Abusadores Sexuais de Crianças: o que eles sentem?

Abusadores Sexuais de Crianças: o que eles sentem?
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Resumo: Os abusadores sexuais normalmente são vistos como indivíduos sem caráter, que devem ser imediatamente punidos pelos atos cometidos. Entretanto, é preciso que seja dada uma maior atenção a eles, considerando os sentimentos que os levaram a cometer tal situação. O abuso sexual em crianças é considerado como um grave problema de saúde mundial, tanto pela sua prevalência, que advém de muitos anos, como também pelo tamanho de seu impacto na vítima, no próprio abusador, na família, bem como na sociedade. Os maus-tratos a crianças ocorrem em todo o mundo e de diversas formas, sendo que o abuso sexual é considerado o que mais traz danos às crianças, sejam estes físicos ou psicológicos. Sob essa perspectiva e sabendo-se que este tipo de crime é cada vez mais frequente na sociedade atual, realizou-se um estudo sobre os sentimentos do abusador sexual de crianças, antes e após o abuso, e posteriormente à condenação. O método utilizado para esta pesquisa foi a versão de sentido com base em um único caso, fazendo-se uso do estudo de caso para a análise dos resultados. Entrevistou-se um homem que se encontrava em uma penitenciária do oeste catarinense, cumprindo pena por abuso sexual. No decorrer do estudo foram notáveis os sentimentos do abusador, sendo que a sensação de estar sendo condenado injustamente foi aquele que mais se sobressaiu, bem como sua versão confrontando com o conteúdo encontrado nos prontuários, indicando que o abusador apresenta uma distorção dos fatos ocorridos.

Palavras-chave: Abusador, Crianças, Sentimentos, Abuso Sexual Infantil.

1. Introdução

Atualmente o abuso sexual infantil é considerado um grave problema de saúde pública tanto pela elevada prevalência do fenômeno, quanto pelo seu impacto deletério no indivíduo,

nos familiares e na sociedade (HABIGZANG; CAMINHA, 2008). Os maus-tratos a crianças ocorrem em todo o mundo e de diversas formas, uma vez que, o abuso sexual é considerado o que mais traz danos às crianças, sejam físicos ou psicológicos.

Esta pesquisa foi desenvolvida sobre quais são os sentimentos do abusador sexual após o julgamento, bem como, qual é a percepção do mesmo após ser condenado. As questões norteadoras deste estudo, foram investigar os sentimentos do abusador antes do abuso sexual, analisar os sentimentos do abusador após o julgamento, bem como qual a percepção dos seus atos após ser condenado, constatar a incidência de repetição de abusadores que já foram abusados e também verificar os motivos que levaram o abusador a cometer o ato. No senso comum, o abusador é visto como um indivíduo sem caráter que deve ser imediatamente punido pelos atos cometidos. Entretanto, é preciso que seja dada uma maior atenção à eles, considerando os sentimentos que o levaram a cometer tal situação, bem como, constatar se há a incidência de repetição de abusadores que já foram abusados.

É necessário entender que a pesquisa é voltada para os sentimentos do abusador após o julgamento, pois considerando que, quando acontecem casos de abuso sexual, geralmente a atenção é voltada para o abusado, sendo que o abusador muitas vezes é desconsiderado. O foco principal deste estudo é dar a devida atenção ao abusador, que procurou entender qual é a sua visão e sentimentos na atualidade sobre o abuso sexual e após, ter sido condenado por este crime.

Segundo os autores Azevedo e Guerra (2000, p.42), o conceito de abuso sexual está longe de ser preciso, mas, pode ser definido como todo ato ou jogo sexual, sendo relações heterossexuais ou homossexuais, entre um ou mais adultos e uma criança menor de 18 anos, com a finalidade de estimular sexualmente a criança ou utilizá-la para obter uma estimulação sexual. Em relação ao abuso sexual em crianças Sanderson (2008, p.1), cita que, o abuso sexual em crianças é de natureza social, tendo em vista que é influenciado de maneira intensa pela cultura e tempo histórico em que ocorre, o que dificulta estabelecer uma definição aceita universalmente.

2. Fundamentação Teórica

2.1 Abuso Sexual em Crianças

A prática de abusos sexuais e maus-tratos foram bastante aceitos até o século XVIII. A partir de então ocorreram mudanças nas atitudes em relação ao abuso sexual em crianças. Com as reformas humanísticas, religiosas e políticas associadas com a renascença, as práticas de abuso sexual foram mantidas sob controle. Assim, manter meninos e meninas para que tivessem relações sexuais com adultos tornou-se um ato não aceito pela sociedade, sendo este totalmente proibido. Então, a família começou a se moldar e a criança ganha destaque tendo como princípio a educação, o carinho e a compreensão. Isso, no entanto, não significa que o abuso sexual em crianças não mais exista (SANDERSON, 2008).

De acordo com Sanderson (2008), o abuso sexual em crianças é definido pelo envolvimento de crianças e adolescentes dependentes em atividades sexuais com um adulto ou com qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior, em que haja uma diferença de idade, de tamanho ou de poder. Nestes casos a criança é usada como objeto sexual para a gratificação das necessidades ou dos desejos, para a qual ela é incapaz de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio no poder, ou de qualquer incapacidade mental ou física.

Ainda cita que incorporados nessa definição estão todos os tipos de encontros sexuais e comportamentos que abrangem aliciamento sexual, linguagem os gestos sexualmente sugestivos, uso de pornografia, voyeurismo, exibicionismo, carícias, masturbação e penetração com os dedos ou pênis. Ela inclui quaisquer atos sexuais impostos á criança ou ao adolescente por qualquer pessoa dentro do âmbito da família, ou fora dela, que abuse de sua posição de poder e confiança.

Como o abuso em crianças é de natureza social e cultural, deve ser considerado que há muitas inconsistências entre as culturas em relação á definição precisa do que constitui abuso. No entanto, a definição de abuso sexual em crianças que será utilizada como conceito norteador deste estudo será:

Forçar ou incitar uma criança ou um jovem a tomar parte em atividades sexuais, estejam ou não cientes do que está acontecendo. As atividades podem envolver contato físico, incluindo atos penetrantes (por exemplo estupro ou sodomia) e atos não-penetrantes. Pode incluir atividades sem contato, tais como levar a criança a olhar ou produzir material pornográfico ou a assistir a atividades sexuais ou encorajá-la a comportar-se de maneiras sexualmente inapropriadas (DEPARTAMENTO DA SAÚDE DO REINO UNIDO, 2003 apud SANDERSON, 2008, p.4).

O abuso sexual em crianças é de grande impacto no Brasil e no mundo, seus efeitos sobre os abusados bem como, sobre os abusadores, implicam em uma série de situações das quais geram inúmeras seqüelas em ambos.

2.2 A Pedofilia

Para Carvalho, Dias e Vieira (2011) a pedofilia é qualificada como um distúrbio psíquico caracterizado por fantasias sexualmente excitantes, recorrentes e intensas, impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo atividades sexuais com crianças, geralmente, de treze anos ou menos, ao longo de um mínimo período de seis meses. Tais fantasias, impulsos ou comportamentos causam sofrimento cinicamente significativo, prejudicando o funcionamento social, ocupacional ou de outras áreas importantes na vida do pedófilo.

O pedófilo deve possuir no mínimo dezesseis anos e ser pelo menos cinco anos mais velho que a criança. No entanto, não se deve incluir indivíduos no final da adolescência envolvidos em um relacionamento sexual contínuo com uma criança de doze ou treze anos de idade, antes de fazer qualquer julgamento clínico levando em consideração tanto a maturidade sexual da criança quanto a diferença de idade (CARVALHO; DIAS; VIEIRA, 2011).

A maioria dos pedófilos são conhecidos, ainda que não tenhamos consciência de que eles abusam sexualmente de crianças:

Normalmente, eles são confiáveis, não parecem oferecer perigo e, por causa disso, representam um perigo muito mais sinistro para nossas crianças, visto que permanecem não identificados. Há um sutil equilíbrio entre demonizar os pedófilos, o que instila medo nas crianças, e proporcionar-lhes conhecimento suficiente para que se sintam seguras e protegidas em sua comunidade. Pais, professores e outros profissionais podem facilitar esse equilíbrio. Quanto mais bem informados os adultos estiverem sobre pedófilos, com mais eficiência poderão preparar as crianças para que fiquem seguras (SANDERSON, 2008, p. 55).

De acordo com Carvalho, Dias e Vieira, (2011, grifo do autor) os pedófilos podem ainda praticar os atos a partir de anseios, ou seja, podem agir de forma que as suas atividades consistam em despir e observar a criança a exibir-se, masturbar-se na presença da mesma ou tocá-la e afagá-la. Outros podem realizar sexo oral, penetrarem na vagina, boca ou ânus da criança com seus dedos, objetos ou pênis, sendo muitas vezes utilizados atos violentos. Assim, pode-se dizer que, na maioria das vezes, a pedofilia se manifesta juntamente com outras práticas parafílicas, tais como: voyeurismo, exibicionismo e sadismo por exemplo.

Para Carvalho, Dias e Vieira (2011) podemos perceber que não há o pedófilo conforme é instituído pelos diagnósticos clínicos, mas sim abusadores sexuais com distintas constituições psíquicas. Compreende-se que abusadores sexuais podem ter diversas características em comum, porém, algumas serão identificadas em mais que um abusador, e outras podem ser desconhecidas os diagnósticos clínicos.

2.3 O Abusador Sexual

O abusador sofre de uma síndrome de adição, muito semelhante à de drogados, só que para ele a “droga” é uma criança ou adolescente essencialmente dependente, que deixa de ser vista como uma pessoa e passa a ser apenas um instrumento de excitação. As pessoas que abusam sexualmente de menores sabem que isso é um crime e que está prejudicando o menor, apesar disso, ele continua com a prática do abuso sexual, que como outras adições, não criam uma experiência prazerosa, porém serve como alívio de tensão. A pessoa que abusa sexualmente não assume a sua dependência, mas tentar parar pode levar aos sintomas de abstinência como a ansiedade, irritabilidade e agitação (SCHIMICKLER, 2006 apud PREDEBOM, 2008).

O abusador possui dúvidas sobre sua competência como pessoa. Falta confiança em si mesmo como homem, tanto na área sexual quanto não-sexual (WRIGHT, 2002 apud PREDEBOM, 2008). Marques (2007 apud PREDEBOM, 2008) nos diz que o abusador pode ser tanto homossexual, heterossexual ou bissexual, que por não conseguirem seduzir seus parceiros, vêm à necessidade de abusar.

Muitos dos abusadores, quando crianças ou adolescentes, também foram abusados sexualmente, outras podem ter desenvolvido perturbações da personalidade por que sofreu algum tipo de abuso e privação emocional. A cada oito crianças abusadas sexualmente, uma repetirá o comportamento quando tornar-se um adulto. Esse tipo de atitude acontece porque o indivíduo não consegue vivenciar conscientemente os atos ruins que aconteceram na infância. Somente quando o indivíduo conseguir vivenciar o seu sofrimento da infância poderá perceber as manipulações que faz com os outros, e não terá mais tanta necessidade de manipular os outros (JESUS, 2006 apud PREDEBOM, 2008). Sanderson (2008) cita que alguns abusadores sexuais foram vítimas de abuso sexual em crianças. Glasser et al. (2001, apud Sanderson, 2008) aponta um estudo clínico recente que descobriu que 35% dos abusadores sexuais de crianças do sexo masculino tiveram história de abuso sexual e que a maioria deles foi abusada por um parente do sexo feminino.

2.4 Abusadores Sexuais de Crianças

Em décadas anteriores, pais, professores, e crianças eram avisados para “tomarem cuidado com desconhecidos” e instruídos a ficar atentos a estranhos que costumavam rodar praças e parques. Pensava-se, com frequência, que esses poderiam ser facilmente identificados como “velhotes sujos vestidos com uma capa de chuva”. Hoje em dia, precisamos advertir as crianças não apenas sobre estranhos, mas também sobre adultos que podem ser seus conhecidos em sua comunidade ou em sua vizinhança. O objetivo disso não é instilar medo e suspeita na criança, de maneira que ela tenha receio até de sair na redondeza, mas, permitir que ela fique mais atenta a perigos potenciais (SANDERSON, 2008).

Para Sanderson (2008), abusadores sexuais de crianças precisam ter acesso a elas. Eles precisam instilar um laço de segurança e confiança tanto nos pais quanto nos professores e nas crianças, para definir suas vítimas e aliciar a criança que desejam. Se parecerem estranhos ou suspeitos, para eles será mais difícil encontrar uma vítima. Os pedófilos se esforçam para parecer o mais normal possível e assim amainar quaisquer medos ou suspeitas que adultos e crianças possam ter.

O agressor usa da relação de confiança que tem com a criança ou adolescente e de poder como responsável para se aproximar cada vez mais, praticando atos que a vítima considera inicialmente como de demonstrações afetivas e de interesse. Essa aproximação é recebida, a princípio, com satisfação pela criança, que se sente privilegiada pela atenção do responsável. Este lhe passa a ideia de proteção e que seus atos seriam normais em um relacionamento de pais e filhas, ou filhos, ou mesmo entre a posição de parentesco ou de relacionamento que tem com a vítima (PFEIFFER; SALVAGNI, 2005).

De acordo com Pfeiffer e Salvagni (2005) as abordagens, que se tornam cada vez mais frequentes e abusivas, levam a um sentimento de insegurança e dúvida, que pode permanecer por muito tempo, na dependência da maturidade da vítima, de sua estrutura de valores e conhecimentos, além da possibilidade ou não que teria de diálogo e apoio com o outro responsável, habitualmente favorecedor, consciente ou não, da violência.

Segundo Pfeiffer e Waksman (2004) quando o agressor percebe que a criança começa a entender como abuso ou, ao menos, como anormal seus atos tenta inverter os papéis, impondo a ela a culpa de ter aceitado seus carinhos. Usa da imaturidade e insegurança de sua vítima, colocando em dúvida a importância que tem para sua família, diminuindo ainda mais seu amor próprio, ao demonstrar que qualquer queixa da parte dela não teria valor ou crédito. Passa, então, à exigência do silêncio, através de todos os tipos de ameaças à vítima e às pessoas de quem ela mais gosta ou depende. O abuso é progressivo; quanto mais medo, aversão ou resistência pela vítima, maior o prazer do agressor, maior a violência.

Para Sanderson (2008, grifo do autor) o abuso sexual em crianças é algo inquestionável. O que está claro é que o impacto não é apenas sexual, mas também emocional e psicológico. Muitas crianças sentem-se incapazes de confiar em suas próprias percepções sobre o que é e o que não é apropriado. Elas não conseguem mais confiar em si mesmas, quanto mais em qualquer pessoa. Tornam-se confusas sobre como sentir, se devem ouvir a mágoa e a dor ou se devem “curtir” o abuso porque é isso que o abusador deseja. 

3. Método

Os métodos utilizados nesta pesquisa foram a versão de sentido e o estudo de caso. A versão de sentido diferencia-se de um informe da sessão (que prioriza a descrição objetiva do diálogo desenvolvido ou de uma transcrição de gravação da sessão) em que a descrição enfatiza as sensações do terapeuta a partir da descrição do vivido, buscando alcançar a essência e a dinâmica do processo; portanto, vai muito mais além do simples registro. Pode ser composta tanto por percepções do paciente, como de sentimentos de angústia ou de êxito do terapeuta supervisionado: as dúvidas, medos e alegrias na solidão da situação de atendimento. Registrar o processo psicoterapêutico através da versão de sentido significa transformar o estado bruto das sessões em algo com sentido; significa fazer emergir uma teorização sobre o vivido, e permitindo a visão mais aguda do processo do paciente através da experiência da relação terapeuta-paciente (MOREIRA, 2001, p.316 apud BORIS, 2008, p. 178).

Segundo Amatuzzi (2001 apud ANGONESE; HAAS, 2009) a versão de sentido trata-se da fala, o mais autêntica possível, que tem como referência intencional um encontro vivido, pronunciada logo após sua ocorrência. É importante que estas falas sejam falas expressivas da experiência imediata, originais e espontâneas e não necessariamente um raciocínio, teorização ou relatório.

Para Ponte (1994 apud OLIVEIRA, 2012, grifo do autor) um estudo de caso pode ser caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida como um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa ou uma unidade social. Visa conhecer em profundidade o seu “como” e os seus “porquês” evidenciando a sua unidade e identidade próprias. É uma investigação que se assume como particularista, isto é, debruça-se deliberadamente sobre uma situação específica que se supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico.

Quanto ao participante desta pesquisa, foi entrevistado um abusador sexual do Oeste de Santa Catarina, que já está em cumprimento de pena em uma penitenciária da região. Como instrumento de pesquisa foi desenvolvido uma entrevista aberta, com base em uma pergunta que conduziu a coleta de dados. Para a coleta de dados estabeleceu-se um primeiro contato com a psicóloga responsável da penitenciária onde se encontra o abusador. Foi marcada uma entrevista inicial para apresentar o projeto á mesma, bem como, explicar o processo de reconhecimento e estabelecimento de vínculo entre o participante que se encaixa no perfil de abusador sexual infantil com a pesquisadora para que então a entrevista pudesse ser desenvolvida e posteriormente transcrita. O entrevistado também assinou o termo de consentimento livre e esclarecido, que antecedeu a entrevista.

4. Versão De Sentido 

4.1 Primeiro Contato

Neste caso foi o que mais me deixou “abalada” digamos assim, afinal de contas ao ler o prontuário, o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi, o que um senhor de 69 anos, poderia fazer de mal para uma criança. Pois bem, sabemos que não é bem assim, ao saber do caso, fiquei mais pensativa ainda ao perceber que o senhor era reincidente.

No dia do primeiro contato senti muita pena daquele indivíduo ao saber que ele não tinha família, que ninguém vinha visitá-lo e que sua mãe havia falecido a pouco tempo, onde os agentes penitenciários queriam levá-lo para vê-la e ele por ter que se apresentar a sua mãe algemado preferiu não vê-la. Sua história de vida me comoveu bastante, porem, aquele sentimento de desconfiança, de as coisas não serem do jeito que ele estava me relatando prevaleceu, como se tudo fosse bom demais para ser aquela pessoa que abusou de duas crianças. Ao falar de seu passado, e seu presente e de que não tem esperanças de vida para o seu futuro começou a chorar, literalmente não consegui ficar sem me sentir mal por ter talvez provocado aquela situação, pois ele reviveu tudo o que havia acontecido na sua vida para me contar sobre os fatos e com detalhes.

Senti mais medo ao chegar na sala para conversarmos, pois este é um presidiário, da ala de regime fechado, onde ele vem para a sala algemado, e fica ali conversando e relatando sobre sua vida do mesmo jeito, algemado. Me sentia mal, pois, me colocava no lugar dele, estar falando de algo que lhe causa algum tipo de lembrança que o comove, o faz chorar, como uma criança e ainda por cima algemado, acredito não ser a condição mais apropriada, mas que é uma forma de segurança para quem está ali “entrevistando-o”.

4.2 Segundo Contato

Como neste dia eu já sabia quem iria entrevistar, estava mais tranquila, porém, ainda aquele pensamento de que o participante não iria contar a verdadeira versão dos fatos ocorridos diante o abuso ainda estava na minha cabeça. Na chegada para a entrevista comecei a me sentir mais nervosa e com um pouco de medo claro, até pensei que não estava preparada para a entrevista e que talvez devesse voltar outro dia, mas como o tempo estava correndo e talvez não tivesse outras oportunidades resolvi fazer a entrevista nesse mesmo dia, apesar de estar sentindo-me despreparada.

 Ao chegar à sala para a entrevista senti que o acusado ficou um pouco tenso por ver o gravador, e nessa hora então achei que o mesmo iria desistir da entrevista. Após explicar novamente ao acusado como seria a pesquisa, e ler com ele o termo de consentimento livre e esclarecido fiquei um pouco mais calma, pois o acusado assinou o termo, aceitando a gravação da entrevista. Diante a pergunta norteadora não senti nervosismo, e durante a entrevista também não, pois o que realmente me preocupava era a questão da gravação da entrevista.

Quando a entrevista encaminhava-se para o final fiquei bem mais tranquila de que poderia fazer um ótimo trabalho com os dados levantados naquele momento. Ao sair da sala onde foi a entrevista parecia que eu estava sentindo uma necessidade de falar para o participante da pesquisa que estaria voltando ali, pois, fiquei com esse pensamento algum tempo depois, parecia que a necessidade de continuar aquela conversa existia em mim, até que comecei a escrever a versão de sentido, que aos poucos, conforme fui colocando e organizando minhas idéias, essa vontade foi se dissipando aos poucos.

Reescrevendo o sentido: nervosismo; ansiedade; desconfiança; preocupação; comoção; desconforto por provocar a emoção no participante; necessidade de dar um retorno; tranquilidade.

5. Apresentação e Discussão dos Resultados

O caso citado é do participante João, 69 anos, que está sendo acusado de abuso sexual de uma criança e de uma adolescente. O participante relata que é inocente e que  seu vizinho o acusou por ter questões pessoais não resolvidas entre eles. O caso então discorre sobre a adolescente ser enteada do acusado e ter sido abusada quando tinha  14 anos de idade. O acusado relata que não foi ele quem abusou da adolescente e sim seu vizinho, que oferecia R$ 50,00 para a menina para que ela não falasse nada sobre o que havia acontecido. Após este fato, o acusado foi morar em outra cidade para “criar” esta menina, sua enteada, e seu filho biológico. Ao voltar para a cidade onde moravam antes de ser acusado, um vizinho do mesmo fez uma denúncia de que João havia abusado de sua filha, uma menina de 3 anos de idade. Com o passar dos dias, o acusado relata que não foi feito exame de perícia na criança e que, por este motivo, ele está preso inocentemente, pois não foi comprovado o abuso.

O abuso sexual dentro da família pode incluir tanto o pai biológico ou os padrastos, quanto qualquer figura masculina em que a criança deposita confiança e para as quais têm algum poder ou autoridade sobre ela. (SANDERSON, 2008). Neste caso a vítima era enteada do acusado de abuso sexual. Em uma de suas falas, o participante relata que o abusador:

“(...) tinha pegado a minha criada Cecília (...) ela tinha 14 pra 15 anos. Minha criada a Cecília. E daí ele disse assim ó, que dava 50 real pra ela né, e daí ela falou pra mim né, que não ia ajudar mais”.

 Compreende-se que alguns indivíduos com pedofilia ameaçam a criança para evitar a revelação dos atos. Outros podem desenvolvem técnicas para ter acesso ás crianças, obtendo a confiança da mãe, por exemplo. Na fala anterior do participante, é possível identificar que seu vizinho, que João considera como sendo o verdadeiro abusador, ofereceu dinheiro em troca do silêncio da menina após o abuso ter sido acometido. Acredita-se então, que os abusadores sentem certo receio de que a vítima fale sobre os fatos do decorrido abuso e que, por este motivo, obter a confiança da mãe é uma técnica usada por eles para que não sejam “descobertos” em relação aos seus atos.

Segundo dados da entrevista realizada com o João, foi possível identificar a essência onde o abuso sexual de crianças e adolescentes acontece mais “facilmente” quando o abusador tem acesso a vítima, sendo pai ou padrasto, por exemplo. Ainda que a criança tenha depositado confiança no abusador, o abuso poderá ter acontecido, pois, neste caso, o abusador dispõe de um ciclo inibido. De acordo com Sanderson (2008), no ciclo inibido, o agressor sexual pode se tornar bloqueado ou inibido, depois de cometer um abuso sexual e, assim, evitar violências sexuais adicionais por certo período de tempo. Nesta fala, o abusador ressalta o período em que o acusado abusa de uma vítima primeiro (adolescente) e posteriormente de outra vítima (criança):

“Meu sentimento foi esse que, o cara esse que me acuso, Pedro, ele tinha pegado a minha criada Cecília, tinha oferecido, na época lá, dinheiro pra ela, pra ela se entregar pra ele. E daí como ela veio e se queixo pra mim que ele viu que eu ia fazer queixa dele, ele pegou uma criancinha com 3 anos e pouquinho e disse, obrigo, deu a ideia pra aquela criança, muito esperta, que era, que era pra aquela criança dizer que eu tinha pegado aquela criança, e tentado estrupa.”

Abusadores sexuais de crianças precisam ter acesso a elas. Eles precisam instilar um laço de segurança e confiança tanto nos pais quanto nos professores e nas próprias crianças, para definir suas vítimas e aliciar o menor que desejam. Se parecerem estranhos ou suspeitos, para eles será mais difícil encontrar uma vítima. O pedófilo se esforça para parecer o mais normal possível e assim amainar quaisquer medos ou suspeitas que adultos e crianças possam ter (SANDERSON, 2008).

“E ele pediu pra essa minha filha, minha criada né, fosse lá tira o leite da vaca pra ele, daí ela ia né, daí ela foi dizer não vou mais ajudar esse vagabundo lá, porque ela contou, que ele tinha oferecido 50 real na época pra ela se entregar pra ele, e ela não ia mais.”

Para Sanderson (2008), o ciclo típico de abuso sexual em crianças envolve uma série de pensamentos, sentimentos e comportamentos interligados, que culminam na violência sexual, e incorpora padrões de comportamentos viciosos e compulsivos que estão focalizados na gratificação em curto prazo. O ciclo funciona da seguinte forma: predisposição para abusar sexualmente de crianças, fantasia e excitação masturbatória, raiva, ansiedade, tédio, depressão estresse, pensamento distorcido, comportamentos de alto risco, seleção do alvo, escolha da vítima pela idade ou aparência, planejamento, aliciamento da vítima, superação da hesitação manifestada pela vítima, início do abuso, manutenção do segredo, remorso ou medo de ser descoberto, pensamento distorcido, reinterpretação da experiência da criança e da responsabilidade, comportamento normalizador, manutenção do comportamento, cuidados para não ser apanhado, e intensificação dos abusos para manter o mesmo nível.

Diante a entrevista, alguns traços deste ciclo foram perceptíveis, pois o participante descreveu sua visão da realidade com algumas distorções, contou muitos detalhes que eram irrelevantes para a entrevista, como por exemplo, envolvendo pessoas que não teriam nenhum tipo de participação na mesma. Como já citado o trecho onde o participante relata, por várias vezes, que não foi ele quem abusou de sua enteada e sim um vizinho, Pedro, que, por ter muita raiva do João por ele ter casado com sua ex- esposa, teria então abusado da enteada Cecília. Mais tarde também esse mesmo vizinho teria o acusado de abuso sexual, de uma criança de 3 anos de idade, onde, relata novamente com muitos detalhes e cita por várias vezes o nome Pedro.

Ao analisar essa fala do abusador foi possível perceber que o mesmo gostaria de tirar o foco de si mesmo, identificando que o foco deveria ser o Pedro, que na versão do participante, é ele o real abusador. Também foi identificado no participante, pensamentos distorcidos, característica do ciclo de abuso sexual, pois há uma distorção da realidade, ou uma visão distorcida da mesma, onde demonstrou grande inquietação (física) em seus relatos na entrevista, e tentou fazer com que a pergunta voltasse para o entrevistador, tirando o foco de si mesmo, como fez quando falou sobre Pedro.

Diante a entrevista, quando João tenta voltar à pergunta para o entrevistador, é possível analisar como se falar sobre o abuso o faria ficar incomodado e despertaria nele sentimentos que o lembrariam dos fatos. É compreensível que João tenha tentado desviar o foco de si como uma forma de se proteger de seus próprios sentimentos, que o lembravam do abuso, e que por este motivo, lembrar disto e sentir novamente todas as emoções suscitadas pelo mesmo, o fazem sentir-se mal, nervoso, inquieto, como se seus sentimentos o incomodassem de tal forma que, falar sobre o abuso sem se defender de seus sentimentos, o fizessem confessar o crime.

Entrevistador: E quantos anos o senhor pegou de reclusão?

“Ihh, meu deus do céu, eu até nem sei, porque eu fico sabe, assim, pensando, fico muito nervoso, pense bem, com tanta mulher no mundo, eu aposentado, será que ia precisar, pense bem, pense bem, será que ia precisar?” (...) Meu, eu, é, porque a pessoa que deve né, deve, deve, ta pagando o que deve né bah, e assim se, se não deve, pense bem , se coloque no meu lugar, é doído ou não é?”.

É possível verificar certo número de distorções cognitivas em que abusadores sexuais de crianças se envolvem, especialmente a justificação – negando o impacto moral e psicológico do abuso sexual de crianças, distorcendo a experiência da vítima, desvalorizando-a ou desumanizando-a (MURPHY, 1990 apud SANDERSON, 2008).

“se eu criei essa menina desde, desde que tava na barriga da mãe dela, até 14 anos, nunca tentei, depois de 14 anos, tava casada com um homem, pra te dizer bem a verdade, já tava junto com um homem, e eu fui na assistente social e falei, ó o negócio é o seguinte ela quer namorar, ela quer sair junto com o cara, e eu não posso dizer nada, não posso obrigar, se ela quiser que vá viver”.

Percebe-se que é como se o acusado de abuso sexual justificasse o porquê nega esse tipo de experiência e o nível do dano causado, culpando a vítima, como uma forma de negar a sua responsabilidade. Para Sanderson (2008), é possível pensar que falta aos pedófilos uma percepção das crenças, dos desejos e das necessidades das outras pessoas e que eles são incapazes de inferir ou interpretar estados mentais alheios. Acredita-se que déficits no processo cognitivo se acumulam em torno de descrever, explicar, interpretar, avaliar, negar e minimizar experiências alheias. No entanto, essas atitudes podem não ser déficits reais, mas, sim, representar distorções habituais e profundamente instaladas, o que permite aos pedófilos abusar sexualmente crianças.

O participante mostrou-se muito nervoso durante a entrevista, quando relatava a sua visão de como os fatos ocorreram e de quais eram seus sentimentos em relação a sua acusação, bem como, por vários momentos durante a entrevista, sua emoção prevaleceu, nos fornecendo indicativos de que o seu nervosismo e ansiedade fossem decorrentes da entrevista mesmo, que falar sobre os seus sentimentos o fariam ficar desta maneira.

 “(...) ele disse que eu peguei aquela menininha dele lá, com ‘3 ano e meio e tentar o estrupa’, mas foi feito exame e não deu nada né. Mas ele pagou ou comprou o juiz, sei lá, como que foi, sei que me botaro aí, e eu to aqui né. E o meu advogado, pegou minha aposentadoria, e usou o quanto quis e agora, me contou que eu não posso ter a aposentadoria aqui dentro né(...) e eu to doentio com falta de ar, nervoso né, porque aaah o cara que não deve não teme né, e daí ele obrigo também, minha filha né, essa criada a dizer que eu também tinha  tentado estrupa ela também, né, ou estrupado sei lá como que deu na cabeça, e eu to aí agora né. Pagando injusto né, como ta Deus no céu, porque Deus não falha” (...)

Acredita-se que esse sentimento de injustiça que prevalece em João, seria mais como uma distorção cognitiva dos fatos que o evidenciam como sendo o verdadeiro abusador sexual, porque para o mesmo, o real abusador sexual foi Pedro, seu vizinho. Com isso, podemos inferir que João gostaria de tirar todas as características de abusador de si mesmo e passá-las para Pedro. Mesmo que tenha sido condenado e que os fatos do caso levam a conclusão de que João é o abusador, para ele mesmo, isso não é verídico e considerar-se injustiçado, em sua visão, é a melhor forma de tentar fazer com que as pessoas acreditem que realmente foi condenado injustamente por um crime que não cometeu.

Conforme Kaplan e Sadock (1990 apud AMAZARRAY; KOLLER 1998), a maioria dos casos de abuso sexual envolvendo crianças nunca é revelada devido aos sentimentos de culpa, vergonha, ignorância e tolerância da vítima. Combinados a isso observa-se a relutância de alguns profissionais em reconhecer e relatar o abuso sexual, a insistência dos tribunais em regras estritas de evidência e o medo por parte das famílias, da dissolução das mesmas, se o fato for descoberto.

Muitos abusadores sexuais de crianças reinterpretam sentimentos negativos para justificar a violência. Esse pensamento distorcido permite ao abusador “tornar normal” o comportamento sexual, o que serve, então, para manter o abuso sexual. Com frequência, os pedófilos se refugiam em fantasias sexuais sobre crianças durante épocas de estresse ou quando se encontram em um estado emocionalmente vulnerável, o que reativa o ciclo de abuso, uma armadilha na qual acabam caindo (SANDERSON, p.64, 2008).

6. Considerações Finais

Preconceitos sobre o tema abordado na pesquisa existem, e não são poucos. Abusadores e vítimas possuem diferentes abordagens diante o senso comum, porém, poucos estudos foram encontrados direcionados para o abusador e, quando existem, são buscando aprofundar o tema da motivação, mas, exíguo de um olhar diferenciado no quesito sentimentos dos acusados como abusadores. Acredita-se que o sofrimento pelo qual o abusador é acometido, acaba sendo tão intenso quanto o sofrimento proporcionado às suas vítimas, entretanto, são sofrimentos diferenciados, com focos diferentes. A partir do estudo de caso realizado foi possível perceber que o abusador foi acometido de uma série de emoções juntamente com o desejo de abuso de sua enteada. Distorções cognitivas no participante também foram identificadas, muitas vezes servindo de fatores primários para desencadear um possível abuso sexual.

 Desde o início o participante afirmou não ser o abusador e que também estava sendo condenado injustamente e, como o objetivo central da pesquisa foram os sentimentos de João em relação ao crime, antes e depois de ser condenado, buscando-se obter uma visão única em relação a este abusador, seus sentimentos/visões diante o crime, e sua versão dos fatos apresentados, não se aprofundou nesta questão do que teria motivado o ato.

Foi possível identificar como o desejo manifestado por João de ser inocente era grande, bem como seu desejo de vingança para com quem o acusou. Por vários momentos na entrevista, e também na análise dos dados, se questionou a veracidade das informações que João trouxe, nos fazendo refletir sobre se sua versão do caso tratava-se apenas de um desejo de sentir-se inocente ou de uma vontade de convencer os outros, e a si mesmo, sobre tudo o que estava acontecendo ser algo injusto por parte do sistema judiciário brasileiro. É possível identificar, em casos como este, que o acusado de um crime com tamanhas proporções sociais geralmente nega a relação que tem sobre a autoria dos fatos, assim, no caso aqui citado, não seria diferente, até mesmo porque se considera o pouco contato que se teve com João para que uma investigação mais aprofundada fosse apresentada.

Compreender as percepções de João frente aos fatos foi difícil, considerando-se que, para ele, sua inocência é inquestionável, que não teria motivos para fazer isso com uma adolescente que ele considerava como sua filha biológica e uma criança inocente, como ele mesmo relatou. É possível perceber claramente os sentimentos de João frente ao seu caso, sendo o mais profundo sentimento de injustiça, mesmo que todas as versões do caso levam a ele como sendo o verdadeiro abusador. Aqui então podemos verificar o quanto suas percepções e visões sobre os fatos citados podem estar distorcidas e o quanto poderia ser engrandecedor para João receber um auxílio psicológico para poder ser inserido na sociedade novamente, visando à psicoterapia como uma forma de fazer com que o participante sinta-se acolhido o suficiente, assim sentindo-se livre para abordar sobre o caso sempre que se permitir e considerar necessário. 

No âmbito da Psicologia, e em diversas outras profissões da área da saúde mental, percebemos que estudos, quando existem, são voltados para a investigação das reais motivações do abusador. Acredita-se então que deveriam existir mais pesquisas sobre abusadores sexuais e seus sentimentos. Pode-se afirmar que o participante deste estudo deveria ter acompanhamento psicológico para que assim seus sentimentos, motivações e subjetividades pudessem ser acompanhadas, com o intuito de intervir de forma que o sujeito possa ser beneficiado e auxiliado, bem como as pessoas que estão ao seu redor.

Sobre os Autores:

Mariana Pereira - Acadêmica do oitavo período do Curso de Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unidade de Pinhalzinho.

Amanda Angonese - Orientadora. Psicóloga. Professora do curso de graduação em Psicologia da UNOESC. Especialista em Psicologia Hospitalar pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre/UFRGS, Pós-graduanda em Saúde Mental Coletiva pela Universidade do Oeste de Santa Catarina.

Referências:

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