A Compreensão Empática como Agente Facilitador no Processo de Aprendizagem

A Compreensão Empática como Agente Facilitador no Processo de Aprendizagem
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Resumo: O presente artigo busca refletir sobre a importância da Compreensão Empática ou empatia, na relação entre professor e aluno, a nosso ver, de extrema importância em todo o processo de ensino e aprendizagem. Tem por objetivo analisar o papel da empatia, enquanto instrumento de facilitação da aprendizagem, na valorização desta relação, visto favorecer a vinculação afetiva, aumentando a sensação de segurança e a motivação para o conhecimento. A fundamentação teórica principal parte das concepções da Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers, suscitada dentro da psicologia clínica, mas ampliada também para a esfera educacional. Foram consideradas também as contribuições de autores como Gobbi (2002), Gusmão (1999), Bacellar (2010), Pretto (1978), dentre outros, afinados com a mesma perspectiva de Rogers, que enfatizaram ser por meio da comunicação empática que o professor age como um facilitador para o aprendizado e a mudança do aluno. Conclui-se, portanto, que a empatia tem a capacidade de melhorar, além de tornar o processo muito mais humano, os resultados das intervenções relacionadas às dificuldades ou aquisição de aprendizagem.

Palavras-chave: Empatia, Aprendizagem, Professor, Aluno.

1. Introdução

O presente trabalho tem como objetivo dissertar sobre o papel da Compreensão Empática ou empatia, uma das atitudes facilitadoras citadas por Carl Rogers como essencial no processo de mudança terapêutica da personalidade, como agente facilitador também do processo de ensino-aprendizagem.

Baseado nesta premissa, levantou-se a seguinte questão: De que forma a Compreensão Empática, partindo do professor em relação ao aluno, interfere no processo de ensino-aprendizagem?

O vínculo terapêutico sempre foi objeto de discussão das mais variadas abordagens psicológicas por se tratar de um meio de extrema importância para o desenvolvimento do processo com o cliente. Uma vez que cada cliente, segundo a sua subjetividade, estabelece uma relação única com o terapeuta, torna-se improvável prever o período necessário para que tal ligação aconteça.

Para Rogers (1982) a relação professor/aluno é uma variável fundamental para o processo de aprendizagem em educação, assim como o relacionamento terapeuta/cliente o é para a aprendizagem em terapia.

Gobbi (2002) também assinala que o único indivíduo que se educa é aquele que aprendeu a aprender e que as qualidades necessárias para facilitar a aprendizagem seriam as mesmas utilizadas no processo psicoterápico, ou seja, autenticidade, compreensão empática e aceitação incondicional.

Segundo este autor:

Se os professores aceitam os alunos como eles são, permitem que expressem seus sentimentos e atitudes livremente sem condenação ou julgamentos, planejam atividades de aprendizagem com eles e não para eles, criam uma atmosfera de sala de aula relativamente livre de tensões e pressões emocionais, as consequências que se seguem são diferentes daquelas observadas em situações onde essas condições não existem. (GOBBI, 2002, p. 29)

Sendo assim, nesta perspectiva, não existe a figura detentora do saber do ensinante (professor) e a passiva do aprendente (aluno). Ambos, simultaneamente, são co-responsáveis pela facilitação da aprendizagem (GOBBI, p. 28).

Baseado nestas premissas, o objetivo principal deste artigo é investigar de que forma a Compreensão Empática, segundo a visão da ACP (Abordagem Centrada na Pessoa), pode facilitar o processo de aprendizagem. Para isto tornou-se necessário uma breve descrição sobre a aprendizagem no olhar da ACP.

Para obtenção deste fim utilizou-se a pesquisa bibliográfica como recurso metodológico, realizada a partir da análise de várias literaturas já publicadas e artigos científicos disponíveis no ambiente virtual.

2. Desenvolvimento

Carl Rogers, o principal expoente da Abordagem Centrada na Pessoa, deixou um vasto estudo sobre a aprendizagem humana e sua promoção. Seu trabalho como psicólogo e pesquisador foi sempre dedicado à compreensão dos processos terapêuticos e, durante estas pesquisas, descobriu que as condições essenciais para um vínculo terapêutico bem sucedido podem contribuir também, e muito, para a aprendizagem humana em outros contextos, inclusive na educação. De acordo com Bacellar (2010

corroborando com as afirmações acima, destaca que de todos os pressupostos de Rogers em relação à aprendizagem humana, a mais importante, do seu ponto de vista, é o fato da “terapia ser uma aprendizagem e que todos, sem exceção, têm potencial para a aprendizagem e transformação pessoal (p. 103)”.

Rogers (1975, p. 4) define duas espécies tipos de aprendizagem: uma não- significativa, cujos conteúdos são destituídos de significado para o aluno, e uma significativa, também denominada de experiencial, auto-iniciada, cuja influência significativa sobre o comportamento, dá origem a alunos autoconfiantes e criativos.

Utilizando-se a metodologia da não-diretividade, ou seja, o professor não interfere diretamente no campo cognitivo e afetivo do aluno, a teoria de Rogers implica num modelo de educação onde o aluno tenha liberdade e responsabilidade na escolha de caminhos que possam auxiliar a construção do conhecimento e que este só se concretiza quando o aluno é um agente ativo e o professor um facilitador nesse processo (Bacellar apud Peters, 2010, p.105). Dentro desse contexto, o aluno torna-se o centro da sala de aula, podendo nomear conteúdos que considera relevante para sua vida mantendo, a partir daí, uma relação interpessoal com o facilitador que por sua vez deve ser autêntico e confiar na potencialidade de cada aluno possibilitando liberdade de expressão sem nenhum preconceito ou aversão.

Segundo Gobbi,

O que Rogers propõe é um modelo de aprendizagem que contrapõe um método autoritário, tradicional, centrado no conteúdo e na figura do professor; e um método democrático, participativo, envolvente, engajado, centrado nas necessidades do próprio aluno. A este novo método, Rogers dá o nome de Ensino Centrado no Aluno (GOBBI, 2002, p. 27)

Para Rogers e Rosenberg (apud Ferreira, 2002), para que exista aprendizagem significativa as seguintes condições se fazem necessárias:

  1. Confiança na capacidade dos outros de aprender por si mesmo. Esta é uma pré-condição para toda a aprendizagem centrada na pessoa. O mestre, ou aquele que detém a autoridade tem que ter suficiente confiança em si mesmo e na relação com os outros e acreditar que estes possam pensar e aprender por si mesmos.
  2. O professor-facilitador partilha com os estudantes a responsabilidade pelo processo de aprendizagem. Há uma espécie de contrato entre alunos e professor, em que se planeja o currículo, a forma de operá-lo e estabelecer a prática do ensino. Assim, a classe é responsável pelo currículo e o grupo maior pelas normas gerais. Mas tudo é compartilhado.
  3. O professor-facilitador provê os recursos da aprendizagem: livros, materiais didáticos ou experiência da comunidade. O professor não interfere na aprendizagem, ele proporciona os recursos, mas os alunos terão que buscá-los por si mesmos.
  4. O estudante escolhe o seu próprio programa de estudos. Ele faz a opção da direção de sua aprendizagem, segue-a de acordo com seu próprio ritmo e assume a responsabilidade e a consequência desta escolha.
  5. É oferecido um clima facilitador de aprendizagem. Tanto no contato com o professor, como em reuniões com os colegas, desenvolve-se um clima em que o aprender com os outros é tão importante como aprender com os livros, filmes ou experiências do ambiente.
  6. O foco da aprendizagem não está no conteúdo, mas em favorecer um processo contínuo de aprendizagem. Para Rogers, não importa ter o conhecimento como resultado, mas “o progresso significante na aprendizagem de como aprender aquilo que se quer saber”.
  7. A disciplina é responsabilidade do aluno. Não é mais o professor que, como autoridade, impõe a disciplina, mas ela é aceita conscientemente pelo aluno. É a autodisciplina.
  8. A avaliação é feita pelo próprio aprendiz. É a auto-avaliação, que no máximo pode ser auxiliada por membros do grupo ou pelo facilitador.
  9. Este tipo de aprendizagem, por ser auto-escolhida e auto-iniciada, tende a ser mais profunda e mais abrangente na vida e no comportamento do estudante. (ROGERS E ROSENBERG, apud FERREIRA, 2002, p. 152 e 153)

Em educação, Rogers com sua postura humanista, considera o aluno como um todo, cuja natureza se expressa em relação aos outros. É também um ser consciente, com capacidade de opção, isto é, tem liberdade para escolher e, ao mesmo tempo, é um ser com intencionalidade, o que significa que suas ações se dirigem a um propósito. Sua teoria valoriza mais o significado que os procedimentos metodológicos. Sabe que todo o conhecimento é sujeito à mudança e, por isso, o que importa é a experiência do aluno, responsável por toda a aprendizagem. Santos (2005), no quadro abaixo, resume os elementos relevantes sobre a aplicação da Abordagem Centrada na Pessoa na aprendizagem:

ELEMENTOS RELEVANTES NA ABORDAGEM HUMANISTA

A Escola

Escola proclamada para todos. “Democrática”. Afrouxamento das normas disciplinares. Deve oferecer condições ao desenvolvimento e autonomia do aluno.

O Aluno

Um ser “ativo”. Centro do processo de ensino e aprendizagem. Aluno criativo, que “aprendeu a aprender”. Aluno participativo

O Professor

É o FACILITADOR da aprendizagem

Ensino e Aprendizagem

Os objetos educacionais obedecem ao desenvolvimento psicológico do aluno. Os conteúdos programáticos são selecionados a partir dos interesses dos alunos. “Não- diretividade”. A avaliação valoriza aspectos afetivos (atitudes) com ênfase na auto-avaliação.

Fonte: SANTOS, R. V. Revista Integração, Jan/Fev/Mai. 2005, Ano XI, nº 40, p. 19-31.

Rogers (1975) descreve que o papel fundamental do facilitador é se esforçar para disponibilizar aos alunos todos os recursos possíveis para a aprendizagem. Além de considerar a si mesmo como recurso, o facilitador põe seu saber à disposição (não impõe) do aluno, sendo capaz de ser autêntico exprimindo suas opiniões e sentimentos pessoais tornando-se um membro do grupo. O facilitador deve criar um clima de confiança e aceitação em sala de aula e, neste sentido, permitir liberdade para a expressão de idéias, pois acredita que, ao ser livre, o aprendiz se torna curioso, passa a buscar objetivos próprios tornando a aprendizagem uma experiência prazerosa e não uma mera acumulação de informações.

Para Ferreira (2003, p.153) o princípio central da Teoria Rogeriana situa-se no seguinte pressuposto: “Não se pode ensinar diretamente a alguém, o que se pode é facilitar a aprendizagem.” Logo após a autora enumera sete princípios da aprendizagem segundo a Abordagem Centrada no Aluno.

  1. Todos os indivíduos têm potencialidades para aprender. Todos têm curiosidade natural para aprender. Se houver ambiente favorável, aprenderão. Segundo Rogers, todos querem estudar, desejam crescer, querem descobrir e anseiam em criar. O professor deve favorecer tais tendências naturais.
  2. A aprendizagem é significativa quando o aluno percebe a importância do que estuda. Será significativo para o aluno tudo que ele perceber como importante e que estiver ligado ao crescimento e valorização de sua pessoa.
  3. A aprendizagem é sempre uma mudança na percepção do sujeito – por isso tende a provocar resistências. Tudo o que é novo pode ser vivenciado como ameaçador e, por isso, ocasiona resistência.
  4. A maior parte da aprendizagem significativa é adquirida na prática. Com nossos pais aprendemos como educar nossos filhos, porque o que eles nos ensinaram foi realizado na prática e foi significativo. Rogers afirma que o estudante deve ter contato direto com problemas de todo o tipo: literários, sociais e filosóficos. Só dessa maneira irá aprender.
  5. Quando o aluno participa do processo, a aprendizagem é facilitada. Aprenderá melhor quando buscar o conhecimento de acordo com seus interesses e do seu ritmo pessoal.
  6. A avaliação não será feita pelo professor. Um clima em que impera a criatividade, a autoconfiança e a autocrítica leva a uma possibilidade de auto-avaliação. Esta será justa, porque o clima de liberdade o permite.
  7. O professor não ensina, mas facilita a aprendizagem do aluno. Este princípio é uma repetição do princípio central (FERREIRA, 2001, p. 154)

Mizukami (1986) assim se refere em relação aos atributos do professor:

As qualidades do professor (facilitador) podem ser sintetizadas em autenticidade, compreensão empática – compreensão da conduta do outro a partir do referencial desse outro – e o apreço (aceitação e confiança em relação ao aluno) (MIZUKAMI, 1986, p. 53).

Carl Rogers tinha uma visão positiva da natureza humana, considerando que as pessoas possuíam capacidades para se atualizarem e desenvolverem a si próprios. A empatia, em conjunto com a autenticidade e a consideração positiva, quando experimentados pelo indivíduo, promoveria a atualização, ou seja, o desenvolvimento da personalidade. A empatia é, pois, considerada por Rogers como um dos fatores mais importante (SANTOS, 2011).

Rogers evidencia esta importância na seguinte expressão: “Atribuo um enorme valor ao fato de poder permitir-me a mim mesmo compreender empaticamente um outra pessoa” (Rogers, 1982, p. 30). Ele a considera essencial e significativa para o estabelecimento de relações harmoniosas entre as pessoas, não se tratando somente da aceitação da pessoa tal como ela é, mas também da sua afetividade.

Ainda em relação à Compreensão Empática, Rogers (1975) a caracteriza como sendo

Aceitação de um outro indivíduo, como pessoa separada, cujo valor próprio é um direito. É uma confiança básica - convicção de que a outra pessoa é merecedora de crédito. Apreço pelo aprendiz como ser humano imperfeito, dotado de sentimentos e potencialidades (ROGERS, 1975, p. 115).

Para Gusmão (1999) a empatia denota que o terapeuta é apto de penetrar no mundo fenomenológico do cliente, com sensibilidade, captando os significados subjetivos do mesmo, ou seja, significa ter uma visão do mundo do outro, dos seus sentimentos e opiniões, como se utilizasse o seu ponto de vista.

A mesma Gusmão (1999) assemelha a empatia a um momento de encanto entre pessoas, onde uma destas partes, o cliente, se sente aceito e compreendido na sua totalidade. A outra parte, o terapeuta, consegue sintonizar com seu interior, apreendendo a sua subjetividade, no que ela tem de mais íntimo, acatando-a sem julgamentos ou condições. A autora, entretanto, alerta para algo essencial quando diz que “para que este momento flua, é necessário que terapeuta e cliente sejam, simultaneamente, canal e receptor” (GUSMÃO, 1999, p. 81).

Brunner (1994, p. 93) define a empatia como um ”transportar-se para dentro dos sentimentos de outra pessoa. A este processo pertence a disposição de ouvir e sintonizar-se com a particular realidade do outro.”

Ferreira (2003), ao dissertar sobre o papel da empatia na educação, afirma:

Para que a aprendizagem inicie no individuo, é preciso que o professor compreenda como o aluno é. E, para isto, deve situar-se na posição do outro, ver pelos olhos do outro, sentir com os seus sentimentos, enfim, compreendê-los. Para estabelecer compreensão empática, o mestre não avalia, não julga, simplesmente compreende o ponto de vista do outro, pondo no seu lugar (FERREIRA, 2003, p. 157).

De acordo com Pretto (1978), a Compreensão Empática se resume no seguinte:

O professor deve ser mais receptivo do que intrusivo, condicionador, acadêmico ou reforçador. Deve ser capaz de aceitar seus alunos, auxiliá-los e aprender que tipo de pessoa cada um é. Acima de tudo, deve propiciar ao aluno a busca do seu crescimento e a sua auto-realização. Para tanto deve permitir a auto-expressão do aluno, a ação espontânea, a experiência e os erros (PRETTO, 1978, p. 22).

Em Liberdade para Aprender (1975), Rogers relata várias experiências que evidenciam os benefícios da Compreensão Empática do ponto de vista de professores que, orientando seus trabalhos para as qualidades dos alunos, obtiveram maior sucesso do que quando os orientaram para corrigir seus defeitos.

Feitosa (1976) realizou um estudo com o propósito de verificar até que ponto as atitudes de empatia e autenticidade manifestadas pelo professor no ambiente da sala de aula interferem no desempenho cognitivo do aluno. Foram separados dois grupos de alunos (um grupo experimental e um de controle) e o mesmo professor ofereceu tratamento diferente para cada grupo. Para o grupo experimental o professor procurou ser percebido como empático e autêntico. Para o grupo de controle o professor não manifestou essas atitudes. O estudo não apontou diferenças significativas entre o grupo experimental e o de controle, no desempenho cognitivo do aluno. Entretanto, mostrou que as tensões dos alunos do grupo experimental tenderam sensivelmente a desaparecer.

Gusmão (1999, p. 127 a 138), ao comentar sobre a aplicação da Compreensão Empática, entre outras atitudes, em uma das disciplinas que lecionava, relata uma série de experiências manifestas pelos seus alunos. Ao ler cada uma delas percebe-se que o fato de sentirem-se compreendidos gerou, em cada um deles, um relaxamento dos rígidos padrões que estruturam o eu, dando lugar a uma nova gestalt, menos rígida e mais fluida, tornando-os mais autônomos.

Por fim, Gonçalves (2008), descreve sua percepção frente os resultados de uma entrevista realizada com um grupo de alunos, relacionada à aplicação de atitudes empáticas por parte dos professores durante suas aulas:

As respostas desses alunos demonstram que eles estão reivindicando seu direito de serem respeitados em suas diferenças, dificuldades e inseguranças diante das situações de aprendizagem (GONÇALVES, 2008, p. 215)

Por efeito dos pressupostos apresentados verifica-se que o professor, como um facilitador da aprendizagem, ao procurar compreender, numa relação empática, os sentimentos e os problemas de seus alunos, desperta, nestes, uma tendência a tornarem-se mais conscientes de seus próprios sentimentos, a serem mais criativos, autônomos e abertos nos seus relacionamentos. Em outras palavras o aluno torna- se, cada vez mais, o seu próprio centro de referências.

Concordo com Gusmão (1999) quando diz:

A relação empática é, para finalizar, uma relação amorosa. O compromisso com o outro é, num primeiro momento, um ato de amor e de compromisso consigo mesmo, que só se completa quando transcende este primeiro momento e se dirige para alguém – tornando-o especial (GUSMÃO, 1999, p. 92)

3. Conclusão

Diante do exposto, conclui-se que para Rogers não se pode ensinar diretamente às pessoas, mas tão somente facilitar esta aprendizagem compartilhando a responsabilidade com os alunos que devem, sempre, ser considerados em sua globalidade.

Este facilitador, identificado na pessoa do professor, torna-se então o responsável por elencar um processo auto-dirigido que irá favorecer o desenvolvimento integral dos alunos. Ele não é o detentor do saber do grupo, ao contrário, é um igual.

Este clima facilitador então é criado a partir da introdução de atitudes que promovam a relação entre professor e aluno, especialmente a Compreensão Empática. Esta atitude, além de ocupar um lugar fundamental na psicoterapia de Carl Rogers, ultrapassou os limites da clínica e, na educação, visa que o professor capte os sentimentos e significados pessoais que o aluno está vivendo. Cabe aqui ressaltar que a atitude de Compreensão Empática não pode ser dissociada das outras duas, ou seja, a Consideração Positiva Incondicional e a Congruência do facilitador de ensino. Elas se completam!

Por fim, quando o aluno sente-se totalmente acolhido, compreendido e percebe-se como centro do processo de aprendizagem, existe uma tendência muito grande de autorrealização e de autonomia tornando-se, como diria Rogers, ele mesmo.

Sobre o Autor:

Cleber Gomes de Oliveira - Psicólogo (CRP 04/40063), pós-graduando em Psicopedagogia Clínica e Institucional.

Referências:

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