Promoção à Saúde Uma Experiência com Mulheres em Situação de Risco

Promoção à Saúde Uma Experiência com Mulheres em Situação de Risco
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Resumo: Este artigo é resultado de estágio profissional realizado por acadêmicas do curso de Psicologia da Unijipa, com as residentes da Comunidade Terapêutica Monsenhor Gabriel Mercol, o trabalho que tem como objetivo levar informações, esclarecimentos no que tange a “Promoção à Saúde”. A metodologia de trabalho das atividades foram organizadas com base em pesquisas bibliográficas em artigos, livros e internet, leituras e supervisões. As estratégias utilizadas no local de estágio foram realizadas em encontros em roda de conversa com grupo. Algumas das atividades se desenvolveram com maior efetividade enquanto outras foram sem maiores participações, por se tratar de temas mais tocantes. Acredita-se que a pesquisa para realização do estágio e do artigo foi de grande importância, pois deu-nos suporte teórico para realização das atividades com as residentes. As atividades descritas neste artigo nos remetem para a compreensão dos desafios enfrentados na atuação do futuro profissional, e na importância do psicólogo para qualidade de vida.

Palavras-chave: Promoção à Saúde, Saúde da Mulher, Importância da Saúde.

1. Introdução

O presente artigo é resultado de estágio profissional do curso de Psicologia da Unijipa, realizado na Comunidade Terapêutica Monsenhor Gabriel Mercol. O estágio teve como objetivo proporcionar reflexão e discussão sobre as práticas e cuidados com a saúde da mulher, levar informações sobre a importância da prevenção e promoção à saúde nas diferentes fases da vida, primando pelo bem estar da mulher.

É importante pontuar que “o processo de promoção à saúde compõe uma estratégia muito importante, visto que permite a melhoria da qualidade de vida da população”. (BRASIL, 2006).

O Ministério da Saúde (MS) busca a ampliação de política pública visando à consolidação de estratégias básicas de assistência integral à saúde da mulher, incluindo ações educativas, preventivas, de diagnóstico, tratamento e recuperação, aplicadas permanentemente e de maneira não repetitiva, tendo como objetivo a melhoria dos níveis de saúde das mulheres brasileiras (BRASIL, 1984). Por isso, essas ações precisam ser dinâmicas, devem ser ações que as mulheres têm pouco acesso, com o intuito de incentivar a participação nas estratégias de promoção de saúde e para que as mesmas tenham maior possibilidade de fazer parte da vida cotidiana de cada uma.

Visando “o bem estar” das mulheres em tratamento de dependência química, residentes (internadas) na comunidade terapêutica, aborda-se ainda o transtorno de ansiedade com seus sintomas e manifestações. Aplicação de técnicas para controle de ansiedade.

A ansiedade é um estado de humor negativo caracterizado por sintomas corporais de tensão física e apreensão em relação ao futuro” (BALOW, 2002). A ansiedade está ligada diretamente com o nosso sistema mental, por isso, a maioria dos sintomas não são nítidos; não são sentidos na pele, mas sim, psicologicamente.

Diversos são os sintomas principais do transtorno ansioso: a inquietação motora, sensações de angústia, sudorese, taquicardia, mal estar generalizado.

Com o objetivo de proporcionar reflexão e discussão sobre as práticas de cuidado à saúde da mulher, informando sobre a importância da prevenção e promoção a saúde nas diferentes fases da vida da mulher, buscamos abordar temas específicos, através de roda de conversa, e assim demonstrar a importância dos exames preventivos e mamografia; Apresentar informações sobre doenças sexualmente transmissíveis; do relacionamento interpessoal; Esclarecer sobre Transtornos Ansiosos e promover uma dinâmica de motivação para melhorar a no que tange a autoestima.

A escolha do tema ocorre de acordo com a observação das demandas da Comunidade e com a aprovação dos gestores da casa.

2. Referencial Teórico

A reflexão sobre as práticas de promoção à saúde da mulher teve em seu primeiro momento o objetivo de resgatar a usuária do serviço a partir de suas demandas.

O projeto surge a partir da necessidade de se pensar sobre a importância da saúde da mulher, e como tem sido esse processo no que tange a saúde das residentes (mulheres em tratamento de dependência de substâncias psicoativas) na Comunidade Terapêutica Monsenhor Gabriel – Irmãs Copiosa da Redenção, muito tem se falado sobre a saúde da mulher, mas o que realmente tem acontecido está distante a realidade vivenciadas pelas residentes, anterior a internação.

O consumo de álcool e drogas também se encontra mais associado à comorbidades psiquiátricas como os transtornos do humor (mania e depressão), de ansiedade (pânico, fobias e transtorno do estresse pós traumático) e transtorno de personalidade borderline, um preditor de pior desfecho nos tratamentos (DIEHL, 2014).

Dessa forma, este projeto justifica-se a partir da necessidade de dialogar com as residentes sobre a importância da promoção saúde, e como buscá-la.

2.1 Promoção à Saúde da Mulher:

A saúde da mulher foi incorporada às políticas nacionais de saúde nas primeiras décadas do século XX. O Ministério da Saúde cria o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), com o objetivo de prevenção, diagnósticos e tratamento, instituiu a assistência clínica de doenças que afetam a mulher e outras necessidades identificadas a partir do perfil populacional das mulheres (BRASIL, 1984, p. 9).

Na década de 70 há um enfoque maior às questões relacionadas à equidade, que foi tema na Conferência do Ano Internacional da Mulher (1975), que visando o empoderamento da mulher e integrá-las no processo de desenvolvimento, buscou diminuir a em todos os âmbitos sociais a desigualdade com os homens. (BRASIL, 1984, p 08).

Pesquisas indicam que no Brasil, as principais causas de morte da população feminina são as doenças cardiovasculares, o câncer; as doenças do aparelho respiratórias; as doenças endócrinas, nutricionais e as causas externas (BRASIL, 2004).

O ministério da saúde enfatiza a importância da atenção à saúde por isso prioriza a valorização do ser humano intensificando as ações que leve a um resultado positivo para a população.

Para Ministério da Saúde (2004, p. 59),

A humanização e a qualidade da atenção em saúde são condições essenciais para que as ações de saúde se traduzam na resolução dos problemas identificados, na satisfação das usuárias, no fortalecimento da capacidade das mulheres frente à identificação de suas demandas, no reconhecimento e reivindicação de seus direitos e na promoção do autocuidado. Humanizar e qualificar a atenção em saúde é aprender a compartilhar saberes e reconhecer direitos.

Como consta no Manual de Políticas Nacional de atenção Integral a Saúde da Mulher citando, Mantamala (1995), a qualidade da atenção deve estar referida a um conjunto de aspectos que englobam as questões psicológicas, sociais, biológicas, sexuais, ambientais e culturais.

Buscando proporcionar informações sobre promoção a Saúde, percebe-se que o ambiente é propício ao desenvolvimento de vários transtornos.

2.2 Transtorno Ansioso

A característica externa, visível e fundamental do transtorno ansioso é a pressa, é a vontade que a pessoa tem de que as coisas aconteçam que elas se concluam com rapidez.

Para Efrain (2016) Isto acontece porque a insegurança, o medo do novo, do que tem por vir, traz dúvidas, incerteza se vai transcorrer da forma em que foi planejado, isso é a causa da pressa de que as coisa se conclua com rapidez, sendo assim poderá respirar aliviado saindo da sensação de perigo.

Todos experimentam ansiedade, é um sinal de alerta, indicando um perigo iminente e capacitando o indivíduo para lidar com uma ameaça.

Filho (2013) diz:

Ansiedade é definida como estado de humor desagradável, apreensão negativa em relação ao futuro e inquietação desconfortável; inclui manifestações somáticas e psíquicas. É uma resposta a uma ameaça desconhecida, interna, vaga e conflituosa; isso a diferencia do medo, que embora seja um sinal de alerta semelhante, é em consequência a uma ameaça conhecida, externa, definida e sem conflitos, geralmente um objeto preciso. O medo configura uma resposta emocional de uma condição súbita e a ansiedade de uma condição insidiosa.

Para Araújo (2017), “A ansiedade é um estado caracterizado por medo, apreensão, mal-estar, desconforto, , estranheza do ambiente ou de si mesmo e, muito frequentemente, pela sensação de que algo desagradável está para acontecer”.

Segundo Dalgalarrondo (2008), “Na ansiedade de base orgânica, e particularmente frequente a presença da irritabilidade e da labilidade do humor”. O quadro de ansiedade de origem orgânica e constituído por uma síndrome ansiosa (em crises ou generalizada) que e claramente resultante de uma doença, uso de fármacos ou outra condição orgânica.

Ribeiro, (2016), diz que quando, porém, a ansiedade vem sem causa aparente ou em intensidade exagerada torna-se prejudicial. Nestes casos torna-se necessário buscar ajuda de um profissional Primeiro, porque os sintomas são desagradáveis. Em seguida, porque a capacidade intelectual é atingida, e altera uma série de funções vegetativas do organismo.

A ansiedade pode ser provocada por qualquer motivo, pois depende da importância que o indivíduo dá a uma determinada situação.

2.3 Sintomas e Manifestação da Ansiedade:

Existem algumas variantes dos sintomas do transtorno ansioso que são: os vícios, os maus hábitos, que também são ligados aos transtornos compulsivos (como o vício de fumar, o vício de comer, o vício do álcool, o vício do sexo, etc).

Souza (2014), Às vezes as situações, sinais físicos e as emoções que acompanha a ansiedade não são tão óbvias no momento. Aqui estão alguns sintomas comuns de ansiedade: transpiração excessiva; Tonturas; Tensão e dores musculares; Cansaço; Insónia; Tremores; Boca seca; Dores de cabeça.

A pessoa não consegue ficar parada, às vezes rói unhas, puxa o cabelo, precisa ficar mexendo em algo, permanece balançando pernas e braços. Também podem ser pessoas muito falantes (compulsão para falar) e muita dificuldade de ouvir, absorver e entender (EFRAIN, 2016).

Os sintomas de ansiedade, varia de pessoa para pessoa, não necessariamente apresentarão todos ao mesmo tempo.

AbcMed (2011) diz:

A Irritabilidade, intolerância, insatisfação, instabilidade, inquietação, falta de ar, prisão de ventre, sudorese, tremores, transtorno do sono e, ás vezes sintomas psicossomáticos, como dor de cabeça gastrite, tontura, nó na garganta, hipertensão arterial, taquicardia, queda de cabelo, tensão muscular. De repente o coração começa a acelerar, as mãos começam a transpirar, o rosto parece queimar como brasa, alguns ficam pálidos, o sangue some, as palavras se atrapalham e ficam gagos, outros ficam paralisados, alguns choram e outros começam a rir descontroladamente.

2.4 Transtorno obsessivo-compulsivo:

O TOC é caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões. Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que são vivenciados como intrusivos e indesejados, enquanto compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais que um indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente (DSMV 2014, p. 279).

No Manual Informativo de Transtorno de Ansiedade diz que a ansiedade acontece quando surgem pensamentos desagradáveis (geralmente ligados a temas de agressão, morte ou sexo), que são percebidos como pensamentos invasivos e inoportunos, repetem-se e surgem de modo inesperado, sendo experimentados como ocorrências difíceis de controlar. As pessoas podem também ter medo de perder o controle e cometer atos insanos, humilhantes ou destrutivos. (ABRATA, 2011, p. 4).

Conforme o DSM 5 (2014, p 280), as características das obsessões e compulsões varia entre os indivíduos. Entretanto, certos temas, ou dimensões, são comuns, incluindo os de limpeza (obsessões por contaminação e compulsões por limpeza); simetria (obsessões por simetria e compulsões por repetição, organização e contagem); pensamentos proibidos ou tabus (obsessões agressivas, sexuais ou religiosas e compulsões relacionadas); e danos.

3. Metodologia

O estágio ocorreu no período de 05 de setembro à 14 de outubro de 2017, trata-se de um relato de experiência realizada por acadêmicas do curso de Psicologia, da Faculdade Panamericana de Ji-Paraná – (UNIJIPA), estágio profissional em Saúde realizado na comunidade Terapêutica com mulheres em tratamento de Dependência de Substância Psicoativa.

A Comunidade Terapêutica Monsenhor Gabriel Mercol, tem como ramo de atividade Comunidade Terapêutica – Centro de Recuperação para mulheres dependentes químicos; sua metodologia é proporcionar Mudança de estilo de vida, tem como Metas da Recuperação: Autoajuda, Auto Ajuda mutua, motivação, preparação e compromisso; seus valores: Valores do bem viver, Honestidade, atenção, aprendizagem através da experiência e trabalha buscando a recuperação.

Está localizada na região próximo a município de Presidente Médici, é uma clínica de recuperação de Dependentes Químicos que acolhe mulheres que estão em busca de tratamento para sair do vício.

O terreno foi doado pelo Sr. Silvano para diocese que posteriormente entrou em contato com a AVJ (Associação de Voluntárias de Ji-Paraná) e a Casa foi construída através de doações. A CT é administrada pelas Irmãs da Copiosa Redenção em adoração ao Santíssimo Sacramento. Fundada em agosto de 2011, tem capacidade para acolher 30 pessoas, mas atualmente encontram-se 05 residentes.

No processo de triagem todas as residentes são indicadas pelo Caps ou pelas paróquias. Para ingressar na Comunidade Terapêutica para tratamento de uso/abuso de álcool e de substância psicoativa, há necessidade de avaliação clínica e psiquiátrica, e realização de exames, para isso conta com a parceria com laboratórios, pois precisam estar medicadas para passar pelo processo de desintoxicação. Para a triagem é preciso estar acompanhado de alguns de seus familiares, pois ajuda no sentido de preenchimento de ficha em relação, para saber se há existência de doenças, distúrbios ou outras patologias.

Em relação às regras de funcionamento da CT, nos primeiros dias na casa as residentes não têm de nenhuma obrigação nas tarefas. E com alguns dias uma residente da segunda fase fica de guardiã, acompanha e ensina os afazeres da Casa e a partir daí tem a mesma obrigatoriedade que as demais residentes em cumprir as regras da casa.

“Programa de recuperação”, entende-se como um conjunto de ferramentas, que relacionadas entre si, buscam promover a mudança dos comportamentos do indivíduo em função de sua vontade de não mais fazer uso de drogas, estabelecerem um estilo de vida em conformidade com seu projeto de vida e a reestruturação de sua identidade.

O Programa Terapêutico realizado na Comunidade Terapêutica Mons. Gabriel Mercol tem sua fundamentação metodológica na obra de George De Leon, A Comunidade Terapêutica, Teoria, Modelo e Método, estudioso americano considerado na atualidade a maior autoridade na pesquisa sobre CTs.

A metodologia do programa prevê a atestação da evolução clínica do indivíduo através do progresso em um sistema de fases: fase de adaptação, fase de interiorização e fase de reinserção social.

O Sistema De Fases;

Estas 3 fases são percorridas em 2 ambientes distintos. A comunidade Terapêutica e na residência da família. Conforme esquema abaixo:

Programa de recuperação

Fase de Adaptação

Fase de Interiorização

Fase de Reinserção Social

Regime integral ou residencial

Regime integral ou residencial

Etapa residencial

Etapa não residencial

Duração cerca de 8 meses a 1 ano

Cada fase do programa prevê objetivos a serem alcançados. São comportamentos, atitudes que refletem a evolução da compreensão do próprio problema. Compreender a dependência química significa acolher ou admitir que ela faz parte da vida da pessoa e que, como toda doença crônica, ela comporta alterações no estilo de vida e a necessidade de desenvolver estratégias de adaptação às suas exigências.

Os objetivos da fase são também os critérios avaliados no comportamento do indivíduo para que este transite de uma fase para a outra.

A fase da adaptação propõe ao indivíduo que este se adapte ao seu problema de dependência e que, através do início do uso das ferramentas terapêuticas e das reuniões de grupo, possa perceber a necessidade de fazer o programa de recuperação, empenhe-se nele, compreenda os procedimentos desta metodologia de recuperação, busque confiar no grupo onde se encontra inserido e busque compreender as ferramentas do programa e o uso delas. Em síntese, o que o indivíduo deve perseguir nesta fase encontra-se no quadro abaixo:

Objetivos da Fase de adaptação

  • Conhecer os procedimentos e a filosofia da C.T
  • Iniciar um processo de auto avaliação
  • Compreender os mecanismos do problema da dependência química
  • Ter um firme propósito de fazer o programa
  • Buscar ter confiança na equipe e no grupo
  • Buscar o uso e a compreensão das ferramentas

A fase de interiorização, como o próprio nome diz, é uma fase onde o olhar retrospectivo, a revisitação da própria história e a busca de um encontro honesto consigo mesmo são as atitudes fundamentais. As relações intersubjetivas estabelecidas até esta fase provocam a pessoa a entrar em contato com suas feridas, suas defesas, suas projeções, seu estilo relacional, sua cultura, sua ética, seus valores, sua capacidade de adaptação, seu sistema familiar, sua história de vida. Neste período a residente começa a falar de fases de sua vida e aprende a ter um diálogo com seus familiares. Rever todos esses aspectos da existência é importante para a formulação de um novo projeto de vida. Projeto mais realista dos limites próprios e dos limites dos outros, projeto que promova a vida e dê continuidade ao estilo de vida já iniciado na comunidade.

O quadro abaixo sintetiza a proposta da segunda fase e a situa dentro do quadro geral do programa.

Objetivos da Fase de Interiorização

Identificação como membro da família;

Aceitação do sistema da C.T.;
Age como se”, adere às regras essenciais e regras da casa, aceita supervisão disciplinar;
Exibe conhecimento geral da abordagem da C.T.;
Mostra-se um tanto afastado da cultura das drogas, do código e da linguagem das ruas;
Comprometido no trabalho de si;
Valoriza os atributos do modelo de comportamento: honestidade e responsabilidade;
Aceita a plena responsabilidade por seu comportamento, seus problemas e soluções para eles;
Revela redução da disforia
Demonstra habilidade no uso das ferramentas.

A fase de Reinserção Social é dividida em 2 etapas. Na primeira delas, a residente vive nas instalações da CT, porém possui a liberdade de sair para visitas periódicas e monitoradas aos familiares. Possui responsabilidades e funções dentro da comunidade que constituem um papel de referência para toda a família da CT, promovendo assim a aprendizagem vicária por parte de outros membros e transformando-se em estímulo e motivação para os demais residentes.

A etapa externa desta fase é realizada fora das instalações da CT. É a fase que prevê o confronto direto do indivíduo com a realidade externa, realidade formativa, de trabalho, familiar. É o momento de enfrentar mais diretamente o preconceito e as dificuldades de manter-se abstinente mesmo exposto a inúmeros estímulos. É parte integrante do tratamento e não pode ser subestimada, embora essa seja uma atitude comum por parte dos indivíduos que saem da CT. É uma etapa de fragilidades e vulnerabilidade que deve ser suportada pela equipe da CT com atenção. Neste período, as participantes do programa de recuperação retornam à CT mensalmente para o trabalho de Prevenção de Recaída. Este trabalho permite à pessoa de avaliar todo o mês e ter um quadro claro de seu comportamento bem como das respostas de enfrentamento que colocou em ato para manter-se abstinente.

Os critérios avaliados no comportamento das pessoas pertencentes a esta fase encontram-se no quadro abaixo.

Objetivos da Fase de Reinserção Social Fase Residencial

Autoestima elevada;
Exibe algum grau de ansiedade com respeito ao futuro imediato;
Exibe percepção dos problemas da vida;
Procura e assume obrigações sem ser incitado a isso;
Usa as ferramentas com habilidade e confiança

Fase Externa à CT

  • Dedica-se a um emprego e aos estudos;
  • Identifica situações, concepções, experiências e comportamentos específicos que podem ser prejudiciais à recuperação;
  • Revela aos companheiros e à equipe todas as preocupações e dúvidas, todos os erros ou temores que tenha vivenciado e que tenham o potencial de serem prejudiciais;
  • Busca ajuda para tomar decisões e resolver problemas;
  • Busca ajuda para compreender melhor a si mesmo;
  • Busca ajuda para fortalecer aptidões apropriadas de lidar com as coisas

A transição de uma fase para a outra se dá através de um rito de passagem. Trata-se de um momento bem claro e definido dentro do programa e que exalta a dimensão do compartilhar própria da CT. A comunidade se reúne para um momento de festa pelo progresso da companheira, para falar sobre sua evolução e partilhar a alegria deste momento.

Estratégias:

A proposta de atividade com as residentes, é de levar informações sobre doenças sexualmente transmissíveis, da importância de fazer exames preventivos e mamografia, levar esclarecimentos sobre Transtornos Ansiosos, e promover uma dinâmica de motivação visando a melhoria da autoestima.

A proposta do trabalho com o gênero feminino partiu da necessidade de buscar educação em saúde no âmbito de motivar e fortalecer os conhecimentos na área do cuidado com a saúde.

O tema Saúde da mulher: com os conteúdos (Câncer de Mama; Câncer do Colo do Útero, exames preventivos; Doenças Sexualmente Transmissíveis; relacionamento interpessoal, transtornos ansiosos e auto estima), foram sugeridos pelas acadêmicas e vieram de encontro com a necessidade da comunidade, para trabalhar com o grupo, portanto foi aprovado pela gestora e Psicóloga da Casa.

A metodologia aplicada se baseou em roda de conversas para aproximação das mulheres com as acadêmicas. Afonso e Abade (2008) destacam que as rodas de conversa são utilizadas nas metodologias participativas, tendo por objetivo a constituição de um espaço onde seus participantes reflitam acerca do cotidiano, ou seja, de sua relação com o mundo, com o trabalho, com o projeto de vida.

Para Figueiredo (2012), as roda de conversas se diferenciam de outras atividades grupais, como a terapia de grupo, pois, para o desenvolvimento das rodas, os sujeitos podem se expressar no grupo, mas não é necessário que sejam revelados seus segredos, muito menos é orientada a invasão de sua intimidade.

A opção por realizar as rodas de conversa foi fundamentada na premissa de que as acadêmicas e residentes precisam estabelecer uma relação dialógica com base na escuta, no respeito e na valorização das experiências, das histórias de vida e da visão de mundo de cada um e de que a educação em saúde é um processo capaz de desenvolver a reflexão e a consciência crítica das pessoas sobre as causas de seus problemas de saúde, por meio do diálogo.

4. Resultados e Discussões

Neste estágio teve-se oportunidade de conhecer a comunidade terapêutica, através de observações. Nas visitas ocorridas observou-se a estrutura física da Casa, as regras de funcionamento, o processo das fases da recuperação, relação e interação entre as residente e as irmãs que gerenciam a comunidade.

O estágio foi realizado em 06 encontros de atividades com as residentes.

No primeiro encontro, o assunto era, a importância da promoção a saúde, em uma roda de conversa, na presença da Irmã (supervisora), faz-se a apresentação das estagiárias e qual era o objetivo do estágio, cada uma das residentes se apresentaram e falaram a idade e a quanto tempo estavam na comunidade. Uma conversa sobre câncer de colo de útero e câncer de mama, (como descobrir, como se previne etc. e vídeo sobre o autoexame de mama).

No segundo dia, falou-se sobre relacionamento interpessoais, sua importância, dicas de como viver bem em grupo. Fez-se a dinâmica dos balões, cujo o objetivo é de reconhecer que quando se vive bem em grupo, as tarefas tornam-se mais fácil de serem realizadas, sempre frisando que de acordo com as normas da estabelecidas pela comunidade. Sendo que todas participaram. Ao final cada uma expressou o que achou da atividade do dia e o quanto era importante estar participando. “Disseram que gostaram e agradeceram”.

No terceiro dia, com o tema Transtornos ansiosos, com a participação de 04 residentes pois 01 havia saído para fazer exames, a irmã participou da roda de conversa, foi muito interessante e participativo, mencionado o que é transtorno ansioso, seus sintomas, fala-se muito sobre transtorno compulsivo, e foi mencionado por uma das residentes que sua compulsividade é comer muito, foi falado sobre técnicas para controle de ansiedade. Ao final da atividade, cada uma falou sobre sua ansiedade, e o qual técnica poderia utilizar para minimizar a ansiedade.

No quarto encontro o tema foi doença sexualmente transmissíveis, abordado as doenças mais conhecida, como se contrai a doença, as medida de prevenção e tratamento, foi um tema bastante questionado, com muitas dúvidas e perguntas, em especial sobre a hepatite B e C, sendo que todos os questionamentos foram esclarecidos.

No encontro seguinte o assunto abordado foi auto estima, foi um tema bastante participativo, uma vez que cada exemplo citado, alguém se identificava e se manifestava compartilhando ou perguntando algo, houve falas bem interessante como: “auto estima é sentimento ou comportamento”?  “Toda pessoa de família pobre, tem baixa autoestima”? ao que se percebe-se que está internalizado o estigma, mas foi esclarecido que a autoestima é a confiança que a pessoa tem de si mesmo, e esse sentimento gera comportamento, também mencionado que não necessariamente os menos favorecidos tem baixo autoestima, que depende da forma em que foi ensinado, trabalhado e estruturado essa questão desde sua infância, “essa estruturação” é no sentido de dar empoderamento ao indivíduo a fim de que possa entender que cada um pode e deve lutar por seus ideias, metas e, alcance seus objetivos com esforços próprios e assim será uma pessoa que sabe do que é capaz, e acredita em seu potencial, e a realização de seus sonhos, metas, e objetivos eleva sua autoestima. Nesse encontro participaram também a irmã (supervisora) e também a educadora Eliete

No encontro de encerramento, trabalhando o tema motivação, por isso foi proposto a tarde da beleza, momento de descontração e diversão, a fim de levar alegria para aquelas guerreiras CORAJOSAS e DETERMINADAS que se propuseram a lutar pela saúde (sair da dependência química), buscando mudança de comportamento.

Iniciou-se com a decoração do ambiente e montagem da passarela onde aconteceria um desfile com as belas valentes, sonhadoras e cheias de vida. Aos poucos, foram se aproximando, meio acanhadas pareciam que não estavam dispostas a participar, mas, a medida então em que foi chamando-as para serem maquiadas, foram entendendo que aquele momento estava sendo preparado exclusivamente para elas. Com intuito de promover a tarde da beleza, e posteriormente seria feito uma sessão de fotos. Foi neste momento que demonstraram uma grande empolgação e todas quiseram se arrumar para o desfile (com exceção de duas recém chegadas). E aos poucos, aquelas mulheres sofridas foram se tornando sorridentes, dizendo que estavam linda e poderosas. Depois que todas estavam prontas, inicia-se o desfile.

O desfile foi dirigido pelas acadêmicas que ao chamar para passarela chamava-se como cada uma se denominava (determinada, corajosa, guerreira). Enquanto isso, eram fotografadas pelas então colaboradoras do projeto (Queila e Andréa), após desfilarem, entraram todas na passarela foi feita a foto com todas juntas e encerrou o desfile. Para finalizar foi feita a dinâmica “eu percebo, eu agradeço”, e foi muito emocionante a fala de cada uma das residentes externando o quão gratificante foi para cada uma a realização o projeto desenvolvido pelas estagiárias de psicologia.

Encerramos o trabalho na sala de TV, passando na TV as fotos feitas durante o desfile.  E foi quase em uma só voz que se ouvia elas dizerem que estavam se sentindo como princesas. Feito os agradecimentos as internas pela participação, e também as irmãs que sempre acolheu as estagiárias e muito colaborou com crescimento acadêmico.

5.Considerações Finais

Entende-se que a Saúde, no que tange a saúde da mulher, certamente, teve um grande avanço, mas ainda está aquém do que se deveria, pois ainda é vista com descrença pela sociedade, devido ao “mito” da dificuldade para receber atendimento. No entanto ao que se percebe é que na maioria das vezes as pessoas tendem a nem procurar atendimento acreditando que não os conseguirão.

Percebe-se a necessidade de realização de projetos de conscientização com atividades, palestras e ações preventivas que eleva o conhecimento da população em geral, a importância da promoção de saúde, e a conscientização de que a saúde é direito de todos, e o profissional em psicologia tem se mostrado a cada dia como fomentador de estratégias e com grandes possibilidades, potencialidades e efetividade também no que tange às ações de prevenção e promoção à saúde.

Acredita-se que a pesquisa para realização do estágio e do artigo foi de grande importância, pois deu-nos suporte teórico para realização das atividades com as residentes, as atividades foram informativas e esclarecedoras, foram ações de promoção à saúde da mulher com a metodologia de rodas de conversas, a experiência sem dúvida, foi extremamente relevante para as estagiárias na formação de futuro psicólogo.

Por fim, pôde-se pontuar que, para que se possa alcançar o objetivo de uma vida saudável, faz-se necessário a utilização de estratégias que possa construir a Promoção da Saúde, mas isso, é um processo contínuo de reflexão e ação. E para efetivação desse processo há a necessidade de que cada pessoa, tenha uma postura crítica e positiva para viver implementar as ações, e assim será possível obter vida saudável.

Promover palestras educativas foi certamente uma das formas de proporcionar às residentes da Instituição a oportunidade de terem acesso a informações importantes no que tange a saúde em sua forma integral “Biopsicossocial”.

Observou-se o quão importante foram as atividades, pelas disponibilidade e aceitação em participarem, e pelos agradecimentos das informações ali prestadas,

Os resultados foram alcançados, pois com propósito de elevar a autoestima das residentes, foi proporcionado e realizado a tarde da beleza, que objetivo era elas sentirem-se motivadas a descontrair, se divertir e ter mais um dia de alegria, participando do desfile de beleza, acredita-se que foi de grande valia para elas, pois o intuito dos projeto era promoção a saúde, notou-se muita satisfação e alegria no momento, e isso faz parte da busca pela vida saudável, uma vez que as atividades propostas foram aceitas e todas participaram, externaram a alegria em viver aquele momento.

Houve elogios sobre o projeto e a execução do estágio, a supervisora da Instituição falou da importância de levar esclarecimentos para as residentes, que o trabalho do psicólogo é fundamental no tratamento de Reabilitação de Dependentes Químicos.

Sobre os Autores:

Carla Andréia Gonçalves - Acadêmica do 8º Período do Curso de Psicologia da Faculdade UNIJIPA de Ji-Paraná - RO. 

Damares Ribas de Souza - Acadêmica do 8º Período do Curso de Psicologia da Faculdade UNIJIPA de Ji-Paraná - RO. 

Eunice Alves Gomes - Acadêmica do 8º Período do Curso de Psicologia da Faculdade UNIJIPA de Ji-Paraná - RO. 

Referências:

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