Quando o Jogar se torna Patológico

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Resumo: O Jogo Patológico está classificado como um transtorno do controle do impulso, cuja característica essencial é a falha em resistir a um ato que é prejudicial à pessoa ou aos outros. O presente estudo visou verificar jogadores patológicos na evolução do diagnóstico e problemas enfrentados em sua estrutura familiar, financeira, profissional e social como consequência do comportamento de jogar. A pesquisa foi desenvolvida de forma mista quantitativa e qualitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário com perguntas abertas no qual os participantes puderam descrever suas vivências e relatos de vida como jogadores ou o que o jogo proporcionou a eles. Foram entrevistados 19 participantes, frequentadores do grupo de Jogadores Anônimos de quatro unidades de São Paulo/SP, com histórico de jogo patológico. A amostra foi constituída em maior proporção por homens (n=17), casados, nível superior completo, aposentados. Referente ao tempo sem jogar superior a 7 anos para 42%. A preferência é por jogos eletrônicos. Apresentam problemas relacionados à: descontrole financeiro; as obrigações não são realizadas, como trabalho e estudo devido ao jogo. A motivação inicial aos jogos foi por diversão e curiosidade. Como forma de tratamento estão unicamente nos Jogadores Anônimos. Concluiu-se que o grupo de autoajuda Jogadores Anônimos apresenta respostas satisfatórias quanto ao tempo de abstinência, comportamentos e qualidade de vida. Os resultados sugerem estudos com amostras nos estágios de manutenção pós-tratamento da abstinência com grupos de Jogadores Anônimos e outros modelos terapêuticos.

Palavras-chave: Jogo Patológico, impulsos, Jogadores Anônimos, modelos terapêuticos.

1. Introdução

Existem indícios do ato de jogar desde as culturas mais primitivas e tem sido realizado ao longo da história da humanidade. O Jogo como uma manifestação cultural se desenvolveu por meio de formas adaptadas aos gostos e interesses de cada época.

Juntamente com a propensão para jogar do ser humano, surgiram os problemas relacionados a ele, incluindo a perda de controle sobre as apostas. A prática do jogar e apostar pode conduzir o indivíduo a adquirir sérios problemas financeiros, psíquicos e sociais, assumindo a forma de um distúrbio denominado Jogo Patológico.

O Jogo Patológico é um transtorno com impacto significativo na sociedade, acarretando prejuízos sociais, financeiros e emocionais aos indivíduos.

O Jogo patológico em 1980 foi reconhecido como transtorno psiquiátrico com a inclusão no Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-III), na categoria dos transtornos do controle dos Impulsos não classificados em outro local. Caracterizado basicamente por um comportamento de jogo mal adaptativo, recorrente e persistente, relacionado a jogos de azar e apostas.

No Brasil existe a proibição legal de algumas modalidades de jogo por meio do art. 50 da Lei das Contravenções Penais (decreto-lei 3.688/41), o Congresso Nacional debate a respeito dos jogos de azar através do projeto de reforma do Código Penal que prevê a criminalização.

Enquanto definições de leis estão sendo discutidos é importante desenvolver pesquisas nacionais avaliando as consequências dos jogos de azar para população brasileira, sendo está prática comum que atinge uma parte da população que desconhece suas consequências potencialmente perigosas.

O objetivo geral da pesquisa se deu em função de traçar o perfil e características dos jogadores patológicos em uma instituição de autoajuda especializada no tratamento desse problema. Sendo de relevância verificar os problemas enfrentados pelo jogador patológico na estrutura familiar, financeira, profissional e social em decorrência do transtorno e realizar levantamento de outros modelos terapêuticos ou tratamentos médicos que os avaliados participam.

1.1 A Origem dos jogos

A palavra jogo vem do latim vulgar “jocus” e que desbancou o termo “ludus” do latim clássico, que significava recreação, divertimento. A palavra azar é de origem árabe “azzahar” e significa acaso (HOUAISS, 2009).

Jogar faz parte do repertório de comportamentos humanos desde a pré-história é uma prática universal bastante comum em toda a sociedade, sendo uma das poucas atividades que não tem barreiras de raça, cultura e classe social.

O jogar durante a infância é uma função lúdica baseada em brincadeiras e jogos que exercem grande influência na aprendizagem e no desenvolvimento físico, psíquico, cognitivo, emocional e social da criança.

A maioria dos jogos não é possível datar com precisão seu surgimento, local e origem. Alguns têm sua origem estabelecida por registros arqueológicos, mostrando ser uma das ocupações mais antigas do ser humano.

Conforme Huizinga (1999, como citado em Albornoz, 2009, p76) “O jogo é fato mais antigo que a cultura, pois esta, mesmo em suas definições mais rigorosas, pressupõe sempre a sociedade humana...”.

1.2 Jogos Brasileiros

O jogo do bicho foi inventado em 1892 na cidade do Rio de Janeiro pelo barão de Drummond, fundador e proprietário do Jardim Zoológico. Após algum tempo de dificuldade financeira para alimentar os animais e manter o Jardim, o barão requereu à Câmara dos deputados um subsídio para evitar que o Zoológico fechasse. A Comissão de Orçamento concederam ao zoológico a subvenção de dez contos de réis anuais que não davam para cobrir nem metade das reais necessidades.

Na iminência de fechar o Jardim por falta de fundos para a manutenção o Barão aceita a ideia de um mexicano chamado Manuel Ismael Zevada, para a implantação de um sistema de sorteio baseado no jogo das flores no qual cada uma das flores recebia um número de acordo com uma tabela assim transpôs-se o jogo da seguinte forma: ao adquirir um ingresso de mil réis para o Zôo, o comprador concorreria ao prêmio de vinte mil réis e ganharia caso o animal desenhado no bilhete coincidisse com o mesmo que seria exibido em um quadro a partir das três horas da tarde (SANTOS, 1996).

Principalmente a população mais pobre que não tinha alternativas para ganhar dinheiro, vislumbrou na ideia uma forma de conseguir algum dinheiro extra, passando a não pedir mais um ingresso e sim, pedindo um macaco, uma vaca entre outros. Percebe-se que nesta época haviam poucas formas de entretenimento, razão pela qual o jogo ganhou grande espaço.

Diante do enorme sucesso o Barão saiu da crise ganhando muito dinheiro com seu sócio Zevada. Houve necessidade de colocar mais bondes extras aos domingos por conta da superlotação para que as pessoas visitassem o zoológico, e não mais com a intenção de somente ver os bichos, mas também adivinhar e ganhar o prêmio.

Com a popularidade aumentando, não demorou muito para que as apostas fossem feitas em armazéns e botequins por pessoas que aproveitavam o resultado do zoológico criando enormes confusões, razão pela qual em 1894 o governo proibiu o sorteio.

Em 1897, morre o Barão de Drummond. O jogo se espalha por todo o país e transforma-se no mais popular jogo do Brasil até os dias de hoje. Em 1941 é transformado em contravenção penal (SILVA, 2006).

1.3 A Legislação dos jogos de azar no Brasil

No Brasil, ainda há muita discussão a respeito da legalização dos jogos de azar. Em 1784, surge no Brasil a primeira loteria como meio para captar recursos usando o conceito de "contribuição voluntária" os quais foram utilizados na construção da casa de Câmara e Cadeia, atualmente Museu dos Inconfidentes de Ouro Preto (DUARTE, 2007).

Em 1837, idealizou-se a organização das loterias, destinando-se 8% do valor recolhido das apostas para amortizar a emissão de papel moeda. Em 1871 a Lei do Ventre Livre estabeleceu o percentual de 10% do fundo das loterias para custear a emancipação dos escravos (OLIVEIRA, SILVEIRA E SILVA, 2008).

Os cassinos Brasileiros surgiram durante o período do Brasil império e foram proibidos pela primeira vez com a consolidação da república, em 1917. Em 1934, os jogos foram então permitidos por Getúlio Vargas. Neste período, os cassinos se multiplicaram rapidamente, bem como os jogos oferecidos em hotéis, bailes, grandes espetáculos, shows de diversos artistas e como atrativo turístico.

Foi proibida a exploração de jogos de azar em 30 de abril de 1946. Ocasião que o então Presidente Eurico Gaspar Dutra, por intermédio do Decreto-lei 9.215, restabeleceu a vigência do art. 50 da Lei das Contravenções Penais.

A exceção sempre foi á exploração do jogo pelo Estado, por meio de loterias diversas (Decreto-Lei nº 6.259, de 1944) com o objetivo de canalizar recursos para o custeio de programas sociais, sob tutela da Caixa Econômica Federal.

Os bingos foram autorizados pela Lei Zico nº 8.672, de 6 de julho de 1993, seguida Pela Lei Pelé nº 9.615, de 24 de Março de 1998, que autorizou além dos bingos a exploração das máquinas caça-níqueis. A finalidade destas leis era contribuir para a arrecadação de recursos para o esporte brasileiro.

Em razão de escândalos envolvendo os bingos a partir de 31 de dezembro de 2001, por meio da Lei Maguito as empresas do ramo de bingo receberam da Justiça Federal mais um ano de prazo para deixar o mercado e não poderiam mais existir no país a partir de janeiro de 2003.

Os bingos continuaram a serem praticados tanto por meio de liminares do Poder Judiciário como em decorrência da legislação estadual, além das ações clandestinas. Em 2004, o presidente Lula decretou a medida Provisória 168/04, que proibiu o funcionamento dos bingos e caça níqueis, mas, três meses depois, acabou sendo rejeitada pelo plenário do Senado Federal por não incluir os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. Assim, permanece a proibição pela lei 9.981/00 da Lei Maguito (SILVA JUNIOR, 2007).

No dia 27 de junho de 2012 foi entregue o anteprojeto do Código Penal, elaborado por Comissão Especial de Juristas. Entre as mudanças propostas está tornar crime a exploração de jogos com pena de 1 a 2 anos de prisão. Se aprovado, o novo código segue para a Câmara dos Deputados e o último passo é a sanção presidencial (G1, 2012).

1.4 Jogos de azar virtuais

Em pesquisa com adultos, Petry (2008) observou que 6,9% dos entrevistados já haviam apostado pela internet, destes, 2,8% eram apostadores frequentes. Dos apostadores regulares, 65% preenchiam critério para jogo patológico. Mitka (2001) mostra que jovens vêm jogando cada vez mais pela internet e lembra a criação de um serviço de aconselhamento para apostadores na internet pelo governo norte americano. Apostas na internet vêm crescendo e a Associação Americana de Psiquiatria (APA) alerta que jovens estão especialmente em risco para problemas associados ao jogo e deveriam ser advertidos para o fato (OLIVEIRA, 2006).

Com a internet e os jogos eletrônicos, o acesso aos jogos de azar se torna ainda mais fácil, pois não existe nem mesmo a necessidade do jogador sair de casa, precisando apenas de um computador para fazer suas apostas. O internauta brasileiro consegue participar de apostas virtuais utilizando o seu cartão de crédito internacional em sites hospedados fora do Brasil, de apostas, cassinos e jogos.

A Lei das Contravenções Penais afirma que a lei brasileira só é aplicável à contravenção praticada no território nacional. A polícia e o Ministério Público têm muita dificuldade em conter os jogos virtuais em cassinos instalados no estrangeiro devido ao conflito de territorialidade, pois, ao se jogar em um cassino no estrangeiro (em site de domínio estrangeiro), o usuário está se utilizando de uma casa de jogos internacional. Assim, não há legitimidade ou competência dos poderes brasileiros para coibir a existência desses espaços.

Está sob análise da Comissão de Finanças e Tributação o projeto de lei 57/2011, que visa proibir os brasileiros de apostar em sites estrangeiros de jogos por meio do cartão de crédito.

A legislação do Brasil proíbe jogos de azar clandestinos, tais como o jogo do bicho ou cassinos, porém, não tem como controlar, fiscalizar ou vedar que o internauta faça apostas em sites diversos com uso de seu cartão de crédito, seja pela falta de lei específica ou meio de repressão necessária (FARAGONE, 2012).

Deste modo, o jogo pela internet merece alerta quanto maior a disponibilidade de jogos de azar e menor a distância entre a localização do cassino e o local habitado pelo jogador, maior prevalência de jogadores patológicos.

 2. Jogo Patólico

A relação que alguns indivíduos têm com o jogar, o torna um risco susceptível de criar dependência, desencadeando um comportamento patológico. Por meio do jogo de azar, quando a aposta agrega um valor ainda mais competitivo a esse tipo de comportamento.

Atualmente, entende-se por jogo de azar toda e qualquer atividade cuja natureza ou finalidade seja recreativa, diversão ou entretenimento; incluindo-se passatempos nos quais se arrisca dinheiro (HOUAISS, 2009).

Os jogos de azar são jogos nos quais a possibilidade de ganhar ou perder não dependem da habilidade do jogador, mas em parte, ou às vezes exclusivamente do acaso. Segundo Tavares, Cordas e Abreu (2008) os jogos de azar implicam em um desafio para o qual o jogador deve pesar custo e benefício de várias opções e tomar decisões. Associados ao exercício de tomada de decisão existem riscos: perda de controle e a continuidade das apostas em condições adversas, levando à problemas emocionais, financeiros e sociais (BRITO, 2011).

Segundo Custer (1984 como citado em Santos 2006) indivíduos acometidos por este transtorno colocam em risco sua situação profissional e consequentemente sua situação financeira, pois geralmente contraem grandes dívidas e mentem, ou violam as leis, na tentativa de obter cada vez mais dinheiro para o pagamento destas dívidas ou para continuar jogando. Indivíduos que possuem problemas com jogos de azar descrevem que a necessidade de jogar é totalmente incontrolável. Segundo estes indivíduos, há dois fatores importantes que permeiam o comportamento: um é a utilização da atividade como tentativa de fugir dos problemas, e o outro seriam atenuar os sentimentos causados e desencadeados por estes problemas. Estes indivíduos são acometidos por um intenso estado de motivação que os direcionam para a atividade. Esse estado é denominado avidez ou “craving” . O controle exercido por este estado intenso de motivação interfere na capacidade do indivíduo de refrear o comportamento e o conduz à realização repetida da atividade (TAVARES, ZILBERMAN, HODGINS e El-GUEBALY, 2005).

O jogo patológico foi reconhecido oficialmente como transtorno psiquiátrico em 1980, a partir da 3ª edição do Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais-DSM-III, sendo relacionado a problemas conjugais, financeiros, emocionais e legais, entre outros. Está classificado como um transtorno do controle dos impulsos na mesma categoria que Piromania, Cleptomania, Tricotilomania, Transtorno explosivo intermitente e Transtorno do controle dos impulsos sem outra especificação (Automutilação, Amor patológico, Dependência da internet e Compras compulsivas). Segundo o DSM-IV-TR, “a característica essencial dos Transtornos de Controle dos Impulsos é o fracasso em resistir a um impulso ou tentação de executar um ato perigoso para a própria pessoa ou para outros. Na maioria dos transtornos descritos nesta seção, o indivíduo sente uma crescente tensão ou excitação antes de cometer o ato. Após cometê-lo, pode ou não haver arrependimento, auto recriminação ou culpa” (TAVARES et al., 2008 p 23-24).

O jogo patológico é muito confundido com atos compulsivos, mas, para os psiquiatras, a compulsão seria um comportamento involuntário enquanto que tal comportamento não ocorre no jogo. É por essa razão que tal ato seria egosintônico, pois, no momento da execução, existe um desejo consciente imediato da pessoa, podendo ou não haver culpa ou remorso após a consumação do ato. Assim, ao contrário dos atos egodistônicos, típicos da compulsão, o jogo patológico seria um tipo de “compulsão não obsessiva”, pois apesar da pessoa ter consciência das consequências negativas, ele ainda planeja, deseja e comete o ato, inclusive quando já não existe mais experiência subjetiva do prazer (TAVARES, GENTIL, OLIVEIRA e TAVARES, 1999).

Jogo patológico é também considerado um transtorno de hábitos e impulsos pela Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde (CID 10). Sob o código F63.0, consiste de frequentes e repetidos episódios de jogo, os quais dominam a vida do indivíduo em detrimento de valores e compromissos sociais, ocupacionais, materiais e familiares. O aspecto essencial do transtorno é jogar persistente e repetidamente, o que continua e frequentemente aumenta, a despeito de consequências sociais adversas, tais como empobrecimento, comprometimento das relações familiares e ruptura da vida familiar. Ressalta-se que jogo patológico deve ser distinguido do: (I) jogo e aposta (jogo frequente por excitação ou em uma tentativa de ganhar dinheiro; pessoas nessa categoria provavelmente refreiam seu hábito quando confrontadas com perdas importantes ou outros efeitos adversos); (II) jogo excessivo em pacientes maníacos; (III) jogo em personalidades sociopáticas (nas quais há perturbação persistente e mais ampla do comportamento social, demonstrada em atos agressivos, ou que, de outra maneira, mostrem falta de consideração marcante pelo bem-estar e sentimentos de outras pessoas).

2.1 Diagnóstico

Parece haver graus diferentes de envolvimentos com as atividades de jogos de azar. Shaffer, Hall e Vander Bilt (1999, como citado em Tavares et al., 2008)  classificaram a gravidade do jogo em três níveis:

Nível 0 - inclui todos aqueles que não praticam qualquer forma de aposta.

Nível 1 - envolve aqueles que praticam alguma forma de aposta em frequência variada, mas não apresentam problemas decorrentes dos jogos de azar.

Nível 2 - descreve as pessoas que jogam e apresentam problemas decorrentes das apostas, mas que ainda não preenchem todos os critérios para formulação do diagnóstico de Jogo Patológico.

Nível 3 - abarca os jogadores patológicos, sendo o nível mais grave quanto à ocorrência de problemas decorrentes do jogo. (p.82)

Em termos de evolução, o Jogo Patológico apresenta um padrão progressivo, embora muitos indivíduos pareçam oscilar entre os níveis 2 e 3 ao longo da vida.

De acordo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-IV-TR (2002), é caracterizado pelos seguintes comportamentos de jogo mal-adaptativo, persistente e recorrente, indicado por cinco (ou mais) dos seguintes quesitos:

1 – preocupação com jogo (preocupação com experiências passadas, especulação do resultado ou planejamento de novas apostas, pensamento de como conseguir dinheiro para jogar);

2 – necessidade de aumentar o tamanho das apostas para alcançar a excitação desejada;

3 – esforço repetido e sem sucesso de controlar, diminuir ou parar de jogar;

4 – inquietude ou irritabilidade quando diminui ou para de jogar;

5 – o jogo como forma de escapar de problemas ou para aliviar estado disfórico (sentimentos de desamparo e culpas, ansiedade, depressão);

6 – depois da perda de dinheiro no jogo, retorna frequentemente no dia seguinte para recuperar o dinheiro perdido;

7 – mentir para familiares, terapeuta ou outros, a fim de esconder a extensão do envolvimento com jogo;

8 – cometer atos ilegais, como falsificação, fraude, roubo ou desfalque para financiar o jogo;

9 – ameaçar ou perder relacionamentos significativos, oportunidades de trabalho, educação ou carreira por causa do jogo;

10 – contar com outros para prover dinheiro, no intuito de aliviar a situação financeira desesperadora por causa do jogo.

B – O comportamento de Jogo Patológico não é melhor explicado por um Episódio Maníaco (DSM-IV-TR, 2002 p.632-633).

O último critério de exclusão estabelece que os episódios de perda de controle com o jogo não ocorrem exclusivamente durante episódios de mania ou hipomania, em outras palavras, que o envolvimento disfuncional com jogos de azar não é melhor explicado por um Transtorno Afetivo Bipolar.

O Jogo Patológico tem sido abordado clinicamente como uma dependência não química e genericamente se caracteriza pela manutenção do comportamento de jogar e fazer apostas a despeito de prejuízos financeiros e sociais percebidos pelo sujeito (Tavares, Cordas & Abreu, 2008).

A classificação do DSM-IV-TR (2002) utiliza critérios diagnósticos para o jogo patológico semelhante àqueles utilizados para diagnosticar pacientes que fazem uso de substâncias psicoativas, demonstrando assim que tal transtorno tem uma evolução clínica compatível com a de um comportamento aditivo. A similaridade do jogo patológico e os critérios diagnósticos de álcool e outras substâncias é comprovada pelos conceitos de: tolerância (“necessidade de apostar quantias cada vez maiores”; “necessidade de aumentar a quantidade de substâncias consumida”); perda de controle (“esforços sucessivos e fracassados para controlar o jogar”; “para parar o consumo da substância”); prejuízo pessoal e social (“colocar em perigo ou perder um relacionamento significativo, o emprego, oportunidade educacionais ou profissional por causa do jogo”; “negligências ou redução de atividades sociais, ocupacionais, ou de lazer devido ao uso da substância”) e abstinência (“inquietude ou irritabilidade após reduzir ou cessar o jogo”; “definida de acordo com a substância usada”).

A magnitude do impacto do jogo patológico no indivíduo, segundo estudo realizado por Tavares (2005) pode acarretar fissura (craving) no jogador patológico na ausência do jogo, podendo ser tão ou mais severa do que nos dependentes de álcool.

Sete anos depois de ser incluído o jogo patológico na sessão denominada “Transtornos do Controle do Impulso Não Classificados em Outro Lugar” na terceira edição do DSM, foi publicado o primeiro instrumento de reconhecimento no American Journal of Psychiatry. A estrutura simples da South Oaks Gambling Screen (SOGS), traduzida para muitas línguas incluindo o português. Desenvolvida como uma medida ao longo da vida para avaliar o jogo patológico em diferentes períodos de tempo, como os últimos doze ou seis meses. Essa entrevista consiste de 20 itens de autopreenchimento e escore maior ou igual a cinco indica presença de Jogo Patológico e está disponível uma versão da SOGS para adolescentes.

Desse ponto em diante, jogadores compulsivos puderam ser identificados por um conjunto de critérios objetivos, através de um instrumento confiável. O fim dos anos 80 testemunhou uma explosão geométrica de contribuições científicas originais em jogo os dois mais comumente utilizados são Screen for Gambling Problems (NODS) e o Canadian Problem Gambling Índex (CGPI). (TAVARES, 2008b).

O NODS é um questionário breve aplicado por um entrevistador relativo aos problemas de jogo no último ano e durante a vida. A aplicação dos 17 itens do NODS leva menos de cinco minutos. O NODS identificou 95% dos jogadores que buscavam tratamento como patológicos e demonstrou confiabilidade e validade adequada. Escores de cinco ou mais pontos no NODS indicam o status de Jogo Patológico. O CPGI consiste de 14 itens, nove dos quais são utilizados para determinar o status de Jogo Patológico. Os escores no CPGI classificam os indivíduos em três categorias: jogador não problemático, jogador em risco e jogador patológico. Assim como o NODS, o CPGI também demonstrou propriedades psicométricas aceitáveis. Esses instrumentos têm que ser  traduzidos para o português e adaptados para o uso em amostras brasileiras.

A SOGS, o NODS e o CPGI são ferramentas de triagem, o que significa que não são definitivos para a determinação do status diagnóstico do Jogador Patológico. Na prática clínica, essas triagens podem ser aplicadas na sala de espera de uma clínica e os pacientes com escores na faixa de risco ou mais altos podem ser mais bem avaliados sobre o jogo de azar e suas consequências por um profissional de saúde mental (WEINSTOCK, LEDGERWOOD, MODESTO-LOWE e PETRY, 2008).

2.2 Fases e Evolução

Custer (1984, como citado em Oliveira, 2006) descreveu padrões uniformes e progressivos no jogo patológico, começando com pequenas apostas, normalmente na adolescência, apesar de poder começar em qualquer idade, sendo mais frequente entre os homens. O intervalo de tempo previsto entre começar a jogar e perder o controle sobre o jogo varia de 1 a 20 anos, sendo mais comum em um período médio de 5 anos. O autor descreve três fases distintas do comportamento de jogar, que são:

São identificadas por Custer (1984, como citado em Omais, 2007, p.33) três fases do comportamento de jogar:

1- Fase das vitórias: de início o jogo funciona como uma forma de recreação, diversão, mas à medida que o indivíduo vai ganhando, ele passa a achar que suas vitórias são um produto de suas habilidades pessoais, aumentando assim a sua imagem de jogador habilidoso. Um indivíduo que jogue apenas socialmente geralmente para de jogar aí, antes de um grande ganho, que, geralmente, equivale ao salário anual do jogador. Quando há grande ganho, o jogador patológico tende a continuar jogando ininterruptamente. Essa fase pode durar meses ou anos. Além disso, alguns indivíduos passam a usar o jogo como uma fuga, visto que durante a atividade as preocupações do dia-a-dia vão sendo deixadas de lado. E são exatamente as primeiras vitórias no jogo que estimulam o jogador a aumentar sua frequência e apostas no jogo.

2- Fase da perda: a continuação no jogo traz um aumento de perdas que passa a ameaçar a autoestima do jogador. Para conseguir o dinheiro perdido de volta, o jogador começa a apostar ainda mais para tentar reparar suas perdas. Ele passa a ter um otimismo irracional e o jogo então passa a preencher a maior parte do tempo da sua vida. As apostas se tornam cada vez maiores e as perdas são vistas pela pessoa como algo recuperável por meio de novas apostas. Os comportamentos mais comuns nessa fase são as mentiras, fraudes e falsificações para conseguir dinheiro. Nessa fase aparecem problemas familiares, tanto conjugais como com os demais parentes, problemas profissionais, pedidos de empréstimos, além de atividades ilegais, a fim de obter o dinheiro.

3- Fase de desespero: nessa fase o jogo se torna uma obsessão. Ocorre um maior afastamento dos amigos e familiares, sua reputação dentro da família e do meio social se torna negativa em razão das perdas e das promessas não cumpridas. Alguns passam então a utilizar recursos ilegais para obter dinheiro, sendo frequentemente processados judicialmente. Nesta fase é comum o jogador adquirir exaustão física, psicológica, alcoolismo sendo frequente a depressão. Quando a situação chega ao extremo, geralmente, há suicídio ou prisão.

2.3 Frequências dos Jogos

A frequência de resultados em jogos eletrônicos é pré-determinada e sua ordem de aparecimento é aleatória. Contudo, esses jogos têm outras formas de encorajar o jogador a continuar apostando. Reid (1986, como citado em MARTINS, 2003) observou que resultados “próximos”, porém não vitoriosos (por exemplo, três morangos numa linha quando quatro seriam premiados) ocorrem com uma frequência superior ao esperado se tais resultados estivessem sendo gerados aleatoriamente. Ele chamou esta estratégia de efeito “near-miss”.

Segundo Griffiths (1995, como citado em Martins, 2003) o efeito “near-miss” é um artifício para contornar leis que prefixam a frequência de resultados e taxas de retorno financeiro, porque não altera as probabilidades de ganhar ou perder no jogo, porém gratifica o jogador psicologicamente sem custo financeiro adicional. O efeito “near-miss” provocaria no jogador a falsa sensação de que a vitória está próxima e pode aumentar a ocorrência de comportamentos disfuncionais relacionados a jogos de azar.

Outras características que podem acentuar o potencial para desenvolvimento de jogo patológico nos jogos eletrônicos são segundo Loba (2001 como citado em MARTINS, 2003): a) o tempo muito curto entre aposta e resultado que permite re-apostas sucessivas; b) emissão de estímulos sonoros e visuais mais intensos nas vitórias do que nas derrotas; c) visores que mostram créditos disponíveis para a aposta, mas não exibem quanto tempo e dinheiro já foram gastos pelo jogador.

O intervalo de tempo, o encurtamento entre a realização da aposta e o seu resultado permite ter re-apostas mais frequentes, sustentando o prolongamento de estados de alheamento e estimulação e acredita-se que tais jogos sejam mais “viciantes” (TAVARES et al., 2008).

Existem jogos como os de cartas e turfe, por exemplo, nos quais capacidades cognitivas (como contar, memorizar e calcular probabilidades) são mais recrutadas do que em jogos mais aleatórios como roleta e caça-níqueis; porém o fator imprevisibilidade e independência de controle sempre estão presentes (TAVARES et al., 2008).

Referente ao tempo médio de jogo e a frequência da atividade, os números são bastante variáveis. Entretanto, estudos demonstram que o tempo médio que um jogador permanece dependente durante a sua vida é de 10 a 20 anos, com uma frequência semanal média de três a quatro dias ao local do jogo (BLASZCZYNSKI, 1994, como citado em OMAIS, 2007). No Brasil, Tavares et al. (1999) constataram uma média de permanência diária, no ambiente de jogo, de 11 horas, sendo que alguns chegam a permanecer até 24 horas nesses locais, para recuperar suas perdas ou por medo de enfrentar a família.

A prevalência do Jogo Patológico está relacionada com a disponibilidade e oferta de oportunidades de jogos, sejam legais ou ilegais. Em diversos países, o número de indivíduos expostos tem aumentado nos últimos anos, assim como as taxas de prevalência de Jogo Patológico (GALETTI,2006).

2.4 Diferenças entre jogadoras e jogadores

Segundo pesquisa Thomas et al. (2000) comparando jogadores e jogadoras quanto a possíveis diferenças nos critérios DSM-IV, mais homens do que mulheres se preocuparam com o jogo, cometeram atividades ilegais para financiar o jogo, e colocaram em perigo ou perderam um relacionamento significativo, o emprego ou uma oportunidade educacional ou profissional por causa do jogo (critérios 1, 8 e 9 do DSM-IV). Mulheres relataram jogar para fugir de problemas mais do que homens (critério 5 do DSM-IV). Alguns autores sugerem que mulheres jogam como forma de escapar de problemas ou aliviar o humor disfórico (MARTINS, 2003).

No estudo de Potenza et al. (2001) avaliaram preferência por tipo de jogo em usuários de uma linha telefônica de apoio a jogadores (“gambling helpline”): havia uma maior proporção de homens que jogavam jogos estratégicos (jogos de carta e esportes), ao passo que proporcionalmente mais mulheres preferiam jogos não estratégicos (caça-níqueis e bingo). No estudo clínico de Grant e Kin (2002) um número maior de jogadoras optava por bingo e caça-níqueis, enquanto mais jogadores apostavam em esportes, jogos de cartas, corridas de cavalo e jogos de mesa de cassino (MARTINS, 2003).

Entre os estudos sobre mulheres jogadoras, os autores Strachan e Custer, (1993 como citado em Souza, 2009) realizaram com 52 mulheres jogadoras nos Jogadores Anônimos (JA) de Las Vegas, em 1989, e identificaram o perfil típico da jogadora como caucasiana (83%), de 30 a 49 anos (76%), casada (67%), com filhos (75%), com ensino médio (74%) e que jogava videopôquer (90%). Entre as complicações associadas ao jogo estavam: tentativas de suicídio (23%), alcoolismo (10%) e dependência de drogas ilícitas (23%).

No entanto, na maior parte dos estudos, não há diferença entre gêneros na idade na procura por tratamento (MARTINS, 2003).

2.5 Diferenças entre faixas etárias

Segundo os dados do DSM-IV-TR (2002) altos índices de jogo patológico têm sido encontrados entre adolescentes e estudantes universitários, talvez pela grande exposição de jogos eletrônicos, sobretudo na internet. Conforme Bondolfi (2000, como citado em Omais, 2007) em pesquisa realizada na Suíça, também observou que aqueles jogadores que possuíam tendência ao transtorno do jogo patológico iniciaram a prática do hábito desde a adolescência.

As mulheres também parecem apresentar um perfil diferenciado. Elas apresentam uma evolução mais rápida para o jogo patológico do que os homens, preferência por jogos eletrônicos (o que talvez explique a evolução mais rápida) e mais comorbidade com a depressão (MARTINS, 2003). Geralmente começam a jogar mais tarde que os homens e por consequência, sofrem os problemas ocasionados pelo jogo quando estão mais velhas. Uma das hipóteses para esse fato seria estarem muito ocupadas com a criação dos filhos e ao vê-los deixando a casa, passam a ter mais tempo para jogar, em um momento em que estão se sentindo “supérfluas” em seu papel de mãe (SARTORI, 2012).

Para os idosos as causas mais importantes para jogar são: aposentadoria, falta de convívio social; luto pela perda de entes queridos, solidão, reclusão, doenças físicas limitantes e declínio cognitivo (SARTORI, 2012). Os idosos, em geral, percebem o jogo como algo associado mais a aspectos positivos que negativos, mas quando caracterizam problemas ou patologia em relação a este comportamento, as consequências parecem devastadoras. Idosos deprimidos apresentam-se mais vulneráveis ao desenvolvimento de problemas com jogos de azar e maior possibilidade de desenvolver comorbidade com transtornos psiquiátricos (GALETTI, 2006)

Segundo Kessler (2008, como citado em Brito, 2011) existem vários fatores de risco associados ao jogo patológico, dentre eles: sexo masculino, baixo nível educacional, baixo nível sócio-econômico e desemprego.

De acordo com o estudo de Tavares et al. (2001), os homens começaram a jogar, em média, com 20 anos e as mulheres, em média, com 34 anos; os homens tinham, em média, 28 anos quando apresentaram o primeiro problema relacionado ao jogo, enquanto as mulheres tinham, em média, 40 anos.

Segundo Tavares (1999) o jogo patológico não atinge grupos específicos, mas sim pessoas de diversas faixas etárias, níveis educacionais e sócio-econômicos. Em estudo a questão da faixa etária, apresentou-se bastante variável.

2.6 Dinâmica familiar do jogador

Muitos estudiosos descrevem que o jogador não é o único a sofrer com a dependência, a família também sofre. Para cada jogador com problemas, existem de oito a dez pessoas sofrendo as consequências, que vão desde a falta de dinheiro para as necessidades básicas até as ameaças de agiotas e despejo. O comportamento de mentir, comum ao jogador, também costuma provocar disfunção e término de relacionamento significativo (SARTORI, 2012).

Conforme Tavares et al. (2008), por meio de observação de atendimentos ao longo dos 10 anos no Ambulatório do Jogo Patológico (AMJO) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo perceberam o aumento crescente da procura pelo tratamento diretamente proporcional a popularização dos jogos e maior disponibilidade de jogos eletrônicos. Dados da população exibem um perfil de jogadores de ambos os gêneros de meia idade (em torno dos 45 anos), com média de escolaridade ensino médio completo e que realiza apostas principalmente em formas computadorizadas de jogos. Geralmente, são chefes e arrimos de família. Além disso, geralmente vivem em núcleos familiares com cônjuge e um ou dois filhos, que acabam por conviver diretamente com as consequências negativas do jogo.

Em alguns casos, a patologia se mantém escondida por muito tempo até eclodir o problema, o fator surpresa pode atingir o familiar de forma mais drástica que o jogador. As questões econômicas vão muito além da falta de dinheiro para as necessidades básicas, sendo os familiares muitas vezes chantageados por agiotas ou ameaçados de despejo. No âmbito legal, o risco do jogador ser preso por desfalque ou falsificação pode colocar a família em situações de desamparo e forçadas a pagar empréstimos obtidos pelos jogadores. Este constante estresse vivenciado pode refletir na saúde com a eclosão de transtornos e se agravar pela falta de dinheiro para a alimentação e para os cuidados médicos (MAZZOLENI, 2006).

Homens e mulheres comportam-se de forma diferente em relação aos parceiros jogadores: os maridos costumam pagar as primeiras dívidas de suas esposas, mas apresentam menor tolerância quanto a recaídas e impõem limites mais rápidos, além de viverem de forma mais independente, as mulheres de jogadores, por outro lado, tendem a ser mais condescendentes com os maridos jogadores (Lorenz, 1987 como citado em Sartori, 2012).

Conforme Lorenz e Yaffee (1988, como citado em Mazzoleni, 2006), na maioria das vezes as esposas são quem primeiro procuram ajuda. Frequentemente, elas apresentam sintomas como: insônia, distúrbios relacionados a estresse, depressão e índice de suicídio e problemas na relação conjugal três vezes mais. Muitas vezes esposas de jogadores afirmam ter contribuído financeiramente para saldar as dívidas de jogo dos seus maridos.

Segundo Lorenz (1987, como citado em Mazzoleni, 2006) os filhos são as maiores vítimas desta patologia quando ela atinge os pais, não só pelas privações que passam, mas pelas constantes brigas, recriminações dos comportamentos resultantes do jogo, promessas não cumpridas e pelos pobres modelos parentais. De acordo com Darbyshire (2001, como citado em Mazzoleni, 2006) para os filhos, resulta em deficiência de supervisão e educação, o que leva a insegurança, baixa auto-estima e sentimento de não ser amado.

Conforme Heineman (1989, como citado em Mazzoleni, 2006) geralmente os pais do jogador patológico, diante da dependência de seu filho, assumem posições diferentes, apesar de ambos sentirem-se culpados e se responsabilizarem pelo jogo. Enquanto um é mais acessível, procurando entender e até pagar as contas, o outro adota uma postura mais crítica. Esta divergência causa desentendimentos e permite que o filho continue jogando sem se responsabilizar por suas atitudes, permanecendo dependente dos pais financeira e emocionalmente. A raiva demonstrada pelos pais pode ser entendida como resultado do medo que seus filhos percam empregos, casa, família e liberdade e da culpa proveniente do sentimento que de alguma forma falharam enquanto pais e educadores (MAZZOLENI, 2006).

Segundo Park et al.(2010) o jogo patológico está relacionado com separação conjugal, divórcio e solidão (Brito, 2011).

2.7 Epidemiologia

No Brasil, o único estudo epidemiológico publicado sobre jogo patológico,  Tavares et al.(2010, como citado em  Brito, 2011) avaliou 325 regiões de censo que abrangeu todo o território nacional. Segundo este estudo, estima-se que 4 milhões de brasileiros têm uma relação patológica com o jogo. Esse tipo de dependência cresce tanto que já ocupa a terceira posição no ranking de compulsões, perdendo apenas para o álcool e o cigarro. Isso é o que mostra o primeiro levantamento do gênero feito no país. Ainda, segundo esta pesquisa, constatou-se que há a prevalência de 2,3% dos brasileiros são jogadores, sendo que desses, 1% são jogadores patológicos e que o dependente chega a gastar 20% da renda familiar em apostas. Os jogadores-problema são 1,3% e podem apostar até 16,9% da renda familiar. Como cada jogador mora com outras três pessoas em média, os pesquisadores estimam que 18 milhões de brasileiros convivam com problemas decorrentes da dependência. Relatam ainda que a relação entre homens e mulheres é de 3:1. Quanto à idade, revelam a existência de dois subgrupos: um mais jovem, com idade média de 33,9 anos e maior gravidade; e outro mais velho, com idade média de 47,8 anos e gravidade moderada.

Oliveira (2002, como citado em Souza, 2009) realizou um estudo sobre jogadores em uma amostra brasileira. Para esta pesquisa foram entrevistados 171 frequentadores de casas de aposta (bingo, Jockey Club e videopôquer), dos quais 75 foram diagnosticados como jogadores patológicos. O perfil desta amostra revelou, em sua maioria, homens (87,7%), com ensino médio ou nível superior (82,3%), empregados em regime integral (71,6%), sendo a metade deles casados (50,7%), com idade média de 40 anos de idade e renda mensal média de R$4.000,00. Percebe-se que esse perfil descreve adultos, pertencentes à classe média e inseridos no mercado de trabalho.

Dados internacionais apontam que apostar é um hábito para quase 80% da população, porém somente uma minoria (em torno de 4%) desenvolverá problemas com essa atividade. Depois do tabaco e do álcool, o jogo é provavelmente o comportamento de abuso mais comum na população, superando a prevalência de dependência e de abuso de substâncias como maconha e cocaína (Tavares et al.,2008).

De acordo com Ballone, (2003) os dados disponíveis sobre a prevalência do jogo patológico sugerem uma incidência em torno de 1% a 3% na população adulta nos Estados Unidos (APA, 2002). Em cidades com alta concentração de casas de jogo, como Las Vegas (EUA), por exemplo, esse número aumenta para 8,7% da população adulta.

2.8 Comorbidades Associadas

Em diversos transtornos psiquiátricos, tem-se tornado cada vez mais evidente a ocorrência de manifestações psicopatológicas menores e sintomas de intensidade que permitem a formulação de um segundo diagnóstico. Essa evidência tem motivado um número grande de estudos que visam detalhar as características psicopatológicas e comórbidas do jogo patológico (Wilson, 2008).

No jogo patológico entre as comorbidades mais comuns destacam-se os transtornos de humor e ansiedade, abuso ou dependência de álcool e outras substâncias incluindo a nicotina e as frequentes tentativas de suicídios (SOUZA, 2009).

Black e Moyer (1998, como citado em Omais, 2007) realizaram um estudo a fim de verificar a presença de comorbidades, concluindo que 43% dos entrevistados apresentavam outros tipos de comportamentos compulsivos associados ao jogo, como o comprar compulsivo, sexo compulsivo e distúrbio explosivo intermitente. Além dos comportamentos compulsivos, observou-se ainda dentro da amostra, distúrbios de humor, de ansiedade, uso de drogas e comportamento antissocial.

Em São Paulo, Tavares et al. (2003) avaliaram 140 admissões consecutivas em um programa de tratamento para jogador patológico e encontraram que 24% dos que procuravam tratamento tinham um diagnóstico atual de dependência de substâncias. Esse índice é muito mais alto do que o índice de dependência de substâncias encontrado na população geral de São Paulo, que é de 5,1%. Em uma amostra brasileira, Carvalho et al.(2005) avaliaram 74 dependentes de substâncias que procuravam tratamento e destes 19% eram jogadores patológicos. Esses índices são substancialmente mais elevados do que os índices de 0,4% a 2,0% de jogadores patológicos nos levantamentos da população geral. Dessa forma, os transtornos por uso de substâncias e o jogo patológico podem estar relacionados.

Inúmeras pesquisas apontam a associação entre o jogo patológico e a dependência de drogas. Carvalho, Collakis, Oliveira e Silveira (2005, como citado em  Souza, 2009) realizaram uma pesquisa em São Paulo, com amostra de 74 pacientes de três serviços especializados em tratamento para Dependência Química. Foi encontrada alta frequência de jogo patológico nessa amostra de dependentes químicos que procuraram tratamento (18,9% da amostra caracteriza-se como jogador patológico e 10,8% como “jogador problema”), corroborando com dados da literatura internacional sobre a comorbidade entre estes transtornos.

Os transtornos de humor são também comumente associados ao jogo patológico. No Brasil, Tavares et al. (2003) avaliaram jogadores tratados em ambiente ambulatorial e encontraram que 70% preenchiam critérios para transtorno depressivo, um terço da amostra preencheu os critérios para fobias específicas, 14% preencheram critérios para transtorno obsessivo-compulsivo e 10% preencheram critérios para transtorno de pânico.

De acordo com pesquisa (SILVEIRA e SILVA 2008, como citado em SOUZA, 2009) os jogadores patológicos apresentam índices mais elevados de distúrbios cardiovasculares, alergias, problemas respiratórios, perturbações do sono, problemas de coluna, obesidade, cansaço crônico, enxaquecas, dores gástricas e outros sintomas físicos.

Do ponto de vista fisiológico, o ambiente das casas de jogos expõem o indivíduo a sérios riscos à saúde, em razão do alto consumo de cigarro/nicotina nesses ambientes, bem como do uso de álcool e outras drogas. Além disso, um estudo realizado em Atlantic City, nos Estados Unidos, (local com grande número de cassinos e casas de jogos), entre os anos de 1982 e 1986, mostrou que, das 398 mortes relacionadas ao cassino, 83% foram em razão de ataques cardíacos (morte súbita), os quais estão indiretamente relacionados ao estresse e à hipertensão, geradas, em parte, pelo próprio contexto do jogo, demonstrando assim o papel agravante que o jogo representa à saúde mental e física (LESIEUR, 1992, como citado em OMAIS, 2007).

3. Tratamentos

Tendo em vista as consequências do jogo patológico e a gravidade de casos que chegam até ao suicídio, formas de tratamento passam a ter importância cada vez maior. Os primeiros trabalhos publicados a respeito do tratamento para jogo patológico eram de abordagem psicanalítica e posteriormente surgiram trabalhos de abordagens comportamentais e cognitivas, grupos de autoajuda e internação (OLIVEIRA, 1997).

Segundo Gowen (1996, como citado em Omais, 2007) o jogo patológico tem sido denominado como a “doença escondida”, visto que não pode ser detectada simplesmente ao olhar uma pessoa, nem através de exames físico-fisiológicos, como os utilizados para descobrir o uso de substâncias. Além de ser difícil identificar um jogador patológico, também é difícil fazer com que eles procurem ajuda, visto que geralmente negam o problema. Como o álcool, algumas formas de jogo são legalizadas, e isso faz com que o jogador pense que, por ser uma atividade legal, e usada somente para recreação. Continuando de acordo com Gowen (1996, como citado em Omais, 2007), outra possível explicação para essa dificuldade em identificar jogadores, é a falta de pressão ou desaprovação social para que ele procure ajuda, pois, ao contrário dos toxicômanos, os jogadores podem algumas vezes ganhar boas quantias de dinheiro, trazendo presentes à família e dinheiro. Isso torna ainda mais difícil àqueles que o rodeiam em saber se é má sorte no jogo ou compulsão que está afetando o indivíduo.

O jogador muitas vezes busca tratamento com a intenção de resolver ou reduzir os problemas financeiros e de relacionamento ocasionados pelo jogo. Entre as motivações para busca de tratamento estão manutenção de casamento e o desejo de recuperar o controle da própria vida (Sartori, 2012).

Conforme pesquisa de Tavares, Martins, Zilberman e El-Guebaly (2002 como citado em Martins, 2003) pesquisaram quatro fatores que poderiam adiar a procura por tratamento em 84 jogadores: a resistência em parar de jogar antes de recuperar as perdas, vergonha (medo do problema se tornar público), dificuldades financeiras em pagar tratamento (ou mesmo deslocar-se até locais de tratamento), e falta de vontade de mudar seu comportamento. Desejo de recuperar as perdas e vergonha mostrou como as principais barreiras psicológicas entre o jogador e o tratamento. Os gêneros masculinos e femininos não se diferenciaram quanto aos motivos para adiar a procura por tratamento.

3.1 Tratamento Ambulatorial

No Brasil em 1997, o Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Universidade Federal de São Paulo criou o Ambulatório de Jogo Patológico (AMJO), posteriormente renomeado para PRO-AMJO (Programa Ambulatorial do Jogo), pelo Dr. Hermano Tavares, atual Coordenador de Pesquisa do ambulatório. O atendimento multidisciplinar segue o modelo padrão ambulatorial do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da  Universidade de São Paulo (FMUSP), com entrevista inicial, triagem com psiquiatra e psicólogo, acompanhamento clínico, psicoterapia de grupo, individual e familiar, orientações gerais e específicas quanto à natureza da doença e meta do tratamento. Comorbidades psiquiátricas identificadas são abordadas com o tratamento clínico habitual.

No período pós-tratamento os jogadores patológicos são encaminhados para Associação Viver Bem (AVB) associação sem fins lucrativos fundada pelo Prof. Dr. Hermano Tavares, que têm como objetivo a pesquisa e tratamento de transtornos do controle do impulso e a promoção de saúde mental, bem estar e qualidade de vida dos pacientes. Participando de grupos complementares como: qualidade de vida, tratamento para tabagismo, grupo de sexualidade (masculino e feminino), trabalho com terapeuta ocupacional e grupos motivacionais de acordo com a necessidade de cada caso.

3.2 Grupos de autoajuda

Jogadores Anônimos (JA) é uma “irmandade”, ou seja, espécie de grupo formado por homens e mulheres com o intuito de compartilhar suas experiências e resolver o seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem de problemas com o jogo.

Surgiu em 1957, a partir do encontro casual de duas pessoas, que eram adictas ao jogo. À medida que eram feitos os encontros, após alguns meses, os dois perceberam que haviam parado de jogar, e passaram então a divulgar a mensagem para outros jogadores. Nesse mesmo ano foi criado oficialmente o primeiro encontro do Grupo de Jogadores Anônimos, em Los Angeles, surgindo a partir de então novos grupos e irmandades. Atualmente, existem grupos em muitas cidades dos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, Uganda, Israel, Argentina e outros países pelo mundo todo. No Brasil, a primeira reunião de Jogadores Anônimos ocorreu no Rio de Janeiro, no dia 23 de março de 1993. Atualmente existem unidades em diferentes cidades brasileiras se tornando um grupo acessível para a população.

O grupo do JA possui duas características principais, sendo uma delas o anonimato, cujo objetivo é preservar a identidade de seus membros e evitar disputas internas ou glorificações pessoais que possam provocar a desunião do grupo. A outra característica é o programa dos doze passos que é seguido pelo grupo, utilizado a fim de ajudar o membro a parar de jogar, e também como forma de conscientização, autoanálise e crescimento pessoal do jogador. Esse programa é bastante semelhante ao utilizado nos Alcoólicos Anônimos (AA), porém voltado mais especificamente para o transtorno do jogo.

O JA é um grupo autossustentável, pois se mantém por meio de recursos próprios, e qualquer pessoa pode se filiar e frequentar as reuniões do grupo. As reuniões são conduzidas por um líder de grupo e os “padrinhos ou madrinhas”, membros mais antigos ajudam os novos, por meio de sua própria história e exemplo, observando-os e encorajando-os frequentar as reuniões, e auxiliando-os nas eventuais dificuldades que possam apresentar no processo de recuperação e abstinência.

Os membros do grupo se reúnem semanalmente, em dias e horários regulares, e o número de participantes não é fixo, sendo algumas vezes composto por várias pessoas, e outras, por apenas dois ou três membros. Os participantes não são confrontados, interrogados, criticados nem julgados por ninguém. Os depoimentos são voluntários, e, ao final da sessão aqueles que fazem depoimentos são parabenizados pela coragem do ato de se expor e compartilhar sua história de vida com outros companheiros.

O programa de Jogadores Anônimos desenvolveu 20 perguntas ao se responder de modo afirmativo a sete ou mais das seguintes questões é considerada como tendências de jogador patológico. São elas:

  1. Você já perdeu horas de trabalho ou da escola devido ao jogo?
  2. Alguma vez o jogo já causou infelicidade na sua vida familiar?
  3. O jogo afetou a sua reputação?
  4. Você já sentiu remorso após jogar?
  5. Alguma vez você já jogou para obter dinheiro para pagar dívidas ou então resolver dificuldades financeiras?
  6. Após ter perdido você se sentiu como se necessitasse voltar o mais cedo possível e recuperar as suas perdas?
  7. Após um ganho você sentiu uma forte vontade de voltar e ganhar mais?
  8. Você geralmente jogava até que seu último centavo acabasse?
  9. Você já pediu dinheiro emprestado para financiar seu jogo?
  10. Alguma vez você já vendeu alguma coisa para financiar o jogo?
  11. Você relutava em usar o “dinheiro de jogo” para as despesas normais?
  12. O jogo o tornou descuidado com o seu bem-estar e o de sua família?
  13. Alguma vez você já jogou por mais tempo do que planejava?
  14. Alguma vez você já jogou para fugir das preocupações ou problemas?
  15. Alguma vez você já cometeu, ou pensou em cometer um ato ilegal para financiar o jogo?
  16. O jogo fez com que você tivesse dificuldades para dormir?
  17. As discussões, desapontamentos ou frustrações fizeram com que você tivesse vontade de jogar?
  18. Alguma vez você já teve vontade de celebrar alguma boa sorte com algumas horas de jogo?
  19. Alguma vez você já pensou em se auto-destruir como resultado de seu jogo?

(Jogadores Anônimos do Brasil, 2011 p 18-19).

3.4 Tratamentos medicamentosos

Atualmente, não existe nenhuma medicação para o tratamento de jogo patológico, aprovada pelo FDA (U.S. Food and Drug Administration), órgão regulador de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos da América (BRITO, 2011).

Ainda que os tratamentos farmacológicos não tenham sido aprovados para o uso em jogadores patológicos, várias pesquisas começaram a explorar a eficácia de medicações variadas, devido, a elevada ocorrência de comorbidades associadas.

O tratamento farmacológico divide-se entre o tratamento de sintomas específicos e as comorbidades associadas, como a redução da fissura (craving), ou desejo de jogar, que se apresenta como um fenômeno pervasivo e intenso em jogadores patológicos em início de tratamento (TAVARES, 2005).

Em relação à fissura, três grupos medicamentosos foram estudados:

Antagonistas opióides: incluem a Naltrexona e o hidrocloreto de Nalmefene. A Naltrexona inibe os neurônios dopaminérgicos em áreas importantes do cérebro e tem sido utilizada com êxito como um tratamento para dependência de opióides e álcool. A Naltrexona tem demonstrado efetividade na redução dos sintomas de jogo em um certo número de ensaios clínicos e relatos de casos. Os efeitos colaterais causados incluíram náusea, boca seca, sonhos vívidos e aumento das transaminases hepáticas em pacientes que tomavam analgésicos não esteróides. A Nalmefene não esta associado a problemas hepáticos seus efeitos colaterais incluíram náusea, insônia, tontura, vômito, boca seca, constipação, sonolência, urgência urinária, apetite diminuído e sudorese (WEINSTOCK et  al., 2008).

Antidepressivos: inibidores seletivos de receptação de serotonina tem sido mais estudados. Alguns ensaios clínicos duplo-cego também foram realizados para avaliar a eficácia dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina e tiveram, em geral, resultados inconsistentes.

Lítio e outros estabilizadores do humor: apresentam ser eficaz em jogadores patológicos com comorbidades com transtornos afetivo bipolar ou portadores de transtornos associados ao espectro bipolar.

Ainda são necessárias pesquisas para uma melhor compreensão dos efeitos precisos dessas medicações nos jogadores e em suas psicopatologias, bem como para a descrição de possíveis benefícios de Sistema Único de Saúde (SUS) associação com varias formas de psicoterapias propostas (TAVARES al., 2008).

3.5 Modelos psicodinâmicos aplicados a jogadores patológicos

O modelo psicodinâmico fundamenta-se no determinismo psíquico para o qual os elementos que geram os sintomas e comportamentos observados estão estruturados de maneira particular para cada sujeito. Porém, as interpretações sobre os mecanismos inconscientes operantes em diferentes pacientes devem ser, em parte, compartilhadas, a fim de que se estabeleça um modelo teórico subjacente à síndrome e seus sintomas. A literatura psicanalítica sobre o tema explora várias interpretações diferentes que buscam compreender o cerne da questão do jogo de azar (Tavares et al, 2008).

A primeira contribuição da psicanálise sobre o jogo patológico data de 1914, quando Hans Von Hattingberg teorizou que as sensações medo e tensão associada ao jogo são de natureza sexual, revelando tendências masoquistas (OLIVEIRA, 1997).

Não se poderia falar da psicodinâmica do jogo sem citar a obra de Freud, Dostoyevsky e o parricídio que publicou uma análise da condição patológica do autor Dostoiévski do livro O Jogador, obra que contém elementos autobiográficos e apresenta um relato impressionante de um indivíduo compelido a jogar qual o autor escreveu para saldar suas dívidas contraídas em jogo. Freud aponta como conflito central a presença de sentimentos ambivalentes em relação ao pai, em que um forte instinto destrutivo de Dostoevsky voltava-se contra ele próprio e, com base em um masoquismo psíquico, caracterizava-se como um padrão de saídas autopunitivas, sendo uma delas o jogo (TAVARES et al, 2008).

Bergler (1950, como citado em Rosenthal, 2008), reforça a questão do masoquismo, propondo que um desejo inconsciente de perder move o jogador e estabelece a compulsão. De acordo com sua teoria, o jogador patológico estava se rebelando contra figuras de autoridades, seus oponentes na mesa de pôquer, a banca do cassino, a roleta ou o mercado de ações, podem ser identificados com a mãe negadora ou o pai rejeitador. A culpa subsequente sobre essa rebelião criava a necessidade de autopunição, por trás da pseudo agressão do jogador estava um desejo pela derrota e pela rejeição. Bergler foi o primeiro a estudar e tratar extensamente de jogadores, dos aproximadamente 200 jogadores encaminhados a ele, 60 permaneceram em tratamento e mais da metade, foram curados. A cura consistiu em mais do que a mera cessação do jogo, mas requereu que os pacientes renunciassem ao pensamento autodestrutivo, porém não existem relatos do acompanhamento no período pós-tratamento (ROSENTHAL, 2008).

Rosenthal (1987) apresenta a concepção masoquismo/narcisismo em uma dinâmica, ao ganhar o sujeito evoca tanto sensações primitivas de triunfo sobre o pai quanto as de obtenção do amor materno. Contudo, este mesmo triunfo gera sensações de desconforto e culpa, e a possibilidade de novas apostas e perdas, permite a reconciliação com a imagem paterna. A lei da aleatoriedade imperativa as apostas simboliza a autoridade paterna; dívidas, cobranças e recriminações, apresentam-se simbolicamente como o preço a ser pago pelo transgressor, mas o conflito edípico inerente, reativa a necessidade do triunfo (ROSSINI, 2008).

3.6 Modelos cognitivo-comportamentais aplicados a jogadores patológicos

De acordo com Rossini (2008) os primeiros estudos enfocam aspectos comportamentais (embasados no determinismo ambiental), posteriormente remetem a aspetos cognitivos (voltados para o determinismo psíquico) e, por fim, transitam entre aspectos do determinismo psíquico e ambiental na abordagem cognitivo-comportamental.

Dickerson (1977, como citado em Rossini, 2008) enfatizou primeiramente a manutenção do comportamento de jogar por meio dos reforços intermitentes, comportamento que tende a ocorrer em maior frequência quando o reforçamento não é contínuo e sim intermitente, ou seja, quando a resposta reforçadora não é oferecida após todo episódio em que o indivíduo executa o comportamento.

Possivelmente a expectativa do reforço tem um impacto maior que a certeza do mesmo, isso tem implicações, exemplo no desenvolvimento de comportamento patológico em relação ao jogo (o indivíduo raras vezes consegue ganhar algo, mas a expectativa de poder repetir o ganho seria a motivação para um comportamento compulsivo). Ballone (2003) o jogo patológico é caracterizado pelo reforço emocional intermitente, pois ganhar é um reforço positivo instantâneo e perder é “apenas” uma condição de sorte, com isso, o indivíduo apresenta o comportamento compulsivo de jogar, pois está sempre acreditando que ganhará como foi conseguido da última vez.

Dickerson (1977, como citado em Rossini, 2008) também explanou sobre os demais princípios do condicionamento operante observados nos jogos de azar, como:

I. Baixo custo da resposta: o esforço requerido para se fazer uma única aposta e talvez ganhar e baixo tanto do ponto de vista físico quanto econômico;

II. A magnitude do reforço: há a expectativa de grandes prêmios ocasionais, o que fornece a ilusão de que esta é uma atividade pró-jogador, apesar de o jogo ser uma atividade que trabalha com a retenção de parte do dinheiro apostado (taxa de retorno negativa);

III. Sensibilização (ou priming): ao se oferecer pequenos prêmios ocasionais, jogos como os de maquinas minimizam os custos do jogo continuado, realçam  a variabilidade do reforço e parecem dar a sensação de que um ganho maior esta sempre por acontecer;

IV. A entrega imediata de reforço: quanto menor o intervalo de tempo entre a aposta e o resultado, maior a probabilidade deste jogo tornar-se um problema para o jogador.

Na tentativa de ampliar a compreensão, Brown (1986, como citado em Rossini, 2008) postula que além dos aspectos citados, observa-se a ocorrência de estímulos circunstanciais no ato de jogar que funcionariam como gatilhos (eliciadores) do comportamento. Neste sentido, retoma os conceitos de condicionamento clássico da década de 60, mas com ênfase nos aspectos terapêuticos, relacionados a exposição e dessensibilização (em imaginação ou in vivo) e não a aversão.

Exposição por imaginação: é pedido ao paciente que, já sentado e relaxado, retrate mentalmente a situação que em geral o leva ao jogo. O terapeuta conduz o cliente através dessa cena mental, até o momento em que este se depara com a oportunidade de jogar. Então, o terapeuta sugere uma resposta alternativa ao jogo, por exemplo, deixar o local e iniciar outra atividade. A sessão termina com técnicas de respiração e relaxamento.

Exposição in vivo: segue-se o mesmo procedimento da exposição por imaginação, mas o paciente é levado a enfrentar uma situação real (ir e ficar um tempo em frente a máquina, cartela ou outra forma de jogo de azar) e então prevenir a resposta. Para reduzir o potencial de recaída, o cliente é exposto gradualmente, pela manipulação de elementos como: a distância, a disponibilidade de dinheiro e o apoio externo de um co-terapeuta (TAVARES, et al., 2008).

Os dados sobre a eficácia de ambos os métodos são escassos. O estudo que comparou a dessensibilização por imaginação, a exposição in vivo, a terapia por aversão e o uso exclusivo da técnica de relaxamento, indicou que a dessensibilização por imaginação teve o melhor desempenho e a terapia por aversão o pior desempenho (ROSSINI, 2008).

Em função do cognitivismo em torno da década de 70, autores começaram a avaliar para o modo como a aleatoriedade envolvida no jogo influenciava a cognição, interpretação, associação, pensamentos distorcidos, persistência no comportamento dos jogadores. Verificaram que: (a) uma série de pequenos ganhos eram suficientes para gerar ilusões de controle e de habilidade sobre as chances de vencer; (b) há uma relação direta entre irracionalidade de um pensamento e o aumento de valor das apostas.

Toneatto (1999 como citado em ROSSINI, 2008) catalogou diversas distorções cognitivas de jogadores que em suma, giram em torno de falsas concepções sobre aleatoriedade dos jogos de azar e seus principais derivativos, imprevisibilidades e independência dos eventos, isto é, os resultados anteriores não determinam nem auxiliam a antever quais serão os resultados futuros.

A terapia de reestruturação cognitiva tem o objetivo de identificar as falsas crenças em relação ao jogo e ressignificá-las por meio de compreensões mais adequadas da realidade do acaso. Pesquisas indicam que este trabalho deve ser iniciado com a confecção de um diário que permita monitorar o comportamento de jogar, relatar os pensamentos e os gatilhos eliciadores. O terapeuta deve atentar para confecção correta desse diário, pois ela permite a conscientização dos processos cognitivos que dão suporte ao comportamento de jogo. A localização e a substituição desse pensamento é a fonte desta proposta terapêutica.

Sharpe e Tarrier (1993, como citado em ROSSINI, 2008) propõem um modelo integrador dos mecanismos comportamentais (condicionamento operante e condicionamento clássico) e dos mecanismos cognitivos intrapsíquicos, da seguinte forma: propõem um modelo integrador dos mecanismos comportamentais (condicionamento operante e condicionamento clássico) e dos mecanismos cognitivos intrapsíquicos, da seguinte forma:

Condicionamento operante serve como propulsor inicial para a persistência na atividade, sendo reforçado por uma série de reforços financeiros e pelo aumento de excitação autonômica (como aumento de condutividade na pele e de batimentos cardíacos) estas reações fisiológicas são interpretadas pelos jogadores como excitação.

Uma exposição continuada a variáveis intermitentes estimula o desenvolvimento de expectativas irreais sobre o jogo e o investimento futuro neste tipo de atividade. O jogo funciona em esquema de reforço parcial e variável. Assim, vitórias são esperadas intermitentemente e a frequência de reforço não pode ser determinada pelo jogador.

A excitação fisiológica fica associada ao reforço financeiro, aumentando o valor reforçador deste estado autonômico. Experiência repetida do efeito de excitação gerado pelo jogo consolida o estabelecimento de gatilhos (condicionamento clássico) que incitam a ocorrência do comportamento mesmo quando o sujeito está disposto a reduzir ou abster-se do jogo (condicionamento clássico pavloviano) (Oliveira, 1997).

Atualmente, a terapia comportamental é utilizada em conjunto com abordagens cognitivas. As técnicas cognitivas incluem a psicoeducação, a reestruturação cognitiva, a resolução de problemas, reforço dos comportamentos de não jogar, o treinamento de habilidades sociais e a prevenção de recaída (Hodgins & Peden 2007).

3.7 Programas de psicoeducação para jogadores patológicos

Hodgins e Peden (2007) afirmam que entre os modelos de tratamento de jogo encontra-se a psicoeducação. O intuito de um trabalho como este é o de auxiliar pacientes no manejo de sua doença por meio da promoção de uma maior compreensão sobre a patologia. Como indica Blume (1991) um trabalho psicoinformativo pode não ser completo, mas a educação de pacientes e familiares sobre o jogo patológico auxilia na prevenção de recaídas e no não desenvolvimento da doença em familiares.

4. Método

A presente pesquisa utilizou-se do método quantitativo e qualitativo, para que fosse possível a realização de uma coleta de dados mais aprofundada e detalhada.

Devido ao número da amostra, todos os objetivos levantados não puderam ser confirmados no estudo quantitativo, assim o método qualitativo desta pesquisa foi importante para explorar em maior profundidade aspectos da vida de jogadores patológicos ajudando a entender os diferentes contextos no qual o fenômeno ocorre por meio das respostas dos participantes que se encontram em anexo.

4.1 Participantes

O estudo foi realizado com frequentadores das reuniões de jogadores anônimos (J.A) em quatro unidades na cidade de São Paulo. Foram coletados dados de 19 participantes que tinham entre 42 e 72 anos, de ambos os gêneros e se encontravam abstinentes do jogo no período de realização desta pesquisa. Não houve critério de seleção referente a sexo, idade ou nível socioeconômico e nenhum participante foi excluído da amostra.

4.2 Instrumentos

Para condução da pesquisa um questionário foi estruturado com roteiro de 14 perguntas abertas relacionadas ao transtorno do jogo patológico e problemas associados, todas elaboradas pela pesquisadora. Primeiramente, foi investigado o perfil dos participantes. Posteriormente, foram abordados aspectos relacionados à frequência, modalidades, vontade, tratamentos, lazer, relacionamentos familiares, conjugais, aspectos emocionais, financeiros, profissionais e outros assuntos ligados ao jogo. Os dados foram coletados no período referente a agosto de 2012 a outubro de 2012.

4.3 Procedimentos

A realização de um primeiro contato ocorreu por telefone com o líder da regional de São Paulo, sendo dada por este autorização para participar de uma das reuniões. Dessa forma, a pesquisadora pode conhecer um pouco da dinâmica da reunião do JA e explicar o objetivo e o caráter sigiloso da pesquisa.

Após a aceitação do líder do grupo, que permitiu que os questionários fossem deixados nas instituições e durante algumas semanas durante as reuniões, o líder comentava sobre a pesquisa e os membros que demonstraram interesse participavam. As unidades eram visitadas quinzenalmente ou era realizado contato telefônico pela pesquisadora para se informar com o líder do grupo sobre o andamento do preenchimento dos questionários, ocorrendo deste mesmo modo nas quatro unidades do J.A.

Foi solicitado aos participantes que antes do preenchimento do Questionário lessem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e após o aceite em participar assinassem o Termo.

5. Conclusões

O presente estudo encontrou características comuns em freqüentadores de Grupos de Jogadores Anônimos de São Paulo, decorrentes do transtorno do jogo patológico.  O perfil destes jogadores em sua maioria está na faixa etária entre 51 e 60 anos de idade, gênero masculino, curso superior completo, estado civil casados, um filho e atualmente aposentados. A renda familiar está dividida entre R$2000,00 a R$3999,99 e entre R$6000,00 a R$9999,99.

Nesta amostra, os jogos preferidos são máquinas de videopocker, loteria e bingo. Os efeitos do jogo relacionados como positivos foram satisfação pessoal e esquecer dos problemas, enquanto os efeitos negativos seriam problemas financeiros, psicológicos, familiares, perdas materiais, mentir e discutir com seus familiares, separações matrimoniais, além do abandono de suas obrigações como trabalho, estudo e família para se dedicar mais ao jogo.

Dados mostraram que em média os participantes estão sete anos sem jogar e não apresentaram vontade de jogar após ingresso no J.A. Metade já conseguiu saldar suas dívidas relacionadas ao jogo enquanto a outra metade ainda está devendo a bancos e agiotas. Cabe ressaltar que buscaram o jogo por diversão, distração ou por solidão. Também, não fizeram uso de drogas ou álcool durante o período que jogavam.

Atualmente, metade faz tratamento somente no J.A. e outra faz também tratamento psicológico. Não fazem uso de medicação e para ocupar seu tempo livre fazem artesanato, lazer, leitura, navegam na Internet e praticam atividades físicas.

Os dados do perfil desta e outras estudos em âmbito nacional, demonstram que a exploração comercial ilegal dos jogos existe e os modelos de tratamentos especializados para o jogo patológico gratuitos levantados, neste estudo são restritos no país. O aspecto lúdico e de lazer social que envolve o hábito de jogar serve, muitas vezes como justificativa para a manutenção deste comportamento, apesar das consequências negativas e da proibição legal de algumas modalidades de jogos de azar no Brasil.

Este estudo revela a necessidade de novas pesquisas utilizando amostras variadas de intervenção terapêutica que apresentem resultados significantes para adesão aos tratamentos, diminuição dos sintomas e tratamento do jogo patológico. Gerando novos programas informativos para auxiliar na prevenção desta patologia, qualificando profissionais da área da saúde na realização de diagnóstico e melhoras na qualidade de vida dos jogadores patológicos.

Sobre o Autor:

Daianny G. de Castro - Psicóloga, formada pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Gestora de Recursos Humanos, formada pela Universidade de Mogi das Cruzes. Especialista em Saúde Mental na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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