O Caminho da Compreensão: o Desafio de Aceitar a Abordagem de Questões Religiosas na Clínica Psicológica

Resumo: Atualmente, temas ligados à espiritualidade e à religiosidade tem se tornado cada vez mais presentes no cotidiano de nossa sociedade e, por conseguinte, tem incidido com muita frequência na clínica psicológica. Esta pesquisa objetiva, por meio da revisão de literatura sobre o tema a que se propõe, enfocar os princípios propostos pela Abordagem Centrada na Pessoa que possibilitam a compreensão de questões religiosas como parte do processo terapêutico. Para atingir tal objetivo levanta-se a seguinte situação problema: Quais as possibilidades e desafios de, na clínica psicológica com ênfase humanista, aceitar a abordagem de questões religiosas trazidas pelo cliente? Para atender a estas demandas é necessário que o psicólogo compreenda esta manifestação humana e desenvolva esta compreensão a partir da escuta das vivências de seu cliente, e não do arcabouço teórico adquirido em sua formação ou das suas próprias experiências. Isso significa que não se deve ignorar o lugar de onde as coisas estão sendo ditas, isto inclui o lugar religioso. Abordar temas religiosos não afasta o psicólogo do campo da psicologia enquanto ciência, mas aproxima-o da pessoa diante de si em sua verdadeira humanidade. Neste movimento, o terapeuta descobre e percorre o caminho da compreensão, perpassando pela assimilação da empatia e da consideração incondicional positiva, ajustando as constantes atualizações do seu cliente e a relação de suporte estabelecida.

Palavras-chave: Religião e Psicologia, Religiosidade na Clínica Psicológica, Espiritualidade e Psicoterapia.

1. Introdução

Frequentemente, observamos o despontar de uma infinidade de grupos e denominações religiosas, templos improvisados irrompem os espaços urbanos contrastando com os grandes templos das religiões tradicionais, reúnem fiéis sob a égide de um Deus e os conclama a seguirem determinadas crenças e adotarem um conjunto de condutas em detrimento de outras, para enfim gozarem de um bem-estar maior.

Embora sejam comprovados os efeitos positivos e a sensação de bem-estar proporcionados pelas práticas religiosas, há de se atentar para alguns comportamentos excêntricos, chegando ao fanatismo. Os efeitos da alienação religiosa podem reverberar o psiquismo da pessoa, levando-a a buscar a psicoterapia pela sensação de estar vivendo uma vida que não é sua.

Em contrapartida o crivo da ciência não permite diálogo com aquilo que não pode ser mensurado e comprovado através de suas análises e métodos, deste modo surgem tantos profissionais da psicologia que optam por um distanciamento ou evitação de se abordar questões religiosas na clínica psicológica e de compreender a religiosidade como uma manifestação humana.   

Surge daí a problemática desta pesquisa, a saber: Quais as possibilidades e desafios de, na clínica psicológica com ênfase humanista, aceitar a abordagem de questões religiosas trazidas pelo cliente?

Na tentativa de responder a tal questionamento, esta pesquisa objetiva, por meio da revisão de literatura sobre o tema a que se propõe, enfocar os princípios propostos pela Abordagem Centrada na Pessoa que possibilitam a compreensão de questões religiosas como parte do processo terapêutico.

Tal objetivo se desdobra em três outros que pretendem especificamente: Estabelecer as diferenças e semelhanças entre os conceitos de espiritualidade e religiosidade; identificar possíveis convergências no caminho da espiritualidade e do processo terapêutico; examinar os fatores que dificultam a relação da psicologia com a religiosidade; analisar os princípios que norteiam a aceitação da abordagem de questões religiosas na clínica psicológica.

2. Da Experiência Religiosa à Psicoterapia

Atualmente, temas ligados à espiritualidade e à religiosidade tem se tornado cada vez mais presentes no cotidiano de nossa sociedade e, como afirmam Cambuy, Amatuzzi e Antunes (2006, p. 79), tem incidido com muita frequência na clínica psicológica. Paralelo a isso, vimos também da parte dos profissionais da psicologia um distanciamento ou evitação de se abordar este tema, malgrado, para atender a estas demandas é necessário que o psicólogo compreenda esta manifestação humana que, embora tenha um significado muito próximo ao conceito de espiritualidade, difere deste em alguns aspectos.

Segundo Pessanha e Andrade (2009, p. 77), a espiritualidade pode ser concebida como a busca por um significado da vida, de um sentido para a existência ou de um relacionamento com o sagrado. Assim, ao nos referirmos a uma pessoa religiosa, estaremos falando de sua espiritualidade. Contudo, nem toda pessoa espiritualizada possui uma crença religiosa institucionalizada, isto é, ter uma espiritualidade não significa praticar uma religião, visto que a espiritualidade está direcionada para a questão dos valores da vida, sem com isso ter o propósito de ligação com o transcendente ou com uma comunidade religiosa.

Paiva (1998, p.159), distingue a busca do sagrado - empreendida pela espiritualidade, da experiência com o divino - desejado pela religiosidade. Enquanto este último se refere à ideia de uma qualidade divina, o primeiro se relaciona com “realidades invioláveis como a vida, a liberdade, a família [...], valores pelos quais se vive e se morre”.

É neste sentido que Angerami (2004 apud Pessanha e Andrade 2009, p. 77) afirma que a espiritualidade não está ligada à busca por um ser superior, mas:

[...] a superação de si ou, ainda, a superação de obstáculos que possam estar agrilhoando a própria vida. Dessa maneira um processo como a psicoterapia, no qual o paciente vai em busca do autoconhecimento, do autocrescimento e da cura de determinados sintomas, certamente pode ser definido como espiritualidade; esse paciente vai ao encontro de sua superação humana, de alçar voos mais altos e transcender suas limitações existenciais.

Deste modo, o conceito de espiritualidade se expande, tomando os contornos do desenvolvimento humano, no sentido de superar-se, de alcançar objetivos, de projetar-se num movimento de busca por uma elevação de sua condição humana. Esse agir pode ser entendido como um ato de espiritualidade, independente se essa busca está relacionada a uma ritualística, a uma deidade ou religião. “A religiosidade, de outra parte, é o anseio pelo sagrado, pelo divino, por algo superior que pode ser definido como a energia que nos move em direção até mesmo dos diferentes conceitos existentes acerca de Deus.” (Angerami, 2008, p. 3).

Tendo como referência Angerami (2008, p. 3), em qualquer circunstância em que uma pessoa procure algum tipo de tratamento, como a psicoterapia, percebe-se nela o desejo de resgatar aquilo “que existe de melhor em sua condição humana e transcender seus próprios limites”, tal como um movimento relacionado à espiritualidade e à religiosidade.

Bowen (in Santos, Rogers e Bowen, 1987, p. 111) corrobora que o processo de psicoterapia pode ser tomado como um momento espiritual ao afirmar:

Por “espiritual” quero dizer um momento no qual operamos a partir do “Self” interno e, consequentemente, nós nos sentimos interligados com a energia do Universo. Em momentos como este, nós somos uma parte fragmentada do todo. Nós “somos” o todo. Limites entre o Eu-Você-Eles-Natureza-Deus desaparecem.

Ao relacionar a espiritualidade com um movimento do self interno, nota-se que ela se refere a um fenômeno apenas individual, ao passo que a religiosidade, além dos aspectos individuais, sugere aspectos coletivos e institucionais, tomando desta forma um caráter mais abrangente.   

Segundo Antoniazzi (2005 apud Cambuy, Amatuzzi e Antunes, 2006, p. 78), o indivíduo que não adere a uma religião institucionalizada, ainda que acredite em algum tipo de Deus ou numa força superior, está reduzindo a sua religiosidade a um sentimento íntimo, a uma vivência pessoal.

Como corroboram Pessanha e Andrade (2009, p. 77), a relação do sujeito com aquilo que ele reconhece como sagrado/transcendente se dá através da adesão à práticas dentro de uma instituição religiosa organizada, é esta qualidade da relação que caracteriza a religiosidade. Segundo eles, os laços que a pessoa dita religiosa firma com sua religião oferecem um apoio social para sua saúde física e mental.

Estes autores afirmam, ainda, que a experiência religiosa é capaz de proporcionar mudanças no comportamento das pessoas e na forma como elas veem o mundo, contudo, para adentrar nesse mundo, é necessário que o psicólogo, desenvolva esta compreensão a partir da escuta das vivências de seu cliente, e não do arcabouço teórico adquirido em sua formação ou das suas próprias experiências.

Para Cambuy, Amatuzzi e Antunes (2006, p. 82-83), embora a religião na contemporaneidade tenha perdido o status de necessidade humana, por uma “dissociação dos domínios que compõe a vida cotidiana”, a saber: o político, o social e o familiar, ela persiste como um “fenômeno da ordem do desejo, que vai além do necessário e do útil”. Os autores citam Vergote (2001, p. 22), para salientar a importância desse desejo religioso, pois ele pode ser entendido como “uma tendência psicológica que orienta para experiências e modos de existência que fazem gozar e celebrar: a beleza, o amor, a experiência do divino e a relação com ele”.

Estes autores sugerem que existe uma ligação entre a religiosidade e a saúde física, para comprovar essa ideia, no artigo intitulado “Psicologia clínica e experiência religiosa”, apresentam pesquisas que mostram uma diminuição nos índices de adoecimento entre pessoas que frequentam algum tipo de prática religiosa. Este estudo postula também que pessoas religiosas, num nível subjetivo, apresentam uma maior sensação de bem-estar, otimismo e comprometimento com a moralidade.

Convém ressaltar que esse bem-estar não é proporcionado por fatores extrínsecos, mas provém da experiência que as pessoas religiosas fazem com o sagrado, e da forma como se sentem por exercerem sua religiosidade. Neste ponto, podemos reaver, para a religiosidade, o conceito de superação proposto anteriormente ao descrevermos a espiritualidade: “a vivência religiosa proporciona uma sensação de significado e propósito interior, além de uma troca de estado de humor negativo para um estado positivo”. (Cambuy, Amatuzzi e Antunes, 2006, p. 83).

Além do aumento da qualidade de vida, segundo os resultados da pesquisa de Hill e Butter (1995), citada por Cambuy, Amatuzzi e Antunes (2006, p. 83), a religião também pode ser entendida como uma importante variável no que tange ao estudo do comportamento, destacando-se seu papel positivo sobre a saúde mental e o bem-estar psicológico da pessoa.

Isso ocorre porque, certamente, o fato de estar ligada a uma instituição religiosa, imprimi na pessoa um modelo de comportamento que embasará as atitudes que ela tomará em seu cotidiano. Esse padrão comportamental pode ser imposto, como uma norma religiosa, ou adotado mediante a observação dos demais membros do grupo religioso, através do sentimento de pertencimento.

Além da integração ocasionada pela identificação com as atitudes dos demais membros do grupo, a religião também pode despertar no religioso um maior sentimento de empatia, visto que as pessoas religiosas tendem a se preocupar com as necessidades do outro. (Linares, 2001 apud Cambuy, Amatuzzi e Antunes, 2006, p. 83).

Esse conceito de desenvolvimento saudável proporcionado pela religião, tanto para a pessoa quanto para as relações sociais que ela desenvolve, é antagonizado pelo contexto em que as questões religiosas são trazidas à clínica: ora o cliente apresenta certa culpabilidade de ter se afastado do modelo de comportamento citado anteriormente, ora sente-se vivendo uma vida que não é sua, pela obediência à autoridade da doutrina, ambas queixas tomam forma de um sofrimento psíquico que precisa ser compreendido na psicoterapia.

Cambuy, Amatuzzi e Antunes (2006, p. 79) ao descreverem a presença de questões religiosas nos atendimentos clínicos, atreladas a problemas psicológicos trazidos para a psicoterapia, apontaram para o fato de que, em alguns clientes, a experiência religiosa influencia na percepção de seus problemas e na interpretação de seus comportamentos. Assim pode-se dizer que:

Tem-se encontrado casos de interpretação espiritual ou religiosa para problemas de percepção ou de comportamento (como, por exemplo, influência de demônios ou outros espíritos nas atividades cotidianas), ou mesmo de esclarecimentos religiosos para problemas psicológicos (como, por exemplo, culpabilidade, principalmente no campo da sexualidade, alimentada por doutrinas religiosas ou diretamente por líderes religiosos).

Com isso, os autores indicam que, paralelo aos efeitos positivos e construtivos da religião, existem algumas patologias que podem ser evidenciadas num ambiente religioso e que cabe à psicologia forjar meios de auxiliar o cliente na busca de uma solução para o seu sofrimento. “Nesse sentido, cabe à psicologia, enquanto ciência, desenvolver um suporte teórico consistente que auxilie os psicólogos e outros profissionais da área a lidarem com as queixas de cunho religioso trazidas por seus clientes” (Cambuy, Amatuzzi e Antunes, 2006, p. 79).

3. Psicologia e Religião: Uma Relação de Distanciamento?

Embora a religião exerça na vida da pessoa um papel importante, no que tange ao seu repertório comportamental e ao arremate de recursos que ela utiliza para estabelecer suas relações sociais e dar sentido à sua vida, o caráter psicológico da religião é, na maioria das vezes, negligenciado ou mesmo negado, não estabelecendo ligação entre a psicologia, enquanto ciência, e a religião:

Na verdade, as coisas se tornam excludentes pela visão preconceituosa que se atribui aos fatos, pois na realidade a psicoterapia não pode deixar de abarcar em seu bojo de ação questões que implicam a religiosidade do paciente. (Angerami, 2008, p 13).

Com isso o autor não está sugerindo uma aproximação entre um tratamento religioso e a psicoterapia, ou sugerindo que esta última considere as técnicas ou vivências religiosas como parte de sua prática, para ele, embora a psicoterapia não se refira a um tratamento religioso, também não se pode conceber que ela exclua as questões da religiosidade enquanto manifestação humana.

A principal dificuldade que muitos psicólogos enfrentam ao relacionar a religião com a psicologia, é lidar com esse tema durante o atendimento, por não o compreenderem como uma manifestação humana, desta forma, as queixas trazidas pela pessoa, são avaliadas segundo o crivo teórico adotado pelo terapeuta e, muitas vezes, esta avaliação não contempla a religiosidade, isto é, o profissional não encontra referência científica para lidar com a questão e orienta o conteúdo trazido, por outros campos, muitas vezes da patologia, ou por sua própria experiência em detrimento da vivência pessoal do cliente. (Lopez 1999 apud Cambuy, Amatuzzi e Antunes 2006, p. 80).

O que a autora sugere é que, o psicólogo encontre no conteúdo trazido pelo seu cliente, aquilo que lhe seja verdadeiramente significativo, que represente e abarque a sua vivência como um todo e não como partes isoladas, isso significa dizer que mesmo as vivências de cunho religioso devem ser consideradas durante o processo terapêutico. Contudo, o profissional da psicologia tende a burilar o conteúdo apresentado, retirando daí as “rebarbas” de cunho religioso, nessa tarefa, fica explícita a dificuldade em, nesse contexto clínico, aproximar essas duas realidades que, na vida do cliente, apresentam-se numa única vivência.

Essa dificuldade, segundo a autora, é decorrente da redução ou mesmo exclusão de estudos sobre a relação da religião com a psicologia nos cursos de formação dos psicólogos que, geralmente, tendem a reduzir a experiência religiosa a um enquadramento patológico.

Tal enquadramento caracterizou a religiosidade como uma experiência nociva para a saúde mental, como destacam Cambuy, Amatuzzi e Antunes (2006, p. 81), “alegavam os delírios religiosos, a culpabilização da sexualidade e as neuroses coletivas de culpa, o encorajamento de experiências suspeitas e perigosas como visões e aparições”. Experiências que se consideradas dentro do contexto em que acontecem podem revelar um significado diferente daquele apresentado pelos diagnósticos psicopatológicos.

Ainda sobre a abordagem da religiosidade na formação dos profissionais de psicologia, Pinto (2008, p. 73-74) afirma que, mesmo se tratando da psicologia da religião, grande parte dos psicólogos desconhece essa área de trabalho e pesquisa. Isso porque essa matéria não é ofertada durante a graduação, suas discussões reduzem-se a uma especialização. E sugere uma mudança nesse campo:

A religião não pode mais ser vista quase como um defeito humano, um mecanismo de defesa, uma simples sublimação de algo mais importante, ou mesmo como algo destituído de uma substância própria e completamente explicável com base somente em referenciais não-religiosos.

Como acrescenta Angerami (2008, p. 7), os profissionais da psicologia tendem a esse distanciamento desde o início de sua formação, muitos acadêmicos acabam se desligando de práticas religiosas no intuito de não serem influenciados pelo sentimento despertado por estas. Escreve:

A dicotomia existente entre a vida pessoal dos acadêmicos e suas práticas religiosas é, sem dúvida, o principal ponto para ser trazido à tona das reflexões envolvendo religiosidade [...] A questão principal é a de que a prática religiosa poderia conspurcar sua atividade acadêmica, uma vez que o meio científico não aceita afirmações e conclusões que não passem pelo crivo da experiência científica em todos os seus passos e modalidades.

Para Angerami (2008, p. 28), isso acontece porque “somos impelidos a buscar explicações conceituais quando na verdade estamos à procura de significados para a própria vida”.  Esses significados, muitas vezes, estão imbuídos na religiosidade do cliente e só serão percebidos se esta for considerada.

Percebe-se, então, uma discrepância entre o conhecimento científico e a experiência religiosa, essa divergência também foi apresentada por Rogers (1983, p. 48), citado por Justo (2003, p. 65), como uma subestimação da dimensão espiritual e mística. Isso porque, na busca pelo conhecimento, o psicólogo tende a abraçar o conjunto de teorias no intuito de dominá-las e acaba esquecendo-se de considerar suas próprias vivências como parte desse aprendizado.

Malgrado, Angerami (2008, p. 29), alerta que essa “dicotomia provocada pela psicologia diante da temática da religiosidade” acaba reduzindo as possibilidades de compreensão do homem contemporâneo, uma vez que, aceitá-la, possibilitaria o entendimento dos recursos utilizados por este homem na busca por preceitos religiosos. O autor sugere que não se pode entender o processo religioso sem, com isso, aceitar a possibilidade de compreendê-lo.

Sobre essa busca religiosa, Pessanha e Andrade (2009, p. 83) afirmam que, muitas vezes, a pessoa pode trilhar um caminho guiada pela ilusão de que a instituição religiosa irá fornecer um padrão de comportamento que lhe permitirá maior aceitação ou reconhecimento, essa pessoa aceita esse modelo e passa a segui-lo como seu, se eximindo da responsabilidade da tomada de decisões, de fazer suas próprias escolhas e começa a viver a inautenticidade de sua vida através de um condicionamento religioso.

Segundo este autor, essa ilusão revela a busca de um Deus que pode resolver todos os seus problemas e aliviar suas mazelas. Neste caso, a pessoa configura o seu sentimento religioso num processo de alienação, numa confiança exacerbada e inconsequente, de tal modo que deixa de agir em sua própria vida.

Ao descrever as relações de heterossuporte, Andrade (in Frazão e Fukumitsu, 2014, p. 153), aponta o risco dessa alienação:

O afastamento de si mesmo e o caminhar em direção diferente das suas reais necessidades dão-se pelo medo de não ser aceito e, até mesmo, de ser rejeitado. Esse risco leva o indivíduo a uma atitude que o distancia de si mesmo para ser amado, mesmo que condicionalmente.

Diante da emergência de tais questões, percebe-se que não há como o profissional da clínica psicológica se eximir do fato de que questões religiosas estão imbricadas nas queixas, nos recursos e nas vidas de seus clientes, e que há da parte dele, enquanto terapeuta, a necessidade de compreender essa relação entre psicologia e religiosidade.

4. E Quando a Religiosidade Adentra as Portas da Clínica?

A importância da compreensão da religiosidade no contexto da clínica psicológica, segundo Shafranske e Malony (1990 apud Cambuy, Amatuzzi e Antunes, 2006, p. 79), perpassa por esferas interligadas, a saber: a relevância da religião na constituição da cultura e dos valores do cliente, bem como sua ligação com o contexto dos conteúdos abordados no processo psicoterapêutico e da saúde mental.

Bowen (in Santos, Rogers e Bowen, p. 87) descreve um caminho para compreender a busca espiritual do homem, tal compreensão seria possível através de uma mudança no processo terapêutico, a saber, da valorização do processo interpessoal para uma escuta dirigida para o intrapessoal, incluindo as vivências religiosas.

Ouvir, para Amatuzzi (2001 apud Rebouças, 2010), não se trata apenas de receber auditivamente o que nos é dito, mas participar dos significados dados pelo locutor aquilo que é dito:

É se permitir entrar verdadeiramente no universo de significados do outro para, dessa forma, auxiliá-lo na construção e/ou reconstrução dos sentidos que realmente dizem respeito à sua existência. É um mergulho no universo interior da pessoa que fala, sem a interferência de julgamentos e valores, a partir do qual se abrem possibilidades dela mesma se ouvir.

Paiva (1998, p.155) acrescenta a este ato de escuta, a necessidade do ouvinte considerar e “respeitar os lugares de onde as coisas são ditas. A experiência religiosa é dita exclusivamente de um lugar religioso”. Desta forma, o ponto de partida para a compreensão das questões religiosas trazidas à clínica psicológica são as experiências religiosas vivenciadas pelo cliente. Segundo o autor, sem essa compreensão, o terapeuta estaria se utilizando da ótica psicológica, sociológica ou antropológica em detrimento de um olhar empático através do qual se torna viável o reconhecimento religioso sobre tais questões.

Assim, como corrobora Pessanha e Andrade (2009, p. 80), “a psicologia deve estar aberta ao diálogo com o religioso para que o seu intuito, que é o de facilitar a compreensão do cliente, não exclua dessa compreensão a sua experiência religiosa”.

Desse modo, a terapia exercerá a função de clarificar as vivências, inclusive religiosas, do cliente, permitindo-lhe entender, modificar e compreender os padrões, valores e sentidos que a religião trouxe para sua vida.

Contudo, vale salientar que esse movimento deve ser feito pelo cliente, o terapeuta não poderá fazer alterações na forma como o cliente se relaciona com a sua religião, mas estabelecerá uma relação de suporte para a tomada de decisões:

Se o cliente precisa de ajuda, o terapeuta deve fornecer-lhe o suporte necessário, ou seja, deve, assim que possível, facilitar-lhe descobrir maneiras de buscar a satisfação de suas necessidades e a amplificação de suas possibilidades, enriquecendo, assim, seu suporte. (Andrade in Frazão e Fukumitsu, 2014, p. 153).

Essas possibilidades, para Pessanha e Andrade (2009, p. 83), podem ser limitadas pela religião do cliente, mas não cabe ao terapeuta impedir que ele siga o caminho religioso que ele escolheu, mas ajudá-lo a questionar os significados implicados por essa escolha em sua vida e, por conseguinte, torná-la mais autêntica, isto é, capaz de escolher a si mesmo, fazer suas próprias escolhas e assumir os riscos e responsabilidades decorrentes dela.

A partir do momento que o cliente compreende a sua religiosidade, consegue compreender a sua relação com o sagrado, sem amarras e sem medos, compreendendo seus sentimentos, conseguindo entender o sentido dessa experiência para sua vida, agindo de maneira autêntica, a religiosidade o levará a alcançar a superação de limites e a enfrentar as angústias e dificuldades da vida.

Para auxiliar o cliente nesse trabalho de tomada de consciência sobre sua própria religiosidade, o terapeuta não precisa comungar das ideias e crenças apresentadas, sua função será apenas a de acolhê-las.

[...] o acolhimento da psicoterapia às buscas efetivadas pelo paciente pelos caminhos da religiosidade não implica a necessidade de o psicoterapeuta comungar das mesmas crenças religiosas dele. Acolher é respeitar e aceitar as diferenças de maneira que estas não sejam impeditivas do pleno desenvolvimento do processo psiquiátrico. (Angerami, 2008, p. 11).

Aceitar a questão da religiosidade dos clientes significa entender qual a importância que a religião ocupa na vida do cliente, estabelecendo com ele uma relação empática que lhe proporcionará um sentimento de ter sido acolhido independente de sua crença.

Aqui se aplica o conceito de compreensão empática, dentro da Abordagem Centrada na Pessoa, como:

[...] a capacidade do psicoterapeuta em se colocar no lugar do outro sempre, olhando para a pessoa através de seu olhar, buscando se aproximar ao máximo da forma como a pessoa enxerga ou se sente a partir do seu contexto, sem, no entanto, sentir-se o outro. É um “como se” sem ser, ou seja, [...] a capacidade verdadeira de se colocar na pele do outro. (Carrenho, Tassinari e Pinto, 2010, p. 68-69).

Uma vez estabelecida a compreensão empática, o cliente se sentirá acolhido, o que lhe possibilita a emersão de questionamentos com relação à sua religião, de modo que se torne consciente dos motivos que o levam a confirmá-la ou mesmo abandoná-la (Pessanha e Andrade, 2009, p. 81).

Essa possível mudança decorrente do processo psicoterapêutico, remete-nos ao princípio da tendência de atualização, descrito por Pinto (in Carrenho, Tassinari e Pinto 2010, p. 62) como a “capacidade natural de se autodirigir no sentido de buscar suprir as suas necessidades”. Essa tendência é uma constante na vida da pessoa que, segundo o autor, atualiza-se a todo momento, é um ser em constante mutação.

Em consonância com o conceito supracitado, Pessanha e Andrade (2009, p. 82), destacam que o cliente, enquanto ser mutável, pode reformular a sua relação com o sagrado e, até mesmo, a sua concepção acerca deste. Assim, o aqui-e-agora vivenciado pelo cliente no momento da terapia, auxilia o terapeuta a compreender a religiosidade desse cliente e identificar a sua fase relacional desenvolvida com o sagrado. Assim, recorrendo a Angerami (2008), o mesmo vem trazer que:

O anseio pelo sagrado é uma necessidade humana na medida em que se busca a compreensão do sentido de vida e, por assim dizer, da própria finitude. Buscar o sagrado é procurar pela essência da alma humana no sentido de sua abrangência de magnitude. Almejamos Deus e na verdade estamos delineando uma superação em nossa própria condição humana; buscamos Deus e nos deparamos com a imensidão de nossa alma, que se atira em voos rasgados na imensidão dessa busca. (p. 29).

Nessa imensidão da busca, o cliente pode reformular a sua imagem do sagrado, do que move sua vida e dá sentido à sua existência. Conforme Alves (in Pessanha e Andrade, 2009, p. 82), “a religião fala do sentido da vida [...] Aqui se encontra a razão pela qual as pessoas continuam a ser fascinadas pela religião a despeito de toda crítica que lhe faz a ciência”.

Parafraseando Sapienza (2004, apud Pessanha e Andrade, 2009, p. 82), falar sobre a busca do sentido da vida é tocar na questão dos valores, pois só tem sentido caminhar na direção daquilo que é valorizado. O papel da psicoterapia seria, então, o de proporcionar a identificação daquilo que verdadeiramente tem sentido para a vida do cliente, isso envolve também a religiosidade.

Recorrendo a Angerami (2008, p. 28-29), a religiosidade não necessita de explicações conceituais, o papel do terapeuta nesse momento é o de acolher e aceitar aquilo que o cliente está trazendo como vivência. “A psicologia, ao se aproximar das manifestações religiosas, está, na realidade, buscando também um aprumo para se fazer de fato uma ciência que compreenda as pessoas em sua verdadeira humanidade”.

Para que isso aconteça, o psicoterapeuta necessita desenvolver uma atitude de consideração positiva incondicional pelo cliente, tal atitude é descrita por Pinto (in Carrenho, Tassinari ePinto 2010, p. 79-80) como:

A capacidade genuína de considerarmos o outro independente do que a pessoa pense, seja ou faça. Consideração incondicional positiva nada mais é do que a tentativa de resgatarmos em nós, psicoterapeutas, essa capacidade [...] de considerar o outro, aceitá-lo dentro dos seus sentimentos, pensamentos e atitudes, independente de quais sejam. (grifo do autor).

Como já fora dito anteriormente, não significa que o terapeuta deverá aprovar ou comungar dos pensamentos do cliente, mas aceitá-lo, tendo a sensibilidade de “confiar nessa pessoa a partir de suas próprias experiências” desprendendo-se das explicações conceituais e “verdades aprendidas”.

O terapeuta se preocupa com o seu cliente de uma forma não possessiva, que o aprecia mais na sua totalidade do que de uma forma condicional, que não se contenta com aceitar simplesmente o seu cliente quando este segue determinados caminhos e desaprová-lo quando segue outros. (Rogers, 1961 apud Carrenho, Tassinari e Pinto, 2010, p. 81)

Esse movimento compreensivo gera confiança e, por conseguinte, maior comprometimento do cliente com o processo terapêutico:

O paciente, ao trazer para a sessão de psicoterapia questões que envolvem sua religiosidade, apresenta aspectos de entrega ao processo psicoterápico, uma vez que estará mostrando total confiança na rede de proteção apresentada pela psicoterapia. (Angerami, 2008, p.13).

Esse aspecto de entrega apontado por Angerami (2008, p.13), conduz a psicoterapia por um caminho livre de conflitos em relação aos valores do paciente, uma vez que este não precisa separar o conteúdo religioso do seu momento de psicoterapia, visto que, se este conteúdo faz parte de sua vida, “não pode estar ausente de seu processo de autocrescimento e autoconhecimento, pilastras básicas da psicoterapia”.

5. Procedimentos Metodológicos

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão de literatura e, com base em seu objetivo, classifica-se como uma pesquisa exploratória, envolvendo em sua dinâmica de trabalho o levantamento bibliográfico. Sobre as pesquisas exploratórias, Gil (2002, p 41) discorre:

Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições.

Segundo Gil (2002, 44), “boa parte dos estudos exploratórios pode ser definida como pesquisas bibliográficas”. Este projeto de pesquisa enquadra-se nessa definição por seu procedimento técnico, pois elegeu-se tal abordagem metodológica para ser seguida, pretendendo desenvolve-la “com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”.

Foram adotadas como fonte de informação: livros de autores que tratam da Religiosidade, da Abordagem Centrada na Pessoa e da Gestalt-terapia, a base eletrônica de dados da Scientific Electronic Library Online - SCIELO, além dos acervos eletrônicos do portal de Periódicos Eletrônicos de Psicologia – PePSIC, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP, dentre outras revistas acadêmicas.

Os descritores utilizados na realização das buscas foram: “Religião e Psicologia”, “Psicologia e Espiritualidade” e “religiosidade e psicoterapia”. Sendo permutadas da seguinte forma: “Psicoterapia e Espiritualidade”, “Clínica Psicológica e Religião”.

Os critérios estabelecidos para a inclusão dos trabalhos foram: artigos publicados em revistas eletrônicas, em idioma português, entre os anos de 1998 a 2018, além dos livros de autores importantes para a Psicologia Humanista. O estudo compreende leitura de material e décadas diferentes a fim de aproximar os diversos posicionamentos, no decorrer do tempo, a respeito do tema. Dentre o material estudado foram selecionados 10 títulos como referência e os dados foram organizados em três grupos de acordo com os conteúdos que apresentavam, a saber: o conceito de espiritualidade e religiosidade; convergências e divergências no caminho da religiosidade e do processo terapêutico; dificuldades na relação psicologia-religião.

6. Conclusão

Observou-se nesta pesquisa que a abordagem de questões religiosas na clínica psicológica ainda desponta como um tabu, configurando-se como um desafio ao terapeuta. Por outro lado, os conceitos da clínica com ênfase humanista apontam as possibilidades de traquejo para com a temática. Tais práticas desvendam o caminho da compreensão, que envolve uma consideração incondicional positiva pelo cliente, a sua tendência à atualização constante, a empatia do psicólogo para com a situação do cliente, e a oferta de um suporte na relação terapêutica.

Tal compreensão abarca o conteúdo cultural e dos valores do cliente que, quando considerados na clínica, desvelam importantes partes do seu mundo interior. Contudo, isso exige uma mudança no processo terapêutico enfatizando os processos intrapessoais do cliente, o que inclui, eventualmente, a escuta e acolhida de suas experiências religiosas.

É necessária uma atenção especial ao processo de escuta, considerando o lugar de onde as coisas são ditas, sobretudo, se este lugar é religioso, neste caso é importante transcender aquilo que é dito e adentrar no mundo do cliente, participando das significações que ele atribui às suas vivências religiosas. O papel do terapeuta aqui não é o de fornecer explicações conceituais, mas o de acolher, de considerar incondicionalmente e positivamente aquilo que é dito.

Assim o ponto de partida para a compreensão das questões religiosas trazidas pelo cliente será as suas próprias vivências. Estabelece-se então uma compreensão empática, o cliente sente-se acolhido por inteiro e entrega-se ao processo terapêutico, esse movimento desperta-lhe questionamentos que, por conseguinte, levam-no à tendência de atualização, confirmando os pontos fortes de sua religiosidade e abandonando as crenças limitadoras.

Através de uma relação de suporte, o terapeuta clarifica as vivências do cliente, permitindo-lhe entender, modificar e compreender os valores e sentidos que tais experiências trouxeram para sua vida, e qual a importância que a religião ocupa em sua história pessoal.

Adentrar no mundo das vivências religiosas do cliente, não significa ter de comungar delas, mas, acolher e confiar no cliente permitindo-lhe reinventar sua relação com o sagrado, bem como reconstruir o Divino a partir dos novos sentidos e valores que traz para a sua própria existência.

A partir do diálogo entre a psicologia e a religião amplia-se o olhar do terapeuta, permitindo-lhe enxergar o cliente que se revela e precisa ser compreendido como um todo e acolhido com suas vivências, valores e crenças. Apenas através desse caminho da compreensão será possível entender a pessoa em sua verdadeira humanidade.

Sobre os Autores:

Roney Vieira Santos - Graduado em Psicologia pela União Metropolitana de Educação e Cultura - UNIME..

Marcos Aurélio Lordão Rocha - Graduado em Licenciatura em Psicologia e em Formação de Psicólogo (Universidade Federal da Paraíba). Especialização em Docência do Ensino Superior (UNICESP-Brasilia). Docente da União Metropolitana de Educação e Cultura - UNIME e Faculdade de Ilhéus – CESUPI.. 

Referências:

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SANTOS, Roney Vieira; ROCHA, Marcos Aurélio Lordão. O Caminho da Compreensão: o Desafio de Aceitar a Abordagem de Questões Religiosas na Clínica Psicológica. Psicologado, [S.l.]. (2018). Disponível em https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-clinica/o-caminho-da-compreensao-o-desafio-de-aceitar-a-abordagem-de-questoes-religiosas-na-clinica-psicologica . Acesso em .

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Santos, R. V. & Rocha, M. A. L., 2018. O Caminho da Compreensão: o Desafio de Aceitar a Abordagem de Questões Religiosas na Clínica Psicológica. [online] Psicologado. Available at: https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-clinica/o-caminho-da-compreensao-o-desafio-de-aceitar-a-abordagem-de-questoes-religiosas-na-clinica-psicologica [Acessed 02 Jul 2020]

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