Sexualidade na Terceira Idade

Sexualidade na Terceira Idade
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Resumo: Para compreender o significado da sexualidade e a vulnerabilidade dos idosos, a partir dos sessenta anos, o presente trabalho teve a finalidade de abordar sobre a sexualidade na perspectiva do sexo, do amor, da sensualidade, em relação as marcas e preconceitos que a sociedade lhe impõe, com a existência de estereotipo de uma velhice obrigada a ser assexuada. Por ter recebido uma educação rígida, o idoso evita falar do assunto, muitas vezes concorda com o que lhe é imposto, mesmo sabendo e sentindo que não tem fundamento. Essa postura é fruto de uma cultura hierárquica onde transmite que o velho não tem sexualidade, é assexuado. A sexualidade, portanto, para os “garotos maduros” é rodeada de muitas dificuldades. Nessa circunstância falar de amor, de desejo, de sexualidade torna-se algo sem propósito, em razão de uma cultura convencionalista. Com o objetivo de conhecer esse fenômeno de forma teórica, empírica e cognitiva, foi-se a campo pesquisar sobre a intimidade sexual e a sexualidade na terceira idade, na observação de um comportamento que é intrínseco e muito subjetivo. Conclui-se que a sexualidade é muito mais  que sexo, é carinho, afeto, cumplicidade, amor, companheirismo. A pesquisa revela um sexo vivo e uma sexualidade aflorada na terceira idade.

Palavras-chave: amor, sexualidade, envelhecer, desejo.

1. Introdução

A curiosidade sobre a sexualidade sempre esteve presente ao longo da história da humanidade. Segundo Johnson (1993), desde a idade antiga se faziam referências sobre sexualidade. Afrodite identifica Eros como o deus do amor e dos apetites sexuais, deus do impulso principal da vida, responsável pela atração entre os corpos, força vital que a impulsiona. Freud, (1996) referiu-se a esse mesmo deus Eros como a libido, força vital do amor.

Freud, (1996), deu grandes contribuições ao estudo da sexualidade humana, descrevendo seu desenvolvimento desde a infância. Foi o primeiro pesquisador a ousar dizer que as crianças eram dotadas de sexualidade desde o início da vida. O estudo da sexualidade e de seus diferentes aspectos passou a ter relevância a partir de seu trabalho intitulado "Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade" (FREUD, 1996). Desde então, uma série de estudiosos, pensadores e cientistas passam a buscar mais conhecimento a respeito desse complexo fenômeno.

A sexualidade pode ser definida segundo Silva et. al (2009 p. 18): “Sexualidade é uma energia que nos motiva a procurar amor, desejo de contato, ternura, intimidade”, sendo assim, é prazer, é apego, é o carinho, o beijo, o abraço, a meiguice, as ações que envolvem o toque; o sentimento de cumplicidade, a intimidade; é o modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; como Silva et. al. diz “a sexualidade influencia pensamentos e, por isso, influencia também a saúde física e a mental”.

Na antiguidade os relacionamentos conjugais eram arranjados visando interesses sociais e econômicos, o papel da aliança conjugal como linha da estabilidade social era mais importante do que o amor entre os casais. O papel do casamento voltava-se para a concepção dos filhos, a transferência de valores, servindo como núcleo econômico e organizador dos trabalhos habituais da vida. Na antiguidade e na idade média o sexo era apenas para reprodução como afirma Loyola 2003. “[...] entre procriação de um lado, e desejo de conduta erótica do outro, é nítida. O casamento não tem por objeto o prazer, mas a procriação de crianças legitima”.

No século XIX começa a mudar as alianças conjugais, passa a existir casamentos por amor com o objetivo de prazer. Anterior a essa época, já  se buscava uma sexualidade prazerosa, mas foi no século XX que se consolidou como o modelo de controle social denominado por Foucault (1976) apud Loyola 2004, de biopoder, que tem como um começo uma busca das sensações, desejos, uma erotização e a descoberta de uma possível sexualidade sem preconceitos na busca de um ser humano mais subjetivo, como afirma Loyola 2004:

[...] como novidade, é que ele não atuará principalmente pelo controle repressivo da sexualidade e pela reafirmação da aliança e do casamento, mas pela incitação aos prazeres, pela valorização do desejo e das sensações, através de uma “expansão discursiva sobre o sexo, (p. 876).

Essa tradicional e arcaica situação foi imposta pelas condições materiais e econômicas do capitalismo onde a mulher era explorada e muitas vezes escravizada tendo como aliada a passividade, sendo obrigada a cuidar do lar com afazeres domésticos. Além disso, na educação dos filhos com transmissão de valores, a igreja reforçava essa condição de escrava do lar, com a imposição da moral e dos bons costumes.

Segundo Loyola 2004, “mesmo naquela época já se buscava uma sexualidade produtiva para as esposas e uma sexualidade não reprodutiva para as cortesãs”, através das quais os homens experimentavam uma  sexualidade prazerosa sem nenhuma obrigação com as prostitutas. Nesta época, dava-se início a uma sexualidade desvinculada do casamento, confirmando uma necessidade do ser humano, independente da condição e da posição que ocupava na sociedade. Essa sexualidade teve como um grande aliado a medicina que com suas tecnologias contraceptivos, desvinculando a procriação da relação homem e mulher, como diz o autor acima mencionado. No século XX houve uma grande evolução da sexualidade para os idosos, em vista do aumento da expectativa média de vida. Com essa longevidade, principalmente com qualidade de vida, ficou claro a sexualidade na terceira idade.

O Brasil hoje é caracterizado pelo envelhecimento de sua população. Devemos considerar que a sexualidade faz parte da constituição humana e com isso corresponde  uma  necessidade  fisiológica   e  emocional.  Sua   manifestação   é determinada pela maturação orgânica e mental, expressando-se de forma diferente nos estágios do desenvolvimento humano. Infelizmente, os idosos da nossa sociedade são privados de manifestar sua sexualidade. Por isso precisamos pensar e debater sobre esse tema, contribuindo assim para uma sociedade mais justa, Antunes et. al. (2010).

Como tudo se transforma, o homem vem se desenvolvendo de maneira inteligente buscando uma ampliação sustentável para a humanidade. Essa sustentabilidade é fruto de tecnologias avançadas, do crescimento da ciência, do desenvolvimento da medicina, da indústria farmacêutica, bem como uma melhor oferta de alimento e de outras necessidades básicas para a sobrevivência. Consequentemente a longevidade vem crescendo a cada ano, bem diferente do que ocorria na idade média, que em “função das guerras e das doenças, a expectativa média de vida era de 40 anos” Santos (2003). Estima-se que em 2025 a média passará a ser de 75 anos, ou seja, uma possível “quarta idade” Santos (2003).

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, o Rio Grande do Sul é apontado como o Estado em que o idoso tem maior expectativa de vida, ou seja, 70 anos, Santos (2003).

Sendo assim, as discussões sobre longevidade, perspectiva de vida e terceira idade ficaram pouco elucidados, pois, com uma baixa expectativa de vida, não despertava interesse para pesquisa sobre a terceira idade, poucos alcançavam a faixa etária considerada terceira idade. No século XX, este cenário começa a se modificar devido a inúmeros fatores.

Segundo Santos 2003, o envelhecimento da população sinaliza uma importante vitória da humanidade devido a significativos avanços da qualidade de vida, contudo, será um grande desafio, pois causará uma elevação na população mundial e consequentemente aumento nas demandas sociais em todo o mundo, entretanto as pessoas da terceira idade ainda são ignoradas.

Segundo o IBGE, em 1991, a população de idosos com mais de 60 anos era de 9.156.228, cerca de 4,8% da população geral  no Brasil. Baseado na estimativa de Maschio et al. (2011), a população dos “garotos da terceira idade”, em 2025 será em torno de 15% ou seja, mais de 30 milhões de pessoas.

Sendo assim, a sociedade percebeu, diante de uma nova realidade, que a população estava envelhecendo, todavia continua ativa e participativa.  Partindo deste pressuposto, as pesquisas, antes tímidas sobre a terceira idade, ganham destaque no meio científico e acadêmico em vários seguimentos, pois, a sociedade precisa abarcar as novas necessidades e possibilidades que surgem com o envelhecimento e longevidade da população.

As repercussões do processo de envelhecimento, principalmente no que se refere à sexualidade, constitui tema particularmente repleto de preconceito, como se a sexualidade fosse propriedade apenas dos jovens. As mudanças físicas, embora normais, podem afetar o comportamento, a resposta sexual e os aspectos da sexualidade no envelhecimento. Porém, não somente o fator biológico influencia o exercício da sexualidade na melhor idade, a própria sociedade, submersa na lógica do capitalismo, gradativamente, obriga os idosos a retirarem-se da vida ativa, partindo do cerne de que a mesma é considerada como sinônimo de produção de capital, as consequências desta pressão acabam retraindo as pessoas da terceira idade da atividade social.

Percebe-se que esta retração é uma escolha individual, mas pode ser uma consequência do fracasso da sociedade em prover aos idosos, oportunidades para continuarem ativos socialmente e deixar claro a falta de habilidade em lidar com a população que envelhecem Santos (2003).

Para Santos e Carlos (2003, p. 58) “o lugar destinado ao idoso está condicionado pelas atitudes e práticas ideológicas da sociedade”. O obstáculo que nasce do impossível é autêntico, o sujeito não localiza mais seu espaço porque o presente está superdimensionado pelo estrago, pelo desprazer, a emoção que aflora é o de ter sido prejudicado, Santos (2003). Sendo assim, o idoso não consegue viver na terceira idade mantendo a sua vontade, pois nesta etapa, como em qualquer fase, seu condicionamento lhe é atribuído pela sociedade à qual pertence, Santos e Carlos (2003). Os outros aspectos de perdas funcionais e orgânicas são o prolongamento do processo de vida, além da atitude prática e ideológica imposta >pela sociedade. Assim, o velho não sabe mais seu lugar na vida social, entendendo- se o social como família, amigos e grupos de convivência, Santo e Carlos (2003, p.59).

Conforme Silva, Kinoshita (2009, p. 134): “[...] a realidade brasileira apresenta fatores que contribuem para o agravamento da questão como a rapidez do envelhecimento e a má distribuição de renda”. Ainda segundo os autores, no final da década de 1970 inicia-se uma inquietação da sociedade acerca do tema envelhecimento populacional, mas somente em 1988 a Constituição da República Federativa do Brasil reconheceu o ancião como cidadão, tornando-se assim um desafio para o Estado e para a sociedade.

Brasil (2003) apresenta que o Estatuto do Idoso foi sancionado no dia 1º de outubro de 2003, isto é, após 15 anos, com reconhecimento do idoso pela Carta Magna, com isso o cuidado com esta população se tornou uma política de Estado, com o objetivo de regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.

Em outras civilizações, segundo Silva e Kinoshita (2009), a idade avançada era motivo de respeito, de veneração, imaginando uma experiência valiosa, da sabedoria acumulada, na extensão da longevidade, motivo da prudência e de reflexão. Na contemporaneidade ocidental a discriminação aos “idosos” surge como resultado dos valores característicos de uma sociedade consumista, mercantil das relações igualitárias, do excessivo enaltecimento da mocidade, do moderno, do admirável, do descartável, além da desvalorização total do conhecimento alcançado com a experiência de vida e da supervalorização do ter, desvalorizando o indivíduo que não produz. Porém, da mesma forma que negam aos “adultos maduros” (VASCONCELOS et. al. 2004), o direito de vender sua força de trabalho, tentam atraí-los para o mercado do consumo, dos interesses econômicos, sociais e políticos, Silva e Kinoshita, 2009.

As repercussões do método de envelhecimento sobre a sexualidade formam um contexto particularmente contaminado por preconceitos. Segundo Vasconcelos et. al. (2004), as pesquisas nessa área foram negligenciadas, tanto por falta de empenho dos profissionais da saúde, como pelo receio das pessoas desta idade. Os

autores afirmam que essa vergonha é resultado de internalizações culturais das normas sociais, morais e éticas. Ainda segundo Vasconcelos et. al. (2004), a American Psychological Association luta contra todo tipo de discriminação em relação aos idosos, principalmente contra a discriminação sexual.

De acordo com Bennatom (2007), alguns estudos possibilitam a abrangência dos métodos de compreensão dos sentidos subjetivos da sexualidade, formados na história de cada sujeito como participante com seu modo de ser, de pensar, de agir, com características particulares, que só podem ser abarcadas no contexto histórico em que ocorre um processo dialético, complexo e contínuo. Entretanto, a idade ajusta-se de maneira significativa ao componente biológico da nossa sexualidade, variando para cada pessoa. Nesse sentido, Kaplan (1977) esclarece que a força física do ser humano acrescenta ou diminui em padrões previsíveis, de acordo com a idade e em ambos os sexos, porém a sexualidade é completamente diferente. Segundo o Autor supracitado, a resposta sexual é diferentemente  afetada  pela idade, um homem de 80 anos é capaz de vivenciar prazer mediante o orgasmo, na medida em que ele é, eficazmente, excitado, podendo ter ereções frequentes e prazerosas. E em se tratando da mulher, a idade não tem efeitos sobre sua potência sexual.

Diante de uma sexualidade ativa os homens idosos permanecem, potencialmente, sensíveis à estimulação sexual, Kaplan, (1977). O desenvolvimento da medicina e da indústria farmacêutica, aliado ao desenvolvimento de drogas, e de prótese para disfunção erétil e reposição hormonal, melhorou o desempenho sexual dos idosos, como relata Maschio, et. al. (2011). Junto às rugas e cabelos brancos chegam muitos desafios, caracterizados por mudanças fisiológicas e psicológicas, assinaladas pela experiência subjetiva do envelhecimento e amplamente influenciadas pela ideologia cultural. Como hoje a terceira idade é um assunto muito novo e as pesquisas são lentas, existem grandes desafios para serem conquistados e conhecidos em prol desses “senhores aposentados”, bem como a conscientização da sociedade ao combate dos estereótipos sociais em relação ao idoso.

O objetivo do presente trabalho foi pesquisar o universo que envolve a sexualidade da terceira idade, o que o idoso considera ser sexualidade. E como isso pode contribuir para a área em questão.

2. Metodologia

Trata-se de um trabalho de pesquisa com o objetivo de explorar o universo da sexualidade da terceira idade. Buscando compreender o envelhecer, sendo este um processo natural, o porquê do preconceito da sexualidade na terceira idade. Este trabalho baseia-se na análise qualitativa das experiências cotidianas de sujeitos sobre a sexualidade na terceira idade. A demonstração mais frequente usada para representar os dados de uma pesquisa qualitativa é a análise de conteúdo, que segundo Severino, (2007, p.122), “[...] atua sobre a fala, sobre o sintagma. Ela descreve, analisa e interpreta as mensagens/enunciados de todas as formas de discursos, procurando ver o que está por detrás das palavras”.

Foram entrevistadas dez pessoas cinco homens (H) e cinco mulheres (M), com idade acima dos 60 anos, com boa saúde física e mental. A coleta de dados foi aleatória, com pessoas de Salvador, Jaguaquara e Itiruçu, realizada através de entrevista estruturada (ANEXO 1), com observações apropriadas para a aquisição de conhecimentos do assunto desejado. Por ser um tema subjetivo e peculiar a cada indivíduo, a finalidade foi atingir os objetivos de forma particular e singular.

Como prática, foram seguidos os princípios éticos da pesquisa que envolve seres humanos, de acordo com a resolução 196/96 do Ministério da Saúde, do Código de Ética do Conselho Federal de Psicologia e da Faculdade de Tecnologia e Ciência, unidade Jequié. Foi explicado antes das entrevistas o seu objetivo, garantindo o anonimato e o livre arbítrio do participante de sair da pesquisa em qualquer ocasião e, depois da assinatura, garantido pelo Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO 2), as entrevistas foram realizadas individualmente.

Após coleta de dados, foram utilizados métodos qualitativos para analisá-los e interpretá-los. A análise de conteúdo foi usada como técnica de apreciação dos dados, visando uma descrição das informações colhidas de maneira prática, sistemática e qualitativa. Consoante preleciona Claudinei (2004), tal método é compreendido como um conjunto de técnicas, cujo objetivo é a busca do sentido numa vertente prática, que visa avaliar a relação dos estímulos e a reação do comportamento sentimental dos sujeitos envolvidos.

Os dados qualitativos obtidos foram organizados em nove tópicos de análise, os quais consistem em discutir com base nos teóricos pertinentes, com a finalidade de responder às seguintes demandas:O que é sexualidade; fazer amor na terceira idade; dificuldade na sexualidade; desempenho sexual; relacionamentos afetivo- sexuais; como o corpo responde a estímulos; necessidade e frequência da atividade sexual; iniciativa nas relações sexuais e o que representa o sexo na vida. Os dados abaixo são referentes aos sujeitos entrevistados.

Tabela 1: Dados Sócio-demográficos dos Entrevistados

ENTREVISTADO

IDADE

SEXO

ESCOLARIDADE

ESTADOCIVIL

OCUPAÇÃO

H-1

63

M

Superior

Casado

Empresário

H-2

69

M

Superior

Casado

Empresário

H-3

62

M

Primário

Casado

Aposentado

H-4

66

M

Superior

Casado

Aposentado

H-5

72

M

Fundamental

Casado

Aposentado

M-1

63

F

Médio

Casada

Aposentada

M-2

72

F

Superior completo

Viúva

Aposentada

M-3

63

F

Superior completo

Casada

Professora

M-4

62

F

Superior completo

Casada

Professora

M-5

65

F

Superior

Viúva

Advogada

    1. Análise e Discussão Dos Dados

O processo de envelhecimento é uma diminuição do potencial das estruturas físicas, mas não quer dizer perda total, essas perdas de capacidades físicas em muitas situações são compensadas pelas experiências de vida de cada pessoa, Guedea et al. (2006). Quando se tem um nível de escolaridade mais elevado e um conhecimento amplo, se consegue ter muito mais recursos para enfrentar situações de perdas promovidas pela idade. Segundo os autores, acima citados, a adaptação depende de cada idoso no processo em que acontecem as perdas, as quais podem ser muito menos dolorosas mediante ingressos a conexões sociais compensatórias,

se resguardando das emoções impresumíveis da velhice. Verificamos que os sujeitos dessa pesquisa, sete dos dez entrevistados, possui escolaridade de nível superior. (Ver tabela 1).

Todo envelhecimento passa por transformações com ganhos e perdas, cada indivíduo tem seu potencial determinado em diferentes condições e fatores. Com a chegada da terceira idade, além das mudanças físicas, fatalmente previsíveis, há aquelas ligadas à cultura, educação, meio social, crenças religiosas, etc. A sociedade atual ainda dispõe de conceitos retrógrados acerca da vida, a partir dos sessenta anos de idade. Mesmo diante de tantas transformações e mudanças culturais, persiste a ideia de que não há sexo ou, se houver, é escasso neste momento da vida.

Neste contexto Bennaton (2007), afirma que a sexualidade é valida quando se refere à juventude, mais quando se trata dos idosos, a sexualidade é vista como uma pratica repelente e anormal.

Esta ideologia preconceituosa, infelizmente, é sustentada não só por aqueles que detêm de pouca idade, mas do próprio idoso homem e mulher que absorvem esta imposição da sociedade como uma verdade absoluta. Seguindo esta linha de raciocínio, Kaplan 1977, afirma:

Comumente, ambos ignoram as diferenças de sexo no processo de envelhecimento sexual e supõem, erradamente, que os desejos, necessidades e as respostas de ambos devem sofrer as mesmas mudanças. Esta falsa suposição, aliada a uma conspiração do silêncio, nascida da vergonha e da falta de conhecimento, pode ser destrutiva para a sexualidade do casal que envelhece. (p.121).

3. Sexualidade e Prazer

A sexualidade não e só o ato sexual em si, mas todo um envolvimento de carícias, sentimentos, expressões de diferentes formas. Todo envelhecimento passa por uma transformação com ganhos e perdas, cada indivíduo tem seu potencial determinado de diferentes condições e fatores.

O tema sexualidade traduz diversos significados para cada pessoa. Após, pesquisa de campo realizada com homens e mulheres com faixa etária entre sessenta e setenta e dois anos de idade, ao contrário do que se imagina, encontrou-

se muita vontade de viver. Mostrou-se que cada indivíduo, independente do gênero, coloca como fator importante para a vida, a “sexualidade e o prazer”, existindo a valorização de um relacionamento tranquilo e prazeroso proporcionado pelo sentimento de satisfação com a aproximação física que envolve contentamento, emoção e sexualidade, confirmando-se assim, as citações abaixo:

(H1). Reação prazerosa proporcionada pelo corpo num sentimento de satisfação como o toque, o beijo [...];

(H2). Interesse em ter na companheira o gosto pelo prazer;

(H3). Sexualidade pra mim é tudo na vida, a partir do momento que você se sinta atraído ou que seja atraído por alguma pessoa.

3.1 Sexualidade e as Mudanças Físicas

Com o envelhecimento, o corpo sofre transformações, provocando limitações físicas e modificações estéticas. Os atrativos físicos nem sempre chamam atenção e muitas pessoas pensam nos idosos como menos sedutores e sensuais, talvez por esse e outros motivos, eles tenham dificuldade de expressar sua sexualidade, Coelho et al. (2010). Estes Autores explicam que a sexualidade, quando relacionada ao envelhecimento, remete a mitos e estereótipos, levando os integrantes da terceira idade à condição de pessoas assexuadas, o que, consequentemente, representa um tabu.

Buscou-se averiguar a existência de alguma diferença no sexo na terceira idade, nesta oportunidade observou-se que alguns entrevistados homens revelaram ser bom, porém com menos frequência, atribuindo as mudanças físicas da sua parceira como fator principal para ter menos sexo, em virtude da menopausa, que ocasiona como consequência a redução dos hormônios responsáveis também pelo interesse sexual, Butler e Lewis (1985). Por outro lado, os entrevistados afirmam que a idade avançada e as experiências de vida, contribuem para a qualidade do sexo, não se importando com o fator quantidade.

De acordo com os entrevistados homens e mulheres, o sexo é:

(H 2). Normal, só com menos frequência, só a frequência que modifica, não só meu lado, como da minha parceira que passa pela menopausa que tem uma serie de situações isso traz desinteresse da parceira.

(M1). Fazendo comparações entre o antes e o agora existe um fator chamado menopausa, que diminui os hormônios e consequentemente a libido que dificulta nas mulheres a ter uma vida sexual bem mais ativa.

Para Vasconcelos et. al. 2004, a proporção das relações sexuais do idoso está ligada à oportunidade representada pela circunstância conjugal. No cenário demográfico, a quantidade de mulheres é maior nessa população, considerando que a média de vida  é, claramente, superior a dos homens. Essa alteração almeja acentuar-se à medida que a velhice avança. A principal implicação deste fenômeno é a restrição das oportunidades de relações sexuais, particularmente, para as mulheres.

Estas, ao responderem a mesma questão, defendem não existir mudança em seu desempenho, levando-se em consideração o aumento da idade, ressaltando que apenas (M1) afirma que a frequência sexual diminuiu, em razão da menopausa.

4. Dificuldade com a Sexualidade

Investigando sobre as dificuldades com a sexualidade, Bennaton (2007) afirma que problemas nessa área são determinados por fatores biológicos, como cansaço, mau funcionamento de alguns órgãos, estresse, aparência  física, patologias crônicas e outros. Sabe-se que o envelhecimento tem um significado muito amplo no que diz respeito saúde e doença, que desde uma simples patologia a uma grave enfermidade, muitas vezes, o único fator impeditivo do ato sexual é algum tipo de limitação física.

Em geral entre os entrevistados, não encontramos nenhum tipo de problema de saúde, dentro daquilo que se julga normal para aqueles que se encontram na terceira idade, com uma boa frequência de atividade sexual. (H3) relata que houve um problema de ejaculação precoce e de impotência, mas foi sanado com o tratamento. Kaplan (1977) discute sobre a ejaculação prematura como uma patologia de várias situações, com efeitos somáticos, disfunção erétil promovida por causa orgânica, gerando impotência ou problemas psíquicos promovidos por alguma situação de descontentamento, constrangimento, deixando o homem numa condição muito desconfortável e vexatória, possível ocorrência em qualquer idade. Assim, relata (H3): “Tive um inicio de ejaculação precoce, um pouco de impotência também [...] conseguir superar isso aí [...] Depois do tratamento ficou tudo bem”.

A maioria dos entrevistados acredita que a sexualidade é um elo que liga o casal, tendo um papel importante no entendimento. Muitas vezes a literatura entra em contradição colocando o velho como impossibilitado ou assexuado, mas o que se ver na pesquisa são pessoas que mesmo com dificuldade de ereção estão buscando formas de continuar praticando o sexo. Nesse contexto, o que mais impressiona é ver a alegria em dizer “eu consigo”. Sabe-se que a sexualidade é essencial e “os seres humanos são seres sexuais, mesmo que a doença ou a fragilidade impeça uma pessoa de agir a partir dos sentimentos sexuais, os sentimentos persistem”, Papalia, (2000, p. 505). Deste modo, mesmo que essa ideia esteja ligada as necessidades físicas, existem certas limitações que segundo Bee (1997), as modificações da menostasia contribuem para reduzir a frequência do sexo, em razão das alterações do órgão sexual feminino que diminui a lubrificação vaginal, bem como a diminuição da “grossura das paredes vaginais”, o que inibe o intercurso para determinadas mulheres, gerando desconforto e em muitas circunstâncias, dores. Tais fatores, consequentemente, enfraquecem o interesse pela relação sexual.

5. Desempenhos Sexual

A sexualidade, a sensualidade ou as necessidades emocionais é algo inerente do ser humano e é impossível separar do homem ou da mulher. Não importando a idade ou a condição, mesmo com o declínio da estrutura física é possível viver bem, a velhice não é uma doença é, apenas, um processo dos que tem sorte e consegue uma longevidade maior, muitas vezes alcançando idade centenária.

Gradim, Souza e Lobo (2007), discutem sobre o declínio físico:

O decréscimo físico esta presente em todo o processo de vida e não pode ser elemento único e exclusivo para caracterizar a velhice, pois o envelhecimento não se restringe a perdas. Na velhice há ganhos de liberdade, acúmulo de experiências de vida, amadurecimento e sabedoria. (p. 206).

Como afirma Gozzo et. al. (2000 p. 84), “por razões culturais o sexo até há pouco  tempo  era  visto  somente  como  algo  ligado  a  reprodução,  o  prazer  era

reprimido, por ser considerado pecaminoso ou moralmente condenável”. Extrai-se da pesquisa, dados que admitem um desempenho mais lento. Alguns entrevistados relataram terem diminuído até 70% da relação sexual, salientando que a maioria deles, inclusive uma das mulheres, atribui ao seu gênero tal fato, em virtude da menopausa possuir como uma de suas consequências, a falta de interesse pelo sexo. É unanime o pensamento de fidelidade, o que confirma a ideia de que o sexo depende do casal. Surge assim, a dificuldade dos cônjuges se manterem ativo, pois muitas vezes a relação encontra limitações físicas de um dos parceiros, sendo mais uma agravante para os “garotos da terceira idade” enfrentarem.

(H1). É claro que existe diferença, mais a atração, o desejo e a satisfação são muito mais valorizados.

(H5). Muita diferença. É que no tempo até os 50, 60 anos agente namorava 3,4 vezes por semana e agora aos 72 é uma ou duas vezes por semana.

6. Afetos Com O Parceiro Sexual

A sexualidade é um componente da originalidade do ser humano, o seu desenvolvimento se aperfeiçoa com o contentamento das necessidades sentimentais, é fundamental o desejo de contato, intimidade, demonstração emocional, o prazer, o apego, o carinho, o beijo, o abraço, a meiguice, as ações que envolvem o toque, o sentimento de cumplicidade. Todos falam das necessidades de se relacionar, bem como da lealdade e respeitabilidade entre parceiros.

(H1). Sinto-me atraído, com desejo, vontade de estar com a parceira, fazer e receber caricia afinal sexo é vida e equilibra a relação e alimenta a alma. Atração afetiva com o sexo oposto é muito mais complexa do que parece, é intrínseco e singular a cada ser.

Todos confirmam a necessidade da relação amorosa com os parceiros, o de dar e receber caricia colocando o sexo como vida e equilíbrio da relação. A complexidade da sexualidade é intrínseca e depende da subjetividade de cada um. As mulheres da terceira idade consideram a relação sexual algo muito bom, diz ser tranquilo e prazeroso. Silva et. al. 2009, avalia que a sexualidade é uma necessidade essencial  do ser humano, como energia que motiva o indivíduo a procurar o parceiro, sendo uma riqueza a ser vivida inteiramente. Ela surge, cresce e evolui com o sujeito, sendo necessária para a realização completa de todo o individuo. O amor e o prazer que dela se extrai não acabam com o envelhecimento.

7. Sensibilidade a Estímulos

A pesquisa revelou que a idade não tira do velho a sensibilidade, o tato, o desejo, a excitação, a satisfação de dar e receber carinho como o abraço, o beijo, o toque. A masturbação continua sendo uma forma de estímulo e de prazer independente do gênero. O que se imagina é que as pessoas que se masturbam sejam pessoas solitárias ou solteiras ou que na falta de parceiro (a), não praticam sexo, fazendo uso deste recurso como uma forma de aliviar a tensão sexual. Porém, muitos dos integrantes da terceira idade praticam a masturbação mesmo estando casados e tendo uma vida sexual ativa. Tal fato pode ser confirmado com as declarações abaixo:

(H1). Muito bem, se existe um corpo existe tato, sensibilidade, desejo, carinho, tesão, satisfação de dar e receber carinho.

(H4). Mas mesmo casado e com 66 anos, acho necessário o ato masturbatório.

(M1). É prazeroso ser tocada, beijada, acariciada pela pessoa que amamos.

Sobre o tema, Bee (1997. p. 533) assevera que: “todavia não é tanto o declínio na atividade sexual, mas o fato de que muitos adultos mais velhos, apesar das mudanças físicas ainda assim continuam a encontrar prazer nessa atividade”. E por mais que as atividades habituais possam ser complicadas, muitos adultos, no entanto, descobrem um modo de se adaptar, com criatividade e certa graça.

Discutindo-se com as mulheres entrevistadas, concluiu-se que para elas as carícias, o prazer, o beijo, o toque são como momentos de felicidade, vontade de amar e ser amada, surpreendendo e contradizendo o que a sociedade impõe como norma.

8. Necessidade e Frequencia de Sexo

Segundo Silva et. al. (2009, p.20):

Os estudos mostram 74% dos homens e 56% das mulheres casadas mantém vida sexual ativa após os 60 anos. A identificação de disfunções nessa área indicativa de problemas psicológicos, fisiológicos ou ambos. Muitas das alterações sexuais que ocorrem com o avanço da idade podem ser resolvidas com orientação e educação.

A necessidade do envolvimento sexual é igual para homens e mulheres. Sexo é amor, carinho, é a expressão de vários sentimentos, é escolha, liberdade, é dar e receber, é pura energia, integração com o universo corporal. Sexo é vida. Atualmente, com o prolongamento da longevidade, em razão do aumento da qualidade de vida, da interação social, a vida sexual, consequentemente, se prolonga e é muito mais desejado. Isso é comprovado na pesquisa, confirmando a necessidade que o ser humano tem de se envolver sexualmente. Para os entrevistados, a necessidade sexual permanece, mesmo após atingir a  terceira idade. Nesse sentido, afirmam que:

(H1). Muita, com relação a quantidade ou tempo, depende do estado de bem estar meu e da minha mulher.

(H2). Sinto necessidade e faço no máximo duas vezes por semana.

(H4). Sinto [...], apesar dos 66 anos e uma cirurgia de próstata radical que retirou o órgão completo, sinto necessidade

(M4). O sexo faz parte de nossa vida diária não existe tempo estipulado e sim vontade de viver momentos de prazer.

O resultado da pesquisa no âmbito deste questionamento converge ao quanto defendido por Bee (1997), quando a Autora adverte que: “apesar das mudanças físicas ainda assim continua a encontrar prazer nessa atividade”.

9. Iniciativa nos Relecionamentos Sexuais

A literatura, de uma maneira geral, teve a grande preocupação de transmitir os problemas relacionados com o envelhecimento, como a saúde, as mudanças e limitações físicas, o visual do corpo e também no que diz respeito às restrições sexuais. A própria sociedade impõe um preconceito, reforçando uma cultura que traz esta carga negativa até mesmo, através do próprio idoso que se sentia culpado e envergonhado sexualmente, Butler e Lewis (1985). Tais doutrinadores asseveram ainda que:

Culpa sexual e a vergonha são as causas das reações ao sexo de muitas pessoas. Estes sentimentos derivam de experiências infantis e familiares, e das indagações sexuais da infância, que tão frequentemente são perturbadoras desconcertantes. Pessoas com mais de sessenta anos, frequentemente, cresceram numa época de puritanismo vitoriano e, provavelmente, foram muito mal informadas, com admoestações para se sentirem culpadas em relação a qualquer excitação sexual que por acaso sentissem [...]. (p. 60).

O envelhecimento tende a diminuir a vitalidade, a força, a exuberância do corpo, os reflexos, mas como tudo na vida, também possui ganhos como experiência e sabedoria. Rodrigues, Andrade e Faro (2008, p. 206), explicam que a cultura preconceituosa da sociedade formada ao longo dos anos, desvalorizou o erotismo e a sexualidade na velhice, fazendo com que seja algo vergonhoso aos idosos. Diferente do que se imagina e contradizendo a literatura e a ideologia da sociedade, extrai-se da pesquisa realizada uma sexualidade viva, onde todos os entrevistados relataram estar bem a ponto de tomar iniciativa para o sexo, desde que a libido esteja aflorada, proporcionando bons momentos ao parceiro, surpreendendo e promovendo uma satisfação muito maior por te sido procurado.

(H1). Tanto faz quem procura, mas quando sou procurado sinto uma satisfação muito maior.

(M1). Sim. Se naquele momento me sinto carente. Por que não?

(M4). Quando minha libido esta aflorada tomo iniciativa e propicio bons momentos ou meu parceiro [...].

10. Sexo, Prazer, Vida e Saúde

O papel do sexo na vida das pessoas da terceira idade é um tema surpreendente quando se observa os dados da pesquisa, pois todos independente do gênero, encontraram a vontade de viver, de se relacionar, de estar junto, vivenciando e aproveitando o tempo para se dedicar ao outro de forma carinhosa, sedutora e disposta. O sexo no geral segundo (H1) é:

Reação prazerosa proporcionada pelo corpo num sentimento de satisfação como o toque, o beijo, o sorriso, o contato da pele, o olhar, a atenção, a excitação, o tesão, tudo que esta na escala da satisfação envolvendo o sexo, afinal o ser humano é pura emoção e emoção envolve sexualidade.

Deste modo, sentir-se bem, ter alegria, prazer, satisfação é o resultado de boa saúde, de bom viver, afinal a sexualidade é o tempero da existência. De acordo com Rodrigues, Andrade e Faro (2008, p. 207), hoje a sexualidade é considerada como “um dos pilares da qualidade de vida”, pois também sofre interferências externas como de fatores psicossociais e culturais, além das experiências de vida e dos  relacionamentos  entre  os  indivíduos  no  contexto  familiar  e  no  âmbito  da sociedade, pretendendo-se com isso esclarecer que a sexualidade não limita-se a apenas fatores anatômicos e fisiológicos.

Seguindo esta linha de raciocínio, conclui-se, através da pesquisa, que sexo é saúde e é subjetivo, dependendo de variantes, as quais foram demonstradas ao longo do trabalho. De acordo com cada história de vida, certos aspectos serão considerados mais que outros, contudo a sexualidade e o sexo estarão sempre presentes na terceira idade.

(H1). Dar sentido ao bem estar, alegria prazer, prazer, satisfação, é a prova viva de saúde, de bom viver. Afinal  o  sexo  é  o  tempero  da  vida. (H3). Me deixa disposto para tudo. Até para trabalhar [...] (risos).

(M1). Sexo é vida, é saúde, é prazer. Usando a imaginação haverá sempre uma forma de satisfação.

(M3). Após anos de vida [...] com uma sabedoria que não tínhamos antes, principalmente em relação ao sexo, parece mais sereno e prazeroso [...] Mais realizada, apesar dos 63 anos de vida.

(M4). Normal, faz parte do nosso organismo, o sexo tem papel importante em uma relação [...] Propicia prazer.

11. Considerações Finais

O envelhecimento é um processo natural da vida que traz benefícios e prejuízos. O ser humano evolui constantemente, as condições de vida e de desenvolvimento passam por muitas mudanças. A literatura e a sociedade mostram o envelhecimento como algo prejudicial, preocupante, como se pudesse ser evitado ou modificado. O envelhecimento na verdade é o amadurecimento da vida, é um caminhar rumo ao desconhecido, é uma conquista de cada um. A pesquisa revelou no âmbito geral, um grupo de pessoas que não estão preocupados com o envelhecer, mas sim como viver e viver bem. Constatou-se assim, uma terceira idade viva, presente, saudável e com grande poder de ação.

A longevidade está trazendo grandes mudanças para a raça humana. Hoje, já se houve falar em desaposentar, ou seja, continuar trabalhando, contribuindo com os impostos, com as obrigações sociais, produzindo e sendo redescoberto por empresas que estão valorizando o idoso, na busca de experiências, sabedoria, consciência de comportamento e de desenvolvimento profissional onde a maturidade faz a diferença.   A velhice é sinônimo de confiança, conhecimento, paciência,   sabedoria,    capacidade    para    solucionar   problemas,    determinação, maturidade e consciência da obrigação.

No que diz respeito a sexualidade a pesquisa surpreendeu, vez que encontrou-se uma sexualidade viva e longe de se tornar assexuada como a sociedade sempre impôs ao idoso, o qual muitas vezes se sente pressionando a concordar com esta ideologia, mesmo sentido-se vivo e ativo.

O que está muito presente é o receio de falar da sexualidade, os "garotos da terceira idade” foram educados numa época em que a sexualidade era algo feio, terrível, algo que a igreja colocava como pecado mortal, impuro, até dentro do casamento, a depender da linha religiosa. Muitos daqueles que se tentou entrevistar, tiveram dificuldade em falar da sexualidade, o que mais impressiona, é que eram pessoas possuidoras de saber, com varias formações acadêmicas e ainda assim com muito acanhamento em falar sobre o assunto, se recusando a participar da entrevista, independente do gênero. As pessoas com menos escolaridade tiveram muito menos dificuldade.

O que a pesquisa deixou muito claro é que as pessoas da terceira idade são muito ativas, saudáveis e com uma vontade enorme de viver. Os “garotos maduros” estão cada vez mais conscientes de que possuem sexualidade, enfrentando com mais força e firmeza o preconceito da sociedade. A prova deste fato é o grande número de pessoas contaminadas pela AIDS independente de ser homem ou mulher. Atualmente, se estima que o aumento em torno de 7% dos contaminados são pessoas com mais de sessenta anos e se infectaram recentemente Zornitta (2008). Além disso, há muitos divórcios e separações, como também relevante número de ré-casamento na faixa etária dos idosos.

Portanto, a sexualidade nunca esteve tão viva, tão presente, afinal está cientificamente comprovado que o sexo, a sexualidade, a sensualidade são inerentes ao ser humano. Ademais, com a ajuda da medicina e da indústria farmacêutica os “garotos velhos” estão indo ao delírio, com uma longevidade ampliada rumo à quarta idade. Desta forma, podemos dizer que sexo é saúde, bem estar, equilíbrio emocional, vida. Todos sabem que namorar é a melhor coisa do mundo. Essa pesquisa não tem a pretensão de esgotar o assunto, seu  objetivo  édesenvolver conhecimentos sobre o tema e instigar novas proposta de pesquisa na área.

Sobre os Autores:

Antonio Di Domizio - Discente do curso de Psicologia da FTC Jequié.

Orientadora: Angélica Silva Calefano - Docente do curso de Psicologia da FTC Jequié

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