A Atuação do Psicólogo no Atendimento a Estudantes em Instituições Escolares Públicas, Privadas e Filantrópicas do Interior Baiano

A Atuação do Psicólogo no Atendimento a Estudantes em Instituições Escolares Públicas, Privadas e Filantrópicas do Interior Baiano
(Tempo de leitura: 12 - 24 minutos)

Resumo: O presente artigo buscou investigar as concepções e práticas do psicólogo escolar acerca de suas ações no atendimento a estudantes em colégios público, filantrópico e privado. Para atender o respectivo objetivo, foram realizadas entrevistas com três psicólogas escolares de cidades do interior da Bahia, que atuam em colégio público de ensino fundamental II, particular e filantrópico de educação infantil ao ensino médio. A análise qualitativa dos dados contribuiu com a elaboração de dois eixos de análise: 1) O papel e as demandas do trabalho do psicólogo escolar; 2) Concepções dos psicólogos acerca do seu trabalho. A maioria dos dados analisados indicou que há alguma diferença na atuação das psicólogas nas instituições, assim como maneiras muito semelhante de atuação profissional.

Palavras-Chave: psicólogo escolar, atuação profissional e atendimento a estudantes.

1. Introdução

Com o amplo tempo de inserção no mercado de trabalho e com as mudanças correlacionadas à área de atuação, ainda pode existir diferenças na atuação de psicólogos escolares. Este profissional vem sendo requisitado para contribuir na promoção de saúde da comunidade escolar. O crescimento da área nas últimas décadas tem contribuído para a busca da legitimação do espaço do psicólogo na educação em um contexto marcado por características clínica e organizacional.

Como propõe Almeida (1999), a identidade do psicólogo escolar deve ser refletida bem como a sua atuação na instituição escolar, e ao sugerir uma reestruturação da formação acadêmica (Jobim e Souza, 1996) nos remete a esta, acrescentando que deve contribuir para a atuação do futuro profissional no mercado de trabalho, com a intensificação do estudo, teoria e prática permitindo e possibilitando uma maior vivência nas áreas de atuação do psicólogo ao  proporcionar um melhor desenvolvimento, aprimoramento e preparação para trabalhar nos diferentes campos.

Diversos autores discorrem sobre a atuação do psicólogo escolar, ressaltando a importância do trabalho deste profissional nas instituições educacionais, o seu papel nesta área de atuação e sua formação, a saber, Almeida (2010), B.P.Souza (2007), Patto (2010) e Cassins et al (2007). De acordo com Patto (2010) a psicologia escolar é uma área desafiadora ao psicólogo, e este deve ter preparação pessoal e profissional para a atuação nesta instituição social. Apesar de se constatar que os estudos e trabalhos relacionados nesta área tiveram um crescimento significativo nas últimas décadas, percebe-se que as contribuições de cunho prático advindas da Psicologia escolar ainda são poucas principalmente nas escolas privadas.

No entanto, não foram encontradas muitas publicações que abordassem especificamente as concepções e possíveis práticas do psicólogo escolar no que se refere ao atendimento psicológico a estudantes na instituição. Porém, alguns estudos forem realizados por C.S.Souza, Ribeiro e Silva (2011); Giongo e Machado (2010); Tondin, Dedonatti e Bonamigo (2010); Gasparetti e Lima (2007); Santana, Euzebios, Lacerda e Guzzo, (2009) e Pandolfi et al (2001); Barbosa e Marinho (2010), estes demonstram a importância da inserção do psicólogo em escolas do Brasil, bem como sua atuação em algumas especificidades desta área. Santana et al (2009) ao pesquisar a atuação do psicólogo escolar na rede pública de ensino sob a ótica dos estudantes evidenciou que além da prática deste profissional com trabalhos voltados para o estudante, é necessário e de grande importância que o serviço de psicologia escolar envolva toda a comunidade escolar colaborando para melhorias no desenvolvimento da instituição.

1.1 Breve história da atuação do psicólogo escolar no Brasil

Segundo Barbosa et al (2010), a medicalização para os problemas de desenvolvimento e de aprendizagem caracterizava a atuação do psicólogo escolar em meados do século XX. Demonstrando o quanto a medicina e a prática clínica nortearam o trabalho do psicólogo escolar, privilegiando a psicometria na classificação, separação, diagnósticos e encaminhamentos para outros serviços (CAMPOS e JUCÁ, 2006; GUZZO, 2001). As intervenções tinham um caráter clínico classificatório e terapêutico, que foi modificado após quatro décadas com estudos que evidenciaram os prejuízos gerados por esta prática, além do descontentamento dos psicólogos escolares para com um trabalho que não era mais tão eficaz ao contexto.

Ao refletir as concepções e formas de atuação em psicologia escolar no Brasil, podemos analisar a evolução da prática, com a causa do problema centrada no aluno, enquanto os fatores externos: sociais, institucionais e pedagógicos eram ignorados. Com as alterações sofridas neste modelo de atuação, o trabalho passa a ser realizado considerando os sujeitos como seres biopsicossociais e que devem ser envolvidos no processo de mudança da comunidade escolar para a promoção de saúde.

Com a finalidade de buscar o reconhecimento legal do psicólogo nas instituições de ensino, atualizar os psicólogos e incentivar a melhoria dos serviços prestados por estes profissionais delimitando a área da psicologia escolar, em 1990 foi criada a Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE). Esta contribui também com a divulgação de reflexões acerca da identidade do psicólogo escolar dos conhecimentos psicológicos que se aplicam à área e das possibilidades de atuações dos espaços educacionais. (BARBOSA e MARINHO, 2010).

Para Gaspar e Costa (2011) a psicologia escolar está crescendo com sua atuação na prevenção. O trabalho se desenvolve com o mapeamento da instituição para ter uma dimensão da cultura, história, funcionamento e dinâmica da organização. Podendo atuar também na promoção da saúde para a comunidade escolar e na colaboração com o processo educativo. (ARAÚJO e ALMEIDA, 2005).

As divergências acerca do papel da psicologia escolar provavelmente devem-se ao percurso da psicologia desde seu surgimento no Brasil até a atualidade. O objetivo da Psicologia Escolar é proporcionar o desenvolvimento do estudante, através de ações com diretores, professores, orientadores, pais e os próprios alunos, o trabalho se dirige à prevenção. O processo de avaliação, diagnóstico, acompanhamento e orientação psicológica são aplicados dentro de um contexto institucional e não mais exclusivamente voltados ao aluno individualmente. Para casos que requeiram atendimento clínico, realizam-se encaminhamentos. Com isso, o psicólogo escolar é um profissional de relevância neste contexto de grande amplitude. (CASSINS ET AL, 2007).

O psicólogo é um agente de mudanças funcionando como elemento catalisador de reflexões dentro da instituição escolar. Trabalhar e lidar com uma instituição social, hierarquizada, resistente a mudanças e que reflete a organização social como um todo é um grande desafio.

O psicólogo situado em meios escolares tem que reconhecê- los como sendo também meios educacionais. Como pesquisador que ali encontra seu objeto de estudo, ele deve estar preparado para atividades como por exemplo: contribuir para os avanços do conhecimento no campo da aprendizagem das matérias escolares; ajudar na compreensão da criança e do jovem, sem reduzi- los à condição de “alunos”; avançar na explicação dos diversos tipos de interação que se instalam como parte constitutiva do processo educacional e finalmente para estudar em sua complexidade os vários fenômenos que são próprios à instituição escolar. (MALUF, 2008, p. 64-65)

A escola se configura como prestadoras de serviço à população e deve alterar suas formas de inserção social para atender aos estudantes inseridos em um diferente contexto, proveniente das mudanças ocorridas nas relações sociais, econômicas, nas configurações familiar e comportamental (SILVA, 2010). E, para colaborar com o trabalho de inserção e com as demandas de atendimento psicológico possivelmente proveniente destes diferentes fatores que se torna necessário o trabalho do psicólogo escolar.

Contudo, para identificar e analisar a atuação do psicólogo escolar no atendimento de estudantes frente a demandas escolares, tais como emocionais, socioeducacionais e psicopedagógicas em instituições escolares de cidades do interior baiano, o presente estudo busca caracterizar as práticas efetivas destes profissionais nestes ambientes, compreendendo o papel desempenhado pelo psicólogo na promoção de saúde para o desenvolvimento do estudante.

2. Método

2.1 O Estudo

Tratou-se de um estudo de levantamento regido pela coleta e análise de dados qualitativos por análise de conteúdo que consiste no conjunto de técnicas utilizadas na análise de dados qualitativos, para a formação de categorias. Esta escolha pode ser justificada pelo fato do tema buscar discutir práticas do psicólogo escolar ainda pouco difundidas no campo científico. Pode-se dizer, então, que o respectivo artigo teve um caráter também exploratório, tendo em vista a escassez de dados específicos na literatura pesquisada.

2.2 Contextos da pesquisa

A pesquisa foi realizada em três instituições escolares pública, filantrópica e particular de ensino fundamental I e II situadas em cidades do interior da Bahia. A escolha por este contexto de escolas teve como justificativa a atuação dos profissionais no atendimento aos estudantes. Além disso, é relevante mencionar a dificuldade em encontrar psicólogos escolares trabalhando no cotidiano das escolas nos municípios pesquisados.

2.4 Participantes

O universo empírico foi composto por três psicólogas escolares que atuam no cotidiano da escola de ensino fundamental I e II. Tais psicólogas atuam com os estudantes, familiares e o corpo docente que acompanha e medeia os processos de aprendizagem destes estudantes. As profissionais convidadas e encontradas na região para participar do estudo se disponibilizaram de acordo com seus horários e acordos prévios.

2.5 Instrumentos

Para o alcance dos objetivos do estudo, foi construído um roteiro de entrevista semiestruturada. Este modelo de entrevista traz consigo elementos e itens baseados em um estudo prévio sobre a prática do psicólogo escolar (em anexo).

2.6 Procedimentos de coleta de dados

Os dados foram coletados, no período de maio a julho de 2012. No primeiro contato com as instituições e com as psicólogas escolares, a pesquisadora explicou os objetivos e a relevância do estudo, agendando posteriormente uma segunda visita para a realização da entrevista, conforme disponibilidade e planejamento das profissionais. Houve a formalização do termo de consentimento livre e esclarecido com as psicólogas para total liberdade na participação da pesquisa (em anexo), bem como a antecipação do roteiro de entrevista solicitado pelas psicólogas das instituições escolar particular e filantrópica.

3. Processamento e análise de dados

Os dados qualitativos coletados nas entrevistas foram transcritos e organizados em categorias específicas de análise, dentre as quais foram efetuadas interpretações, descrições e confrontações de ideias resultantes da associação do estudo teórico com os resultados das respectivas entrevistas. Nos procedimentos de análise, abordou- se três grandes eixos: modos de atuação, inserção e formação do psicólogo. Considerando mais representativos das principais temáticas emergidas no contato com os participantes deste trabalho. Ao longo da pesquisa, atentou-se para o modo como os profissionais se inserem na instituição, considerando: a origem do serviço de Psicologia Escolar na mesma, a conquista do espaço, a imagem e o papel do psicólogo perante a comunidade escolar e a visão deste sobre os limites e as possibilidades do seu trabalho nas diferentes redes de ensino.

4. Resultados e discussão

Quadro 1- Caracterização das profissionais entrevistadas

Caracterização das profissionais entrevistadas

Psicóloga (P)

P1

P2

P3

Idade

44 anos

29 anos

47 anos

Tempo de formação

16 anos

10 meses

6 anos

Tempo de atuação na área

8 anos

3 anos

3 anos

Carga horária

40 horas

20 horas

40 horas

Abordagem teórica

Behaviorismo

Cognitiva

Sistêmica

Especialização

Psicologia clínica e escolar, avaliação psicológica para empresas.

   

Ao visualizar o quadro acima se observa que a profissional P2 iniciou sua atuação antes de concluir a graduação em psicologia. De acordo com o código de ética do psicólogo artigo segundo f, é vedado ao psicólogo: “prestar serviço ou vincular o titulo de psicólogo a

serviço de atendimento psicológico cujos procedimentos, técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão”. Para um profissional atuar como psicólogo é necessário o registro no conselho de ordem.

Para C.S.Souza, Ribeiro e Silva (2011) o psicólogo que atua em instituição educacional particular deve ter mais atenção aos limites éticos de sua atuação, e possuir conhecimento sobre a educação e as instituições que trabalham. O profissional não pode se deixar levar pelos interesses ideológicos das instituições em sua pratica sem atentar para sua limitação. Estar atento ao código de ética do psicólogo na atuação é de grande relevância para todos os profissionais da área.

Na pesquisa realizada foi constatado que as profissionais que atuam na área de escolar não tiveram uma formação previa voltada para atuação, os conhecimentos foram adquiridos com a prática e formações posteriores. A necessidade de uma formação direcionada para atuação permite ao profissional um melhor desenvolvimento das atividades possibilitando ao psicólogo um melhor retorno de suas ações seja no desenvolvimento de projetos ou atendimentos na busca de apoiar e ajudar a comunidade escolar como um todo. Segundo Almeida (2008) é necessário refletir a identidade do psicólogo escolar, como também redefinir o papel deste profissional na escola e reestruturar a formação acadêmica.

4.1 Categorias

Quadro 2

Papel do psicólogo na instituição escolar

P1

Orientação, encaminhamento e orientação a funcionários.

P2

A colher alunos, pais e professores, encaminhar para área de saúde quando necessário trabalhar com determinados temas: drogas, sexualidade, respeito ao próximo, relações interpessoais e outros.

P3

Atender pais, alunos e professores. E encaminha-los quando há necessidade para outros profissionais. Realizo entrevista com pais e alunos novatos, alunos a partir do sexto ano.

Em cada instituição escolar pesquisada o psicólogo desenvolvia papéis comuns de acordo com o papel do psicólogo nas literaturas pesquisadas como atendimentos, encaminhamentos e projetos e outros diferenciados tais como priorizar atendimentos individualizados, emitir relatórios sobre o serviço à direção e esporadicamente realizar atendimentos psicoterápico. Em um colégio a função do psicólogo estava descrita no regimento interno da instituição, porém, segundo a profissional a demanda de serviço para apenas um profissional por instituição acaba por inviabilizar um trabalho que atenda à totalidade. Almeida (2008) ressalta a importância da escolha de uma abordagem teórica na identificação para a prática do psicólogo escolar, bem como a sua postura ética de atuação.

Quadro 3

Limites e possibilidades do trabalho do psicólogo escolar

P1

Extensão na área da psicologia, oportunizar condições favoráveis para as situações problemas.

P2

A carga horária para atender a demanda institucional, resistência dos professores para o desenvolvimento dos trabalhos.

P3

O tempo, sobrecarga do trabalho do profissional e carga horária dos alunos (eu não tiro aluno de sala de aula, a não ser por urgência).

De acordo com Cassins et al (2007) “usuários, gestores e profissionais da educação ainda desconhecem a Psicologia e os benefícios que esta ciência pode oferecer-lhes” ( p. 33). Portanto, faz-se necessário a apresentação do serviço de psicologia a toda comunidade escolar, bem como os benefícios e resultados que este oferece.

A resistência dos professores em colaborar com o serviço de psicologia apresentada pela P2 no quadro três pode estar relacionada à falta de comunicação e de divulgação do papel do psicólogo na instituição. Para B. P. Souza (2007a) o psicólogo na tentativa de contribuir para o desenvolvimento conjunto das atividades, deve analisar e compreender o contexto profissional dos professores em suas dificuldades na atuação.

Quadro 4

Projetos desenvolvidos pelo psicólogo

P1

Família, drogadição, sexualidade, autoestima, liderança e outros. O objetivo a partir da orientação é que com as informações recebidas os envolvidos no processo consigam um maior equilíbrio nas situações

P2

Foi realizado ano passado os projetos diga não ao bullyng, não às drogas e não à violência. Objetivando fazer trabalhos de prevenção e conscientização dos estudantes.

P3

Projeto parceria família e escola – para fortalecer e intensificar a parceria família e escola. Projeto de orientação vocacional- para auxiliar os alunos na escolha profissional trabalhando o autoconhecimento, questões familiares, frisando que tipo de profissional o aluno quer ser e atuação no mercado de trabalho.

Na instituição filantrópica a psicóloga é responsável por cinco escolas que fazem parte do mesmo grupo em cidades diferentes, e disse ter pedido mais uma pessoa para ajuda-la, ela afirmou que é muito trabalho para apenas um profissional fazer todo o serviço de psicologia e varias escolas. Foi possível notar através dos relatos uma diferenciação da prática nas diferentes instituições e uma sobrecarga de trabalho mencionada pelas três psicólogas. Porém a psicóloga do colégio público apresentou ter mais dificuldades em sua atuação, por ter se formado recentemente ela considera que a faculdade não prepara o profissional adequadamente para atuar nesta área.

Quadro 5

Intervenção em sala de aula

P1

A partir das necessidades do problema são realizadas intervenções em sala de aula.

P2

As intervenções ocorrem quando é diagnosticado o perfil das turmas pelos professores. As temáticas são respeito, relações interpessoais, importância dos estudos, respeito ao patrimônio, conscientização.

P3

As intervenções são mais conversas individuais. No fundamental II faço dinâmica de integração.

Segundo as profissionais a realização dos trabalhos coletivos muitas vezes se tornam inviáveis devido à demanda das atividades diária. Neste sentido, percebe-se que o atendimento individualizado acaba sendo priorizado.

O trabalho do psicólogo escolar/educacional tem como diretriz o desenvolvimento do viver em cidadania. Busca instrumentos para apoiar o progresso acadêmico adequado do aluno, respeitando diferenças individuais. É pautado na promoção da saúde da comunidade escolar a partir de trabalhos preventivos que visem um processo de transformação pessoal e social. Para tanto, baseia-se nos conhecimentos referentes aos estágios de desenvolvimento humano, estilos de aprendizagem, aptidões e interesses individuais e a conscientização de papéis sociais. (CASSINS et al, 2007, p.23)

Para se realizar as ações de psicologia nas instituições escolares é necessário que se busque apoio da equipe. De acordo com o relato das entrevistadas os estudantes são encaminhados ao serviço de psicologia em sua maioria pelos professores. Os pais e os próprios alunos procuram o serviço na instituição particular, e segundo a psicóloga o que limita o trabalho é a sua carga horária e a carga de estudo dos alunos, pois em seu método de trabalho ela “não tira o aluno da sala de aula, a não ser por uma urgência”.

Quadro 6

Encaminhamento interno

P1

Os motivos dos encaminhamentos são problemas familiares, processo pedagógico e outros conflitos. É realizada a avaliação do processo, escuta orientação e encaminhamento.

P2

Indisciplina, problemas de aprendizagem, comportamento e problemas de saúde são motivos para os encaminhamentos ao serviço de psicologia escolar. Converso com os alunos e responsáveis, quando necessário encaminho e faço acompanhamentos.

P3

Os motivos dos encaminhamentos são rendimento escolar e comportamento dos alunos quer na escola quer na família. Primeiro converso com quem pediu o serviço, professores ou pais e quando necessário com o aluno.

Quadro 7

P3

Isolamento, agressividade, falta de interesse pelo estudo, ausência dos pais entre outros. Converso com o aluno e depois com os pais (faço uma anamnese), após a conversa dou sugestões para os pais ou para o aluno e encaminho.

Atendimento a problemas emocionais

P1

Os problemas mais atendidos na área são autoestima, crise de identidade, neuroses, psicoses frustrações. Procedo com a escuta orientação e encaminhamento.

P2

Luto, problemas gerados pela separação dos pais e pela relação professores, funcionários e estudantes, bullyng. Acompanho e converso.

Quadro 8

Queixas de aprendizagem e comportamento

P1

Agressividade, isolamento, falta de interação, alunos com altos índices de repetência e dificuldades, dislexia e TDAH [1]. Eu acompanho esses alunos.

P2

Entraves, TDHA, TOD [2], TODA [3], agressividade e impulsividade.

P3

Dispersão, indisciplina, baixo rendimento escolar. Converso com o aluno e depois com os pais (faço uma anamnese), após a conversa dou sugestões para os pais ou para o aluno e encaminho.

Segundo Angelucci, na orientação à queixa escolar o psicólogo deve estar atento para não “reduzir os problemas de escolarização a um fenômeno psicopatológico”, justificando assim tais comportamentos considerados inadequados e que foge aos padrões das instituições escolares. Nesta orientação o psicólogo deve ouvir todos os envolvidos, sejam eles pais, estudantes e professores sem deixar de verificar as condições escolar a que este estudante está inserido, pois esta pode ser promotora de tais comportamentos.

Quadro 9

Avaliação psicológica nos estudantes

P1

Os únicos momentos aqui que utilizo os instrumentos de testagem é na orientação vocacional.

P2

Realizo observações e entrevistas nos casos que necessitem de um diagnóstico mais preciso.

P3

Não faço este tipo de serviço na escola. No caso de orientação profissional foram aplicados testes como QUATI [4], TDP [5] e outros.

Nas instituições privada e filantrópica são realizadas avaliações psicológicas nos estudantes com a utilização de testes no desenvolvimento do projeto de orientação profissional. Este é o único momento que se utiliza os testes nos estudantes segundo as psicólogas. Este trabalho de Orientação não ocorre na instituição pública.

Quadro10

Encaminhamento a outros profissionais

P1

Quando na avaliação o problema está instalado e o aluno já esteja desenvolvendo alguma complicação psíquica que demande uma atenção maior do tipo atendimento psicoterápica, psiquiátrico ou neurológico.

P2

Demanda para oftalmologista, psicoterapia, psiquiatria, fonoaudiologia, conselho tutelar e juizado de menores.

P3

Investigo as questões biológicas. Converso com os pais sobre a saúde do aluno e a necessidade de procurar outros profissionais. Em caso de risco de suicídio comunico à direção e peço autorização por escrito ao filho para falar com os pais.

Investigo as questões biológicas. Converso com os pais sobre a saúde do aluno e a necessidade de procurar outros profissionais. Em caso de risco de suicídio comunico à direção e peço autorização por escrito ao filho para falar com os pais.

A verificação de questões biológicas que podem afetar o comportamento e ou desempenho de estudantes nas escolas é de grande importância no trabalho do psicólogo. Não é incomum em instituições escolares públicas o estudante chegar sem se alimentar e ter demandas oftalmologias e outras que geram perdas em seu desempenho caso estas não sejam verificadas e solucionadas. O encaminhamento ao conselho tutelar e juizado de menores é outra realidade exposta pela profissional da instituição pública.

Quadro 11

Demanda de atendimento

P1

O sexo feminino na adolescência e na educação infantil os meninos apresentando maiores problemas de inquietação.

P2

É mesclado, as séries quinta, sexta e sétima de dez à quinze anos.

P3

Houve uma maior procura por parte dos pais e professores do fundamental I. No ensino médio os próprios alunos procuram o serviço ou algumas vezes são encaminhados pelos professores.

De acordo com B.P.Souza (2007b) na orientação à queixa escolar as investigações são feitas através “da observação e interação com a criança dentro de uma relação de acolhimento, confiança e aposta em sua capacidade”. Neste processo o psicólogo faz uso da escuta do sujeito em sua singularidade e os testes são dispensados. A psicóloga do colégio particular relata o processo de atendimento ao dizer que “quando atender o aluno, partir do ponto de vista dele, seu sentimento, sua necessidade”. O atendimento a problemas emocionais segue geralmente a mesma norma nas três instituições que é a escuta, orientação e encaminhamento, sendo que na pública a psicóloga faz o acompanhamento.

5. Considerações Finais

A conclusão que se chega ao final deste trabalho, é que apesar de estarem exercendo a mesma função há diferenças e semelhanças na atuação das profissionais e no atendimento ao estudante nas instituições escolares. Com atuação de característica marcante no atendimento individualizado e a realização de poucos trabalhos coletivos com os estudantes, são dados apresentado nas impossibilidades de realização das ações.

Portanto, é preciso alterar o modelo de atuação do psicólogo escolar para dar conta da realidade da clientela atendida pelos sistemas públicos, filantrópico e privado de educação. Para isso, é necessário como sugere Patto (2010) a revisão do currículo de formação em psicologia e, por parte dos psicólogos que já estão atuando, é imprescindível repensar as formas de trabalho e de enfrentar os problemas em grande parte determinados pela realidade social do país. Para tanto, é necessário que este profissional conheça e reflita a realidade escolar como também, trabalhe com as demandas estudantis inerentes ao processo de formação.

O professor é o profissional de educação que mais encaminha o estudante ao serviço de psicologia escolar. Por lidar diariamente com o estudante fica mais acessível observar seu comportamento e as mudanças deste em sala de aula. Neste sentido ouvir o professor e sua relação com o estudante é de grande importância no momento do encaminhamento da queixa. O psicólogo pode auxiliar na forma como se estabelece a relação entre professor e aluno bem como acolhendo as demandas de sala de aula.

Contudo, a contribuição desse trabalho foi sinalizar a necessidade de se pensar em novas práticas advindas da Psicologia Escolar, bem como num maior aprofundamento teórico acerca da atuação do psicólogo com o tema atendimento a estudantes. Faz-se necessário que o psicólogo amplie seu foco de trabalho na escola e na valorização dos processos evolutivos do sujeito, buscando atender a um numero maior de estudantes no desenvolvimento de atividades grupais com mais frequência.

Sobre o Autor:

Gilmara Barroso da Silva - Graduanda do 10° semestre de psicologia da Faculdade Santíssimo Sacramento, Alagoinhas Bahia.

Referências:

ALMEIDA, S. F. C. Psicologia escolar - Ética e competências na formação e atuação profissional. 3ª ed. Campinas, SP: Editora Alínea, 2010.

__________________. O psicólogo escolar e os impasses da educação: implicações da(s) teoria(s) na atuação profissional. In: DEL PRETTE, Z. A. P (org.). Psicologia escolar e educacional: saúde e qualidade de vida. 3ª ed. Campinas, SP:Editora Alínea, 2008.

ANGELUCCI, Carla Biancha. Por uma clínica da queixa escolar que não reproduza a lógica patologizante. In: SOUZA, Beatriz de Paula (org). Orientação à queixa escolar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

BARBOSA, Rejane Maria e Marinho-Araújo, Clasy Maria. Psicologia escolar no Brasil: considerações e reflexões históricas. Estudos de Psicologia, Campinas, 2010.

BRAGA, Sabrina Gasparetti e Morais, Maria de Lima Salum. Queixa escolar: atuação do psicólogo e interfaces com a educação. Psicol. USP [online].vol.18, n.4, pp. 35-51. ISSN 0103-6564, 2007.

CASSINS, Ana Maria; Junior, Eugenio Pereira de Paula; Voloschen, Fabíola Deconto; Conti, Josie; Haro, Maria Elizabeth Nickel;Escobar, Miriã,Barbieri, Vanessa e Schmidt, Vanessa. Manual de psicologia escolar – educacional. Curitiba: Gráfica e Editora Unificado, 2007.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de ética profissional do psicólogo. Brasília, agosto de 2005.

MALUF, Maria Regina. O psicólogo escolar e a educação: uma pratica em questão. In: Del PRETTE, Z. A. P. (org). Psicologia escolar e educacional, saúde e qualidade de vida: explorando fronteiras. 3ª ed. Campinas, SP: Editora Alínea, 2008.

GASPAR, Fernanda Drummond Ruas e Costa, Thaís Almeida. Afetividade e atuação do psicólogo escolar. Psicol. Esc. Educ. (Impr.) [online]. Vol.15, n.1, pp. 121-129. ISSN 1413-8557, 2011.

GIONGO, Carmem e Oliveira Menegotto, Lisiane Machado. (Des) Enlaces da psicologia escolar na rede pública de ensino. Psicol. USP [online]. Vol.21, n.4, pp. 859-874. ISSN 0103-6564, 2010.

PANDOLFI, Crystianne C. (coord.); Ota, Áurea Emi; Strini, Gisele; Buzolin, Ivanylce V.B.O; Martins, João Batista e Casagrande, Luciana M. A inserção do psicólogo escolar na rede municipal de ensino de Londrina – PR. In: Psicologia ciência e profissão, 19(2), 30-41, 2001.

PATTO, Maria Helena (2010). O papel social e a formação do psicólogo: contribuição para um debate necessário. In: PATTO, Maria Helena (org). Introdução à psicologia escolar. 4ª ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010.

SANTANA, Izabella Mendes; Euzebios Filho, Antonio; Lacerda Junior, Fernando e Guzzo, Raquel Souza Lobo. Psicólogo e escola: a compreensão de estudantes do ensino fundamental sobre esta relação. Psicol. Esc. Educ. (Impr.) [online]. Vol.13, n.1, pp. 29-36. ISSN 1413-8557, 2009.

SILVA, Viviane Pereira. Escola não é ambulatório e psicólogo não é professor: o que faz um psicólogo na educação?In: Experiências profissionais na construção de processos educativos. 1ª ed. Conselho Federal de psicologia, Brasília- DF, 2010.

SOUZA, Beatriz de Paula. Funcionamentos escolares e produção de fracasso escolar e sofrimento. In: SOUZA, Beatriz de Paula (org). Orientação à queixa escolar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007 a.

________, Beatriz de Paula. Apresentando a orientação à queixa escolar. In: SOUZA, Beatriz de Paula (org). Orientação à queixa escolar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007 b.

SOUZA, Cláudia Silva de; Ribeiro, Maria José e Silva, Silvia Maria Cintra. A atuação do psicólogo escolar na rede particular de ensino. Psicol. Esc. Educ. (Impr.) [online]. Vol.15, n.1, pp. 53-61. ISSN 1413-8557, 2011.

TONDIN, Celso Francisco; Dedonatti, Débora e Bonamigo, Irme Salete. Psicologia Escolar na rede pública de educação dos municípios de Santa Catarina. Psicol. Esc. Educ. (Impr.) [online]. Vol.14, n.1, pp. 65-71. ISSN 1413-855, 2010.

Informar um Erro Publique Seu Artigo