).

O terapeuta possui papel fundamental no período pré-operatório, pois ele é responsável por analisar o comportamento do paciente e o que o levou à obesidade, esclarecer a necessidade de mudanças nos hábitos alimentares e explicar a possibilidade de surgimento de distúrbios psíquicos recorrente dessa restrição alimentar, compreender o motivo pela qual o indivíduo engordou e auxiliar na tomada de decisão a respeito da operação. Juntamente a esse terapeuta, deve-se estar presente uma equipe multidisciplinar composta por cirurgião, endocrinologista e nutricionista, segundo as diretrizes decretadas pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Esta equipe é responsável, principalmente, por auxiliar o paciente psicologicamente, visto que os danos psíquicos pré e pós-operatórios podem ser severos, como o desenvolvimento de depressão.

No período pós-operatório, a psicoterapia é necessária para ensinar ao paciente a lidar com as novas mudanças metabólicas, físicas e psíquicas. Com a redução do estômago, a alimentação se torna uma tarefa muito difícil já que são sentidos muitos desconfortos, logo, os alimentos devem ser líquidos ou pastosos e em pequenas quantidades.

De acordo com (JR.; CHAIM; TURATO, 2009), a obesidade vivida por todos como um grande problema, é também, no fundo, uma resposta para todos problemas e o fato de abdicar de diferentes alimentos que antes davam prazer ao paciente impede que ocorra todo o sistema defensivo em torno da alimentação.  Isso obriga o indivíduo a lidar com suas mágoas e angústias por outros meios, o que nem sempre é possível, e, caso essa pessoa não seja bem auxiliada, inicia-se os problemas psíquicos.

(JR.; CHAIM; TURATO, 2009) ainda afirma que a primeira reação da maioria dos pacientes é sentirem-se vitoriosos ao conseguirem reverter a condição anterior de sobrepeso, pensam como se todo os problemas tivessem sido resolvidos na cirur- gia, condição essa reforçada pela mudança drástica do corpo no primeiro momento, compensando qualquer sofrimento. Porém, com o passar do tempo, caso o indivíduo não tenha passado por um eficiente auxilio terapêutico, a ameaça de que o peso pode voltar se impõe e o sintoma “obesidade” que foi impedido pela cirurgia pode começar a aparecer em novas vias de expressão sendo elas a depressiva e a compulsiva.

A via depressiva pode apresentar sintomas iniciais como angústia e sensação de vazio e evoluir para transtornos depressivos manifestos. Por outro lado, a via compulsiva pode levar o paciente de volta ao encontro com o excesso alimentar, passando a ingerir sorvetes, leite condensado e chocolate que são alimentos digeridos facilmente, não causando incômodo gastrointestinal e, a partir desse momento, começa o “temido” aumento de peso que, se não revertido, pode levar o indivíduo novamente ao quadro de obesidade (JR.; CHAIM; TURATO, 2009).

3. Conclusão

Portanto, é de extrema importância a ação conjunta da equipe multidisciplinar e, principalmente, o trabalho terapêutico em pacientes que pretendem aderir à cirurgia bariátrica para reverter o quadro de obesidade. Este profissional é responsável por auxiliar na manutenção do equilíbrio psíquico e reintrodução social dos pacientes nos momentos pré e pós-cirúrgico.

Referências:

AKAMINEI, A. M.; ILIASII, E. J. Por que avaliação e preparo psicológicos são necessários para o paciente candidato à cirurgia bariátrica? Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 59, n. 4, Agosto 2013.

JR., R. M.; CHAIM, E. A.; TURATO, E. R. Características psicológicas de pacientes submetidos a cirurgia bariátrica. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 31, n. 1, Novembro 2009.

MENDONÇA, C. P.; ANJOS, L. A. dos. Aspectos das práticas alimentares e da atividade física como determinantes do crescimento do sobrepeso/obesidade no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 20, n. 3, Junho 2004.

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