Saúde Mental: sintomatologia de pacientes em reabilitação em uma clínica-escola de fisioterapia

Saúde Mental: sintomatologia de pacientes em reabilitação em uma clínica-escola de fisioterapia
(Tempo de leitura: 32 - 63 minutos)

Resumo: Pensando na experiência adquirida no trabalho com pacientes em processo de reabilitação numa Clinica-escola de Fisioterapia do interior de São Paulo, notou-se a necessidade de estudar a saúde mental desses pacientes. O objetivo deste estudo foi verificar a prevalência e relação da sintomatologia da ansiedade, depressão associado aos dados sócios demográficos dos participantes, 43 usuários da Clinica-escola participaram da pesquisa. Para a coleta de dados utilizou-se um questionário de identificação e três instrumentos psicológicos, Escala Batista de Depressão versão ambulatorial (EBADEP-AMB-amb); o Hospital Anxiety and Depression (HAD) e o Self-Reporting Questionnaire (SRQ). Os pacientes respondiam aos instrumentos antes ou depois das sessões de fisioterapia. Aos pacientes foram lidos e explicados os itens do TCLE. A análise dos dados inferencial foi realizada por meio dos testes não paramétricos: teste de correlação de Sperman (r); o teste Man-Whitney (U) e o teste Kruskal-Wallis (H), com nível de significância de p’≤0,05, indicado para a pesquisa em ciências sociais. Para as análises utilizou-se o programa estatístico SPSS – versão 20. Entre os participantes notou-se que as mulheres, os participantes com pouca ou nenhuma renda, que passam por consultas médicas com menos frequência, com a saúde física considerada por eles como ruim tendem a ter a saúde mental mais abalada que os demais participantes. Quanto a sintomatologia de depressão no HAD-D e na EBADEP-AMB-amb, conclui-se que entre os participantes, características como ser mulher, ser solteiro ou estarem em outra situação conjugal, não consultarem médico com frequência, considerarem a saúde física ruim e nunca ter passado por internações apresentam mais sintomatologia depressiva. Em relação a sintomatologia de ansiedade, os participantes que consultam médico com menos frequência e que consideram a saúde física e percebem a saúde mental ruim apresentam mais sintomatologia de ansiedade. Entende-se com este trabalho a importância de desenvolver atividades psicológicas com os pacientes da Clinica escola visando a orientação sobre o processo de reabilitação e sua importância.

Palavras-chave: Clinica-escola, fisioterapia, ansiedade, depressão.

1. Introdução

Durante um projeto de extensão na Saúde em uma Clínica Escola de Fisioterapia de uma Faculdade no Interior de São Paulo, fazendo atendimento a pacientes em processo de reabilitação que estão em tratamento fisioterapeutico nos diversos setores desta clínica (Pneumologia, Hidroterapia, Neurologia, Pediatria, Ortopedia e Postura). Notou-se durante o trabalho conjunto com a equipe de Fisioterapia que, a maior parte dos pacientes encaminhados para avaliação psicológica apresentava como motivo a depressão ou ansiedade. Então, esse paciente passava por avaliação psicológica que tinha como objetivo investigar as queixas e verificar se os motivos destes encaminhamentos tinham referencia a algum transtorno do humor devido ao estado em que o paciente se encontrava durante o tratamento de reabilitação.

Visando estas queixas, se fazia necessário conhecer mais sobre elas, pois hoje tanto a depressão quanto a ansiedade são transtornos que afetam grande parte das pessoas, independente de sexo e idade e precisam ser estudados pelos profissionais da saúde com o intuito de fornecer um melhor atendimento.

Diante dessa situação, buscou-se verificar a saúde mental, a presença da sintomatologia depressiva e de ansiedade desses pacientes.  

Para a discussão sobre saúde mental, primeiramente é necessário entender que existe diferença entre saúde mental e doença mental. Saúde mental se refere a qualidade de vida emocional ou cognitiva e a ausência de doença mental, de acordo com Sá 2011: “A saúde mental inclui a capacidade do individuo para apreciar a vida e procurar equilíbrio entre as atividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica”. (p.15). Existem fatores que contribuem para possível “abalo” na saúde mental dos indivíduos, como o uso de drogas, a violência doméstica e doenças. No caso desta pesquisa, a saúde mental dos participantes pode estar afetada por questões relacionadas ao próprio processo de reabilitação e a forma como lidam com esse processo, uma vez que são tratamentos demorados e com resultados em longo prazo. Os problemas de saúde mental são uma das principais causas de morbidade nas sociedades atuais (APÓSTOLO et al, 2011, p.2).

Apóstolo et al ( 2011, p.2) apontam em pesquisa realizada em Portugual, que:

Dos 870 milhões de pessoas que vivem na região europeia, estima-se que, aproximadamente, 100 milhões sofrem de ansiedade e depressão. A depressão é responsável por 6,2% da morbidade na região europeia, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002).

A saúde mental é tão importante quanto à saúde física para o bem estar dos indivíduos, para tanto, de acordo com o relatório da OMS, “só uma pequena minoria dos 450 milhões de pessoas que apresentam perturbações mentais e comportamentais está a receber tratamento” (OMS, 2002).

Assim como a saúde física, a mental é essencial para que o indivíduo se sinta bem em sociedade, mas infelizmente, nem a saúde mental e nem os transtornos mentais são vistos com a importância que necessitam. Tal descaso refletirá em uma população mais velha com um aumento no número de pessoas com problemas voltados a saúde mental. De acordo com relatório da OMS (2002, p.30), sobre saúde mental:

Provavelmente haverá aumento do número de doentes, devido ao envelhecimento da população, ao agravamento dos problemas sociais e à desestabilização civil. As perturbações mentais já representam quatro das dez principais causas de incapacidade em todo o mundo. Esse crescente ónus representa um custo enorme em termos de sofrimento humano, incapacidade e prejuízos económicos.

Existem alguns fatores que podem estar relacionado ao abalo da saúde mental, por exemplo, gênero, pobreza e etnia. Quanto ao fator pobreza, o relatório da OMS 2002 (p.44) aponta que:

A pobreza e as condições que lhe estão associadas, como o desemprego, o baixo nível de instrução, a falta de habitação e outras carências, não só estão muito difundidas nos países pobres, como também afectam uma minoria considerável nos países ricos. Os pobres e os desfavorecidos acusam uma prevalência maior de perturbações mentais e comportamentais, inclusive as causadas pelo uso de substâncias. Esta maior prevalência pode ser explicada tanto por uma maior susceptibilidade dos pobres como pelo eventual empobrecimento dos doentes mentais.

Entre as perturbações mentais e comportamentais encontra-se a depressão.  Quanto à depressão percebe-se que, uma vez que a pessoa ao apresentar seus sintomas tende a se isolar, o foco é ajudá-la a enfrentar o problema e criar mecanismos para se adaptar a sua condição. E a pessoa que apresenta ansiedade tem dificuldade em aderir ao tratamento, visto que muitas vezes não consegue entender o que foi orientado.      

Dessa forma, se for identificado à prevalência desses sintomas durante esta pesquisa, poder-se-á conscientizar e orientar esses usuários de seu problema de saúde, evidenciando o tratamento de forma correta e continua para que seja funcional. Desde a antiguidade tenta-se compreender a depressão, o que levou a ser entendida como um elemento da própria natureza humana (PARANHOS e WERLAND, 2009), e também as evidencias de que a incidência de depressão está aumentando mundialmente (SAMPAIO, 2003). Sabe-se ainda que é um transtorno que afeta as pessoas de diferentes faixas etárias prevalecendo mais em mulheres e que parece estar aumentando nas últimas décadas, preocupando as OMS (BAPTISTA, 2004).  

Del Porto citado por Baptista e Gomes (2011, p.151) diz que:

A depressão pode ser entendida como sintoma, característico de distúrbios emocionais, como por exemplo, o transtorno de estresse pós traumático ou a demência; pode ser classificada como síndrome, quando inclui alterações de humor, apatia, falta de capacidade de sentir prazer, etc. e ainda pode ser  considerada como uma doença, recebendo diferentes classificações, como o transtorno depressivo maior, melancolia, distimia, etc.

Quando diagnosticada em pacientes clínicos, ou seja, pacientes que estão sob cuidados médicos que não sejam cuidados psiquiátricos, possuem características diferentes. De acordo com Moffic e Payekel (1975); Cassileth et al (1984); Carney et al (1987);  Rodin  et al (1991) citado por Botega, Furlanetto e Fráguas Jr. (2002, p.204):

Dentre suas características pode-se salientar: Maior importância do estresse no desencadeamento e gravidade da depressão. Dentre os principais fatores estressantes encontram-se: gravidade da doença clínica, incapacidade, dor, desconforto e impacto do diagnóstico. 

A Classificação Internacional de Doenças - versão 10 (CID-10) refere que a depressão é classificada em graus: leve, moderado ou grave. São caracterizados por alguns sintomas como: rebaixamento de humor, redução da energia e diminuição da atividade, além da perda de interesse e diminuição da capacidade de concentração. Ainda de acordo com a CID-10, o paciente tem diminuição da autoestima, da autoconfiança e ideias de culpabilidade. Já no Manual de Diagnóstico e Estatístico das Perturbações Mentais (DSM IV), a depressão é um distúrbio afetivo encontrado com frequência em parte da população, tanto em homens quanto em mulheres de qualquer idade, prevalecendo nas mulheres. Sampaio (2003) menciona ainda que de acordo com o DSM IV em sua quarta edição, os principais sintomas da depressão e o número da duração dos sintomas que devem estar presentes para garantir o diagnóstico, estão incluídos sob o titulo de Transtornos Depressivos, em que:

Incluem feições deprimidas ou tristes, redução do interesse e prazer em realizar atividades (anedonia), alterações do apetite (tanto perda quanto ganho de peso), alterações de sono (tanto insônia quanto excesso de sono), redução geral do nível de atividade (retardo psicomotor), agitação ou ansiedade, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inferioridade e\ou culpa contínua acompanhados por autocrítica, recordação seletiva ou atenção para eventos negativos, distorção cognitiva e ideação suicida (p.169).

Embora não citados no DSM IV, outros sintomas da depressão podem ser observados e se tornam importantes para o diagnóstico, como ruminação, expressões de desamparo, desesperança, insatisfação crônica, raiva, abuso de substancias, problemas de relacionamento social e pessoal e dificuldades no trabalho (SAMPAIO 2003, p. 169).

O relatório da OMS (2002) em relação a depressão refere que esta se encontra em quarto lugar entre as doenças que mais gera ônus,  Gonçales e Machado (2007, p.298) indicam que: “... se persistir a incidência da depressão, até 2020 ela estará em segundo lugar. Em todo o mundo, somente a doença isquêmica cardíaca a suplantará”.

Nem sempre se tem clareza sobre o que pode desencadear seus sintomas, ou em quais situações da vida a pessoa passa a se sentir deprimida, sendo assim, o profissional da saúde ao fazer o diagnóstico de depressão, deve estar atento também aos sintomas físicos que se apresentam nos pacientes. Em alguns casos, hipertensão e dores no corpo podem estar associados à depressão (PARANHOS e WERLAND, 2009). Ainda sobre a dificuldade de diagnosticar a depressão, Baptista (2004, p.40) relata que:

Uma das grandes dificuldades dos clínicos e pesquisadores, ao atenderem em seus consultórios ou delinearem pesquisas com sintomatologia depressiva, se encontra em definir que fenômeno se esta descrevendo ou investigando. A quantidade de tipos e subtipos de transtornos de humor acaba proporcionando uma gama de nomenclaturas e nosologias, muitas vezes com diferenças marcantes e, em alguns casos, favorecendo minuciosas divergências entre os vários diagnósticos.

Ainda hoje os sintomas derivados desse distúrbio não são tratados de forma adequada. Muitas vezes esse tratamento não acontece pelo fato de não ser diagnosticada, devido a um erro no diagnóstico; ou pelo fato das pessoas que apresentam algum tipo de quadro depressivo não perceberem a doença e acabam não procurando os serviços de saúde no início dos sintomas. De acordo com Paranhos e Werland (2009, p.116):

Desafiador, ainda, é poder identificar quem realmente apresenta um potencial para o desenvolvimento da doença e quem pode estar passando apenas por um período de crise, mas que possui recursos para dar conta da problemática.                                         

É comum que alguns pacientes em processo de reabilitação, sintam dificuldades em se adequar a nova situação, talvez pelo fato de estar passando por este momento de crise e de readaptação, o importante é saber como estes pacientes estão lidando com os fatos e como enfrentam a situação. Dessa forma pode-se saber quem consegue dar conta da problemática e quem precisa de suporte para conseguir lidar com tal sofrimento. Baptista (2004, p. 36) refere que o sofrimento causado pela depressão:

[...] além de causar sofrimento para o indivíduo, afastamento das atividades e ocupações, dificuldades de convivência com a rede social, também pode ser considerada um dos mais prevalentes deste e do século passado, atingindo uma parcela significativa da população mundial; sendo assim, responsável por milhões de pessoas que, atualmente, se encontram em um episódio depressivo, além de outros milhões de pessoas que, no decorrer de suas vidas desenvolverão tais episódios.

Outro fator importante a ser discutido são os encaminhamentos que eram feitos do serviço de Fisioterapia ao serviço de Psicologia, em que no campo destinado ao preenchimento do motivo do encaminhamento, a queixa na maioria das vezes era que o paciente apresentava depressão, talvez por que uma das características observadas nos pacientes seja o desânimo por perderem capacidades importantes de realizar alguma atividade que hoje não conseguem mais exercer. Segundo Accacio (2004, p.10-11):

O tratamento de pacientes portadores de incapacidade física deve levar em consideração tanto as sequelas motoras quanto as emocionais e sociais já que estes indivíduos apresentam geralmente sintomas depressivos, elevados níveis de ansiedade, extrema dependência de outras pessoas, impaciência, irritabilidade e comportamentos agressivos entre outras reações psicológicas.

Ao realizar o atendimento destes pacientes foi necessário atentar ao processo de reabilitação o qual estavam passando e que este poderia desencadear várias reações, inclusive no que diz respeito à compreensão sobre seu estado atual de saúde, o que poderia resultar em abalos em sua saúde mental e depressão, de acordo com Paranhos e Werland (2009, p. 116):

[...] os critérios para o diagnóstico da depressão, esses se mostram, em princípio, muito bem definidos, mas sabe-se que vêm acompanhados de vários fatores subjetivos, como crises situacionais e do desenvolvimento normal do ser humano, e que, pelo fato de os sintomas serem evolutivos, podem se tornar mais frequentes e intensos em determinadas fases da vida.

Entre essas fases, pode-se citar a fase de ajustamento do paciente e as dificuldades encontradas por ele nesse processo, como as situações de incapacidade que o paciente pode se deparar, estas acarretam várias reações sendo as mais comuns: irritabilidade e dificuldade de relacionamento interpessoal, o que pode gerar a ocorrência de sintomas depressivos e transtornos de ansiedade.

Ressalta-se aqui que o outro fator de relevância nos encaminhamentos para avaliação psicológica nessa clinica de reabilitação eram queixas também associadas a ansiedade, o que pode ser justificado pela citação anterior. Então, é de grande importância entender os aspectos relacionados com a ansiedade. Principalmente porque ela também faz parte da mesma categoria nosologica: transtornos de humor.  No que se refere à ansiedade, esta pode ser considerada, de acordo com Andrade e Gorenstein (2011 s/p.) como:

Um estado emocional com componentes psicológicos e fisiológicos, que faz parte do espectro normal das experiências humanas, sendo propulsora do desempenho. Ela passa a ser patológica quando é desproporcional à situação que a desencadeia, ou quando não existe um objeto específico ao qual se direcione.

É um transtorno que ocorre por antecipação a alguma situação: “Ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho”. (CASTILLO et al, 2000). “Pode ser um sentimento humano normal frente a situações novas e desconhecidas, bem como, em certas condições, um sintoma de um processo patológico mental ou orgânico ou ainda, pode constituir a própria doença”. (CABRERA e SPONHOLZ Jr., 2002, p. 251).

A ansiedade é um transtorno comum em adultos e crianças. Existe a ansiedade normal e a ansiedade patológica, sendo a ansiedade normal, o reflexo do estímulo de um determinado momento, é de curta duração; enquanto a patológica, pode ser identificada quando os sintomas de medo, apreensão e desconforto diante de determinada situação passam a durar mais tempo e as reações diante dessas situações se tornam exageradas (CASTILLO et al, 2000). Alguns sintomas da ansiedade podem ser: tremor, inquietação, falta de ar, irritabilidade, além do excesso de preocupação. Segundo BROWN et al (1999) citado por PEREIRA, (2005, p.9):

A ansiedade é uma emoção normal, experimentada por todos e exerce uma função importante que é proteger o organismo de uma ameaça ou perigo. Quando ocorre de maneira aguda, em um curto espaço de tempo, é caracterizada como reação de luta ou fuga e envolve uma série de sensações físicas, como: taquicardia, sudorese, visão borrada, formigamento, entre outras. 

Se não percebidos, estes sintomas podem ficar difíceis de controlar e passam a interferir no cotidiano do individuo, desde sua vida pessoal, profissional, saúde e até mesmo na vida das pessoas próximas a ele.  Quando a ansiedade passa a ser “um problema” alguns estímulos se tornam aversivos e a pessoa tende a se esquivar deles. No momento em que tem que enfrentá-los fazem com grande sofrimento. No caso do processo de reabilitação, algumas queixas dos pacientes são referentes ao receio de estarem fazendo algo que não surtirá resultado (PEREIRA, 2005).

Sobre situações de ansiedade Cabrera e Sponholz Jr. (2002, p.251) dizem que:

É natural, frente ao adoecer, o medo que precede um exame invasivo ou ansiedade que surge após um comunicado de diagnóstico ou de internação. Não é agradável estar ansioso, a ansiedade normal difusa, um mal estar físico e psíquico, com apreensão, palpitação, sudorese e até diarreia intermitente, mas é dita normal se for um mal suportável e passageiro.

O paciente em processo de reabilitação em sua maioria questiona-se sobre uma possível cura, algo que contrarie esse pensamento pode acarretar insegurança e às vezes até o desinteresse na continuidade do tratamento. Visando estas situações e as influencias do ambiente clínico no paciente, precisa-se avaliar de forma adequada qual o transtorno psicológico que poderá afetar esses pacientes, em que grau esse processo está ocorrendo e que medidas estabelecer para melhorar ou eliminar essa condição a qual o paciente se encontra. Segundo Cabrera e Sponholz Jr. (2002, p.253):

Para muitos pacientes, as ansiedades despertadas pelo adoecer, pela internação e pelos processos diagnósticos ou terapêuticos agressivos são amenizadas pelo uso de mecanismos de defesa evoluídos (como a racionalização), menos evoluídos (como a negação e a minimização), por uma crença religiosa fervorosa ou pelo apoio de familiares e amigos.

Toda vez que os recursos utilizados pelo paciente sofrem abalos e entram em falência, um estado de ansiedade intensa, com vulnerabilidade física e psíquica instala-se comprometendo a boa evolução. 

A evolução do processo de reabilitação desses pacientes é de extrema importância para sua qualidade de vida e para sua adequação a condição em que se encontra, devido a isso é comum que se sintam ansiosos e até receosos em relação ao tratamento. Os profissionais da saúde envolvidos neste processo devem estar atentos a essas reações dos pacientes, La Barra (2006, p.10-11) diz que:

[...] a relação profissional paciente é antes de qualquer coisa uma relação entre duas pessoas que se comunicam e estabelecem trocas durante todo o tempo. Portanto, quando houver falhas nesta comunicação, a intervenção pode ficar comprometida, visto que é essencial haver uma compreensão do profissional quanto as expectativas do paciente sobre a sua doença e do paciente quanto ao papel do fisioterapeuta. Da mesma forma o fisioterapeuta deve ser capaz de compreender o que lhe corresponde como profissional e o que é de responsabilidade do próprio paciente ou de outros profissionais.

Se não houver esta troca entre profissional da saúde e paciente, transtornos que envolvam o humor e até mesmo outros fatores que envolvam a saúde do paciente poderão passar despercebidos. É necessária atenção e uma boa relação entre paciente e o profissional para que o atendimento seja o mais completo possível, pois o paciente em processo de reabilitação tem muitas preocupações e dúvidas e o profissional deve estar atento a essas questões e preparado para ajudá-lo.

De acordo com o relatório da OMS (2002) existe co-morbidade entre ansiedade e depressão em aproximadamente metade das pessoas com estas perturbações. Tanto a depressão quanto a ansiedade são esperadas nos pacientes da clínica, tais transtornos podem ocorrer frente ao adoecer ou após um comunicado de diagnóstico ou internação (CABRERA e SPONHOLZ Jr., 2002). A dispersão de frequência da depressão, por exemplo, em pacientes com doenças físicas é muito grande, seus percentuais chegam a 70% em algumas situações (QUARANTINI et al, 2009).  

Pelo fato destes transtornos estarem em alguns casos relacionados às doenças físicas, se torna difícil sua identificação. Botega; Furlanetto e Fráguas Jr (2002, p.205)  referem-se a tal dificuldade dizendo que:

O paciente pode trazer à consulta uma combinação de sintomas (depressão, ansiedade, preocupações, fadiga, insônia) frequentemente acompanhados de várias queixas corporais (dores, tontura, zumbido, fraqueza) que podem dificultar o raciocínio clinico.  

Para que se consiga avaliar os sintomas de algum transtorno do humor nos pacientes clínicos é necessário que se conheça também a doença física, já que em alguns casos os sintomas podem se assemelhar aos da depressão (BOTEGA, FURLANETTO e FRÁGUAS Jr, 2002). É importante que se trate da saúde mental juntamente com a doença física para o bom andamento do processo de reabilitação.

2. Objetivos

2.1.  Geral

Identificar elementos relativos à saúde mental e sintomatologias de depressão e ansiedade presentes nos pacientes em processo de reabilitação em tratamento na Clinica Escola de Fisioterapia.

2.2.  Específico

  • Avaliar a saúde mental e verificar a prevalência da sintomatologia da ansiedade e depressão e nos participantes.
  • Verificar a relação entre saúde mental, sintomatologia da ansiedade, depressão e os dados sócios demográficos associados.

3. Material e Método

Para verificar os dados apresentados nos encaminhamentos, o estudo realizado foi Transversal de Levantamento, comparação e correlação.

Para esse estudo foram utilizados três instrumentos, sendo eles, o Hospital Anxiety and Depression (HAD), o Self-Reporting Questionnaire (SRQ) e a Escala Baptista de Depressão Versão Hospital/Ambulatório (EBADEP-AMB-HOSP-AMB).

3.1. População

Considerou-se como critérios de inclusão: usuário do serviço ambulatorial em processo de reabilitação de uma Clinica Escola de Fisioterapia, acompanhados nos diversos setores: Neurologia, Ortopedia, Postura e Hidroterapia; de ambos os gêneros, maiores de 18 anos com o cognitivo preservado, e de exclusão: usuários com dificuldade para comunicação escrita e verbal e que estejam fazendo uso de antidepressivos.

A descrição sociodemográfica da amostra contou com 43 participantes em que 55,8% eram do gênero feminino; 69,8% com faixa etária a partir de 41 anos; 53,5% eram casados e 62,8% tinham dois ou mais filhos. Com relação à escolaridade, 37,2% cursaram a partir do ensino médio. Quanto à ocupação e renda, 44,2% recebem o beneficio de afastamento por motivo de saúde e 41,9% recebem acima de um salário mínimo.  

Ainda descrevendo o perfil, especificamente sobre religião, a maioria dos participantes, 62,8% são católicos e 76,7% praticam a religião; 95,3% estão satisfeitos com a opção religiosa; 65,1% descrevem mudanças em relação a religião, e por fim 62,8% apontam ter suporte religioso em relação ao estado de saúde. Percebe-se que a religião se mostra presente.

Em relação aos aspectos de saúde dos 43 participantes, 51,2% passam por atendimento no setor de ortopedia; 58,1% não possuem plano de saúde e 72,1% precisam consultar médico com frequência. Dos participantes 25,6% não passam por nenhuma especialidade médica. Quanto a doenças crônicas 65,1% não têm doença crônica; em relação ao diagnóstico 41,9% têm diagnóstico voltado a problemas ortopédicos e 79,1% fazem uso de medicação com frequência. Em relação às respostas referentes às atividades físicas, recreativas e profissionais comprometidas, 51,2% relataram não poder realizar nenhuma atividade. Quando questionados sobre saúde física e mental, 72,1% descrevem a saúde física como boa e 79,1% consideram a saúde mental boa.

Entre os participantes, 51,2% passam por tratamento na Clinica Escola a anos, 60,5% já tiveram internações, 62,8% não têm diagnóstico de depressão e  83,7% não fazem uso de antidepressivos. Optou-se por manter estes participantes na pesquisa pelo fato de utilizarem os antidepressivos para outras finalidades que não depressão.

3.2. Material

- Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) – documento utilizado para explicar ao participante sobre a pesquisa e solicita autorização para a coleta de dados. Descreve os objetivos da pesquisa e seus benefícios, além de esclarecer sobre o sigilo dos dados do participante deixando claro que o mesmo tem o direito de sair da pesquisa quando quiser sem sofrer qualquer tipo de perda ou dano. Produzido a partir das orientações dos preceitos éticos da resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

- Questionário de Identificação – composto por questões elaboradas pela própria autora do trabalho baseado no questionário de identificação da EBADEP, com 8 questões referentes a dados pessoais, 5 questões sobre religiosidade e 16 questões relacionadas a aspectos de saúde do paciente. Todas visando maiores informações a respeito dos participantes da pesquisa.

4. Instrumentos

- Hospital Anxiety and Depression (HAD) é uma escala que contém 14 questões do tipo múltipla escolha utilizada para avaliar níveis de ansiedade e depressão. É formado por duas subescalas uma para ansiedade (HAD-A) e outra para depressão (HAD-D), tendo 7 itens em cada, e a pontuação em cada subescala vai de 0 a 21. É uma escala que foi desenvolvida para pacientes de hospital geral ou atenção primária já tendo sido validada em nosso meio. Dessa forma se torna fácil seu entendimento entre os pacientes. Quanto as suas subescalas de ansiedade e depressão, estas tiveram consistência de 0,68 e 0,77, respectivamente. A correlação dos itens com as subescalas sugere que essas possuem validades convergentes, não discriminantes. Com ponto de corte 8/9, a sensibilidade e a especificidade foram 93,7% e 72,6%, para ansiedade, e 84,6% e 90,3%, para depressão. (Botega et al, 1995, p. 355) .

- Self-Reporting Questionnaire (SRQ) é um questionário de identificação que avalia elementos relativos à saúde mental, distúrbios psiquiátricos em nível de atenção primária. Desenvolvido por HARDING et al. (1980), foi validado no Brasil por Mari & Willians (1986). É composto por 24 questões que são dividas em duas partes, sendo a primeira com vinte questões voltadas a detecção de distúrbios “neuróticos”, e a segunda com quatro questões voltadas a detecção de distúrbios “psicóticos”. Recomenda-se que não se use as questões voltadas aos distúrbios psicóticos, dessa forma, utiliza-se o SRQ versão 20, sem estas questões.

Para considerar um possível caso, a pontuação a ser considerada deve ser a partir de sete nas questões da subescala de sintomas neuróticos e uma ou mais respostas afirmativas na subescala de sintomas psicóticos. Obteve-se este ponto através de determinação da sensibilidade, especificidade e dos valores preditivos, positivos e negativos em outras amostras (SMAIRA, 2000). O ponto de corte permite a obtenção de dois grupos: os indivíduos com maior probabilidade de ter um quadro psiquiátrico e um grupo com maior probabilidade de não o ter.

O SRQ-20 mostrou-se ser um instrumento de exame viável para distúrbio psicoemocional. Sensitividade foi 83% e especificidade 80% e o questionário foi um bom indicador de morbidez Foi encontrada uma correlação entre o total de pontos do questionário e estimativa clínica independente (n= + 0,70). E uma diferença de gênero nos coeficientes de validade .

- Escala Baptista de Depressão Versão Hospital/Ambulatório EBADEP-AMB-HOSP-AMB - (Baptista e Gomes, 2011). É um instrumento construído no Brasil que se encontra em processo de validação. Trata-se de um instrumento de rastreio da sintomatologia depressiva direcionado a amostras ambulatoriais. Sua construção apoia-se em indicadores sintomáticos de depressão derivados de teorias sobre a depressão, como a Cognitiva (Beck  et al., 1997) e a Comportamental (Ferster et al, 1977), além dos manuais internacionais de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria, DSM-IV-TR e da Organização Mundial de Saúde, CID-10 (APA, 2002; OMS, 1993). Esta escala é constituída por 43 frases em formato Likert de três pontos (0,1 e 2), com pontuação mínima de zero e máxima de 86 pontos. Os itens: 01, 05, 07, 08, 13, 14, 15, 17, 19, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 29, 30, 31, 33, 34, 35, 36, 37, 39, 40, 41 e 43 as alternativas ‘sim’ assinaladas pontuam o valor de 2.  Já os itens: 02, 03, 04, 06, 09, 10, 11, 12, 16, 18, 21, 27, 28, 32, 38 e 42 as alternativas ‘não’ assinaladas pontuam o valor de 2. Quando assinalada a alternativa ‘às vezes’, pontua-se o valor de 1.

Para sua interpretação é considerado quanto menor a pontuação, menor a sintomatologia em depressão. O instrumento não consta em anexo, porque é um instrumento psicológico, portanto, só pode ser utilizado por psicólogos, não podendo eticamente ser exposto.

5. Procedimento

Após o envio do projeto de pesquisa a Plataforma Brasil e a aprovação pelo Comitê de Ética da instituição, foi feito contato com uma professora da Clínica-Escola de Fisioterapia pessoalmente para explicar o processo de coleta de dados, a mesma, juntamente com a autora do trabalho passaram todas as informações para o professor coordenador. Durante o contato com o mesmo explicou-se o motivo da realização da pesquisada, quais os resultados esperados, assim como informações sobre os instrumentos que seriam utilizados e o tempo de permanência dentro da clínica.

Para a coleta de dados todos os pacientes de cada setor que se incluíam nos critérios de inclusão foram abordados, alguns antes e outros depois da sessão de fisioterapia verificando a disponibilidade de cada um para responder aos instrumentos. Aos pacientes que se disponibilizaram a participar da pesquisa, foram lidos e explicados os itens do TCLE.

A coleta de dados foi realizada de fevereiro de 2012 a agosto de 2012, os pacientes primeiramente assinaram este termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o qual continha todos os dados da pesquisa e explicações acerca do processo. Em seguida responderam a um questionário pessoal com questões referente ao nome, idade, estado civil, religião, profissão e de formação e ainda questões sobre saúde. Os pacientes puderam optar se queriam que os instrumentos fossem lidos e respondidos ou se responderiam sozinhos. Aos que optaram por realizarem o processo sozinho, ao término conferiu-se todos os instrumentos para verificar se nenhum item foi deixado em branco. Os instrumentos foram anexados de forma aleatória, formando um bloco, sempre apresentado pelo Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e seguido da ficha de identificação, para que o resultado não fosse enviesado pelo cansaço dos pacientes ao responder os instrumentos.

O processo foi realizado desta forma até que se completou o número total de pacientes atendidos nos setores da clínica que estavam dentro dos critérios de inclusão.

5.1. Procedimentos éticos – Todas as pessoas que participaram foram orientadas sobre os objetivos da pesquisa e procedimentos utilizados além da garantia de sigilo das informações coletadas e da possibilidade de desistência, no caso de algum participante não querer mais fazer parte do estudo. Para isso foi entregue o TCLE que tem descrito todas as informações sobre a pesquisa.

6. Análise de Dados

Para a análise dos dados coletados, foi feito um estudo exploratório transversal de Levantamento, em seguida um estudo inferencial de comparação e correlação. Portanto, única medida descreveu como estão os níveis de ansiedade e depressão dos pacientes e os aspectos relacionados a saúde mental.

Utilizou-se o programa estatístico SPSS (Statistical Package for Social Sciences) – versão 20 para a análise estatística dos dados.

6.1. Resultados Esperados

Espera-se identificar como está a saúde mental, a sintomatologia depressiva e a sintomatologia de ansiedade nos pacientes atendidos nos diferentes setores da Clinica Escola de Fisioterapia.

7. Resultados e Discussão

Para a análise dos dados foi utilizado de Estatística Descritiva e Inferencial. A apresentação inicial dos dados se deu através de análise descritiva, dessa forma foi possível explorar os dados no que se refere a porcentagens e frequências, dados estes que foram apresentados no item: população, deste trabalho.

Quanto a análise inferencial foi realizada por meio dos testes não paramétricos: teste de correlação de Sperman (r); o teste Man-Whitney (U) e o teste Kruskal-Wallis (H), para comparação, todos com nível de significância de p≤0,05, indicado para a pesquisa em ciências sociais (Morais, 2007). Utilizou-se para a realização das análises o programa estatístico SPSS – versão 20.

A seguir serão apresentadas as análises inferenciais realizadas. Serão discutidos e analisados somente dados dos gráficos que apresentaram o valor de p≤0,05, visto que o restante, apesar de ser considerado como importante não se mostra relevante quando comparados aos dados com significância.

Primeiramente serão expostos os gráficos e em seguida a analise e discussão. Outros dados serão colocados em anexo, sendo assim serão mencionados no corpo da discussão [01]. Ressalta-se que apresentação dos resultados será embasada na proposta deste estudo, inicialmente serão apontados os resultados da avaliação da Saúde Mental e os dados associados a ela, em seguida a sintomatologia depressiva medida pelo HAD-D, depois sintomatologia de depressão pela EBADEP-AMB, e por fim sintomatologia de ansiedade pela HAD-A.

Gráfico 1. – Comparação entre gênero e saúde mental – SRQ-20

Gráfico 1. – Comparação entre gênero e saúde mental – SRQ-20

Ao observar o gráfico 1. constata-se que, na comparação da saúde mental entre homens e mulheres acompanhados nessa Clínica Escola (p=,033; U= 141), nota-se que as mulheres (m=25,62) apresentam saúde mental mais abalada que os homens (m=17,42). Esse achado corrobora com Costa et al 2002) quando eles afirmam que as mulheres apresentaram uma prevalência maior de Distúrbios Psiquiátricos Menor do que os homens de uma maneira geral, portanto o fato de estarem em acompanhamento fisioterapeutico não modifica essa característica. 

Gráfico 2. – Comparação entre renda e saúde mental (SRQ)

Gráfico 2. – Comparação entre renda e saúde mental (SRQ)

Quando analisado o gráfico 2, que se refere a renda, quando comparado entre os instrumentos utilizados, pode-se notar que a variável renda somente apresentou resultado considerado significativo quando comparada no quesito saúde mental no SRQ (p=,004), em que, as pessoas que não possuem renda (m=7,12) e as que possuem renda até um salário mínimo (m=23,09), tendem a ter a saúde mental mais abalada.

Ao analisar ainda os resultados, pode-se verificar no gráfico 2, que na comparação entre renda e saúde mental (SRQ), a diferença principal encontrada (p=0,23, H=19,958) está entre aqueles que não têm renda e os que ganham até um salário mínimo. Este resultado está de acordo com o de Costa et al (2002) uma vez que afirmam que a prevalência de distúrbios psiquiátricos menores é maior em pessoas de classes sociais mais baixas e de menor renda e que condições de vida de classes menos favorecidas podem ser determinantes do surgimento de doenças mentais. Também confere com o que aponta o relatório da OMS (2002), quando é explicado que existe uma relação complexa e multidimensional entre saúde mental e pobreza, explicando que pobres e desfavorecidos apresentam prevalência maior de transtornos mentais e comportamentais.

Gráfico 3. Comparação entre frequência em consultas médicas e saúde mental (SRQ).

Gráfico 3. Comparação entre frequência em consultas médicas e saúde mental (SRQ).

Quando analisados os dados do gráfico 3, em relação a consultas médicas frequentes (p=,002; U=76),  quem não consulta médico com frequência, tanto homens quanto mulheres, (m=31,17) apresentam a saúde mental mais abalada do que os que consultam com frequência (m=18,45). Outro fator para ser levado em consideração, nessa pesquisa é que do total da amostra que consulta médico com frequência, totalizando 31 participantes, as mulheres é maioria, 17 delas se consultam frequentemente, (Anexo - tabela 1). Tal resultado está de acordo com o realizado por Travassos et al (2002) em uma população de 110 mil domicílios, embora seja uma análise representativa da população brasileira de 1998 os resultados apresentaram maior busca por serviços de saúde pelas mulheres, o que não difere do resultado desta pesquisa mesmo quatorze anos depois. Esta procura por cuidados pode ser explicada pelo fato das mulheres se sentirem mais preocupadas com a saúde que os homens, como percebido nos relatos delas durante a coleta de dados. Os homens relatavam mais preocupação com o emprego, uma vez que se encontravam afastados do que com a saúde.

Dessa forma é importante tentar entender tal preocupação dos homens mais em relação a situação de afastamento do trabalho do que com a saúde, lembrando que estes buscam os serviços de saúde com menos frequência que as mulheres. Uma das justificativas pode ser verificada na posição de Costa Jr e Maia (2009) quando se referem a tal questão, explicando que na nossa sociedade o corpo masculino é tido como um corpo resistente e que é capaz de enfrentar qualquer dificuldade, como se o homem tivesse que estar sempre pronto para o trabalho, dessa forma, não necessitando de muitos cuidados relacionados a saúde, pensa-se que pode ser algo construído culturalmente em uma sociedade em que o homem se sente responsável pelo sustento da família,.

Outro dado que merece ser mencionado é que enquanto era realizada a coleta dos dados e aplicação dos instrumentos, notou-se que entre homens e mulheres existe diferença quando falavam da saúde, as mulheres falam de suas dificuldades referentes a saúde de forma mais aberta que os homens, por exemplo quando nos relatos algumas se mostram mais a vontade para dizer sobre o quanto é difícil lidar com as limitações ocasionadas pelos problemas de saúde, em que uma simples tarefa é realizada com dificuldade. Os homens, por sua vez, em raros momentos apresentavam suas dificuldades, principalmente no que dizia respeito ao processo de reabilitação e aspectos de saúde. Tais achados remetem a pensar que os homens por esses motivos tem probabilidade maior que as mulheres em se envolverem em eventos fatais.

Ainda discutindo os comportamentos de resistência dos homens em relação aos cuidados com a saúde, pode-se mencionar o modelo de masculinidade construído culturalmente. Os homens acreditam que as mulheres busquem mais os serviços de saúde, pois possuem mais informações sobre os cuidados com a saúde e por estética e os homens se preocupam menos por questões relacionadas ao trabalho, por temerem afastamento do serviço caso encontrado algum problema relacionado a saúde. (COSTA Jr. e MAIA, 2009). Tal apontamento feito pelos autores confirma a coleta realizada com os participantes dessa pesquisa, uma vez que quando o problema de saúde apresentado interfere nas atividades profissionais dos homens, estes dizem se sentir envergonhados pela situação, diferentes das mulheres que em alguns casos o fato de estarem afastadas do serviço cause a sensação de “inutilidade”, aceitam como um tempo para poderem “se cuidar melhor”.

Além dessa, outras variáveis foram analisadas, entre elas a religião (p=,069) (Anexo 5 - gráfico 1) e a prática religiosa (p=,899)  (Anexo 5 - gráfico 2) comparadas com saúde mental, esses resultados diferem dos estudos de Allport (1967) citado por Druker (2005), sobre saúde mental e religiosidade, que se refere à experiência de religiosidade como uma forma positiva de resistência a pressão externa. E também dos estudos de Stack (1992) também citado por Druker (2005), em que aponta um efeito positivo da religiosidade na diminuição dos sintomas depressivos, embora sem muita representatividade.

Os dados relacionados a religião e a prática religiosa apontaram que entre homens e mulheres que praticam a religião, 76,7% da amostra, 55,8% são mulheres, embora não apontado resultado estatístico considerável, fica claro na amostra que as mulheres são maioria quando comparadas aos homens de acordo com a prática religiosa (Anexo - tabela 2).

Embora os resultados da pesquisa não apontem diferenças significativas relacionadas à religiosidade e saúde mental, a maior parte dos participantes 65,1% mostraram mudanças em relação à religião após o diagnóstico médico, dizem ter se tornado mais religioso. Tal informação pode ser observada, pela pesquisadora, através dos relatos destes durante o procedimento de preenchimento dos instrumentos mesmo não tendo anotado as entrevistas, durante a conversa para a realização da coleta de dados a pesquisadora percebeu que a questão relacionada a mudança na religião após o diagnóstico é muito frequente entre eles, inclusive no que se refere a frequentarem mais a igreja.

Gráfico 4. – Comparação entre especialidades médicas e saúde mental (SRQ)

Gráfico 4. – Comparação entre especialidades médicas e saúde mental (SRQ)

Quanto as especialidades médicas frequentada pelos participantes, essas foram divididas em: neurologia; ortopedia; psiquiatria; outras especialidades e nenhuma. Foram realizadas análises em que cada especialidade foi comparada a saúde mental (SRQ), a sintomatologia depressiva (HAD e EBADEP-AMB) e de ansiedade (HAD).

Em relação a saúde mental, de acordo com gráfico 4, quando comparado as  especialidades médicas com a saúde mental (p=,007;H=18,473), o resultado encontrado apontou que as pessoas com a saúde mental mais abalada estão entre os participantes que passam por outra especialidade (clínico geral, urologista, nefrologista) (m=32,27) e os que não se consultam com frequência (m=13,80). E o mais interessante é que os pacientes que declaram passar pela psiquiatria (m=29,5) não aparecem como os que possuem a saúde mental mais abalada, sendo assim conclui-se que estes pacientes podem estar sendo orientados de forma adequada.

As análises também comparam a relação entre saúde mental (SRQ) e doença crônica (p=,778) (Anexo 5 -  gráfico 9); sintomatologia de ansiedade (HAD) e doença crônica (p=,730) (Anexo 5 - gráfico 10); sintomatologia de depressão (HAD) com doença crônica (p=,636) (Anexo 5 - gráfico 11), e sintomatologia de depressão (EBADEP-AMB) e doença crônica (p=,532) (Anexo 5 - gráfico 12) e não foram encontrados índices estatísticos significativos. Mesmo os resultados não sendo significativos, os participantes que possuíam doenças crônicas em seus relatos, durante a coleta de dados, se mostraram menos motivados para o processo de reabilitação, o que confere com os estudos de Costa (2010) em que aponta que as pessoas que possuem doenças crônicas apresentam mais sintomatologia depressiva, mas não necessariamente tenham o diagnóstico e nem tanto medicados (Anexo tabela 6) .

Gráfico 5. – Comparação entre considerações sobre a saúde física e saúde mental (SRQ)

Gráfico 5. – Comparação entre considerações sobre a saúde física e saúde mental (SRQ)

Entretanto, quando comparado a variável: considerações sobre a saúde física, distribuída em boa e ruim, todas as análises apresentaram resultados consideráveis. De acordo com o gráfico 5 no que se refere a consideração sobre saúde física boa ou ruim (p=,016), as pessoas que consideraram sua saúde física ruim (m= 29,29; U= 273,5) tendem a ter a saúde mental mais abalada que as pessoas que consideram sua saúde física como boa (m=19,18).

Tal resultado faz com que exista a necessidade de entender as importantes mudanças que estão ocorrendo na vida das pessoas que possuem incapacidade adquirida, principalmente no que se refere ao período de ajustamento. O estudo realizado por Accacio (2004) sobre os pacientes em processo de reabilitação, explica que existem várias questões envolvidas sobre a incapacidade que podem envolver vários aspectos determinantes do funcionamento humano o que pode gerar sofrimento. Portanto, pode-se dizer que esse sofrimento abala a saúde mental desses pacientes, uma vez que precisam lidar com questões relacionadas a readaptação. A maior parte dos participantes relatou o quanto é difícil aceitarem que atividades simples, do cotidiano se tornaram mais difíceis.

Dessa forma pode-se afirmar com essas análises que o fator gênero feminino e pouca ou nenhuma renda contribuem para o abalo da saúde mental, desta forma este estudo com os pacientes da Clinica Escola de Fisioterapia, corrobora com os de Costa et al (2002), realizada na população geral da cidade de Pelotas RS, pois apresentou os mesmos resultados sobre saúde mental que os realizados por eles em 1967 pessoas com idade entre 20 e 69 anos.

Gráfico 6. Comparação entre gênero e sintomatologia de depressão (HAD-D)

Gráfico 6. Comparação entre gênero e sintomatologia de depressão (HAD-D)

De acordo com gráfico 6, os dados analisados da mesma amostra pelo HAD-D (p=,010; U=122,5) apontam que as mulheres (m=26,4) tendem a ser mais depressivas que os homens (m=16,45). Tal resultado confirma os achados de Kaplan et al. (1997) citado por Aros e Yoshida (2009) que referem que nos indivíduos adultos, as mulheres são mais acometidas pelos transtornos depressivos, quando comparadas aos homens.

Uma das causas que pode ser utilizada para compreender esse resultado se dá pelo fato de existir maior pedido de ajuda por parte das mulheres quando se encontram em situações depressivas (TEIXEIRA, 1998), portanto as mulheres são mais diagnosticadas com esse transtorno. Ressalta-se aqui que durante as entrevistas com os pacientes da Clinica Escola de Fisioterapia durante a coleta de dados para a pesquisa, percebeu-se que as mulheres têm mais facilidade em falar sobre seus problemas e sentimentos se comparada com os homens o que pode ser um indicativo do por que as mulheres sejam mais diagnosticadas como depressivas, uma vez que estas busquem ajuda com mais frequência que os homens e falem sobre isso de forma mais direta.

Gráfico 7. – Comparação entre estado civil e sintomatologia de depressão (HAD-D)

Gráfico 7. – Comparação entre estado civil e sintomatologia de depressão (HAD-D)

Na mesma amostra, quando analisados estado civil, de acordo com os resultados dos instrumentos utilizados, observou-se resultado significativo na análise entre estado civil e o HAD depressão (p=,009; H= 12,047), em que observou-se que os casados (m=18,54) tendem a ter menos sintomatologia depressiva que os que estão em outra situação relacionada ao estado civil (m=30,59), como pode-se observar na linha amarela do gráfico 7.

Tal resultado contradiz os estudos de Teixeira (1998), em que quando relacionados idade, sexo e estado civil, o índice de depressão aumenta quando em mulheres, casadas e com faixa etária entre 25 e 44 anos, mas estão de acordo com os apresentados por Lima (2012) sobre a situação conjugal, explicando que a depressão se mostra mais frequente entre pessoas divorciadas ou separadas do que entre os solteiros e casados.

Assim como as consultas médicas relacionadas à saúde mental, também foi analisada a comparação entre depressão e frequência nas consultas médicas, tanto no HAD-D (Gráfico 8) quanto na EBADEP-AMB (Gráfico 11), como será apontada a seguir.

Gráfico 8. - Comparação entre frequência em consultas médicas e sintomatologia de depressão (HAD-D).

Gráfico 8. - Comparação entre frequência em consultas médicas e sintomatologia de depressão (HAD-D)

De acordo com o gráfico 8 na comparação entre sintomatologia depressiva (p=,019; U=100,5) e frequência em consultas médicas, percebeu-se que quem não consulta médico com frequência (m=29,12) tende a ter mais sintomatologia depressiva  que quem consulta médico com frequência (m=19,24). Diante desses resultados questiona-se a ideia de que as mulheres apresentam sintomatologia depressiva mais frequente que os homens. Uma vez que as mulheres buscam serviços de saúde com mais frequência, entende-se a partir dos resultados que a tendência em ter sintomatologia depressiva é maior entre elas. Dessa forma seria necessário que esta hipótese pudesse ser melhor estudada.

Gráfico 9. – Comparação entre saúde física e sintomatologia de depressão (HAD-D).

Gráfico 9. – Comparação entre saúde física e sintomatologia de depressão (HAD-D)

Na análise realizada entre consideração sobre saúde física e sintomatologia depressiva (HAD-D) (p=,045; U=260,0), o gráfico 9 mostra que os participantes que consideram a saúde física ruim (m=28,17) tendem a ter sintomatologia depressiva mais presente que os que consideram a saúde física boa (m= 19,61).

Diante da situação em que estes pacientes se encontram, independente do motivo pelo qual estão sendo atendidos nos setores da Clinica, parte deles se encontravam passando por adaptações importantes que podem desencadear sintomas depressivos. O estudo de Accacio (2004) confirma estes resultados quando mostra que um dos padrões de reação ao estresse se dá por meio de sintomas depressivos.

Embora alguns dos pacientes participantes da pesquisa não relataram situações que possam ser relacionadas a estados depressivos, a correção dos instrumentos possibilitou essa análise, os pacientes que tinham dificuldades em falar sobre sua situação e eram alfabetizados optaram por responder os instrumentos sozinhos, tornando possível a identificação de sintomatologia depressiva durante a correção dos instrumentos. Outro fator interessante é que mesmo que o paciente estivesse visualmente debilitado quanto a saúde física, a maior parte não se queixou, avaliando a saúde física como boa, a hipótese é que esses pacientes estejam adaptados a situação em que se encontram, sendo assim, não veem como problema, por exemplo, o fato de serem cadeirantes ou amputados, pois já conseguem realizar suas atividades diárias de acordo com essas limitações.

Gráfico 10. – Comparação entre internações anteriores e sintomatologia de depressão (HAD-D)

Gráfico 10. – Comparação entre internações anteriores e sintomatologia de depressão (HAD-D)

De acordo com o gráfico 10, na comparação entre HAD-D e internações anteriores (p=,019; U=127,0), os participantes que não se encontraram internados (m=27,53) tendem a ter sintomatologia depressiva mais evidente que os participantes que já foram internados (m=18,38). Dessa forma, confere a análise realizada em que a frequência de consultas médicas em quem não se consulta com frequência tende a ter sintomatologia depressiva mais do que quem consulta. Entende-se que as pessoas que são acompanhadas por serviços de saúde, tanto homens quanto mulheres, possuem menor probabilidade de sintomatologia depressiva, o que não confere com os estudos de Delfini; Roque e Peresl (s/a) que afirmam que os pacientes deprimidos que se encontram internados sofrem agravo de seu estado clínico.

Gráfico 11. – Comparação entre frequência em consultas médicas e sintomatologia de depressão (EBADEP-AMB).

Gráfico 11. – Comparação entre frequência em consultas médicas e sintomatologia de depressão (EBADEP-AMB).

Da mesma forma que o HAD-D, a EBADEP-AMB também apontou resultados consideráveis nos pacientes que não possuem acompanhamento médico.

Quando analisada a EBADEP-AMB (p=,020; U=101,5), como mostra o gráfico 11, os resultados apontam que as pessoas que não se consultam com frequência (m=29,04) tem sintomatologia depressiva, diferente das pessoas que consultam médico com frequência (m=19,27) que não possuem sintomatologia depressiva.

Tal resultado contradiz os estudos de Costa (2010) em que afirma que perturbações do humor são em média três vezes mais frequentes em pacientes clínicos do que na população geral, uma vez que esta pesquisa aponta que os pacientes que se encontra em acompanhamento médico tendem a ter sintomatologia depressiva menor do que os que não se encontram em acompanhamento.

Gráfico 12. – Comparação entre saúde física e sintomatologia depressiva (EBADEP-AMB).

Gráfico 12. – Comparação entre saúde física e sintomatologia depressiva (EBADEP-AMB).

Da mesma forma que no HAD-D, na EBADEP-AMB, o resultado não foi diferente, o que mostra coerência nas respostas dos pacientes, assim como os propósitos dos instrumentos. O gráfico 12 da comparação entre a variável, consideração sobre a saúde física e a sintomatologia depressiva (p=,048; U=259,0) o gráfico 9 mostra que os participantes que consideram a saúde física ruim (m=28,08) apresentam mais sintomatologia depressiva que os que consideram a saúde física boa (m=19,65). Entende-se com este resultado assim como no resultado da comparação entre saúde física e depressão no HAD-D que os pacientes em reabilitação podem estar adaptados a sua situação, dessa forma, afirmam estar com a saúde física boa. De acordo com os relatos e a correção dos instrumentos, os que estão a mais tempo em acompanhamento ambulatorial acreditam que a saúde física está boa, diferente dos que estão em acompanhamento a menos tempo que entendem a saúde física como ruim. Dessa forma acredita-se que esses pacientes que estão a menos tempo sendo acompanhados ainda podem estar enfrentando dificuldades no processo de reabilitação e readaptação (Anexo - tabela 3).

Gráfico 13. – Comparação entre internações anteriores e sintomatologia de depressão (EBADEP-AMB)

Gráfico 13. – Comparação entre internações anteriores e sintomatologia de depressão (EBADEP-AMB)

Da mesma forma, foi realizada a análise da comparação entre internações anteriores e a EBADEP-AMB (p=,040; U=138,5). O gráfico 13 mostra que os participantes que não foram internados (m=26,85) tendem a ter mais sintomatologia depressiva do que os participantes que não estiveram internados (m=18,83). Esses resultados assim como os resultados obtidos na comparação entre a variável ‘frequência das consultas médicas’ com os instrumentos pode estar relacionado ao fato de que o paciente, uma vez que se encontram em acompanhado pelos serviços de saúde tende a ter orientação em relação aos cuidados tanto com a saúde física quanto com a saúde mental. Dessa forma explica-se o fato de que quem já esteve internado possuir menos sintomatologia de depressão do que os participantes que não precisaram ser internados.

Sobre gênero e depressão, observou-se através da EBADEP-AMB que avalia a sintomatologia depressiva, que esta não difere entre homens e mulheres, (p=,135) (Anexo 5 - gráfico 13) o que contradiz todos os estudos utilizados para o desenvolvimento dessa pesquisa que afirmam que embora os homens também possam ter depressão, as mulheres ainda são a maioria. Embora as mulheres tendam a serem mais depressivas, os homens também apresentam risco para depressão, mas com sintomas diferentes. No estudo realizado por Aros e Yoshida (2009) eles apontam que os homens, quando com depressão, manifestam sintomas de irritabilidade ao invés de disforia ou anedonia, mais comuns entre as mulheres, fato este que muitas vezes pode dificultar a procura de ajuda.

Ao rastrear as sintomatologias de ansiedade, pode-se constatar que em relação no HAD-A, (p=,244; U=180,5) (Anexo 5 - gráfico 29), não houve diferença deste conjunto de sintomatologia entre homens e mulheres. Dado esse que difere dos apontados na revisão de Kinrys e Wygant (2005) em que evidenciam que as mulheres possuem risco maior em relação aos homens para o desenvolvimento de transtornos de ansiedade; difere também dos estudos de Apóstolo et al (2011) em que afirmam que  as mulheres apresentam níveis elevados de ansiedade, depressão e estresse quando comparado aos homens, essa diferença pode ser justificada em função de que os homens se mostrem mais resistente que as mulheres em dizerem o que sentem. Foi notado nas respostas em que se referiam sobre sentir-se mais sozinho, tem sentido vontade de chorar e viver está cada vez mais difícil que os homens sempre respondiam de forma negativa, talvez não assumindo o que realmente estavam sentindo.

Outra analise que foi considerada nesta pesquisa foi a referencia dos participantes pelos setores que estavam em atendimento na clinica escola. A realização dessas análises foi feita para identificar se algum setor apresentava mais um tipo de agrupamento de sintomatologias que pudesse indicar um diagnóstico mental. Mesmo sendo verbalizados pelos participantes durante a coleta de dados, sintomas de ansiedade com relação ao processo de reabilitação, os resultados das análises não apresentaram significância quando comparado entre os setores, na comparação com saúde mental (SRQ) (p=,299) (Anexo 5 - gráfico 14); com a ansiedade (HAD-A)  (p=,063) (Anexo 5 - Gráfico 15); com depressão (HAD-D) (p= ,525) (Anexo 5 - gráfico 16) e com depressão (EBADEP-AMB) (p=,253) (Anexo 5 - gráfico 17).

Diante dos resultados obtidos sobre sintomatologia depressiva e os instrumentos percebe-se que o resultado da HAD-D e a EBADEP-AMB, embora sejam instrumentos que identificam sintomatologia depressiva, existem diferenças no resultado deles, por exemplo, sobre gênero e depressão, o HAD-D aponta que as mulheres tendem a ter depressão mais do que os homens e a EBADEP-AMB não apresenta diferença entre eles.

Considerando os estudos de Aros e Yoshida (2009), em que discutem que os homens apresentam sintomatologia depressiva, mas respondem de forma diferente que as mulheres, como por exemplo, ao invés de anedonia e disforia tem sintomas de irritabilidade, nota-se que na EBADEP-AMB, quando comparados homens e mulheres, os homens respondem as questões como tem se sentido mais nervoso ou mais irritado com mais frequência do que as mulheres. De acordo com isso, pensa-se na hipótese de que os resultados entre gênero e esses instrumentos se mostraram diferentes pelo fato da EBADEP-AMB ter mais questões direcionadas a sintomatologia apresentada pelos homens do que o HAD, assim passa a existir um equilíbrio entre as questões voltadas a sintomatologia depressiva tanto apresentada pelos homens quanto pelas mulheres, não apresentando resultado estatístico significativo na diferença entre eles na EBADEP-AMB.

Gráfico 14. Comparação entre frequência em consultas médicas e sintomatologia de ansiedade (HAD-A).

Gráfico 14. Comparação entre frequência em consultas médicas e sintomatologia de ansiedade (HAD-A)

Da mesma forma, os dados foram analisados em relação à ansiedade (p=,006; U=87) parte da amostra que não consulta médico com frequência (m=30,25) tende a ter maior possibilidade de sintomatologia de ansiedade, quando comparados aos que passam por consulta médica com frequência (m=18,81).

Embora não se tenha encontrado pesquisas sobre a questão do aumento da ansiedade em pessoas que não consultam médico com frequência, a hipótese da autora deste trabalho em relação ao resultado mostrado pelo gráfico 14 é que as pessoas que precisam ser acompanhadas pelos serviços de saúde possuem maior orientação e cuidado em relação a saúde, tanto física quanto mental, dessa forma entende-se que é comum que as pessoas que não possuem acompanhamento, tendam a ter sintomatologia de ansiedade e depressão.  

Gráfico 15. – Comparação entre especialidade médica e sintomatologia de ansiedade (HAD-A).

Gráfico 15. – Comparação entre especialidade médica e sintomatologia de ansiedade (HAD-A)

Também foram realizadas análises que compararam sintomatologia depressiva (HAD-D) (p=,304) (Anexo 5 - gráfico 18), sintomatologia depressiva (EBADEP-AMB) (p=,188) (Anexo 5 - gráfico 19) e de ansiedade com as especialidades médicas, o resultado significativo foi a comparação entre sintomatologia de ansiedade e as especialidades (p=,059). Embora exista diferença entre eles, não se consegue perceber exatamente em que especialidade se encontra.

Dessa forma pode-se pensar na hipótese citada pela autora em que esses participantes podem apresentar tais sintomas pelo fato de não terem muita orientação e cuidado relacionados a saúde física e mental, uma vez que não frequentem serviços de saúde com frequência. É importante que outros estudos se refiram a esta questão visando a importância de conscientização dos pacientes, neste caso os que estão em processo de reabilitação, sobre o acompanhamento médico juntamente com fisioterapeutico e o psicológico.

Gráfico 16. – Comparação entre saúde física e sintomatologia de ansiedade (HAD-A).

Gráfico 16. – Comparação entre saúde física e sintomatologia de ansiedade (HAD-A)

Na comparação entre considerações sobre a saúde física e a sintomatologia de ansiedade (p=,039; U=261,5), os participantes que consideram a saúde física ruim (m=28,29) se mostraram mais ansiosos que os que consideram a saúde física boa (m=19,56).

Este achado corrobora com o estudo de Accacio (2004) em que aponta que as pessoas diante do processo de reabilitação, podem se deparar com situações de crise em que esta assume diferentes formas, entre elas ansiedade e depressão. Dessa forma entende-se o fato dos pacientes apresentarem níveis elevados de ansiedade quando o assunto era a reabilitação, como se pudessem se curar de forma rápida. O fato de acreditarem que o processo seria rápido ajuda em alguns casos, pois o paciente apresentava motivação nas sessões de fisioterapia, mas atrapalhava em outros, pelo fato de estarem muito ansiosos e acharem que os exercícios não adiantavam e queriam ficar trocando-os para ver se encontravam algum que apresentasse resultado de forma mais rápida.

Gráfico 17. Comparação entre saúde mental e sintomatologia de ansiedade (HAD-A)

Gráfico 17. Comparação entre saúde mental e sintomatologia de ansiedade (HAD-A)

Em relação às considerações sobre saúde mental, boa ou ruim, foram realizadas análises de comparação quanto a saúde mental no SRQ (p=, 133), no HAD depressão (p=,299) (Anexo 5 - gráfico 20), no HAD ansiedade (p=,031) e na EBADEP-AMB (p=,093) (Anexo 5 - gráfico 21), entre essas, somente houve resultado significativo na comparação entre a consideração do participantes sobre sua saúde mental e sintomatologia de ansiedade (p=,031;H= 6,147) embora não consiga identificar em qual grupo está a diferença, como apresentado pelo gráfico 17.

As últimas análises realizadas se referiram ao diagnóstico de depressão comparado com a saúde mental (SRQ), sintomatologia de ansiedade (HAD) (Anexo 5 -gráfico 22) e de depressão (HAD-D e EBADEP-AMB) (Anexo 5 - gráficos 23 e 24) além da comparação do uso de antidepressivos com os instrumentos (Anexo 5 - gráficos 25, 26 e 27).

A partir dos resultados dessas comparações, optou-se por manter os participantes que estavam dentro dos critérios de exclusão, uma vez que parte desses, fazem uso de antidepressivos para dormir e não possuem diagnóstico de depressão. Também é importante esclarecer que estes participantes permaneceram na pesquisa por não terem diagnóstico realizado por um médico Psiquiatra. Do total dos participantes, 43, apenas 3 consultavam Psiquiatra (Anexo - tabela 4) e destes, apenas dois tomam antidepressivos (Anexo - tabela 5), os participantes que mais faziam uso de antidepressivo se encontraram aos que eram atendidos pelo ortopedista, 3 deles, seguidos por 1 que consultava um neurologista e 1 que foi medicado com antidepressivos por um médico de outra especialidade, fato este que pode afetar os resultados obtidos ou não deste estudo.

Outro dado que incentivou essa tomada de decisão foi se baseando no estudo de Guarido (2007), em que é discutido que os manuais possuem muitos sintomas que acabam permitindo que situações do cotidiano e sofrimentos passageiros acabam sendo tomados como sintomas de transtornos mentais, facilitando assim que clínicos de outras especialidades mediquem com facilidade seus pacientes com medicamentos psiquiátricos. Tal situação revela a banalização do diagnóstico e o uso irrestrito de medicações. 

Embora as análises voltadas ao diagnóstico e ao uso de antidepressivos não tenham apresentado valores significativos para discussão, vale lembrar que é importante que estudos voltados a questão da medicação psiquiátrica realizada por outros especialistas da área médica devem ser mais divulgados, visando maior cuidado e orientação aos pacientes que fazem uso desses medicamentos com outras finalidades, uma vez que isso pode causar danos a saúde do próprio paciente.

Quando avaliado a correlação entre as variáveis, pode-se notar que saúde mental (SRQ) tem correlação com ansiedade (HAD) (r=,704; p= ,000), depressão (HAD) (r=,627; p= ,000) e depressão (EBADEP-AMB) (r=,782; p= ,000), ou seja, quem possui saúde mental abalada pode apresentar sintomas de ansiedade e depressão. Assim como, na correlação da Ansiedade (HAD-D) e depressão (HAD-A) (r=,542)  e depressão (EBADEP-AMB) (r= ,757) que indica que tem sintomatologia de ansiedade também apresenta depressão.

Sendo assim, os dados dessa pesquisa estão de acordo com o relatório da OMS (2002), em que eles afirmam que existe comorbidade entre ansiedade e depressão em aproximadamente metade das pessoas com estas perturbações, e o dados de pesquisa de Apóstolo et al (2011) que apontam alta correlação entre depressão e ansiedade e comorbidade entre saúde mental, ansiedade e depressão.

Sendo assim este estudo indicou que ao avaliar a saúde mental, há também a necessidade de avaliar a sintomatologia depressiva e de ansiedade e que as pessoas que possuem características como ser mulher e ter pouca ou nenhuma renda, estão incluídas na população que merece maior atenção na avaliação da saúde mental.

8. Considerações Finais

Conclui-se com este trabalho que entre os participantes desta pesquisa, as mulheres, os participantes com pouca ou nenhuma renda, que passam por consultas médicas com menos frequência, com a saúde física considerada por eles como ruim tendem a ter a saúde mental mais abalada que os demais participantes.

Quanto a sintomatologia de depressão no HAD-D e na EBADEP-AMB, pode-se concluir que entre os participantes, características como ser mulher, serem solteiros ou estarem em outra situação conjugal, não consultarem médico com frequência, considerarem a saúde física ruim e nunca ter passado por internações apresentam mais sintomatologia depressiva. 

Em relação a sintomatologia de ansiedade, os participantes que consultam médico com menos frequência e que consideram a saúde física e percebem a saúde mental ruim apresentam mais sintomatologia de ansiedade.  

Sendo assim, pode-se afirmar que as mulheres apresentam sintomatologia depressiva mais aparente que os homens, mas que tal questão precisa ser revista, uma vez que se entende que os homens também podem ter sintomatologia depressiva, mas apresentando sintomas diferentes, como irritabilidade ao invés de anedonia e disforia. As pessoas de classe social e renda mais baixa sofrem mais de transtornos psiquiátricos, assim como as que relatam ter a saúde física ruim.

Quanto ao diagnóstico de depressão e uso de antidepressivos, os participantes que estavam nos critérios de inclusão quanto ao uso de antidepressivos foram mantidos na pesquisa uma vez que durante a coleta foi observado que esses participantes faziam uso desses medicamentos para outros fins que não a depressão e pelo fato de parte deles terem sido medicados por clínicos de outras especialidades que não psiquiatras, deixando claros a banalização do diagnóstico e o uso abusivo de medicamentos psiquiátricos por especialistas de outras áreas que não psiquiatras.

Outros estudos referentes a medicação psiquiátrica antidepressiva administrada por outros especialistas devem ser realizados aprofundando mais sobre essas questão visando a orientação dos pacientes quanto ao uso e cuidado com esses medicamentos quando para outra finalidade que não depressão.

Quanto aos instrumentos, na comparação entre eles, observou-se principalmente entre HAD e EBADEP-AMB (instrumento em validação), que na avaliação de sintomatologia depressiva o HAD apontou que existe diferença entre homens e mulheres, enquanto a EBADEP-AMB não aponta esta diferença. Dessa forma acredita-se que os resultados entre gênero e esses instrumentos se mostraram diferentes, pois a EBADEP-AMB possui mais questões direcionadas a sintomatologia depressiva apresentada pelos homens do que o HAD, sendo assim as questões voltadas a sintomatologia depressiva tanto apresentada pelos homens quanto pelas mulheres se torna igual, não apresentando resultado estatístico significativo na diferença entre eles na EBADEP-AMB.

Visando os resultados obtidos com este trabalho entende-se que existe necessidade de desenvolvimento de atividades psicológicas voltadas a orientação dos usuários da Clínica escola de Fisioterapia no que se refere ao processo de reabilitação e sua importância.

9. Limites e sugestões

Alguns fatores contribuíram para que houvesse algumas limitações nesta pesquisa, entre elas, a dificuldade em fazer a coleta de dados no prazo, pelo fato de os participantes serem os mesmos durante dez sessões de fisioterapia (dez semanas), sendo assim, durante este período não era possível convidar novos participantes para a pesquisa. Além dessa, outra limitação se deu devido as férias de julho, um mês em que não houve coleta na Clínica escola, o que limitou o número de participantes.

Quanto aos instrumentos, HAD e EBADEP-AMB os participantes apresentaram dúvidas em algumas questões que puderam ser sanadas na hora, mas que estenderam o tempo de coleta, prejudicando o número de participantes estipulado para o dia (três participantes), dedicando o tempo somente a um.

Para uma futura pesquisa sugere-se que o número de participantes seja maior, e que seja uma pesquisa quanti-qualitativa, uma vez que os relatos dos participantes foram importantes para os resultados e discussão. Sugere-se que novas pesquisas sejam dedicadas a este assunto a fim de explorar melhor as questões voltadas a saúde mental dos pacientes em processo de reabilitação.

Sobre o Autor:

Elaine Alves Ragassi dos Reis - Psicóloga Clínica, Pós Graduando em Psicologia Organizacional e do Trabalho.

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Anexo - Tabelas:

Tabela 1. Distribuição dos participantes por sexo * Distribuição dos participantes que consultam médico frequentemente

 

 

Distribuição dos participantes que consultam médico frequentemente

Total

Não

Sim

Distribuição dos participantes por sexo

Feminino

7

17

24

Masculino

5

14

19

Total

12

31

43


Tabela 2. Distribuição dos participantes por sexo * Distribuição dos participantes de acordo com a prática religiosa 

 

 

Distribuição dos participantes de acordo com a prática religiosa

Total

Pratica a religião

Não pratica a religião

Distribuição dos participantes por sexo

Feminino

18

6

24

Masculino

15

4

19

Total

33

10

43


Tabela 3. Distribuição dos participantes em relação as suas considerações sobre sua saúde física * Distribuição dos participantes de acordo com o tempo de acompanhamento ambulatorial

 

 

Distribuição dos participantes de acordo com o tempo de acompanhamento ambulatorial

Total

dias

meses

anos

Distribuição dos participantes em relação as suas considerações sobre sua saúde física

Boa

11

4

16

31

Ruim

2

4

6

12

Total

13

8

22

43


Tabela 4. Distribuição dos participantes por sexo * Distribuição dos participantes em relação a especialidade médica

 

 

Distribuição dos participantes em relação a especialidade médica

Total

Neurologista

Ortopedista

Psiquiatra

Outras especialidades

Nenhuma

Feminino

3

8

2

5

6

24

Masculino

6

2

1

5

5

19

Total

9

10

3

10

11

43


Tabela 5. Distribuição dos participantes em relação a especialidade médica * Distribuição dos participantes em relação ao uso de antidepressivos

 

 

Distribuição dos participantes em relação ao uso de antidepressivos

Total

Não

Sim

Distribuição dos participantes em relação a especialidade médica

Neurologista

8

1

9

Ortopedista

7

3

10

Psiquiatra

1

2

3

Outras especialidades

9

1

10

Nenhuma

11

0

11

Total

36

7

43


Tabela 6 - Distribuição dos participantes em relação a doenças crônicas * Distribuição dos participantes em relação ao diagnóstico de depressão

 

 

Distribuição dos participantes em relação ao diagnóstico de depressão

Total

Não

Sim

Distribuição dos participantes em relação a doenças crônicas

Não

20

8

28

Sim

7

8

15

Total

27

16

43

 

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