A Importância do Vínculo Mãe-bebê no Processo de Desenvolvimento de uma Criança

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Resumo: O presente artigo discute a relação psíquica entre mãe-bebê-criança e sua importância para o desenvolvimento do indivíduo, utilizando a psicanálise como referencial teórico. Permeando a relação materna, trataremos da questão do alimento, elemento importante para o entendimento do caso a ser aqui discutido. O alimento passa a ser visto não apenas como necessidade fisiológica, mas como via preferencial da criança expressar sua subjetividade e demonstrar seus conflitos internos e também familiares. Tal questão perpassa a simples análise a respeito das formas adequadas de criação de filhos e boas condutas maternas como influências no desenvolvimento infantil, na qual as mulheres tem sido culpabilizadas. Pôde-se verificar que as primeiras interações mãe-bebê são importantes indicadores do tipo de vínculo estabelecido e ajudam a compreender melhor as relações construídas entre mãe e criança e como essas relações bem ou mal sucedidas do ponto de vista Winnicottiano, interferem mutuamente. Um dos possíveis reflexos dessas interações está relacionado com o significante que geralmente mantém a criança em conexão com a mãe, que é o processo de alimentação.

Palavras-Chave: Relação mãe-bebê, Desenvolvimento, Alimentação.

1. Introdução

Dentre os vários teóricos e abordagens psicológicas proferidas em atendimentos especializados na atualidade, este trabalho irá abordar a psicanálise como matriz teórica e como referencial teórico o pensamento Winnicottiano e contribuições Kleinianos.

A psicoterapia de orientação psicanalítica procura auxiliar a criança na elaboração dos conflitos dos quais sozinha não conseguiria se desvencilhar, precisando do auxilio especializado para dar sentido as suas angústias e assim conseguir canalizar seus afetos de forma mais produtiva (DIAN, 2007).

O inconsciente do paciente e a contratransferência do psicanalista são os objetos particulares da interpretação psicanalítica por excelência e considerando que a finalidade do tratamento psicanalítico evoluiu, segundo Diatkine em seu artigo “As linguagens da criança e a psicanálise”, hoje o que se busca é muito mais propiciar uma mudança nos modos de elaboração dos conflitos do que chegar à sua liquidação.

Neste sentido Winnicott escreve:

Através da psicanálise está sendo obtido o insight sobre as causas daquilo que não é sadio nas pessoas e na sociedade. Ao mesmo tempo, através da psicanálise nós entendemos muito mais o desenvolvimento da consciência do homem, e também o seu potencial construtivo ou sublimatório, considerado como um compromisso entre os impulsos instintivos e as exigências de uma consciência madura e pessoal (WINNICOTT,1997, p. 36).

Também, é importante o uso de objetos lúdicos, o brincar tanto exemplificado por Melaine Klein em sua teoria, na busca pela compreensão da criança, podendo observar como os conflitos decorrentes da pulsão reprimida poderão ser revelados. Sem esquecer que cada etapa do desenvolvimento infantil é marcada por tensões próprias e muitas delas refletem em sintomas físicos e/ou psicológicos.

Não obstante, o terapeuta é parte do ambiente que ajuda o outro na busca de alívio de seus sofrimentos. Segundo Winnicott (1997), para se utilizar a experiência mútua, deve-se ter em conta a teoria do desenvolvimento emocional da criança e o relacionamento desta com os fatores ambientais.

De maneira que a relação mãe-bebê-criança fica em evidência na obra de Winnicott, bem como de Klein, no que se refere à importância desta fase na formação da psique do indivíduo e os reflexos para o desenvolvimento da criança em todas as fases vivenciadas.

Neste trabalho, atribuiu-se especial atenção na díade primária das relações afetivas, relacionamento mãe-bebê, como essência da construção do ser de maneira saudável e completo e também como via de desenvolvimento de uma maternagem satisfatória capaz de influenciar positivamente, criando um ambiente suficientemente bom para o desenvolvimento de ambos.

Buscou-se o material teórico por meio de uma pesquisa bibliográfica em sites científicos e livros.  Tais materiais visavam analisar a questão do entendimento da relação mãe-bebê através do referencial teórico psicanalítico e interpretação Winnicottiana principalmente.

2. A Construção da Maternidade e suas Angustias

Na história da humanidade, o papel da mulher em relação a sua maternagem sofreu várias transformações de acordo com as necessidades de adaptações e interesses sociais vigentes em cada época.

Mas foi principalmente no séc XIX, que a maternidade ganhou novos desenhos. É neste contexto, que o bebê e a criança ganham mais atenção e privilégios da sociedade. Há então uma mudança de valores sociais justificados pela psicologia, filosofia e pediatria vigente, que preconizava a importância da relação mãe-bebê para o desenvolvimento saudável da criança. (ARAÚJO E MOURA, 2004).

Isto posto, verificou-se uma valorização da mulher-mãe, cuidadora do lar como ideal a ser seguido para o fortalecimento da classe burguesa, que preconizava o individualismo familiar. É neste momento que se instaurou uma apologia a esta super-mulher-mãe que deveria viver exclusivamente em prol dos filhos e da família. Quem não seguisse tal comportamento estaria fugindo das leis naturais. Então emergiu o sentimento de culpa que as mulheres mães costumam carregar hoje quando precisam trabalhar e deixar seus filhos em creches.

O discurso da amamentação também foi codificado, impondo um regulamento da vida da mulher, aprisionando-a por um longo período à necessidade exclusiva de alimentação do bebê, criando uma espécie de ditadura do aleitamento materno como capacidade essencial a qualquer mãe. Neste sentido, é fácil entender as angústias vividas pelas mulheres na modernidade que por vários motivos não conseguiram amamentar seus filhos.

A psicanálise pós-freudiana, teve grande influência no reforço da manutenção deste papel materno, uma vez que enfocaram a relação mãe-bebê como decisiva no desenvolvimento infantil (ARAÚJO E MOURA, 2004).

E para a mesma autora, não pode ser esquecido que o discurso psicanalítico foi amplamente absorvido sem muitas críticas pela sociedade contemporânea, pois foi construído principalmente em conformidade com uma perspectiva centrada no indivíduo.

De fato o que pôde ser observado na sociedade pós-moderna atualmente, é que há um conflito muito grande do homem e da mulher a respeito dos seus papeis sociais, uma vez que foram mudando juntamente com as novas formações familiares. Há necessidade de um forte investimento emocional do casal para se chegar a uma concepção de uma nova constituição familiar: o que é ser mãe e ser pai e concomitantemente conseguir fazer uma junção com os outros papeis no qual cada indivíduo representa. A mulher vai tentar conciliar sua nova função maternal com suas atividades profissionais e de esposa.

Estas experiências podem parecer contraditórias e ambivalentes para a mulher em seu papel de mãe e podem trazer grandes conflitos familiares e intrapsíquicos, para a mulher em especial. Devendo ter a mãe grande atenção quanto aos tipos de sentimentos envolvidos nesta nova função maternal que certamente irá se conflitar com outros papeis e podem gerar consequências às vezes desastrosas para os filhos e a família.

Essa situação pode também ter reflexo inclusive no processo de identificação com o(s) filho(s) e afetar a autoestima da mulher enquanto profissional e esposa.

O conjunto de atitudes da mãe em relação à criança sofre forte influência do contexto socioeconômico e cultural da família. Dessa forma, as ideias parentais de como cuidar dos filhos tendem a acompanhar as crenças da sociedade que também estão sujeitas a mudanças históricas (LORDELO E OUTROS, 2000).

3. A Relação Mãe-Bebê e suas Consequências para o Desenvolvimento Infantil

As interações entre mães e seus bebês e as possíveis relações com o desenvolvimento infantil, tem sido um recorte importante para estudos a respeito dos tipos de possibilidades de intervenções na clinica e muitas reflexões sobre psicoterapia de crianças.

Diferentes visões tem fundamentado teoricamente as pesquisas sobre interação mãe-infante, e essa relação tem sido interpretada sobre diferentes perspectivas teórico-conceituais. (ZAMBERLAM,2002).

Para o mesmo autor, a marca fundamental dos primórdios da vida subjetiva para Winnicott está na vulnerabilidade, que é praticamente absoluta do indivíduo ao ambiente no inicio da vida, e que necessita de um manejo adequado para se alcançar um desenvolvimento esperado.

Desta forma, a possibilidade de oferecer um ambiente suficientemente bom é responsável por sustentar o processo de desenvolvimento do bebê. Uma possível falha ambiental pode interferir substancialmente no processo de maturação como ser psicossomático, ou seja, a saúde psíquica do ser está em jogo e falhas nestes momentos iniciais podem interferir no modo de ser do indivíduo na fase adulta.

Todavia, existe um parêntese neste pensamento, uma vez que Winnicott fala também da importância da mãe propositalmente falhar em doses homeopáticas com o bebê para favorecer seu desenvolvimento. Já que é através destes episódios que a criança vai começar a se frustrar e entender melhor que é um ser separado de sua mãe.

Como citado anteriormente, Winnicott procurou separar o externo do interno em sua obra, as interferências do ambiente externo com as forças internas que regem a psique humana.

Neste contexto, a relação mãe-bebê tem um papel de suma importância, pois a mãe em sua ação tanto responde às necessidades imediatas do recém-nascido, quanto se oferece como primeiro objeto de representação simbólica por meio do qual se inicia na experiência de um mundo compartilhado. E esta estruturação das relações precoces entre o bebê e sua mãe, possibilita o indivíduo a ser apto a viver junto com outros seres (ORTEGA E BEZERRA JR, 2007).

Segundo estes autores, outro aspecto importante também na teoria de Winnicott é a formação do Self que se define mais como uma experiência. Tem a ver com o sentimento de continuidade no tempo que é possibilitado pela mãe que é responsável por sustentar as experiências ilusórias iniciais sem prejudicar a experiência real.

Assim, vai proporcionar a aquisição de uma existência própria e uma confiança experimentada pelo Self, capaz de acumular vivencias pessoais e possibilitar uma existência que consiga conectar o presente, passado e futuro, através de uma busca criativa de um sentido para a experiência do viver.

O papel da mãe suficientemente boa é de na fase de total dependência iludir o bebê para se fortalecer a experiência de onipotência, que é base da capacidade para a ilusão e posteriormente de forma gradativa proceder com o processo de desiludir o bebê, favorecendo assim uma melhor adaptação.

Se o indivíduo, nos estágios primitivos de vida consegue se apropriar da previsibilidade das ações proporcionadas por um ambiente suficientemente bom, que foi capaz de criar confiança em sua continuidade temporal, vai permitir mais tarde que ele consiga enfrentar tanto a imprevisibilidade da família, mas da vida no geral; garantirá a capacidade de agir com os imprevistos e de forma criativa lidar com o inesperado e o novo (DIAS, 2006).

Segundo Nasio (1995), apresentando a teoria de Winnicott, destaca que a fase de dependência relativa da mãe e dos substitutos parentais, acontece aproximadamente dos 6 meses aos 2 anos e as possíveis falhas de adaptação da mãe são melhor toleradas pela criança neste período. Pode ser tirado proveito delas para o desenvolvimento. A criança percebe melhor a realidade externa e a mãe separada de si.

Todavia, a criança vivencia algumas questões que vão precisar da ajuda da mãe, que Nasio (1995), vai explicar como a percepção que a criança tem da existência de duas mães simultâneas ( boa e a má ). A boa dos momentos de calma e tranquilidade, representada pelos cuidados iniciais, e a outra que repreende, presente nos momentos de agressividade ( Exemplo: hora das refeições). Que acarreta na criança um vazio provocado pela fantasia que a satisfação de sua fome acarreta uma deterioração do corpo da mãe.

Para este autor, é importante que a mãe dos momentos tranquilos continue a cuidar da criança com a mesma atenção e a mesma ternura dos primeiros encontros. E que esta mãe não se ausente por um tempo que ultrapasse a capacidade da criança de manter uma representação viva dela, não podendo duvidar de sua existência.

Ainda segundo Nasio (1995), o sentimento de falta de sobrevivência da mãe pelo filho nesta fase, pode ser agrupado sob o termo “doenças da pulsão agressiva”, como a tendência antissocial, à hipocondria, paranoia, depressão e a psicose maníaco-depressiva.

Os conceitos básicos da teoria do apego permitem pensar os vínculos afetivos do ser humano ao longo do ciclo de vida e tem ajudado a psicologia contemporânea a entender as variáveis do contexto no qual o sujeito está inserido e quais as influências no comportamento, influenciado pela temática gerada pelo modo de vida moderno, diferentemente do constructo inicial proposto por Bowlby que tinha enfoques nos aspectos individuais apenas (PONTES E OUTROS, 2007).

A qualidade da interação inicial entre a mãe e seu bebê é considerada um importante fator medidor para o desenvolvimento futuro da criança, particularmente no que se refere à comunicação, socialização e cognição (ZAMBERLAN, 2002).

Por fim, uma investigação sobre as condições estabelecidas na díade mãe-bebê, em seu processo de interação inicial é importante enquanto prática de intervenção clínica, dada à sua relevância social. “A habilidade materna em perceber, interpretar e responder às necessidades comunicativas da criança adquire posição central na construção de uma relação de mutualidade”  ( SCHAFFER,1996 apud ZAMBERLAM, 2002, p. 401).

4. O Processo de Amamentação e as Influências na Formação do Comportamento Alimentar

A amamentação é descrita tanto na literatura médica quanto na psicologia como um dos mecanismos de suma importância e fundamental para a sobrevivência e saúde do bebê e vai ser decisivo para um bom desenvolvimento emocional, uma vez que seus reflexos poderão ser sentidos por toda a vida.

Assim, proporcionar que a mãe amamente seu filho indica estabelecer um vínculo entre ambos, pois segundo Ferraz (2006), na perspectiva do pensamento Winnicottiano, a amamentação no seio, se for bem sucedida, constitui uma excelente base para a vida da criança, bem como para os sentimentos maternos implicados no ato de alimentar.

Também importante é o processo de desmame. Para Winnicott (1997), vai depender da forma como será conduzido, podendo ter interferência na relação do indivíduo com sua alimentação na fase adulta. Desta forma, problemas enfrentados nesta fase podem indicar certas dificuldades da mãe e da criança em lidar com o processo de separação. 

Para a mesma autora, caso ocorram falhas desta origem que impliquem desajustes no manejo com o bebê, poderão surgir variados problemas futuros, pois implicam na construção do self, em que é tirada do bebê a chance de ser o criador do objeto (seio) que precisa ser encontrado para estabelecer o prazer no ato de sugar.

A alimentação é capaz de unir a experiência de satisfação da fome com a experiência de segurança, carinho e intimidade no seu relacionamento com seu cuidador, que geralmente é a mãe. Tal experiência proporciona a liga entre o prazer físico ao emocional. Uma vez que, tudo que a mãe faz ao bebê em virtude da sua dedicação são absorvidas por ele tal como um alimento (FERRAZ, 2006).

Para Winnicott (1997) os sintomas alimentares durante a infância podem variar conforme o relacionamento da criança com outras pessoas pertencentes ao seu meio ambiente imediato e “Quando o resultado de experiências arcaicas do desenvolvimento é desfavorável, há um aumento dos riscos para o desenvolvimento psíquico saudável, e um deles é a baixa autoestima e os transtornos alimentares” (GORGATI, HOLCBERG e OLIVEIRA, 2002 apud SOPEZKI E VAZ, 2008, p. 271).

Segundo Ferraz (2006), alguns autores descrevem que conflitos intrafamiliares no que se refere ao âmbito alimentar, estão relacionados com as dificuldades apresentadas pelos responsáveis em formar hábitos sadios na vida da criança, que também se relacionam com dificuldades com problemas disciplinares e de educação.

Complementando, Ferraz (2006), explica que a alimentação é uma das vias preferenciais da criança em expressar sua subjetividade e através dela se expressam os vínculos afetivos bem como os conflitos emocionais como ansiedade, insegurança, controle do ambiente e limites.

Outro aspecto também importante citado por este autor, é a questão da recusa alimentar nas crianças, em que condiz com as preferências individuais de cada criança e tem relação direta com as características de quem a alimenta.

Portanto, para esta autora, o sintoma alimentar pode ser entendido como uma mensagem que a criança tenta direcionar à sua mãe a fim de obter seu amor e sua dedicação. Nestas situações, a criança torna-se o centro de afetos muitas vezes inapropriados dos pais, tais como angustia pela ameaça de punição e a impulsividade do gesto de forçá-la a comer, tendo um gesto de agressividade.

5. A importância das Interações Mãe-Bebê-Criança no Processo de Alimentação

Para Silva (2005), os transtornos alimentares possuem uma etiologia multifatorial, composta de predisposições genéticas, socioculturais e vulnerabilidades biológicas e psicológicas. Aparecem em diferentes configurações clinicas, além da neurose, são encontrados em casos de psicose e sintomas psicossomáticos.

Ainda segundo este autor, existe fatores predisponentes familiares que merecem ser destacados, já que indicam padrões desfavoráveis e precoces na relação mãe/filho e também de forma semelhante, a postura dos pais quanto aos valores, educação e controle alimentar dos filhos influencia também na origem dos sintomas alimentares.

Ainda, para Silva (2005), da mesma forma alguns episódios estressantes como mudança de casa ou de escola e separações costumam ser antecedentes frequentes dos transtornos alimentares e a dimensão desses fatores estressores sobre a origem desses transtornos tem relação com recursos prévios decorrentes do suporte familiar e social do indivíduo

Ainda neste contexto, os fatores psicológicos presentes na dinâmica familiar podem dificultar a melhora do transtorno alimentar quando existem, por exemplo, ganhos secundários como atenção, afeto ou ainda vantagens materiais.

Segundo Gusmão (2002), a quarta edição do DSM-IV, 1994, foi realizada uma diferenciação na classificação dos transtornos alimentares, tendo como uma das novidades uma nova categoria diagnóstica, o transtorno da alimentação em bebês ou na primeira infância.

Para esta autora, a psiquiatra Chatoor classificou os transtornos alimentares (eating disorders) como perturbações no ato de comer, e os transtornos da alimentação (feeding disorders) como perturbações no ato de dar de comer.

Neste sentido, para Gusmão (2002), como as crianças são totalmente dependentes de seus cuidadores no início da vida, quanto ao ser alimentado, algumas dificuldades podem surgir neste período que envolve a díade alimentador-alimentado e geralmente as mães são figuras centrais neste processo.

Vale destacar sobre a importância do papel materno nas diferentes etapas do desenvolvimento infantil e suas contribuições para a promoção de um desenvolvimento saudável do indivíduo. Sendo como função primordial da mãe neste contexto, a capacidade de adaptar-se às necessidades da criança ou bebê e ser sensível a possíveis alterações, possibilitando que a criança possa superar as dificuldades enfrentadas na fase vivenciada e passar para a fase subsequente.

Portanto, a alimentação sem dúvida ocupa um importante lugar no desenvolvimento infantil, uma vez que desde o nascimento, são valorizadas as interações mãe-bebê como responsáveis, em diferentes graus é claro, pelo favorecimento positivo ou negativo da relação do indivíduo com o alimento.

6. Conclusão

Neste trabalho, foi fundamental entender melhor a temática mãe-bebê-alimento, passando por aspectos relacionáveis como alimento e vínculo e maternagem, como partes de um complexo sistema inter-relacionáveis que influenciam no desenvolvimento da criança.

Conclui-se neste trabalho, que a ocorrência de possíveis falhas ambientais, dentro de uma perspectiva Winnicotiana, relativas ao manejo da alimentação infantil em vários períodos do desenvolvimento, bem como a relação parental, subsidia em grande parte, o modo pelo qual o processo de alimentação é internalizado.

E ao analisar tais processos, pôde-se constatar que são vários os conflitos familiares relacionados ao âmbito alimentar que tramitam ao que tudo indica de geração para geração. Portanto, é comum que conflitos familiares tragam reflexos na alimentação, já que existem indicadores que podem comprometer o vínculo mãe-filho e trazer reflexos negativos para ambos.

Também deve ser destacado, que como o alimento vem repleto de significado de conteúdo psíquico, distúrbios neste âmbito, geralmente ocorrem como tentativas de compensar frustações, sinal de afeto e outras manifestações emocionais.

Deste modo, os conflitos estabelecidos em torno da alimentação, são de certa forma caminhos que a criança encontra para manter sua onipotência e controlar seu ambiente e as pessoas, em especial a mãe.

Destarte, a psicologia e a psicanálise vem contribuir substancialmente através de estudos sobre as interações que ocorrem entre mãe e infante desde seus primeiros contatos e as consequências dessas relações para o desenvolvimento do indivíduo.

Sobre o Autor:

Irella Borges dos Santos Barbosa - Pós-Graduanda Lato Sensu em Clínica Psicanalítica em Extensão, IPGU Uberlândia. Pós-Graduação Lato Sensu em Metodolo-gia do Ensino Superior, IPG. Graduada em Psicologia pela Faculdade Pitágoras de Uberlândia e Graduada em Letras – Português/Inglês e Literaturas pela UFU.

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