Psicologia e Religiosidade: 26 Anos de Produção Científica Nacional

(Tempo de leitura: 11 - 22 minutos)

Resumo: O homem encontrou apoio além de respostas para suas angústias emocionais na religião e desta tríade mundo/alma/religião desabrocha naturalmente a questão psico-religiosa humana em todo o tempo, pois a angústia da certeza de finitude o impulsiona a ir em busca de compreender o que vem depois da morte. Do ponto de vista científico, há preocupação em mensurar a produção em diferentes áreas do conhecimento para aferir pontos de interesse ou falhas no seu desenvolvimento. O objetivo deste trabalho foi analisar os resumos das publicações científicas referentes à psicologia e religiosidade, com o intuito de saber como se dá o interesse do profissional da Psicologia em aprofundar-se no tema e, eventualmente, seu manejo em atendimentos de pessoas religiosas. Foram levantados os resumos das publicações nacionais nas bases de dados LILAC’S e SciELO por meio das palavras-chave ‘psicologia e religiosidade’ e ‘psicoterapia e religiosidade’ obtendo um total de 92 artigos e analisadas as seguintes variáveis: a) Ano de publicação; b) Natureza do artigo e número de autores; c) Periódicos de origem e d) Temática. Observou-se maior frequência de publicação nos anos de 2007 e 2008 (ambos com um total de 14 artigos que correspondem a 15,2% do total), com queda na produção a partir dai. Predominam artigos de pesquisa com 78 trabalhos (84%), elaborados por múltiplos autores em 64 artigos (70%). Houve trabalhos nas áreas da Psicologia, Medicina e Enfermagem com destaque para os seguintes periódicos: Psicologia Argumento (N= 38; 14%) e Revista Brasileira de Enfermagem (N=10; 50%). Dentre as 16 temáticas identificadas, as três principais estão voltadas para entender como as pessoas fazem uso da religiosidade como forma de enfrentamento quando estão enfermas bem como a família e o sujeito cuidador; a influência da religiosidade na constituição familiar; e, por fim, a frequência religiosa dos pacientes como um fator de proteção em relação à saúde física e mental e a conexão entre a religiosidade e o perfil psicopatológico do paciente. De 1986 a 2005 houve poucos trabalhos com grande amplitude de temas e a partir de 2006 houve maior número de artigos com menores variações temáticas, pois de 61 trabalhos publicados nestes anos, 25 (40,9%) estão agrupadas entre os três temas principais. Sugere-se, então, verificar o motivo pelo qual ocorreu um aumento significativo na produção científica relacionada ao tema durante os anos de 2007 e 2008 e por que este interesse parece estar caindo atualmente.

Palavras-chave: Atendimento psicológico, religiosidade, cientometria.

1. Introdução

Fé significa uma convicção certa e segura de que alguma coisa ocorrerá, ou seja, é a certeza do que se espera e aguarda, mesmo que não se saiba previamente o que está por vir. É definida, também, como a crença firme e certa em algo ou alguém que não se vê e cuja existência não se pode provar. Já a Religião pode ser definida como um sistema de crenças estruturado com valores morais e a crença na existência de Deus ou de um ser superior. Esse sistema é compartilhado e institucionalizado e as pessoas que dele partilham se envolvem em uma comunidade de fé (BRUSCAGIN et al, 2008).

Segundo Ávila (2007) a religião é uma das formas em se buscar sentido para a vida e o que torna esta busca distinta das demais é a referência ao sagrado, ou seja, a substância primordial da religião. A Religiosidade é a prática da religião. Valle (1998) explica que “a “religiosidade”, enquanto experiência subjetiva difere da “religião”, que é sua matriz instituída. As funções psicológicas e socioculturais das duas não são idênticas, mas se completam” (p.41). Espiritualidade pode ser definida como uma experiência tanto fora como dentro de uma estrutura religiosa formal, ou seja, ela é um constructo de maior abrangência que se refere mais genericamente a crenças e práticas transcendentais sendo mais ampla e pessoal. A espiritualidade pode ou não envolver a crença em Deus ou a um ser superior. Pode-se dizer que todas as pessoas têm espiritualidade, mas nem todas expressam por meio religioso (BRUSCAGIN et al, 2008).

Ribeiro (2008) diz que a fé e as crenças unidas aos estados clínicos da experiência religiosa como culpa, meticulosidade, suscetibilidade, medo, dentre outros, são mais do que simples questões descritivas experimentadas. Trata-se da inevitabilidade em perceber que a pessoa vista como um todo em sua existência global envolve seu meio religioso que dá sentido de vida e esta, consequentemente, entra em ação segundo o sentimento de fé que vivencia e que a impulsiona. O homem encontrou apoio e suporte além de respostas para suas angústias emocionais na religião e desta tríade mundo/alma/religião desabrocha naturalmente a questão psico-religiosa que toma parte do homem em todo o tempo, pois a angústia que existe desde sempre no homem é a da finitude, da certeza da morte e esta certeza o impulsiona a ir em busca de respostas e da tentativa em compreender o que vem depois da morte.

A Psicologia em sua etimologia significa estudo da alma e, se a alma é relacionada com a religião, pode-se supor que ambas estão associadas num mesmo patamar e que o inconstante em uma reflete na outra, pois “o homem só é psicológico porque é religioso, e só é religioso porque é psicológico” (RIBEIRO, 2008, p.203). O autor diz que a religião e psicologia estão tão entrelaçadas que não se pode conceber uma sem conceber a outra.

Na área da Psicologia é sabido que o principal instrumento de trabalho é o próprio psicólogo e sua subjetividade estará sempre presente neste processo, segundo Bruscagin et al.(2008). Na tríade estudo-terapia-supervisão o psicólogo vai se aprimorando e tornando-se apto a lidar com suas capacidades egóicas e com seu mundo de fantasias, desejos, experiências e ansiedades. Assim, estando o profissional da psicologia bem consigo mesmo, torna-se capaz de lançar mão de seu universo no trabalho terapêutico e se torna mais disponível para o universo do outro, ou seja, sua história, contexto, cultura, etnia, religião e gênero.

Diante do exposto, a presente pesquisa remete a seguinte questão: Como se dá o interesse do profissional da Psicologia no tema? O objetivo do presente trabalho é o de fazer levantamento da produção científica referente à psicologia e religiosidade, com o intuito de verificar como se dá o interesse do profissional da Psicologia no Brasil em aprofundar-se no tema para ter mais conhecimento a fim de aprimorar ainda mais o atendimento em psicoterapia de pessoas religiosas.

Segundo Poblacion e colegas (2006), para se alcançar resultados desejados numa pesquisa, há de estudar exaustivamente um conjunto de variáveis, sendo esta a atividade cientifica propriamente dita. Geralmente, a comunicação realizada no meio científico é feita a partir de publicações em periódicos de cada área especifica. Dessa forma, a principal função de um periódico é o de difundir o conhecimento cientifico que existe, registrando-o para que possa contribuir para o desenvolvimento, modernização e progresso da ciência, em consequência da troca de informações entre pesquisadores e as comunidades científicas decorrente da publicação dos trabalhos.

Silva e Bianchi (2001) definem a cientometria como “o estudo da mensuração e quantificação do progresso científico, estando a pesquisa baseada em indicadores bibliométricos” (p. 5). Assim, este trabalhou buscou analisar alguns aspectos da publicação dos artigos de psicologia e religiosidade a partir dos resumos.

Segundo Sampiere e colegas (2006), a pesquisa qualitativa utiliza processo indutivo que busca extrair significados dos dados obtidos por meio de descrição em categorias e análise dos dados para entender um determinado fenômeno e, por não ter como pretensão a comprovação de uma ideia, as hipóteses foram reformuladas de acordo com os resultados obtidos. Assim, o estudo qualitativo exploratório aplicado neste trabalho corresponde aos propósitos da presente pesquisa, já que leva a um estudo de fenômenos consequentes da construção social (MINAYO, 2003).

A importância científica do estudo reside na escassa publicação sobre o tema que, sendo mais discutido, pode auxiliar em aspectos do atendimento de pessoas religiosas sem gerar novos conflitos.

2. Método

2.1 Material

Foram utilizados os resumos das publicações indexadas nas bases de dados LILAC’S (indexa literatura em Ciências da Saúde publicada nos países da América Latina e Caribe, em formato impresso ou eletrônico) e SciElo (seleciona revistas de todas as áreas de conhecimento, publicadas nos países da América Latina, Caribe, Espanha e Portugal).

Inicialmente, foram levantadas, nestas bases, publicações com os seguintes descritores: religião, religiosidade, espiritualidade, psicologia, tratamento psicológico, psicoterapia, psicoterapia e religiosidade, psicoterapia e religião, tratamento psicológico religiosidade, psicologia religião e psicologia religiosidade. Decidiu-se que seriam estudadas as publicações de origem brasileira, pois as de origem latino-americanas têm um número irrelevante de publicações.

Tabela 1. Frequência absoluta das publicações indexadas nas bases SciELO e LILAC’S, segundo os temas levantados:

Temas

SCIELO

LILACS

religião

505

1134

religiosidade

165

215

espiritualidade

139

219

psicologia

7147

24558

tratamento psicológico

120

507

psicoterapia

541

2968

psicoterapia religiosidade

1

3

psicoterapia religião

3

22

tratamento psicológico religiosidade

1

2

psicologia religião

72

321

psicologia religiosidade

32

79

Para cumprir os objetivos do trabalho, foram separados os resumos indexados como ‘psicologia e religiosidade’ que teve um total de cento e onze (111) publicações e ‘psicoterapia e religiosidade’ com total de quatro (4) artigos. Após a filtragem e exclusão daqueles constantes nas duas bases, restaram noventa e duas (92) publicações.

2.2 Procedimentos

Os resumos foram analisados em função das seguintes variáveis: a) Ano de publicação; b) Natureza do artigo (se era relativo a pesquisa ou teórico) e número de autores (se tinha autoria única ou múltipla) ; c) Periódicos de origem e d) Categorização temática. Para categorização temática foram usados procedimentos de análise de conteúdo, conforme Bardin (2009).

2.3 Análise dos Temas

No presente trabalho usou-se a análise dos significados, ou seja, análise categorial temática que é uma das técnicas da análise de conteúdo. A análise temática permite a descoberta do ponto principal de sentido que faz parte da comunicação e sua presença e frequência determina algo que se deseja saber do objeto escolhido para análise. Neste trabalho foi utilizado o método de análise temática categorial e frequencial a fim de perceber a tendência do tema específico. Os resumos foram organizados em 16 categorias temáticas o que significa que foram agrupados de acordo com seus teores, ou seja, com pensamentos, linguagem e condutas similares.

3. Resultados e Discussão

A fim de oferecer condições para um melhor entendimento deste trabalho, os resultados foram separados por tópicos conforme a ordem das variáveis, juntamente com a discussão e tabelas gráficas.

A. Ano de publicação

Foi levantado o ano de publicação a fim de verificar desde quando e com qual frequência o tema central do presente trabalho tem sido estudado (Tabela 2). Houve resumos indexados desde 1986 até 2011 o que representa média de 3,54 artigos por ano considerado. Percebe-se que desde 1986 até 2005, houve 5 anos sem nenhuma publicação e apenas em 2001 houve o equivalente à 5,4% de produção, e nos anos seguintes caiu gradualmente. Diante desse resultado, levantou-se a seguinte questão: O que estaria ocorrendo durante esses anos, 2006 a 2008, para que houvesse um aumento tão significativo da produção científica que envolve a psicologia e a religiosidade? Foi, então, levantada uma hipótese de que haveria algum evento de grande divulgação que pudesse ter mobilizado a comunidade científica. Pesquisando o site da Rede Globo de Televisão (http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-230640,00.html), confirmou-se que, na época, ou seja, no período de 20 de junho de 2005 até 11 de março de 2006, estava no ar a novela ‘Alma Gêmea’, cuja sinopse, extraída do site acima referido, apresenta o seguinte: “Alma Gêmea conta a história do amor eterno de um homem e uma mulher tragicamente separados e que, cerca de 20 anos depois, voltam a se encontrar quando ela reencarna em um novo corpo. Além do tema central, a trama tem tons de comédia neorrealista italiana na abordagem dos conflitos familiares, e também enfoca o resgate de valores, as relações afetivas e o misticismo.”

É bastante interessante notar que em 2005 até 2006 a novela teve como tema principal o religioso e o místico, o que leva a considerar a hipótese de que o aumento das produções científicas deveriam mesmo ocorrer nos anos seguintes, já que as publicações só acontecem posteriormente. Outra hipótese provável seria a de que nestes momentos poderia estar ocorrendo algum congresso; dessa forma, seria interessante pesquisar mais a fundo estas e outras hipóteses, o que não foi possível realizar neste trabalho para que não se perdesse o foco do estudo.

Tabela 2. Distribuição das frequências absolutas e relativas segundo o ano de publicação.

 

fa fr

 

fa fr

1986

2 2,2

1999

2 2,2

1987

1 1,1

2000

4 4,3

1988

0 0,0

2001

5 5,4

1989

1 1,1

2002

1 1,1

1990

1 1,1

2003

3 3,3

1991

1 1,1

2004

3 3,3

1992

0 0,0

2005

3 3,3

1993

0 0,0

2006

11 12,0

1994

0 0,0

2007

14 15,2

1995

2 2,2

2008

14 15,2

1996

1 1,1

2009

8 8,7

1997

0 0,0

2010

9 9,8

1998

1 1,1

2011

5 5,4

Distribuição das frequências relativas segundo o ano de publicação.

B . Natureza do artigo e número de autores:

Foi analisada a natureza do artigo publicado, ou seja, se é pesquisa ou teoria, bem como o número de autores de cada tipo de publicação com a finalidade de compreender como tem sido estudado o tema. Das noventa e duas (92) publicações, as de autoria múltipla aparecem em sessenta e quatro, ou seja, 70% delas, conforme observado na Tabela 3. Isso significa que há um avanço no trabalho em equipe, o que resulta em benefícios para os estudos que abrangem o assunto (POBLACIÓN et al, 2006).

Tabela 3. Número de autores e natureza da publicação:

 

TIPO DE PUBLICAÇÃO

 

Nº de autores

PESQUISA

fa fr

TEORIA

fa fr

1

 

19 24,3

9 64,3

2

 

23 29,5

3 21,4

3

 

15 19,2

2 14,3

4

 

7 8,9

 

5

 

6 7,7

 

6

 

3 3,8

 

7

 

1 1,3

 

8

 

1 1,3

 

*n.i.

 

3 3,8

 

TOTAL

 

78 [84%]

14 [16%]

*não identificado

C. Periódicos

A separação dos resumos conforme o periódico teve como objetivo verificar quais destas pertencem à área da Psicologia e quais outras áreas estudam o tema e se há algum periódico mais dedicado à publicação nesta área. Diante deste levantamento foi encontrado o seguinte resultado: das noventa e duas (92) publicações, 41,3% pertencem à área da Psicologia, 19,5% da área Médica, 10,9% da Psiquiátrica, 10,9% da Enfermagem e 17,4% de outras áreas. Sendo assim, percebe-se que maior parte do material encontrado está publicada na área da psicologia. Este resultado é esperado tendo em vista que nos termos de busca foi incluída a palavra Psicologia, portanto a maior parte do material obviamente concentra-se nesta área. Os periódicos que mais se destacaram foram ‘Psicologia Argumento’, o qual concentra 13,2% das publicações do total da área e ‘Revista Brasileira de Enfermagem’, concentrando 50% das publicações da área da enfermagem.

D. Categorização Temática

Do procedimento metodológico inicial que consta na Tabela 1, foram encontrados quatro (4) artigos resultantes do cruzamento das palavras ‘psicoterapia e religiosidade’, sendo que um (1) deles era duplicado, pois o mesmo artigo estava publicado nas duas bases e os três que restaram, dois (2) deles são os mesmos que foram agrupados na temática ‘psicoterapia e religiosidade’ e o outro, por seu teor e tema central, foi inserido na categoria ‘psicologia analítica e religião/religiosidade’.

Tabela 4. Temáticas

   

fa fr

1 - Adaptação, validade e precisão de instrumentos

 

3 3,2

2 - Aprimoramento da área da Enfermagem

   

7 7,6

3 - Atitudes e valores sociais

     

5 5,4

4 - Estudo sobre a religiosidade a partir de obras teóricas

5 5,4

5 - Produção científica

     

2 2,1

6 - Profissionais da saúde e a fé religiosa

   

4 4,3

7 - Psicologia Analítica e religião/religiosidade

 

4 4,3

8 - Psicoterapia e religiosidade

     

2 2,1

9 - Qualidade de vida da pessoa enferma e religiosidade

 

10 10,8

10 - Qualidade de vida dos idosos

   

6 6,5

11 - Religiosidade e espiritualidade

   

8 8,7

12 - Religiosidade/espiritualidade e saúde física e mental

12 13,0

13 - Resiliência

       

2 2,1

14 - Revisão de literatura

     

7 7,6

15 - Vivência familiar

       

11 12,0

16 - Vivência pessoal em relação à doença

   

4 4,3

Total fa

         

92

A análise do conteúdo permitiu encontrar as seguintes categorias:

  1. Adaptação, validade e precisão de instrumentos – adaptação, validação de instrumentos para avaliação da religiosidade, espiritualidade, religião e qualidade de vida.
  2. Aprimoramento da enfermagem – artigos que investigam e buscam atuar como coadjuvantes para aprimoramento do profissional da área de enfermagem.
  3. Atitudes e valores sociais – Valores sociais que norteiam condutas frente a diversos temas como tatuagem, política, individualismo/coletivismo e atitudes frente à vida.
  4. Estudo sobre a religiosidade a partir de obras teóricas – Discussões e considerações embasadas em obras teóricas no que se refere à religiosidade e à religião.
  5. Produção científica – análise do que se produziu no meio científico em determinado período sobre psicologia/religiosidade e saúde mental/religião.
  6. Profissionais de saúde e a fé religiosa – artigos que estudam sobre a fé religiosa dos profissionais da saúde e a perspectiva que estes têm em relação à fé religiosa dos pacientes.
  7. Psicologia Analítica e a religião/religiosidade – Apresentação da teoria da Psicologia Analítica com elementos e conceito de religiosidade.
  8. Psicoterapia e religiosidade – discussão e proposta de integração das dimensões religiosidade e espiritualidade do cliente no contexto psicoterápico com profissionalismo ético, destreza e conhecimento do tema.
  9. Qualidade de vida da pessoa enferma e religiosidade – qualidade de vida do doente; a religiosidade como estratégia de enfrentamento e instrumento de melhora clínica.
  10. Qualidade de vida dos idosos – estudos que procuram inteirar-se da qualidade de vida da pessoa idosa em contextos diversos, incluindo a religiosidade entre outras variáveis.
  11. Religiosidade – Comportamento, atitudes e sentido de vida a partir da religiosidade intrínseca e extrínseca.
  12. Religiosidade/espiritualidade e saúde física e mental – estudos que apontam a frequência religiosa dos pacientes como um fator de proteção em relação à saúde física e mental e a conexão entre a religiosidade e o perfil psicopatológico.
  13. Resiliência – uso da resiliência como referencial teórico e estudo sobre a resiliência nos jovens em situação de risco social.
  14. Revisão de literatura – levantamento sobre a religiosidade no processo saúde-doença, qualidade de vida, bem estar e experiências místicas.
  15. Vivência familiar – a vivência da família do doente e/ou deficiente físico e mental que permanece em casa ou em situação de internação, fatores de enfrentamento, percepções do cuidador familiar, histórico familiar em relação à doença e estudo das variáveis psicológicas na intenção de constituir família.
  16. Vivência pessoal em relação à doença – busca compreender a perspectiva da pessoa enferma bem como os fatores de enfrentamento em relação à doença física crônica ou aguda.

Tabela 5: Distribuição dos resumos em função do ano de publicação e do tema.

Ano\Tema

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

Total

1986

 

1

               

1

         

2

1987

                   

1

         

1

1988

                               

0

1989

           

1

                 

1

1990

   

1

                         

1

1991

 

1

                           

1

1992

                               

0

1993

                               

0

1994

                               

0

1995

 

1

               

1

         

2

1996

             

1

               

1

1997

                               

0

1998

                 

1

           

1

1999

   

1

               

1

       

2

2000

 

1

1

             

1

1

       

4

2001

 

1

       

1

 

1

1

1

         

5

2002

                 

1

           

1

2003

                 

1

 

2

       

3

2004

                   

1

     

2

 

3

2005

     

1

                 

1

1

 

3

2006

           

1

 

3

   

2

 

1

4

 

11

2007

1

1

 

1

1

2

1

1

1

1

     

3

1

 

14

2008

     

2

1

     

2

1

1

2

2

   

3

14

2009

 

1

1

         

3

 

1

   

1

1

 

8

2010

1

 

1

   

2

         

2

 

1

1

1

9

2011

1

   

1

             

2

   

1

 

5

Total

3

7

5

5

2

4

4

2

10

6

8

12

2

7

11

4

92

  • Legenda:
  1. Adaptação, validade e precisão de instrumentos
  2. Aprimoramento da enfermagem
  3. Atitudes e valores sociais
  4. Estudo sobre a religiosidade a partir de obras teóricas
  5. Produção científica
  6. Profissionais de saúde e a fé religiosa
  7. Psicologia Analítica e a religião/religiosidade
  8. Psicoterapia e religiosidade
  1. Qualidade de vida da pessoa enferma e religiosidade
  2. Qualidade de vida dos idosos
  3. Religiosidade
  4. Religiosidade/espiritualidade e saúde física e mental
  5. Resiliência
  6. Revisão de literatura
  7. Vivência familiar
  8. Vivência pessoal em relação à doença

Os três temas que mais se destacaram foram os seguintes: Religiosidade/espiritualidade e saúde física com 13 % das publicações, Vivência familiar com 12% e, por fim, Qualidade de vida da pessoa enferma e religiosidade com 10,8% das publicações.

Em ordem crescente e classificadas como as três principais preocupações dos estudos por terem maior porcentagem no ranking das publicações, se destaca, em terceiro lugar, o interesse em entender como as pessoas fazem uso da religiosidade quando estão enfermas como forma de enfrentamento; em segundo lugar o tema volta-se mais para a família do doente, ou seja, como ela usa da religiosidade para enfrentar a situação, e também como faz uso dela para cuidar da pessoa enferma e em relação à constituição familiar relacionada à religiosidade e sua influência neste sentido. Em primeiro lugar, o interesse dos estudiosos está voltado para a frequência religiosa dos pacientes como um fator de proteção em relação à saúde física e mental e a conexão entre a religiosidade e o perfil psicopatológico do paciente.

Conforme consta na introdução do presente trabalho, a religiosidade implica em praticar e participar de uma religião e a espiritualidade não necessariamente. Analisando os resumos de cada categoria, observa-se a existência de certa confusão entre os termos espiritualidade e religiosidade, pois na categoria ‘religiosidade/espiritualidade e saúde física e mental’, há 13% do total e desses, quatro (4) parecem confundir tais conceitos, colocando o termo espiritualidade quando deveria usar religiosidade e vice-versa, como se fossem sinônimos. Esse tipo de ocorrência repete-se na categoria ‘qualidade de vida da pessoa enferma e religiosidade’, onde há 10,8% do total de publicações e uma (1) usa os termos de forma confusa.

Percebe-se, também, que a maior parte das publicações é da área da Psicologia, o que era esperado já que a palavra ‘psicologia’ constou na busca, e que há interesse de outras áreas no tema, principalmente na área médica e da enfermagem.

Um dos artigos que consta na categoria ‘Produção Científica’ diz respeito ao estudo bibliométrico da produção brasileira na interface psicologia e espiritualidade e religiosidade, tema similar a este, sendo, portanto de grande importância dialogar com ele (JARROS et al, 2008). Publicado em 2008, o trabalho levantou artigos científicos entre 1998 e 2006, on-line nas bases de dados na internet com termos de busca ‘religiosidade e psicologia’, ‘espiritualidade e psicologia’ e ‘espiritualidade’ e ‘religiosidade’, além de consultas nas bibliotecas da PUC de Pelotas, RS. Na conclusão apontam que o que se produziu neste período cresceu e esse fato foi analisado por eles com perspectiva positiva, pois, segundo os autores, a dimensão religiosa-espiritual exerce forte influencia sobre o desenvolvimento pessoal. Observando a Tabela 2 do presente estudo, houve pico nos anos de 2007 e 2008 contemplando 14% do total da produção de 1986 até 2011, caindo para 8% em 2009, e 9% em 2010, caindo para 5% em 2011, o que mostra que embora tenha ocorrido um aumento significativo entre 2007 e 2008, atualmente, a produção voltada para o tema parece está em queda.

4. Conclusão

De 1986 a 2005 houve poucos trabalhos distribuídos em vários temas (9) e, a partir de 2006, houve maior número de artigos com maior variação temática; porém, dos 61 trabalhos publicados nestes anos, 25 (40,9%) estão agrupados entre os três temas principais. Sugere-se verificar o motivo pelo qual ocorreu um aumento significativo na produção científica relacionada à psicologia e religiosidade durante os anos de 2007 e 2008 e se o interesse pelo tema se manterá no mesmo patamar.

Sobre o Autor:

Vânia Maria Giusti Marinho - Possui graduação em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente realiza atendimento em consultório particular localizado no bairro de Santana, zona norte de São Paulo. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em atendimento Individual no tratamento e prevenção na área da Saúde Mental. - e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. .

Referências:

ÁVILA, A. Para conhecer a Psicologia da Religião. São Paulo: Edições Loyola, 2007.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. ed., ver. e atual. Lisboa: Edições 70, 2009

BRUSCAGIN, C. et al. Religiosidade e Psicoterapia. São Paulo : Roca, 2008.

JARROS, R. B., DIAS, H. Z. J.; MULLER, M. C.; SOUSA, P. L. R. Estudo bibliométrico da produção brasileira na interface da psicologia com espiritualidade-religiosidade. Psic: revista de psicologia da vetor editora, p. 251-258, 2008. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1676-73142008000200014&script=sci_arttext>. Acesso em 12.10.12.

MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 22. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

POBLACIÓN, D. A.; WITTER, G. P.; SILVA, J. F. M. Comunicação & produção científica: contexto, indicadores e avaliação. São Paulo: Angellara Editora, 2006.

RIBEIRO, J. P. Reflexões sobre o lugar de uma Psicologia da Religião. Rev. abordagem gestalt., Goiânia, v.14, n.2, dez. 2008 Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S180968672008000200007&lng=pt&nrm=is>. acesso em 07 mar. 2012.

SAMPIERI, R.H.; COLLADO, C.H.; LUCIO, P.B. Metodologia de pesquisa. São Paulo: McGraw-Hill, 2006.

SILVA, J. A.; BIANCHI, M. L. P. Cientometria: a métrica da ciência. Paidéia (Ribeirão Preto), Ribeirão Preto, v. 11, n. 21, 2001 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103863X2001000200002&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 13 out. 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X2001000200002.

VALLE, E. Psicologia e experiência religiosa. São Paulo: Edições Loyola, 1998.