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Resumo: Este artigo nos remete a um maior entendimento sobre as altas habilidades/Superdotação, sobre o papel da família e, principalmente, a importância da escola no desenvolvimento desses talentos. Foram feitas pesquisas sobre o tema, com a finalidade de um melhor esclarecimento e também como informativo.
Palavras-chave
: Altas Habilidades/Superdotação; Escola; Família; Estimulação.

Introdução

O presente artigo tem como objetivo geral fornecer informações sobre as altas habilidades, sobre o papel da família na relação com o filho superdotado e tem como objetivo específico, mostrar a importância da escola neste contexto. Propõe que uma educação inclusiva e estimuladora para crianças superdotadas, com profissionais da educação especializados na identificação de alunos com necessidades educacionais especiais, proporciona a eles um ambiente estimulador, com atividades específicas que incentivam e desenvolvem cada vez mais suas habilidades. Tem como objetivo também proporcionar à família um melhor entendimento sobre a superdotação, de forma que eles possam ajudar o filho no seu desenvolvimento sócio-cultural.

Família e Superdotação

Quando se fala em superdotação, logo se pensa em pessoas de QI alto. Este é um dos mitos mais comuns sobre as altas habilidades. Normalmente os superdotados que, segundo a OMS, são 5% da população, apresentam facilidades e talentos para determinadas áreas. Isso não significa que a pessoa tem um QI alto. As crianças com altas habilidades artísticas, as quais podem ser música, desenhos, danças, esportes, entre outros, não necessariamente vão ter um desenvolvimento intelectual elevado.

Há autores que dizem que a genética é responsável por grande parte do potencial das habilidades cognitivas gerais (Freeman & Guenther, 2000; Simonton, 2002). No entanto, o ambiente tem o papel de instigar as habilidades particulares inatas a encontrarem caminhos de realização (Bronfenbrenner, 1994). Se isso não acontecer, o talento pode adormecer até encontrar um momento oportuno para se desenvolver.

Segundo Cinthia Rodriguez da nova escola, a superdotação pode ter razões genéticas ou ter sido moldada pelo ambiente em que o aluno vive. Raramente, os superdotados têm múltiplas habilidades. Portanto, uma boa pista para encontrá-los é reparar no desempenho e no interesse muito

maiores por um determinado assunto. Segundo Hellen, existe um mito bastante comum que é o do pai dominador e exigente que leva seu filho a superdesempenhar uma habilidade. No entanto, na grande parte das vezes, os pais muitas estimulam e encorajam, mas não dão o dom às crianças.

Famílias de pessoas com altas habilidades têm sido estudadas e suas características têm sido mapeadas pela literatura há mais de um século, indicando a influência do contexto familiar no desenvolvimento dos talentos dos filhos (Aspesi, 2003). Estudos mostraram que estas famílias têm muitas características em comum. De um modo geral, as famílias de crianças com potencial elevado são descritas pela literatura como famílias harmoniosas, afetivas, coesas e com menos conflitos do que as famílias de crianças que não demonstram características de altas habilidades (Winner, 1998).

Sabe-se que o primeiro ambiente de desenvolvimento de uma criança é o ambiente familiar e é exatamente neste ambiente que vão ser notados os primeiros sinais das habilidades do filho. Estudos mostram que, normalmente, estas habilidades começam a se mostrar aos seis anos e em alguns casos podendo aparecer até antes, aos três anos, por exemplo.

Os pais costumam questionar a origem das altas habilidades do filho e buscam compreender o motivo pelo qual seu filho apresenta essas habilidades diferenciadas. (Silverman, 1997). Alguns pais não sabem lidar com essa necessidade educacional do filho e, por muitas vezes, até por falta de informação, não os estimulam. Esta falta de estimulação pode acarretar muitas conseqüências, dentre elas, a perda dessas habilidades, a falta de interesse pela escola e até evasão.

Observa-se ser comum encontrar pais que se identificam com as características dos filhos e relatam ter apresentado as mesmas facilidades e dificuldades observadas, quando tinham a mesma idade dos mesmos (Silverman, 1997).

Diante dessa demanda, a Secretaria de Educação Especial, implantou os Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação – NAAH/S. Nestes núcleos, os superdotados encontram estímulos para desenvolver suas habilidades. O núcleo conta com a formação de professores que identificam e incentivam os superdotados na área de cada um. O núcleo tem como objetivo, também, informar as famílias sobre as necessidades de seus filhos e mostrar aos pais como podem estimulá-los no dia-a-dia.

Escola e Superdotados

Outro mito que precisa ser esclarecido é o de que as crianças superdotadas não precisam de professores tanto como as outras crianças, já que têm altas habilidades e são “auto-suficientes”. As crianças com altas habilidades precisam muito de seus professores, tanto em ambiente curricular como extracurricular. Eles precisam encontrar nestes ambientes desafios ou coisas que prendam seu interesse como algo criativo, estimulador, que faça com que eles pensem, elaborem estratégias para resolver problemas, entre outros.

Segundo a presidente do Conselho Brasileiro de Superdotação, Susana Graciela Pérez Barrera Pérez, assim como os estudantes diagnosticados com algum tipo de deficiência, os que têm altas habilidades precisam de uma flexibilização da aula para que suas necessidades particulares sejam atendidas, o que os coloca como parte do grupo que tem de ser incluído na rede regular de ensino. "O que devemos oferecer a eles são desafios”.

Diagnóstico

É importante que os pais e professores estejam atentos às características, que podem ser as mais variadas possíveis. Elas, como já dito, envolvem interesse por determinada área, desenvolvimento intelectual acima da média da maioria das crianças da mesma faixa etária, argumentos e raciocínios rápidos e até maus comportamentos. O professor deve desconfiar de estudantes com vocabulário avançado, perfeccionistas, contestadores, sensíveis a temas mais abordados por adultos e que não gostem de rotina (Cinthia Rodrigues). Depois disso, o aluno deve ser encaminhado para os núcleos de atividades e avaliado por um psicopedagogo e, sendo o caso, incluí-lo na educação especial.

O estudante com altas habilidades costuma ter um interesse tão grande por uma das disciplinas que acaba negligenciando as demais. A facilidade de expressar-se, por exemplo, pode ser usada para desafiar o professor e os colegas. Mesmo os mais aplicados dificultam a aula ao monopolizar a atenção. Muitos não querem trabalhar em grupo por não entender o ritmo "mais lento" dos colegas. A descoberta das altas habilidades é o primeiro passo para melhorar esses comportamentos. Primeiro, porque muda o olhar do professor. Também porque o próprio jovem passa a aceitar melhor as diferenças. (Cinthia Rodrigues). Mas é importante também estar atento aos diagnósticos errôneos que podem trazer diversos prejuízos e até traumas às crianças.

A educação inclusiva é tão necessária aos superdotados quanto à educação tradicional. Assim, os superdotados vão encontrar um sentido naquele ambiente. Muitas crianças com altas habilidades são rotuladas como bagunceiras e até hiperativas, exatamente por essa falta de interesse, por achar o conteúdo fácil demais. Este também é um dos motivos pela evasão. Segundo Ellen, essas crianças tendem a ser isoladas na escola por ter interesses diferentes das outras crianças de sua idade, que normalmente se interessam em brincadeiras, enquanto aquelas querem ler livros sobre diversos assuntos, resolver problemas, elaborar e desenvolver projetos, entre outros.

Estas crianças precisam ser assistidas de forma adequada para que possam desenvolver seus talentos, tanto no ambiente familiar quanto no escolar.

Conclusão

Observa-se a importância do papel da família e da escola na identificação e desenvolvimento das altas habilidades. A família, incentivando em casa, e a escola, estimulando as necessidades específicas de cada aluno. “Sem estímulos, uma criança superdotada vai perdendo aos poucos seu diferencial e termina por se igualar às demais”, afirma a psicóloga Marsyl Mettrau, presidente da Associação Brasileira de Superdotados, também voltada para o aconselhamento de pais e alunos.

Foi visto também que, não só a genética é responsável pela superdotação, mas o papel do ambiente é essencial para o desenvolvimento desses talentos. Alguns estudos foram realizados com objetivo de atender melhor estes alunos. Para atender melhor o aluno e sua família, os profissionais que atuam nessa área precisam compreender como a família contribui para a emersão dos talentos do filho. Portanto, precisam compreender primeiramente como ocorre a relação entre a bagagem biológica familiar e a bagagem proveniente das experiências vivenciadas nos contextos da sociedade e da cultura, bem como de todo o clima afetivo que permeia as interações sociais e que estarão atuantes na manifestação das altas habilidades/superdotação. (Cristina de Campos Aspesi).

   E, por fim, colocamos a importância de a criança, depois de diagnosticada como superdotada, ser estimulada e incluída numa educação especial, porém sem privá-la da convivência com outras crianças. Não se pode esquecer que ela, mesmo com altas habilidades, é uma criança que pode errar e que precisa de compreensão e carinho, assim como as outras.

FORMAÇÃO:

Como pais e professores devem lidar com jovenscom altas habilidades

Dedicar tempo ao jovem. Discutir idéias, responder a perguntas, valorizar a curiosidade, a independência de pensamento e a tomada de decisões

Transmitir amor e confiança nas capacidades e demonstrar aceitação mesmo quando ele fracassa em alguma tarefa

Encorajar a busca por fontes diversificadas de conhecimento e oferecer materiais de leitura e oportunidades para desenvolver atividades

Estimular habilidades físicas e sociais como esportes e jogos de grupo, além de outras atividades que impliquem socialização

Fonte: Conselho Brasileiro de Superdotados (Conbrasd)

Quadro extraído do texto “Você pode ser um superdotado” de Ivan Padilla, 2004.

Referências:

Marília Auxiliadora Dessen; Cristina de Campos Aspesi; Cristina Maria Carvalho Delou; Maria Clara Sodré S. Gama, “A Construção de Práticas Educacionais para Alunos com Altas Habilidades/Superdotação Volume 3: O Aluno e a Família”.

Cinthia Rodrigues, “Como atender alunos com altas habilidades”.

Ivan Padilla, Você Pode ser um Superdotado. Ed. 343, 2004

Ellen, Superdotação: Mitos e Verdades.

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