Apoio Psicológico a uma estudante universitária

Apoio Psicológico a uma estudante universitária
(Tempo de leitura: 9 - 17 minutos)

Este artigo tem por objetivo apresentar um caso clínico, fruto de atendimentos realizados junto ao Pronto Socorro Psicopedagógico de uma universidade particular do Estado de São Paulo – Brasil. Para delinear e atender aos assuntos mais emergentes dos alunos que buscavam ajuda junto a esse setor foi utilizada a EDAO – Escala Diagnóstica Adaptativa Operacionalizada (SIMON, 1989), em especial seus setores adaptativos: afetivo-relacional (AR), produtivo (PR), orgânico (OR) e sócio-cultural (SC),

cujas características se apresentam da seguinte forma:

A EDAO é uma escala diagnóstica baseada na teoria evolutiva da adaptação, desenvolvida por Simon (1977), a partir do trabalho preventivo em Saúde Mental que ele coordenava na antiga EPM-Escola Paulista de Medicina, hoje, UNIFESP-Universidade Federal de São Paulo.

Segundo o autor, todos os indivíduos se encontram adaptados, uns mais, outros menos, ou seja, para estar adaptado, basta estar vivo. Ainda, quando um determinado setor se encontra pouco adaptado poderá causar prejuízo a outro, como, por exemplo: um aluno que no início do curso encontra muita dificuldade na apreensão dos conteúdos apresentados (PR), poderá ficar emocionalmente instável prejudicando seus relacionamentos interpessoais (AR), situação que também poderá causar desarranjos no setor orgânico (OR), como por exemplo, irritabilidade e insônia.

Desta forma, é importante que todos os quatro setores sejam olhados de forma cuidadosa para que se evitem desgastes desnecessários, sejam eles de ordem afetiva, produtiva, orgânica ou mesmo sócio-cultural. Este olhar cuidadoso deve ser prioridade dos serviços de apoio universitários e uma alusão à Calejon (1996) merece ser feita, lembrando a análise que realizou sobre o pedido de ajuda de universitários a um Serviço de Orientação Psicopedagógica, onde relata que a universidade representa para o aluno uma crise psicossocial, na medida em que exige o desenvolvimento de novos recursos para atender as exigências acadêmicas. (pp. 173 e 174). Ainda, com referência a essas adaptações inerentes ao ingresso na universidade, é importante lembrar que o estudante, ao adentrar a universidade, depara-se com o novo e, conforme Franco (2001), nesse momento da vida [...], aquele sujeito que [...] andava na mesma ‘turma de rua’, vê-se desligado de algumas dessas pessoas de seu relacionamento, o seu grupo se dispersa e [...] não mais se recompõe” (p.8). Desta forma, cuidar do aluno universitário é tarefa de todos os profissionais inseridos nesse ambiente e também da família embora, muitas vezes, se perceba a existência de lacunas nas mais diversas situações, o que pode impedir que o aluno se desenvolva de maneira eficaz.

Tendo em vista estas situações e, possivelmente, outras que possam desencadear crises em estudantes universitários, torna-se importante ajudá-los, em especial, por meio dos serviços de apoio; demonstram-se, então, neste artigo algumas situações emblemáticas de atendimento a uma aluna universitária. Ressalta-se que este caso, embora verídico, apresenta-se distorcido visando preservar a identidade da aluna e, desta forma, contribuir para o desenvolvimento da comunidade científica e das pessoas em geral que tenham interesse no estudo de estudantes universitários.

O Pronto Socorro Psicopedagógico que, para otimizar a leitura deste artigo, será identificado como PSP, funcionava nos três períodos (manhã, tarde e noite) e destinava-se ao atendimento de alunos universitários que buscavam ajuda visando transcorrer as etapas de graduação de forma tranquila e eficaz. Os estudantes podiam solicitar atendimento por si mesmos ou serem encaminhados por professores ou coordenadores dos diversos cursos oferecidos pela universidade, como aconteceu com a aluna da área de Saúde, objeto deste estudo.

Madalena tinha 20 anos, era solteira e morava sozinha em uma cidade do litoral paulista. Seus pais e irmãos moravam em uma cidade pequena e distante, no interior do estado de São Paulo. Ela tinha ido para essa cidade litorânea para fazer a graduação, mas não estava muito certa do motivo que a levara a optar pelo local de estudo, nem pelo curso que escolhera. Não possuía parentes na cidade, e suas condições financeiras não eram suficientes para mantê-la, alimentar-se bem ou mesmo divertir-se nos finais de semana.

A coordenação do curso em que estava matriculada chamou-me para atendê-la, pois ela havia desmaiado na universidade e fora levada ao hospital. Soubemos, em seguida, que havia melhorado mesmo antes de ser medicada, e como não havia diagnóstico sobre o seu estado, deixaram-na em observação por algumas horas, tendo sido o desmaio atribuído a algum problema emocional. Expliquei ao coordenador do curso, ainda por telefone, que o fato de Madalena ter desmaiado poderia ser motivo para ser atendida junto ao PSP, mas não necessariamente naquela hora; o importante era que ela descansasse e fizesse o agendamento assim que retornasse à universidade.

No dia seguinte, segundo relato de alguns professores, Madalena estava muito bem na sala aula, fazendo questão, inclusive, de contar tudo o que lhe ocorrera no dia anterior, repetindo, por diversas vezes e, de forma detalhada, a todos os professores e colegas, o evento da internação. Parecia, desta forma, mobilizar sentimentos de pena daqueles que a rodeavam; passados alguns dias, procurou, finalmente, o PSP.

Sorridente, entrou na sala de atendimento e, assim que começou a falar sobre o incidente do desmaio, suas feições foram se transformando por completo, denotando muita dor, tristeza e, possivelmente, outros sentimentos que me eram indescritíveis. Murmurava:

Eu não sei o que está acontecendo comigo, tenho me sentido tão mal... A acho que é tristeza, sei lá... Você está sendo tão boazinha comigo, as pessoas não são boazinhas comigo...

Seu discurso era confuso, às vezes, desconexo, porém, em geral, bastante sedutor. A expressão de seu rosto mudava a todo o momento; conforme ia contando a sua história, iniciava uma frase sorrindo e, de repente, parava, franzia as sobrancelhas, como se fosse chorar. Dava a sensação de estar representando uma peça de teatro, um monólogo, em que, raramente, se comunicava comigo, o seu público. Em alguns momentos, dizia sentir-se muito só:

Precisava conversar com alguém, me sinto sozinha; às vezes, eu fico doente, tenho falta de ar.

Em outros momentos, relatava ser uma pessoa muito importante, com muitos amigos os quais costumavam convidá-la para passeios e festas, mas, em geral, ela não podia estar presente, o que nem sempre era justificado de forma coerente; costumava dizer que andava atarefada por este ou aquele motivo. Esse comportamento também costumava servir de comentário para outros alunos. Era comum dizerem que Madalena era muito complicada e ninguém conseguia compreendê-la, pois, denotava precisar de ajuda, mas se comportava de forma estranha, por um lado, sedutora, por outro, arredia e infantil. Também costumava ser vista junto a telefones públicos da universidade, falando e dando muitas risadas, o que poderia ser apenas mais um comportamento teatral, uma simulação, não uma conversa telefônica real. De alguma forma, esses comportamentos pareciam ter por objetivo chamar a atenção sobre si ou mesmo demonstrar que era uma pessoa importante, com muitos amigos:

Hoje eu estou com um pouco de tosse, gosto de ficar rouca, é legal, a voz fica diferente. Minha mãe está longe, ela não pode saber de algumas coisas. Quando estou rouca eu posso gritar e ninguém ouve, assim não podem pensar que eu estou louca...

Desta forma, parecia identificar-se, projetivamente (HINSHELWOOD, 1992) com alguns colegas e se colocava de forma confusa ao falar de situações rotineiras que a incomodavam, possivelmente porque refletiam o seu próprio modo de pensar e agir (pp. 354 - 356):

Eles ficam com raiva de mim à toa, são muito infantis; aí, não dá pra aguentar. Me aperta aqui, ó... (referia-se à garganta).

Ao se manifestar dessa forma, levava a mão à garganta, como se não pudesse engolir o comportamento infantil dos colegas o que, na realidade, era uma postura adotada por ela mesma, quando se sentia ameaçada por alguma dessas situações que lhe eram incômodas.

No segundo encontro, ao falarmos sobre a sua opção pelo curso que escolhera, demonstrou não ter muita certeza de estar fazendo aquilo que realmente queria.

Fiz a escolha certa, mas estou muito decepcionada com a universidade e com os colegas, mas não sei por qual razão. O curso é difícil; às vezes, nem entendo nada que estão falando. Acho que é assim mesmo, né?

Até o momento de nossos encontros, Madalena não havia cogitado a idéia de voltar para a sua cidade natal, alegando ser um local pequeno, um fim de mundo, embora houvesse outras universidades mais próximas de seu local de origem. Comunicava-se sempre com a mãe, por telefone, mas raramente as duas se encontravam, a não ser quando Madalena voltava para a sua cidade, o que era raro, por se tratar de uma viagem cara. De acordo com seu relato, ninguém da família tinha vindo visitá-la, mesmo no início do curso, no momento da matrícula, ou mesmo para procurar local de moradia.

Minha mãe fala comigo por telefone, quando dá ... Eles nunca vieram aqui, nem sabem onde moro... Eu acho que ela quer que eu volte, mas, para lá não volto de jeito nenhum ...

Madalena atribuía o distanciamento dos pais ao fato de ela ser muito independente; por outro lado, parecia choramingar quando falava de sua vida, como se fosse um fardo, pois ninguém a ajudava (referia-se aos colegas de classe), enquanto ela costumava ajudar todos aqueles que precisavam dela.

No nosso último encontro, quando questionada sobre sua saúde, cuidados com o corpo e sexualidade (SIMON, 1989), fez questão de demonstrar que era feliz como estava, mas não discutiu sobre o assunto, alegando estar simplesmente feliz o que, por si só, já seria motivo de não fazer comentários - Estou super bem, não tenho problemas com o meu corpo, não estou nem aí.

Na realidade, era uma moça que não parecia cuidar da aparência e nunca havia ido a um consultório médico; prescindia, também, de alguns cuidados primários, como por exemplo, pentear o cabelo, cuidar das roupas etc.

Discussão do caso

A reação de apego aos pais parecia ser do tipo viscoso, situação que impossibilitava Madalena de se desenvolver de forma independente. Por outro lado, por meio de um discurso repleto de referências às partes do corpo, aos órgãos dos sentidos e às atitudes corporais, fazia lembrar o estudo das expressões idiomáticas populares que aludem à representação das emoções, parecendo não conseguir estruturar um espaço mental para registrar tais emoções (GRASSANO, 1998, pp. 281 – 283). Isto quer dizer que, embora denotasse não se sentir bem, parecia desconhecer o que lhe acontecia internamente, como se não tivesse acesso ao seu espaço interno, acesso àquilo que realmente sentia.

Dessa forma, Madalena utilizava metáforas verbais e posturas corporais que, de uma forma ou de outra, faziam emergir seus conflitos internos, lembrando que o seu primeiro pedido de ajuda fora representado por um desmaio, cuja origem fisiológica não foi detectada. Tanto em seu discurso com os colegas, professores e mesmo junto ao PSP, eram percebidas outras expressões corporais e também verbais (Hoje estou com um pouco de tosse ... Gosto de ficar rouca ...Me aperta aqui, ó...) que externalizavam a sua maneira de pensar e sentir. Era assim que Madalena se comunicava com o mundo, ou seja, seus sentimentos e desejos eram exteriorizados ao mundo por meio de um discurso verbal, repleto de expressões idiomáticas, bem como por meio da utilização do próprio corpo, sendo que ambas as situações sempre aludiam às suas próprias emoções.

Esse tipo de discurso era constante, parecia relocalizar em alguém partes de seu ego que poderiam, por motivos desconhecidos, terem sido separadas. Trejeitos de criança também se faziam presentes por meio de uma fala infantilizada. Os tempos verbais, em geral no Imperfeito do Indicativo, lembravam contos de fada, histórias infantis cuja narrativa costuma apresentar a marca do Era uma vez, o que dava a impressão de que a história se passara numa época longínqua e intocável. Ora, sabemos que a estrutura estruturante nas histórias infantis é representada pelo desejo inconsciente (FERRO, 2000; FERRO, 1992; ASSIS, 1979; BONFIM, 1997; BROLHANI, 1997; MUNNO, 1998) e, dessa forma, isto é, tal e qual as histórias infantis, o discurso de Madalena trazia algo primitivo e, por consequência, distante e leve. Na realidade, era um discurso que mesclava realidade e fantasia, o que exigia certo cuidado por parte dos colegas de classe, professores e, em especial, o meu cuidado durante os atendimentos visando evitar aspectos contratransferenciais que, por se tratar apenas de momentos de orientação, não seriam pertinentes.

No que tange à análise do comportamento de Madalena à luz da Teoria Evolutiva da Adaptação (SIMON, 1989), os quatro setores adaptativos, embora diferindo quanto ao grau de adequação, mereciam cuidados especiais. O setor adaptativo menos afetado era o sócio-cultural, pois Madalena relatava sair com algumas amigas, embora ultimamente não sentisse tanto prazer em passear como no início do ano letivo, época que costumava ir a festas, frequentando locais de jovens de sua idade. Embora pouco afetado, caberia uma olhar cuidadoso a este setor, tendo em vista a diminuição do prazer nos encontros com os colegas, lembrando que, por diversas vezes, Madalena relatava sentir-se muito só; desta forma, estar com os colegas nas horas de lazer poderia ser saudável, o que não estava acontecendo, ou melhor, costumava acontecer, mas a frequência havia diminuído.

O setor orgânico encontrava-se pouquíssimo adequado, denotando desleixo com o próprio corpo e não sendo observados contatos sexuais prazerosos com seus parceiros. Principalmente no que concernia à aparência, além do aspecto de desleixo, Madalena também chegara a comentar que quando levava alguma amiga em casa, ouvia-a dizer que sua cozinha era uma bagunça e, por meio de seu jeito sedutor acabava recebendo ajuda dos colegas para limpar a casa. Embora as questões sedutoras pudessem se fazer presentes, cabe ressaltar a falta de asseio, o que comprometia o setor orgânico como um todo.

O setor produtivo, embora não tão afetado quanto o orgânico, chamava à atenção pela queda no rendimento escolar nos últimos meses; além disso, com base em seu relato, Madalena teria feito esforços para conseguir emprego, mas não tinha tido sorte. Da mesma forma que o setor sócio-cultural, também era nítida a queda na produtividade da aluna, isto é, o início da graduação transcorrera satisfatoriamente e, aos poucos, sofrera uma queda.

Os aspectos afetivo-relacionais também apresentavam uma adequação precária, tanto no que se referia à possibilidade de amar quanto à de ser amada. Madalena sentia-se sozinha e excluída, mas quando questionada sobre a possibilidade de se esforçar para se adequar ao grupo a que pertencia, costumava dizer: tudo está ruim, pois o grupo nunca me entende... Desta forma, parecia haver um sentimento de solidão bastante forte, ela não se sentia apta a reverter a situação e, dessa forma, projetivamente, acabava atribuindo aos outros a responsabilidade pelo seu insucesso. Embora tenha ficado clara a necessidade de procurar tratamento psicológico para se sentir acolhida e, consequentemente, sentir-se melhor, Madalena sorria e, despretensiosamente e dizia: vai ser legal. Na realidade, pode-se afirmar que Madalena se encontrava em crise no setor afetivo-relacional, isto é, naquele momento específico de vida não conseguia encontrar respostas para aquilo que sentia ou aquilo que queria para si, no que tange às questões afetivas e de relacionamento interpessoal. Embora esta crise tenha emergido naquele momento de sua vida, parece, através de seu relato, que há muito tempo Madalena já não encontrava respostas nesse setor específico. O fato de ter iniciado uma vida nova cheia de situações diferentes pode ter sido confundido com uma melhora em seu estado anterior, ou seja, antes de sua entrada na universidade; porém, naquele momento, as situações ansiógenas por que vinha passando, podem ter levado, finalmente, à eclosão da crise.

Não obstante, a entrada na universidade a teria levado a um ápice de ânimo e, gradativamente, fez-se presente um queda, inferindo-se que, mesmo anteriormente à sua entrada na universidade, Madalena já portava essas dificuldades apontadas nos quatro setores adaptativos, embora, conforme comentado anteriormente, o nível de adequação entre os mesmos fosse diferente. Isto significa que a entrada de Madalena na universidade, por ter sido desejada até mesmo para se ver livre de sua vida anterior (cidade pequena, poucos amigos, etc), talvez tenha servido como mola propulsora para uma felicidade momentânea; com o passar dos meses, pode ter caído na monotonia e, então, houvera a necessidade de entrar em contato com algumas questões internas de maior dificuldade, especialmente, no que tange aos aspectos da afetividade, culminando na crise propriamente dita. Quem sabe, o evento do desmaio possa ter sido a única forma encontrada por seu corpo para falar sobre o seu sofrimento.

Sob a ótica de Mahony, o discurso de Madalena, embora do tipo expressivo, centrado no “eu”, também apresentava alguns aspectos do discurso estético, cuja ênfase recaía sobre a estrutura dos signos. Além das associações livres que poderiam ser consideradas bem próximas das espécies poéticas, Madalena possuía um tom de voz melodioso ao se manifestar, seja verbal ou corporalmente; parecia recitar seus conflitos com a finalidade de cativar a platéia (colegas de classe, professores, terapeuta, etc.) e, dessa forma, conseguir uma compensação pela angústia que dela se apoderara

Aspectos retóricos também se faziam presentes à medida que Madalena tentava manipular ou seduzir a platéia que ela mesma criara. Para tal, verbalizava elogios à terapeuta, adjetivando-a com a conotação de bondade e inteligência, objetivando chamar a atenção, da mesma forma que costumava fazer com as outras pessoas do ambiente universitário.

De maneira geral, tanto no que diz respeito aos aspectos psicossociais quanto à forma de discurso, verificou-se que Madalena apresentava um quadro emocional delicado para o qual precisava de ajuda imediata. Desta forma, Madalena recebeu o devido acolhimento e, como se tratava de um serviço de apoio apenas emergencial, como o nome já diz, PSP-Pronto Socorro Psicopedagógico, foi orientada a buscar acompanhamento psicológico.

Decorridos alguns meses do atendimento, Madalena me procurou novamente para dizer que estava fazendo terapia com uma psicóloga brava (possivelmente, porque lhe pontuava os comportamentos sedutores e infantis). Abraçou-me afetuosamente e acrescentou que a universidade tinha melhorado e, portanto, ela também estava melhor. Sorrimos juntas ... Por que eu sorri? Talvez porque soubesse que, projetivamente ou não, aquela fala expressava uma melhora interior de Madalena. Por que ela sorriu? Não me disse, mas, pela primeira vez, pude perceber que era um sorriso sincero.

Madalena conseguiu se formar. Não se pode dizer que tenha sido uma aluna brilhante e, talvez, nem o seja profissionalmente. Voltou para sua cidade natal logo após o término da universidade e, segundo colegas de classe, soube que ela tem se empenhado por conseguir vaga em concurso público...

Referências

ASSIS, M. D. Dom Casmurro (1979)(9a. edição ed.). São Paulo: Ática.

BONFIM, T. E. (1997). O espelho: uma análise das estruturas narcísicas no conto "O espelho", de Machado de Assis. Mudanças - Psicoterapia e Estudos Psicossociais, (jan-jun), v. 5, n. 7, 63-80.

BROLHANI, C.; ROSA, S. (1997). Uma leitura bioneana das relações objetais dos personagens de "O conto-do-vigário", de Machado de Assis. Mudanças - Psicoterapia e Estudos Psicossociais, (jan-jun), v. 5, n. 7, 101-118.

CALEJON, L. (1996). Manejo das crises e dificuldades adaptativas em universitários. Tese de Doutorado. Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo.

FERRO, A. (1992). La tecnica nella psychoanalisi infantile. Milano: Rafaello Cortina.

FERRO, A. (2000). Psicanálise como literatura e terapia (PETRICCIANI, M., trad.). Rio de Janeiro: Imago.

FRANCO, S. L. R. (2001) Análise da eficácia adaptativa de estudantes de Psicologia e indicação psicoterapêutica como medida preventiva. Dissertação de mestrado, não publicada. Curso de Pós-Graduação em Psicologia da Sáude, Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, São Paulo.

GRASSANO, E. N. (1998). Simbologia do Corpo, 281 – 283.

HINSHELWOOD, R. D. (1992). Identificação. In: Dicionário do Pensamento Kleiniano (ABREU, J. O. D. A., trad.). (pp. 354 - 356). Porto Alegre: Artes Médicas Sul Ltda.

MAHONY, P. (1996). O lugar do tratamento psicanalítico na história do discurso. In MAHONY, P. (Ed.), Psicanálise do discurso (FIKER, R.; LOPES, R. P.; BARROS, E. M. D. R., trad.). (pp. 68-97). Rio de Janeiro: Imago.

MUNNO, V. A. D. (1998). Paradoxo, ironia e loucura em alguns contos de Machado de Assis. Mudanças - Psicoterapia e Estudos Psicossociais, (jul-dez), v. 6, n. 10, 221-230.

SIMON, R (1977). Modelo de Prevenção aplicado a setor de saúde mental. Boletim de Psicologia, XXIX-72-73.

SIMON, R.(1989). Psicologia Clínica Preventiva: novos fundamentos. São Paulo, SP: EPU.

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