A Necessidade do Psicoterapeuta na Saúde Pública Frente o ser Mãe ou Pai na Adolescência

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Resumo

O que se tem percebido, cada vez mais intensamente, são modificações do papel de mãe e do homem-pai no cenário paterno na gravidez adolescente até o puerpério. No entanto o serviço de saúde publica, ainda não dispõem de espaços de atendimento de psicoterapia às mães adolescentes durante o período de pré-natal. Tendo em conta de que muitas meninas adolescentes grávidas se sentem envergonhadas em dizer que o pai de seu filho é também seu marido, preferindo identificá-lo como sendo seu namorado, muito embora a gestantes adolescentes tenha o acompanhamento pré-natal o apoio psicológico só acontece, por ventura, durante o atendimento pré-parto nas maternidades. Ainda que o pai tenha direito e necessidades próprias frente ao processo reprodutivo e à paternidade ele não se sente preparado para esta nova configuração e não encontram incentivos para o enfrentamento deste novo contexto. Portanto, evidencia-se que estes pais adolescentes carecem receber apoio psicossocial dos profissionais de saúde no sentido de serem informados de seus direitos e deveres no que tange ao bem estar psicológico e emocional deste futuro “ser”, bem como dar o direito de cidadão ao recém nascido providenciando registro de nascimento, apoiando emocionalmente mãe e filho no processo de amamentação, formação do vínculo afetivo e cuidados com o bebê.

Palavra chave: Mãe e pai adolescente; gravidez; recém-nascido; saúde pública; acompanhamento e psicoterapia.

Introdução

A gravidez na adolescência vem tirando o sono de muitos pais. Principalmente nesta época em que parece estar havendo um estado hibrido da cultura social, afetiva, educacional e emocional. Assim, Stuart Hall (2003) disserta sobre as principais mudanças ocorridas no sujeito e na sua identidade no mundo moderno, frisando que “as nações modernas são, todas, híbridos culturais”.

Prontamente o período de adolescência veio sendo impresso desde o inicio do século XIX e reforçado durante o desenvolvimento industrial, entre apto a não aptos para o trabalho, buscando assim estabelecer que o provedor e protetor da família fosse o homem. Portanto, em período patriarcal, este, que em muitas famílias já lideradas pelo matriarcado, apontava mudanças no sistema de identidade cultural na pós modernidade.

Conseqüentemente com a evolução industrial forçando as mulheres a se unirem e lutarem por condições mais favoráveis ao gênero feminino e buscando uma saída para a situação oprimida na qual se encontravam. Nesta época já se tornava muito aparente a força da mão de obra feminina no mercado industrial e de carona vinha à exploração da mão de obra infantil ganhando proporções de escravidão industrial.

Logo, junto à luta das mulheres pelos seus direitos, perpassando por pesados sofrimentos, foi se dando um afrouxamento da arbitrariedade em reconhecimento pelo trabalho das mulheres que já assumiam de vez uma dupla jornada, muitas dentre elas, jovens mães na busca de sustento para seus filhos e melhores condições econômicas.

Um fator a ser considerado é o desnudamento da masculinidade, ou seja, a figura do machão e provavelmente influenciado por um sistema híbrido da cultura surge um homem mais sensível e carente da figura feminina, mas ainda um pouco sem jeito para ser aceito e encontrar-se no meio cultural e social em que vive.

Frente ao estupendo desenvolvimento tecnológico industrial a necessidade por mão de obra mais qualificada, surge ai o proletariado, apoderando e classificando o sujeito em capazes e não capazes frentes numa sociedade hibridamente aculturada.

Destarte frente a um mundo organicamente industrializado e cada vez mais competitivo foi sendo liberados limites, estabelecido regras para a idade própria para o trabalho, estudos, formação profissional, capacidade para ter filhos, responsabilidades culminando na necessidade de uma organização para estabelecer regras em nível de nações e posteriormente de nível mundial incorporando junto a ONU e a OMS.

Todavia nos últimos trinta anos vem sendo estabelecido uma nova cultura que ao mesmo tempo em que incentiva a liberdade não está sabendo encontrar os caminhos até aonde pode conduzir e assim contribuir para o desenvolvimento da humanidade. Bahá’u’lláh- em meados do século XIX já enfatizou que a liberdade só é encontrada no mundo animal. Enquanto que a verdadeira liberdade no mundo humano só se estabelece na obediência as leis. Logo, conforme a Constituição Brasileira aponta que, o ser humano tem a liberdade de ir e vir, ou seja, é livre desde que respeite as leis onde todos são iguais perante ela.

O que se tem percebido cada vez mais intensamente são modificações do papel de mãe e do homem-pai no cenário paterno na gravidez adolescente até o puerpério. Bem como o novo sistema em que os adolescentes se encontram inseridos influencia-os de uma forma como nunca antes houve na humanidade. Os jovens se encontram salvos em lares impermeabilizados pela permissividade de uma sexualidade moderna numa cultura hibrida, aonde muitos costumes tidos como efêmeros e errôneos passam a fazer parte do cotidiano e logo é alicerçando nas bases da aculturação social. Nisso os jovens adolescentes recebem incentivos, pois são frutos desta sociedade que constrói em seguida o puni na forma das leis sociais quando as mesmas são as infringidas.

Enquanto que o período de adolescência foi sendo estabelecido como impróprio para o momento de procriação, mas lembrando que esta é uma pratica muito recente no desenvolvimento histórico da humanidade, no entanto, portanto em muitas culturas indígenas e orientais ainda prevalece o momento da puberdade com ponto primas para o inicio da fertilidade feminina, assim sendo, nestas culturas são garantidas por leis formais ou não, devendo ser respeitada de acordo com seus costumes.

Observa-se ainda que a puberdade seja o momento da transição do corpo adentrando para a fertilidade, período este em que o desenvolvimento hormonal ganha intensidade sentindo o calor da fertilidade humana. Todavia Freud no final do século XIX elucidou que a puberdade se tratava de grandes tensões psíquicas, neuroses e é um dos períodos da vida em que, toda a libido sexual se torna exposta, sendo caracterizado o desenvolvimento da sexualidade evidenciando assim um estado psíquico muito forte. Desde então muitos estudos vem sendo desenvolvido no intuito de se provar e mostrar para a humanidade que a gravidez na adolescência pode acarretar enormes conseqüências para o desenvolvimento do futuro destes, quanto ao desenvolvimento psicossocial, cultural, econômico e profissional.

Estudos realizados por Figueiredo (2000) -, chama a atenção para as conseqüências do baixo nível no desenvolvimento cognitivo das crianças advinda de mães adolescentes salvas nas populações de com baixíssimos poderes econômicos. Salienta ainda outro ponto de fundamental importância para o agravamento deste fator, que é o suporte social, que este dependendo do meio onde esta adolescente mãe está inserida pode ser positivo de encorajamento tanto para a mãe quanto para a criança, outros salvos em lares adoecidos por um olhar negativo, que menosprezam o valor do jovem pai e o que é valorizado são as perdas da juventude, tendem a formar crianças com baixo nível de desenvolvimento tanto cognitivo quanto comportamental.

Motta et al. (2004) em seus estudos em caráter de pesquisa longitudinal revelaram que, a vivencia da mãe adolescente passa por fatores importantes no enfrentamento da família com a chegada da criança, onde, vai acontecer uma reprogramação do cotidiano deste núcleo familiar e no processo evolutivo de ser no mundo, este mundo circundante que lhe pode trazer segurança emocional em seus anseios e dependendo do apoio social em que estas mães adolescentes vão receber é que poderá minimizar os preconceitos. Assim sendo a pesquisas mostraram também que muitas adolescentes se diziam satisfeitas com a gravidez e que tinham o desejo de serem mães.

Porém, com relação aos pais adolescentes, estes se sentiram tímidos e desencorajados frente a sua nova configuração de pai, pois nisso, dependendo do apoio social que recebiam de seus grupos familiar, social e ambiental no qual estava inserido o envolvimento com o recém-nascido ia se configurando do afeto do cheiro até um simples olhar silencioso. Mallard (2004)- esclarece que por um lado, a condição de pai é fruto de uma construção social, através de ações ativa dentro do lar e em contato com a sociedade, noutro, o pai sempre será pai de alguém, não somente de caráter biológico, mas também em caráter afetivo através de uma construção social. A autora elucida que o pai antes era tido como caráter de individuação, autonomia e poder, hoje se buscam uma figura masculina mais companheira com maiores envolvimentos afetiva, econômica e social. Portanto a figura de masculinidade vem ganhando proporções estereotipadas no aprendizado do cuidar dos filhos, pois antes este poder era de responsabilidade feminina, devido os longos tempos em os pais passavam fora de casa em busca de prover a auto-sustentabilidade da família. Todavia com a saída mulher para o mercado de trabalho o homem pai, vem assumindo maiores parcelas de responsabilidade e cuidado, permitindo a família à associação sócio-afetiva atribuindo outra verdade que não seja somente a biológica, contribuindo assim, na formação do vinculo afetivo mãe e bebê e no desenvolvimento psicológico da criança.

Em uma pesquisa realizada por Reis (2004)-, descreve o envolvimento dos jovens na pratica do ficar e o quanto isso vai se tornado embaraçoso devido a instabilidade deste relacionamento afetivo e quando se tornar publico, a autora ouviu os relatos das adolescente e descreve o quanto elas se sentem angustiadas em saber que seus pais e familiares vão se tornar conscientes que ela está ficando com os meninos. Neste ambíguo desabrochar de prazer, ansiedade, medo, mas gostando do carinho afetivo acompanhado do ato sexual, estas meninas sorriem e dizem que estão ficando e esperando uma decisão do parceiro se ele gostou e quiser continuar então rola o namoro se não tudo acaba sem nenhuma explicação. Porém nesta pesquisa a autora mostra um pouco do comprometimento afetivo entre os jovens das camadas populares, quando sabendo mesmo assim correm o risco fazendo sexo sem o uso do preservativo, nisso pode estar o aumento das adolescentes grávidas na busca de satisfazer o desejo do parceiro e muitas seus desejos também.

Portanto o relato da autora da tese elucida o sofrimento principalmente das adolescentes, pois estas buscam o afeto, o abraço, o beijo e não somente o ato sexual, enquanto que nos relatos dos meninos o que manda e é mais valorizado o ato sexual, nisso as meninas acarreta maior sofrimento emocional, porque o sexo aparece como prova de amor em dois momentos, quando acontece a primeira vez e quando é realizado sem preservativo.

Para Moresco JO, Van der Sand ICP. (2005) e JARDIM, (2009), averigua-se que o envolvimento dos pais adolescentes no trabalho de parto da mãe adolescente a qual ia dar a luz ao seu filho, mostrou ser de grande valia para seu desenvolvimento na configuração de pai, onde estes se sentiram mais responsável, assim respeitando as dores e dificuldades pelas quais suas companheiras estavam passando.

Em pesquisas realizadas, referente à paternidade na adolescência, mostraram um alto índice de responsabilidade dos pais adolescentes que foram incluídos nos programas de pré natal e puderam acompanhar suas parceiras até o período puerperal e que os mesmos, se sentiram valorizados com o nascimento do filho e com sua identidade de pai. No entanto, em atendimentos junto às parturientes adolescentes em uma maternidade publica constatou-se em seus relatos que, o pai de seu filho era seu namorado, pois prefere que este relacionamento fique somente no namorar. Quando questionada se ele é também seu marido, elas respondem que se sente envergonhada de afirmar que sim, pois ainda se sente muito nova para ter marido. Portanto abrem-se precedentes para que este namorado tenha dificuldade para assumir o papel de pai, visto que, perante as leis o bebe tem o direito de se tornar um cidadão com a paternidade reconhecida.

Moresco JO, Van der Sand ICP, em trabalho realizado com adolescentes no interior do Estado do Rio Grande do Sul no ano de 2005, evidenciaram a necessidade de atendimento por equipes multidisciplinar para as mães e pais adolescente durante o período pré natal e puerpério considerando o impacto no comportamento social que esta família sofre, porém destaca a importância de se dar voz ao casal de pais que nasciam juntos com o nascimento do bebe, como importante passo no recurso para o planejamento e execução da atenção a saúde. Destacam a importância de a equipe proporcionar aos adolescentes vivenciarem emocionalmente o período gravídico, não ficar centrado somente na sexualidade e reprodução humana, mas buscar a sensibilização destes adolescentes frente à sociedade na qual ele tem potencial para agir e interagir.

Carvalho et. al. (2008) retrata em artigo “perdas e ganhos advindos com a paternidade recorrente durante a adolescência”, que a gravidez pode trazer seria conseqüências para a vida social, mas os adolescentes não entendem e associam que estas sejam mínimas, tanto é que o aumento de avós que cuidam e assumem todas as responsabilidades relativas ao neto é alarmante. Todavia, os cuidados que as adolescentes tinham com seus filhos dependiam e muito de experiências anteriores, tais como, cuidar de irmãos mais novos, sobrinhos, primos e outros, e na falta do saber cuidar este era transferido normalmente pra os avos e tias e muito pouca participação dos pais.

Também destaca casais adolescentes que são bons pais ao cuidar muito bem dos filhos, observa relatos de uma melhora significativa na auto estima destes adolescentes, levando os estudos sem prejuízo de aprendizagem, edificando que ser pai e mãe foi uma escolha para fugir da solidão emocional e associa o desejo de ficar grávida. Enquanto que para outros adolescentes a gravidez só trouxe desgraça e perda de tudo de bom que a vida poderia lhe proporcional, neste olhar negativo a criança é tida como algo negativo e tende a sofrer abandono afetivo. A priori, o desenvolvimento do olhar negativo ou positivo da maternidade e paternidade em ganhos e perdas depende do nicho cultural em que estes jovens estão inseridos.

Reis (2004) demonstrava a evidencia de que a maioria dos pais e mães adolescentes eram advindos de pais ausentes. Ou seja, pais ausentes não significam somente aqueles jovens que tem seus pais distantes trabalhando o tempo todo e só vai a casa para descansar, outros por ventura não conheceram seus pais por ser fruto de relacionamentos desfeitos, mas sim aqueles que vivem junto dos pais e não conseguem se quer dialogar por motivos de desconhecimentos dialógicos de ambas as partes possibilitando assim este jovem ir à busca de ouvidos que o ouça.

Portanto Mazzini e col. (2008), abrem ressalvas para o fortalecimento das relações entre o casal de adolescentes quando a gravidez é bem aceita embora não planejada, mas desejada, mesmo que inconsciente, para alguns e evidente para outros, pois nisso depende do contexto cultural em formação deste casal em seu nicho familiar e no complemento do apoio social recebido. Segundo Magalhães parafraseando Schutz, dizem que os significados são selecionados através de construções mentais e as representações sociais do senso comum que foram marcantes para estes adolescentes.

Haja vista, que durante o século XX a sexualidade feminina veio sendo desvinculada do ato reprodutivo, corroborado com o desenvolvimento dos anticoncepcionais proporcionando para a mulher moderna praticar o ato sexual por prazer, saindo assim daquela feminidade dedicada a reprodução e aos afazeres domésticos. Com a chegada do período da menarca se antecipando para uma idade em que prevalece o pensamento mágico, a mistura entre a curiosidade e o medo, mas ao mesmo tempo em que é estimulado pelos meios de comunicação, amigos na escola e até mesmo pelos próprios pais ao orientar, sobre vida sexual ativa pode favorecer a relação sexual precoce.

Nestas ultimas décadas, surgiu a cultura do ficar, e com isso, os relacionamentos sexuais vem sendo estabelecido cada vez mais precocemente. Nesse ficar mora um dos problemas da gravidez desprotegida e com um alto índice de rejeição, pois esta foi indesejada aonde o adolescente só pretendia se divertir. Sendo que nas classes media e alta, as primeiras relações tendem a ser bem protegidas devido as informações e orientações, mas na medida em os relacionamentos vão se tornando mais duradouro e confiável, a tendência é o afrouxamento dos cuidados e muitos casais relatam que deixam de usarem qualquer tipo de prevenção acontecendo a gravidez na adolescência sem muita noção de que, ao nascer um filho nasce também um pai. No entanto nas classes popular com menor índice educacional as primeiras relações sexuais acontecem sem nenhuma proteção.

Porem, com a cultura do ficar, relações sexuais muitas vezes acontece sob pressão do parceiro como prova de amor pelo namorado (a) ou dos/as colegas como demonstração de sua sexualidade, fortalece o encorajamento para e primeira relação sexual ou até mesmo com uso do Bullying nos meios escolares e amizades doentias.

Outro fator recorrente em todos os autores pesquisado foi à dificuldade, que as adolescentes que se engravidaram, encontram para continuar a estudar devido à falta de apoio do pai da criança e da própria família e do seu contexto social no qual está inserida. Elucidam também que, a maioria delas, mal conclui o ensino fundamental e dentre elas a gravidez recorrente leva-a novamente ao abandono dos estudos. Uma vez que, em muitos casos, a adolescente mãe teve seu filho acolhido e afiliado pelos avôs tornando-a inútil como mãe. Todavia, surge a gravidez recorrente como forma de afirmar sua auto estima dando o melhor do que ela aprendeu a fazer o calor de mãe. Outras, adolescentes até mesmo por descuido dos métodos contraceptivos acabam se engravidando e sofrendo as frustrações de ter que aceitar o filho que não desejava ter e por conseqüência o abandono e o questionamento da paternidade pelo pai do bebê.

Pesquisa realizada com adolescentes e jovens em varias capitais elucidou que, o capital educacional tem sido de grande relevância quando se trata de relacionamento sexual estável, sendo que os jovens com maior grau de educação e escolaridade tende a procurar relacionamentos mais duradouros. Enquanto os demais buscam relacionamentos mais descomprometidos, e as adolescentes que ficam grávidas destes relacionamentos tendem a sofrerem abandono do parceiro e dificuldades com apoio social familiar.

Conforme Reis salienta em sua tese “jovens pais e jovens mães” abordando a orientação sexual, elucida que esta é uma tarefa que, em primeira instancia, estava sob a responsabilidade dos pais, mas estes, por falta de conhecimento adequado, advindos de uma cultura educacional sem orientação sexual e quais suas conseqüências, tanto positiva quanto negativa, então deixou de informar a seus filhos. Perante esse fato, o governo preocupado com a situação epidêmica da gravidez precoce, tomou como responsabilidade parte desta orientação sexual e reprodutiva, dividindo em loco esta responsabilidade para a educação nas escolas e postos de saúde, aqui também é apontado alguns desfechos em desequilíbrio.

Na escola, a maioria dos professores não se sente preparados para falar sobre orientação sexual, somente em algumas disciplinas afins, por exemplo, a biologia. Nesta a grande parte dos professores se limitam em esclarecer o funcionamento biológico do corpo, na saúde os profissionais esclarecem como fazer sexo com segurança para prevenção tanto da gravidez, quanto das doenças sexualmente transmissíveis as (ADST e HIV), o adoecimento emocional e psicológico relacionado ao ato sexual sem afetividade vai ficando sem orientação. Parafraseando Frankl (1984), o ato sexual deve ser um efeito colateral do bom relacionamento da vida a dois e não como primeiro fator afetivo de prova de amor.

Durante as últimas décadas veio sendo aculturado os direitos sexuais e reprodutivos e assim sendo estabelecidos alguns programas para administrar este novo paradigma, por exemplo, o Programa saúde do adolescente (PROSAD e o Programa de Atendimento integral à saúde da mulher, da criança e do adolescente (PAISMCA), criado devido à situação degradante para a qual se encaminhavam os adolescentes. Portanto para Brasil & Santos-, estes programas de alguma forma vem fazendo a sua parcela de contribuição junto à sociedade. Porém quando levantado as demandas para os quais foram destinados constatou-se que estão muito aquém do esperado, frente à demanda do publico adolescente que necessita do atendimento.

Conforme Bursztyn & Ribeiro em seu trabalho de Avaliação participativa em programas de saúde: um modelo para o Programa de Saúde do Adolescente averiguou-se que, uma das maiores dificuldades enfrentada pelos coordenadores do programa era com relação à verticalização das informações e a cristalização na divisão das tarefas, mas com o treinamento de capacitação das equipes na busca do entendimento participativo, foi possível o aprendizado da flexibilidade de fundamental importância para seu desenvolvimento. Tendo em vista que o programa tem como principal objetivo a adesão do adolescente nas atividades promovidas, nisso concerne ter representante destes juntos da equipe de promoção da saúde, visando o encorajamento dos demais.

Conforme Elias, Lemos e Farias, destacam o desenvolvimento qualitativo dos resultados satisfatórios no atendimento ao público e principalmente com ênfase na prevenção e promoção da saúde, abordando a escuta e o acolhimento como fortalecedor do lado emocional e psicológico das parturientes que lá chegavam à busca de atendimento. Mostrou-se o quanto é importante o envolvimento dos profissionais de psicologia dentro dos hospitais no amparo emocional e psicológico tanto das mães grávidas adultas, quanto das adolescentes em período puerpério, corroborado para no apoio a amamentação e na prevenção da segunda gravidez, cooperando também na melhora dos relacionamentos entre equipes de profissionais e no atendimento ao público usuário da instituição.

Considerações finais

Durante o levantamento de dados para fundamentação deste trabalho foi possível observar em pesquisas bibliográficas, um pouco do caminhar fenomenal no estabelecimento da adolescência e o quanto a influência da puberdade foi capaz de contribuir para a concretização da mesma, até mesmo pela ciência em demonstrar que, a gravidez na adolescência é causadora de grandes transformações que não são benéficas para o futuro deste jovem.

A contemporaneidade vem se caracterizando pela dificuldade em se definir uma cultura homogênea evidenciando-se, assim, pequenos grupos com sistemas híbridos em sua aculturação, podendo surgir daí, grande dificuldade em se estabelecer programas homogêneos no Sistema Único de Saúde – SUS, que sejam capazes de romper com o avanço da gravidez na adolescência.

É notório que, nestas ultimas três décadas, foram criado diversos programas com a finalidade de estancar, ou coibir, a gravidez na adolescência fazendo uso de técnicas preventivas, de orientação sexual, junto aos órgãos de saúde pública e nas escolas, lançando mão da distribuição de preservativos e colocando-os a disposição nos postos de saúde. Porém, pesquisas mostraram que ouve uma queda no numero de filhos das mães adultas alavancado pelo planejamento familiar, perfazendo uso dos métodos contraceptivos, mas o número de adolescentes que ficam mães ainda é muito acima do esperado pelo Ministério da Saúde. Deste modo, averigua-se que as estratégias usadas em orientar como se deve fazer sexo seguro, logo, que este faz parte das necessidades físicas do ser humano, não tem surgido o efeito esperado.

Aqui gostaria de fazer algumas ressalvas.
Os métodos direcionados ao controle de natalidade, planejamento, familiar, orientações no pré-natal, em sua maioria, estão direcionados á mulher, enquanto que o sexo masculino tem sido deixado muito alheio do comprometimento de atitudes nas quais são co participantes.

Tanto é que na LEI Nº 12.010, DE 3 DE AGOSTO DE 2009 está definido:

Art. 8º É assegurado à gestante, através do Sistema Único de Saúde, o atendimento pré e perinatal. § 4º. Incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à mãe, no período pré e pós-natal, inclusive como forma de prevenir ou minorar as consequências do estado puerperal. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência. § 5º. A assistência referida no § 4º. deste artigo deverá ser também prestada a gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção.

Assim continuando o ciclo, são as mulheres que geralmente tem ido até os postos de atendimento em busca de preservativos para seus parceiros, assumindo sozinha essa carga de responsabilidade, muitas das vezes desde a adolescência. Logo, os homens também são responsabilizados pelo ato sexual e o reconhecimento dos métodos contraceptivos oferecido nos órgãos públicos destinados a esta finalidade. Porém perece ser muito baixo o entendimento e compromisso do sexo masculino em geral na busca em praticar o controle da natalidade.

Outra questão que nos leva a uma reflexão: Será que o ficar dos relacionamentos não tem causado desconforto e transtorno de ordem psicológica para as adolescentes com a gravidezes adquirida nestes momentos descompromissados? Sob a responsabilidade de quem recai a responsabilidades da reflexão sobre o adoecimento psicológico das adolescentes grávidas abandonada pelo companheiro que, porventura, muitas vezes, querendo se livrar de compromissos, nega a paternidade? O que se tem feito para envolver o homem no período pré natal de sua mulher grávida? Onde está ficando a igualdade o direito e responsabilidade na pratica, quando se falam de controle a natalidade e planejamento familiar?

Estudos mostram que a humanização nos hospitais tem sido de grandes benefícios para a família com o parto humanizado, mas raramente se encontra gestantes que, durante o trabalho de parto pode contar com a presença do companheiro, permanecendo somente a presença de outros familiares motivada de falta de encorajamento do pai, outras, por dificuldades burocráticas da própria instituição hospitalar.

Em experiência de atendimento como estagiário numa maternidade pública durante quatro meses não foi encontrado, uma parturiente sequer, que tivesse recebido atendimento psicológico durante o pré natal. Logo, se existe a lei, porque não funciona? Onde pode estar à raiz do problema? Como tem sido vista o papel do homem pai como parte importante no processo?

Outro fator que chamou a atenção foi o de que, na maioria dos atendimentos as mães nem se quer conheciam seus ciclos de fertilidade, mas a maior parcela dizia que faziam uso do método contraceptivo e mesmo assim se engravidaram. Qual a qualidade das orientações sexuais que estão sendo repassadas para estas mães? Será que serem orientadas somente no campo físico e biológico é necessário? Tendo em conta que para a Organização Mundial da Saúde (OMS): "saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental, social e não apenas a ausência de doença". Silva & Müller (2007) parafraseando Vasconcellos (1998) “enfatizam a influência dessas cinco dimensões (bio, psico, social, espiritual e ecológica) no equilíbrio homeostático do organismo, salientando que lentamente o conceito biopsicossocial está se transformando em um conceito biopsicossocioespiritual-ecológico”.

Portanto, evidencia-se que quando o pai adolescente for devidamente incorporado nos programas relacionados à paternidade, poderão contribuir a muito com suas companheiras, tanto nos período pré natal, puerpério, na prevenção da gravidez recorrente e planejamento familiar, desde que, os profissionais dos programas de saúde pública possam empodeirar estes jovens no que ele tem de belo e bom. Todavia que as orientações não fiquem somente no biológico e físico, mas perfazendo uso das cinco áreas que segundo Vasconcelos (1998) pode ser responsável pelo equilíbrio homeostático do ser humano o “biopsicossocioespiritual-ecológico”, assim seja elevado há um estágio de pratica.

Sobre o Autor

Acadêmico do 10º período do Curso de Psicologia do UNINORTE Centro Universitário do Norte / Laureate Internatinal Universities.

Referências

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