Ansiedade em Pacientes Cardiopatas

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Resumo: Ansiedade é uma das emoções frequentes em pacientes cardiopatas, cuja função é alertar o paciente de algum perigo que é percebido como uma ameaça desconhecida. A relação entre ansiedade e coração é percebida como aversivos e perigosos, visto que a ansiedade elevada é prejudicial ao paciente, por isso a importância dessa pesquisa, visto que a cardiopatia acomete todas as doenças do coração e em todas as idades. No interior do Estado de Rondônia, não tem sido evidenciado nenhum tipo de pesquisa voltada para pacientes portadores de cardiopatia frente à ansiedade, por isso o interesse desse trabalho em nossa região. O objetivo dessa pesquisa foi medir o nível de ansiedade dos pacientes cardiopatas, verificar a correlação entre o gênero e a faixa etária nesses pacientes. A abordagem da pesquisa é quantitativa e qualitativa, de forma exploratória e descritiva e quanto ao objeto foi uma pesquisa de campo desenvolvida por amostragem não probabilística por conveniência. O instrumento utilizado para obtenção dos dados foi o Inventário de Ansiedade BAI e a quantidade da amostra foi de 21 pacientes cardiopatas. Os resultados indicaram que 5% apresentaram o nível mínimo, 19% nível leve, 48% nível moderado e 28% nível grave, verificando que a maioria dos participantes apresentou sintomas de ansiedade. Por fim, nota-se a carência de pesquisa científica nessa área de cardiopatia, por esse motivo é de suma importância que os estudiosos continuem realizando pesquisas para que possa ter melhor compreensão acerca da ansiedade nesses pacientes.

Palavras-chave: Ansiedade, Cardiopatia, Pacientes.

1. Introdução

As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no Brasil, a cardiopatia é uma das doenças mais frequentes no mundo, pois o coração além de ter a função orgânica é responsável pela circulação sanguínea do corpo e ainda é o órgão que responde às emoções do indivíduo (RIBEIRO, et al. 2005).

De acordo com Batista e Oliveira (2005), a ansiedade é uma resposta emocional, um alerta geral de perigo, um tipo de defesa do organismo, sendo que, algumas manifestações podem ser passageiras e outras podem permanecer e reagir de forma intensa e chegar a níveis extremamente elevados que podem representar uma ameaça à integridade física e ao bem-estar do paciente portador de cardiopatia.

A problematização faz o seguinte questionamento: Qual o nível de ansiedade que os pacientes portadores de cardiopatia apresentam?

Dessa forma, o presente trabalho traz como hipóteses que: os pacientes cardiopatas apresentam um elevado nível de ansiedade, os pacientes do sexo feminino são mais afetados do que os pacientes do sexo masculino e pacientes cardiopatas entre 18 e 40 anos apresentam um nível menor de ansiedade do que os pacientes com mais de 40 anos.

Assim, o objetivo geral do mesmo foi verificar o nível de ansiedade dos pacientes cardiopatas. Como justificativa, a relevância pessoal surgiu a partir de um contato próximo com caso de cardiopatia, seguido de quadro ansioso, no contexto social foi possível constatar que é uma das doenças com maior índice de morte no Brasil. Ainda são poucas as pesquisas relacionadas à ansiedade em pacientes com cardiopatia, apesar da importância devida à Ciência e à capacitação profissional, visto que no interior do Estado de Rondônia não tem sido evidenciado pesquisa voltada a pacientes portadores de cardiopatia frente à ansiedade.

Esta pesquisa é importante para nossa região, visto que, não há registro de nenhum tipo de pesquisa voltada para ansiedade em pacientes cardiopatas, evidenciando a necessidade de verificar o nível de ansiedade nos pacientes portadores de cardiopatia. A pesquisa foi realizada em uma Unidade Básica de Saúde no interior de Rondônia.

Finalizando será apresentado o método da pesquisa e a descrição dos procedimentos. Para tanto, foi aplicado o Inventário de Ansiedade Beck (BAI) para verificar os níveis de ansiedade desses pacientes.

2. Ansiedade

Ansiedade é uma emoção que todo ser humano apresenta em determinada vivência, em algum momento de sua vida, uma reação normal do organismo, porém, sujeito ocasionar alguns sintomas físicos e psicológicos. Portanto, não deve ser considerada necessariamente como uma doença (ISMAEL, 2010).

De acordo com Dalgalarrondo (2008), quando a ansiedade é de base orgânica a pessoa fica frequentemente irritada e seu humor muda constantemente.

Para Batista e Oliveira (2005), a ansiedade é uma resposta emocional que acompanha um alerta geral de perigo, a função da ansiedade é alertar a pessoa de um perigo que pode estar próximo a acontecer, que se traduz a uma inquietação que pode resultar em manifestações de ordem fisiológica e de ordem cognitiva. Algumas manifestações podem ser passageiras ou podem constituir uma maneira estável e permanente de reagir e sua intensidade pode variar de níveis imperceptíveis até níveis extremamente elevados.

A pesquisa de Knapp (2004) demonstra que ansiedade e preocupação podem sempre estar interligadas a três ou mais sintomas, como por exemplo, inquietação, fatigabilidade, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, perturbação no sono e outros.

De acordo com Kaplan (1997 apud PADILHA, 2006) os sintomas psicológicos e cognitivos da ansiedade, referem-se à consciência de sensações fisiológicas (como palpitação e sudorese) e a consciência de estar nervoso ou amedrontado. A ansiedade produz confusão e distorções perceptivas nessas pessoas, não apenas em termos de tempo e espaço, mas de pessoas e significados dos eventos.

De acordo com Grazziano e Bianchi (2004), o nível de ansiedade pode variar conforme o que o paciente esta vivenciando no momento, e esta ansiedade pode estar relacionada com o medo, ameaça à integridade física e ao bem-estar, ao resultado do diagnóstico, entre outros.

Já nos estudos de Peixoto (2009) ansiedade está definida como um estado de humor que proporciona desconforto, uma sensação negativa quanto a acontecimentos futuros, uma inquietação psíquica totalmente desagradável. Apesar destas manifestações psíquicas, a ansiedade pode apresentar sintomas físicos, como aceleração dos batimentos cardíacos, sensação de desconforto físico ou dor no peito, sensação de falta de ar, tonturas, tremores, suor excessivo, formigamentos, ondas de frio e de calor, tensão muscular, dores nas costas, tensão, palpitações, dormência, roer unhas (onicofagia) e movimento repetitivo dos membros. Os sintomas físicos podem ter início em uma parte do corpo e passar para todo corpo, podendo durar pouco tempo quando a ansiedade estiver no início.

2.1 Cardiopatia

De acordo com Ruschel (1994), a cardiopatia é enfrentada com uma ansiedade de morte, já que o coração representa o motor da vida. A ansiedade pode resultar em defesas intensas para manter o equilíbrio homeostático, pois o indivíduo vivencia a ameaça da perda de sua integridade e do conceito que faz de si próprio, colocando em risco seu bem-estar físico e emocional.

Segundo Lima, Pereira e Chianca (2006), as cardiopatias são patologias crônico-degenerativas, de alta incidência no Brasil e no mundo, que pode acontecer em qualquer idade do recém-nascido ao idoso.

De acordo com Oliveira (2010) os problemas emocionais nas cardiopatias congênitas remontam à fase da gestação e envolve a conduta dos pais e dos familiares. Quando a criança nasce com a cardiopatia congênita, a frustração dos pais é intensa porque esperava uma criança perfeita. Para lidar com a referida dificuldade e compreender essa malformação faz-se necessário o conhecimento relacionado ao problema, pois o coração é considerado o centro da vida ou da morte.

De acordo com Rocha e Zagonel (2009), em crianças a cardiopatia congênita apresenta uma malformação na estrutura do coração ou dos grandes vasos, percebida na hora do nascimento podendo representar um defeito cardíaco individual ou até mesmo uma combinação de defeitos.

Quando a cardiopatia esta relacionada aos pacientes adultos, as preocupações estão relacionadas com a dor e medo da morte, embora esses pacientes saibam que um dia irão morrer enfrentar uma situação real de morte não é fácil, o paciente passa por momentos de insegurança, angústia e ansiedade (OLIVEIRA, 2012).

De acordo com Dutra (2006), a cardiopatia grave engloba tanto as doenças cardíacas crônicas, como agudas:

As cardiopatias agudas são de evolução rápida e se tornam crônicas, caracterizadas por perda de capacidade física e funcional do coração. As cardiopatias crônicas ou agudas apresentam dependência total de suporte inotrópico farmacológico (como dobutamina, dopamina) ou mecânico (balão intra-aórtico).

Para Shoen (2005), existem cinco principais formas de doenças cardíacas responsáveis pela mortalidade do coração:

a) cardiopatias congênitas: são situações crônicas que são resultados de anormalidade no coração ou dos grandes vasos, desde o período do desenvolvimento na gestação podendo se manifestar logo após o nascimento ou somente na fase adulta;

b) cardiopatia isquêmica: ocorre quando não há uma boa distribuição do fluxo sanguíneo no músculo cardíaco por causa de uma obstrução da circulação coronária;

c) cardiopatia hipertensiva: “sistêmica” é quando ocorre um comprometimento do coração devido à hipertensão arterial que danifica o ventrículo esquerdo e “pulmonar” que é provocada por distúrbios do pulmão e está ligada diretamente à dilatação do ventrículo direito;

d) doenças cardíacas das válvulas: ocorre quando a válvula fica comprometida, podendo não se abrir totalmente impedindo o fluxo para frente “estenose” ou não se fechando totalmente permitindo o fluxo invertido “regurgitação”;

e) doença miocárdica não isquêmica: são patologias decorrentes de uma anormalidade primária do miocárdio, geralmente de causas desconhecidas.

2.2 Ansiedades Em Pacientes Cardiopatas

Segundo Ismael (2010) o coração é considerado fonte de vida do ser humano, e quando fica doente é como se este paciente estivesse vivenciando a morte, gerando a ansiedade e angústia. Assim percebe-se que ocorre uma interferência real no emocional pela carga que lhe é atribuída, gerando muitas vezes limitações físicas emocionais e não só a limitação orgânica.

Lima, Pereira e Chianca (2006) relacionam ansiedade à ameaça de mudança no estado de saúde evidenciada por sensação de angústia, preocupação e expectativa quanto ao resultado do cateterismo cardíaco. A expectativa pelos resultados geralmente causa aumento no nível de ansiedade, que pode estar relacionada ao medo, preocupação e aos riscos da cirurgia cardíaca.

Conceição et al. (2004) relaciona ansiedade ao receio do desconhecido, ao lugar que não é familiar e talvez hostil, ao medo da morte. Pacientes ansiosos recusam certas técnicas anestésicas com mais facilidade, reclamam mais de dor e apresentam reações desfavoráveis.

De acordo com Ferrari, Souza e Garzon (2005), quando o nível de ansiedade é alto, produz sofrimento e prejuízos sócios ocupacionais para esses pacientes. Podendo considerar que o estado de ansiedade pode estar associado a um procedimento médico que gera tensão no paciente e que é percebido por uma ameaça desconhecida virtualmente nociva e ao mesmo tempo perigosa.

Segundo Soares (2005), saber que possui uma doença cardíaca gera medo, ansiedade e angústia no paciente. O paciente cardiopata coloca em confronto a dor e o medo de morrer, passando a desconfiar de si mesmo sobre sua saúde se está em perfeitas condições passando a ter necessidade garantida de saber que não vai morrer e que vai ficar bem. O cardiopata se sente inseguro pela gravidade do problema e culpado por não ter se cuidado melhor, a partir das recomendações médicas, o paciente tem que passar por varias mudanças no seu estilo de vida como: melhorar sua alimentação, as atividades físicas, medicações e bem como o controle dos fatores de riscos.

3. Metodologia

3.1 Sujeitos

A presente pesquisa foi realizada com vinte e um (21) pacientes que frequentam o cardiologista em uma Unidade Básica de Saúde no interior de Rondônia. A população total é composta por 210 pacientes portadores de cardiopatia, portanto foram utilizados 10% da amostra desses pacientes. Dos participantes pesquisados, dezessete foram do sexo feminino e quatro masculinos, com idade entre vinte e um a oitenta e seis anos. Alguns não se disponibilizaram a participar, a resistência masculina foi maior. A seleção se deu por meio da amostragem não probabilística, utilizando-se como critérios de inclusão os pacientes com cardiopatia que frequentam a Unidade Básica de Saúde Pública, ter idade superior ou igual à 18 anos.

3.2 Instrumentos

Para a coleta de dados foi utilizado como ferramenta, o Inventário de Ansiedade (BAI). Trata-se de um instrumento de auto aplicação composto por vinte um itens, que são afirmações descritivas de sintomas de ansiedade, as quais devem ser avaliadas pelo sujeito, com referência a si mesmo, numa escala de quatro pontos, que refletem níveis de gravidade crescente de cada sintoma: 1) “Absolutamente não”; 2) “Levemente: Não me incomodou muito”; 3) “Moderadamente: Foi muito desagradável, mas pude suportar”; 4) “Gravemente: Dificuldade pude suportar”.

Conforme o Manual de Interpretação do BAI (CUNHA, 2001), a intensidade das respostas constitui em uma série escalar de 0 a 3 pontos, no qual 0 é para ausência de sintomas e 3 pontos para presença total do sintoma, sendo que a soma dos escores total dos itens individuais fornece um escore total que permite a classificação em níveis de intensidade da ansiedade. A classificação recomendada é nível mínimo para escores de 0 a 10; leve para escores de 11 a 19; moderado de 20 a 30; e grave para escores de 31 a 63.

3.3 Métodos

A abordagem utilizada na pesquisa é quantitativa e qualitativa. Por meio de pesquisa exploratória, de cunho descritivo.

Quanto ao objeto foi uma pesquisa de campo e para melhor compreensão dos dados, foi utilizado o método dedutivo, isso para proporcionar uma análise dos aspectos comportamentais dos pacientes pesquisados.

3.4 Procedimentos

No início da pesquisa, para fundamentação teórica foi realizada uma pesquisa bibliográfica, tendo como foco o nível de ansiedade nos pacientes cardiopatas.

Após o contato com a diretora da Unidade Básica de Saúde, e concedida à permissão para realização da pesquisa, começou a coleta de dados com os pacientes, feitas em dias e horários alternados. A escolha dos pacientes foi aleatória e enfatizou-se que a participação não era obrigatória, não havendo nenhum risco, porém poderiam ocorrer alguns desconfortos, tais como, dispor de alguns minutos de seu tempo e de estar propenso a receber informações que poderiam ser agradáveis ou desagradáveis sobre sua ansiedade. No final, os participantes foram informados que poderiam ter acesso aos seus devidos resultados, em dia e local determinado pela pesquisadora.

O teste foi aplicado de forma coletiva, houve a leitura do Termo de Consentimento Pós-Informado. Os pacientes os assinaram e posteriormente preencheram o BAI, seguindo as orientações conforme o enunciado contido no Inventário. Os pacientes foram acompanhados pela pesquisadora no momento de suas respostas, pois caso houvesse alguma dúvida a pesquisadora estaria à disposição para orientá-los, a fim de que as dúvidas não interferissem no resultado da pesquisa.

A pesquisa foi aplicada em um ambiente adequado, devidamente iluminado e arejado, para proporcionar ao paciente o sigilo de suas respostas, conforme assegurado no Termo de Consentimento Pós-Informado.

4. Resultados e Discussões

De acordo com os 21 pacientes pesquisados, foram atingidos todos os níveis de ansiedade contidos no Manual de Interpretação do BAI, diferenciando apenas na porcentagem, 5% pacientes apresentaram o nível mínimo, 19% nível leve, 48% nível moderado e 28% nível grave apresentaram intensidade dos sintomas, verificando que a maior parte dos pacientes cardiopatas tem um moderado nível de ansiedade, sendo esse o resultado.

Gráfico 1 – Nível de ansiedade entre o total de entrevistados, Interior de Rondônia, 2012.

Gráfico 1 – Nível de ansiedade entre o total de entrevistados, Interior de Rondônia, 2012

Fonte: A autora (2012).

Com essa pesquisa pôde-se perceber que todos os participantes apresentaram sintomas ansiosos, mesmo aqueles que apresentaram nível mínimo. Com estes dados percebe-se que a ansiedade faz parte das reações comportamentais do indivíduo.

De acordo com os dados obtidos, dos 21 participantes da pesquisa, 48% dos pacientes apresentaram nível moderado de ansiedade.

Pôde-se perceber no momento da entrevista que as mulheres são mais interessadas em relação a sua saúde, questionando em relação ao assunto abordado e demonstrando interesse em participar. Houve apenas uma recusa, devido à incompatibilidade no atendimento médico. Já os homens falavam que não sentem nada, alguns se negaram a participar. Após a correção do Inventário de Beck, pôde ser verificado que 50% dos homens que participaram da pesquisa tiveram como resultado ansiedade grave, contrário do que eles acreditavam.

De acordo com os estudos de Grazziano e Bianchi (2004), o nível de ansiedade pode variar conforme o que o paciente está vivenciando no momento, e esta ansiedade pode estar relacionada com o medo, ameaça à integridade física e ao bem-estar, ao resultado do diagnóstico, entre outros.

Segundo Soares (2005), só do paciente saber que possui uma doença cardíaca gera medo, ansiedade e angústia. O paciente que não é bem informado sobre a cardiopatia acredita que pode morrer a qualquer momento e por isso fica cada vez mais ansioso. Com essa pesquisa os pacientes podem perceber que para manter o controle da ansiedade é importante saber mais sobre o tipo da sua cardiopatia e seus problemas e que com o tratamento correto acompanhado pelo cardiologista ele vive por muitos anos.

No gráfico 2 os participantes foram diferenciados por gênero masculino e feminino, sendo que 19% dos participantes foram homens e 81% foram mulheres.

Os resultados de ansiedade foram os seguintes: nos homens 5% apresentaram nível mínimo, não houve nível leve, 5% nível moderado e 9% nível grave. Enquanto nas mulheres não houve nível mínimo, 19% obtiveram nível leve, 43% nível moderado e 19% nível grave de ansiedade.

Gráfico 2 – Nível de ansiedade por gênero, Interior de Rondônia, 2012.

Gráfico 2 – Nível de ansiedade por gênero, Interior de Rondônia, 2012.

Fonte: A autora (2012).

Todos os pacientes apresentaram sintomas de ansiedade, variando entre a ansiedade mínima até a grave. Essa ansiedade pode estar relacionada, ao fato de que às vezes os mesmos vêm de outra cidade e quando chegam não tem mais fichas para atendimento ou não tem médico na unidade naquele dia, outro fator que pode ser desencadeante de ansiedade nos pacientes pode ser por terem que aguardar atendimento, por imaginar o que o médico vai falar, algumas dúvidas sobre os resultados dos exames, se vai ser necessário fazer cirurgia, se pode ter complicações, se vão sentir dor, como também o medo de morrer.

As mulheres, em relação aos homens tendem naturalmente a se preocupar mais com as situações cotidianas tais como: afazeres domésticos, preocupação com os filhos e com o marido, o que as levam a ter um nível maior de ansiedade.

Por isso em relação ao gênero, as mulheres são realmente mais ansiosas, o que confirma os estudos de Garbossa et al. (2009), elas se preocupam mais com o medo da morte, a preocupação com os filhos, se algo acontecer com elas se o marido vai conseguir cuidar dos filhos sozinho.

No Gráfico 3, de acordo com a idade não houve na pesquisa homens com idade inferior a 40 anos, sendo que os homens com mais de 40 anos obtiveram como resultado 5% nível mínimo de ansiedade, não houve nível leve, 5% com nível moderado e 9% desses pacientes obtiveram ansiedade grave.

Entre as mulheres com idade de 18 a 40 anos obteve-se como resultado 5% nível leve de ansiedade, 10% nível moderado de ansiedade e nas mulheres com mais de 40 anos 14% apresentaram nível leve de ansiedade, 33% nível moderado e 19% nível grave.

Gráfico 3 – Idade de 18 a 40 anos e maiores de 40 anos, Interior de Rondônia, 2012.

Gráfico 3 – Idade de 18 a 40 anos e maiores de 40 anos, Interior de Rondônia, 2012.

Fonte: A autora (2012).

Em nossa região pôde-se perceber que em relação à idade não houve na pesquisa nenhum participante com cardiopatia congênita (adquirida na gestação), todos os participantes estão relacionados a cardiopatias isquêmicas, não isquêmica, hipertensivas e das válvulas.

Os homens com mais de 40 anos, 9% apresentaram ansiedade grave e relataram ter procurado o médico porque começou a sentir alguns sintomas, como: falta de ar, aceleração nos batimentos cardíacos, tonturas, tensão muscular, cansaço constante, entre outros. Geralmente os homens se preocupam mais com o trabalho e o sustento da família, quando procuram o médico, a doença já está no estágio avançado.

Em relação à idade foi observado que as mulheres com menos de 40 anos buscam mais informações, procuram saber mais sobre a cardiopatia, fazem o acompanhamento com o cardiologista, tomam os medicamentos necessários, bem como fazem acompanhamento psicológico para auxiliar na diminuição da ansiedade. Já as mulheres com mais de 40 anos tem mais dificuldade de buscar informações, demoram para procurar o acompanhamento, as vezes fazem acompanhamento com cardiologista, mas não fazem o tratamento adequado e o acompanhamento correto por morarem no sítio ou até mesmo em outra cidade. E quando procuram o médico é porque já estão com sintomas acentuados, tornando, dessa forma, o tratamento demorado e mais complexo.

Segundo Conceição et al. (2004), pacientes do sexo feminino têm maiores probabilidades de apresentar ansiedade do que os pacientes do sexo masculino.

De acordo com Baptista e Alves (2009), os pacientes com mais idade, “idosos” são mais ansiosos e essa ansiedade geralmente é desencadeada por preocupação financeira, sofrimentos, aborrecimentos, problemas de saúde e perdas, sendo assim essa ansiedade permanece por mais tempo e eles sofrem mais por aspectos psicofisiológicos.

5. Considerações Finais

A ansiedade é uma emoção que todo indivíduo vivencia em algum momento da vida. Tem a função de alertar a pessoa à algum tipo de perigo que pode estar próximo a acontecer, perigo este real ou imaginário, mas se for muito intensa, a ansiedade pode causar sofrimento e prejuízo na qualidade de vida das pessoas, podendo também vir acompanhada de manifestações fisiológicas e cognitivas.

O objetivo desse estudo foi verificar o nível de ansiedade em pacientes cardiopatas. A partir dos resultados obtidos através da aplicação do BAI pode-se observar que houve um nível moderado de ansiedade nos pacientes pesquisados.

As variáveis analisadas foram nível de ansiedade, gênero e idade. Os resultados da pesquisa apontaram um nível significativamente mais elevado de ansiedade nas mulheres em relação aos homens. Em se tratando à idade, os pacientes com mais de 40 anos apresentaram um maior nível de ansiedade em relação aos pacientes com idade inferior a 40 anos.

Dessa forma, a partir da revisão de estudos teóricos sobre ansiedade em pacientes cardiopatas verificou-se que as mulheres se preocupam mais com relação a sua saúde, enquanto os homens tendem a se preocupar mais com a busca financeira preocupando-se com a família, que muitas vezes são dependentes, procurando o médico quando os sintomas já estão acentuados.

No que se refere à prevenção da ansiedade é importante que o paciente saiba sobre o tipo da sua cardiopatia, pratique atividades físicas, mantenha o controle da pressão arterial, faça o acompanhamento com o cardiologista e os pacientes que estão acima do peso, precisam também fazer acompanhamento com um nutricionista a fim de melhorar a saúde e evitar a morte súbita.

Para os pacientes que fazem acompanhamento como o cardiologista, recomenda-se que façam também um tratamento psicológico com o intuito de diminuir a ansiedade, para que possam vivenciar essa fase tão difícil de suas vidas de uma maneira mais saudável e com uma melhor qualidade de vida.

Sendo assim, com base no resultado dessa pesquisa percebe-se a relevância de novas pesquisas nessa área, tanto pela carência de informação, bem como para servir de benefício para tais pacientes.

Sobre o Autor:

Luciana Pires Dibenedetto - Acadêmica do décimo período do curso de Psicologia. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. .

Sobre o Artigo:

Trabalho apresentado à Faculdade de Rolim de Moura – FAROL, como requisito final de avaliação para conclusão do curso de Graduação em Psicologia, 2012, sob orientação da Professora Esp. Simone Lia Pires.

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