A Contribuição da Dinâmica de Grupo para a Aprendizagem de Alunos de 8 a 10 Anos

(Tempo de leitura: 4 - 8 minutos)

Resumo: É fato que a dinâmica de grupo vem para contribuir com o aprendizado da criança. Entre vários objetivos a dinâmica desperta a curiosidade e o interesse pelo aprendizado, pois sabemos que toda criança gosta de brincar. Nossa pesquisa foi realizada em uma Escola Municipal Prof. José Mário Faleiros, nosso método de pesquisa foi de observação e a aplicação de questionário, onde foram alcançados resultados satisfatórios comprovando mais uma vez que as dinâmicas bem utilizadas podem ajudar na didática, na socialização e na moral da criança, pois ela passa a “enxergar” a vida de uma forma mais altruísta e menos egocêntrica.

Palavra-chave: Aprendizado, Prazer. Didática, Ensino, Relações sociais.

1. Introdução

Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na autorreflexão” (FREIRE, 2005, p.90).

A infância é um período particularmente importante para a construção subjetiva do indivíduo. É durante este período que diversas decisões fundamentais são tomadas, no que diz respeito ao adulto que virá a ser, bem como à maneira de se posicionar diante da vida e de si mesmo.

É em sala de aula, com seus pares de idade, que a criança passa a maior parte de seu dia, onde, dialogicamente, consegue organizar (e reorganizar) seus próprios conceitos e elaborar muitos novos, num processo de constante doação de si, de sua verdade, havendo sempre o ganho de uma nova verdade que lhe é doada por outrem.

A criança, durante seu constante processo de elaboração e estruturação subjetiva, vale-se de uma importante e criativa ferramenta: a brincadeira. De acordo com Vygotsky (1991 apud CORDAZZO; VIEIRA, 2007) é na brincadeira que a criança satisfaz aos seus desejos de realização impossível, havendo, ainda, a importância do brincar para o desenvolvimento da cognição da criança, “pois os processos de simbolização e de representação a levam ao pensamento abstrato” (p.92).

O estímulo dos alunos para a compreensão e o aprendizado em um ambiente favorável, onde ele pode explorar, criar e interagir através de algumas técnicas acarreta um estruturação mais sólida em seu desenvolvimento.

...o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros. Uma vez internalizados esses processos torna-se parte das aquisições do desenvolvimento independente das crianças... (VYGOTSKY apud OLIVEIRA e STOLZ, 2010).

Piaget foi um dos grandes teóricos do processo cognitivo e nosso sistema de ensino esta baseada em seus estudos. Sua proposta pioneira buscou compreender o desenvolvimento cognitivo através de uma linha evolutiva. Ele propunha diversos níveis de desenvolvimento cognitivo a partir dos quais seria possível compreender e prever os padrões de pensamento e de comportamento da criança e do adolescente de acordo com sua faixa etária. É fundamental saber que o desenvolvimento cognitivo para Piaget, esta diretamente relacionada ao desenvolvimento biológico. Podemos dar como exemplo a “mão”, de acordo com sua formação a criança passa a explorar o mundo de uma maneira diferente onde, ela passa a pegar objeto, primeiramente grande, e depois objetos pequenos (função pinça dos dedos), isso possibilidade a descoberta e o entendimento dos mesmos.

As crianças que fizeram parte do projeto estão, de acordo com PAPALIA (2010), no estágio/nível Operacional Concreto.

Pensam logicamente porque são menos egocêntricos do que antes (até os 6 anos), e podem levar em conta os vários aspectos de uma situação. Contudo,  sua maneira de pensar é ainda limitada a situações reais no aqui-e-agora" (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2010, p.324).

Assim, são crianças mais sociáveis, construtivas e criativas despertas as novas curiosidades, pois já estão apitas a reconhecê-las.

2. O Estudo

Esse estudo se baseia em uma pesquisa acadêmica de caráter quantitativo, fruto de um estagio voluntário, para a integração da disciplina “Laboratório de Integração Teórico-Prática I”, objetivando que levasse uma pequena contribuição para a instituição. Também possibilitou que ampliasse o nosso conhecimento para trabalhar dentro do âmbito escolar, auxiliando na nossa experiência acadêmica.

3. Métodos Utilizados

3.1 Intervenção e Observação em Sala de Aula

Para melhor elucidação da proposta e preparo de campo para a realização da pesquisa, foram realizados encontros periódicos com 27 anos de ambos os sexos, de duas turmas do 4º ano do ensino fundamental I de uma escola da rede pública da cidade de Franca – SP.

De acordo com Cordazzo e Vieira (2007) “brincar indica uma atividade lúdica não estruturada e jogar, atividade que envolve os jogos de regras propriamente ditos” (p.91), portanto, foram realizados diversos jogos embasados no conteúdo das aulas expositivas realizadas pelas professoras. Língua portuguesa e matemática foram as temáticas dos encontros.

Partindo da perspectiva de Paulo Freire (2005) de que a educação deve ser enraizada no diálogo, fazendo desta uma sincera confissão do amor pelo Eu e pelo humano, pois “sendo fundamento do diálogo, o amor é, também, diálogo” (p.92), buscou-se observar, além da possível contribuição para a aprendizagem, de que maneira as atividades propostas poderiam ajudar aos alunos a estabelecer e fortalecer vínculos entre si.

3.2 Entrevistas

Em 16 de maio de 2014 foi aplicado um questionário de 6 questões que objetivou levar os alunos a refletir sobre os efeitos das atividades em sua vida social e subjetividade.

4. Resultados

Nossa análise mostra uma melhora significativa nos processos de aprendizado e na socialização da criança como indivíduo.

A grande maioria 96% das crianças responderam que as dinâmicas ajudam de forma positiva o aprendizado e 92,5% disseram que foram capazes de superar a timidez, essa ultima sendo uma característica importante ao longo da vida, uma pessoa mais tímida tem maiores dificuldades em conseguir um emprego, aprender na escola, etc.

Vale lembrar que 99% das crianças participaram de todas as atividades, e 88,8% conseguiram novas amizades por conta das dinâmicas e o mais importante 100% das crianças aprenderam algo para a vida, uma nova ética e moral aprendida de uma forma divertida.

5. Conclusão

Embora o presente estudo tenha objetivado averiguar a aprendizagem dos alunos, bem como a sua interação entre si, compreendeu-se, ao longo dos encontros que grande era a importância dos pesquisadores para os mesmos, bem como, de acordo com o discurso destes, grande era o agrado que esta extensão da aula regular lhes proporcionava. É de fundamental importância demonstrar o caráter do projeto como socializador, pois as crianças além de aprender conseguiram criar vínculos fortes entre elas. Assim sendo, aparenta ser da maior plausibilidade encerrar este relato com uma citação de uma obra que fora objeto de apreciação e análise em um dos encontros:

“- O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, para não se esquecer.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante” (SAINT-EXUPERY, 2010, p.70).

Sobre os Autores:

Adilson Oliveira Silva - Aluno do Curso de Psicologia da Universidade de Franca, Cursando o 4° Semestre da disciplina Laboratório e Pesquisa II.

Douglas Marcel da Silva Buzoni - Aluno do Curso de Psicologia da Universidade de Franca, Cursando o 4° Semestre da disciplina Laboratório e Pesquisa II.

Gustavo de Oliveira Sampaio - Aluno do Curso de Psicologia da Universidade de Franca, Cursando o 4° Semestre da disciplina Laboratório e Pesquisa II.

Jéssica Tayne Carvalho de Faria - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca, Cursando o 4° Semestre da disciplina Laboratório e Pesquisa II.

Lauana Cristina - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca, Cursando o 4° Semestre da disciplina Laboratório e Pesquisa II.

Leticia Oliveira Silva - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca, Cursando o 4° Semestre da disciplina Laboratório e Pesquisa II.

Luana Martins - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca, Cursando o 4° Semestre da disciplina Laboratório e Pesquisa II.

Nayara Cristina da Silva Miranda - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca, Cursando o 4° Semestre da disciplina Laboratório e Pesquisa II.

Ana Paula Barbosa - Professora Orientadora do Projeto, Docente do Curso de Psicologia da Universidade de Franca, Especialista em Didática, mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos, Doutora em Serviço Social pela UNESP de Franca.

Referências:

CORDAZZO, Scheila Tatiana Duarte; VIEIRA, Mauro Luís. A brincadeira e suas implicações nos processos de aprendizagem e de desenvolvimento. In: Estudos e pesquisas em psicologia. Nº 1. Rio de Janeiro: UERJ, 2007, pp 89-101.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 42 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

EXUPÉRY-SAINT, Antonie de. O pequeno príncipe. Rio de Janeiro: PocketOuro, 2010, p.70.

VYGOTSKY, L.S. et al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1998. 

PAPALIA, Diane; OLDS, Sally Wendkos; FELDMAN, Ruth Duskin. Desenvolvimento Humano, 10ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.