Ausência Paterna e Adição Alcoólica: os Elementos que Transitam e Constituem essa Relação

(Tempo de leitura: 16 - 32 minutos)

Resumo: Sabemos que a família é, para o sujeito, um lugar de construção da identidade e o seu primeiro ambiente de socialização. Na sociedade ocidental, contemporânea, essa família tem mudado rapidamente e vêm assumindo novas configurações, o que tem suscitado novas relações entre pais, mães e seus filhos. Podemos observar nestas mudanças que cada vez mais os filhos estão crescendo com pouco ou até mesmo nenhum tipo de contato com seus pais. A partir de um levantamento bibliográfico que teve como fonte de pesquisa livros e artigos, fez-se uma construção sócio-histórica do papel do pai na família, considerando as repercussões e consequências da presença e da ausência do mesmo na vida familiar, como também, a influência desta ausência no uso abusivo de álcool na fase adulta. Podemos concluir que, a figura paterna emerge como primordial no desenvolvimento da criança e, quando esse se torna ausente, tal ausência pode fazer com que a criança não consiga estabelecer vínculos afetivos e que, os sentimentos suscitados por esta carência de vinculo influenciem na busca pelo abuso de álcool na vida adulta.

Palavras-chaves: Ausência paterna, Família, Relação familiar, Adição Alcoólica.

1. Introdução

Considerando o conceito de família e sua evolução histórica acerca da figura paterna e, tendo como foco a relação desta figura com os filhos do sexo masculino, esse artigo buscou compreender de que forma a ausência paterna, pode influenciar para a adição e consumo abusivo de álcool na adolescência. Atualmente, é possível perceber muitos adolescentes com transtornos de conduta, traços depressivos e patologias que se apresentam e se configuram por um quadro narcisista. O termo narcisismo aparece pela primeira vez em Freud no ano de 1910, para explicar a escolha do objeto nos homossexuais; estes “tomam a si mesmos como objeto sexual; partem do narcisismo e procuram jovens que se pareçam com eles, e a quem possam amar como a mãe deles os amou” (LAPLANCHE e PONTALIS, 2008, p. 287).

Em 1914, Freud, em seu texto narcisismo, referiu-se à importância da posição dos pais na constituição do narcisismo primário nos filhos, o mesmo disse que “se prestarmos atenção à atitude de pais afetuosos para com os filhos, temos que reconhecer que ela é uma revivescência e reprodução do seu próprio narcisismo, de que há muito abandonaram” (FREUD, 1914, p. 97), ou seja, que o amor dos pais aos filhos é o narcisismo destes pais renascido e transformado em amor objetal.

Podemos dizer que o narcisismo primário de certa forma representa uma onipotência que se inicia com esse encontro do narcisismo nascente do bebê e o narcisismo renascente dos pais. O narcisismo no indivíduo surge de forma deslocada com direção a esse ego ideal, e esse ego infantil, se acha possuidor de toda perfeição e valor, ou seja, o indivíduo não está disposto a renunciar à perfeição narcísica de sua infância. O que o indivíduo projeta diante de si como sendo seu ideal, é o substituto do narcisismo perdido da infância na qual ele era seu próprio ideal (FREUD, 1996).

O ego ideal é um substituto do narcisismo perdido na infância no qual ele era o seu próprio ideal e o produto que serve como identificação das figuras parentais. O eu (ego) tem um desejo de reencontrar a perfeição e o amor narcísico, para isso precisa do ideal do eu (ego) satisfeitos, e isso só será possível de ser experimentado através do outro. Neste trabalho, focamos este outro como sendo o pai. Para que seja possível esta experimentação através do outro, se faz necessário à realização de uma escolha a qual Freud deu o nome de escolha objetal narcísica que, segundo ele é o amor a si mesmo e isso se dá através de semelhantes (FREUD, 1996).

O tema paternidade e sua importância quanto ao desenvolvimento dos filhos estão presentes e são discutidos no meio científico e acadêmico. “Quando se fala do pai, não se trata do pai como simples agente de uma paternidade biológica, mas como operador simbólico” (SARAIVA; REINHARDT e SOUZA, 2012, p. 55). Não podemos falar sobre a ausência deste pai no desenvolvimento deste bebê e as influências que esta ausência pode causar na busca pelo abuso de álcool na adolescência, sem pensar no núcleo familiar e nas mudanças que o mesmo vem enfrentando durante os últimos anos. Quando refletimos sobre família, a primeira imagem que nos vem à mente é a da instituição constituída pela figura do pai e da mãe ou do marido e da mulher, ou seja, o modelo patriarcal.

Segundo Claude Lévi-Strauss em 1956 a vida familiar apresenta-se praticamente em todas as sociedades humanas, mesmo naquelas em que os hábitos sexuais e pedagógicos estão bem distantes dos nossos. Depois de terem afirmado, durante aproximadamente cinquenta anos, que a família, tal como a conhecem as sociedades modernas, não podiam ser se não um desenvolvimento recente, resultado de longa e lenta evolução, os antropólogos inclinam-se agora para a convicção oposta, isto é que a família ao repousar sobre a união mais ou menos duradoura e socialmente aprovada de um homem, de uma mulher e de seus filhos, é um fenômeno universal, presente em todos os tipos de sociedades (ROUDINESCO, 2003, p.10).

Ao longo da história, a família passou por várias fases, no primeiro momento, era uma família tradicional, servindo acima de tudo para assegurar um patrimônio. Nesta época os casamentos eram arranjados pelos pais, não levando em consideração à vida sexual e afetiva dos filhos. Sob esta perspectiva a família repousava sobre uma ordem do mundo imutável e a autoridade era voltada para a figura do pai, ou seja, uma autoridade patriarcal. Na segunda fase, a família dita “moderna”, imperava a lógica afetiva, modelo esse que se impõe entre o final do século XVIII e meados do século XX, sendo a mesma fundada sob a égide do amor romântico, constituindo a reciprocidade dos sentimentos e dos desejos carnais por intermédio do casamento, valorizando também a divisão do trabalho entre os esposos, dividindo as atribuições da autoridade de forma incessante entre o Estado e os pais de um lado, e entre os pais e as mães de outro (ROUDINESCO, 2003).

A partir dos anos de 1960, entramos na era da família contemporânea ou “pós-moderna”, unindo dois indivíduos ao longo de uma duração relativa, na qual os mesmos buscam relações intimas ou realização sexual. “A transmissão da autoridade vai se tornando então cada vez mais problemática à medida que divórcios, separações e recomposições conjugais aumentam” (ROUDINESCO, 2003, p.12). A constituição da família brasileira se fundamentou no modelo romano que sistematizou normas severas tornando a família em uma sociedade patriarcal, tendo sido organizada no poder e na posição do pai, na qual, esse pátrio poder assumiu um caráter unitário; todos viviam sobre seu comando. Ao analisar a família atual, acredita-se que a mesma tenha perdido o seu papel, que deveria ser de protetora e mediadora, entre o indivíduo e a sociedade, e isso tem gerado um sentimento de abandono, de orfandade por parte de crianças e adolescentes (SARAIVA, REINHARDT e SOUZA, 2012).

Este sentimento de abandono não está presente apenas nas esferas mais populares da sociedade, ou seja, onde existem apenas problemas de ordem material, o qual dificulta o desempenho dessa função, mas isto ocorre também em famílias em que o poder aquisitivo é alto, neste caso os pais estão muito envolvidos nesta busca por ascensão social e material. Diante deste sentimento de solidão, desamparo e orfandade vivido por esses adolescentes, os mesmos ainda buscam na figura deste pai, mesmo que enfraquecido, uma proteção, “pois só um poder soberano poderia protegê-los dessa condição de orfandade” (SARAIVA, REINHARDT e SOUZA, 2012, p. 54).

Partindo do principio que, o usuário compulsivo de álcool e outras drogas não possui uma desenvolvida capacidade, no que diz respeito a pensar de forma simbólica, e isso se dá pela ausência de alguém que, exerça de forma adequada essa função paterna na formação deste indivíduo e, devido essa limitação, quanto a esta simbolização, ocorre um impedimento de se sentir o outro. Desta forma, na falta deste outro se gera um comportamento onipotente, incluindo assim várias manifestações, destacando dentre elas o uso abusivo de substâncias psicoativas, sejam elas licitas ou não, neste caso queremos destacar o álcool (MIGUEL, 2004).

A presente pesquisa justifica-se pela busca de um entendimento sobre de que forma as influências e transformações sofridas na sociedade atual tem interferido na subjetividade humana, como também, as implicações que existiram ao longo da história com relação à destituição da figura paterna e de seu lugar de autoridade. A mesma tem como objetivo investigar a relação da ausência da figura paterna e o uso abusivo de álcool, buscando uma compreensão dos elementos que transitam e constituem essa relação.

A princípio, será destacada a construção sócio-histórica do papel do pai na família e, como esse papel, vem se transformando devido às novas configurações familiares. Em seguida iremos abordar a relação entre pai presente versus pai ausente e suas implicações na relação familiar e por fim abordaremos a questão da ausência da figura paterna na infância e qual a sua relação com o uso abusivo de álcool na fase adulta.

O método de pesquisa adotado foi o descritivo. Esta se propõe a ser flexível, considerando que a realização dela foi a partir de um levantamento bibliográfico.

2. A Construção Sócio-Histórica do Papel do Pai na Família

Para falar de paternidade, em primeiro lugar, é preciso definir o que é ser pai? O que é a função paterna?  O que é paternidade? Partindo dessas indagações, faremos uma breve visita pelas antigas civilizações, com o objetivo de entendermos a concepção de pai nesses contextos, porém, tendo como interesse ter uma visão mais ampla sobre o tema.

Vale salientar que, em geral, a figura do pai é associada a aquele que provê as necessidades essenciais de sua família, por outro lado, este mesmo termo, também, é utilizado para indicar uma divindade. Isso fica evidenciado pelo fato de que vários deuses são conhecidos e reconhecidos como pai, como por exemplo, Osíris que é conhecido como pai de Horus (SILVA, 2009).

Para se pensar no papel do pai na família, é necessário compreender como o mesmo se desenvolveu ao longo da história e que mudanças ocorreram nesse período. Entre os gregos, o controle patriarcal era encontrado na postura que os deuses assumiam perante Zeus, considerando o fato de que esses deuses eram os filhos e filhas criados por ele.  Na família da Roma Antiga, por exemplo, o pai detinha todo o poder, ele era a autoridade responsável pelas normas que regiam e norteavam essa instituição (SILVA, 2009).

Tal postura se devia a cultura elitista e machista que imperava naquela sociedade, na qual os poderes do patriarca se apresentavam até mesmo em caso de morte, uma vez que, a mãe não detinha o direito de assumir a família com a morte de seu marido, pelo contrário, o pátrio poder era herdado pelo filho mais velho ou por outros homens da família (NOGUEIRA, 2007).

Outro caminho que podemos percorrer para buscarmos o significado de ser pai é o da antropologia. Nele descobriremos outras concepções acerca da paternidade, como descreve Silva (2009):

Entre os Gurmantchês (Alto Volta – África) a relação pai-filho é marcada pela frieza; a educação da criança compete ao tio paterno e a este é endereçada toda a afeição. Já entre os Txicaos, Mato Grosso, o sêmen paterno constitui o único componente do embrião. Já entre os Mojaves, pai é aquele quem mais contribui com o esperma. Neste sentido, se há dúvida em definir quem é o pai, o faz-se pelo maior tempo que o homem coabitou com a mulher nos primeiros meses de gravidez (pp. 46-47).

O uso do termo linguístico pai no Antigo Testamento representado pela palavra hebraica abh, era utilizado para designar pai terrestre e poderia ter várias designações, por exemplo, o pai como avô; pai no sentido ancestral, ou ainda, fundador patriarca. Geralmente o nome pais nos remete as primeiras gerações, podemos tomar como exemplo o texto bíblico de Núm. 20.15: “como nossos pais desceram ao Egito e vivemos lá muitos anos. Os egípcios nos maltrataram, a nós e a nossos pais” (Bíblia Sagrada, 1997, p. 145).

A sociedade beduína tem como base a consanguinidade, constituindo o laço entre os membros da comunidade, criando uma consciência de unidade, sendo a forma, mas abrangente da tribo.  Tendo como origem uma ancestral, suas ligações parentais entre os seus membros são garantidas, muitas vezes, por genealogias inchadas. No entanto, as mesmas “não passam de ficções, produto da necessidade do beduíno de pensar em categorias de genealogias de consanguinidade e de sua incapacidade de pensar em categorias históricas” (THIEL e WINFRIED, 1993, p. 9).

As tribos constituídas, muitas vezes, de várias centenas de membros, podem ser comunidades formadas de componentes fictícios, que se formam por meio de processos históricos, que ocorrem através da união de famílias que passam a migrar juntas e, como consequência sofre o mesmo destino. As mesmas são alianças politicas independentes visando garantir interesses afins, que se dá sobre a liderança de um patriarca, de um chefe e de um nome comum. As tribos são consideradas grandezas dinâmicas que surgem e desaparecem no decurso da história, em contrapartida, seus subgrupos que são de fato solidários, perduram e se associam a outras tribos ou formam novas (THIEL e WINFRIED, 1993).

As formas comunitárias mais sólidas de fato são os agrupamentos por consanguinidade dentro de uma tribo. O clã é uma unidade que se empenha de forma solidaria com seus membros, que busca preservar a comunidade por consanguinidade e isso ocorre por meio de migração e acompanhamento conjunto (THIEL e WINFRIED, 1993, p. 9).

Desta forma, evidencia-se que o processo de fortalecimento da família, nesse contexto social, está implicitamente ligado as questões da hereditariedade, ou seja, a base da família beduína é a relação intrafamiliar, na qual a tribo se estabelece enquanto grupo social.

A menor unidade e, simultaneamente a unidade considerada como básica naquilo que vem a ser a economia é a família. Estamos falando da família individual na acepção restrita, a qual se constitui de um homem, de uma ou mais mulheres e dos seus filhos. O modelo de grande família, na qual os filhos casados permanecem sob a autoridade do pai até a sua morte, parece não ter tido um papel relevante entre os beduínos. Quase sempre são os filhos que abandonam a tenda do pai, exceto o filho mais velho, quando estes se casam e fundam sua própria família, levam os bens que conquistaram se tornando assim chefes de suas famílias, sendo dispensados da autoridade do pai.  O clã é patrilinear entre os beduínos, todavia, o parentesco materno tem a sua importância, porém, para a unidade do parentesco é decisiva a descendência do pai, sendo o matrimonio “virilocal”, ou seja, a mulher segue ao homem, mas, sem romper com sua família paterna (THIEL e WINFRIED, 1993).

Na família patriarcal, os membros que a constituem são sujeitos à autoridade paterna e, em algumas tribos, as mulheres e seus filhos são considerados como propriedades do homem, porém, o mesmo não pode vendê-los. O pai tem direito de determinar a morte de seus filhos como, por exemplo, no caso do nascimento de filhas indesejadas; ai quais, por ordem dele, são enterradas na areia. Apesar de duvidosa, a autoridade do pai não deve ser questionada, sendo a mesma estendida às pequenas famílias ou família conjugal. Em contrapartida, no caso das grandes famílias, ou seja, entre os povos sedentários, esse poder do pai sobre o grupo familiar tem uma proporção maior, visto que o mesmo pode exercer poder de decidir sobre a morte de mulheres e crianças (THIEL e WINFRIED, 1993).

Embora o pai seja o administrador dos bens da família, a mulher possui alguma propriedade pessoal, que se constitui dos presentes de seu pai por ocasião do casamento. Entre os beduínos a autoridade do pai abrange apenas a família conjugal, estando os filhos sujeitos ao mesmo até o casamento, visto que abandonam a tenda do pai, sendo o pai o verdadeiro proprietário dos bens da família, sendo que a mulher ocupa o lugar de subalterna, contudo, geralmente não é uma condição deprimente, nem humilhante, considerando que a mesma possui alguns direitos pessoais, dentre eles o direito limitado quanto a opinar  em lugar de seu cônjuge .Com o progresso do sedentarismo, essa posição de patriarca do pai de desenvolve para uma posição monárquica (THIEL e WINFRIED, 1993).

A família hebraica é formada pela casa do pai. No Antigo Testamento, a Bíblia, revela que o pai também era visto como uma figura de autoridade; nessa época a estrutura familiar e social era constituída de tribos e clãs, desta forma, a parentagem e a genealogia eram importantes. Abraão era invocado como pai no sentido de ancestral, pai tribal e exemplo de homem a ser seguido. Com isso, podemos observar que no Antigo Testamento era encontrada na dignidade paterna uma fonte genuína, humana nascida de Deus (SILVA, 2009).

Podemos observar que a figura paterna apresenta-se como essencial na formação da personalidade do sujeito enquanto ser humano e ser pensante, sendo assim, a não presença dessa figura no contexto familiar pode ocasionar danos psicológicos na formação do mesmo. No ponto de vista histórico, percebe-se que o papel paterno desenvolve-se de formar singular de acordo com a sociedade que o estabelece. Por outro lado, é importante se pensar no papel da função paterna nas novas configurações familiares, procurando investigar a relação dos filhos com tais mudanças e suas implicações na vida dos mesmos. Ser pai, do ponto de vista histórico, é ser lei, norma, referência na construção da identidade e subjetividade do sujeito.

3. Pai Presente X Pai Ausente e suas Implicações na Relação Familiar

Entrar no campo da paternidade é, também, entrar no campo do desejo do filho e para o homem esse desejo difere do desejo da mulher. Para o homem a paternidade o faz entrar em contato com a sua masculinidade, além de permitir que o mesmo adquira novas modalidades de se relacionar com o sexo oposto. O seu discurso apresentará seu desejo de procriar, pois tal fato comprovará a sua virilidade (STRYCKMAN, 2000).

Contudo, é importante destacar que a devido ao lugar que o homem foi colocado no contexto social, naquilo que diz respeito a sua função paterna, o mesmo tinha dificuldade de vivenciar a sua individualidade, o que era sustentado pela própria cultura, como afirma Campos (2009):

Foi sempre apoiado pela cultura que, sendo patriarcal, reservou-lhe lugar acima da trama doméstica constituída, sobretudo pela mulher e pela criança entendendo seu papel de pai predominantemente como provedor material, de modo que a compreensão mais profunda sobre as relações pais- filhos e os caminhos da paternidade não eram empreendidos (p. 28).

Diante deste quadro, pensar na presença e na ausência do pai é desvelar a sua percepção quanto à chegada do filho, qual o seu papel e a importância de sua relação com a criança, passando assim a construir sua identidade de pai. Entretanto, Zornig (2010) declara que “o acesso à paternidade também implica profundas transformações que se iniciam a partir da identificação edípica ao modelo paterno, mas que apontam para a reativação de uma relação primordial com a mãe” (p. 460).

Por outro lado, não se pode abrir mão das questões relacionadas à sua virilidade, nem do desejo da paternidade, uma vez que, não se constitui a imagem de pai sem considerar tais questões:

Mas, é impossível descrever o homem sem tanger aspectos relativos à virilidade, nem falar do pai sem tocar na questão da paternidade, por serem temas que ajudam a compor tanto a imagem de pai, como o perfil do novo homem, ou da nova maneira de percebê-lo. O pai representa a possibilidade do equilíbrio pensado como regulador da capacidade da criança investir no mun­do real. A necessidade da figura paterna ganha contornos no processo de desenvolvimento, de acordo com a etapa da infância (GOMES & RESENDE, 2004, p. 121).

Sendo assim, a presença deste no seio da família pode estabelecer um campo de segurança psicoafetiva e psicossocial para a criança, permitindo que a mesma possa adentrar no mundo real com mais equilíbrio e tranquilidade, observando a vida como um espaço de possibilidades e não como um ambiente hostil e de perigo constante. A presença do pai dá ao filho a ideia de segurança, conforto e tranquilidade para que ele possa se desenvolver sem maiores prejuízos.

Vale salientar que com a mudança da concepção de paternidade e, com o aumento de crianças que tem se desenvolvido sem ter a presença do pai, é imprescindível questionar se esta ausência tem provocado algum tipo de dano para o desenvolvimento na infância. Tal questionamento nos faz pensar na importância de investigar a influência dessa ausência na vida das crianças sem referência paterna. O principio da ausência paterna pode se dá por vários fatores, tais como: abandono de lar por parte de homem, o não reconhecimento da criança como sendo seu filho ou sua filha, por morte, separação e/ou divórcio, dentre outros fatores. Sendo assim, é importante compreender a influência que cada tipo de ausência paterna exerce sobre a vida da criança (CAMPOS, 2009).

De acordo com Campos (2009):

A figura internalizada de homem para a criança será recoberta de valências positivas, provedora nas necessidades, firme nas decisões e norteadora no caminho. Disso decorre uma identificação sexual levando o menino a perceber-se do sexo masculino com possibilidades de completar uma mulher no sentido biopsicossocial, de ter prazeres e eventualmente filhos, tomando como modelo o pai (p. 31).

Porém, quais as outras complicações que essa ausência pode desencadear no desenvolvimento e na família da criança que não tem a referência paterna? Problemas de ordem psicológica, social e moral podem ser elencados nesse contexto, além dos problemas ligados a sua construção psicoafetiva e nas inter-relações que o sujeito vai estabelecer ao longo de sua vida. Sua autoestima pode vir a ser a ser abalada e com isso, o mesmo poderá ser tomado pela insegurança, desestabilizando-o emocionalmente. De igual modo, podem se desenvolver conflitos familiares com mães e irmãos ou qualquer outra pessoa que tenha vinculo familiar.

Dentre os problemas que a ausência paterna pode ocasionar está a perda da autoestima, ou melhor, a afetação do conceito que os adolescentes podem vir a ter sobre si mesmo, uma vez que o pai que apresenta algum tipo de fraqueza pode gerar sentimentos negativos como insegurança ou ansiedade. Desta forma, a ausência da figura paterna no âmbito familiar, como também, no psiquismo dos sujeitos que compõe uma família, ocasiona os mais variados sintomas, os quais podem ser leves ou profundos, tais como: psicose infantil ou tendências homicidas, dentre outros e, isso, como resultado da incapacidade de desenvolver a simbolização em decorrência dessa ausência. É evidente a importância da presença do pai para o desenvolvimento do sujeito, para que o mesmo vivencie o seu processo de identificação em momento inicial de desenvolvimento, e, essa ausência, pode provocar uma perda na identidade genital da criança (CAMPOS, 2009).

4. Ausência Paterna na Infância: Qual a Relação com o Alcoolismo na Fase Adulta?

O pai e a função paterna têm sido reconhecidos como importantes no desenvolvimento da criança, sendo essa interação pai e filho um dos fatores decisivos para o desenvolvimento cognitivo e social, agindo como um facilitador da aprendizagem e também na integração da criança na comunidade A clinica psicológica, tem nos mostrado que na vida adulta as representações dessas vivências podem emergir nas mais variadas possibilidades, naquilo que vem a ser à construção psicoafetiva do indivíduo, vindo a repercutir em suas relações sociais.

As teorias psicológicas afirmam e fundamentam o papel da figura paterna no desenvolvimento e no psiquismo infantil. Esta importância é um pressuposto da teoria psicanalítica e esse papel estruturante do pai se estabelece no complexo de Édipo. Nessa trama familiar o sujeito se constrói, saindo deste estado de natureza para ingressar na cultura. Freud, no seu trabalho Leonardo da Vinci e uma lembrança da sua infância, afirma que: “na maioria dos seres humanos - tanto hoje como nos tempos primitivos - a necessidade de se apoiar numa autoridade de qualquer espécie é tão imperativa que o seu mundo se desmorona se essa autoridade é ameaçada” (FREUD, 1996, p.73).

Acreditamos que a presença do pai representa uma possibilidade do equilíbrio para a criança, um regulador da capacidade da criança em investir no mundo real, sendo de grande importância a necessidade da presença da figura paterna no processo de desenvolvimento infantil, o qual acontece entre seis e doze meses, período esse em que a criança se vê envolvida no triangulo edípico. Nesse período o papel do pai não é tão destacado como o da figura materna, no entanto, o contato corporal entre o bebê e o pai na vida cotidiana, serve como um referencial na organização psíquica dessa criança devido a essa função estruturante para o desenvolvimento do ego (BENCZIK, 2011).

Cavalcante, apoiado na teoria junguiana, sustenta que o arquétipo do pai, vivenciado através da encarnação do pai real, é o símbolo que promove a estruturação psíquica da criança e, que permite a mesma, se abrir para novas possibilidades (CAVALCANTE, 1995, apud BENCZIK, 2011, pp. 67-75).

Baseado em um estudo de caso clinico e de uma rigorosa revisão literária quanto à importância da figura paterna na vida dos filhos, Eizirik e Bergaman afirmam que, a ausência paterna tem um potencial para gerar conflitos no desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, como também, influenciar o desenvolvimento de distúrbios de comportamento (EIZIRIK M. e BERGAMANN, 2004, apud BENCZIK, 2011, pp. 67-75).

O vazio promovido pela ausência do pai segundo Ferrari (1999 apud Benczik, 2011, pp. 67-75) é formado pela noção das crianças de não serem amadas pelo seu genitor que esta ausente, com uma grande desvalorização de si mesmas. Além dessa autodesvalorização surge o sentimento de culpa, pois a criança se acha má, por ter provocado a separação de seus pais e, se culpa até mesmo por ter nascido, como também por ter sido deixada. Esse pensamento pode gerar nas crianças diversos sentimentos de tristeza, melancolia, agressividade e violência. O mesmo prossegue dizendo que o os tímidos e temerosos do exterior se fecham em si mesmo e os tímidos e temerosos do interior se vingam no mundo com condutas antissociais.

Desta forma, podemos pensar que as modificações sofridas na estrutura familiar contemporânea, os efeitos negativos da ausência desse pai e suas repercussões, decorrentes desta ausência, tem provocado a produção de varias expressões de conflitos defesas e sentimento de culpa nos filhos. Este sentimento de abandono e desafeto vivido por essas crianças podem gerar vários transtornos, pois o pai é visto como um pilar muito importante no desenvolvimento de qualquer criança. Porquanto é importante que os pais forneçam uma base segura, a partir da qual a criança ou um adolescente possa explorar o mundo exterior e dele retornar certos de que serão bem vindos, nutridos de forma física e emocional, lugar esse que serão confortados caso haja algum sofrimento e encorajados caso estejam se sentindo ameaçados (BENCZIK, 2011).

Essa ausência da figura paterna vivida na infância terá muitas repercussões na adolescência e vida adulta, visto que a adolescência é um período da vida propicio para uma crise psicológica e para que, a maioria das pessoas consiga realizar a transição da infância para a maturidade e possa organizar um sentido de identidade. Desta forma, para algumas os conflitos dessa transição resultam em comportamentos desviantes, manifestos na depressão e nos comportamentos antissociais, comportamentos estes que têm sido potencializados pelas rápidas mudanças sociais.

De acordo com o exposto, podemos perceber que a ausência deste pai pode vir a provocar vários distúrbios nesse adolescente e dentre estes distúrbios, pode-se encontrar o uso e eventual abuso de substâncias psicoativas, com inicio e instalação precoce.

Consideramos o uso abusivo de substâncias psicoativas, todavia, neste artigo temos como foco o uso de bebidas alcoólicas, quem têm sido um grande problema para os adolescentes e seus pais. É importante entender as causas do uso abusivo do álcool, pois a experimentação, por si só, dessas substâncias não deve ser considerada como um indício de um problema futuro, mas, por outro lado, ela pode representar um indício de que este adolescente está tendo problemas, dificuldades de lidar com algum tipo de estresse ou frustração e até mesmo a falta de suporte familiar adequado, buscando assim refúgio no uso de álcool e outras drogas, podendo assim se tornar um usuário compulsivo (PEREIRA, 2005).                                     

O álcool é a droga psicoativa mais usada na maioria dos países, o seu consumo é feito tanto para a celebração quanto para o estado de sofrimento, pois a mesma provoca a desinibição naquele que faz seu uso. O álcool serve de companhia para muitas pessoas em eventos sociais, na maioria das vezes pode implicar em um risco relativamente baixo para o que bebe e para terceiros. Mas, existe o outro lado do álcool que trás prejuízos nas esferas sociais e individuais. No caso dos adolescentes os prejuízos podem ser violência sexual, déficit de aprendizagem, absenteísmo escolar, problemas familiares e perdas financeiras.  O uso abusivo de álcool em adolescentes pode ter as mais variadas motivações, e quanto mais precoce esse inicio maior a probabilidade de tornar-se dependente (ROZIN e ZAGONEL, 2013).

Partindo deste pressuposto, é possível afirmar que a ausência paterna pode desencadear diversos problemas na vida das crianças e/ou adolescentes envolvidos neste processo de separação; sendo assim, é possível inferir que o comportamento dos mesmos poderá vir a ser alterado diante desde quadro de carência e, a necessidade de preencher o espaço vazio deixado pela não presença da figura paterna, pode fazer com esses filhos procurem no uso do álcool e outras drogas, com o objetivo de ocupar essa lacuna.

A ausência paterna não pode ser desconsiderada e, nem tampouco excluída na compreensão da formação da personalidade do sujeito enquanto ser humano e ser pensante, ou seja, para que possamos compreender alguns comportamentos assumidos por algumas pessoas na sua infância e adolescência, e, que na fase adulta, vieram a desembocar no uso abusivo de álcool, é necessário investigar em sua história a participação ou não participação da figura paterna em seu desenvolvimento psicossocial.

5. Considerações Finais

Pensar na importância da figura paterna na construção da subjetividade, da personalidade e do desenvolvimento da criança e do adolescente tem sido o foco da psicologia através de seus mais iminentes teóricos. Partindo deste principio, este trabalho teve como objetivo investigar quais as consequências da ausência paterna na vida familiar, principalmente, como referência para seus filhos, tendo como foco principal, a adição de alcoolismo na fase adulta.

Na busca por essa compreensão, percebe-se que a constituição do ser pai ao longo da história da família passa por questões culturais e religiosas, além da própria concepção antropológica do ser. Desta forma, a constituição da função paterna surge como elemento primordial na constituição da singularidade do ser, no processo de normatização e na própria concepção de quem se é, ou seja, o pai surge como o provedor e protetor da família e, quando esse não se faz presente à família pode vir a ruir.

Diante deste quadro, evidenciou-se, ao longo da construção deste artigo, que a figura do pai é notoriamente importante para a criança e o adolescente. Vale salientar que com a falta de referência, paterna, a criança pode se desenvolver de forma “trôpega”, ou seja, com uma queda de sua autoestima, dificuldades de construir relações afetivas, de manter relacionamentos estáveis e, por isso, ter a necessidade de substituir o objeto perdido, a saber, o pai, por outro objeto, que pode ser a bebida ou qualquer outro tipo de droga.

A figura paterna emerge como primordial no desenvolvimento da criança, quando o pai se faz presente ocorre o fortalecimento das emoções por parte de seus filhos. Por outro lado, quando o mesmo se distância, ausentando-se da vida familiar quer seja por vontade própria, por separação, morte ou qualquer outra causa a criança ou adolescente sofre uma perda considerável e que poderá causar grandes males em seu desenvolvimento.

Por outro lado, é verdade que algumas crianças e adolescentes superarão essa ausência sem buscar no álcool e em outras drogas o substituto pelo pai perdido, pelo contrário, buscarão identificar-se com outra pessoa que se apresente exercendo tal função. Entretanto, é importante salientar que mesmo em casos como estes, é necessário que os mesmos assimilem este significante para compreender o seu significado, para que a criança e/ou adolescente não venha a ter seu processo de desenvolvimento comprometido.

Sendo assim, evidencia-se que a ausência paterna pode sim, provocar a adição alcoólica a qual provocará problemas que vão além das questões psicoafetivas e emocional para a vida do sujeito que não teve a presença paterna na infância e no decorrer de sua vida, seja por qual for o motivo. A falta do pai tem grande influência no desenvolvimento do alcoolismo e precisa ser analisada de forma singular, com a finalidade de encontrar alternativas para minorar tais consequências na vida daqueles que enfrentam que vivenciam esse processo.

Assim, podemos concluir que o não estabelecimento de uma relação paterna, pode e deve ser considerado como um gatilho disparador para que a criança e/ou adolescente venha a buscar no uso do álcool o refúgio para seus males e sofrimentos ocasionados pela perda do pai e, desta forma, venha a desencadear o adoecimento tornando-se um adicto no que diz respeito às bebidas alcoólicas.

Sobre o Autor:

Martha Severo Lopes da Silva – Psicóloga Graduada pela Faculdade de Ciências Humanas – ESUDA. Pós-Graduanda em Saúde Pública, Saúde Mental e Dependência Química na Faculdade de Ciências Humanas – ESUDA.

Referências:

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