A Avaliação como Processo e Instrumento de Construção de Conhecimento Oriundos do Processo Ensino-Aprendizagem

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Resumo: O presente artigo tem a finalidade de expor ideias e verdades sobre a avaliação da aprendizagem como meio norteador da aprendizagem no processo de ensino aprendizagem, onde o mesmo tem como objetivo principal analisar a avaliação como processo e instrumento de criação e construção de conhecimento oriundos do processo ensino-aprendizagem, assim realizando um estudo bibliográfico e documental da questão da avaliação da aprendizagem. Na qual usou-se como metodologia, a pesquisa bibliográfica, para que  assim embasando-se nos autores famosos como: Luckesi (1998), Barriga (1982), Hoffman (2000), Perrenoud (1998), entre outros discutem a temática em questão. A situação atualmente vivida no sistema escolar em termos de avaliação, ainda é problemática visto que educadores preparados para criticar a própria prática pedagógica. A avaliação como requisito preparatório dos conhecimentos dos alunos, está voltada para o futuro que pretende, a partir da critica do autoconhecimento, da autonomia para tomada de decisões conscientes, levar o educando a descrever sua própria caminhada e propor alternativas de ação. Pois segundo Hoffman “A avaliação propicia a mudança, o progresso e a aprendizagem. Por isso, é considerada, processual, contínua, participativa, diagnóstica e investigativa”.

Palavras-chave: Avaliação, Prática Pedagógica, Mudança.

1. Introdução

Quando se fala em avaliação e prática pedagógicas colocando-as para análise implica em conhecer e interpretar o contexto histórico social ao qual estão inseridas, enfocando as reformas a partir dos anos 90, será necessário pensar nas alterações, nas exigências frente à organização da sociedade, questionando a complexidade do sistema para poder entender a influência que o mesmo exerce sobre a educação.

Percebe-se que no decorrer deste que avaliar exige dos profissionais da educação, sobretudo, dos docentes uma preparação técnica, ou seja, habilidades e competências que trabalhem vinculados a um bom desempenho metodológico utilizado em classe tendo como perspectiva de que os mesmos não venham ser reprodutores de teorias, mas que busquem a práxis como mecanismo capazes de solucionar problemas, criar situações novas e estimulantes para os alunos.

A avaliação, tal como concebida e vivenciada na maioria das escolas brasileiras, tem se constituído no principal mecanismo de sustentação da lógica de organização do trabalho escolar e, portanto, legitimador do fracasso, ocupando mesmo o papel central nas relações que estabelecem entre si os profissionais da educação, alunos e pais. 

Para Oliveira (2003), devem representar as avaliações aqueles instrumentos imprescindíveis à verificação do aprendizado efetivamente realizado pelo aluno, ao mesmo tempo que forneçam subsídios ao trabalho docente,  direcionando o esforço empreendido no processo de ensino e aprendizagem de forma a contemplar a melhor abordagem pedagógica e o mais pertinente método didático adequado à disciplina  – mas não somente -, à medida que consideram, igualmente, o contexto sócio-político no qual o grupo está inserido e as condições individuais do aluno, sempre que possível.

Consideramos que esta pesquisa trará como objetivo principal, contribuições para esclarecer e estimular os docentes para que trabalhem de forma prazerosa com compromisso, cientes de que tudo fazem para melhor preparar e obter um bom desempenho de suas funções transformando-se em indivíduos que integrantes da sociedade, proporcionando a formação e o desenvolvimento de sua cultura e por que não dizer da personalidade de seus alunos.

O mesmo teve como metodologia de trabalho a pesquisa bibliográfica, e que através da fundamentação teórico e a fala dos autores será possível detalhar de forma criteriosa em subitens o processo avaliativo e a sua finalidade perante o processo de ensino aprendizagem.

2. A Prática Avaliativa Escolar Enquanto Possibilidade de Mudanças na Perspectiva de Democratização da Aprendizagem

Observa-se que a avaliação tem um papel fundamental dentro da educação a partir do momento em que ela vem concebida como problematizadora, isto é, serve para que o professor reflita sobre a sua prática pedagógica em sala de aula, nos pontos básicos que deve melhorar para melhor ensinar.

A avaliação é um processo natural que acontece para que o professor tenha uma noção dos conteúdos assimilados pelos alunos, bem como saber se as metodologias de ensino adotadas por ele estão surtindo efeito na aprendizagem dos alunos. Há muito tempo atrás avaliar significava apenas aplicar provas, dar uma nota e classificar os alunos em aprovados e reprovados. Ainda hoje existem alguns professores que acreditam que avaliar consiste somente nesse processo. Contudo, essa visão aos poucos está sendo modificada.

Segundo Perrenoud (1999, p. 78), a avaliação da aprendizagem, no novo paradigma, é um processo mediador na construção do currículo e se encontra intimamente relacionada à gestão da aprendizagem dos alunos.

Neste sentido é importante que o professor avalie constantemente sua prática educacional a fim de que possa melhor colaborar num ensino eficiente e eficaz, sem correr o risco de repassar conceitos pré-moldados, como senhor absoluto da verdade.

Avaliar em uma perspectiva de construção do conhecimento não é tarefa fácil, pois requer de ambas as partes, tanto do professor que avalia, quanto do aluno que está sendo avaliado uma total adesão de construção do conhecimento. 

Os métodos de avaliação ocupam sem duvida espaço relevante no conjunto das práticas pedagógicas aplicadas ao processo de ensino e aprendizagem. Avaliar, neste contexto, não se resume à mecânica do conceito formal e estatístico; não é simplesmente atribuir notas, obrigatórias à decisão de avanço ou retenção em determinadas disciplinas.

Para Oliveira (2003, p. 98), devem representar as avaliações aqueles instrumentos imprescindíveis à verificação do aprendizado efetivamente realizado pelo aluno, ao mesmo tempo que forneçam subsídios ao trabalho docente, direcionando o esforço empreendido no processo de ensino e aprendizagem de forma a contemplar a melhor abordagem pedagógica e o mais pertinente método didático adequado à disciplina mas não somente, à medida que consideram, igualmente, o contexto sócio-político no qual o grupo está inserido e as condições individuais do aluno, sempre que possível.

Portanto faz-se necessário que o educador aja como sujeito atuante e responsável do seu próprio desenvolvimento intelectual, que busque sempre mais novos conhecimentos e seja autônomo, intelectual e moral na tomada das decisões, procurando analisar os erros e acertos. Nesta perspectiva ambos passam a ser elementos fundamentais, para que tanto o professor, quanto o aluno, descobrindo, a que ponto estão na construção do conhecimento busquem soluções necessárias ao bom desenvolvimento da aprendizagem.

Esta nova visão vem favorecer com que caia a ideia de que a avaliação é um momento terminal do processo avaliativo, como até hoje vem concebida por muitos professores e transformando-se em elemento de reflexão sobre a ação desenvolvida pelos educadores na sua prática educativa e assim possa compreender com maior eficiência as dificuldades dos educandos no momento da aprendizagem e buscar novas soluções no desempenho de suas aulas.

Por se tratar de avaliação o professor não poderá avaliar somente em função da orientação, deixando de lado suas preocupações, talvez, mais imediatos. Sem duvida atribuir uma nota a um aluno chega à ser uma sobrecarga sobre sua orientação também, a curto prazo, remete mensagens ao interessado (aluno) e a seus pais, mede seus conhecimentos, da um certo controle a sua conduta, dá coragem a seu trabalho.

Para Nérici (1977, p.54), a avaliação é uma etapa de um procedimento maior que incluiria uma verificação prévia. A avaliação, para este autor, é o processo de ajuizamento, apreciação, julgamento ou valorização do que o educando revelou ter aprendido durante um período de estudo ou de desenvolvimento do processo ensino/aprendizagem.

E um pouco mais, além disso, o professor deve comandar uma sala de aula e não poderá avaliar seus alunos de forma independente, mas dos outros. Haja vista que, para entender toda a problemática da avaliação no decorrer de um ano de orientação. Seria necessário considerar tudo o que envolve a avaliação.

Há uma ligação entre a avaliação da aprendizagem com relação a avaliação do próprio trabalho do professor. Quando este último avalia, o que o aluno aprende, ele avalia o que realmente ele conseguiu ensinar.

A avaliação é um processo que se desenvolve continuamente e sistematicamente. Que está inserida no processo ensino-aprendizagem. Ela não tem um fim em si mesma, mas é um meio, um recurso que não deve ser usado sem antes haver um planejamento, como também deve ocorrer ao longo de todo o processo educacional.

O trabalho de avaliação pedagógico realizado através da proposta de ciclos, ganha um direcionamento amplo e variado, pois possibilita o educador a percorrer pelas várias dimensões da área do conhecimento e não somente a um determinado assunto imposto no qual ele deverá se limitar em aprender sem se manifestar, criticando ou elogiando aquele conhecimento.

Segundo Bloom, Hastings e Madaus (1975, p. 34), a avaliação pode ser considerada como um método de adquirir e processar evidências necessárias para melhorar o ensino e a aprendizagem, incluindo uma grande variedade de evidências que vão além do exame usual de ‘papel e lápis’.

É ainda um auxílio para classificar os objetivos significativos e as metas educacionais, um processo para determinar em que medida os alunos estão se desenvolvendo dos modos desejados, um sistema de controle da qualidade, pelo qual pode ser determinada etapa por etapa do processo ensino/aprendizagem, a efetividade ou não do processo e, em caso negativo, que mudanças devem ser feitas para garantir sua efetividade.

Essa nova proposta de trabalho vai exigir da parte do professor um maior empenho em inovar o seu modo de pensar e agir, buscando novas estratégias e serem desenvolvidas no ensino, de formar a considerar as particularidades dos níveis de conhecimento dos alunos, para isso é importante que os professores sejam pessoas capazes de se engajar e acreditar na eficácia dessa nova proposta.

Com isso se vê a necessidade de uma prática avaliativa que leve em consideração o aluno como um todo e se preocupe com uma abordagem não só conteudista, mas formativa.

A forma como se avalia, segundo Luckesi (2002), é crucial para a concretização do projeto educacional. É ela que sinaliza aos alunos o que o professor e a escola valorizam.

Para que haja esse acompanhamento é fundamental que o professor conheça o seu aluno a ponto de compreender a sua forma de raciocinar. Percebe-se que é importante que o professor tenha uma sólida preparação pedagógica a fim de abordar os conteúdos adequados que atenda as necessidades dos alunos que permita conhecer de que forma a avaliação pode se tornar um meio de exclusão dos alunos, e assim realizar um trabalho eficaz. Para isso e importante que os professores invistam na sua formação a fim de que tenha maiores possibilidades de melhor encontrar respostas no ato de avaliar.

É importante que o professor participe no processo de mudança na condição de sujeito atuante, mas para isso ele precisa usar todas as estratégias possíveis para uma tomada de consciência do seu papel como educador e se capacitar, para trabalhar de forma diferenciada sem usar a avaliação como uma arma de punição contra os alunos que segundo o professor “não querem saber de nada”. Para que aja mudança é necessário que o professor esteja convencido de sua mudança.

É bom que o professor verifique os avanços e necessidades em cada área do conhecimento, frequência, envolvimento na execução de tarefas, produção individuais e em grupo, isto irá fazer com que o seu trabalho seja muito mais eficaz na aprendizagem do educando.

É importante considerar que um professor que se considera verdadeiro profissional, que sabe orientar as atividades da aprendizagem dos educandos, colaborando na construção do conhecimento encara a avaliação como uma forma de diagnosticar os avanços e dificuldades dos educadores para replanejar o seu trabalho docente.

A avaliação é a parte mais importante de todo o processo de ensino-aprendizagem. Bevenutti (2002, p. 66) diz que avaliar é mediar o processo ensino/aprendizagem, é oferecer recuperação imediata, é promover cada ser humano, é vibrar junto a cada aluno em seus lentos ou rápidos progressos.

Entendemos o conhecimento como algo construído na relação sujeito objeto, um projeto de avaliação cumprirá efetivamente o seu papel, se considerarmos, tanto o estagio de desenvolvimento em que um aluno se encontra em um dado momento, como também o processo através do qual ele está elaborando o seu conhecimento.

Assim compreendemos que avaliar não é uma tarefa fácil de ser executada, mas algo que precisa de um conhecimento técnico e metodológico, baseados em profundos estudos sobre algumas teorias. É preciso que a instituição escolar comece a investir um pouco mais na formação dos professores sobre o sentido da avaliação, mas faz-se necessário que cada profissional da educação busque a sua autoformação e na medida do possível coloque em pratica.

Porém, se as escolas tornassem-se um modelo de instituição, se dessem a importância a preocupação com os seres humanos, implicações para a sociedade seriam outras. Pois a forma de ver o aluno implicar em seus desenvolvimentos educacionais. Sobre tudo porque o educador deverá olhar o aluno por inteiro, em suas emoções e seu potencial. Deverá conduzir sua ótica para a observação das deficiências dos alunos sob outra lente.

Outra implicação da avaliação perpassa pela forma de aprender, que por sua vez também é diferente de um aluno para o outro. Desse modo, as técnicas de avaliação precisam ser variadas e não utilizadas apenas uma única forma como vemos na maioria das escolas. O professor deve ter a percepção e trabalhar de acordo com a necessidade de cada aluno. Dando oportunidade para que os talentos possam aflorar e aquilo que ainda não é conhecido possa ser descoberto.

É importante que o professor não somente espere que a escola lhe forneça as informações necessárias referentes a avaliação, como também procure através de leituras e seminários ampliar sempre mais o seu conhecimento sobre o assunto em questão.

O ato de avaliar é tão rotineiro na vida do homem como respirar. Ele está presente, de maneira natural, em todas as nossas atitudes, que envolvem componentes cognitivos, motores e afetivos. Estes últimos estão necessariamente ligados a juízos de valor, que são o resultado de avaliações.

 Neste sentido, Perrenoud (1993, p. 56) afirma que mudar a avaliação significa provavelmente mudar a escola. Automaticamente, mudar a prática da avaliação nos leva a alterar práticas habituais, criando inseguranças e angústias e este é um obstáculo que não pode ser negado pois envolverá toda a comunidade escolar.

Na realidade, a avaliação da aprendizagem é um processo que deve ser desenvolvida de forma contínua e personalizada, objetivando avaliar não apenas o processo de aprendizagem, mas também o de ensino, ganhando amplitude e totalidade.

3. Como o Professor Pode Avaliar

Entende-se que dentro dessa prática, analisar os processos avaliativos utilizados para aferir a aprendizagem, reforçando a criticidade do processo, se estes realmente possibilitam aos alunos a oportunidade de verificar suas lacunas de aprendizagem, favorecendo a aquisição do crescimento cognitivo necessário para o mundo do trabalho, para sua vida em sociedade, promovendo o desenvolvendo de suas capacidades individuais.

Refletindo sempre, no que impede a concretude dos instrumentos avaliativos e didáticos de contribuir significativamente com a aprendizagem de todos os envolvidos no processo ensino aprendizagem, rumo principal de nossas discussões e reflexões com a intenção de conduzir e iniciar uma organização das ações de maneira crítica e com conhecimento científico, buscando uma aprendizagem satisfatória não deixando de analisar e respeitar as individualidades.

Função somativa – Tem como objetivo, segundo Miras e Solé (1996, p. 378) determinar o grau de domínio do aluno em uma área de aprendizagem, o que permite outorgar uma qualificação que, por sua vez, pode ser utilizada como um sinal de credibilidade da aprendizagem realizada.

A avaliação diagnóstica pretende averiguar a posição do aluno face a novas aprendizagens que lhe vão ser propostas e a aprendizagens anteriores que servem de base àquelas, no sentido de obviar as dificuldades futuras e, em certos casos, de resolver situações presentes.

Frente a esta indagação compete aos profissionais da educação refletir sobre a prática educativa do educador a luz do conhecimento teórico articulando-o com a prática, entendendo e interpretando a sua atuação como profissional agente formador, transformador e aprendente, cheio de certezas e duvidas frente à diversidade cultural, social e cognitiva de seus alunos.

Será necessário, portanto, um trabalho de sensibilização e envolvimento dos alunos, principalmente quando objetivamos construir um novo significado para a avaliação. Resgatando as considerações de Souza (1997, p. 132),

A participação do aluno na avaliação é fundamental para sua integração no processo educacional, para o seu compromisso com a aprendizagem. É condição mesma para a transformação dos processos de avaliação e do uso que faz de seus resultados, visando construí-la como instrumento útil para o aprimoramento do ensino e apoio à aprendizagem.

Avaliação escolar tem provocado muitas reflexões na área pedagógica, tornando-se uma discussão intensa e interminável entre pedagogos e gestores educacionais, cada qual procurando enfatizar o que considera mais importante para os educandos. Situação atualmente vivida no sistema escolar, em termos de avaliação, ainda é problemática visto que educadores preparados para criticar própria prática pedagógica.

Como afirma Luckesi (2002, p. 125):

Coloca que todos nós, inclusive a sociedade temos que “estar interessados em que os educandos aprendam e se desenvolvam, individual e coletivamente” e que quanto menor for este interesse menor será a possibilidade de que os educandos venham a ser cidadãos dignos do amanhã, com a capacidade de compreensão critica do mundo, condição de participação e capacidade de reivindicações dos bens materiais, culturais e espirituais, aos quais tem direito inalienável.

Dessa forma, destaca-se a importância do envolvimento do aluno para modificar o papel tradicionalmente ocupado pela avaliação da aprendizagem. Dito de outra forma, mudar as práticas avaliativas implica em modificar o papel do aluno, transformando-o em interlocutor no seu processo de aprendizagem, na sua relação com o professor e nas definições acerca da avaliação e da escola.

Como diz Barriga (1982, p. 79) quando afirma que:

A aprendizagem não é algo acabado, mas um processo constante de organização, construção e reconstrução de conhecimentos. Dessa forma, de acordo com a concepção de aprendizagem apresentada por alguns autores, poderíamos definir que aprender não significa acumular conhecimentos já elaborados, mas significa saber descobri-los, inventá-los e reinventá-los.

Assim, nessa dinâmica de transformação das “mentalidades”, das concepções e das posturas dos professores, dos alunos e dos pais, a avaliação vai deixando de ser “a grande vilã da escola brasileira para ser pensada como uma grande janela pela qual se entra para alterar as ações e relações escolares, ou seja, o projeto pedagógico” (ANDRÉ; PASSOS, 1997, p. 115).

Nessa perspectiva como assegura Vasconcellos (2005, p. 67):

Coloca que não podemos cair no erro de considerar que a escola é a única responsável pela organização social, na verdade a escola apenas reforça a realidade existente, ela ajuda no processo de discriminação social. A avaliação nesse sentido passou a ser um processo de seleção principalmente com a reprovação. O papel de transformar e diminuir esta postura autoritária e excludente é de todos enquanto sociedade e escola.

Por se tratar de avaliação o professor não poderá avaliar somente em função da orientação, deixando de lado suas preocupações, talvez, mais imediatos. Sem duvida atribuir uma nota a um aluno chega à ser uma sobrecarga sobre sua orientação também, a curto prazo, remete mensagens ao interessado (aluno) e a seus pais, mede seus conhecimentos, da um certo controle a sua conduta, dá coragem a seu trabalho.

Neste termo avaliar requer uma preparação técnica e um envolvimento metodológico para que os professores não tornem-se meros receptores e reprodutores de teorias. Considerando estas nuances, surge a questão que necessita de nossa maior atenção.

Como confirma Perrenoud (1998, p. 54):

Ao tomar conhecimento de que sua avaliação será para orientar, o professor tomará a precaução referente a interpretação injustificados e posteriormente poderá ajustar sua avaliação dando chance a um aluno que lhe dá a impressão de ter mais valor do que seus resultados, ou extermina suas ilusões, avaliando com bastante rigidez um aluno peralta.

A avaliação tem um papel fundamental dentro da educação a partir do momento em que ela vem concebida como problematizadora, isto é, serve para que o professor reflita sobre a sua pratica pedagógica em sala de aula, nos pontos básicos que deve melhorar para melhor ensinar.

A forma como fazemos a avaliação do processo educacional determina e espelha a concepção educacional que subjaz à nossa prática. Mais do que isso, entendo a avaliação como um fator central e determinante do processo de aprendizagem. 

Ainda Hoffmann (2000, p.26) nos diz que:

A avaliação se torna uma atuação problemática na medida em que permanece apenas nos discursos e o professor fica sem saber como fazer para colocá-la em prática, haja vista que muito embora vários professores critiquem as várias formas avaliativas, continuam aplicando no seu cotidiano e colocando a culpa no sistema, citando: Compreender e reproduzir a avaliação numa perspectiva construtivista e libertadora exige, no meu entender, uma ação consensual nas escolas e universidades no sentido de revisão do significado político das exigências burocráticas dos sistemas Municipais, Estaduais e Federais de educação.

A autora enfatiza a importância de uma revisão nas tomadas de decisões do sistema, é óbvio que é preciso que o educador mude os seus conceitos preconcebidos sobre a avaliação, na sua forma de avaliar seus alunos, mas é fundamental que essa mudança ocorra de forma global, que o sistema também contribua nessa transformação.

4. Conclusão

Conclui-se então que realizar uma análise de como avaliar e uma vez realizada o que fazer como retomar e utilizar os resultados para aprimorar os conhecimentos são indagações e reflexões que vem se fazendo desde a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Mesmo com todos os esforços centrados na avaliação sem desconectá-la, dos demais processos educativos não se consegue, sanar as dificuldades que os professores encontram dentro da sala de aula, em utilizar a avaliação para a melhoria da qualidade de ensino.

Seja pontual ou contínua, a avaliação só faz sentido quando leva ao desenvolvimento do educando", afirma Luckesi (2002). Ou seja, só se deve avaliar aquilo que foi ensinado. Não adianta exigir que um grupo não orientado sobre a apresentação de seminários se saia bem nesse modelo. E é inviável exigir que a garotada realize uma pesquisa (na biblioteca ou na internet) se você não mostrar como fazer. Da mesma forma, ao escolher o circo como tema, é preciso encontrar formas eficazes de abordá-lo se não houver trupes na cidade e as crianças nunca tiverem visto um espetáculo circense.

Ao avaliar, o professor não deve, pura e simplesmente, classificar o aluno dentro de padrões predeterminados e dar o veredicto final, sem antes refletir e ter a certeza de que todas as possibilidades foram esgotadas no sentido de conduzir o educando ao aprendizado.

Entendendo que a avaliação, mesmo tendo sofrido uma série de transformações e interpretações, ainda necessita de uma análise crítica dentro de um processo educativo, essa prática pedagógica tão utilizada e por vezes sem sentido, tratada como ponto final pelo professor e não como ponto de partida para retomar das práticas educativas, levaram a buscarem a pesquisa respostas e informações que pudessem subsidiar o ato de avaliar.

Referências:

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