Práticas Educativas, Estilos Parentais e Vinculação: Estudo do Apego no Contexto Familiar

(Tempo de leitura: 11 - 22 minutos)

Resumo: Este artigo apresenta uma revisão de literatura sobre práticas educativas, Estilos Parentais e vinculação: Estudo do apego no contexto familiar, com o objetivo de identificar e analisar as práticas educativas parentais, com ênfase nos estilos parentais na vinculação com os filhos. Responderam a um questionário com 42 questões, 140 crianças de ambos os sexos, com idade entre 10 e 11 anos. Dessa forma, averigua – se a causa do tipo de educação que cada pai aplica em seu filho,  e quais são as formas aplicadas na correção dos mesmos e como se diferem os estilos parentais.
Palavras-chave: Vinculação. Punição Corporal na Infância. Agressividade

Introdução

O uso de qualquer punição contra a criança faz com que elas interrompam determinado comportamento que é inadequado para os pais, mas a médio e longo prazo não educa.  

Segundo Weber, Viezzer e Brandenburg (2004) a vinculação da punição corporal com a disciplina vem sendo transmitida ao longo de muitas gerações como verdades inqüestionáveis, consideradas modelos a serem seguidos pelos pais na educação de seus filhos.

Os comportamentos até então compreendidos como culturalmente possíveis e esperados, como a utilização de força física na educação de filhos atualmente são criticados e coibidos pelos direitos constitucionais (Cecconello, Antoni e Koller, 2003).

Segundo ECA (1990), Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

Este comportamento que envolve a utilização de força física na educação, muitas vezes está relacionado ao estilo parental adotado.

Darling e Steinberg (1993) realizaram uma revisão histórica do conceito de estilo parental, incluindo críticas e mudanças, propondo o entendimento de estilo parental como contexto onde os pais influenciam seus filhos através de práticas de acordo com suas crenças e valores, indo além da combinação entre exigência e "responsividade", cria um clima emocional que se expressam os comportamentos dos pais, incluindo práticas parentais e outros aspectos da interação pais-filhos que possuem um objetivo definido, como: tom de voz, linguagem corporal, descuido, mudança de humor.

Os estilos parentais se encontram divididos conforme proposto por Baumrind (Cecconello.;  Antoni, D.C.; Koller.H.S. (2003) que se caracterizam como: Estilos permissimos, que inclui muito cuidado, mas poucas exigências de maturidade, controle e comunicação; Estilo autoritário que inclui muito controle e exigência na maturidade, mas pouco cuidado e comunicação; Estilo competente que inclui níveis elevados de quatro dimensões, sendo elas: (1) carinho ou cuidado; (2) nível de expectativas que ela descreve em termos de exigência de maturidade; (3) clareza e consistência das regras; e (4) comunicação entre os pais e os filhos.

A teoria do apego foi proposta por Bowlby (1990), iniciou o desenvolvimento de sua teoria, a partir de bases psicanalíticas e etológicas. Porém ao contrário da teoria da psicanálise, tentou estabelecer prospectivamente os efeitos da privação da figura materna em idades sensíveis para o desenvolvimento, conceito extraído da etologia (Bowlby, 1990).

A presente pesquisa tem por objetivo verificar a relação entre estilos parentais, utilização de força física como método de educação de filhos e estilos de apego desenvolvidos em crianças de 5° e 6º ano.

A partir da literatura especializada, associada a observações, somos levados a crer que a criança que tem uma boa relação com a mãe no inicio da vida cresce com uma expectativa de vida positiva e tem melhores habilidades para se relacionarem e desenvolverem um vínculo com as outras pessoas na infância, adolescência e assim sendo na vida adulta.

Observa-se também que as práticas educativas utilizando a força física vem sendo transmitida de gerações a gerações consideradas inofensivas, sendo apenas para corrigir seu filho, mas dependendo de como se utilizam essa força física, ou seja se usada de má fé essas utilizações são vetadas e proibidas pelas leis do Estatuto da Criança e do Adolescente ECA.

Pode-se relatar que as práticas educativas variam de acordo com o estilo parental de cada pai, ou seja, cada qual tem sua maneira de orientar e corrigir seus filhos, sendo assim seu filho irá crescer e desenvolver-se de acordo de como recebem as correções de seus pais.

Segundo Hoffman (1975), disciplina coercitiva, por outro lado, caracteriza-se por práticas que utilizam a aplicação direta da força e do poder dos pais. Tais práticas incluem punição física e privação de privilégios ou ameaças, compelindo a criança a adequar seu comportamento às reações punitivas dos pais. Estas práticas podem provocar emoções intensas, como hostilidade, medo e ansiedade, interferindo na capacidade da criança para ajustar seu comportamento à situação.

As estratégias coercitivas provocam o controle do comportamento baseado na ameaça de sanções externas e intensificam a percepção de valores e do padrão de ação moral como externos, enquanto as estratégias indutivas favorecem a internalização moral (Hoffman, 1975).

Considerações Teóricas

Segundo Hoffman (apud Cecconello, De Antoni e Koller 2003) a relação entre pais e filhos ilustra uma típica situação na qual existe uma concentração de poder na figura dos pais. Existem, no entanto, duas maneiras pelas quais os pais podem utilizar este poder para alterar o comportamento dos filhos: a primeira, através de uma disciplina indutiva, que objetiva uma modificação voluntária no comportamento da criança; e a segunda, através de técnicas que reforçam e reafirmam o poder parental, como práticas coercitivas.

Devido à sua privilegiada posição de poder, os pais podem, livremente, escolher entre as técnicas disponíveis para monitorar o comportamento dos filhos, sendo que a indutiva envolve práticas educativas que comunicam à criança o desejo dos pais de que ela modifique seu comportamento, induzindo-a a obedecer-lhes. Essa prática direciona a atenção da criança para as conseqüências de seu comportamento às outras pessoas e para as demandas lógicas da situação, ao invés das conseqüências punitivas para ela mesma.

A partir da primeira relação, segundo Bowlby (1990), estabelece-se no indivíduo um modo de funcionamento, Modelo Funcional Interno. A criança que tem em sua experiência um modelo seguro de apego vai desenvolver expectativas positivas em relação ao mundo, acreditando na possibilidade de satisfação de suas necessidades. Já outra com um modelo menos seguro, poderão desenvolver em relação ao mundo expectativas menos positivas.

De acordo com Bowlby (1990), o processo de construção dos modelos internos de funcionamento relaciona-se com o modelo de apego. A criança constrói um modelo representacional interno de si mesma, dependendo de como foi cuidada. Mais tarde, em sua vida, esse modelo internalizado permite à criança, quando o sentimento é de segurança em relação aos cuidadores, acreditar em si própria, tornar-se independente e explorar sua liberdade.

Desse modo, cada indivíduo forma um "projeto" interno a partir das primeiras experiências com as figuras de apego. Embora essas representações tenham sua origem cedo no desenvolvimento, elas continuam em uma lenta evolução, sob o domínio sutil das experiências relacionadas ao apego da infância.

O apego é definido por Bee (1996) como uma variação do vínculo afetivo, onde existe a necessidade da presença do outro e um acréscimo na sensação de segurança na presença deste. No apego o outro é visto como uma base segura, a partir da qual o indivíduo pode explorar o mundo e experimentar outras relações.

Bee (1996) usa o relacionamento pais e filhos para demonstrar a diferença entre apego e vínculo afetivo. O sentimento do bebê em relação a seus pais é um apego, na medida em que ele sente nos pais a base segura para explorar e conhecer o mundo à sua volta.

O sentimento dos pais em relação ao filho é mais corretamente descrito por vínculo afetivo, já que os pais não experimentam um aumento em seu senso de segurança na presença do filho, e tampouco o filho tem para os pais a característica de base segura.

Conforme Weber, Viezzer e Brandenburg (2004), a valorização da criança foi muito tardia. Legalmente, ela só se tornou um sujeito de direitos no século XX, em 1959, na Assembléia Geral da ONU, na qual foi promulgada a Declaração dos Direitos da Criança. A conscientização sobre a particularidade infantil levou muitos estudiosos a pesquisarem e conhecerem melhor todo o processo de desenvolvimento infantil, as práticas educativas usadas pelos pais e suas relações com o comportamento dos filhos. Neste contexto surge o debate sobre o uso da punição corporal, prática milenar que se perpetua até os dias atuais.

Cornet, 1997 (apud Weber, Viezzer, Brandenburg (2004), ainda, na aplicação da punição corporal pode ocorrer uma associação entre a dor que a criança sente e o amor em relação aos seus pais. Geralmente a punição corporal é acompanhada por um discurso dos pais que amam a criança e que batem para o bem dela.

Straus, 1991 (apud Weber, Viezzer, Brandenburg (2004) defende que a punição corporal pode ser eficaz no instante em que é aplicada, mas ela traz muitos prejuízos a longo prazo, não somente para o indivíduo como também para os outros com quem convive, devido ao risco de delinqüência, de criminalidade violenta, de violência contra o cônjuge.

Métodos e Amostras

O presente trabalho usa para o estudo cento e quarenta crianças de ambos os sexos, na faixa etária de dez a onze anos sendo elas de (5º e 6º ano) da Escola Estadual de Rolim de Moura – RO.

Todos os participantes eram estudantes de ensino fundamental, e em sua maioria responderam a um instrumento referindo – se ao comportamento do pai e da mãe biológicos. Foram incluídos nessa amostra apenas os participantes cujos pais autorizaram, assinando o termo de consentimento, pois os indivíduos eram menores de idade.

Os instrumentos utilizados  foram às escalas de Inventario de Estilos Parentais - IEP e o Questionário para Investigação de Disciplina Coercitiva de Lidia Weber (2009).

O IEP contém 42 questões que correspondem a sete práticas educativas do modelo. Para cada prática educativa, foram elaboradas seis questões distribuídas espaçadamente ao longo do inventário. São duas práticas educativas positivas: (A) monitoria positiva e (B) comportamento moral, e cinco praticas educativas negativas: (C) punição inconsciente, (D) negligencia, (E) disciplina relaxada, (F) monitoria negativa e (G) abuso físico.

O IEP tem duas formas: a) quando os pais respondem sobre as práticas educativas adotadas em relação ao filho, há um Inventário de Estilos Parentais denominado Praticas educativas paternas e maternas, e b) quando os filhos respondem sobre as práticas educativas utilizadas por seus pais, dois são os inventários: b1) quando o filho responde sobre as práticas educativas paternas, Práticas parentais paternas e b2) sobre as práticas educativas maternas, o inventário se denomina Práticas parentais maternas. As questões são basicamente as mesmas e adaptadas de acordo com o tipo de respondente.

O Questionário para Investigação de Disciplina Coercitiva acessa aspectos relevantes sobre o uso de castigos, palmadas e surras na educação de crianças e adolescentes. O instrumento foi elaborado para ser respondido por crianças e adolescentes. O objetivo principal do questionário é identificar as praticas disciplinares punitivas utilizadas por pais ou familiares, o modo como são aplicadas e opinião dos filhos sobre o uso de punições corporais e de castigos (não corporais).

O instrumento contém 32 questões fechadas, que se dividem na seguinte estrutura: Parte A (questões de 1 a 17): tem questões relativas aos tipos de punição utilizados, forma de aplicação (instrumento utilizado, freqüência, intensidade, agente punidos e ocasião), e sentimentos do filho ao receber a punição; Parte B (questões de 18 a 32): tem questões que abordam a opinião da criança ou adolescente sobre o uso de palmadas e castigos e sobre a maneira como pretendem agir com os filhos futuramente

O Questionário não conta com nenhum gabarito especifico. As questões podem ser analisadas de forma qualitativa ou quantitativa, sendo que as questões foram construídas independente uma da outra, possibilitando, inclusive, a aplicação parcial do instrumento. Na presente pesquisa devido a greve das escolas estaduais, restou pouco tempo para a aplicação, assim foram aplicados as 32 questões presente no questionário, e somente seis questões foram analisadas.

Resultados e Discussões

Inicialmente avaliamos os dados levantados através do Inventario de Estilos Parentais - IEP e os resultados são os seguintes:

Estilo Parental - Mãe

Estilo Parental - Mãe

Pode ser observado nesse gráfico que o índice de mães estilo parental de risco, está em maior porcentagem, sendo que esse número excede a metade de mães pesquisadas com 56,5%, isso gera uma grande preocupação já que a mãe muitas das vezes é a pessoa que deve mais dar apoio e a qual esses menores se espelham em sua maioria; segue em estilo parental regular, abaixo da média com 21,5%; estilo parental regular, acima da média com 16,3% e; em sua minoria com apenas 5,7% o estilo parental ótimo. Um fator contribuinte para esse pouco índice de estilo parental ótimo e altíssimo índice de estilo parental de risco, acreditamos que seje devido ao desempenho das mulheres e mães que, antes se dedicavam e cuidar de seus afazeres domésticos e em manter uma boa educação em sua família e agora, ambas estão se enquadrando cada vez mais no mercado de trabalho, sendo então que quando chegam em casa, esgotadas e cansadas e ainda em alguns casos, têm que cuidar de sua família, atarefando-as a ponto de fazer com que chega a esse nível. 

Estilo parental Pai

Estilo parental Pai

Pouco diferente do gráfico anterior, o índice do estilo parental dessa pesquisa realizada com os pais segue com 46,5% estilo parental de risco; 27,2% estilo parental regular, abaixo da média; 18,5% estilo parental regular, acima da média e; 7,8% estilo parental ótimo. Nesse caso, acreditamos que, ainda nos dias de hoje, as grandes carências e as inúmeras crianças que procuram nas ruas coisas erradas, é devido ao não encontrar em casa uma família bem estruturada a ponto de dar apoio e orientação a estes, que por sua vez, estão em fase de crescimento (passando pela adolescência) e, a mudança que estão passando causa grande confusão dentro de si (dúvidas) e nem sempre ambos conseguem suportar sozinhos, procurando então uma forma de chamar atenção, mesmo que insconscientemente.

Segue os dados avaliados e  levantados através do Questionário para Investigação de Disciplina Coercitiva, e os resultados são os seguintes:

A Figura 01 corresponde à pergunta nº01 do instrumento usado para pesquisa realizada representamos os resultados obtidos em todas as crianças entrevistadas em relação ao item "Agressividade":

Figura 01: Resultado obtido por quatro opções de respostas com relação à população pesquisada

Figura 01: Resultado obtido por quatro opções de respostas com relação à população pesquisada.

Os resultados obtidos foram representados em função do item "agressividade", pois, pode-se constatar que a maior parte da população pesquisada, 77,04% relatou que pelo menos uma vez já levaram pelo menos uns tapas e surras, portanto, uma minoria afirmou que nunca levou tapas nem surras, no caso, somente castigo verbal. Esse resultado nos demonstra como um todo que a maior parte dos pais age de forma agressiva, ou seja, com punições físicas para educarem seus filhos.

A Figura 02 da pergunta nº 06 do instrumento, usado para pesquisa realizada representamos os resultados obtidos pela pesquisa elaborada em todas as crianças entrevistadas em relação ao item "punição corporal na infância e agressividade":

Figura 02: Resultados da população pesquisada com opções de repostas Sempre, Às vezes ou Nunca.

Figura 02: Resultados da população pesquisada com opções de repostas Sempre, Às vezes ou Nunca.

Através dos resultados no gráfico acima, revela que as opções 1 e 2 foram assinaladas como "Sempre" e "Às vezes", o que indica que os agressores físicos da criança são seus próprios pais, ou seja, suas próprias figuras de referencias que lhes ensinam a agressão aos filhos, sendo repassada as futuras gerações que as agressões são maneiras de resolver conflitos, problemas e impor respeito e autoridade, sujeitando seus próprios filhos a desenvolverem comportamentos agressivos através da punição corporal ou verbal sofrida na infância.

Os pais são geralmente os espelhos para os filhos, onde estes utilizam os mecanismos de projeção no qual os atributos pessoais dos pais, no caso pensamentos aceitáveis, sejam emoções de qualquer espécie, são atribuídos a outra pessoa, no caso os filhos e a introjeção, o processo pelo qual a criança incorpora os valores dos pais e da sociedade, fato que favorece os filhos a adquirirem metodos de punição fisica na educação de seus futuros filhos.  

A Figura 03 corresponde à pergunta nº22 do instrumento, usado para pesquisa realizada representamos os resultados obtidos em todas as crianças entrevistadas em relação ao item "Aumento de comportamento delinqüente e anti-social":

Figura 03: Gráfico com os resultados que declaram o possível aumento do comportamento delinqüente e anti-social, portanto, estão repassando um comportamento que lhes foram apresentados por seus genitores.

 

Figura 03: Gráfico com os resultados que declaram o possível aumento do comportamento delinqüente e anti-social, portanto, estão repassando um comportamento que lhes foram apresentados por seus genitores.

Diante as proporções da figura 03, acima, podemos examinar que apenas 46,09% dos indivíduos pesquisados reconhecem a importância do dialogo para a resolução de problemas, meio de aprendizagem e orientação sobre que comportamentos são bons para a formação do individuo.

As Figuras 04, 05, 06 e 07 a seguir correspondem às perguntas nº16, 20, 21 e 24 do instrumento, usado para pesquisa realizada representamos os resultados obtidos em todas as crianças entrevistadas em relação aos itens "sentimentos da criança e adolescente referente à punição sofrida por seus genitores, prejuízo na saúde mental, baixa auto-estima no individuo e comportamento agressivo.

Figura 04: Resultados dos prejuízos causados nas relações parentais entre pais e filhos.

Figura 04: Resultados dos prejuízos causados nas relações parentais entre pais e filhos.

Relacionando os resultados acima com os sentimentos que os filhos desenvolvem por seus genitores referentes às punições corporais, contatou-se que essas relações parentais estão sujeitas a conflitos, uma vez que, 91,28% dos indivíduos em questão relataram a presença de sentimentos negativos como raiva, tristeza, choro e outros, quando sofrem punições físicas.

Esses dados demonstram também o estado da saúde mental da criança ou adolescente quando é agredido fisicamente em seu âmbito familiar, onde os resultados apresentaram 26.55% relataram que choraram 20.73% que ficaram tristes e 15.27% disseram que ficaram com raiva. Portanto, mais de 50% dos indivíduos pesquisados, ou seja, 68,01% já vivenciaram sentimentos que estão sujeitos a desenvolver fatores prejudiciais a sua saúde física e mental.

"Certamente, uma família original intacta conflituada e tensa, pode ter menos possibilidades de oferecer e propiciar saúde a seus filhos que outro seio familiar mais continente e estável, independentemente de sua configuração" (Féres-Carneiro, 1992). Como por exemplo, as doenças psicossomáticas, depressão e estresse".

A Figura 04 acima ainda indica que 68,01% já cruzaram situações que desencadearam sentimentos raiva, tristeza e que choram. Sentimentos esses sujeitos influenciarem na auto-estima do sujeito, onde o sentimento de tristeza e raiva é sujeito causar reações físicas como depressão nervosa, insônia e falta de apetite.

Figura 05: Gráfico com resultados relacionados ao futuro das crianças

Figura 05: Gráfico com resultados relacionados ao futuro das crianças.

Resultados dos gráficos acima nos evidenciam que 34,75% dos adolescentes concordam que as crianças devem ser punidas sempre que tem comportamentos considerados inadequados e 36,17% concordam que devem apanhar de vez em quando, diante alguns dos comportamentos acima citados.

Portanto, 70,92% acreditam que a maneira correta de educar é agredindo fisicamente.

Neste grafico é destacado o pensamento dos adolescentes onde destes 36,17% concordam que punição atraves de agressão fisica de vez em quando é importante para aprender fazer coisas corretamente e 34,76% afirmam que sempre deve haver esses procedimentos.

Figura 06 – Gráfico com resultados com relação com a aprovação ou reprovação da criança com ligação à punição corporal e o castigo.

Figura 06 – Gráfico com resultados com relação com a aprovação ou reprovação da criança com ligação à punição corporal e o castigo.

 81,58% crêem que para o bom desenvolvimento da educação do indivíduo, este precisa de castigos para aprender a se comportarem no âmbito familiar.

Aparentemente do gráfico anterior, esse nos apresenta que 51,97% dos adolescentes concordam que quando indivíduos têm comportamentos inadequados devem ser castigados e 29,61% que devem ser castigados de vez em quando, de acordo com a gravidade do comportamento.

Figura 07 - Gráfico com resultados com relação com a aprovação da criança no sentido de que punição corporal consegue obter bons resultados.

Figura 07 - Gráfico com resultados com relação com a aprovação da criança no sentido de que punição corporal consegue obter bons resultados.

Esses dados evidenciam forte associação entre punição corporal, agressão infantil e comportamento anti-social, levando para sua vida de adulto as seqüelas psíquicas das punições passadas por seus genitores quando crianças e adolescentes, exemplos inadequados de como corrigir e educar seus futuros filhos e, conseqüentemente, trazendo esses fatores para seus relacionamentos sociais, conforme afirmação abaixo:

"Isto significa que uma criança que apanha em casa pode utilizar o mesmo modelo para o seu ambiente escolar e/ou com seus colegas, como foi mostrado pela pesquisa realizada por Strassberg e colaboradores (1994). assim como a relação coercitiva pode ser reproduzida pelas crianças em outros relacionamentos sociais, o sentido  inverso também é provável. Muitos pais descontam em seus filhos uma agressividade vivida em outras relações sociais" (Cornet, 1997).

Este gráfico também demonstra que 56,52% dos adolescentes relataram que é importante agressão física para que a criança se comporte melhor.

Conforme discutido anteriormente, o individuo vivencia comportamentos que lhes são passados por seus genitores e outros indivíduos de seu convívio dia a dia, vindo assim, a se relacionar com a sociedade em geral de uma maneira que lhe foi ensinado, que vivenciou em seu ambiente familiar, seguindo um ciclo vicioso de punição corporal e castigos como solução de educação e relações interpessoais perante a sociedade a qual o sujeito esta inserido.

Considerações Finais

A aplicação dos testes da pesquisa realizou-se no Colégio Estadual de Ensino Fundamental e Médio de Rolim de Moura-RO, foi entrado em contato com a Diretora e respectivos professores contatados a partir de uma conversa os objetivos de nossa pesquisa e solicitamos a autorização para a aplicação das escalas descritas acima para crianças e adolescentes que  estavam dispostas a participar da pesquisa.

Foi entregue a cada criança um termo de consentimento para os pais assinarem por se tratarem de indivíduos menores de idade e posteriormente o teste foi aplicado, foram um total de cento e quarenta crianças de ambos os sexos, na faixa etária de dez a onze anos.

Foram aplicadas as escalas de Inventario de Estilos Parentais IEP e o Questionário para Investigação de Disciplina Coercitiva.

 Percebemos que tanto o estilo parental da mãe como o do pai com é um estilo parental de risco no qual as práticas educativas negativas sobrepõem-se às positivas, propiciando condições de desenvolvimento de comportamento anti-social; neste caso, os pais precisam submeter-se a terapia de grupo, familiar ou individual, pois suas relações com os filhos estão fortemente prejudicadas e as orientações em si são incapazes de produzir as mudanças necessárias.

Nesse caso, acredita-se que, ainda nos dias de hoje, as grandes carências e as inúmeras crianças que procuram nas ruas coisas erradas, deve-se ao fato de não encontrarem em casa uma família bem estruturada a ponto de dar apoio e orientação.  A adolescencia é fase de crescimento e de mudanças. Estas por sua vez podem causar grande confusão interna e nem sempre os adolescentes conseguem suportar sozinhos, procurando então formas de chamar atenção, mesmo que insconscientemente

Sem orientação adequada e com pouco tempo, alguns pais acabam usando de práticas coercivas (agressões físicas e castigos) para tentar mudar o comportamento da criança. Devem, ser respeitados os limites físicos, intelectuais, sociais e emocionais da criança. Os pais devem estar disponíveis para que a criança tenha liberdade e vontade de procurá-los para conversar e esclarecer dúvidas.

Alguns pais querem copiar a educação que receberam. Outros, quando estão atormentados por problemas, descontam a irritação nas crianças.   Usar o medo e a força como punição incentiva a criança a mentir para se proteger e a culpar os outros por suas ações. Sua auto-estima e autoconfiança ficam abaladas a ponto de tentar negar quem é para agradar aos adultos.

Embora atualmente a maioria dos pais trabalhe fora e tenha pouco tempo disponível para a vida doméstica, as necessidades referentes ao adequado desenvolvimento das crianças continuam as mesmas: dedicação, afeto, estimulação, experiências diversas dentre outras. Parte dessas responsabilidades não pode ser atribuída à escola, e não apenas em razão de dificuldades estruturais, mas porque algumas responsabilidades não podem ser transferidas de um contexto ao outro.

Sobre os Autores:

Adriane Richter, Cátia Dartibale, Dalva de Almeida, Dayla Rocha Duarte, Gabriela Oliveira Zanette, Leidiane da Silva Zanette, Valdir Machado dos Santos Junior - Acadêmicos do curso de Bacharelado em Psicologia - VI período.

2 Alessandra Cardoso Siqueira - Psicóloga, Prof. Esp. Alessandra Cardoso Siqueira, orientadora do curso de Psicologia da Farol – Faculdade de Rolim de Moura – RO e orientadora do trabalho.

3 Fabrício de Almeida Moraes - Prof. Dr. Fabrício Moraes de Almeida colaborador da Gerência de Pesquisa, Extensão e Desenvolvimento da Farol – Faculdade de Rolim de Moura – RO e orientador do trabalho.

Referências:

ARMSDEN. G. C.; & GREENBERG, M.T. The inventory of parent and peer attachment: individual differences and their relationship to psychological well – being in adolescence. Journal of Youth and adolescence, 16,427 – 454, 1987.

BOWLBY, J. Trilogia Apego e Perda. Volumes I e II. São Paulo. Martins Fontes, 1990.

BEE, H. A Criança em Desenvolvimento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

CECCONELLO, M.A.; ANTONI, D.C.; KOLLER.H.S. Práticas educativas, estilos parentais e abuso físico no contexto familiar. Psicologia em Estudo, Maringá, v.8, num.esp., p. 45-54, 2003.

FÉRES-CARNEIRO, T. (1992). Família e saúde mental. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 8, 485-493. 

HOFFMAN, M. L. Moral, internalization, parental power, and the nature of parent-child interaction. Developmental Psychology, 11, 228-239, 1975.

WEBER.D.N.L.; VIEZZER.P.A.; BRANDENBURG, J.O. O uso de palmadas e Surras como prática educativa. Universidade Federal do Paraná, 2004.