Ser Terapeuta: um Olhar para Si e para o Outro a Partir do Encontro em Gestalt-terapia

Ser Terapeuta: um Olhar para Si e para o Outro a Partir do Encontro em Gestalt-terapia
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Resumo: Este artigo traz um breve olhar sobre a relação que se estabelece no setting terapêutico através do encontro entre terapeuta e cliente, além da forma como é esse olhar por parte do profissional. Produz uma reflexão sobre o processo terapêutico através da visão do profissional da psicologia clínica, bem como a relação que se estabelece entre terapeuta-paciente/cliente nesse processo tão importante que é a psicoterapia, a qual proporciona dentro deste processo um encontro. O artigo traz ainda as bases filosóficas aplicadas na Gestalt-Terapia e seus conceitos básicos, como: Aqui-Agora, Autorregulação, Awareness, Ciclo de Contato, Figura e Fundo e Teoria Centrada na Pessoa. Conceitos estes que são utilizados para embasar a teoria e práticas realizadas no setting terapêutico em Gestalt-Terapia. É importante ressaltar a importância do Psicólogo como aquele que facilita ao paciente um contato verdadeiro consigo mesmo, com o objetivo de proporcionar autonomia e capacidade de desenvolver suas potencialidades.

Palavras-chave: Relação terapêutica, Gestalt-terapia, Psicologia, Psicologia Clínica, Gestalt, Humanismo.

1. Introdução

O objetivo do presente artigo é falar sobre a experiência vivenciada pelo terapeuta em formação. Além de discorrer sobre a abordagem que é escolhida pelo estagiário, posto que tal escolha que lhe dá o suporte teórico e prático utilizado através de técnicas e intervenções que ajudam o paciente em seu processo terapêutico, além de proporcionar ao terapeuta em formação uma capacidade de elaborar, planejar e agir na prática clínica utilizando ferramentas de referenciais teóricos reconhecidos cientificamente. É enfatizada a abordagem escolhida, tal como suas bases filosóficas, seus conceitos mais importantes além dos bloqueios de contato e fatores de cura.

O tema “SER TERAPEUTA: Um olhar para si, para o outro, a partir do encontro”, traz como foco a relação que se estabelece entre terapeuta-paciente/cliente no setting terapêutico baseada nos estudos da abordagem gestáltica que é uma teoria que concebe o indivíduo em seu todo, em constante relação e consequente transformação de si mesmo em relação ao mundo. Um aspecto muito importante nessa relação terapêutica é o vínculo estabelecido e cada cliente vai se vincular de forma diferente e única. Essa relação é um exercício desafiador para ambos, pois se trata das relações entre seres humanos, em forma de pesquisa; pessoas passíveis de adaptações e constantes transformações. Trata-se de um espaço de trocas, de falas, de escutas, de cumplicidade, de responsabilidades, de vínculos e aceitações. O diferencial está na escuta e acolhida que se oferece a alguém que apresenta um sofrimento, que busca a ajuda do outro que se propõe a compreendê-lo.

Para o bom funcionamento do processo terapêutico, o terapeuta precisa desenvolver algumas habilidades fundamentais, como: postura empática e compreensiva, aceitação destituída de julgamentos, autenticidade, autoconfiança, flexibilidade, comprometimento, tolerância e interesse. Isso sem dúvida ajudará e trará resultados satisfatórios nesse processo terapeuta-cliente.

2. O Ser Terapeuta

A Gestalt-terapia é a “terapia do contato” e esse contato faz parte das principais necessidades psicológicas para o ser humano. Estudos já demonstraram que a relação terapeuta-cliente, baseada em empatia, vínculo e confiança, entre outros elementos, é o fator essencial no sucesso do tratamento. Diferente da maioria das abordagens, que citam a neutralidade e o não envolvimento do terapeuta com seu cliente na relação terapêutica, a Gestalt-terapia por sua vez, defende que não é possível essa neutralidade, visto que essa é uma relação construída como principal ferramenta no processo terapêutico, nessa abordagem acredita-se que o sujeito se constitui nas relações, sendo a relação terapêutica uma delas.

"Nós não existe, mas é composto de Eu e Tu; é uma fronteira sempre móvel onde duas pessoas se encontram. E quando há encontro, então eu me transformo e você também se transforma." (PERLS, 1977, p. 85)

O objetivo de trabalho do terapeuta é ajudar seus clientes na descoberta de si, conduzindo-os nessa caminhada, de forma a ampliar sua “awareness”, seu crescimento pessoal e seu amadurecimento. A Gestalt-terapia é uma prática psicoterapêutica que busca vê o homem numa visão integradora, ou seja, como um todo, não como um "isso" ou "aquilo" e a patologia é apenas mais uma das várias partes do todo que o indivíduo é.

Cardella (1994, p. 42) aborda, o amor como instrumento e alicerce primeiro do trabalho terapêutico. Ele define:

O amor terapêutico manifesta-se através de um estado e um modo de ser caracterizados pela integração e diferenciação da personalidade que nos permite ver, aceitar e encontrar o outro (cliente) como um ser único, diferenciado, e semelhante na sua condição de humano.

O autor fala da relação que se estabelece no processo terapêutico entre o terapeuta e seu cliente, essa relação de encontro que permite que o terapeuta olhe para seu cliente como ser único, como pessoa que ao mesmo tempo em que tem sua diferença de personalidade, vivência, cultura, modo de ver e ser no mundo, também é semelhante pela sua condição humana.

O psicoterapeuta também precisa se conhecer como pessoa, olhar para si e saber como se percebe, o que sente, pensa, espera e principalmente saber identificar o que é seu e o que é do outro, separar a suas experiências das experiências do outro, assim, será capaz de colocar sua própria experiência a serviço do outro, contribuindo para o processo de crescimento do outro.  

A Gestalt-Terapia é a abordagem fundamental para desenvolver esse olhar, pois permite tratar da relação entre terapeuta e cliente, como sendo uma relação de campo que acontece dentro do setting terapêutico, mas que é semelhante às demais relações fora do consultório.

O amor encoraja e motiva aquele que se prepara para entregar-se na relação com o outro. Caracterizado como uma das questões existenciais básicas, o amor é um dos maiores desejos e uma procura incessante do ser humano. Cardella (1994, p. 16-22) concebe o amor da seguinte forma:

Estado e um modo de ser caracterizados pela integração e diferenciação de um indivíduo, que lhe permite ver, aceitar e encontrar o outro como único, singular e semelhante na condição de humano [...] de natureza incondicional, o que implica a capacidade de amar o diferente e não apenas o semelhante. [...] implica a capacidade de estabelecer limites entre si e o outro, um contato de boa qualidade e retração, além de espontaneidade e autenticidade [...] envolve maturidade emocional, responsabilidade e posse da própria vida, auto-sustentação e independência em relação aos demais.

A autora fala sobre as diferentes formas do amor se manifestar, entre elas o amor por si próprio como condição básica para a pessoa estabelecer quaisquer relações afetivas. Esse amor por si próprio envolve a aceitação plena do próprio ser, reconhecendo suas limitações, percebendo-se, respeitando-se e afirmando a si próprio. “A experiência da confirmação está, no centro do desenvolvimento do amor por si mesmo e da capacidade de amar o outro”. (CARDELLA, 1994. p.23). Porém, não é possível manifestar um estado amoroso na pessoa dependente ou imatura emocionalmente e estagnada no seu processo de crescimento, restando a ela uma relação simbiótica com o outro como elemento de satisfação de suas necessidades emocionais básicas, o sofrimento e a insatisfação constantes.

2.1 Psicologia Clínica

A Psicologia clínica, apesar de ser linda e de uma grande importância na vida do ser humano, é o local desenvolvido para ouvir o outro em toda a sua subjetividade, orientá-lo, promover ao paciente o autoconhecimento, ajustamento criativo e ajudá-lo a resolver seus conflitos internos a fim de proporcionar o alívio emocional. É também de difícil manejo, pois lida com vários fatores individuais e subjetivos dentro da relação terapêutica, sendo o ser humano muito complexo. Essa complexidade pode gerar sofrimento interno na interação com o outro, seja cliente ou o profissional. O profissional por ser também um ser humano, tem suas complexidades, para isso precisa estar ciente e atento para então poder ajudar seu cliente em suas necessidades. Esta área está direcionada a atender diversas demandas, dentre elas, crianças, adolescentes, adultos, idosos e atendimento grupal.

Sobre a relação na clínica, Calçada, ([s/a], p. 54) comenta que:

A clínica psicoterapêutica necessita de um olhar constante. Um olhar de vai e vem, ou seja, um olhar sobre o paciente e suas transferências (a repetição de padrões infantis, que são atualizados na relação com o terapeuta); um olhar sobre nós mesmos e sobre o resultado das transferências dele sobre nossas sensações e sentimentos, ou seja, nossa contratransferência.

O psicoterapeuta precisa, para o desempenho de suas atividades, saber qual é o seu papel e diferenciá-lo dos demais papéis em sua vida, bem como, conhecer seus limites, caso contrário, não conseguirá construir uma identidade profissional.

O início da psicoterapia com o cliente é o encontro de duas pessoas que não se conhecem, nunca se viram, sendo o cliente a pessoa que vem falar de seus problemas e isso pode trazer muitas interferências nesse início do contato, como por exemplo, essa primeira experiência com um psicólogo, onde muitas vezes ainda é visto com preconceito pela sociedade, acreditando que pessoas que procuram esse profissional, são loucas, e pode até mesmo ter ocorrido experiências desprazerosas anteriores do cliente com outros profissionais, dentre outras. Cada cliente tem sua história, suas características, suas demandas, sua subjetividade e tudo isso está presente nesse encontro.

De outro lado, também está o primeiro contato do terapeuta com seu cliente, onde ele vai precisar se ajustar àquela pessoa que está a sua frente, assim o profissional precisa se ajustar a essa nova situação.

2.2 Psicologia da Gestalt

Max Wertheimer é considerado o pai da Gestalt, Wolfgang Kohler e Kurt Koffa, com seus estudos, construíram a base da teoria psicológica Gestaltiana. É uma abordagem psicológica que teve sua origem na Alemanha. Seu nascimento oficial ocorreu com a publicação do livro “Gestalt-Teraphy”, em 1951, escrito por Fritz Perls, Hefferline e Goodman.

O termo Gestalt é uma palavra de origem alemã, que significa, segundo Ginger & Ginger (1995) “dar forma, dar uma estrutura significante”. A teoria da gestalt concebe o indivíduo em seu todo, em constante relação e consequente transformação de si mesmo e do mundo. Para a gestalt, o homem não pode ser considerado isoladamente, pois é um ser-no-mundo em constante relação.

“A gestalt é tanto uma arte quanto uma ciência e todos podem praticá-la à sua própria maneira, traduzindo sua personalidade, sua experiência e sua filosofia de vida”. (GINGER & GINGER, 1995, p. 11).
A Psicologia da Gestalt é uma das tendências teóricas mais coerentes e coesas da história da Psicologia. Seus articuladores se preocuparam em construir não só uma teoria consistente, mas também uma base metodológica forte, que garantisse a consistência teórica. (BOCK, 2004, p. 50)

A Gestalt é uma das grandes abordagens da psicologia, seu conceito nos remete ao modo de como percebemos as coisas, e esse sentido é dado pela sua integração, por essa relação entre as partes que compõem um todo. Desta forma, a teoria da gestalt é fonte para a gestalt-terapia.

2.3 Gestalt-terapia

A Gestalt Terapia é uma dentre várias abordagens de psicoterapia, sendo conhecida como a abordagem dos “sentidos” e do “aqui e agora”, é uma terapia existencial, que foi desenvolvida por Fritz Perls. Segundo Myers (1998) essa abordagem, mistura a ênfase psicanalítica em trazer os sentimentos e conflitos inconscientes para o consciente à ênfase humanista de entrar em contato consigo mesmo e assumir a responsabilidade pelo que se é no presente. Essa teoria concebe o indivíduo em seu todo, em constante relação e consequente transformação de si mesmo e do mundo. Ela tem sido definida como a terapia do contato. O autor continua ainda: “A Gestalt-terapia de Perls visa a tornar as pessoas autoconscientes, rompendo as defesas e ajudando-as a sentir e expressar os sentimentos de momento a momento." (1998, p. 345).

A Gestalt-Terapia - GT apresenta-se como uma abordagem fenomenológico-existencial, ou seja, uma psicoterapia vivencial que ressalta o aqui-e-agora, através do foco de como o fenômeno nos é apresentado, esta abordagem acredita que o ser humano nasce com recursos e habilidades para estabelecer contatos com outras pessoas de forma gratificante, que os levará a uma vida criativa e de satisfação.

Segundo Ribeiro (1994, apud MENDES; BARATIERI, 2011):

A Gestalt-terapia percebe as pessoas como seres de relação, e esta relação acontece através contato. O processo do contato ocorre em duplo aspecto: aproximando e separando as pessoas. Este é uma função do self, pois se o indivíduo perde o contato consigo, não há como entrar em contato com o mundo.

É fundamental na gestalt-terapia que se estabeleça uma relação entre o terapeuta e seu cliente, uma relação autêntica, verdadeira, marcado pelo diálogo, desta forma, o cliente vai ampliando sua percepção e conferindo seus próprios significados.

Scherpp e Burow (1985, apud MENDES; BARATIERI, 2011) nos fala que o contato ocorre em três níveis humanos de ação: emocional, cognitivo e comportamental, e a recusa do contato também ocorrem em três níveis. Onde acontece sempre no limite em que o indivíduo e o meio se tocam, este é chamado de limite de contato que pode ser físico ou psíquico.

Nas práticas humanistas e transpessoais, a psicoterapia é uma prática de amor. É o encontro entre duas pessoas, onde uma é aquela que busca a ajuda, o acolhimento do seu sofrimento, que busca alguém que possa lhe compreender na sua dor e nas suas questões. A outra é a pessoa que se dispõe a ajudar, a acolher.

Como explica Cardella (1994, p. 59-60):

O amor terapêutico é incondicional, o que não significa que não existam regras, limites, normas e condições para que a relação terapêutica aconteça. Essa relação pressupõe um contrato profissional entre cliente e terapeuta, com papéis definidos e fixos, mas isso não impede o estabelecimento de um vínculo afetivo e amoroso, que permita o acontecimento do encontro entre dois seres humanos. O amor terapêutico envolve a aceitação e a confirmação do cliente tal como ele é, o que significa validar as necessidades, os desejos, os sentimentos, as crenças, os conflitos, as dificuldades, enfim, a existência do outro.

O amor na relação terapêutica acontece quando o terapeuta ama a si mesmo e se dispõe a aceitar o seu cliente exatamente como ele é, com suas necessidades, seus valores, suas crenças, suas dificuldades, dentre tantas outras coisas. Esse amor fraterno nasce dessa relação terapêutica e traz consigo um poder de cura, visto que, a maioria das doenças está na nossa incapacidade de amar a nós mesmos ou de receber amor dos outros.

Entre os conceitos trabalhados na gestalt-terapia estão: Aqui-Agora, Autorregulação, Awareness, Ciclo de contato, Figura e Fundo, Gestalt incompleta, Teoria Centrada na Pessoa

2.3.1 Aqui-Agora

O aqui-Agora é um dos conceitos que mais caracterizam a abordagem da gestalt-terapia, pois é nele onde se busca trabalhar o momento vivenciado pelo cliente. De acordo com Guimarães ([s/a], p. 2):

Estar no aqui e agora significa que o momento presente contém e explica minha relação com a realidade como um todo, isto é, o que eu vejo, o que eu percebo agora pode ser explicado a partir do momento presente, sem a necessidade de recorrer à experiências passadas de percepção. O indivíduo convive com o aqui e agora e com o passado, através de uma relação de figura e fundo, de todo e partes.

É a atenção no momento presente vivenciado pelo indivíduo. Não busca explicações no passado, mas sabe que essas gestalten inacabadas podem emergir a qualquer momento, trazendo esses conteúdos a serem trabalhados na atualidade, no que emerge e no que está acontecendo. Como diz Ribeiro (2006, p. 31) “A realidade é aqui e agora, não é delegável nem ao passado nem ao futuro”. Porém, não se exclui totalmente algum momento anterior da vida do paciente, ao contrário, são observados eventos do passado que afetam o presente, desta forma o aqui e agora pode estar no passado, mas também não deixando de estar no momento presente e é justamente esse o foco dessa abordagem. O Aqui (espaço) e agora (tempo), são duas realidades que se relacionam, mesmo porque, de certa forma, uma constitui a outra.

2.3.2 Autorregulação

 

Todo ser vivo tem capacidade de auto-organização, mas para que isso aconteça, ele precisa se autorregular, ou seja, todo o sistema se empenhar nessa organização de si, desta forma o ser vivo se auto realiza, sendo tudo aquilo que ele pode ser em potência, desenvolvendo-se da melhor forma que puder, dentro do seu contexto. Para Ribeiro (2006, p. 56), a autorregulação significa “respeitar a totalidade funcional do organismo, significa olhar-se e comportar-se como um todo organizado e eficiente, significa privilegiar as necessidades que gritam de nós para serem saciadas ou satisfeitas”.

2.3.3 Awareness

    Estar Awareness significa estar ciente, ter percepção de algo que acontece consigo e com o ambiente a sua volta. Essa capacidade acontece nos três níveis: corporal, mental e emocional. É estar no Aqui-Agora e ter consciência das suas escolhas e estar bem consigo e seu ambiente. “É um dar-se conta, um olhar para dentro, final e conclusivo, a partir do qual dificilmente passarei pelo mesmo lugar com a mesma roupagem intelectual e emocional” (RIBEIRO, 2006, p 74-75). É a forma encontrada para sensibilizar seus próprios sentimentos e percepções, é viver além, olhar para seu interior conseguindo perceber todas as suas emoções, suas percepções e sentimentos.

2.3.4 Ciclo de contato

Perls se utilizou dessa teoria para pensar na forma de como nos relacionamos, não necessariamente seja bom ou ruim, mas são formas de enfrentamento.

Segundo Ponciano (2007, p. 11)

Contato é emoção experienciada, é movimento à procura de mudança, é energia que transforma, é vida acontecendo, é consciência dando sentido à realidade. O universo é contato, e é o contato entre todos os seres que permite a evolução de todas as coisas, pois, sem contato, tudo definha e morre.

Vivemos em constante contato, seja com outro ser, com o ambiente e com o mundo. Estar em contato nos traz experiências boas ou ruins, nos faz desenvolvermos como seres no mundo, visto que somos seres gregários.

A palavra contato é usada de vários modos e em circunstâncias bem diferentes, como: "fazer contato, permanecer em contato, cortar o contato, entrar em contato", ou, simplesmente, o Contato, como se fosse um conceito claro e de significação idêntica para todo mundo. (RIBEIRO, 1997, p. 14).

O ciclo do contato está relacionado ao EU-EU e EU-MUNDO, essa relação é o que nos regula diante das nossas necessidades e busca pela realização.

2.3.5 Figura e Fundo

A figura emerge do fundo, ou seja, o fundo é o que dá sentido a figura, é aquilo que está por trás. Porém, essa figura é percebida através da percepção de cada pessoa, bem como, seu significado e isso está relacionado às nossas necessidades nesse momento, as nossas vivências, experiências, motivações pessoais, o que está mais presente.

É a relação da figura com seu fundo, esse fundo é o que dá forma a figura. Todos nós temos a nossa "bagagem", de tudo aquilo que vivemos e experienciamos, nossas lembranças, nossos conceitos, nosso modo de encarar e perceber a vida e as coisas à nossa volta. A isso, chamamos de Fundo. Em contrapartida, tudo aquilo que nos chama a atenção em determinado momento, que nos prende, seja um objeto, seja uma necessidade que precisa ser satisfeita (fome, sede, amor, dinheiro, etc.), é o que chamamos de Figura em Gestalt-terapia. (MARQUES, 2011, p. 35).

A frase “o todo é maior que a soma das partes" foi escrita pelo movimento alemão denominado Gestalt. De acordo com Ribeiro (1985, p.35), “Quando nos deparamos com algo, a nossa percepção o capta como um todo e a seguir percebemos suas partes. A forma como percebemos a parte e o todo vai depender da estruturação da nossa percepção”.

2.3.6 Gestalt Incompleta

São as situações inacabadas, em aberto, algo que foi interrompido e essas situações ficam inacabadas até que a pessoa a conclua, ou seja, resolva essa dada situação.

Podemos considerar situações inacabadas como aquelas em que a energia presente na não satisfação de uma necessidade continua em atividade comprometendo as experiências posteriores. Inevitavelmente, nossas figuras ‘clamam por clausula’, têm uma tendência natural a se realizar e ‘desocupar’ o status de necessidade (está ligada à eliminação do excesso ou da reparação da falta), cedendo lugar a novas figuras. Portal Educação (2013, p. 46)

Mesmo que possamos tolerar algumas Gestalten incompletas, normalmente a gestalt inacabada, traz desconforto, sofrimento, e conflitos, o indivíduo é envolvido por preocupações, cuidados e energia opressiva.

“Outro ponto importante é entender que a situação inacabada é um evento que originalmente pode ter acontecido no passado, mas em razão de sua força ela ainda é presente e só pode ser completada se trabalhada dentro da contextualização no presente”. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2013, p. 91)

A cada momento que fechamos uma gestalt, estamos liberando energia para novas coisas em nossa vida e, por isso, podemos entender esse movimento como a verdadeira liberdade emocional. Não porque as escondemos ou as reprimimos, mas sim porque já as conhecemos e conseguimos lidar com elas.

2.3.7 Teoria Centrada na Pessoa

É a técnica humanista mais usada, essa abordagem psicoterapêutica foi desenvolvida por Carl Rogers (1961, 1980).

A Abordagem Centrada na Pessoa foi uma expressão utilizada por Carl Rogers para referir uma forma específica de entrar em relação com outro, estando implícito um modo positivo de conceitualizar a pessoa humana (MIRANDA, 2013).

Convencido de que a maioria das pessoas já possui recursos para o crescimento, Rogers estimulava os terapeutas a exibir autenticidade, aceitação e empatia. Quando os terapeutas abandonam suas fachadas e expressam com sinceridade seus verdadeiros sentimentos, quando permitem que os clientes se sintam incondicionalmente aceitos, e quando sentem empatia e refletem os sentimentos de seus clientes, estes podem ter um aumento na autocompreensão e na auto-aceitação. (MAYERS, 1998. p. 344)

A partir dessa concepção, o processo psicoterapêutico consiste em um trabalho de cooperação entre psicólogo e cliente, cujo objetivo é a liberação desse núcleo da personalidade, obtendo-se com isso a descoberta ou redescoberta da autoestima, da autoconfiança e do amadurecimento emocional.

2.4 Relação Dialógica

Falar da relação dialógica é falar da relação Eu-Tu e da relação Eu-Isso. Para a Gestalt-terapia estas duas relações representam o princípio dialógico em psicoterapia. O Eu-Tu consiste na relação plena entre dois seres, englobando em sua amplitude os sentimentos e ideias de ambos, consiste na atitude de encontro entre duas pessoas na reciprocidade. O Eu-Isso se realiza dentro do espaço e tempo, é uma relação sujeito-objeto.

Segundo Ribeiro (2007, p. 25), “encontrar-se, estar em relação, é estar vivo, em movimento, é possibilidade de crescimento e transformação. Contrariamente, a ausência de relação ou sua interrupção, pode significar estagnação, rigidez e a perda do sentido da vida”.

O ser humano é um ser gregário, portanto, já nasce para viver em sociedade, em grupos, e está em constante relação com o outro. O autor fala ainda que, para ser considerado saudável, o homem deve estabelecer uma relação consigo mesmo, com o outro e com o mundo, pois se isso não ocorrer se dá início a um processo de adoecimento do ser, são as chamadas doenças da alma, o que atualmente têm atingido uma grande parcela da população e isso vêm aumentando consideravelmente. Dessa forma, não se pode pensar em saúde emocional sem o estabelecimento de relações genuínas. Assim, se verifica a necessidade de resgatar a característica principal do ser humano: a relação. Sendo este um dos principais objetivos da Gestalt-Terapia que acontece dentro do campo da relação dialógica.

Para que o diálogo autêntico ocorra, são necessárias algumas condições:
Abertura: uma visão inocente para o outro, na qual o conhecimento não ponha barreiras ao encontro.
Reciprocidade: uma entrega descompromissada e confiante na realidade do outro.
Presença: uma entrega à experiência imediata na aceitação da totalidade do outro, coisa ou pessoa, deixando-se acontecer.
Responsabilidade: uma visão do outro como vejo a mim; uma entrega e uma resposta espontânea na certeza de quem eu sou e na crença de quem o outro é. (BUBER 1979, p.37).

O autor Buber nos traz ainda que: “toda vida atual é encontro” (BUBER 2001, p. 59). O ser humano desde o princípio de sua existência já é considerado como um ser de relação, relação com o outro, com o ambiente, com a natureza e com o mundo.

2.5 As Três Grandes Influências Consideradas como Bases Filosóficas da Gestalt-terapia

O principal objetivo da Gestalt-Terapia (GT) é proporcionar á pessoa a capacidade de autenticidade e Auto-apoio e é através dessas capacidades que se inicia uma série de mudanças consideradas positivas na vida do paciente. O principal foco nesta abordagem está nos aspectos saudáveis da pessoa, o interesse é pela pessoa que está ali naquele momento e não em o que ela é ou tenta mostrar que é, a Gestalt provoca mudanças que podem levar a cura. Esta abordagem desenvolveu-se a partir de três grandes influências considerada como bases filosóficas da GT, que é a corrente Humanista, a filosofia Existencialista e a Fenomenologia.

2.5.1 Humanismo

A psicologia humanista reconhece o homem como centro de todas as discussões, sendo este o centro do universo. Essa teoria valoriza o ser humano e a condição humana acima de tudo preocupa-se em entender a vida humana em sua totalidade.

O homem é um ser completo, cada um possui a sua singularidade e, mediante essa singularidade, busca suprir suas necessidades como corpo, mente, sentimentos, sensações, emoções. A psicologia humanista surgiu nessa perspectiva de buscar junto ao sujeito essa auto realização das suas necessidades, trabalhando também seus pontos positivos, objetivando redução de danos e de sintomas, bem como auxiliar seu cliente nesse processo, porém, não trazendo para si uma responsabilidade que é somente do cliente que é a tomada de consciência e decisão para a mudança, enfatizando sua autoconfiança e autonomia.

De acordo com Ribeiro (2009 p. 21) o humanismo significa:

O resgate do humano, do positivo, da beleza, da força, da espontaneidade perdida e da criatividade que geram infinitas possibilidades de caminhos diferentes. Significa que, no caminho da reconstrução da identidade perdida ou confusa, procuramos no ser humano o que ele tem de bom, de positivo, de inteiro de potencialmente transformador; aquilo que o cliente sente ter de melhor à sua disposição.

O indivíduo possui livre arbítrio, o que precisa ser utilizado com responsabilidade e autorregulação. O humanismo dá ênfase às experiências que estão visíveis e clarividentes no momento presente.

2.5.2 Existencialismo

Denomina-se existencialismo toda filosofia que trata diretamente com a existência do homem, sua situação no mundo, sua liberdade de escolha e o significado em sua vida (CABRAL, 2006).

Da existência vem a essência, desta forma, o homem a cada momento precisa escolher o que será no momento seguinte e é só existindo que poderá ser. O indivíduo precisa tomar consciência de que existe não simplesmente porque está no mundo, mas porque é um ser-no-mundo e que isso faz parte dele. Desta forma, tem sua singularidade, subjetividade, seus pensamentos e sentimentos.

Segundo Ribeiro (1985) Existência, etimologicamente, vem de exsistere: “começar a ser, vir de alguma coisa e, neste sentido, o homem é o único ser que pode sair de si para projetar a si mesmo, pode fazer um projeto de si próprio, ele próprio é um projeto, realizando-se.”.

Desta forma, o ser humano é responsável por suas próprias decisões, sendo este capaz de criar e recriar-se, fazer, refazer e desfazer.

O que se pretende na psicoterapia existencial é ajudar o indivíduo a reorganizar sua existência, mudar para melhor, facilitando-lhe a procura da autenticidade a partir de si mesmo. Assim, o papel do terapeuta existencial é o de facilitar ao indivíduo o encontro consigo próprio para que possa compreender melhor os seus valores, assunções e projetos, mas também, ajudá-lo a questionar o seu projeto existencial e a assumi-lo de forma mais livre e autêntica (TEIXEIRA, 2006 p. 75)

De acordo com o exposto, observa-se que o paciente é o único responsável pelo seu caminho e trajetória, já o papel do terapeuta nesse contexto, é ajudar a tornar este caminho mais fácil, orientando a direção correta, fazendo assim com que o paciente tome consciência da necessidade desse novo caminho.

Pessoa e existência devem ser concebidas como uma totalidade. A existência não é apenas funções de tempo, mas uma função de campos. Isso significa que a existência de alguém só se faz compreensível a outro na razão em que este outro é visto nos vários campos que compõem seu Espaço Vital, do qual emana a compreensão no mundo como realidade relacional (RIBEIRO, 2009, p. 28)

O indivíduo precisa se conhecer na sua existência do mundo, sua singularidade, sua subjetividade para torna-se autônomo em suas decisões.

2.5.3 Fenomenologia

A fenomenologia surgiu no início do século XX, na Alemanha, com Edmundo Husserl (1859 – 1938). É a investigação daquilo que se pode descobrir e que está presente, porém, nem sempre é visto, isso só é possível através de procedimentos adequados e próprios.

Essa corrente filosófica é entendida como sendo o estudo dos fenômenos que o paciente traz no decorrer das sessões, enquanto a Humanista e a Existencialista possuem embasamento filosófico para se compreender o indivíduo na sua singularidade, a fenomenologia busca praticidade no entendimento desses processos fenomenológicos trazidos para as sessões pelos pacientes, seja de forma direita ou indireta.

A fenomenologia apresenta-se como um método de abordar a realidade de modo diferente do método das ciências naturais, que visam a entender o seu objetivo por meio de explicações formais. Aqui, a novidade está em que o fenomenólogo busca compreender as razões que suscitam determinada atitude (CAMON, 2005 p. 158)

Cliente e terapeuta são fenômenos um para o outro, são duas realidades se desvendando mediante uma intersubjetividade vivida por ambos, como dados para a consciência. Ambos são, ao mesmo tempo, fenômeno humano e mundano (RIBEIRO, 2007).

Na fenomenologia utiliza-se do método da Redução Fenomenológica, esse método é o principal instrumento utilizado pelo terapeuta nas sessões, onde o mesmo deve trabalhar o que o paciente traz para a sessão atual, trabalhando o aqui e agora.

A redução fenomenológica é a busca do significado, que é a chegada da totalidade à consciência. É a totalidade que contém o significado. Esta totalidade é feita de momentos fenomenológicos: percepção, intuição (introversão – insight). O organismo sente recebendo, percebe (conteúdo de consciência) e fecha, reduz a realidade toda à consciência. A intuição é um momento forte no encontro. É a chegada, é a descoberta, é o próprio manifestar-se da realidade toda à consciência. É o nascer da identidade, da individualidade de alguém à consciência. (RIBEIRO, 2013, p. 70).

Esse método possui grande importância para a prática do psicólogo, permite ao profissional compreender os fenômenos trazidos por seus pacientes. Reduzir é buscar a compreensão no íntimo do paciente à sua frente, compreendendo sua existência, sua essência, possibilitando a ele mesmo perceber e conhecer suas próprias possibilidades.

3. Bloqueios de Contato e Fatores de Cura

Dentre os bloqueios de contato que dificultam esse processo do contato na relação terapêutica podemos destacar alguns e para cada bloqueio existe a desconstrução do mecanismo de defesa, chamados de fatores de cura, são eles:

BLOQUEIOS DE CONTATO

FATORES DE CURA

INTROJEÇÃO (“ele existe, eu não”)

obedeço e aceito opiniões arbitrárias. Normas e valores que pertencem a outros, engolindo coisas sem querer e sem conseguir defender meus direitos por medo da minha própria agressividade ou da agressividade dos outros.

MOBILIZAÇÃO

Processo através do qual sinto necessidade de me mudar, de exigir meus direitos, de separar minhas coisas das dos outros, de sair da rotina, de expressar meus sentimentos exatamente como sinto e de não ter medo de ser diferente.

CONFLUÊNCIA (“Nós sentimos, eu não”)

me ligo fortemente aos outros, sem diferenciar o que é meu do que é deles. Diminuo as diferenças para sentir-me melhor e semelhante aos demais.

RETIRADA

processo através do qual saio das coisas no momento em que sinto que devo sair, percebendo o que é meu e o que é dos outros: aceito ser diferente para ser fiel a mim mesmo, amo o “eu” e aceito o “nós” quando me convém, procuro o novo e convivo com o velho de maneira crítica e inteligente.

PROJEÇÃO (“Eu existo, o outro eu crio”)

tenho dificuldade de identificar o que é meu, atribuo aos outros o mau tempo, a responsabilidade pelos meus fracassos, desconfiando de todo mundo, como possíveis inimigos.

AÇÃO

processo através do qual expresso mais confiança nos outros, assumo responsabilidades pelos meus atos, identifico em mim mesmo as razões de meus problemas, ajo em nome próprio sem medo da minha ansiedade.

RETROFLEXÃO (“Ele existe em mim”)

desejo ser como os outros desejam que eu seja, ou desejo que eu seja como eles próprios são, dirigindo para mim mesmo a energia que deveria dirigir a outrem.

CONTATO FINAL

processo através do qual sinto a mim mesmo como minha própria fonte de prazer, nutro-me do que quero sem intermediários, relacionando-me com as pessoas de maneira direta e clara e uso minha energia para usufruir com os outros o prazer do momento

DEFLEXÃO (“Nem ele nem eu existimos”)

evito contato pelos meus vários sentidos, ou faço de maneira vaga e geral, desperdiço minha energia na relação com o outro, usando um contato indireto, palavreado vago, inexpressivo ou polido demais sem ir direto ao assunto.

CONSCIÊNCIA

Processo através no qual me dou conta de mim mesmo de maneira mais clara e reflexiva. Estou mais atento ao que ocorre á minha volta, percebo-me relacionando com mais reciprocidade com pessoas e coisas.

FIXAÇÃO (“Parei de existir”) 

me apego excessivamente a pessoas, ideias e coisas, temendo surpresas diante do novo e da realidade.

FLUIDEZ

processo através do qual me movimento, localizo-me no tempo e no espaço, deixo posições antigas, renovo-me, sinto-me mais solto e espontâneo e com vontade de criar minha própria vida.

PROFLEXÃO (“ Eu existo nele”) 

desejo que os outros sejam como eu desejo que eles sejam, ou desejo que eles sejam como eu mesmo sou, manipulando-os a fim de receber deles aquilo de que preciso.

INTERAÇÃO

processo através no qual me aproximo do outro sem esperar nada em troca, ajo de igual para igual, dou pelo prazer de dar, convivo com as necessidades do outro sem esperar retribuição, sinto que estar e relacionar-me com o outro me ajuda a me perceber como pessoa.

EGOTISMO: (“Eu existo, eles não”)

me coloco sempre como o centro das coisas, exercendo um controle rígido e excessivo no mundo fora de mim, pensando em todas as possibilidades para prevenir futuros fracassos ou possíveis surpresas.

SATISFAÇÃO

Processo através do qual vejo que o mundo é composto de pessoas, que o outro pode ser fonte de contato nutritivo, que o prazer e a vida podem ser co-divididos, que pensar em possibilidades é pensar em crescimento, que é possível desfrutar compartilhando e que o mundo fora de nós pode ser fonte de prazer.

DESSENSIBILIZAÇÃO: (“Não sei se existo”)

processo através do qual me sinto entorpecido e frio diante de um contato, com dificuldade para me estimular.

SENSAÇÃO

Processo através do qual saio do estado de frieza emocional e sinto melhor a mim mesmo e às coisas, estou mais atento aos sinais que meu corpo me manda ou produz, sinto e até procuro novos estímulos.

Fonte: (RIBEIRO, 2007, p.63-66)

Todos nós apresentamos esses bloqueios de contato, eles são necessários para nossa vida, o homem saudável identifica sua necessidade, assim como cada pessoa apresenta um bloqueio que é predominante. Porém, se esse bloqueio de contato se apresenta de forma patológica, é necessário ser trabalhado o fator de cura específico para tal bloqueio.

4. Considerações Finais

A busca para desenvolver uma boa relação terapêutica é uma frequente preocupação dos profissionais da psicologia e um aspecto em comum entre muitas escolas. A Gestalt-terapia busca a conexão entre psicoterapeuta e cliente. O psicoterapeuta está a serviço do cliente, tentando se colocar como pessoa qualificada pelo saber clínico e como alguém que não o detém. Para o encontro humano, o psicoterapeuta busca a transcendência de sua função e de suas teorias para se conectar com o cliente. O psicoterapeuta trabalha para que cada cliente desenvolva ou amplie a capacidade de se autorregular, de construir o autossuporte e de ampliar o autoconhecimento, por meio de contatos saudáveis e ampliação de awareness.

Neste trabalho, foram apresentadas reflexões sobre a psicoterapia e as concepções da relação terapêutica para a Gestalt-Terapia. A relação terapêutica implica em uma postura verdadeiramente relacional, que envolve compromisso com a experiência concreta da vida do outro, envolvimento com a totalidade do ser e disponibilidade para os encontros Eu-Tu e Eu-Isso, promovendo campo fértil e saudável para o outro e sua “cura”. 

Sobre os Autores:

João Auricélio Sousa da Silva - Doutorando em Psicologia Social-UK/Buenos Aires, professor dos cursos de Graduação em Administração, Ciências Contábeis e Psicologia da Faculdade da Amazônia Ocidental-FAAO. Coordenador adjunto do curso de Psicologia; coordenador do Núcleo de Apoio Psicológico, Pedagógico e Ouvidoria da FAAO. Funcionário público da Saúde do Estado do Acre/SESACRE. Especialista em Mudanças em Educação (FIOCRUZ). Bacharel em Psicologia (FAAO) e Licenciado em Filosofia (UECE).

Janiele Olga Dantas de Paz - Graduada em Psicologia na Faculdade da Amazônia Ocidental-FAAO.

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