Alcoolismo e Dependência Química em Idosos

Resumo: Dados de estudos epidemiológicos expressam que a população idosa tem crescido substancialmente ao redor do planeta. A velhice é um estágio do desenvolvimento humano atravessado por mudanças nos padrões sociais, psicológicos e biológicos que podem ser determinantes para o surgimento de problemas relacionados ao uso indevido de álcool e outras drogas. Contudo, foi observado que esses problemas ainda são subdiagnosticados entre os idosos devido a sintomatologia diversa que esses indivíduos apresentam em relação aos indivíduos mais jovens. Além disso, muitos desses sinais e sintomas podem também ser comuns em outros quadros clínicos. Outros fatores como a negação, mitos e a conduta dos profissionais de saúde podem contribuir para que o problema não seja identificado ou seja agravado através das prescrições. Os idosos frequentemente apresentam algumas comorbidades relacionadas ao abuso ou dependência de algumas substâncias que podem oferecer risco para suas vidas. Nesse sentido, é de extrema relevância que os profissionais da saúde estejam aptos para identificarem esses problemas e oferecer o tratamento adequado para esses casos.

Palavras-chave: Idosos, Alcoolismo, Dependência, Drogas.

1. Introdução

Atualmente, a população mundial vivencia um fenômeno de envelhecimento. De acordo com Dar (2006), no ano de 2001, 16% da população da Inglaterra possuía 65 anos ou mais, e a previsão é que no ano de 2026 esse número alcance 26% da população. No Brasil, de acordo com dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2010, os idosos representavam cerca de 7.5% da população, demonstrando aumento significativo em relação aos dados de anos anteriores. Esse crescimento está atrelado ao aumento da expectativa de vida devido aos avanços alcançados pela medicina e tecnologia, além do declínio das taxas de natalidade (GUIDOLIN et al., 2016).

A velhice é uma fase marcada por profundas mudanças físicas, psicológicas e sociais. Segundo Netto, Filho e Garcia (1997), o conceito mais aceito acerca do que é o envelhecimento é aquele que o compreende como um processo progressivo no qual o indivíduo enfrenta uma série de mudanças em que afetam sua capacidade de adaptação, tornando esses sujeitos mais vulneráveis às patologias e, por fim, levando a óbito. Neste contexto, se faz necessário uma atenção especial a esse grupo que tem crescido nas últimas décadas e que apresenta características particulares em relação aos demais estágios do desenvolvimento humano.

Algumas alterações típicas do processo de envelhecimento podem agravar o efeito de algumas substâncias, como o das bebidas alcoólicas. No caso do tabaco, Hulse (2002), constata que apesar do tabagismo ser menos frequente entre os idosos, representa um risco para esses indivíduos, visto a sua forte correlação com doenças pulmonares e cardíacas que podem ocasionar a morte, além do seu uso se apresentar, muitas vezes, concomitante ao consumo de álcool. Em contrapartida, outras transformações podem funcionar como desencadeadoras desse uso, como é o caso da perda de um cônjuge ou amigo, aposentadoria e isolamento social. Nesse sentido, Miller, Belkin e Gold (1991) destacam que o problema em relação a dependência de outras drogas não tem recebido sua devida atenção, tendo em vista sua relevância, sobretudo em virtude da alta prevalência de medicamentos prescritos que esse grupo consome, principalmente psicotrópicos, juntamente com o uso medicamentos de venda livre, chamados de over-the-counter (OTC), favorecendo a ocorrência das polifarmácias.

Geralmente, as taxas de prevalência do abuso de álcool apresentam um maior índice entre a população jovem e adulta em comparação com os idosos. Entretanto, algumas pesquisas têm revelado que a ocorrência desse problema entre a população idosa pode ser mais comum do que se imaginava, atribuindo, desse modo, os baixos índices encontrados nas pesquisas anteriores a esse respeito ao subdiagnóstico, isto é, devido a não efetividade na detecção desse problema, o que ocorre devido a diversos fatores e variáveis. Entre eles podemos destacar o ato de que a maioria das pesquisas realizadas sobre dependência, são decorrentes de levantamentos transversais, estando sujeitos aos efeitos de coorte, sendo assim, os padrões e atitudes em relação ao álcool podem variar entre as gerações (O’CONNELL et al., 2003). Além disso, grande parte dos critérios classificatórios utilizados são desenvolvidos para a população mais jovem, o que significa que podem não ser úteis para detectar o problema no idoso, já que essa população pode apresentar padrões e sintomas específicos da sua faixa etária (JOHNSON, 2000).

O presente artigo trata-se de uma revisão da literatura acerca do problema do alcoolismo e dependência química em idosos, tendo em vista ser uma parcela da população que mais cresce atualmente. O objetivo é traçar um panorama de como esse problema se desenvolve.

2. Características e Sintomas do Alcoolismo e Dependência Química em Idosos

A maioria dos estudos que investigam o problema do alcoolismo entre os idosos classificam esses indivíduos em dois grupos: os de início-precoce e início-tardio. O primeiro grupo, corresponde àqueles indivíduos que fizeram uso abusivo de álcool ao longo da vida e conseguiram alcançar os 60 anos de idade. O segundo grupo, de início-tardio, consiste naqueles indivíduos que se tornaram dependentes ou iniciaram o uso abusivo de álcool na velhice (JOHNSON, 2000).

Apesar dos resultados ainda serem controversos, alguns estudos identificaram uma maior resistência ao tratamento entre os idosos que iniciaram precocemente o uso de álcool. As pesquisas também apontam que esses indivíduos possuem maior incidência de histórico de alcoolismo na família (DUFOUR; FULLER, 1995). Entretanto, de acordo com Curtis et al. (1989), aqueles que desenvolveram o alcoolismo tardiamente eram mais suscetíveis a apresentarem problemas matrimoniais, problemas de saúde e depressão. Estima-se que um terço dos alcoolistas com idade de 65 ou mais se enquadram no grupo de início-tardio (BERESFORD; GORGIS, 1992 apud DUFOUR; FULLER, 1995)

No entanto, devido ao padrão de sintomas que os idosos apresentam, é comum que o problema do alcoolismo ou dependência química entre esses indivíduos não seja detectado. De acordo com Johnson (2000), eles costumam apresentar alguns sintomas que são inespecíficos, por exemplo, quedas, traumas, insônia e depressão ou podem estar mascarados por alguma comorbidade física ou problema psiquiátrico (O’CONNELL et al., 2003).

O álcool, medicamentos prescritos ou OTC, são capazes de afetar a capacidade funcional e afetar negativamente as habilidades psicomotoras e cognitivas dos idosos, contribuindo para que o problema seja confundido com outros transtornos que também são comuns entre esse grupo (HULSE, 2002). Não é raro os idosos que fazem uso de medicamentos também fazerem uso de álcool, nesses casos é preciso estar atento, uma vez que o uso do álcool pode apresentar interações com medicamentos prejudiciais para esses indivíduos (MILLER; BELKIN; GOLD, 1991). Estima-se que cerca de 8 entre 10 indivíduos com idade com 65 anos de idade ou mais fazem uso regularmente de prescrições, sendo a polifarmácia um fenômeno comum, uma vez que um terço dos homens e mulheres não institucionalizados utilizam quatro ou mais prescrições por dia (FALASCHETTI et al., 2002 apud DAR, 2006).

O uso do álcool representa um grande risco para a saúde dos idosos, devido à sensibilidade aos seus efeitos. Dados apontam que a prevalência de doenças em decorrência do uso de álcool é maior entre os idosos, principalmente hepatite, hipertensão, cirrose, aterosclerose coronariana, diabetes mellitus e distúrbios neurológicos, sobretudo entre aqueles indivíduos que iniciaram precocemente o uso abusivo dessa substância (HURT et al, 1988).

O uso de álcool e sedativos também representam um risco para a saúde mental dos idosos. Muitos dos sinais e sintomas associados ao uso de álcool também são comuns entre aqueles que fazem uso de benzodiazepínicos e sedativos, como ansiedade, depressão e insônia (MILLER; BELKIN; GOLD, 1991). Frequentemente, abuso de álcool está ligado ao desenvolvimento de transtornos de humor, principalmente depressão (HULSE, 2002). Waern (2003), ressalta que os casos de depressão em decorrência de alcoolismo entre idosos estão relacionados ao aumento da propensão para cometer suicídio.

Geralmente, algumas alterações na aparência física também podem ser sinais de problemas de abuso de drogas ou dependência química, como falta higiene pessoal, o indivíduo pode apresentar-se malvestido ou má nutrição (HULSE, 2002).

3. Fatores de Risco

Devido às modificações biológicas que ocorrem durante a velhice, os idosos apresentam uma maior vulnerabilidade aos efeitos do álcool. Observa-se que durante a velhice, o volume de massa magra no corpo desses indivíduos diminui, reduzindo a distribuição total de água no corpo. Como o álcool é um composto solúvel em água, essa redução favorece que sua concentração no sangue seja maior do que em relação aos indivíduos mais jovens, apesar de possuírem o mesmo peso ou gênero (DOFOUR; FULLER, 1995). Por outro lado, o volume do tecido adiposo desses indivíduos sofre um aumento, em consequência disso há um prolongamento da concentração de compostos lipossolúveis, como é o caso dos benzodiazepínicos (HULSE, 2002). Por essas razões, mesmo não tendo alterado seus padrões de consumo, os idosos podem vir desenvolver problemas relacionados ao uso dessas substâncias, esse dado apoia a alegação de que os critérios classificatórios baseados em quantidades ingeridas não são efetivos para esse grupo.

Algumas circunstâncias que costumam ocorrer durante esse estágio do desenvolvimento também podem contribuir para a modificação dos padrões de consumo de algumas drogas na velhice, por exemplo, as mudanças nos papéis sociais, a morte de um cônjuge ou amigos, divórcio e isolamento social podem ser condições desencadeadores do uso de álcool. É comum o uso de álcool e o cigarro estarem vinculados a uma tentativa de se proteger da solidão, de sentir-se autoconfiante, ajudar a relaxar e alívio de sofrimento (HULSE, 2002). Estudos demonstram que homens viúvos ou divorciados são mais propensos a fazerem uso abusivo de álcool ou cigarro, em comparação com os casados ou solteiros (DAR, 2006). Os resultados encontrados por Guidolan et al. (2016) confirmam essa relação, eles identificaram que possuir um companheiro funciona como um fator de proteção para esses indivíduos. Miller et al. (1991), ressaltam que os médicos também favorecem ao uso inapropriado de drogas através das prescrições, sendo os idosos os maiores consumidores de medicamentos prescritos, como os benzodiazepínicos, antipsicóticos e polifamácia, em conjunto com os medicamentos OTC, ou de venda livre; sendo que estes últimos oferecem forte risco de uso abusivo e dependência.

Fatores como o histórico familiar, sexo e socioeconômicos também exibem correlação com o problema do alcoolismo e dependência química. Dessa forma, apesar da etiologia do alcoolismo e dependência química ainda não ser especificada, existem evidências substanciais da existência de causa hereditária para o alcoolismo. Estudos têm demonstrado que indivíduos com histórico de alcoolismo na família apresentam maior probabilidade de desenvolver esse transtorno (MILLER; BELKIN; GOLD, 1991).

A maioria das pesquisas sobre o consumo de álcool apontam que os homens revelam uma propensão maior ao consumo abusivo do álcool (DUFOUR; FULLER, 1995). Miller et al. (1991), revelam que de acordo com os dados coletados pelo Epidemiologic Catchment Area (ECA), em 5 cidades dos Estados Unidos a prevalência do alcoolismo entre os homens pode variar de 27% entre os mais jovens e 14% para aqueles acima de 65 anos de idade, enquanto as mulheres variam de 7% a 1,5%. Os resultados encontrados em uma pesquisa realizada com uma amostra do município de Porto Alegre, Brasil, Guidolin et al. (2016) corroboram com esses dados, demonstrando uma diferença significativa em relação ao padrão de consumo entre homens e mulheres: 28% dos homens revelaram um histórico de alcoolismo, 8.4% era alcoolista e 19.8% foi dependente de álcool anteriormente, enquanto no grupo das mulheres nenhuma se enquadrou como alcoolista. Entretanto, as mulheres fazem mais uso de medicamentos prescritos do que os homens, principalmente os tranquilizantes e pílulas para induzir ao sono (TABISZ et al., 1993).

No tocante às condições socioeconômicas, tanto homens quanto mulheres pertencentes às classes sociais mais altas revelaram maior predisposição para fazerem uso inapropriado de bebidas alcoólicas (DAR, 2006). Contudo, os resultados da pesquisa de Senger et al. (2009), demonstram que os indivíduos com renda mensal mais baixa apresentaram mais problemas relacionados ao uso de cigarro e álcool.

4. Diagnóstico

O problema do alcoolismo e dependência química são fenômenos universais, apesar disso, suas definições não são homogêneas, podendo, assim, variar de acordo com os critérios adotados para classificá-los. Nesse sentido, as taxas de prevalência acerca do abuso e dependência de álcool e outras drogas podem variar muito entre os idosos, dependendo dos critérios utilizados para identificação e a distribuição geográfica da amostra (DOFOUR; FULLER, 1995).

A definição de abuso ou dependência de álcool e outras drogas, de acordo com a quarta edição do Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais (DSM – IV), enfatiza as consequências sociais e interpessoais desse problema, em conjunto com o fracasso no exercício de suas obrigações. Entretanto, Hulse (2002) aponta que durante a velhice há uma redução no número de responsabilidades e atividades, juntamente com o aumento da incidência de outras doenças que podem interferir na aplicação desses critérios. Portanto, considera que é ineficaz para identificar a grande maioria dos idosos que estão em risco de desenvolver dependência ou já estejam experimentando o impacto devido ao aumento do consumo de álcool ou outras drogas.

Segundo Hulse (2002), a definição mais completa é a oferecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), através da décima Classificação Internacional de Doenças (CID – 10), que abrange o problema do uso inapropriado de substâncias de maneira ampla, compreendendo como um padrão de uso capaz de trazer prejuízos físicos e psicológicos para o indivíduo. Desse modo, por não delimitar um padrão, esses critérios são capazes de abranger também a população idosa, permitindo que se identifique esse problema entre aqueles indivíduos que não apresentam um padrão específico de uso, mas que já estejam representando um risco e provocando alguns danos de maneira precoce.

Já foi observado que os sinais e sintomas que os idosos apresentam comumente se assemelham a outros quadros clínicos que são comuns nessa fase, o que pode dificultar a identificação do problema. Por exemplo, é comum esses indivíduos apresentarem comprometimento cognitivo em decorrência do uso inapropriado de drogas, entretanto esse sintoma também é comum em outros quadros demenciais. Portanto, é necessário que se faça um diagnóstico diferencial nesses casos (HULSE, 2002).

É comum alguns profissionais de saúde ou a família acreditarem que está muito tarde para uma mudança de hábitos ou que esses pacientes possuem curto tempo de vida e merecem “aproveitar”, porém experiências com idosos que pararam de consumir álcool demonstram que essas ideias são mitos. Ao contrário do que se acreditava, esses indivíduos relataram uma melhoria na qualidade de vida (DUFOUR; FULLER, 1995).

Os indivíduos que fazem uso indevido de álcool e drogas costumam não reconhecer seu problema, por vergonha ou medo (MILLE et al., 1991). Além disso, idosos podem não perceber que seus padrões de consumo são problemáticos, uma vez que seu padrão pode ser o mesmo de quando eram mais jovens, isso significa a omissão acerca desse consumo não deve ser interpretada automaticamente como uma negação. É necessário que o entrevistador possua habilidades para lidar com o problema e consiga coletar as informações necessárias. Desse modo, é importante que a avaliação seja em um local reservado e que o indivíduo não se sinta ameaçado ou julgado (HULSE, 2002).

Alguns exames clínicos também podem ser úteis para avaliar as implicações do uso de álcool e outras drogas. Apesar de evidências demonstrarem que as irregularidades fisiológicas relacionadas ao álcool são mais frequentes entre as pessoas mais jovens (HULSE, 2002). De acordo com Dar (2006), os padrões do uso de álcool entre idosos deveriam ser avaliados rotineiramente, sugerindo que algumas questões sobre a quantidade e frequência do consumo sejam incorporadas nos exames de saúde: “Em média, você bebe quantos dias por semana? ” ou “Quantas vezes ao dia você ingere álcool?”.

Os principais instrumentos para detectar o alcoolismo são The Michigan Alcoholism Screening Test – Geriatric version (MAST-G), o CAGE e o Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT). O MAST-G é um instrumento de rastreio desenvolvido para idosos e possui um alto nível de sensibilidade e especificidade para detectar o problema de abuso do álcool ou dependência entre esses indivíduos (HULSE, 2002). De acordo com Dufour e Fuller (1995), o CAGE é um questionário breve composto de quatro questões desenvolvidas para rastrear o alcoolismo com alto nível de sensibilidade e especificidade entre jovens e adultos. Entretanto, não apresenta validade entre idosos, principalmente mulheres (ADAMS et al., 1996 apud DAR, 2006).

5. Tratamento

Em relação ao tratamento, este não se diferencia do que é proposto para as demais faixas-etárias. Nesse sentido, as opções de tratamento disponíveis para o alcoolismo para os idosos podem ser tratamentos com especialistas e psicológicos (DAR, 2006). Os tratamentos realizados com especialistas envolvem desintoxicação e a reabilitação. Estes métodos são semelhantes aos que são utilizados para os indivíduos mais jovens (HULSE, 2002).

Quando o indivíduo se encontra intoxicado, a primeira fase do processo é a desintoxicação. Como os idosos possuem uma saúde mais frágil, os estados de confusão resultantes dos períodos de abstinência costumam ser mais graves quando são comparados com os indivíduos de idades mais baixas, assim, esse período do tratamento requer uma atenção especial para os idosos. Recomenda-se que durante a desintoxicação os idosos permaneçam hospitalizados para que possam ser assegurados dos efeitos da abstinência (DUFOUR; FULLER, 1991).

Durante o período de abstinência algumas medicações são administradas, entre elas estão os benzodiazepínicos. Entretanto, o seu uso deve ser interrompido logo que o período de abstinência chegar ao fim, para evitar o risco de dependência a esses medicamentos (MILLER et al., 1991). Dunne (1994) aponta que o Dissulfiram pode ser administrado com cautela durante esse período, pois corre o risco de estimular o estado de confusão. A segunda etapa é a reabilitação, durante essa etapa os profissionais que acompanham o paciente deverão informá-lo acerca dos efeitos do uso indevido de álcool, podendo fazer encaminhamentos para grupos de apoio e aconselhamento.

A intervenções breves consiste em aconselhamento motivacional e psicoeducação, o número de sessões pode variar entre uma ou mais sessões, envolve avaliação, aconselhamento e estratégias de prevenção de recaídas (DUFOUR; FULLER, 1995). A maioria dos programas de apoio fornecem aconselhamento grupal ou individual e treinamento de prevenção de recaídas. É preciso estar atento aos eventos estressantes, pois esses são importantes desencadeadores (DAR, 2006).

Hulse (2002) afirma que em relação ao uso de medicamentos, foi observado que o uso inapropriado das polifarmácias costuma ocorrer concomitantemente ao uso de álcool, principalmente pelo fato de muitas vezes esses idosos não terem consciência de seu problema. Reafirmando assim, a importância de um trabalho de psicoeducação com esses indivíduos para informar acerca dos efeitos das drogas nos seu organismo. É importante que os psiquiatras e médicos que acompanham esses pacientes acreditem que é possível inverter esse quadro. Evidências mostram que os idosos são mais prováveis de completarem o tratamento, com resultados a longo prazo igual ou superior aos mais jovens (HULSE, 2002).

6. Considerações Finais

O problema de alcoolismo e dependência química ainda aparenta ser oculto, múltiplos fatores contribuem para não seja reconhecido, principalmente pelo fato dos seus sintomas muitas vezes se confundirem com outras doenças comuns na velhice. Além disso, a falta de preparo de alguns profissionais da rede de cuidados para tratar do assunto e a negação por parte desses indivíduos, muitas vezes por não conseguirem enxergar como um problema ou por vergonha e sentimento de culpa, dificulta o seu diagnóstico, contribuindo para que o problema continue desconhecido. Essas circunstâncias demonstram a importância de uma formação que forneça uma base para que os profissionais de saúde estejam preparados para lidar com essa demanda, além da criação de programas voltados para esse público, tendo em vista que o número de idosos em todo o mundo tem crescido significativamente.

Sobre o Autor:

Irlana Kelly L. de Azevêdo - Graduada em Psicologia pela Universidade Federal da Paraíba.

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AZEVÊDO, Irlana Kelly L. de. Alcoolismo e Dependência Química em Idosos. Psicologado, [S.l.]. (2019). Disponível em https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-da-saude/alcoolismo-e-dependencia-quimica-em-idosos . Acesso em .

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